Internacional

Nigéria e Brasil firmam acordo de US$ 1 bilhão para modernizar a agricultura e fortalecer a segurança alimentar

A Nigéria e o Brasil assinaram um acordo de cooperação de US$ 1 bilhão voltado à modernização da agricultura e ao reforço da segurança alimentar, marcando uma nova fase nas relações bilaterais entre a maior economia da África e a principal potência agroindustrial da América Latina.

O anúncio foi feito em Abuja, após reunião entre o vice-presidente nigeriano Kashim Shettima e o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin. O acordo prioriza a mecanização em larga escala, a transferência de tecnologia e a criação de centros de capacitação rural, com foco em fortalecer toda a cadeia de valor agrícola — desde a produção até o processamento. Atualmente, o setor emprega mais de 35% da força de trabalho nigeriana, mas responde por menos de 25% do PIB, devido à baixa produtividade.

Da subsistência à produção em escala

O projeto tem como base o modelo brasileiro “Mais Alimentos Internacional”, que impulsionou economias rurais na América Latina por meio de linhas de crédito, difusão tecnológica e cooperativas agrícolas.
Com o novo acordo, a Nigéria deverá receber centenas de tratores modernos, sistemas de irrigação e equipamentos de pós-colheita.

A formação técnica e o desenvolvimento de capacidades também são pilares centrais da parceria. Institutos agrícolas brasileiros colaborarão com universidades e escolas técnicas nigerianas na criação de currículos voltados à gestão do agronegócio, agricultura mecanizada e práticas sustentáveis adaptadas ao clima.

Segundo Shettima, a iniciativa representa “um marco na transição da Nigéria da agricultura de subsistência para uma agricultura comercial sustentável”, em sintonia com o objetivo do governo de atingir uma economia de US$ 1 trilhão até 2030.

Diversificação e atração de investimentos

Além do setor agrícola, o acordo abrange áreas como energia, defesa e infraestrutura. Especialistas interpretam a iniciativa como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação econômica, que coloca a agricultura como motor de emprego e alternativa à dependência das oscilações do petróleo.

Para o Brasil, a parceria representa um novo impulso nos mercados agrícolas emergentes da África. Empresas brasileiras dos ramos de fertilizantes, irrigação e engenharia agrícola devem ter papel essencial na execução do programa, abrindo caminho para novos fluxos de investimento Sul-Sul.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, o sucesso do projeto dependerá de coordenação eficaz entre os governos federal e estaduais, de mecanismos claros de financiamento e de fiscalização rigorosa para evitar o mau uso dos equipamentos — problema que prejudicou iniciativas anteriores.

Ainda assim, a dimensão e o desenho da parceria Nigéria–Brasil trazem expectativas positivas. Com tecnologia, capacitação e crédito direcionado no centro da estratégia, o acordo pode transformar o cenário agrícola nigeriano e consolidar o país como fornecedor regional de alimentos.

Se plenamente implementado, o programa deverá aprofundar a diversificação econômica da Nigéria e reforçar seu protagonismo na transformação agrícola africana.

FONTE: Further Africa
IMAGEM: Reprodução/Further Africa

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