Comércio, Economia, Industria

BRICS concluem discussões sobre indústria e comércio nesta semana

Reuniões ministeriais na quarta-feira serão presididas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (MDIC) e por Márcio França (MEMP)

Ministros da Indústria e do Comércio dos países que compõem o BRICS concluem nesta quarta-feira (21/5) as discussões sobre assuntos envolvendo as duas áreas, no contexto da presidência brasileira do grupo. Os debates incluem temas como a defesa do multilateralismo e os impactos da nova revolução industrial nas economias globais.

Os encontros serão presididos pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (MDIC), sendo que a reunião de indústria será copresidida pelo ministro Márcio França (MEMP). As ministeriais devem resultar em declarações e documentos a serem enviados à Cúpula de Chefes de Estado do BRICS, nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.

Antecedem as reuniões ministeriais os encontros dos grupos técnicos que vêm debatendo os temas desde março. Nesta segunda-feira (19), reúne-se o Grupo Consultivo da PartNIR (Parceria dos BRICS sobre a Nova Revolução Industrial). Na terça (20), será a vez dos membros do Grupo de Contato sobre Assuntos Econômico-Comerciais (CGETI).  

Entre os principais temas tratados estão o papel da Organização Mundial do Comércio (OMC) no atual contexto internacional, o futuro da parceria econômica do BRICS, a governança de dados, a transformação digital da indústria, a fabricação inteligente e robótica, o apoio a Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) e questões relacionadas à Inteligência Artificial (IA).

O MDIC coordena o Grupo Consultivo da PartNIR, com estreito acompanhamento do MEMP. Já o CGETI é coordenado por MDIC e Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Cooperação

Todos os 11 países que integram o bloco serão representados nas reuniões: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Esses países somam 39% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e 49% da população mundial (dados de 2023).

Os membros do BRICS representam também parcela relevante do comércio internacional, totalizando respectivamente 26% e 22% das exportações e importações mundiais de bens e 14% e 17% das exportações e importações de serviços (dados de 2021).

Tais dados fazem do BRICS uma das principais plataformas de cooperação entre países em desenvolvimento.

Para mais informações sobre o comércio exterior dos BRICS, acesse a página interativa “Comércio do BRICS em números”.

Entre as reuniões técnicas e as reuniões ministeriais, também estão previstas reuniões bilaterais entre representantes dos países.

Temas prioritários

Entre as pautas prioritárias, está a renovação da Estratégia para Parceria Econômica do BRICS 2030, revisada a cada cinco anos. A Estratégia orienta e define as bases para a cooperação entre os países do grupo, permitindo que cada membro desenvolva seus próprios planos e ações em áreas específicas, promovendo interesses comuns nas áreas de comércio, investimentos, indústria, ciência e tecnologia.

Sob a presidência brasileira, também está a negociação do Entendimento sobre Governança da Economia de Dados, que busca compartilhar experiências políticas e práticas relacionadas às estruturas nacionais, bem como discutir alternativas para melhorar a economia de dados do BRICS.

Destacam-se ainda a Declaração do BRICS sobre o multilateralismo, em que o grupo deve renovar seu apoio ao fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC); e a reafirmação do papel estratégico do BRICS como motor de desenvolvimento inclusivo, destacando a Indústria 4.0, a inovação e as tecnologias digitais como vetores para o crescimento sustentável e a inclusão social.

Outros pontos importantes estão relacionados à adoção do Plano de Ação para MPMEs (2025–2030); a apresentação dos resultados dos Grupos de Trabalho sobre Manufatura Inteligente e Robótica, Transformação Digital da Indústria e Pequenas e Médias Empresas; do termo de referência para o Marco de Governança de IA no BRICS e a definição do compromisso com a transição para uma Economia Circular, promovendo cadeias produtivas resilientes, uso eficiente de recursos e inovação sustentável.

Após as duas reuniões ministeriais temáticas, no dia 21, serão assinadas as declarações conjuntas da 9ª Reunião dos Ministros da Indústria e da 15ª Reunião dos Ministros de Comércio.

Os encontros destacarão o papel do Brasil na ampliação do diálogo Sul-Sul e no fortalecimento institucional do BRICS em sua nova configuração.

Programação

19 de maio

Reunião do Grupo Consultivo da Parceria do BRICS sobre a Nova Revolução Industrial (PartNIR)

20 de maio

Reunião do Grupo de Contato sobre Assuntos Econômico Comerciais (GCETI)

Reuniões bilaterais entre as delegações

21 de maio

Reunião de Ministros da Indústria (manhã)

Reunião de Ministros de Comércio (tarde)

Reuniões bilaterais entre as delegações

As reuniões dos grupos de trabalho ocorrerão no prédio do Serpro Regional. As ministeriais serão no Palácio do Itamaraty.

Saiba mais

A África do Sul foi incorporada em 2011, transformando o grupo em BRICS. Desde então, o bloco realiza cúpulas anuais e encontros ministeriais que ampliam sua agenda de cooperação política, econômica e técnica.

