Evento, Inovação, Negócios

5º Seminário de Negócios Internacionais traz a Curitiba presidente do Google Brasil para abordar inovação em tempos de IA

Promovido pela Fiep e WTC Curitiba, com patrocínio do Ascensus Group, evento acontece de 12 a 14 de agosto, vai reunir palestrantes internacionais e realizar rodadas de negócios

Em 2024, o Seminário reuniu cerca de 1,1 mil pessoas, a convite da Fiep e do WTC Curitiba. Foto: Rodrigo Félix Leal

O 5º Seminário de Negócios Internacionais, que será realizado de 12 a 14 de agosto, traz a Curitiba o presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, que vai abordar os desafios e oportunidades das empresas com a inteligência artificial

Com o tema “Como potencializar as empresas brasileiras e o nosso ambiente de inovação em tempos de inteligência artificial”, Coelho vai destacar a importância da IA como motor de transformação e vantagem competitiva no cenário global.

Segundo ele, a inteligência artificial não é mais uma tendência futura, mas já está moldando o presente dos negócios em várias áreas, como saúde, educação, comércio, serviços, logística, entre outras.

Diante disso, o Brasil pode tomar a frente de negócios com IA por deter ativos importantes, como criatividade, diversidade e um ecossistema crescente de startups, que podem ser alavancados com o uso inteligente da tecnologia. 

WTCA Latin American Conference

Neste ano, o evento cresceu e terá um dia a mais no calendário. De acordo com a presidente do WTC Curitiba, Daniella Abreu, a expectativa é alta e deve superar o público do ano passado, quando participaram mais de 1,1 mil pessoas de 14 estados. “Nesse ano, teremos dois dias inteiros dedicados a palestras, com mais de 40 conferencistas, e um dia dedicado a rodadas de negócios e networking”, assinala.

Daniella informa ainda que, pela primeira vez no Brasil, será realizado o WTCA Latin American Conference, a reunião regional da América Latina do World Trade Centers Association (WTCA), a maior rede de negócios do planeta, atualmente presente em 91 países. O encontro terá a presença de mais de 30 representantes de escritórios da rede WTC da América Latina e Estados Unidos, que participarão da programação oficial do evento e realizarão reuniões B2B. “Será uma vitrine da força do Brasil e do potencial de internacionalização das nossas empresas”, destaca.

WTC Woman: líderes de destaque globais 

O seminário vai contar com uma intensa programação com líderes da indústria, representantes governamentais, embaixadores e executivos de grandes corporações globais. Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como Banco dos Brics, vai fazer a mediação de um debate sobre o novo cenário dos negócios internacionais.

Outro destaque será o painel “O papel dos líderes no atual cenário global”, com Gilberto Peralta, presidente do conselho da Airbus Brasil, e Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil. 

Já o painel WTC Woman abordará a presença de mulheres líderes de destaque no cenário internacional, como Ana Tena, do Banco Travelex, Esther Schattan, da Ornare, e Renata Amano, CEO da Bratac Seda.

Lançamento do projeto Paraná4Business

Os debates vão girar em torno de temas como investimentos, exportação, logística e o uso prático da inteligência artificial nos negócios internacionais. No painel “Exportando com sucesso”, empresas como LAT Global e Perfect Way compartilham cases de inserção no mercado externo.

Já no painel sobre logística internacional, executivos da DAF Caminhões, Terminal de Contêineres de Paranaguá e Porto de Itapoá vão trazer dados e desafios do setor. Além disso, a inteligência artificial volta à pauta com o painel técnico liderado por Diego Ramos, da Teltec Solutions, que apresentará soluções reais aplicadas ao comércio exterior, e Leonardo Prado, diretor de Marketing e Vendas LATAM da Logcomex.

Outro ponto alto será o lançamento do projeto Paraná4Business, plataforma desenvolvida pelo Sistema Fiep para fortalecer a atuação internacional das indústrias do estado. O propósito é consolidar a posição da indústria paranaense como principal destino de investimentos estrangeiros no Brasil.

Rodadas de negócios e conexões práticas

O fomento ao networking também faz parte do seminário. Por isso, será realizado o “Café das Nações”, promovido pela Câmara de Comércio da Índia em parceria com a Associação Comercial do Paraná (ACP). Além disso, serão realizadas rodadas de negócios com empresas selecionadas com foco no setor de máquinas, equipamentos e tecnologia para o agronegócio, uma das áreas com maior potencial de internacionalização no estado.

Com mais de 20 painéis, palestras e eventos de relacionamento, o 5º Seminário de Negócios Internacionais consolida-se como um espaço estratégico para fomentar o comércio exterior, a inovação e a integração empresarial entre o Brasil e o mundo.

As inscrições para o 5º Seminário de Negócios Internacionais já estão abertas, são gratuitas e limitadas. A programação está disponível pelo site https://www.wtccuritiba.com.br/seminario.

O 5º Seminário de Negócios Internacionais conta com o patrocínio do Ascensus Group, plataforma especializada em comércio exterior, logística, distribuição e operações portuárias. O apoio reforça o compromisso do grupo com a inovação, a internacionalização e a construção de conexões estratégicas entre o mercado global e o Brasil.

SERVIÇO:
5º Seminário de Negócios Internacionais
Data: 12 a 14 de agosto
Local: Fiep (Av. Comendador Franco, 1.341)
Realização: Fiep e WTC
Inscrições gratuitas no site https://www.wtccuritiba.com.br/seminario

Ler Mais
Negócios

Valor de mercado da Microsoft supera US$ 4 trilhões após resultados

Às 10h45 (horário de Brasília), as ações da Microsoft subiam 7,1%, cotadas a US$ 548,19

Microsoft ultrapassou US$ 4 trilhões em valor de mercado nesta quinta-feira (31), tornando-se a segunda empresa de capital aberto, depois da Nvidia, a superar essa marca. A valorização ocorre depois que a companhia publicou na noite da véspera resultado trimestral com receita acima do esperado.

