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10 maiores multinacionais brasileiras nos Estados Unidos

A expansão de multinacionais brasileiras para mercados estrangeiros é um cenário cada vez mais comum, pois contribui para o fortalecimento da economia de todos os países envolvidos. As empresas brasileiras têm se destacado ao estabelecerem presença em diversas nações, sobretudo nos Estados Unidos, a maior potência econômica do mundo.

A busca por novas oportunidades de crescimento, o acesso a tecnologias de ponta e a ampliação do alcance comercial são alguns dos benefícios que têm impulsionado esse cenário. Porém, atravessar fronteiras e conquistar um espaço sólido em solo norte-americano não é somente uma estratégia de expansão, mas também uma capacidade de se adaptar a contextos empresariais distintos e desafiadores. 

Ao longo deste artigo, você vai conhecer o panorama das 10 maiores multinacionais brasileiras nos Estados Unidos, de modo a evidenciar a relevância desses empreendimentos para o desenvolvimento econômico global e para o fortalecimento das relações entre Brasil e Estados Unidos. Boa leitura!

O que é considerada uma multinacional?

Uma empresa multinacional representa toda organização que, apesar de contar com uma sede oficial em seu país de origem, expandiu suas atividades para outras nações. Ou seja, é um negócio que atua de maneira internacional, independentemente da quantidade de países em que está presente.

As multinacionais também são chamadas de transnacionais ou empresas globais, sendo características do atual mundo globalizado em que vivemos. Elas começaram a surgir após a Revolução Industrial, passando a dominar o mercado com o fim da Segunda Guerra Mundial.

Para as organizações, esse modelo é uma forma de expandir os negócios e aumentar a presença global, além de maximizar os lucros. Já para os países que recebem filiais, há benefícios como o desenvolvimento tecnológico local, a geração de empregos e uma maior competitividade, o que traz melhores preços e variedade de produtos.

A expansão de multinacionais é um processo quase natural. Isso porque, quando uma empresa já contempla praticamente todo o seu mercado interno e percebe que há um nicho no mercado externo, é natural que ela queira abrir filiais, fábricas ou outras formas de extensões do negócio para conquistar novos consumidores e aumentar os seus lucros.

Como é a atuação de empresas brasileiras nos EUA?

Os EUA oferecem um futuro promissor para a expansão de empresas de diversos setores, impulsionando seu crescimento e apresentando um consumo mais atento e sustentável. É por isso que, nas últimas décadas, diversas organizações brasileiras passaram a marcar presença em território norte-americano.

De acordo com o “Mapeamento de Empresas Brasileiras Instaladas nos Estados Unidos”, elaborado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) em 2020, mais de 500 empresas do Brasil atuam nos EUA, em 29 setores de bens de consumo e de serviços. Elas demonstram forte representação nos segmentos de produtos comerciais, produtos de consumo e serviços comerciais.

As empresas presentes nos EUA têm uma média de 14 instalações no país, além de apresentarem uma média de 772 funcionários e atuarem em solo estadunidense há cerca de 16,7 anos. Outro dado interessante é quanto ao local de atuação dos brasileiros: a maioria (70%) concentra suas operações na Flórida, estado considerado como centro de acesso à América Latina, seguida por Texas e Califórnia.

Quais são as maiores multinacionais brasileiras instaladas nos EUA?

Após conhecer as características de uma multinacional e os números da atuação brasileira nos EUA, é hora de conferir as 10 maiores multinacionais brasileiras instaladas em solo norte-americano. Elas souberam enfrentar os desafios do mercado externo e construíram uma estratégia de sucesso, passando a obter boa parte de seu faturamento no exterior. A seguir, veja quais são elas.

1. Stefanini

Esta multinacional nasceu no interior de São Paulo, em 1987, com sede no município de Jaguariúna. Seu foco é na prestação de serviços, software e consultoria de informática, sendo considerada hoje como uma das principais empresas de Tecnologia da Informação (TI) do mundo.

A Stefanini tem subsidiárias em 37 países, incluindo os Estados Unidos, além de 24 mil empregados. Sua primeira filial internacional foi aberta na Argentina, em Buenos Aires, em 1996. Mas sua expansão no mercado exterior só foi se intensificar a partir dos anos 2000.

O sucesso da multinacional se deve, sobretudo, às suas aquisições internacionais, como a norte-americana RCG Staffing, especializada em recrutamento e treinamento de profissionais de TI para empresas, e a IHM Engenharia, integradora de sistemas, instrumentação, elétrica e TI Industrial.

2. Gerdau

Maior empresa brasileira produtora de aço, a Gerdau é outra multinacional com atuação expressiva nos Estados Unidos. Trata-se de uma organização centenária, inaugurada em 1901, com sede localizada na cidade de São Paulo. 

A empresa está presente em 9 países, conta com 32 unidades produtoras de aço e tem mais de 28 mil colaboradores diretos e indiretos no mundo. Além disso, é conhecida como uma das fornecedoras de aços longos mais importantes das Américas e de aços especiais no globo, reconhecida também como a maior recicladora da América Latina.

Sua primeira operação fora do país ocorreu em 1980, no Uruguai. A partir daquele ano, a empresa intensificou cada vez mais sua atuação no exterior, com a demanda dos Estados Unidos se tornando a principal fonte de ganhos de desempenho da multinacional no primeiro trimestre de 2023.

3. Tupy

Com sede em Joinville (SC), a Tupy é uma empresa global do mercado de metalurgia, focada na produção de componentes estruturais em ferro fundido de alta complexidade geométrica e metalúrgica. Foi fundada em 1938 e tem escritórios no Brasil e em outros quatro países: Alemanha, Estados Unidos, Itália e Holanda. 

As soluções de engenharia desenvolvidas pela Tupy são aplicadas nos setores de transporte de carga, infraestrutura, agronegócio e geração de energia. Os produtos são exportados para cerca de 40 países, contando com uma mão de obra de 13 mil funcionários.

Em 2022, a multinacional adquiriu a MWM, tradicional fabricante de motores e geradores. Assim, ingressou no setor de Energia & Descarbonização, Marítimo e de Reposição, melhorando ainda mais seus resultados.

4. Metalfrio

Produtora e fornecedora de soluções na indústria de refrigeração comercial, a Metalfrio tem fábricas na América Latina (Brasil e México) e Ásia (Rússia e Turquia). Mas sua atuação é muito mais ampla: conta com escritórios, lojas e representantes comerciais espalhados em 74 países nos 5 continentes.

Fundada em 1960, a multinacional oferece soluções customizadas para marcas mundiais e regionais, atendendo diferentes necessidades e mercados. Mesmo com uma atuação tão ampla, seu quadro de funcionários é baixo se comparado às demais empresas desta lista: são pouco mais de 1 mil colaboradores.

Graças ao seu empenho em alavancar a produção nas operações europeias, a Metalfrio se tornou uma das empresas que mais faturam fora do Brasil. Um resultado desse trabalho é o aumento de vendas na Europa e no Oriente Médio e um faturamento de mais de R$ 1 bilhão por ano.

5. JBS

A JBS foi fundada em Anápolis, no estado de Goiás, em 1953. Nesses 70 anos de atuação, a empresa se tornou uma das maiores indústrias de alimentos do mundo, passando a contar com cerca de 250 mil empregados e 500 unidades em mais de 20 países em 5 continentes, entre fábricas e escritórios. Em relação aos clientes, são mais de 275 mil em, aproximadamente, 190 países.

Seu primeiro negócio fora do país foi aberto em 2005, na Argentina. Mas o destaque fica por conta de sua atuação na América do Norte, onde opera as unidades JBS USA Beef (maior empresa de carne bovina do mundo) e JBS USA Pork (segunda maior produtora mundial de carne suína).

Marcas mundialmente famosas, como Seara, Swift e Friboi, pertencem à JBS e contribuem para seu faturamento expressivo. Porém, a multinacional vai além dos alimentos, comercializando também embalagens metálicas, itens de higiene e limpeza, colágeno, biodiesel, entre outros.

6. CZM

Outra empresa brasileira que se destaca no exterior é a CZM, fundada em 1976, em Belo Horizonte (MG). Se em seus primeiros anos o negócio consistia em apenas uma oficina de máquinas e tratores, nas décadas seguintes ele cresceu cada vez mais, tornando-se líder no mercado de produção de equipamentos de perfuração e cravação de estaca.

Hoje, a CZM tem uma fábrica em Contagem (MG) e outra na Geórgia (EUA), exportando seus produtos para mais de 30 países, com foco na América do Sul e do Norte. O portfólio inclui máquinas para fundação, construção civil, logística, mineração e energia.

O processo de internacionalização desta multinacional foi iniciado recentemente, mas ela chama a atenção pelas vendas e pós-vendas sem intermediários, diretamente das fábricas e filiais próprias. Desse modo, a relação com os clientes é mais rápida e fácil.

7. Marfrig

Em nossa lista de maiores empresas multinacionais brasileiras nos EUA, a Marfrig não poderia ficar de fora. Isso porque estamos falando da líder global na produção de hambúrgueres e uma das maiores empresas de proteína bovina do mundo.

Foi fundada há pouco mais de duas décadas, em 2000, tendo como sede São Paulo. Mas hoje, seus produtos estão presentes em mais de 100 países, reunindo 21 unidades produtivas bovinas, 10 centros comerciais e de distribuição em 4 continentes e cerca de 30 mil funcionários.

A Marfrig também produz e comercializa itens à base de proteína vegetal, sendo a primeira multinacional brasileira a atuar nesse setor em escala comercial. Para esse nicho, a empresa firmou um acordo exclusivo com a norte-americana Archer Daniels Midland Company (ADM), o que deu origem à PlantPlus Foods!, focada nas Américas do Sul e do Norte.

8. BRF

Em 2009, duas das maiores empresas de alimentos do mundo, a Sadia e a Perdigão, se fundiram, dando origem à BRF, cujo início das operações ocorreu em 2013. A multinacional está presente em mais de 130 países de 5 continentes e tem sede em Itajaí (SC), reunindo uma equipe de mais de 90 mil profissionais pelo mundo.

A atuação da BRF na América vem ganhando cada vez mais relevância nos últimos anos, pois é constituída de mercados com grande potencial de crescimento. Na região, a empresa tem 3 escritórios comerciais, 9 unidades produtivas e 13 centros de distribuição.

Desde 2021, a empresa decidiu investir em seu mercado nos Estados Unidos, Europa e China, tendo como objetivo o alcance de um faturamento de R$ 100 bilhões até 2030 nesses locais. Os esforços foram bem-sucedidos e a BRF tem apresentado bons resultados nos últimos anos.

9. DMS Logistics

Com sede no Rio de Janeiro (RJ), a DMS Logistics foi fundada em 1987 e é uma multinacional brasileira de agenciamento de carga, com polos em São Paulo e Miami. Ela impressiona pelo baixo número de funcionários (cerca de 300), mas também pela alta receita e faturamento milionário.

Se nos anos 1990 a empresa se dedicou a consolidar sua atuação, a virada do milênio foi marcada por uma forte expansão. Foi quando começou a atuar nos Estados e o processo de internacionalização foi concluído.

Um ponto forte da empresa é sua diversificação: em 2012, decidiu mudar de ares e deu os primeiros passos na indústria farmacêutica. Após poucos anos, esse se tornou seu principal segmento de atuação, mostrando que um negócio pode ter como foco diferentes produtos ou serviços.

10. WEG

A WEG é uma empresa voltada para o segmento de bens industriais, motores, compressores, entre outros. Tem sede na cidade de Jaraguá do Sul (SC) e foi criada em 1961, com sua primeira filial fora do Brasil tendo sido aberta nos Estados Unidos, em 1991.

É reconhecida no mercado como uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo, contando com uma equipe de mais de 39 mil colaboradores e 3 mil engenheiros em todo o globo. Além disso, tem filiais em 37 países e fábricas em 15, marcando presença em 5 continentes.

A WEG não comercializa seus produtos diretamente aos clientes, pois sua produção está voltada à compra de insumos e matérias-primas, como chapas de aço e cobre. Após adquiri-los com fornecedores, a empresa modifica-os e desenvolve equipamentos industriais.

Fonte: Amcham

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Negócios

Apple fechará loja na China pela 1ª vez, mas planeja novas unidades no país

Sediada em Cupertino, nos Estados Unidos, a Apple mantém mais de 50 lojas na região conhecida como Grande China

A Apple anunciou nesta segunda-feira, 28, que fechará, pela primeira vez, uma loja de varejo na China. Em comunicado em seu site, a empresa informou que a unidade localizada no Parkland Mall, no distrito de Zhongshan, na cidade de Dalian, encerrará suas operações em 9 de agosto.

Sediada em Cupertino, nos Estados Unidos, a Apple mantém mais de 50 lojas na região conhecida como Grande China.

Outra loja em Dalian continuará operando normalmente. A Apple também planeja abrir uma nova unidade em Shenzhen no dia 16 de agosto, além de já ter inaugurado uma loja em Anhui em janeiro deste ano.

Segundo a Bloomberg, a companhia pretende abrir mais pontos de venda em Pequim e Xangai ao longo do próximo ano.

De acordo com o South China Morning Post, os funcionários da loja que será fechada poderão se transferir para outras unidades.

Fonte: InfoMoney

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Adeus, Toyota: fabricante anuncia fechamento de fábrica no Brasil após 27 anos

Fechamento de fábrica da Toyota em Indaiatuba após 27 anos e reestruturação da produção no Brasil. Novos modelos e investimentos estão no caminho

Toyota anunciou o fechamento de sua histórica fábrica em Indaiatuba, no interior de São Paulo, após 27 anos de operação.

Em detalhes, a notícia pegou de surpresa o setor automotivo, visto que essa unidade foi responsável pela produção de mais de um milhão de unidades do Corolla, um dos modelos mais queridos pelos brasileiros.

Vale destacar que, esse movimento, contudo, faz parte de um plano estratégico de reestruturação da montadora japonesa no país, com foco em modernização e novos investimentos.

Fonte: Garagem 360

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Negócios

Carta das montadoras tradicionais a Lula parece chantagem contra ajuda à BYD

ANÁLISE: Às vésperas de decisão em Brasília sobre incentivo temporário à BYD, alguém da GM, Stellantis, VW ou Toyota comparou Lula a Trump

Um executivo de uma dessas quatro montadoras – GM, Stellantis, VW ou Toyota – teria comparado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, segundo reportagem de Felipe Pereira no portal UOL. A fala teria sido um endurecimento nos termos da carta que essas montadoras enviaram a Lula em 15 de julho. E ocorreu às vésperas da decisão em Brasília sobre o pleito da BYD, montadora chinesa que pede redução temporária da tarifa de importação para carros que serão montados no Brasil em CKD ou SKD.

Nesta quarta-feira (30), a Camex (Câmera de Comércio Exterior) deve decidir se aceita ou não o pedido da chinesa BYD de reduzir de 35% para 10% a tarifa de importação para carros eletrificados em sistema CKD (completamente desmontados) ou SKD (semidesmontados), com finalização da montagem no Brasil. Segundo o vice-presidente da BYD, Alexandre Baldy, o período de redução da tarifa seria de um ano, assinado com o governo da Bahia, para viabilizar a fabricação de carros chineses no Brasil.

Na carta enviada a Lula, assinada pelos presidentes/CEOs da General Motors (Santiago Chamorro), Stellantis (Emanuelle Cappellano), Volkswagen (Ciro Possobom) e Toyota (Evandro Maggio), as montadoras – com sede nos EUA, Holanda, Alemanha e Japão – argumentam que “a importação de conjuntos de partes e peças não será uma etapa de transição para um novo modelo de industrialização, mas representará um padrão operacional que tenderá a se consolidar e prevalescer”.

Há um claro tom de ameça de corte de investimentos na carta, que discorre longamente sobre os benefícios que a indústria automotiva trouxe ao Brasil, gerando 1,3 milhão de empregos e um faturamento anual de 74,7 bilhões de dólares. Não há nenhuma menção aos frequentes acordos de isenções de impostos que as montadoras tradicionais receberam – e ainda recebem – no Brasil, de governos municipais, estaduais e federal. O próprio Lula foi (e é) um dos maiores incentivadores da indústria automotiva transnacional estabelecida no país.

O Plano Mover, por exemplo, é um incentivo que foi praticamente desenhado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A carta da GM (Chevrovet), Volks, Toyota e Stellantis (Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot e Ram) também cita os recentes anúncios de investimentos da indústria automotiva no Brasil, que soma 180 bilhões de reais. Porém, parece haver uma chantagem implícita: “Esse círculo virtuoso de fortalecimento da indústria nacional está sendo colocado em risco e sofrerá forte abalo se for aprovado o incentivo à importação de veículos desmontados para serem acabados no país”.

Apesar da elevação das tarifas de importação de carros híbridos e elétricos, nos últimos dois anos, pouco se viu das citadas montadoras em termos de carros modernos eletrificados. Os modelos Pulse Hybrid e Fastback Hybrid, ambos da Fiat, foram as únicas novidades. E utilizam o sistema mais simples e barato da eletrificação, o MHEV de 12 volts, com impacto pequeno em tecnologia e descarbonização. Não existe um único plano anunciado de produção no Brasil de veículos elétricos ou híbridos plug-in, que são os únicos que a BYD pretende montar e futuramente fabricar na Bahia.

A Toyota fabrica carros híbridos não plugáveis (HEV) no Brasil desde 2019 (Corolla e Corolla Cross), entretanto o sistema é importado do Japão. A Toyota também faz testes com um carro a hidrogênio a partir do etanol em parceria com a USP (Universidade de São Paulo). Os carros elétricos da GM são importados do México ou da China. Híbridos estão prometidos para 2026. A Stellantis lançará este ano carros elétricos e híbridos de sua parceria chinesa Leapmotor e seguirá com mais carros híbridos leves de 12 volts. A Volkswagen não prometeu nada em termos de eletrificação. Traz dois carros elétricos da Alemanha, mas só por assinatura, bem cara, por sinal.

Diz mais a carta das quatro montadoras sobre a possível redução da tarifa de importação de carros chineses em sistema CKD ou SKD: “Representaria, na verdade, um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica”. Porém, o próprio presidente Lula já disse na Anfavea, em reunião fechada, que tem consciência que as matrizes dessas montadoras tradicionais não permitem que o carro brasileiro seja exportado para países da África, por exemplo. 

A rigor, o Brasil só exporta carros em grande volume para a Argentina e o México. No caso mexicano, as exportações estão em queda. O motivo é uma questão em aberto. Segundo a Anfavea, a culpa é do “custo Brasil”. Mas há especialistas que veem o Brasil perdendo terreno no México e em outros países da América Latina para os carros chineses.

Bem, nesta análise, convém lembrar que, embora as montadoras tradicionais tenham razão em ser contra a redução de tarifas para produção em CKD em longo prazo, isso é facilmente contornável. Basta fixar um prazo para a viabilização dessas novas tecnologias e, caso não se cumpra, aplicar multas pesadas. Um ano de incentivo seria mesmo motivo para colocar em risco 70 anos de história? Se for, a base tecnológica parece ser frágil.

A própria Volkswagen, quando chegou ao Brasil, utilizava o sistema SKD/CKD. Os Fuscas vinham praticamente prontos da Alemanha, em caixotes, que eram abertos em São Paulo e depois montados. Foi assim que a Volks criou uma base de clientes iniciais para poder produzir carros em grande volume no Brasil. Hoje, é a operação mais lucrativa da Volkswagen global, segundo disse o próprio CEO da marca alemã, Thomas Schäfer.

Portanto, se em outro momento a VW do Brasil teve esse apoio do governo, por que no momento atual o mesmo conceito não pode ser aplicado para a BYD Auto Brasil? Afinal, o que os chineses prometem é produzir no país carros elétricos urbanos e acessíveis (menos de 120 mil reais) num volume crescente que pode transformar o pequeno Dolphin Mini no “Fusca da Descarbonização”. Nem a Volkswagen nem a GM nem a Stellantis nem a Toyota tem um projeto desses. Se têm, poderiam mostrar. 

Para além disso, a gigantesca fábrica que a BYD está levantando na Bahia poderá futuramente produzir 600 mil veículos híbridos e elétricos – volume gigantesco que poderá transformar o Brasil num grande pólo exportador desse tipo de carro para a América Latina. Talvez essa seja a verdadeira razão de toda a narrativa – que já dura três anos – sobre uma suposta quebra da indústria automotiva estabelecida no país.

Até onde sabemos, quem de fato está ameaçando o futuro das empresas de autopeças brasileiras, neste momento, é o presidente dos Estados Unidos. Não seria o caso de Chamorro (Chevrolet) e Cappellano (Jeep e Ram) escreverem uma carta para o presidente Trump? Por que para Lula? De 15 de julho para cá a GM e a Stellantis tiveram tempo para mostrar ao governo dos Estados Unidos o estrago que podem fazer na indústria de autopeças do Brasil. Não sabemos se alguma carta foi enviada. 

É preciso ser justo. Por óbvio que os chineses da BYD querem vantagens, querem ganhar o mercado. Fazem isso porque toda a indústria automotiva faz isso no planeta inteiro. É lícito que os americanos da Chevrolet, da Jeep e da Ram, os italianos da Fiat, os franceses da Peugeot e Citroën, os alemães da Volkswagen e os japoneses da Toyota queiram defender seu legado.

Porém, não parece justo fazer ameaça de corte de investimento “se isso ou se aquilo”. Sem contar a descortesia de alguém que teria comparado o presidente Lula a Trump, que tem aplicado tarifas sem nenhuma base científica em todos os países – inclusive o Brasil – justamente num momento em que o governo tem um país para defender do ataque tarifário.

Entramos em contato com a assessoria dessas montadoras para comentar sobre essa comparação de Lula a Trump. Até o momento desta publicação, nenhuma delas se manifestou (caso comentem, será publicado). Também falamos com a Anfavea, que prontamente respondeu: “Não vamos comentar, nem sabemos quem falou isso”. Disse também que a Anfavea já tornou pública sua posição contra o pleito da BYD e que aguarda a decisão da Camex.

Fonte: Terra

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Negócios, Portos

Empresa de Hong Kong considera incluir investidor chinês na venda de portos do Panamá

O conglomerado CK Hutchison, de Hong Kong, sugeriu nesta segunda-feira (28, noite de domingo no Brasil) a possibilidade de que “um grande investidor estratégico” chinês se junte ao consórcio liderado pela americana BlackRock que deseja comprar seu negócio de portos fora da China, incluindo suas operações no Canal do Panamá. 

Através da subsidiária Panama Ports Company, a CK Hutchison opera dois dos cinco portos do Canal do Panamá desde 1997 por meio de uma concessão pública. 

A venda anunciada em março por US$ 19 bilhões (quase R$ 105 bilhões) foi vista como uma vitória política para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que era contra a presença de empresas chinesas nesta importante via de transporte marítimo. 

Entretanto, a operação não foi bem recebida em Pequim, e o regulador de mercado da China anunciou em março que iria revisar o acordo para “proteger a concorrência justa” e “o interesse público”. 

Em um documento apresentado à Bolsa de Hong Kong, a CK Hutchison indica que serão necessárias mudanças nos integrantes do consórcio e na estrutura do acordo para que a operação possa “ser aprovada por todas as autoridades relevantes”. 

O conglomerado “continua em negociações com membros do consórcio com o objetivo de convidar um grande investidor estratégico [da China] para se unir como um membro relevante do consórcio”, disse o grupo em um documento apresentado à Bolsa de Hong Kong. 

A empresa não detalha com qual companhia chinesa está negociando. Recentemente, a agência Bloomberg publicou que o gigante naval chinês Cosco estava prestes a se unir ao consórcio. 

A analista da Bloomberg Intelligence, Denise Wong, afirmou que “as negociações em andamento e a possível inclusão de Cosco no consórcio provavelmente reduziram as preocupações com os obstáculos regulatórios chineses”.  

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou que Pequim “realizará a supervisão conforme a lei, salvaguardará firmemente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento, e manterá um mercado justo e imparcial”. 

– Acordo viável –

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump estabeleceu como uma de suas prioridades a gestão do Canal do Panamá que, segundo ele, agora é controlado por empresas chinesas. 

A estrutura original do acordo previa que a BlackRock assumisse o controle dos dois portos panamenhos da CK Hutchison, Balboa e Cristóbal, localizados respectivamente nos extremos do Pacífico e do Atlântico do canal.  

O portos restantes seriam geridos pela empresa Terminal Investment Limited, do magnata italiano Gianluigi Aponte.  

A CK Hutchison afirmou que “pretende dar tanto tempo quanto for necessário para que essas conversas culminem” em um acordo viável.  

Em várias ocasiões, havia destacado que não prosseguiria com nenhuma transação que não tivesse aprovação de todas as autoridades competentes.  

Após anunciar a venda ao consórcio liderado pela BlackRock, a CK Hutchison foi alvo de críticas da administração central chinesa e também de líderes em Hong Kong, cidade semiautônoma do gigante asiático.

Fonte: AFP

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Negócios

EUA e UE evitam guerra comercial com acordo de tarifa de 15%

Os Estados Unidos firmaram um acordo comercial preliminar com a União Europeia neste domingo, impondo uma tarifa de importação de 15% sobre a maioria dos produtos europeus — metade da taxa inicialmente ameaçada — e evitando uma guerra comercial maior entre os dois aliados, que juntos representam quase um terço do comércio global.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram o acordo no campo de golfe de luxo de Trump, no oeste da Escócia, após uma reunião de uma hora que selou o acordo após meses de negociações difíceis.

“Acho que este é o maior acordo já feito”, disse Trump aos repórteres, elogiando os planos da UE de investir cerca de US$ 600 bilhões nos Estados Unidos e aumentar drasticamente suas compras de energia e equipamentos militares norte-americanos.

Trump afirmou que o acordo — que supera um acordo de US$ 550 bilhões assinado com o Japão na semana passada — ampliará os laços entre as potências transatlânticas após anos do que ele chamou de tratamento injusto aos exportadores dos EUA.

Von der Leyen, descrevendo Trump como um negociador duro, disse que a tarifa de 15% seria aplicada “de forma geral”, afirmando mais tarde aos repórteres que foi “o melhor que conseguimos”.

“Temos um acordo comercial entre as duas maiores economias do mundo, e é um grande acordo. É um acordo enorme. Vai trazer estabilidade. Vai trazer previsibilidade”, disse ela.

O acordo reflete partes essenciais do pacto preliminar firmado entre os EUA e o Japão, mas, assim como aquele, deixa muitas questões em aberto — incluindo as tarifas sobre bebidas alcoólicas, um tema altamente sensível para muitos dos dois lados do Atlântico.

O acordo, que segundo Trump prevê US$ 750 bilhões em compras de energia dos EUA pela UE nos próximos anos e “centenas de bilhões de dólares” em compras de armamentos, provavelmente traz boas notícias para uma série de empresas europeias, incluindo a Airbus, a Mercedes-Benz e a Novo Nordisk — se todos os detalhes forem mantidos.

O chanceler alemão Friedrich Merz saudou o acordo, afirmando que ele evitou um conflito comercial que teria afetado duramente a economia alemã, voltada para exportações, e seu grande setor automobilístico. Montadoras alemãs como VW, Mercedes e BMW estavam entre as mais atingidas pela tarifa de 27,5% imposta pelos EUA sobre a importação de carros e peças.

A tarifa básica de 15% ainda será vista por muitos na Europa como excessivamente alta, especialmente em comparação com as expectativas iniciais do bloco de garantir um acordo de tarifa zero a zero.

Bernd Lange, o social-democrata alemão que preside a comissão de comércio do Parlamento Europeu, afirmou que as tarifas eram desequilibradas e que o pesado investimento da UE destinado aos EUA provavelmente ocorrerá às custas do próprio bloco.

Trump mantém a prerrogativa de aumentar as tarifas no futuro caso os países europeus não cumpram os compromissos de investimento, disse um alto funcionário do governo dos EUA a repórteres na noite de domingo.

O euro subiu cerca de 0,2% em relação ao dólar, à libra esterlina e ao iene dentro de uma hora após o anúncio do acordo.

ESPELHO DO ACORDO COM O JAPÃO

Carsten Nickel, vice-diretor de pesquisa da Teneo, afirmou que o acordo de domingo é “apenas um entendimento político de alto nível”, que não substitui um acordo comercial minuciosamente negociado: “Isso, por sua vez, cria o risco de diferentes interpretações ao longo do caminho, como visto imediatamente após a conclusão do acordo EUA-Japão.”

Embora a tarifa de 15% se aplique à maioria dos produtos — incluindo semicondutores e produtos farmacêuticos — há exceções.

Os EUA manterão uma tarifa de 50% sobre aço e alumínio. Ursula von der Leyen sugeriu que essa tarifa poderia ser substituída por um sistema de cotas; um alto funcionário da administração americana afirmou que líderes da UE pediram que as conversas sobre o tema continuassem.

Von der Leyen disse que não haverá tarifas de nenhum dos lados sobre aeronaves e peças de aeronaves, certos produtos químicos, alguns medicamentos genéricos, equipamentos para semicondutores, alguns produtos agrícolas, recursos naturais e matérias-primas críticas.

“Continuaremos trabalhando para adicionar mais produtos a essa lista”, afirmou ela, acrescentando que as bebidas alcoólicas ainda estavam em discussão.

Um funcionário dos EUA disse que a tarifa sobre aeronaves comerciais permanecerá em zero por enquanto, e que as partes decidirão juntas o que fazer após a conclusão de uma revisão americana, acrescentando que há “boas chances” de chegarem a um acordo com tarifa inferior a 15%. Nenhum prazo foi dado para a conclusão dessa revisão.

O acordo será promovido como uma vitória para Trump, que busca reorganizar a economia global e reduzir os déficits comerciais dos EUA acumulados ao longo de décadas. Ele já firmou acordos similares com Reino Unido, Japão, Indonésia e Vietnã, embora sua meta de “90 acordos em 90 dias” ainda não tenha sido alcançada.

Autoridades americanas disseram que a UE concordou em reduzir barreiras não tarifárias para automóveis e alguns produtos agrícolas, embora autoridades da UE tenham indicado que os detalhes desses padrões ainda estão em discussão.

“Lembrem-se, a economia deles é de US$ 20 trilhões… eles são cinco vezes maiores que o Japão”, disse um alto funcionário dos EUA a repórteres durante uma coletiva. “Então, a oportunidade de abrir o mercado deles é enorme para nossos agricultores, pescadores, pecuaristas, produtos industriais — para todos os nossos negócios.”

Trump criticou repetidamente a UE, dizendo que ela foi “formada para ferrar os Estados Unidos” no comércio. Ele tem reclamado há anos sobre o déficit comercial americano com a UE, que atingiu US$ 235 bilhões em 2024, segundo dados do Censo dos EUA.

A UE, por sua vez, aponta para o superávit americano em serviços, o que, segundo o bloco, ajuda a equilibrar a balança comercial.

Trump tem argumentado que suas tarifas estão gerando “centenas de bilhões de dólares” em receitas para os EUA, ignorando os alertas de economistas sobre os riscos inflacionários.

Em 12 de julho, Trump ameaçou aplicar uma tarifa de 30% sobre as importações da UE a partir de 1º de agosto, após semanas de negociações sem um acordo comercial abrangente.

A UE havia preparado tarifas de retaliação sobre 93 bilhões de euros (US$ 109 bilhões) em produtos americanos, caso um acordo para evitar as tarifas não fosse alcançado.

Fonte: Reuters

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Negócios

Itália anuncia financiamento bilionário ao Banco do Brasil para ajudar na retomada do Rio Grande do Sul após enchentes

O banco público italiano Cassa Depositi e Prestiti (CDP) concedeu um financiamento de 250 milhões de euros — aproximadamente R$ 1,6 bilhão — ao Banco do Brasil. Desse valor, 80% contam com a garantia da Sace, a agência italiana de crédito à exportação. O objetivo é contribuir com a recuperação econômica do Rio Grande do Sul, fortemente impactado pelas enchentes que ocorreram entre abril e maio de 2024.

De acordo com o CDP e a Sace, a colaboração reforça as linhas de crédito do Banco do Brasil voltadas a projetos de cunho ambiental e social. Metade dos recursos — 125 milhões de euros, cerca de R$ 800 milhões — será destinada especificamente a ações em regiões severamente atingidas pelas inundações no sul do Brasil.

A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de intensificação dos laços entre Itália e Brasil, que é o segundo maior parceiro comercial da nação europeia na América Latina. Em 2024, o intercâmbio comercial entre os dois países ultrapassou 10 bilhões de euros (cerca de R$ 65 bilhões), refletindo também o aumento da presença de empresas italianas em áreas-chave para a transição verde e digital.

– A operação com o Banco do Brasil está totalmente alinhada aos objetivos do Plano Estratégico 2025-2027, que promove intervenções para apoiar o crescimento sustentável dos países parceiros – afirmou Dario Scannapieco, CEO da CDP.

Fonte: Comunità Italiana

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Negócios

Renegociação contratual pós tarifaço Trump: um desafio a mais para as empresas

Comércio internacional, renegociação de contratos e os impactos em segurança jurídica Luís Fernando Guerrero

A recente imposição de tarifas pelo governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, aos produtos brasileiros, e a subsequente assinatura do Decreto nº 12.551/25 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial (Lei nº 15.122/25), inserem-se em um cenário de crescentes tensões comerciais globais, com profundas implicações para a segurança jurídica e o ambiente de negócios. É fato que tudo pode mudar a qualquer momento, mas, enquanto isso, a tomada de decisão, a previsibilidade e os planos de investimentos transitam em terreno nebuloso.

Um dos reflexos é a necessidade de as empresas, sejam de que segmento forem, precisarem rapidamente se realinhar à nova realidade, revendo custos e investimentos e buscando renegociar contratos para que possam enfrentar o que vem pela frente. Todos querem uma solução imediata, mas o fato é que, enquanto ela não chega, muitos já procuram um caminho de conciliação.

As novas tarifas impostas ao Brasil pelo governo norte-americano impõem um cenário desafiador, que inevitavelmente levará à renegociação de inúmeros contratos no comércio internacional. Essa necessidade iminente de renegociação gera uma onda de incerteza e fragiliza o planejamento estratégico das companhias.

A adaptação a esses novos cenários vai exigir das empresas agilidade para avaliar o impacto dessas mudanças e estudar a melhor estratégia para seguir adiante. Essa instabilidade compromete diretamente a inserção internacional do Brasil, uma vez que a previsibilidade e a segurança jurídica — pilares do comércio global — estão abaladas.

As tarifas unilaterais praticadas por Trump têm sido alvo de contestação no próprio sistema judicial norte-americano. Um painel de três juízes do Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos (CIT – US Court of International Trade) já se manifestou pela suspensão de tarifas globais impostas por Trump, citando poderes econômicos emergenciais.

O cenário é complexo, e cada setor tem uma realidade e prática comercial, com contratos fixos, esporádicos; compras rotineiras e pontuais. A cada um desses personagens jurídicos cabe uma análise específica e acompanhamento das mobilizações articuladas coletivamente, por meio de representações ministeriais e de entidades representativas de peso. A mobilização está acontecendo e requer avanço cuidadoso, diplomático. Meu entendimento é que qualquer solução somente virá de um alicerce consensual, de argumentos moderados e de tom conciliatório.

Em resposta a essa ação intempestiva e protecionista, o governo brasileiro agiu com a regulamentação da Lei da Reciprocidade Comercial. O Decreto nº 12.551/25 autoriza o Brasil a adotar medidas comerciais retaliatórias contra países ou blocos econômicos que impuserem barreiras unilaterais a produtos nacionais no mercado internacional. Em paralelo, seguimos com a pauta nos canais diplomáticos e de negociações, na tentativa de um diálogo que reverta a situação atual.

Espera-se, antes que a questão possa transbordar para demandas judiciais no Brasil e nos Estados Unidos, que a Convenção de Cingapura — Convenção das Nações Unidas sobre Acordos Internacionais Resultantes de Mediação, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo 181, de 2025, e também assinada pelos EUA — possa ser utilizada após trilhado o caminho do consenso.

O momento requer atenção redobrada quanto às análises de riscos e oportunidades que demandem grandes receitas. O cenário global hoje é de grande volatilidade. Nos resta acompanhar, otimistas, que os agentes competentes possam trabalhar em prol de um rápido reequilíbrio das relações Brasil x EUA, restaurando, dentro do possível, os aspectos da segurança jurídica e promovendo um ambiente de negócios mais saudável.

Fonte: Monitor Mercantil

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Negócios

Carta de empresas a Trump alertará sobre retaliação do Brasil

Documento pedirá a não aplicação do tarifaço e que o governo americano concentre seus esforços na chamada investigação 301

A carta que a U.S. Chamber of Commerce prepara para ser entregue ainda nesta semana ao governo dos Estados Unidos alertará a Casa Branca de que o tarifaço contra o Brasil poderá prejudicar as empresas americanas que importam ao país, bem como apontará riscos de retaliação para outras 4 mil empresas dos EUA que operam no país.

Nesse sentido, o documento pedirá a não aplicação do tarifaço e que o governo americano concentre seus esforços na chamada investigação 301.

Por exemplo, questões relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas injustas e preferenciais, fiscalização anticorrupção, proteção da propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

Ainda está em debate se as empresas americanas que atuam no Brasil assinarão o documento. A dúvida é se isso reforçará ou fragilizará o pedido.

Em outra frente, o setor privado americano começa a fazer sugestões sobre possíveis temas de convergência entre os dois países, como minerais críticos.

A avaliação é de que, embora empresas estejam acionando a Justiça americana para obrigar Trump a não aplicar o tarifaço, são remotas as chances de que haja uma decisão até o dia 1º de agosto.

Os relatos que chegam às empresas sobre a via judicial indicam que elas devem esperar pelo menos dois meses até que haja uma decisão. Esse foi o prazo médio que as ações relacionadas ao “Dia da Libertação”, em 2 de abril, levaram para serem julgadas.

Até houve vitórias na primeira instância, mas, quase imediatamente, o tribunal de apelações suspendeu as decisões.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Importação, Informação, Negócios

Importações disparam e puxam a retomada industrial: por que o crédito é essencial neste cenário

Brasil registra alta de 73% nas importações entre 2020 e 2025 e confirma tendência de reindustrialização. Para empresas que atuam no comércio exterior, acesso a crédito rápido e estratégico virou fator decisivo.

O primeiro semestre de 2025 confirma uma trajetória de aceleração nas importações brasileiras, com um crescimento acumulado de 73% no valor FOB desde 2020. O país importou mais de US$ 135 bilhões apenas nos primeiros seis meses do ano, o maior volume da série histórica. O avanço expressivo é mais do que um dado econômico: é o reflexo de um movimento coordenado de retomada industrial, investimentos em infraestrutura e reestruturação de cadeias produtivas.

Esse impulso, no entanto, tem um custo: à medida que empresas precisam importar mais insumos, peças, máquinas e produtos acabados para sustentar sua produção, o acesso a capital de giro e financiamento externo se torna determinante para não perder o timing da oportunidade.

Indústria e reindustrialização aceleram demanda por importações

O relatório Panorama Estratégico das Importações Brasileiras (2020–2025), elaborado pela equipe de inteligência da NAC Bank, revela que o salto nas importações não é homogêneo. Segmentos estratégicos, como energia offshore, aviação, automotivo e farmacêutico puxam a fila. Só a importação de plataformas de perfuração, por exemplo, cresceu 1.277% frente ao mesmo período do ano anterior. Já as partes de turbinas e motores aeronáuticos subiram 31%, e medicamentos preparados registraram alta de 22,5%.

“Esses números indicam um reposicionamento da economia. As empresas estão se reestruturando, buscando modernização e respondendo a uma demanda interna mais sofisticada. Isso exige insumos de alto valor agregado, que em boa parte vêm de fora”, explica a análise do documento.

A China segue como o principal parceiro comercial, com aumento de 22% nas exportações ao Brasil, seguida pelos Estados Unidos e Alemanha. O Brasil, portanto, importa mais — e importa melhor.

O desafio: financiar o crescimento com agilidade

Se por um lado o cenário é promissor, por outro ele exige decisões rápidas e acesso desburocratizado a capital. É aqui que entra a atuação de instituições como a NAC Bank, a primeira fintech brasileira especializada exclusivamente em crédito para comércio exterior.

A NAC oferece soluções desenhadas sob medida para quem importa. Entre os destaques:

  • Cargo Equity: linha de capital de giro com lastro logístico, em reais e sem IOF.
  • Pagamento Antecipado ao Exportador: financia o fornecedor antes mesmo do embarque.
  • NAC Machines: crédito para aquisição de máquinas e equipamentos diretamente na origem.
  • NAC Abroad: estrutura em moeda estrangeira com taxas competitivas.

“Hoje, ter um parceiro financeiro especializado não é mais diferencial. É questão de sobrevivência e competitividade. O importador precisa estar pronto para fechar negócios, muitas vezes em poucas horas, e não pode esperar pela morosidade bancária tradicional”, afirma a equipe da NAC.

O que esperar do segundo semestre

Com o real relativamente estável, sinais de reativação industrial e aumento na demanda por tecnologia e energia, a tendência é de manutenção do ritmo elevado de importações no segundo semestre de 2025. Isso acende um alerta para empresas que ainda operam com estruturas financeiras rígidas ou limitadas.

O cenário exige planejamento logístico, inteligência de mercado — e principalmente, crédito acessível, flexível e ágil.

A boa notícia? Há soluções no mercado que já entendem essa urgência. A NAC Bank é uma delas.

Quer entender como financiar suas importações com agilidade e segurança?
Acesse: www.nacdigital.com.br

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