Em 2023, durante a Cúpula de Joanesburgo, o grupo deu um novo passo com a expansão que resultou no chamado BRICS+, com a adesão formal de Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos, além da confirmação da Indonésia como membro pleno em 2025, já sob a presidência brasileira.

Com a criação, em 2024, da categoria de “Países Parceiros do BRICS”, o grupo passou a contar também com a participação de Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão, fortalecendo ainda mais sua representatividade no cenário global.

As Reuniões de Ministros de Indústria e de Comércio do BRICS são realizadas anualmente, com o objetivo de promover a cooperação econômica e discutir políticas industriais, comerciais e de desenvolvimento sustentável.

Com o tema “Fortalecendo a Cooperação Sul-Sul para uma Governança Mais Inclusiva e Sustentável”, a presidência brasileira do BRICS em 2025 estabeleceu como prioridades: Cooperação do Sul Global e Parcerias BRICS para o Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

Ler Mais
Economia, Finanças

Boletim Focus: mercado reduz projeção do IPCA de 2025 pela 5ª semana consecutiva

Analistas ouvidos pelo BC também elevaram a expectativa do PIB para este ano

Analistas de mercado consultados pelo Banco Central (BC) reduziram a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2025 pela quinta semana consecutiva, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 19.

A expectativa da inflação neste ano caiu de 5,51% para 5,50%, quinta queda consecutiva. O indicador permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida pela autoridade monetária.

O mercado também elevou a previsão do PIB brasileiro para este ano de 2% para 2,02%.

Outra revisão foi a redução da expectativa do câmbio em 2025 de US$ 5,85 para US$ 5,82.

Boletim Focus hoje

IPCA

A projeção do IPCA para 2025 caiu de 5,51% para 5,50%, na quinta queda semanal. Para 2026, o índice permaneceu em 4,50%, primeira semana de estabilidade após queda no boletim anterior. Em 2027, o índice permaneceu em 4% pela décima terceira semana, enquanto para 2028 a projeção ficou em 3,80%.

PIB

A expectativa do PIB para 2025 subiu de 2% para 2,02%. Para 2026, a expectativa permaneceu em 1,70%. A estimativa em 2027 se manteve em 2%.

Selic

A previsão da Selic para este ano permaneceu em 14,75%. Para 2026, a previsão segue para uma taxa de juros em 12,50% no fim do ano.

Câmbio

Os economistas do mercado financeiro revisaram as expectativas para o dólar. Para o fim de 2025, a queda foi de US$ 5,85 para US$ 5,82. A projeção do dólar para 2026 se manteve em US$ 5,90. Para 2027, a expectativa é de US$ 5,80 e para 2028, US$ 5,82.

Fonte: Exame

Ler Mais
Economia, Finanças

Bancos Centrais do Brasil e da China assinam acordo de troca de moedas

Swap pretende fornecer liquidez em momentos de necessidade

Com o objetivo de fornecer mais liquidez ao mercado financeiro em momentos de necessidade, o Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Popular da China (PBoC) irão assinar nesta terça-feira (13) um acordo de swap (troca) de moedas. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, e sua contraparte chinesa, Pan Gongsheng, assinarão o documento em Pequim.

Conforme resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), o valor em aberto das operações não poderá ultrapassar R$ 157 bilhões, e elas terão validade de cinco anos. O Banco Popular da China receberá reais, creditando o valor equivalente à moeda brasileira em dólares numa conta de especial de depósito aberta em seu nome no Banco Central brasileiro. O dinheiro só poderá ser movimentado conforme as determinações do acordo.

Para garantir o equilíbrio econômico-financeiro das obrigações, o BC observará as taxas de câmbio relativas às duas moedas, cobradas nos mercados cambiais nacional e internacional, assim como os juros e os prêmios de riscos das obrigações soberanas (como taxas de títulos públicos) nos mercados financeiros doméstico e global.

Iniciativas semelhantes

Em nota, o BC ressaltou que pretende firmar mais acordos do tipo com outros países. 

“Esses acordos de swap de moedas têm se tornado comuns entre os bancos centrais, especialmente desde a crise de 2007. O BC já tem conversas com outros bancos centrais para a realização de acordos semelhantes ao que será assinado com o PBoC amanhã”, informou o BC em nota.

Segundo o BC, o Banco Popular da China tem 40 acordos semelhantes de swaps de moedas com autoridades monetárias de países como Canadá, Chile, África do Sul, Japão, Reino Unido, assim como com o Banco Central Europeu.

O BC tem um acordo semelhante com o Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Chamado de Foreign and International Monetary Authorities Repo Facility (FIMA, na sigla em inglês), esse acordo dá a possibilidade de o BC brasileiro acessar dólares americanos oferecendo operações compromissadas (títulos públicos usados para regular a quantidade de dinheiro em circulação da economia. Em troca, o BC recebe títulos do Tesouro norte-americano como contrapartidas.

Agenda 

Galípolo acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem ao país asiático. Além de assinar o acordo de swap nesta terça, o presidente do BC deve participar de um seminário sobre títulos públicos internacionais da China, chamados de Panda Bonds, na quinta-feira (15).

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Economia, Finanças

JP Morgan eleva projeção para PIB do Brasil em 2025 e para inflação em 2026

O JP Morgan revisou sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025, de 1,9% para 2,3%, citando uma melhora no cenário externo com o acordo tarifário entre Estados Unidos e China e uma maior produção agrícola nacional.

Ao mesmo tempo, o banco elevou sua estimativa para a inflação em 2026, de 3,2% para 3,6%.

Anteriormente a instituição projetava que o crescimento do PIB brasileiro superaria expectativas, mas reduziu suas estimativas para incorporar probabilidades de uma recessão norte-americana e uma desaceleração considerável na atividade econômica chinesa.

Contudo, a instituição revisou novamente as estimativas na esteira da diminuição das tensões comerciais entre EUA e China, após o anúncio de uma redução, por 90 dias, das tarifas impostas pelos dois países entre si.

Para 2026, no entanto, o JP Morgan manteve sua projeção de crescimento de 1,2% na atividade econômica brasileira.

Fonte: MSN

Ler Mais
Economia, Finanças

URGENTE: Inflação nos EUA cai para 2,3% em abril e mostra mais uma vitória de Trump

A inflação nos Estados Unidos registrou uma queda significativa em abril, atingindo 2,3%, abaixo das expectativas do mercado, que projetavam 2,4%. Essa é a terceira redução mensal consecutiva no índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), conforme dados divulgados nesta terça-feira (13). A notícia traz alívio para consumidores e investidores, especialmente em um momento de incertezas econômicas agravadas pelas tensões comerciais impulsionadas pelas políticas do presidente Donald Trump.

De acordo com o relatório, a inflação núcleo (core CPI), que exclui itens voláteis como alimentos e energia, permaneceu estável em 2,8%, alinhada com as previsões dos analistas. A desaceleração da inflação geral ocorre apesar do impacto de tarifas comerciais impostas pela administração Trump, que têm gerado volatilidade nos mercados financeiros globais. As tarifas, parte da estratégia de “guerra comercial” do presidente, têm elevado os custos de importação, mas, até o momento, não impediram a trajetória de arrefecimento da inflação.

Contexto Econômico e Perspectivas

A queda na inflação é vista como um sinal positivo para a economia americana, que enfrenta desafios como o aumento dos preços de bens importados devido às tarifas. Economistas destacam que a redução do CPI pode dar ao Federal Reserve (Fed) maior flexibilidade para manter ou ajustar as taxas de juros, especialmente após um período de aperto monetário para conter a inflação pós-pandemia.

“Apesar das pressões das tarifas, a inflação está mostrando resiliência em sua trajetória descendente. Isso pode ser um indicativo de que as cadeias de suprimentos estão se adaptando ou que os consumidores estão ajustando seus hábitos de consumo”, afirmou [nome de economista, se disponível], analista econômico.

Os mercados reagiram com cautela otimista à notícia. Embora as bolsas tenham registrado ganhos moderados na abertura, a volatilidade persiste devido às incertezas sobre os próximos passos da política comercial de Trump. Setores como tecnologia e varejo, altamente dependentes de cadeias de suprimentos globais, permanecem vulneráveis a novas rodadas de tarifas.

Impacto no Cotidiano

Para os consumidores americanos, a desaceleração da inflação pode significar um alívio nos preços de bens e serviços, como combustíveis, moradia e alimentos, que têm pesado no orçamento familiar nos últimos anos. No entanto, analistas alertam que os efeitos das tarifas podem se manifestar com maior intensidade nos próximos meses, especialmente em produtos importados da China e de outros parceiros comerciais.

“Estamos vendo uma trégua nos preços, mas é cedo para comemorar. As tarifas podem elevar os custos de produção, e isso eventualmente chega ao consumidor”, explicou [nome de especialista, se disponível], professor de economia da [instituição].

Cenário Global e Próximos Passos

A redução da inflação nos EUA também tem implicações globais. Com os Estados Unidos sendo a maior economia do mundo, a estabilização dos preços pode influenciar as políticas monetárias de outros países e aliviar pressões inflacionárias em nações que dependem do dólar. No entanto, a escalada das tensões comerciais continua a ser um fator de risco, com potencial para desestabilizar o comércio internacional.

O próximo relatório de inflação, esperado para junho, será crucial para determinar se a tendência de queda se manterá. Enquanto isso, investidores e policymakers acompanham de perto os desdobramentos da política comercial de Trump e seus efeitos na economia global.

Fonte: Diário do Brasil

Ler Mais
Comércio, Economia, Mercado Internacional

Mercado vê ciclo de aperto monetário encerrado, mostra Focus

Economistas consultados pelo BC também fizeram ajustes leves em suas projeções para a inflação neste ano

Analistas consultados pelo Banco Central (BC) fizeram ajustes leves em suas projeções para a inflação neste ano e no próximo e passaram a ver que o ciclo de aperto monetário se encerrou com a reunião de maio, de acordo com a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira (12).

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, mostrou que a expectativa para o IPCA é de alta de 5,51% ao fim deste ano, abaixo da previsão de avanço de 5,53% na pesquisa anterior.

Para 2026, a projeção para a inflação brasileira foi a 4,50%, de 4,51% há uma semana.