Às 10h45 (horário de Brasília), as ações da Microsoft subiam 7,1%, cotadas a US$ 548,19.

A empresa previu um recorde de US$ 30 bilhões em investimentos para o primeiro trimestre do atual ano fiscal para atender à crescente demanda por produtos e serviços vinculados à tecnologia de inteligência artificial e publicou crescimento de vendas na divisão de computação em nuvem Azure.

“Ela está no processo de se tornar mais um negócio de infraestrutura em nuvem e líder em IA empresarial, fazendo isso de forma muito lucrativa e com geração de caixa, apesar dos pesados investimentos em IA”, disse Gerrit Smit, gerente de portfólio líder do Stonehage Fleming Global Best Ideas Equity Fund.

A Microsoft ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado em abril de 2019.

O avanço para a marca dos US$ 3 trilhões foi mais comedido do que o de Nvidia e Apple, sendo que a Nvidia, líder em IA, triplicou seu valor de mercado em cerca de apenas um ano, atingindo o marco de US$ 4 trilhões antes de qualquer outra empresa em 9 de julho.

A aposta multibilionária da Microsoft na OpenAI está provando ser um divisor de águas, reforçando as ofertas do Office Suite e do Azure com IA e impulsionando as ações da empresa a mais do que dobrar seu valor desde a estreia do ChatGPT no final de 2022.

O aumento da confiança de Wall Street na Microsoft vem na esteira dos recordes consecutivos de receita da gigante da tecnologia desde setembro de 2022.

A alta das ações também recebeu um impulso extra quando a Microsoft reduziu força de trabalho e dobrou investimentos em IA – determinada a consolidar liderança à medida que as empresas correm para aproveitarem a tecnologia.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Negócios

CSN vende parte da Usiminas a empresa dos irmãos Batista

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se desfez de parte de sua participação na Usiminas. A Globe Investimentos, empresa ligada à família Batista, controladora da JBS e da Eldorado Celulose, comprou 4,99% do capital da concorrente. O valor estimado da transação gira em torno de R$ 263,3 milhões.

O anúncio oficial foi feito nesta quinta-feira, 31, por meio de um fato relevante divulgado aos investidores. A operação envolveu mais de 62 milhões de ações, somando papéis ordinários e preferenciais da Usiminas. O negócio ocorre depois de pressão judicial sobre o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que exige o desinvestimento da CSN na rival desde 2014.

Fonte: Revista Oeste

Ler Mais
Negócios

WEG vai aportar R$ 160 mi na verticalização e expansão da produção de motores no ES

Projeto contempla também a aquisição de equipamentos de última geração para a fabricação de fios, etapa essencial no processo produtivo de motores elétricos

A WEG (WEGE3) informou nesta sexta-feira que vai investir cerca de R$ 160 milhões na verticalização e expansão da produção de motores elétricos em sua unidade de Linhares, no Espírito Santo, o que inclui a construção de um novo prédio industrial.

O projeto contempla também a aquisição de equipamentos de última geração para a fabricação de fios, etapa essencial no processo produtivo de motores elétricos.

“A nova estrutura tem início de operação previsto para 2027, com um plano de crescimento gradual da capacidade de produção de fios, alinhado à expansão projetada para a fabricação de motores elétricos nos próximos anos”, afirmou a Weg no comunicado.

Fonte: InfoMoney

Ler Mais
Industria, Negócios

Da cana-de-açúcar ao império Portobello: Cesar Gomes, o vitorioso líder industrial catarinense

Da cana-de-açúcar ao império Portobello: Cesar Gomes, o vitorioso líder industrial catarinense

Zeloso seguidor dos princípios e valores proclamados pelo pai, o patriarca Valério Gomes, o empresário Cesar Bastos Gomes tem merecido nas duas últimas semanas cumprimentos e manifestações de aplausos por sua singular trajetória como vitorioso líder industrial catarinense.

Está celebrando 97 anos, com um robusto e exemplar legado de concretas realizações.

Entre as principais, destaca-se o vigoroso Grupo Portobello, constituído pela Portobello Indústria Cerâmica (Tijucas), Portobello Shop (Florianópolis), Pointer (Alagoas) e Portobello America (USA).

E iniciativas pioneiras com filhos e netos, criando a Multilog Logística (Itajaí), uma das maiores do gênero no Brasil; a Cidade Criativa Pedra Branca-Hurbana (Palhoça), o Passeio Cultural Primavera e a Fiori Empreendimentos (Rancho Queimado).

Neste ano, o inovador empresário tem direito a festejar outra data absolutamente excepcional e significativa: 80 anos de relacionamento com sua atual esposa, a professora Maria Helena Ramos Gomes, dos quais 74 anos de harmoniosa convivência matrimonial, numa invejável, convergente e compartilhada parceria familiar.


Pioneirismo de Cesar Gomes

Cesar Gomes nasceu em Tijucas, filho do comerciante Valério Gomes, que de forma pioneira decidiu abrir a primeira usina de cana-de-açúcar em São João Batista. Com a fusão com a Usina Adelaide (Ilhota), outra em Gaspar, nascia a Usati (Usina de Açúcar Adelaide Tijucas).

O grupo expandiu atividades até a década de 1990, com a instalação de uma refinaria. Quando as usinas foram desativadas pela impossibilidade de competição com as grandes indústrias paulistas, veio a decisão de investir em outros negócios.

Como a região possuía matéria-prima de qualidade, a nova opção industrial foi a indústria cerâmica, que florescia dinâmica na região Sul, projetando marcas tradicionais catarinenses no mercado mundial. Estudos técnicos indicavam uma indústria em Itajaí, Tijucas e até Minas Gerais, pela proximidade com o maior mercado consumidor.

Cesar Gomes decidira pela instalação em Tijucas, também por amor à sua terra natal. E repetia que seu pai “tinha grande preocupação com a melhoria das condições de vida das famílias nas margens do rio Tijucas. E isso ele passou para mim”.

Com apenas 18 anos, atuou como oficial de gabinete do deputado Leoberto Leal, e aos 21 assumiu a administração da usina de açúcar em São João Batista, com fortes vínculos comunitários.

Cesar Gomes, empresário de fino trato

Para os líderes que atuam na Fiesc, “um gentleman, um empresário de fino trato”. Sua luminosa trajetória e a forma diplomática com que se relacionou com todos produziram muitas homenagens.

A mais importante, a Comenda da Ordem do Mérito Industrial da CNI, em 2001. Fato inédito em Santa Catarina e no Brasil: o filho, Cesar Junior, recebeu a mesma condecoração da CNI em 2022.

Portobello é a maior fabricante de revestimentos cerâmicos do Brasil

Fundado há 46 anos, o Grupo Portobello desponta hoje como o maior fabricante de revestimentos cerâmicos do Brasil e dos mais inovadores do continente, exporta para mais de 60 países.

Seu fundador, Cesar Gomes, estudou no Colégio Catarinense, morou durante anos com a esposa em São João Batista, junto à usina, foi salvo com a família por um helicóptero do Ministério da Agricultura nas pavorosas enchentes de 1961, que destruíram sua residência e a fábrica. A Portobello teve escritórios no centro histórico na rua Deodoro, na rua Dib Mussi e, atualmente, na SC-401.

Para filhos, netos, bisnetos, Cesar Gomes é “um agregador”, “um exímio conciliador”, uma pessoa que aprecia conversar com todo mundo, que nas empresas conhece os mais antigos pelo nome, que sempre se preocupou com as condições de trabalho e o progresso social deles.

“Jornada Cesalena”

Uma obra, de circulação restrita, fartamente ilustrada e caprichosamente elaborada, intitulada “Cesalena”, fusão de Cesar e Helena, traçou um minucioso histórico sobre a admirável jornada percorrida pelo casal durante décadas, sempre com encontros periódicos de toda a família.

Dessa convivência, permanecem os traços do singular perfil, proclamado de forma unânime. É definido também, entre familiares e amigos, como um homem “cerimonioso, de absoluta retidão em tudo, que tem na união da família o seu maior patrimônio”.

Uma máxima que transmitiu aos descendentes, verdadeira aula de administração empresarial e pública: “Ter sempre pessoas melhores do que a gente nos acompanhando”.

Aficionado em mecânica, cogitou de cursar engenharia, mas acabou colando grau em direito. Procura sempre se atualizar em leituras, reuniões, conversas sobre as empresas, sobre a comunidade e sobre o Brasil.

Viajou por vários países e continentes, sempre ligado. Nos programas de lazer, sempre com a esposa e algumas vezes com familiares, observa tudo para extrair lições dos bons exemplos. As agendas são organizadas pela esposa Maria Helena, que cuida de todos os detalhes e costuma escrever o diário de bordo já no embarque.

Católica, dona Maria Helena dedicou-se a vários projetos sociais, entre os quais, dedicando 28 anos de permanente atividade como voluntária do Educandário Santa Catarina, em São José, instituição que garante hoje educação e assistência a 540 crianças carentes.

Case internacional e dobradinha imbatível

Cesar Gomes, durante décadas não se descuidou dos avanços tecnológicos no exterior, participando de eventos nacionais e internacionais ligados ao setor cerâmico. Nos roteiros de trabalho e lazer, adotava a máxima “ler para aprender, viajar para estudar”.

O crescimento sólido e constante da Portobello, no Brasil e no mundo, teve outros componentes, como sua presença física constante na indústria, ouvindo os técnicos e simples colaboradores.

Até recentemente, ia a Tijucas, entrava na magnífica fábrica, cumprimentava funcionários mais antigos que conhecia e pedia para acompanhá-lo, indagando, observando e procurando inteirar-se dos problemas e dos progressos.

A Cerâmica Portobello é um case internacional de sucesso, também pelo comando de Cesar Gomes Júnior, o segundo filho do casal.

Formado em Administração pela Esag e “Business Administration and Management”, pela Harvard University, e MBA na Suíça, Cesinha, como é conhecido, atua na indústria há mais de 50 anos, sendo 33 anos como presidente executivo, e mais de cinco anos como presidente do conselho.

Os dois Cesares formaram uma dobradinha imbatível: o pai, na fábrica cuidando, inovando e aprimorando os produtos cerâmicos: o filho, identificando com ações inovadoras de vendas as reais necessidades do mercado. A rigor, a Portobello produzia aquilo que mais os consumidores desejavam. E, também, criava produtos que enriqueciam os ambientes.

Diversificação de mercado

O caçula da família, Eduardo Gomes, dedicou-se ao ramo de imóveis, fundando a Fiori Empreendimentos Imobiliários, que lançou projetos em Florianópolis e tem como maior realização um maravilhoso complexo residencial e de lazer em Rancho Queimado: o Jardim da Serra e o Terramilia.

A nova relação de criativos empreendedores dos Gomes é o neto engenheiro Marcelo, que batalhou desde o início na Pedra Branca e hoje preside a Hurbana, a empresa com megaprojetos inovadores, de lazer, serviços, gastronomia, comércio e habitação. Um fenômeno!

Pais, filhos e netos, em múltiplas atividades empresariais, seguem adotando um dos princípios do patriarca Valério Gomes, como “o valor da solidariedade humana” ou “a importância de dar vida à economia das comunidades e das cidades”. E um mandamento sagrado: “Sempre queremos fazer bem feito”.

Experiência internacional e a iniciativa de criar showrooms

A nova sistemática adotada pela Portobello Shop, idealizada por Cesar Junior, a partir dos estudos na Suíça, criou uma inovadora dinâmica comercial no Brasil, fortalecendo fina sintonia entre o mercado e a fábrica.

Contou com parcerias importantes das indústrias de azulejos, eis que a empresa tijuquense produzia pisos e revestimentos cerâmicos.

O formato Portobello Shop, concebido pelo jovem presidente, teve a criativa liderança da irmã Eleonora, filha única de Cesar Gomes.

Ela estabeleceu uma excepcional rede de relacionamentos com arquitetos, decoradores e os principais técnicos e profissionais envolvidos com construção, design e decoração.

O revolucionário sistema começou com a instalação de showrooms em todos os Estados e a criação em seguida de lojas de revenda dos produtos catarinenses. Ela montou e comandou pessoalmente uma megaloja em São Paulo, que vendia por 10 unidades.

Cesar Junior também já presidiu a Anfacer (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos de Cerâmica para Revestimentos) e hoje integra o conselho. Ganhou projeção no Brasil e no exterior como um dos idealizadores da Expo Revestir, a principal feira de produtos cerâmicos.

Tijucas teve antes e depois da fundação da Portobello

A família Sgrott tem especial gratidão pelo grupo Portobello e carinho singular pelo fundador Cesar Gomes. Uilson Sgrott, o pai, com 74 anos, começou a trabalhar com o empresário na usina de açúcar em janeiro de 1975, como técnico agrícola.

Atuou em várias empresas do grupo e, sobretudo, a partir de 1991 na Portobello, com a terceirização dos serviços de transporte da fábrica. Tinha apenas um caminhão e hoje sua empresa conta com 74 veículos, além de máquinas e carros menores.

Prefeito de Tijucas entre 2001 e 2005, não se cansa de elogiar o nível de relacionamento com a empresa e profunda admiração pelo fundador.

Destaca que o município teve duas fases: antes e depois da Portobello. A indústria oxigenou várias atividades econômicas, gerou empregos diretos para a população, impulsionou o comércio e o setor de serviços.

“Cesar Gomes é um homem fantástico. Todos aqui o tem como um grande amigo de Tijucas”, afirma o vitorioso empresário Uilson Sgrott.

O filho e atual prefeito, Maickon Sgrott, revela que a Portobello é responsável por 21,23% da receita total do município. No ano passado, contribuiu com R$ 750.345.399,05, além de inúmeras empresas que ali se instalaram no ciclo econômico.

“O Cesar Gomes é um catarinense muito além de seu tempo. Uma pessoa extraordinária, muito admirado aqui em Tijucas e em Santa Catarina. Seu legado representa um rico patrimônio para as futuras gerações”, completa o chefe do Executivo.

Perfil do grupo

O Portobello Grupo é composto por quatro unidades: Portobello, com duas fábricas no Brasil, em Tijucas e Marechal Deodoro (AL); a Portobello Shop, maior rede do país com 163 lojas de design e vendas; e a Portobello America, inaugurada em 2023, em Baxter, no Tennessee.

Conta com 4.500 colaboradores e produz 45 milhões de metros quadrados por ano de produtos cerâmicos. Sua receita líquida em 2024 foi de R$ 2,4 bilhões.

Fonte: ND+

Ler Mais
Negócios

Indiana Tata Motors comprará o grupo Iveco por € 3,8 bilhões

Em comunicado, empresas do ramo automobilístico falam em criar uma “campeã global”

A Tata Motors, empresa indiana do setor automotivo, vai comprar o grupo Iveco, da Itália, por € 3,8 bilhões (cerca de R$ 24,5 bilhões), anunciaram as duas empresas por meio de nota na 4ª feira (30.jul.2025).

O acordo não inclui a linha de defesa do Iveco –fabricante de veículos blindados e militares– e os rendimentos líquidos desse segmento.

O acordo une duas empresas líderes em seus respectivos mercados e busca criar um competidor global no setor de veículos comerciais. O conselho de administração do grupo Iveco já recomendou que a oferta apresentada pela Tata Motors seja aceita.

A operação deve ser concretizada em Mumbai, na Índia, sede da Tata Motors, e em Turim, na Itália, onde fica a sede do grupo Iveco.

De acordo com o comunicado, a decisão de unir as operações baseia-se na complementaridade das capacidades das empresas e em sua visão estratégica compartilhada.

A aquisição representa um movimento estratégico para o Tata Group, conglomerado indiano com presença em mais de 100 países. A empresa possui operações em diversos setores, incluindo automóveis, aço, consultoria de TI (Tecnologia da Informação), produtos de consumo e telecomunicações, com receita combinada de US$ 128 bilhões (cerca de R$ 640 bilhões) no ano fiscal de 2023-24.

As companhias afirmam que a combinação resultará em um grupo com “alcance, portfólio de produtos e capacidade industrial para ser um campeão global neste setor dinâmico”. O novo player terá presença em mais de 180 países, sendo o Iveco mais forte na Europa e América do Sul, e a Tata Motors, na Índia e em outros mercados emergentes.

O cronograma detalhado para a conclusão da transação, bem como os planos específicos para a integração das operações depois da finalização do acordo, ainda não foram divulgados no anúncio. Espera-se que a transação seja concluída até o final do 1º trimestre de 2026, sujeita às aprovações regulatórias necessárias e outras condições habituais.

Fonte: Poder 360

Ler Mais
Negócios

10 maiores multinacionais brasileiras nos Estados Unidos

A expansão de multinacionais brasileiras para mercados estrangeiros é um cenário cada vez mais comum, pois contribui para o fortalecimento da economia de todos os países envolvidos. As empresas brasileiras têm se destacado ao estabelecerem presença em diversas nações, sobretudo nos Estados Unidos, a maior potência econômica do mundo.

A busca por novas oportunidades de crescimento, o acesso a tecnologias de ponta e a ampliação do alcance comercial são alguns dos benefícios que têm impulsionado esse cenário. Porém, atravessar fronteiras e conquistar um espaço sólido em solo norte-americano não é somente uma estratégia de expansão, mas também uma capacidade de se adaptar a contextos empresariais distintos e desafiadores. 

Ao longo deste artigo, você vai conhecer o panorama das 10 maiores multinacionais brasileiras nos Estados Unidos, de modo a evidenciar a relevância desses empreendimentos para o desenvolvimento econômico global e para o fortalecimento das relações entre Brasil e Estados Unidos. Boa leitura!

O que é considerada uma multinacional?

Uma empresa multinacional representa toda organização que, apesar de contar com uma sede oficial em seu país de origem, expandiu suas atividades para outras nações. Ou seja, é um negócio que atua de maneira internacional, independentemente da quantidade de países em que está presente.

As multinacionais também são chamadas de transnacionais ou empresas globais, sendo características do atual mundo globalizado em que vivemos. Elas começaram a surgir após a Revolução Industrial, passando a dominar o mercado com o fim da Segunda Guerra Mundial.

Para as organizações, esse modelo é uma forma de expandir os negócios e aumentar a presença global, além de maximizar os lucros. Já para os países que recebem filiais, há benefícios como o desenvolvimento tecnológico local, a geração de empregos e uma maior competitividade, o que traz melhores preços e variedade de produtos.

A expansão de multinacionais é um processo quase natural. Isso porque, quando uma empresa já contempla praticamente todo o seu mercado interno e percebe que há um nicho no mercado externo, é natural que ela queira abrir filiais, fábricas ou outras formas de extensões do negócio para conquistar novos consumidores e aumentar os seus lucros.

Como é a atuação de empresas brasileiras nos EUA?

Os EUA oferecem um futuro promissor para a expansão de empresas de diversos setores, impulsionando seu crescimento e apresentando um consumo mais atento e sustentável. É por isso que, nas últimas décadas, diversas organizações brasileiras passaram a marcar presença em território norte-americano.

De acordo com o “Mapeamento de Empresas Brasileiras Instaladas nos Estados Unidos”, elaborado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) em 2020, mais de 500 empresas do Brasil atuam nos EUA, em 29 setores de bens de consumo e de serviços. Elas demonstram forte representação nos segmentos de produtos comerciais, produtos de consumo e serviços comerciais.

As empresas presentes nos EUA têm uma média de 14 instalações no país, além de apresentarem uma média de 772 funcionários e atuarem em solo estadunidense há cerca de 16,7 anos. Outro dado interessante é quanto ao local de atuação dos brasileiros: a maioria (70%) concentra suas operações na Flórida, estado considerado como centro de acesso à América Latina, seguida por Texas e Califórnia.

Quais são as maiores multinacionais brasileiras instaladas nos EUA?

Após conhecer as características de uma multinacional e os números da atuação brasileira nos EUA, é hora de conferir as 10 maiores multinacionais brasileiras instaladas em solo norte-americano. Elas souberam enfrentar os desafios do mercado externo e construíram uma estratégia de sucesso, passando a obter boa parte de seu faturamento no exterior. A seguir, veja quais são elas.

1. Stefanini

Esta multinacional nasceu no interior de São Paulo, em 1987, com sede no município de Jaguariúna. Seu foco é na prestação de serviços, software e consultoria de informática, sendo considerada hoje como uma das principais empresas de Tecnologia da Informação (TI) do mundo.

A Stefanini tem subsidiárias em 37 países, incluindo os Estados Unidos, além de 24 mil empregados. Sua primeira filial internacional foi aberta na Argentina, em Buenos Aires, em 1996. Mas sua expansão no mercado exterior só foi se intensificar a partir dos anos 2000.

O sucesso da multinacional se deve, sobretudo, às suas aquisições internacionais, como a norte-americana RCG Staffing, especializada em recrutamento e treinamento de profissionais de TI para empresas, e a IHM Engenharia, integradora de sistemas, instrumentação, elétrica e TI Industrial.

2. Gerdau

Maior empresa brasileira produtora de aço, a Gerdau é outra multinacional com atuação expressiva nos Estados Unidos. Trata-se de uma organização centenária, inaugurada em 1901, com sede localizada na cidade de São Paulo. 

A empresa está presente em 9 países, conta com 32 unidades produtoras de aço e tem mais de 28 mil colaboradores diretos e indiretos no mundo. Além disso, é conhecida como uma das fornecedoras de aços longos mais importantes das Américas e de aços especiais no globo, reconhecida também como a maior recicladora da América Latina.

Sua primeira operação fora do país ocorreu em 1980, no Uruguai. A partir daquele ano, a empresa intensificou cada vez mais sua atuação no exterior, com a demanda dos Estados Unidos se tornando a principal fonte de ganhos de desempenho da multinacional no primeiro trimestre de 2023.

3. Tupy

Com sede em Joinville (SC), a Tupy é uma empresa global do mercado de metalurgia, focada na produção de componentes estruturais em ferro fundido de alta complexidade geométrica e metalúrgica. Foi fundada em 1938 e tem escritórios no Brasil e em outros quatro países: Alemanha, Estados Unidos, Itália e Holanda. 

As soluções de engenharia desenvolvidas pela Tupy são aplicadas nos setores de transporte de carga, infraestrutura, agronegócio e geração de energia. Os produtos são exportados para cerca de 40 países, contando com uma mão de obra de 13 mil funcionários.

Em 2022, a multinacional adquiriu a MWM, tradicional fabricante de motores e geradores. Assim, ingressou no setor de Energia & Descarbonização, Marítimo e de Reposição, melhorando ainda mais seus resultados.

4. Metalfrio

Produtora e fornecedora de soluções na indústria de refrigeração comercial, a Metalfrio tem fábricas na América Latina (Brasil e México) e Ásia (Rússia e Turquia). Mas sua atuação é muito mais ampla: conta com escritórios, lojas e representantes comerciais espalhados em 74 países nos 5 continentes.

Fundada em 1960, a multinacional oferece soluções customizadas para marcas mundiais e regionais, atendendo diferentes necessidades e mercados. Mesmo com uma atuação tão ampla, seu quadro de funcionários é baixo se comparado às demais empresas desta lista: são pouco mais de 1 mil colaboradores.

Graças ao seu empenho em alavancar a produção nas operações europeias, a Metalfrio se tornou uma das empresas que mais faturam fora do Brasil. Um resultado desse trabalho é o aumento de vendas na Europa e no Oriente Médio e um faturamento de mais de R$ 1 bilhão por ano.

5. JBS

A JBS foi fundada em Anápolis, no estado de Goiás, em 1953. Nesses 70 anos de atuação, a empresa se tornou uma das maiores indústrias de alimentos do mundo, passando a contar com cerca de 250 mil empregados e 500 unidades em mais de 20 países em 5 continentes, entre fábricas e escritórios. Em relação aos clientes, são mais de 275 mil em, aproximadamente, 190 países.

Seu primeiro negócio fora do país foi aberto em 2005, na Argentina. Mas o destaque fica por conta de sua atuação na América do Norte, onde opera as unidades JBS USA Beef (maior empresa de carne bovina do mundo) e JBS USA Pork (segunda maior produtora mundial de carne suína).

Marcas mundialmente famosas, como Seara, Swift e Friboi, pertencem à JBS e contribuem para seu faturamento expressivo. Porém, a multinacional vai além dos alimentos, comercializando também embalagens metálicas, itens de higiene e limpeza, colágeno, biodiesel, entre outros.

6. CZM

Outra empresa brasileira que se destaca no exterior é a CZM, fundada em 1976, em Belo Horizonte (MG). Se em seus primeiros anos o negócio consistia em apenas uma oficina de máquinas e tratores, nas décadas seguintes ele cresceu cada vez mais, tornando-se líder no mercado de produção de equipamentos de perfuração e cravação de estaca.

Hoje, a CZM tem uma fábrica em Contagem (MG) e outra na Geórgia (EUA), exportando seus produtos para mais de 30 países, com foco na América do Sul e do Norte. O portfólio inclui máquinas para fundação, construção civil, logística, mineração e energia.

O processo de internacionalização desta multinacional foi iniciado recentemente, mas ela chama a atenção pelas vendas e pós-vendas sem intermediários, diretamente das fábricas e filiais próprias. Desse modo, a relação com os clientes é mais rápida e fácil.

7. Marfrig

Em nossa lista de maiores empresas multinacionais brasileiras nos EUA, a Marfrig não poderia ficar de fora. Isso porque estamos falando da líder global na produção de hambúrgueres e uma das maiores empresas de proteína bovina do mundo.

Foi fundada há pouco mais de duas décadas, em 2000, tendo como sede São Paulo. Mas hoje, seus produtos estão presentes em mais de 100 países, reunindo 21 unidades produtivas bovinas, 10 centros comerciais e de distribuição em 4 continentes e cerca de 30 mil funcionários.

A Marfrig também produz e comercializa itens à base de proteína vegetal, sendo a primeira multinacional brasileira a atuar nesse setor em escala comercial. Para esse nicho, a empresa firmou um acordo exclusivo com a norte-americana Archer Daniels Midland Company (ADM), o que deu origem à PlantPlus Foods!, focada nas Américas do Sul e do Norte.

8. BRF

Em 2009, duas das maiores empresas de alimentos do mundo, a Sadia e a Perdigão, se fundiram, dando origem à BRF, cujo início das operações ocorreu em 2013. A multinacional está presente em mais de 130 países de 5 continentes e tem sede em Itajaí (SC), reunindo uma equipe de mais de 90 mil profissionais pelo mundo.

A atuação da BRF na América vem ganhando cada vez mais relevância nos últimos anos, pois é constituída de mercados com grande potencial de crescimento. Na região, a empresa tem 3 escritórios comerciais, 9 unidades produtivas e 13 centros de distribuição.

Desde 2021, a empresa decidiu investir em seu mercado nos Estados Unidos, Europa e China, tendo como objetivo o alcance de um faturamento de R$ 100 bilhões até 2030 nesses locais. Os esforços foram bem-sucedidos e a BRF tem apresentado bons resultados nos últimos anos.

9. DMS Logistics

Com sede no Rio de Janeiro (RJ), a DMS Logistics foi fundada em 1987 e é uma multinacional brasileira de agenciamento de carga, com polos em São Paulo e Miami. Ela impressiona pelo baixo número de funcionários (cerca de 300), mas também pela alta receita e faturamento milionário.

Se nos anos 1990 a empresa se dedicou a consolidar sua atuação, a virada do milênio foi marcada por uma forte expansão. Foi quando começou a atuar nos Estados e o processo de internacionalização foi concluído.

Um ponto forte da empresa é sua diversificação: em 2012, decidiu mudar de ares e deu os primeiros passos na indústria farmacêutica. Após poucos anos, esse se tornou seu principal segmento de atuação, mostrando que um negócio pode ter como foco diferentes produtos ou serviços.

10. WEG

A WEG é uma empresa voltada para o segmento de bens industriais, motores, compressores, entre outros. Tem sede na cidade de Jaraguá do Sul (SC) e foi criada em 1961, com sua primeira filial fora do Brasil tendo sido aberta nos Estados Unidos, em 1991.

É reconhecida no mercado como uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo, contando com uma equipe de mais de 39 mil colaboradores e 3 mil engenheiros em todo o globo. Além disso, tem filiais em 37 países e fábricas em 15, marcando presença em 5 continentes.

A WEG não comercializa seus produtos diretamente aos clientes, pois sua produção está voltada à compra de insumos e matérias-primas, como chapas de aço e cobre. Após adquiri-los com fornecedores, a empresa modifica-os e desenvolve equipamentos industriais.

Fonte: Amcham

Ler Mais
Negócios

Apple fechará loja na China pela 1ª vez, mas planeja novas unidades no país

Sediada em Cupertino, nos Estados Unidos, a Apple mantém mais de 50 lojas na região conhecida como Grande China

A Apple anunciou nesta segunda-feira, 28, que fechará, pela primeira vez, uma loja de varejo na China. Em comunicado em seu site, a empresa informou que a unidade localizada no Parkland Mall, no distrito de Zhongshan, na cidade de Dalian, encerrará suas operações em 9 de agosto.

Sediada em Cupertino, nos Estados Unidos, a Apple mantém mais de 50 lojas na região conhecida como Grande China.

Outra loja em Dalian continuará operando normalmente. A Apple também planeja abrir uma nova unidade em Shenzhen no dia 16 de agosto, além de já ter inaugurado uma loja em Anhui em janeiro deste ano.

Segundo a Bloomberg, a companhia pretende abrir mais pontos de venda em Pequim e Xangai ao longo do próximo ano.

De acordo com o South China Morning Post, os funcionários da loja que será fechada poderão se transferir para outras unidades.

Fonte: InfoMoney

Ler Mais
Negócios

Adeus, Toyota: fabricante anuncia fechamento de fábrica no Brasil após 27 anos

Fechamento de fábrica da Toyota em Indaiatuba após 27 anos e reestruturação da produção no Brasil. Novos modelos e investimentos estão no caminho

Toyota anunciou o fechamento de sua histórica fábrica em Indaiatuba, no interior de São Paulo, após 27 anos de operação.

Em detalhes, a notícia pegou de surpresa o setor automotivo, visto que essa unidade foi responsável pela produção de mais de um milhão de unidades do Corolla, um dos modelos mais queridos pelos brasileiros.

Vale destacar que, esse movimento, contudo, faz parte de um plano estratégico de reestruturação da montadora japonesa no país, com foco em modernização e novos investimentos.

Fonte: Garagem 360

Ler Mais
Negócios

Carta das montadoras tradicionais a Lula parece chantagem contra ajuda à BYD

ANÁLISE: Às vésperas de decisão em Brasília sobre incentivo temporário à BYD, alguém da GM, Stellantis, VW ou Toyota comparou Lula a Trump

Um executivo de uma dessas quatro montadoras – GM, Stellantis, VW ou Toyota – teria comparado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, segundo reportagem de Felipe Pereira no portal UOL. A fala teria sido um endurecimento nos termos da carta que essas montadoras enviaram a Lula em 15 de julho. E ocorreu às vésperas da decisão em Brasília sobre o pleito da BYD, montadora chinesa que pede redução temporária da tarifa de importação para carros que serão montados no Brasil em CKD ou SKD.

Nesta quarta-feira (30), a Camex (Câmera de Comércio Exterior) deve decidir se aceita ou não o pedido da chinesa BYD de reduzir de 35% para 10% a tarifa de importação para carros eletrificados em sistema CKD (completamente desmontados) ou SKD (semidesmontados), com finalização da montagem no Brasil. Segundo o vice-presidente da BYD, Alexandre Baldy, o período de redução da tarifa seria de um ano, assinado com o governo da Bahia, para viabilizar a fabricação de carros chineses no Brasil.

Na carta enviada a Lula, assinada pelos presidentes/CEOs da General Motors (Santiago Chamorro), Stellantis (Emanuelle Cappellano), Volkswagen (Ciro Possobom) e Toyota (Evandro Maggio), as montadoras – com sede nos EUA, Holanda, Alemanha e Japão – argumentam que “a importação de conjuntos de partes e peças não será uma etapa de transição para um novo modelo de industrialização, mas representará um padrão operacional que tenderá a se consolidar e prevalescer”.

Há um claro tom de ameça de corte de investimentos na carta, que discorre longamente sobre os benefícios que a indústria automotiva trouxe ao Brasil, gerando 1,3 milhão de empregos e um faturamento anual de 74,7 bilhões de dólares. Não há nenhuma menção aos frequentes acordos de isenções de impostos que as montadoras tradicionais receberam – e ainda recebem – no Brasil, de governos municipais, estaduais e federal. O próprio Lula foi (e é) um dos maiores incentivadores da indústria automotiva transnacional estabelecida no país.

O Plano Mover, por exemplo, é um incentivo que foi praticamente desenhado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A carta da GM (Chevrovet), Volks, Toyota e Stellantis (Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot e Ram) também cita os recentes anúncios de investimentos da indústria automotiva no Brasil, que soma 180 bilhões de reais. Porém, parece haver uma chantagem implícita: “Esse círculo virtuoso de fortalecimento da indústria nacional está sendo colocado em risco e sofrerá forte abalo se for aprovado o incentivo à importação de veículos desmontados para serem acabados no país”.

Apesar da elevação das tarifas de importação de carros híbridos e elétricos, nos últimos dois anos, pouco se viu das citadas montadoras em termos de carros modernos eletrificados. Os modelos Pulse Hybrid e Fastback Hybrid, ambos da Fiat, foram as únicas novidades. E utilizam o sistema mais simples e barato da eletrificação, o MHEV de 12 volts, com impacto pequeno em tecnologia e descarbonização. Não existe um único plano anunciado de produção no Brasil de veículos elétricos ou híbridos plug-in, que são os únicos que a BYD pretende montar e futuramente fabricar na Bahia.

A Toyota fabrica carros híbridos não plugáveis (HEV) no Brasil desde 2019 (Corolla e Corolla Cross), entretanto o sistema é importado do Japão. A Toyota também faz testes com um carro a hidrogênio a partir do etanol em parceria com a USP (Universidade de São Paulo). Os carros elétricos da GM são importados do México ou da China. Híbridos estão prometidos para 2026. A Stellantis lançará este ano carros elétricos e híbridos de sua parceria chinesa Leapmotor e seguirá com mais carros híbridos leves de 12 volts. A Volkswagen não prometeu nada em termos de eletrificação. Traz dois carros elétricos da Alemanha, mas só por assinatura, bem cara, por sinal.

Diz mais a carta das quatro montadoras sobre a possível redução da tarifa de importação de carros chineses em sistema CKD ou SKD: “Representaria, na verdade, um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica”. Porém, o próprio presidente Lula já disse na Anfavea, em reunião fechada, que tem consciência que as matrizes dessas montadoras tradicionais não permitem que o carro brasileiro seja exportado para países da África, por exemplo. 

A rigor, o Brasil só exporta carros em grande volume para a Argentina e o México. No caso mexicano, as exportações estão em queda. O motivo é uma questão em aberto. Segundo a Anfavea, a culpa é do “custo Brasil”. Mas há especialistas que veem o Brasil perdendo terreno no México e em outros países da América Latina para os carros chineses.

Bem, nesta análise, convém lembrar que, embora as montadoras tradicionais tenham razão em ser contra a redução de tarifas para produção em CKD em longo prazo, isso é facilmente contornável. Basta fixar um prazo para a viabilização dessas novas tecnologias e, caso não se cumpra, aplicar multas pesadas. Um ano de incentivo seria mesmo motivo para colocar em risco 70 anos de história? Se for, a base tecnológica parece ser frágil.

A própria Volkswagen, quando chegou ao Brasil, utilizava o sistema SKD/CKD. Os Fuscas vinham praticamente prontos da Alemanha, em caixotes, que eram abertos em São Paulo e depois montados. Foi assim que a Volks criou uma base de clientes iniciais para poder produzir carros em grande volume no Brasil. Hoje, é a operação mais lucrativa da Volkswagen global, segundo disse o próprio CEO da marca alemã, Thomas Schäfer.

Portanto, se em outro momento a VW do Brasil teve esse apoio do governo, por que no momento atual o mesmo conceito não pode ser aplicado para a BYD Auto Brasil? Afinal, o que os chineses prometem é produzir no país carros elétricos urbanos e acessíveis (menos de 120 mil reais) num volume crescente que pode transformar o pequeno Dolphin Mini no “Fusca da Descarbonização”. Nem a Volkswagen nem a GM nem a Stellantis nem a Toyota tem um projeto desses. Se têm, poderiam mostrar. 

Para além disso, a gigantesca fábrica que a BYD está levantando na Bahia poderá futuramente produzir 600 mil veículos híbridos e elétricos – volume gigantesco que poderá transformar o Brasil num grande pólo exportador desse tipo de carro para a América Latina. Talvez essa seja a verdadeira razão de toda a narrativa – que já dura três anos – sobre uma suposta quebra da indústria automotiva estabelecida no país.

Até onde sabemos, quem de fato está ameaçando o futuro das empresas de autopeças brasileiras, neste momento, é o presidente dos Estados Unidos. Não seria o caso de Chamorro (Chevrolet) e Cappellano (Jeep e Ram) escreverem uma carta para o presidente Trump? Por que para Lula? De 15 de julho para cá a GM e a Stellantis tiveram tempo para mostrar ao governo dos Estados Unidos o estrago que podem fazer na indústria de autopeças do Brasil. Não sabemos se alguma carta foi enviada. 

É preciso ser justo. Por óbvio que os chineses da BYD querem vantagens, querem ganhar o mercado. Fazem isso porque toda a indústria automotiva faz isso no planeta inteiro. É lícito que os americanos da Chevrolet, da Jeep e da Ram, os italianos da Fiat, os franceses da Peugeot e Citroën, os alemães da Volkswagen e os japoneses da Toyota queiram defender seu legado.

Porém, não parece justo fazer ameaça de corte de investimento “se isso ou se aquilo”. Sem contar a descortesia de alguém que teria comparado o presidente Lula a Trump, que tem aplicado tarifas sem nenhuma base científica em todos os países – inclusive o Brasil – justamente num momento em que o governo tem um país para defender do ataque tarifário.

Entramos em contato com a assessoria dessas montadoras para comentar sobre essa comparação de Lula a Trump. Até o momento desta publicação, nenhuma delas se manifestou (caso comentem, será publicado). Também falamos com a Anfavea, que prontamente respondeu: “Não vamos comentar, nem sabemos quem falou isso”. Disse também que a Anfavea já tornou pública sua posição contra o pleito da BYD e que aguarda a decisão da Camex.

Fonte: Terra

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook