Comércio Exterior, Evento, Importação, Informação, Logística, Tecnologia

Blue Route destaca papel dos dados e da tecnologia no futuro do comércio exterior 

Enquanto o debate público ainda gira em torno de reformas, burocracias e gargalos logísticos, uma revolução silenciosa já está em curso nas fronteiras brasileiras: o uso intensivo de dados na aduana. Mais do que uma tendência, trata-se de um movimento estratégico que está redefinindo o papel da tecnologia no controle aduaneiro e nas operações internacionais. 

À frente dessa discussão, a Blue Route vem se consolidando como uma das principais vozes no Brasil por uma aduana mais digital, integrada e orientada por inteligência de dados. Durante o Global Trade Summit 2025, realizado em Balneário Camboriú, a CEO da empresa, Beatriz Grance Rinn, mediou um painel decisivo sobre o tema “O uso intensivo de dados na evolução do comércio exterior e a sua aplicabilidade na gestão coordenada de fronteiras”, reunindo representantes da Receita Federal, da iniciativa privada e especialistas em tecnologia para o setor. 

Gestão coordenada de fronteiras é um tema complexo”, afirmou Beatriz. “A gente entende que o maior desafio é a comunicação. Não adianta o Brasil estar evoluindo, avançando, se o comércio exterior depende de outro país. A carga vai chegar na fronteira e vai parar.” 

Ao abordar os custos e impactos práticos do processo aduaneiro, Beatriz foi direta: Hoje, até 15% do custo dos bens comercializados pode estar relacionado às passagens de fronteira.” E complementou com um exemplo real: “Aqui no Brasil todo o processo foi super rápido. Mas ao chegar na fronteira você precisa parar e comprar um bilhete, uma passagem e, do outro lado, fazer tudo manualmente. Tem lugares que ainda usam planilhas.” 

Essa realidade fragmentada é um obstáculo para o avanço da gestão coordenada de fronteiras, conceito que envolve interoperabilidade entre sistemas, integração regional, cooperação internacional e adoção de ferramentas tecnológicas como APIs. “Isso tudo depende de acordos internacionais, comunicação, infraestrutura, vontade política, financiamentos…  São muitas camadas. Todos os anos há uma agenda sendo trabalhada para alcançar esse objetivo”, explicou Beatriz. 

Discussão mundial 

Para Beatriz o futuro do comércio exterior será moldado por quem for capaz de processar dados com mais agilidade, inteligência e estratégia. “Na parte tecnológica, o Brasil está na vanguarda. Somos referência internacional. Mas, vamos ter que puxar os outros países, senão não vamos conseguir alcançar o tão falado avanço na facilitação do comércio exterior,” enfatizou.  

Esse mesmo posicionamento foi reforçado durante a Conferência Regional da Organização Mundial de Aduanas (OMA) para as Américas e o Caribe, realizada nos dias 5 e 6 de maio, em San Salvador, El Salvador. Lá, a CEO da Blue Route foi moderadora de um painel que discutiu o papel da tecnologia no fortalecimento das aduanas da região. “Eu perguntei para eles: ‘Qual o maior desafio que a América Latina enfrenta para alcançar uma aduana integrada e sustentável?’ E a resposta foi clara: infraestrutura, tecnologia e conectividade. A conclusão foi direta: o avanço coletivo só será possível se os países mais estruturados liderarem esse processo de integração e inovação. 

As discussões demonstraram que o uso intensivo de dados na aduana é urgente — e precisa sair das plenárias para o centro da estratégia de empresas e governos. Transformar as fronteiras brasileiras em espaços mais inteligentes e conectados é o próximo passo para destravar o potencial do país no comércio internacional. E a Blue Route segue posicionada como uma das protagonistas desse caminho. 

Sobre a Blue Route 

A Blue Route é uma empresa especializada em transformação digital aplicada ao comércio exterior. Com solução tecnológica de ponta para a gestão do catálogo de produtos, está preparada para os desafios do Novo Processo de Importação, por meio da utilização e trabalho com dados, inteligência e inovação. Sempre com foco na melhoria contínua. 

Texto: Daiana Brocardo 

Fotos: Giovana Santos 

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Comércio Exterior, Inovação, Logística

Navio movido a vela metálica é usado para transportar açúcar brasileiro; conheça projeto

transporte marítimo também tem sua parcela de contribuição em emissões de CO2 equivalente. Mas o comércio mundial depende desse tipo de transporte e, por isso, algumas soluções para minimizar o impacto de navios gigantes circulando pelos oceanos para abastecer o mundo têm sido pensadas, como navio a vela.

Essa foi a opção da Cargill para transportar 72 mil toneladas métricas de açúcar a partir do Terminal Açucareiro Copersucar (TAC), no Porto de Santos. A embarcação, de nome Pyxis Ocean, é um navio a vela que partiu na última semana com destino à China e vai cruzar o globo usando o vento como combustível auxiliar.

Segundo a Alvean, subsidiária da Copersucar responsável pelo transporte, a tecnologia permite uma redução de até 30% no consumo de combustível em condições ideais, diminuindo a pegada de carbono do transporte marítimo.

O Pyxis Ocean é equipado com duas WindWings (enormes velas metálicas) que medem 37,5 metros de altura, equivalente a um prédio de 12 andares. As asas são instaladas verticalmente para capturar o vento e impulsionar o navio para a frente, como a lógica de qualquer veleiro. Assim, o motor do navio é menos exigido e utiliza menos combustível. Com isso, o navio consegue manter a velocidade ideal, com menos emissões.

O Pyxis Ocean é um projeto de cooperação entre a Cargill, a BAR Technologies, a Mitsubishi Corporation e a Yara Marine Technologies, e é o primeiro navio cargueiro a ser adaptado com as velas propulsoras.

O projeto WindWing recebeu financiamento do programa de pesquisa e inovação Horizon 2020, da União Europeia. De acordo com a Cargill, as WindWings podem ajudar os proprietários de navios a cumprir metas de descarbonização no transporte marítimo. A empresa destaca que, em uma rota internacional média, as WindWings podem poupar 1,5 toneladas de combustível por vela ao dia, com a possibilidade de poupar mais em rotas transoceânicas.

Segundo a Copersucar, a única adaptação no terminal para o Pyxis Ocean é que ele teve que atracar de bombordo – ou à esquerda – por conta da presença das velas fixadas na lateral onde normalmente os rebocadores atuam. Essa foi a primeira viagem feita para o transporte de açúcar. Por enquanto, não há previsão de novas viagens, que dependem da disponibilidade da embarcação.

Em setembro de 2023, o mesmo navio fez o transporte de 63 mil toneladas de farelo de soja até a Polônia saindo do Porto de Paranaguá, no Paraná.

Fonte: Istoé Dinheiro

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Comércio Exterior, Internacional

Secretária do MDIC reafirma compromisso com assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia

Em Bruxelas, Tatiana Prazeres aprofunda diálogo comercial e reitera caráter mutuamente benéfico do acordo

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), Tatiana Prazeres, cumpre agenda nesta semana em Bruxelas com o objetivo de reafirmar o compromisso do Brasil a favor da assinatura do acordo comercial com a União Europeia e ampliar o diálogo em temas estratégicos para o comércio exterior brasileiro.

No encontro desta quinta-feira (12/6) com a diretora-geral da Direção-Geral do Comércio (DG Trade) da Comissão Europeia, Sabine Weyand, a secretária destacou a importância da assinatura do acordo de parceria Mercosul–União Europeia ainda neste ano.

Também foram abordados temas regulatórios de grande relevância para o setor produtivo brasileiro, como a Regulação Europeia Antidesmatamento (EUDR), entre outros assuntos da agenda bilateral.  Participou também do encontro o embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, Representante Permanente do Brasil junto à União Europeia.

Segundo Tatiana Prazeres, esta é uma janela de oportunidade que precisa ser aproveitada. “O acordo com a União Europeia é estratégico para todos os países envolvidos e representa um passo importante na diversificação de mercados e na valorização do comércio baseado em regras claras e previsíveis”, afirmou.

Fórum

A agenda institucional foi complementada pela participação da secretária no Brussels Forum 2025, principal conferência anual promovida pelo German Marshall Fund of the United States (GMF).

No painel “Guerras Comerciais e uma Nova Ordem Econômica Americana: Implicações para a Europa e o Mundo?”, realizado na quarta-feira (11/6), Tatiana Prazeres dividiu o palco com autoridades e lideranças empresariais para debater os impactos das tensões geoeconômicas e suas repercussões para o comércio internacional, aproveitando para reforçar a importância do acordo entre os dois blocos no atual cenário externo. 

Ela também participou de evento paralelo voltado à competitividade econômica e à construção de estratégias para enfrentar os desafios impostos pelas transformações tecnológicas e geopolíticas.

Fonte: GOV – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Agricultura, Comércio Exterior, Especialista, Industria, Informação

Brasil no epicentro do comércio global de proteína refrigerada: resiliência, crise e retomada 

O ESPECIALISTA – PATRÍCIA SOARES 

O Brasil consolidou-se, ao longo das últimas décadas, como um dos pilares do comércio global de proteína animal, especialmente no segmento reefer — que envolve o transporte refrigerado de carnes e ovos. Em 2024, o país exportou 5,2 milhões de toneladas de carne de frango, gerando US$ 9,9 bilhões em receitas e abastecendo 151 países, o que representa cerca de um terço do consumo mundial dessa proteína. 

Essa liderança, contudo, foi testada em maio de 2025, quando um foco de gripe aviária (H5N1) foi detectado em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. O episódio acendeu alertas sanitários e resultou no abate preventivo de 17 mil aves. Embora não tenham sido registrados casos humanos, mais de 30 países, incluindo China e União Europeia, impuseram restrições temporárias às importações brasileiras. Alguns parceiros, como Japão e Reino Unido, restringiram os vetos à região afetada, enquanto outros optaram por bloqueios nacionais. 

A resposta do governo brasileiro foi rápida, técnica e altamente eficiente. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) ativou protocolos sanitários rigorosos, com barreiras de contenção, monitoramento e rastreabilidade. O número de aves sacrificadas foi infinitamente menor se comparado a países como os Estados Unidos, onde surtos semelhantes exigiram o abate de milhões de animais. As autoridades brasileiras reforçaram que não há risco no consumo de carnes, ovos ou derivados, e que a transmissão para humanos é extremamente rara. 

Mesmo sob pressão de restrições temporárias, a demanda global por proteína brasileira permaneceu sólida. Países impactados por surtos locais de gripe aviária intensificaram as compras do Brasil, buscando um fornecedor estável, confiável e com rigor sanitário comprovado. Só em janeiro de 2025, as exportações de carne de frango subiram quase 10%, impulsionadas por mercados como China, União Europeia e Filipinas. A receita disparou 20,9%, chegando a US$ 753,66 milhões. 

No mercado de ovos, o desempenho foi ainda mais notável. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações devem crescer 62% em 2025, alcançando 30 mil toneladas, especialmente em função da escassez nos Estados Unidos, que também enfrentam surtos severos da doença. Embora o Brasil ainda não exporte ovos diretamente para as prateleiras norte-americanas, a indústria nacional atende, com força crescente, empresas de processamento e insumos alimentícios. 

As perspectivas são claras: se não forem detectados novos casos em 28 dias, o Brasil deve recuperar seu status sanitário de país livre de gripe aviária, fundamental para restabelecer por completo os fluxos comerciais. Paralelamente, o governo negocia com grandes parceiros, como a China, para restringir os vetos apenas à região afetada, evitando impactos desproporcionais na cadeia produtiva nacional. 

Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA, “O mundo inteiro olha para o Brasil como um fornecedor estratégico de proteína, sobretudo porque temos uma agroindústria altamente tecnológica, uma vigilância sanitária robusta e uma capacidade de resposta que poucos países do mundo possuem. Superamos a crise com profissionalismo e, agora, estamos prontos para retomar, não apenas os mercados que fecharam, mas também para ampliar nossa presença global.” 

Em resumo, o episódio de maio de 2025 não enfraqueceu a posição do Brasil — reforçou-a. O país demonstrou que sua liderança no setor de proteína refrigerada não é circunstancial, mas fruto de uma cadeia produtiva resiliente, madura e alinhada às mais rigorosas exigências sanitárias internacionais. O mundo, cada vez mais, dependerá do Brasil para garantir a segurança alimentar global. 

Seguiremos aqui, no ReconectaNews, atentos às movimentações do setor reefer, trazendo informações precisas e análises estratégicas. Até o próximo encontro. 

Patrícia Soares é uma profissional reconhecida no segmento Reefer, com uma sólida trajetória de mais de 19 anos no setor logístico. Atualmente ocupa o cargo de Key Account Manager, onde lidera o relacionamento com clientes estratégicos, contribuindo para soluções logísticas personalizadas e de alto valor agregado. 

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Comércio Exterior, Exportação, Investimento, Negócios, Portos

Movimento de veículos cresce 7% nos portos secos de fronteira da Multilog

Responsável pela operação de cinco portos secos de fronteira e por uma parcela significativa do fluxo rodoviário de importação e exportação do Brasil com o Mercosul, a Multilog registrou em maio o recorde mensal do ano, com 37.839 movimentações de veículos, um crescimento de 7% em relação ao mês anterior e de 22% em relação a maio de 2024.

O Porto Seco de Dionísio Cerqueira contabilizou a melhor marca mensal da unidade e do ano, com 2.427 saídas de veículos em maio, número 6% acima de abril. Em relação a maio de 2024, o aumento foi de 36%. A nova infraestrutura construída e inaugurada pela Multilog em dezembro de 2023, bem como as inúmeras melhorias realizadas na unidade alfandegada, contribuíram para os resultados obtidos, que foram impactados também pela regra estadual (TTD – Tratamento de Tributo Diferenciado) que incentiva o ingresso de mercadorias por Dionísio Cerqueira.

Outras três unidades registraram recorde no ingresso de veículos este ano. O Porto Seco de Jaguarão (RS), com 2.958 saídas de veículos em maio, cresceu 13% em comparação ao mês anterior e 25% sobre maio do ano passado. A unidade de Uruguaiana, também no Rio Grande do Sul, teve movimentação de 14.090 caminhões, 11% acima de abril e 33% superior a maio do ano passado. No Porto Seco de Foz do Iguaçu (PR), o maior da América Latina, o aumento foi de 4% no mês, com 17.476 saídas de caminhões e 14% superior a maio de 2024.

Já o Porto Seco de Santana do Livramento (RS), teve movimentação de 888 caminhões em maio, uma queda de apenas 2% em relação a abril e de 13% em relação a maio de 2024.

“Conquistamos em maio os melhores resultados do ano, e isto evidencia que os constantes investimentos em nossa operação têm permitido oferecer mais e melhores serviços aos nossos clientes, além de contribuir para o crescimento do comércio exterior entre os países do Mercosul”, finaliza Francisco Damilano, gerente geral de Operações das Fronteiras da Multilog.

Fonte: DatamarNews

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Comércio Exterior, Exportação, Internacional

Brasil bate recorde de exportações para os EUA, mas alguns setores começam a sentir o impacto das tarifas, diz Amcham

De janeiro a maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 16,7 bilhões no acumulado, segundo dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. É um crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2024 e é um recorde para o período, de acordo com a entidade. Alguns produtos, mesmo com alta no percentual de taxação pelo governo Trump, estão conseguindo manter o comércio com o mercado norte-americano.

As importações dos EUA para o Brasil também avançaram, somando US$ 17,7 bilhões, um crescimento de 9,9%, o que resultou em um déficit comercial de US$ 1 bilhão para o Brasil no acumulado até maio, segundo dados brasileiros. Entre os principais crescimentos estão motores e máquinas não elétricos, óleos combustíveis, óleos brutos de petróleo e aeronaves.

No recorte mensal, as exportações brasileiras alcançaram US$ 3,6 bilhões em maio, um aumento de 11,5% na comparação anual, enquanto as importações americanas recuaram 5,2%. O crescimento nas exportações foi observado também no aumento da quantidade embarcada, que subiu 16,8%.

– Mesmo em um cenário mais desafiador, o comércio bilateral tem se mostrado resiliente, com crescimento consistente nas trocas entre os dois países. Isso reforça o papel do Brasil como parceiro estratégico para atender às demandas da indústria e dos consumidores norte-americanos — e vice-versa – afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Entre janeiro e maio, 79% das exportações brasileiras para os Estados Unidos são compostas por bens industriais, como aeronaves, combustíveis, alimentos processados, químicos e máquinas. Produtos como carne bovina (+196%), sucos de frutas (+96,2%), café (+42,1%) e aeronaves (+27%) puxaram os avanços no acumulado do ano, mantendo o Brasil como fornecedor estratégico em setores com forte demanda.

Segundo a Amcham, estes produtos estão conseguindo manter a competitividade no mercado norte-americano mesmo com a aplicação de tarifas. Os motivos apontados incluem o fato de o Brasil ser competitivo e líder global em muitos deles, como carnes, sucos e aeronaves, e pelo crescimento da demanda dos EUA seja por consumo ou questões climáticas que tem afetado sua produção, especialmente no caso de carnes e sucos.

No entanto, alguns segmentos tiveram retração nas vendas, como celulose, ferro-gusa e equipamentos de engenharia. Segundo a associação, o resultado é uma combinação entre tarifas de até 10% e a concorrência de países com acesso preferencial aos EUA — como o Canadá, por meio do USMCA que é, por exemplo, grande fornecedor de celulose .

O relatório também destaca o caso dos semiacabados de aço, que até maio apresentaram crescimento de 7,3% em valor e 28,4% em volume exportado, mesmo com tarifa de 25%. Entretanto, segundo especialistas, parte dessa exportação aos EUA está sendo feita em portos próximo ao México para trânsito aduaneiro e consumo pela indústria mexicana, o que mostra que pode estar já havendo declínio real nas vendas aos EUA.

Além disso, a tarifa para exportações de bens de aço foi elevada para 50% no dia 4 de junho, o que tende a afetar a competitividade brasileira a partir dos próximos meses, diz a entidade.

Fonte: O Globo

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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

As ameaças comerciais de Trump impulsionam o avanço do acordo entre o Mercosul e a EFTA

Ministra das Relações Exteriores da Noruega diz ao Valor que o aumento do protecionismo global acelera negociações com o bloco sul-americano, enquanto o Brasil mira anúncio em julho.

Enquanto o governo do presidente Lula busca acelerar a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, outro tratado de livre comércio pode avançar nas próximas semanas. Trata-se das negociações entre o bloco sul-americano e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, iniciadas em janeiro de 2017.

Com governo Lula acelerando acordo com a UE, tratado entre Mercosul e EFTA pode avançar até julho

Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para acelerar a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, outro tratado de livre comércio pode avançar nas próximas semanas: o acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, cujas negociações começaram em janeiro de 2017.

Em entrevista ao Valor em Oslo, o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, afirmou que as negociações devem ser concluídas até o verão europeu. Segundo ele, a Noruega apoia fortemente o acordo com os países sul-americanos.

“Somos entusiastas desse acordo, realmente esperamos consegui-lo. Estamos trabalhando muito para finalizá-lo neste verão, junto com nossos parceiros da EFTA”, disse Eide.

O diplomata norueguês e cientista político falou com o Valor na última sexta-feira (6), antes de apresentar a nova estratégia climática da Noruega para o período de 2025 a 2030. De acordo com ele, as ameaças comerciais do ex-presidente dos EUA Donald Trump têm impulsionado acordos bilaterais como os entre Mercosul, EFTA e União Europeia. Segundo Eide, as medidas de Trump desafiam a igualdade de condições estabelecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Sempre quisemos esse acordo, mas agora queremos ainda mais por causa da ameaça de guerras comerciais e do que Trump está fazendo com o comércio global. Isso desafia as regras estabelecidas pela OMC. Por isso, precisamos de mais acordos bilaterais ou inter-regionais”, afirmou.

No Brasil, diplomatas envolvidos nas negociações esperam que o acordo Mercosul–EFTA esteja pronto para ser anunciado na próxima cúpula do Mercosul, marcada para os dias 2 e 3 de julho, em Buenos Aires.

Mesmo que as negociações terminem no próximo mês, o processo para que o acordo entre em vigor ainda será longo: o texto precisa passar por revisão legal, aprovação parlamentar em todos os países-membros e ratificação pelos respectivos chefes de Estado. Esse é o estágio atual do acordo Mercosul–UE, cujas negociações foram encerradas em dezembro de 2024.

Suíça e Noruega são as principais economias da EFTA. O bloco tem um PIB combinado de US$ 1,4 trilhão e população de 14,3 milhões. A EFTA já assinou 29 acordos comerciais com países ao redor do mundo e iniciou as tratativas com o Mercosul em 2017. Em 2019, os dois blocos chegaram a um acordo preliminar não vinculante, mas as conversas estagnaram. As negociações foram retomadas em abril de 2024, em um processo semelhante ao que ocorreu com a UE.

Segundo fontes do Itamaraty, o acordo ganhou importância estratégica após a pandemia, além de refletir as novas restrições comerciais globais e a guerra tarifária iniciada por Trump. “É um cenário em que o Mercosul se torna um mercado mais atrativo para parcerias”, disse um diplomata brasileiro sob condição de anonimato.

Desde então, os países discutem compromissos climáticos—sobretudo exigências ambientais europeias—bem como regras sobre compras governamentais e outros temas. Segundo o Valor apurou, esses pontos já estão em grande parte resolvidos.

Dois temas seguem em negociação. O mais complexo envolve as chamadas regras de origem—um conjunto de normas que determinam se um produto pode ser considerado originário de um país-membro. “Acredito que são questões solucionáveis. E o momento político é favorável porque os benefícios são muitos”, afirmou Eide.

Fontes diplomáticas em Brasília disseram que o Mercosul apresentou uma nova proposta sobre o tema, que está sendo analisada pela EFTA e deverá receber resposta em breve.

A questão é especialmente sensível para a EFTA, dada a proximidade geográfica e os fluxos produtivos entre países vizinhos. Produtos fabricados na Suíça ou na Noruega podem passar por etapas de produção em países vizinhos, o que pode comprometer sua elegibilidade sob as regras tradicionais de origem.

Outra negociação em andamento, envolvendo Brasil e Suíça, trata de direitos de propriedade intelectual. “É uma questão de propriedade intelectual—patentes, direitos sobre padrões. Ainda está pendente, mas está sendo tratada diretamente entre Brasil e Suíça”, explicou Eide.

Os dois países discutem desde patentes farmacêuticas—uma indústria-chave na Suíça—até a proteção do queijo gruyère, originário da cidade suíça homônima, mas produzido por diversas empresas brasileiras.

De acordo com Eide, a Noruega concorda com o texto atual e está confiante de que os demais países resolverão os pontos pendentes. “Estamos de acordo com o texto. Agora esperamos pela Suíça, mas também incentivamos tanto a Suíça quanto nossos parceiros do Mercosul a avançarem”, disse.

Outro possível obstáculo é que a Suíça pode realizar um referendo interno para ratificar o acordo, como já fez em outros casos. A questão do desmatamento na Amazônia pode pesar contra o Brasil, especialmente porque alguns países da UE tentaram barrar o acordo Mercosul–UE vinculando a agricultura brasileira à degradação ambiental.

Ainda assim, fontes diplomáticas no Brasil e na Europa veem sinais de avanço. Um exemplo foi a visita da secretária de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça, Helene Budliger Artieda, ao Brasil no mês passado, quando se reuniu com o assessor especial de Lula para relações exteriores, Celso Amorim, entre outros.

O objetivo do acordo é ampliar o comércio entre os blocos. Em 2024, o comércio entre o Brasil e os países da EFTA somou US$ 7,1 bilhões. As exportações brasileiras foram de US$ 3 bilhões—principalmente ouro, produtos químicos como óxido de alumínio, café, soja, carnes e alimentos processados.

As importações chegaram a US$ 4 bilhões, compostas sobretudo por produtos farmacêuticos e químicos orgânicos, máquinas e equipamentos, petróleo e gás, além de pescados. As exportações do Brasil são voltadas principalmente para Suíça e Noruega; as importações vêm, em sua maioria, da Suíça.

O chanceler norueguês ressaltou que o acordo também beneficiará o Brasil com a importação de fertilizantes do país nórdico, reduzindo a dependência da Europa Oriental. A Noruega é um dos principais produtores mundiais do insumo.

“Acho que, para o Brasil, o benefício específico é que a Noruega é uma grande produtora de fertilizantes, e fertilizante é importante para o Brasil. E a maior parte do que vocês usam é importada. Um acordo de livre comércio com a EFTA facilitaria o acesso ao nosso produto, reduzindo a dependência da Rússia e da Bielorrússia hoje”, afirmou Eide.

Ex-ministro do Meio Ambiente da Noruega (2021–2023), Eide também comentou suas expectativas para a COP30, que será realizada em Belém, especialmente diante da saída dos EUA do Acordo de Paris.

“É muito triste que os EUA estejam saindo do Acordo de Paris”, disse. “Mas também devemos reconhecer que, com Trump lá dentro, eles tentariam bloquear todas as decisões. Estando fora, ao menos não têm poder sobre os resultados.”

O ministro ressaltou que estados norte-americanos como Califórnia e Illinois continuam comprometidos com o acordo climático, mesmo sem apoio federal. “Não devemos superestimar a importância de Trump aqui. Ele causa estragos em instituições internacionais. Mas, ao deixá-las, também perde essa capacidade”, afirmou.

Ao mesmo tempo, enfatizou que países comprometidos com o clima, como Brasil e Noruega, “precisam fazer mais” enquanto os EUA “fazem menos temporariamente”. A Noruega é o principal parceiro do Brasil no Fundo Amazônia, reativado em 2023 após o congelamento no governo Bolsonaro.

Segundo Eide, a COP30 “fechará o ciclo” iniciado com a Eco-92 no Rio, reunindo os temas de biodiversidade e clima em uma única conferência. O ministro, que já esteve no Brasil quatro vezes, destacou que Belém enfrentará grandes desafios até o evento em novembro.

“Estive em Belém há alguns anos. É uma cidade linda, mas não havia muitos hotéis modernos, por exemplo. Há um grande desafio de infraestrutura. Estou curioso para ver como isso será resolvido”, comentou. E acrescentou uma preocupação: “Preços de hotéis não são um problema para nós, noruegueses, mas são relevantes para ONGs e países menos desenvolvidos”.

Fonte: Valor International










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Comércio Exterior, Investimento, Logística, Portos

Beto Martins visita Itajaí e apresenta panorama da infraestrutura logística de SC 

O secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Beto Martins, esteve na sede da Associação Empresarial de Itajaí (ACII) na última segunda-feira (09) para dialogar com empresários e lideranças locais sobre os principais desafios logísticos do Estado e os planos em andamento para ampliar sua competitividade no cenário nacional e internacional. 

Com uma agenda voltada ao desenvolvimento da infraestrutura, Martins destacou que Santa Catarina está em um momento decisivo. “Os desafios são muitos, mas o mais interessante disso é que agora estamos discutindo esses temas urgência que merecem”, afirmou. 

Portos, aeroportos, ferrovias e rodovias em foco 

Durante o encontro, o secretário fez um panorama das ações que o governo estadual vem conduzindo para modernizar e ampliar a infraestrutura dos modais de transporte, com destaque para iniciativas inéditas, como parcerias público-privadas e investimentos em projetos executivos. 

Entre os temas abordados, Martins ressaltou o esforço conjunto para garantir que os portos catarinenses possam receber navios de maior porte, ampliando a capacidade de movimentação de cargas. Hoje nenhum dos portos do estado tem capacidade para receber navios de contêineres com mais de 360 metros de comprimento, o que compromete a competividade com outros destinos do Brasil. “Isso é gravíssimo. Coloca Santa Catarina caindo da série A para a série B. Então estávamos prestes a cair para a Série B, porque os nosso portos não estão dotados dessa tecnologia e nada estava sendo feito para resolver isso. Já resolvemos Baía da Babitonga, com um acordo inédito, um case único no Brasil, onde o recurso vai ser privado. O próprio Porto de Itapoá vai colocar o recurso e nós vamos devolver esse valor em tarifas com um prazo alongado de mais de 15 anos. Isso é inédito no Brasil”, explicou, referindo-se à obra de dragagem na Baía da Babitonga.  

Sobre o Complexo Portuário de Itajaí, Martins foi enfático em dizer que o Estado está “torcendo para que a bacia de evolução de Itajaí, que também tem este problema possa ser resolvido no tempo e na urgência que o Governo Federal tem anunciado. O complexo Portuário de Itajaí é determinante para o resultado sócio-econômico e para a receita tributária do Estado”.  

Segundo informações divulgadas pela superintendência do Porto de Itajaí, em abril, foi assinada a portaria que cria uma comissão para acompanhar os estudos técnicos e a execução da remoção do casco do Pallas, um navio afundado próximo ao molhe norte há 130 anos. Os destroços da embarcação impedem as obras de ampliação do canal.  A remoção do casco submerso é considerada fundamental para a expansão da capacidade operacional do tanto em Itajaí, quanto em Navegantes. O planejamento prevê, além da retirada do navio, o alargamento do canal e a construção de uma nova bacia de evolução. (Fonte: Porto de Itajaí) 

Com a ampliação da capacidade dos portos outro desafio vem à tona: a estrutura das rodovias para escoamento das cargas. O secretário alertou que esse é um gargalo que ainda limita o desenvolvimento econômico do Estado. “Santa Catarina só não está mais desenvolvida porque enfrenta um colapso rodoviário sério, principalmente nas federais”, disse. Uma das soluções mais próximas é a construção de uma nova rodovia Florianópolis e Joinville, direcionada para veículos leves, o que pode desafogar momentaneamente a BR 101. A intenção é executar o projeto por meio da parceria público-privada. “A Via Mar não é um sonho, isso está em execução. Os projetos executivos devem ficar prontos até o final do primeiro semestre do ano que vem. O custo da obra deve chegar a 7 bilhões de reais”, explica. Já em relação à malha ferroviária, o Estado começou a se preparar com projetos executivos, prevendo uma reestruturação nacional futura.  

No setor aeroportuário, Santa Catarina registra crescimento expressivo no número de passageiros internacionais, que chega a 700% em três anos. Um dos fatores são os incentivos para as empresas de aviação, a exemplo da TAP, empresa portuguesa que recentemente lançou voos diretos entre Florianópolis e Portugal. “Santa Catarina tinha 160 mil passageiros internacionais em seus aeroportos em 2022. Dois anos depois, em 2024, nós já pulamos para 900 mil. Esse ano só nos primeiros quatro meses já passamos de 600 mil passageiros e vamos passar de um milhão e 200 no final de 2025, o que é um número que nenhum outro estado chegou perto”, ressalta Martins.  

Reforma tributária e riscos para a competitividade 

Em sua participação na plenária da Associação Comercial de Itajaí (ACII) o tema da Reforma Tributária foi perguntado pelo público. Beto Martins fez críticas à proposta que está em discussão no Congresso Nacional. Para ele, a medida representa um risco direto à competitividade do Estado, especialmente nos setores logístico e de comércio exterior. “Santa Catarina sempre usou os incentivos fiscais como ferramenta de atração. Com o fim dessa possibilidade, o Estado pode perder seu diferencial”, alertou. 

Apesar dos desafios, o secretário afirmou confiar na capacidade de reinvenção de Santa Catarina. “Somos resilientes e pensamos fora da caixa. E é isso que vamos precisar fazer de novo.” 

Plano Estadual de Logística e Transportes 

Durante o encontro desta segunda-feira (09), também foi apresentado o Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT-SC), uma iniciativa estratégica voltada à modernização da infraestrutura de transportes em Santa Catarina. O plano tem como objetivo diagnosticar gargalos logísticos, propor investimentos prioritários e otimizar a integração entre os modais, com foco na redução de custos e no aumento da competitividade do Estado. 

Atualmente em fase de elaboração, o PELT-SC está sendo desenvolvido pelo Governo do Estado em parceria com a consultoria técnica da INFRA S.A. O contrato, firmado entre maio e setembro de 2024, prevê a conclusão dos estudos em até 18 meses. 

TEXTO E FOTOS: DAIANA BROCARDO 

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Comércio, Comércio Exterior

Impulsionando o Corredor Multimodal Amazonas

O Ministério de Comércio Exterior e Turismo (Mincetur) destacou os avanços do Corredor Multimodal Amazonas — uma iniciativa chave para descentralizar a logística do comércio exterior peruano.

Esse projeto busca aumentar a competitividade dos produtos nacionais, facilitando sua saída eficiente para os mercados internacionais.

Integração territorial e fortalecimento portuário

Durante a sétima mesa técnica do corredor, a vice-ministra Teresa Mera ressaltou a importância de continuar melhorando a conectividade do norte peruano. Ela afirmou que o Terminal Portuário de Lambayeque, ainda em fase de planejamento, será uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento logístico do país.

Além disso, a localização geográfica de Lambayeque a torna uma peça essencial para a integração com a Amazônia e o Brasil, reforçando seu papel no novo esquema logístico nacional.

Melhor aproveitamento dos acordos comerciais

O governo peruano busca garantir que os 22 acordos comerciais em vigor — que abrangem 58 mercados em quatro continentes — também beneficiem os exportadores das regiões mais distantes. Com isso, pretende-se gerar desenvolvimento econômico com impacto direto na população.

Avanços concretos em infraestrutura e regulação na região amazônica

Entre os avanços apresentados, destacam-se:

  • Implementação de terminais portuários em Sinchicuy e Saramiriza.
  • Obras em vias concedidas que melhoram a acessibilidade logística.
  • Progresso no regulamento de transporte rodoviário e fluvial, liderado pelo Ministério dos Transportes.
  • Desenvolvimento do anteporto de Paita, que já conta com plano de trabalho e estudos avançados.

Também estão sendo reforçadas medidas de segurança da carga para evitar contaminações e proteger a reputação dos produtos peruanos no comércio internacional.

Participação multissetorial

A reunião contou com a presença de autoridades nacionais e regionais, como a vice-governadora de Lambayeque, Flor Saavedra; o presidente da Autoridade Portuária Nacional, Juan Carlos Paz; e representantes da ENAPU, Terminal Portuário Euroandinos, Ositran, Senasa, ZED Paita, ADEX, Conudfi, além dos governos regionais de Cajamarca e Amazonas.

O encontro reafirmou o compromisso conjunto de transformar o Corredor Multimodal Amazonas em uma ferramenta estratégica de conectividade logística para o desenvolvimento descentralizado do Peru.

Fonte: Todo Logistica News

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Comércio Exterior, Exportação, Mercado Internacional

Exportações da China para os Estados Unidos caíram quase 10% em maio

Representantes dos governos americano e chinês vão se reunir novamente nesta segunda, em Londres, para discutir um acordo comercial que coloque fim à guerra tarifária

As exportações da China subiram 4,8% em maio, na comparação anual. O avanço, porém, foi menor do que o esperado por causa da queda de quase 10% dos embarques para os Estados Unidos, segundo dados divulgados pelo órgão alfandegário do país asiático, o Gacc, nesta segunda-feira (9).

Representantes dos governos americano e chinês vão se reunir novamente nesta segunda, em Londres, para discutir um acordo comercial que coloque fim à guerra tarifária deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A China exportou US$ 28,8 bilhões para os Estados Unidos em maio, enquanto importou US$ 10,8 bilhões – uma queda de 7,4%.

O comércio entre os dois países perdeu força em maio mesmo após o acordo entre Washington e Pequim que suspendeu por 90 dias a aplicação das tarifas recíprocas mais elevadas. Fonte: Associated Press.

Fonte: InfoMoney


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