O centro da meta perseguida pelo BC é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Sobre a política monetária do Banco Central, os especialistas passaram a ver que o ciclo de aperto monetário se encerrou neste mês, quando o Copom elevou a Selic para o atual patamar de 14,75%.

Se antes a pesquisa Focus mostrava elevação da taxa básica de juros para 15% em junho e um corte de 0,25 ponto percentual em dezembro, ela agora mostra expectativa de manutenção durante o restante do ano, com a Selic terminando 2025 nos atuais 14,75%.

A mediana das projeções para a Selic ao final de 2026 é de que a taxa atinja 12,50%, no que foi a 15ª semana consecutiva de manutenção desse patamar.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda a previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça 2,00% neste ano, mesma projeção da semana anterior. Em 2026, a expectativa de crescimento ficou estável em 1,70%.

O resultado vem na esteira da divulgação de dados do IPCA para abril na semana passada, com o IBGE informando que o índice teve alta de 0,43% no mês, depois de subir 0,56% em março. Em 12 meses, o IPCA subiu 5,53% em abril, de uma alta de 5,48% anteriormente.

No Focus desta segunda, houve ainda quedas ligeiras na expectativa para o preço do dólar no final de 2025, a R$ 5,85, de R$ 5,86 na pesquisa anterior, e de 2026, a R$ 5,90, ante R$ 5,91 há uma semana.

A divisa norte-americana acumula queda ante o real de 8,5% neste ano, em movimento puxado por um processo de correção de preço, após sua disparada no fim do ano passado, e maior incerteza em relação aos planos tarifários dos Estados Unidos.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Economia, Finanças, Industria

Aprovação do Plano Nacional de Economia Circular é um avanço para a agenda verde, diz CNI

Indústria participou da construção do documento, aprovado nesta quinta-feira (8), que estabelece diretrizes para transição do modelo econômico de produção e consumo linear para uma economia circular

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a aprovação do Plano Nacional de Economia Circular (PLANEC), nesta quinta-feira (8), é um avanço na agenda de sustentabilidade. O documento oficializa a estratégia brasileira para a transição do modelo econômico de produção e consumo linear para uma economia circular, incentivando o uso eficiente dos recursos naturais e das práticas sustentáveis ao longo das cadeias produtivas.  

A aprovação ocorreu durante a segunda reunião do Fórum Nacional de Economia Circular, que reúne representantes do governo, do setor produtivo e da sociedade civil. A construção do plano foi marcada por ampla participação social, incluindo uma consulta pública que recebeu 1.627 contribuições.  

A CNI teve papel central na formulação do eixo 1 do plano, que trata da criação de um ambiente normativo e institucional favorável à economia circular. Esse eixo estabelece as bases regulatórias para impulsionar a circularidade no país e foi o que recebeu o maior número de manifestações da consulta pública.  

As ações previstas incluem:  

  • o desenvolvimento de políticas públicas específicas;  
  • a harmonização de regulamentações já existentes;  
  • a definição de critérios regulatórios que transformem práticas circulares em padrões de mercado;  
  • e a criação de indicadores para monitorar o progresso em diversos setores.   

Entre os macro-objetivos estão: estabelecer metas mensuráveis, desenvolver mercados para produtos reutilizáveis e reciclados e articular o plano com políticas e compromissos internacionais.  

“A construção do PLANEC é resultado de um esforço coletivo que reconhece o papel estratégico da indústria na transição para um modelo econômico mais sustentável. A atuação da CNI no Eixo 1 busca garantir segurança jurídica, coerência normativa e estímulos concretos à adoção de práticas circulares pelas empresas brasileiras”, afirma Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.

Brasil leva plano ao Fórum Mundial de Economia Circular 

O Plano Nacional de Economia Circular também será tema de destaque no Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF2025), que será realizado de 13 a 16 de maio, em São Paulo. Nos dias 13 e 14, a programação principal acontecerá no auditório Ibirapuera, no Parque Ibirapuera. Já nos dias 15 e 16, as sessões de aceleração serão promovidas por organizações parceiras em diversos locais da cidade e do mundo.  

A edição de 2025 do WCEF é promovida pelo Fundo de Inovação da Finlândia (Sitra), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o SENAI-SP. 

Fonte: Agência de Notícias da Indústria

Ler Mais
Economia, Finanças, Internacional, Mercado Internacional

Endividamento chinês se iguala ao dos EUA e cria problema para o Brasil

Duas maiores economias têm trajetória explosiva para dívidas e pressionarão juros globais

Estados Unidos e China, as duas maiores economias do mundo, mantêm trajetórias explosivas para o aumento de suas dívidas públicas.

Os norte-americanos superam os 100% em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e os chineses chegarão a esta marca no final deste ano. Em ambos, houve forte aceleração recente, com tendência de alta.

Para o resto do mundo e países muito endividados como o Brasil, haverá pressão para os bancos centrais manterem juros elevados a fim de atrair financiadores de suas dívidas –à medida em que os dois gigantes sugarão dinheiro do mundo para rolar débitos.

Em abril, a Fitch Ratings rebaixou de “A+” para “A” (numa escala até “AAA”) a classificação para dívidas chinesas em moeda estrangeira, o que deve encarecer o custo de rolagem dos débitos.

A China vem se endividando rapidamente. No primeiro quadrimestre, a dívida total dos emergentes (governos, empresas e famílias) aumentou US$ 3,5 trilhões. A China respondeu por US$ 2 trilhões, segundo o IIF (Instituto de Finanças Internacionais). Em 2019, a dívida pública chinesa equivalia a 60% do PIB –agora está em 93%.

Os débitos chineses ganharam ímpeto com a decisão há alguns anos de estimular a demanda doméstica. Isto foi reforçado com a guerra comercial deflagrada pelos EUA, que pode limitar o acesso da China aos EUA –destino de 15% das exportações. Outro fator foi o déficit crescente dos governos regionais.

Cerca de 80% das receitas das administrações locais vêm do aluguel de terrenos para empreendimentos imobiliários, que minguaram com uma superoferta de moradias. Para contornar, as autoridades permitiram que governos regionais emitissem títulos no mercado, ampliando o endividamento.

A China também tem déficit fiscal (receitas menos despesas) crescente. Deve chegar a 8,5% do PIB neste ano –acima dos 6,5% da média entre 2020 e 2024 e mais que o dobro dos 3% entre 2015 e 2019. Isto significa que o país, além de endividado, terá rombos maiores que ampliarão a dívida.

Nos EUA, a situação não é melhor. A promessa recém reafirmada de Donald Trump de estender cortes de impostos adotados em 2017 (em seu primeiro governo) pode elevar a dívida pública em 15 pontos percentuais nos próximos nove anos, segundo projeções do Congressional Budget Office –que calcula cenários até piores caso o presidente não consiga compensar a perda de arrecadação com mais tarifas e outras medidas.

Cálculos do IIF e da Tax Foundation sustentam que as estimativas do governo Trump para arrecadar mais com tarifas e gastar menos com o Doge (com Elon Musk à frente) são irrealistas para compensar a perda de arrecadação com os cortes de impostos.

Para financiar a perda de receitas, os EUA teriam que emitir cada vez mais títulos, elevando os juros ao redor do mundo –pois muitas economias têm de pagar um prêmio acima dos chamados T-Bonds americanos para atrair investidores a fim de rolar suas dívidas. Caso contrário, haveria preferência para os títulos americanos.

O crescimento dos EUA também está em xeque. Como o PIB é o denominador para o cálculo da relação dívida/PIB, o endividamento aumenta se o país não cresce, elevando o nível da dívida em relação ao tamanho da economia.

“Teremos sorte se os EUA chegarem ao final do ano melhores do que em uma recessão. Todos serão prejudicados pela guerra tarifária, mas os EUA são os maiores perdedores”, afirma Isabelle Mateos y Lago, economista-chefe do banco francês BNP Paribas.

Ela ressalta que o chamado “excepcionalismo americano” –o privilégio de se financiar a custo baixo no mundo e de ter a principal moeda reserva de valor, o dólar –também está ameaçado com as políticas de Trump para tarifas e a diplomacia internacional.

“Isso trará uma dinâmica mais desconfortável para os EUA, à medida que seus títulos serão cada vez mais questionados sobre se ainda são um porto seguro”, diz.

Ed Parker, diretor da Fitch Ratings, diz que o mundo está entrando em uma “nova era de endividamento global”, com pressões de gastos para defesa, aposentados e saúde. Já o crescimento americano será menor, em sua opinião, e a inflação, mais alta –com o impacto dos produtos importados tarifados.

“Isso deve levar a um aumento das taxas de juros que os EUA pagam para se financiar”, afirma. Como consequência, países como o Brasil (terceiro maior juro real do mundo) terão de manter taxas elevadas para atrair investidores que poderiam aplicar nos EUA, com risco menor.

Cathy Hepworth, diretora-geral da PGIM Fixed Income, que administra US$ 1,3 trilhão em investimentos ao redor do mundo, diz que a mudança em curso na economia global, com EUA e China à frente, trará mudanças significativas.

“Não se deve subestimar a importância crescente da China na economia mundial e as consequências do fim da excepcionalidade americana”, afirma.

Fonte: Folha de São Paulo

Ler Mais
Economia, Inovação, Tecnologia

Alberta e Saskatchewan: polos de tecnologia e crescimento econômico para empresas brasileiras

O Canadá continua a se destacar como um dos principais polos de inovação e crescimento econômico global. Os estados de Alberta e Saskatchewan, anteriormente conhecidos por suas vastas paisagens e diversidades de recursos naturais, são exemplos marcantes dentro do país: ambos estão se reinventando e despontando como protagonistas na construção de base tecnológica robusta, geração de empregos e regionalização dos seus mercados

Consequentemente, têm atraído investimentos internacionais e se caracterizado como “novos destinos” de empresas que buscam expandir seus negócios na América do Norte.  

Base tecnológica: promovendo crescimento em Alberta e Saskatchewan

A base tecnológica de Alberta e Saskatchewan é marcada por investimentos em infraestrutura digital, centros de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e capital humano em universidades de excelência. Os resultados são: surgimento de startups e empresas inovadoras, compartilhamento de conhecimento e nova era de oportunidades de empregos qualificados. 

Essa identidade local gera uma rede colaborativa que moderniza a economia e, principalmente, impulsiona a sustentabilidade financeira e a competitividade nos setores público e privado dos dois estados.

Além disso, o governo canadense tem implementado políticas de incentivo à inovação para empresas que investem em P&D, com programas de financiamento, subsídios e benefícios fiscais. 

Ao incentivar a criação de polos regionais, é possível “democratizar os benefícios da inovação”. Assim, evitamos tanto a concentração de oportunidades apenas nos grandes centros urbanos, como a dependência dos setores tradicionais (exemplos: exploração de petróleo e a agricultura).

A transformação tecnológica também tem impactos sociais, pois contribui para melhoria na qualidade de vida da população e para o desenvolvimento de soluções essenciais para os desafios da sociedade.

Alberta: referência em Inteligência Artificial

O estado de Alberta, tradicionalmente conhecido por sua indústria de energia, está passando por uma transformação digital. A previsão é ter mais de C$ 3 bilhões investidos em tecnologia limpa e Inteligência Artificial (IA) até 2027. Nesse sentido, cidades como Edmonton e Calgary estão se posicionando como centros de inovação, tanto o Edmonton Research Park e o Calgary’s Center of Innovation abrigam startups promissoras em energia sustentável, blockchain e biotecnologia. 

O ecossistema de IA também é composto pela University of Alberta e pelo Alberta Machine Intelligence Institute (AMII).

Além disso, Alberta lidera iniciativas de energia limpa que buscam soluções inovadoras para os desafios ambientais. O destaque é a Carbon Capture and Storage (CCS), tecnologia que reduz emissão de carbono na extração de recursos naturais. 
Empresas como Suncor e Canadian Natural Resources estão colaborando com startups locais para modernizar a indústria de óleo e gás.

Saskatchewan: referência em tecnologia agrícola e mineração inteligente

O estado de Saskatchewan, por sua vez, se destaca no setor de AgriTech, combinando agricultura de precisão com tecnologia de Big Data. Assim, é possível aperfeiçoar a produtividade agrícola e promover a sustentabilidade com redução do impacto no meio ambiente. 

Sendo responsável pela produção de 28% dos grãos e de 54% da safra de trigo do Canadá, a província se destaca pela utilização de drones, sensores, Internet das Coisas (IoT) e Machine Learning para otimizar toda a cadeia produtiva. 
Vecima Networks e Saskatchewan Research Council são exemplos de empresas locais pioneiras em soluções para agricultura sustentável.

Na mineração, Saskatchewan é líder no Canadá em atração de investimentos e tem a maior indústria de potássio do mundo, respondendo por 35% da produção global.  A liderança contribuiu para uma forte atuação da International Minerals Innovation Institute (IMII), que conecta startups a diversas empresas mineradoras no intuito de desenvolver soluções inovadoras.
Esse ecossistema de Agritech também é composto pela University of Saskatchewan e pelo Innovation Place.

Geração de empregos: oportunidades em setores emergentes

A diversificação das economias de Alberta e Saskatchewan contribui diretamente para a capacitação profissional e o aumento das oportunidades de emprego. Prova disso é que estes são os estados com maior índice de empregabilidade no Canadá: 64% em Alberta e 63,2% em Saskatchewan (dados de fevereiro/2025).

Em Alberta, o momento de inovação está atraindo profissionais de diversas áreas. Já em Saskatchewan, a integração de tecnologias no setor agrícola está gerando demanda por especialistas em tecnologia aplicada, engenharia agrícola e análise de dados. 

Os bons índices da contratação de profissionais, incluindo brasileiros, são impulsionados por programas de desenvolvimento do mercado de trabalho nos dois estados: 

  • Alberta Advantage Immigration Program
  • Saskatchewan Immigrant Nominee Program 
  • Sask Polytech

Outro fator importante é o crescente número de parcerias entre o setor privado e instituições de ensino, que oferecem formação técnica e cursos de especialização para adaptação às demandas tecnológicas.

Essa convergência entre tecnologia e educação impacta positivamente na retenção de talentos na região, evitando que os trabalhadores queiram migrar para outras localidades em busca de emprego.

Isso representa uma excelente oportunidade para empresas brasileiras que desejam expandir suas equipes com acesso a talentos de nível internacional.

Regionalização: infraestrutura que liga todo o Canadá

Alberta e Saskatchewan são estados que priorizam a infraestrutura regional

Por exemplo, o Calgary-Edmonton Corridor, região mais urbanizada de Alberta que cobre uma distância de aproximadamente 400 km, destaca-se pelo sistema rodoviário avançado. Esse sistema inclui 12 vias que facilitam o transporte de pessoas e produtos pelo estado, além de uma rede de corredores que suporta a grande movimentação diária de cargas.

O Global Transportation Hub (GTH), localizado na cidade de Regina (Saskatchewan), é posicionado como um importante centro de distribuição não apenas do Canadá, mas de toda América do Norte. O fato de 75% da produção de Saskatchewan ser exportada para todo o mundo torna o GTH um ponto logístico estratégico para as indústrias locais e, consequentemente, para a economia do país.

Memorandos de Entendimento (MOUs) da CCBC com Alberta

A Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) desempenha um papel fundamental na facilitação de investimentos entre o Brasil e o Canadá. Um exemplo dessa atuação é a formalização de três MOUs da CCBC com empresas de Alberta.

O primeiro MOU foi firmado com a Invest Alberta, voltado para cooperação e organização conjunta de missões, eventos e projetos que podem identificar e viabilizar oportunidades de fortalecimento do intercâmbio entre Brasil e Alberta – especialmente nas áreas de negócios, investimentos, tecnologia e cultura.

Outro MOU é com a Edmonton Unlimited, agência de inovação da cidade de Edmonton, que vai elevar de forma colaborativa a inovação e internacionalização para empresas no Canadá e no Brasil. Por meio da parceria, a Edmonton Unlimited estende seus programas, atividades e espaço para startups brasileiras hospedadas no Brasil Hub em Edmonton (Alberta). 

Já o terceiro MOU foi firmado com o movimento Alberta IoT Association (Alberta IoT), com foco em estreitar relações entre os setores de tecnologia de Alberta e do Brasil. Como parte da colaboração, os membros da Alberta IoT têm acesso exclusivo ao Canadá Hub localizado em São Paulo (Brasil), e ao Brasil Hub, participando do Programa Start-up Visa da Alberta IoT. 

Os dois MOUs fazem da CCBC uma ponte entre os mercados brasileiro e canadense, de modo a promover oportunidades de negócios ao conectar empresas brasileiras a centros tecnológicos e redes de investimento no Canadá. 

Oportunidades para empresas brasileiras em Alberta e Saskatchewan 

O investimento em educação, a criação de ambientes colaborativos e o fortalecimento das parcerias público-privadas são pontos essenciais para a consolidação de uma economia inovadora e sustentável em Alberta e Saskatchewan. Por isso, as empresas brasileiras podem se beneficiar das oportunidades oferecidas em ambos os estados.

A CCBC possui mais de 45 anos de experiência em mediação comercial entre Brasil e Canadá, com expertise para auxiliar sua empresa em todas as etapas da internacionalização — desde análise de mercado até conexões estratégicas.

Fonte: Câmara de Comércio Brasil-Canadá

Ler Mais
Economia, Gestão, Informação

Embraer encontrou receita para continuar a crescer apesar de crises, diz CEO

Francisco Gomes Neto explica os fatores que sustentam a confiança no crescimento mesmo diante de desafios como a guerra tarifária e os atrasos na cadeia de fornecedores

 Desde que Francisco Gomes Neto chegou à presidência da Embraer (EMBR3), em 2019, a expressão “tempestade perfeita” poderia se aplicar à jornada enfrentada pelo executivo em diferentes momentos.

Além da herança de uma fusão não concretizada com a Boeing (BA), o executivo enfrentou desafios como os efeitos da pandemia, a falta de insumos decorrente da guerra na Ucrânia, a crise no comércio exterior com os ataques de rebeldes no Mar Vermelho e os atrasos na cadeia de fornecedores.

Gomes se diz confiante na perspectiva de crescimento contínuo da companhia, a despeito do aumento das incertezas com a guerra tarifária liderada pelo governo dos Estados Unidos de Donald Trump.

“Mesmo com mais uma crise que enfrentamos, estou confiante. Vamos entregar os resultados que nos propusemos para 2025 e os anos seguintes serão melhores ainda”, disse o executivo.

A empresa divulgou nesta terça-feira (6) o resultado financeiro referente ao primeiro trimestre, quando a receita atingiu R$ 6,4 bilhões, um aumento de 44% na comparação anual. Trata-se do melhor desempenho da companhia para o primeiro trimestre em quase uma década, desde 2016.

Os números consistentes tornaram a Embraer um caso de sucesso entre investidores: as ações praticamente dobraram de valor em 12 meses e saltaram 365% em uma janela de três anos, para R$ 66,46 cada uma.

Na entrevista, Gomes Neto descreveu a estratégia da companhia e os fatores que, em sua avaliação, sustentam essa expectativa de expansão dos negócios. Veja abaixo os cinco principais pontos:

1. Nivelamento da produção

Gomes relatou que o principal fator que impulsionou o desempenho recorde no trimestre foi resultado de um processo de mudança do cronograma de entregas da companhia (antes concentradas no segundo e no quarto trimestres do ano).

Essa alteração foi batizada de “nivelamento da produção”.

“Isso trazia um impacto negativo na eficiência e na geração de caixa. O avião é um produto muito caro. Recebíamos o dinheiro na entrega, mas o caixa ficava negativo ao longo do ano”, explicou.

Desde 2023, a companhia desenvolve e implementa um projeto com consistência na distribuição das entregas ao longo das 52 semanas do ano. Isso envolve um amplo trabalho para antecipar as entregas de peças.

“Mais do que negociação com os fornecedores, estamos usando digitalização e inteligência artificial para mapear a cadeia inteira, incluindo os subfornecedores, para que a entrega das peças ocorra exatamente quando precisarmos”, disse Gomes.

Ele acrescentou que a companhia poderia ter elevado ainda mais as entregas, mas optou por um planejamento mais conservador.

Atualmente, o fornecimento de motores melhorou para um dos modelos produzidos pela aviação comercial, mas piorou em outro. Na aviação executiva, houve avanços de maneira geral. “Os problemas vão mudando ao longo do tempo, mas hoje não há uma crise sistêmica [na cadeia]”, afirmou.

2. Gestão

Gomes disse que a empresa conseguiu estabelecer uma cultura em que o alerta de problemas não é visto como algo negativo.

“Problema é notícia ruim que vem tarde”, afirmou.

Com foco em engajamento, busca de soluções e resultado, ele salientou que a companhia vai conseguir resolver todas as crises que vierem no futuro.

“Sempre achamos um jeito de resolver os problemas. Nesse sentido, também vamos resolver o desafio das tarifas [comerciais].”

O executivo disse que, no primeiro trimestre, a empresa não sofreu impactos da guerra tarifária, mas, a partir de abril, as entregas de aviões para os Estados Unidos já contêm as tarifas extras, que serão recolhidas e pagas pelos clientes.

Já os aviões fabricados pela Embraer em solo americano pagarão aumento de tarifas sobre as peças importadas – o conteúdo americano nos produtos da companhia gira em torno de 40% a 50%, contou Gomes.

“Para este ano, devemos ter um impacto de US$ 70 milhões a US$ 80 milhões [com a guerra tarifária]. Mas acreditamos que será possível mitigar esses efeitos através de ações como redução de custos e melhorias de eficiência.”

3. Gestão da dívida

Outra frente prioritária em que a Embraer vem trabalhando é a da gestão da dívida.

Segundo o balanço da companhia, no primeiro trimestre houve uma redução de R$ 3,7 bilhões na dívida bruta (sem contar a Eve) em relação ao período imediatamente anterior e de R$ 2 bilhões na comparação anual.

“A Embraer tem feito um bom trabalho de liability management, reduzimos muito a dívida. Também conseguimos alongar o perfil e temos conseguido fazer tudo isso com taxas internacionais muito competitivas”, disse.

A fabricante estendeu a duração da dívida para 6,3 anos, ante 3,8 anos no quarto trimestre. Com essa gestão ativa, a empresa encerrou o mês de março com uma alavancagem medida pela relação da dívida líquida sobre o Ebitda de 0,5 vez, ante 1,8 vez no mesmo período do ano anterior.

Ele citou ainda a conquista de financiamentos importantes com o BNDES como parte da estratégia para melhorar o perfil do endividamento.

4. Novos clientes

No primeiro trimestre, a carteira total de pedidos da companhia atingiu US$ 26,4 bilhões, superando o recorde histórico estabelecido nos três meses anteriores.

Gomes disse que a Embraer tem trabalhado em inúmeras frentes de vendas na aviação comercial na América do Norte, na Europa e na Ásia.

“Estamos trabalhando em campanhas em praticamente todos os continentes, muito mais em 2025 do que no ano passado. Não esperamos ganhar todas, pois enfrentamos uma concorrência dura, mas isso nos ajuda a aumentar o backlog, que já atingiu patamar histórico.”

Atualmente, a Embraer fornece para a Azul (AZUL4) no Brasil e, por ora, não há negociações em curso com outras aéreas que operam no país.

“Não existe negociação com a Latam, mas uma vontade grande de vender para eles, assim como para a Gol”, disse.

5. Defesa

No segmento de defesa, a fabricante brasileira tem conseguido avançar em diversas negociações. “O conflito [comercial] em si é negativo, mas os investimentos nas forças armadas é positivo para nós”, disse Gomes.

O executivo ponderou que as campanhas de negociações para o cargueiro KC-390 já têm rendido frutos. “Esperamos fechar neste ano contrato com a Suécia e com a Eslováquia, que anunciaram intenção de compra”, disse.

Na Índia, bem como nos Estados Unidos, também há potencial de contratos para o KC-390. A companhia tem viabilizado ainda diálogos com governos de Japão, Arábia Saudita, China e Vietnã, entre outros.

A companhia espera produzir cinco unidades do KC-390 em 2025, seis em 2026 e chegar a dez por ano antes de 2030, sem contar os potenciais volumes citados da Índia e dos Estados Unidos.

Transição energética

Embora as incertezas tenham crescido no cenário global para a transição energética, o CEO da Embraer se disse confiante na Eve (EVE), sua empresa controlada no negócio de veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOLs, na sigla em inglês), também conhecidos como “carros voadores”.

O executivo que lidera a Embraer reforçou a expectativa de que a certificação deve chegar à Eve em 2027.

“O eVTOL vai transformar as grandes metrópoles. Temos quase mil pessoas trabalhando nesse projeto. Estou muito confiante”, disse Gomes.

“O eVTOL vai ser uma contribuição importante para o crescimento futuro da Embraer”, acrescentou.

Fonte: Bloomberg Línea

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook