Comércio Exterior

China defende controle de exportação de terras raras e minimiza impacto nas cadeias globais

Pequim afirma que medidas têm foco em segurança e não devem afetar abastecimento internacional

O Ministério do Comércio da China afirmou neste domingo (12) que as novas restrições à exportação de terras raras terão impacto “muito limitado” nas cadeias globais de abastecimento. Segundo o governo chinês, as medidas são legítimas e visam aprimorar o sistema de controle de exportações, em conformidade com leis e regulamentos internacionais.

De acordo com o porta-voz do ministério, os controles de exportação não representam uma proibição total e as licenças serão concedidas a pedidos que atendam aos requisitos estabelecidos. Pequim afirmou ainda que informou antecipadamente seus parceiros comerciais sobre as novas regras, por meio de mecanismos bilaterais de diálogo.

“As empresas não precisam se preocupar”, garantiu o representante da pasta, destacando que o objetivo é evitar o uso de terras raras e seus derivados na produção de armamentos, reforçando o compromisso da China com a paz mundial e a não proliferação militar.

China amplia lista de metais controlados

Na última quinta-feira (9), o governo chinês anunciou uma nova rodada de restrições à exportação de terras raras, ampliando o controle para cinco novos metais estratégicos utilizados na fabricação de tecnologias avançadas.

A China domina mais de 70% da produção global e cerca de 90% do processamento mundial desses minerais, considerados essenciais para indústrias de defesa, energia e eletrônicos. As restrições têm sido vistas como instrumento de pressão geopolítica desde o início da guerra tarifária com os Estados Unidos, em abril deste ano.

Escalada nas tensões entre China e EUA

Em resposta às medidas chinesas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (10) uma tarifa adicional de 100% sobre as importações chinesas, com início previsto para 1º de novembro — ou antes, “dependendo de eventuais ações futuras de Pequim”, segundo o republicano.

Trump também afirmou que Washington implementará controles de exportação sobre softwares críticos destinados à China. A decisão, publicada na rede social Truth, foi classificada por Pequim como um exemplo de “dois pesos, duas medidas”.

O Ministério do Comércio chinês reagiu, dizendo que as medidas dos EUA “prejudicam gravemente os interesses da China” e deterioram o ambiente de negociações comerciais entre os dois países. “Ameaçar constantemente com tarifas elevadas não é a forma correta de cooperar com a China”, destacou o comunicado oficial.

Tensões podem afetar encontro da APEC

As novas medidas foram anunciadas às vésperas da reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que ocorrerá na Coreia do Sul. O evento poderia sediar um encontro entre os presidentes chinês e norte-americano, mas a escalada das tensões comerciais coloca a reunião em risco.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSN

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Comércio Exterior

Exportações de carne bovina da Argentina sobem 20% em 2025 e somam US$ 2,25 bilhões

As exportações de carne bovina da Argentina registraram um aumento expressivo de 20% entre janeiro e agosto de 2025, alcançando US$ 2,256 bilhões, segundo dados da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR). O resultado representa ainda um avanço de 24% em relação a 2014 e reflete a força da demanda global pela proteína argentina.

De acordo com a BCR, o preço médio da carne bovina argentina subiu cerca de 40% em comparação com 2024, impulsionado principalmente pelo aumento da procura dos Estados Unidos, país que enfrenta escassez na produção interna após uma forte redução do rebanho provocada por seca prolongada e alta nos custos de alimentação animal.

Redução no volume exportado, mas alta no valor

Embora o faturamento tenha crescido, o volume exportado de carne bovina caiu 12% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando 539 mil toneladas entre janeiro e agosto de 2025. O número também representa uma queda de 3% na média dos últimos cinco anos.

Produção argentina se mantém estável

A produção de carne bovina na Argentina somou 2,1 milhões de toneladas nos primeiros oito meses do ano, o segundo maior volume desde 2010, ficando atrás apenas do recorde de 2023. Apesar do bom desempenho, o resultado está 0,5% acima da média de cinco anos, o que indica estabilidade produtiva no setor.

Maior produtividade nos frigoríficos

Os frigoríficos argentinos abateram 9 milhões de cabeças de gado no período, com peso médio de 231 kg por animal, superior à média de 228 kg registrada nos últimos cinco anos. Em agosto de 2025, o peso médio subiu para 234 kg, o maior patamar desde setembro de 2022, evidenciando ganhos de produtividade.

Menor rebanho bovino em 15 anos

Dados da campanha de vacinação contra a febre aftosa apontam que o rebanho bovino argentino soma 49,4 milhões de cabeças, o menor número desde 2010, quando o total era de 48,8 milhões.

Consumo interno mostra sinais de recuperação

O consumo per capita de carne na Argentina também apresenta recuperação. A projeção da BCR indica 49,6 kg de carne bovina, 45,5 kg de frango e 17,7 kg de carne suína por habitante em 2025. No total, o consumo de carnes deve atingir 113 kg per capita, uma alta de 3% em relação ao ano anterior e dentro da média histórica do país.

FONTE: Portal DBO
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Comércio exterior da China cresce 4% em 2025 e reforça liderança global

As exportações subiram 7,1% em relação ao ano anterior.

Crescimento sólido nas exportações e diversificação de mercados

O comércio exterior da China manteve um ritmo sólido de crescimento em 2025, com uma alta de 4% no acumulado de janeiro a setembro, totalizando 33,61 trilhões de yuans (cerca de US$ 4,73 trilhões), segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas (GAC) nesta segunda-feira (13).

As exportações chinesas avançaram 7,1% em relação ao mesmo período de 2024, somando 19,95 trilhões de yuans, enquanto as importações registraram uma leve queda de 0,2%, totalizando 13,66 trilhões de yuans. O desempenho confirma a resiliência da economia chinesa, mesmo diante de um cenário internacional instável e marcado por tensões comerciais.


Parcerias estratégicas impulsionam as trocas comerciais

Em entrevista coletiva em Pequim, o vice-administrador da GAC, Wang Jun, destacou que a China vem mantendo crescimento contínuo há oito trimestres seguidos, com expansão de 1,3% no 1º trimestre, 4,5% no 2º trimestre e 6% no 3º trimestre de 2025.

Segundo ele, o fortalecimento das parcerias comerciais com os países que integram a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) foi decisivo. O comércio bilateral com essas nações somou 17,37 trilhões de yuans, uma alta de 6,2%, representando 51,7% do total das trocas internacionais da China.

“A diversificação dos mercados e o investimento em inovação tecnológica nas exportações são elementos-chave para sustentar o comércio exterior diante das pressões externas”, afirmou Wang.


Tecnologia e sustentabilidade lideram exportações chinesas

O avanço das exportações foi impulsionado principalmente pelos bens eletromecânicos, que cresceram 9,6%, totalizando 12,07 trilhões de yuans, o equivalente a 60,5% do total exportado pelo país.

Ganhando cada vez mais protagonismo, a chamada “nova tríade” — composta por veículos elétricos, baterias de íons de lítio e painéis solares — apresentou crescimento de dois dígitos nas exportações. Além disso, produtos sustentáveis, como locomotivas elétricas, também ampliaram sua participação nos embarques.


Importações apresentam sinais de recuperação

Apesar da queda marginal no acumulado do ano, as importações chinesas mostraram sinais de recuperação nos últimos trimestres, com aumentos de 0,3% no segundo trimestre e 4,7% no terceiro. Os destaques ficam por conta de:

  • Petróleo bruto: +4,9%
  • Minérios metálicos: +10,1%
  • Instrumentos de medição e teste: +9,3%
  • Equipamentos de informática e comunicação: +8,9%

O vice-administrador da GAC destacou que esses números refletem o aumento da demanda interna e o dinamismo do setor industrial, além do crescimento no número de empresas ativas no setor: já são 700 mil, 52 mil a mais que no mesmo período de 2024.
Desafios à frente e perspectiva de estabilidade

Wang Jun atribuiu o bom desempenho do comércio exterior à liderança central do Partido Comunista da China e à colaboração entre governos locais e empresas. Segundo ele, o país alcançou um “crescimento quantitativo e qualitativo” em meio a desafios globais.

Ainda assim, ele reconheceu que o ambiente externo permanece desafiador, especialmente diante das incertezas econômicas globais e de uma base de comparação elevada em 2024, exigindo maior esforço para manter o ritmo no último trimestre do ano.

FONTE: Com informações do Global Times.
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior, Exportação, Mercado Internacional

Do otimismo à cautela: comércio global deve desacelerar drasticamente em 2026, alerta OMC 

Um dos assuntos mais comentados na última semana foi a previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC), que divulgou novas estimativas que indicam uma forte desaceleração do comércio global de mercadorias em 2026. Segundo a instituição, o crescimento será de apenas 0,5%, índice bem menor em relação à previsão anterior de 1,8%. Para 2025, no entanto, a projeção foi revista para cima: a expectativa passou de 0,9% para 2,4%, refletindo principalmente o aumento nas importações para os Estados Unidos antes da implementação de novas tarifas e o avanço do comércio de produtos ligados à inteligência artificial. 

De acordo com a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, o cenário é preocupante. “As perspectivas para o próximo ano são mais sombrias… Estou muito preocupada”, afirmou em entrevista em Genebra. Apesar disso, ela destacou que o sistema multilateral baseado em regras tem proporcionado alguma estabilidade diante da turbulência global (Fonte: Reuters). 

Efeito pós-tarifaço dos EUA 

A queda na perspectiva de crescimento para 2026 tem como principal causa o impacto das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos em 2025, sob o governo Donald Trump. As medidas tarifárias, que afetaram dezenas de países, aumentaram a imprevisibilidade no comércio internacional e reacenderam o debate sobre a escalada do protecionismo. Entre os países afetados, estão importantes parceiros comerciais como Brasil, Índia e Suíça. A União Europeia, por sua vez, fechou um acordo que estabeleceu tarifas de 15% sobre a maioria das importações. 

O cenário atual reforça um padrão de instabilidade já observado em anos anteriores. Em 2022, por exemplo, a OMC havia projetado crescimento de apenas 1% para 2023. Já em abril de 2025, a entidade chegou a prever queda de 0,2% no volume do comércio, mas revisou os números para cima em outubro do mesmo ano, mostrando a volatilidade das previsões diante de mudanças políticas e econômicas (Fontes: Estadão Conteúdo e UOL). 

Impactos imediatos nas exportações brasileiras 

Dados do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, com base em informações oficiais, apontam que as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 27,7% em apenas um mês, e 18,5% na comparação anual. O impacto foi ainda mais acentuado regionalmente: no Sudeste, principal polo exportador, a queda chegou a 38% no intervalo de 30 dias; no Nordeste, a retração impressiona, atingindo 52,7% entre julho e agosto. Segundo os pesquisadores, o saldo positivo no comparativo anual reflete um movimento de antecipação de embarques, realizado por empresas brasileiras em julho para escapar das sobretaxas. (Fonte: Jornal Nacional). 

Reflexos do momento político 

Para Renata Palmeira, CEO do ReConecta News, além dos reflexos das tarifas impostas pelos EUA, o comércio global reflete também o momento político previsto para o próximo ano. “Acredito que o mercado internacional terá desaceleração do crescimento global em 2026, conforme dados divulgados pela OMC, porém essa desaceleração será impulsionada principalmente por incertezas políticas que irão gerar barreiras comerciais, tendo em vista que teremos ano eleitoral no Brasil”, comenta.   

Além disso, a evolução das tecnologias mundiais tem interferido no comportamento do mercado. “Será um ano com foco em tecnologias como a Inteligência Artificial (IA) como diferencial competitivo, com empresas se adaptando para a era de maior maturidade digital. Outros fatores a serem considerados incluem a estabilização da inflação na Zona do Euro, o crescimento da China e a necessidade de políticas multilaterais para mitigar tensões comerciais”, complementa Renata, que tem mais de 25 anos de experiência em comercio exterior e logística.  

Novos mercados, relações e oportunidades 

Segundo Renata, ao analisarmos o mercado global, não tem como deixar de fora a China, considerada hoje a segunda potência comercial mundial. Dados da OMC mostram que o país asiático se mantem em crescimento com tendência de alcançar até 4,26% de crescimento. “Apesar de uma taxa moderada a China ainda continuará sendo a indústria do Mundo e continuará a ser uma das melhores oportunidades negócios. Considero que seja um momento muito interessante para quem quer conhecer mais sobre a cultura de negociação e principalmente, quem quer buscar novas oportunidades aliadas ao mercado Chines”, fala.  

Para a CEO do ReConecta News é fundamental que os governos mantenham a inflação sob controle, reforcem a posição fiscal e promovam reformas que melhorem a qualidade institucional dos seus países. “Mudanças no sistema tributário podem ser impactantes nos resultados das empresas. Um outro fator que merece sua devida atenção são as questões de conflitos geopolíticos podem aumentar a aversão ao risco no mercado financeiro, impactando a performance da Bolsa de Valores”, explica.  

O que é a OMC 

Criada em 1995 durante a Rodada Uruguai do GATT, a Organização Mundial do Comércio é responsável por administrar os acordos multilaterais de comércio, servir como fórum de negociação de novas regras, supervisionar a implementação dos acordos e gerenciar o sistema de solução de controvérsias. 

O Brasil incorporou os textos da Rodada Uruguai em 1994, por meio do Decreto nº 1.355. Já o Acordo sobre Facilitação de Comércio, concluído na Conferência Ministerial de Bali em 2013, foi internalizado em 2018, por meio do Decreto nº 9.326. Entre os princípios básicos da OMC estão a não-discriminação, a previsibilidade, a concorrência leal e o tratamento especial a países em desenvolvimento. 

Desafio e oportunidade 

As novas projeções reforçam o desafio de manter a estabilidade no comércio global em um ambiente de crescente protecionismo e tensões políticas. Apesar da revisão positiva para 2025, o alerta para 2026 mostra que a resiliência do sistema multilateral ainda é testada por medidas unilaterais que podem comprometer investimentos, previsibilidade e o crescimento sustentável. 

Para Renata Palmeira, analisar o cenário de cada empresa e as projeções mundiais fazem parte do planejamento estratégico para o próximo ano. Muitas vezes o que aprece dificuldade pode ser oportunidade. “Teremos um “ano quente”, repleto de tensões e oportunidades. “Enquanto uns choram outros vendem lenços”, então busque em 2026 impactar o mercado com ações inovadoras, por isso sempre digo: seja a solução”, finaliza Renata.  


TEXTO: REDAÇÃO

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Comércio Exterior

Empresas chinesas migram para a Malásia em meio ao endurecimento das tarifas dos EUA

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos está provocando uma reorganização no cenário global de produção. Grandes empresas chinesas de tecnologia estão transferindo parte de suas operações para a Malásia, em busca de novos polos industriais fora do alcance direto das sanções norte-americanas. A movimentação é resultado das novas medidas do Departamento de Comércio dos EUA, que ampliaram o alcance das restrições a subsidiárias de empresas incluídas na chamada “lista negra”.

EUA fecham brechas e ampliam controle sobre subsidiárias estrangeiras

A mais recente regra, anunciada pelo Bureau de Indústria e Segurança (BIS) em 29 de setembro, determina que qualquer empresa com participação majoritária (50% ou mais) de uma entidade listada estará sujeita às mesmas restrições de exportação. A medida, segundo o governo norte-americano, fecha uma “brecha significativa” que permitia a empresas sancionadas continuarem operando por meio de afiliadas internacionais.

As novas regras também se estendem às companhias incluídas na Lista de Usuários Finais Militares e a entidades sujeitas a sanções específicas, ampliando o cerco contra conglomerados tecnológicos chineses.

Washington busca reduzir dependência de chips de Taiwan

Em paralelo, o governo dos EUA estabeleceu uma meta ambiciosa de independência tecnológica: reduzir pela metade a dependência de semicondutores avançados de Taiwan, responsável por 95% da produção global desses chips.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que o objetivo é que 50% dos chips avançados utilizados no país sejam produzidos dentro dos EUA ou em nações aliadas, como Japão e países do Oriente Médio. A medida reflete preocupações com segurança nacional e com a vulnerabilidade das cadeias de suprimento em meio às tensões geopolíticas no Indo-Pacífico.

Malásia emerge como novo polo industrial chinês

A Malásia desponta como um dos principais destinos para o capital chinês em meio à guerra comercial. Segundo Dersenish Aresandiran, diretor comercial do Malaysia Aviation Group, a procura por voos executivos entre China e Malásia aumentou consideravelmente, impulsionada por novos investimentos industriais.

Empresas chinesas têm se instalado no país do Sudeste Asiático para contornar tarifas norte-americanas e aproveitar incentivos fiscais locais. Setores como semicondutores, veículos elétricos e infraestrutura são os mais beneficiados por essa reconfiguração da cadeia global de produção.

Pequim aposta em novo visto para atrair talentos globais

Enquanto os EUA restringem a entrada de profissionais estrangeiros, a China lançou o “visto K”, voltado para jovens talentos estrangeiros das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

O programa, anunciado pelo Ministério das Relações Exteriores chinês, tem como objetivo atrair especialistas internacionais e fortalecer a capacidade tecnológica nacional, especialmente em segmentos estratégicos como os semicondutores. A medida faz parte da estratégia de Pequim para contrabalançar as sanções americanas e consolidar sua posição na disputa pela liderança tecnológica global.

Setor de alta tecnologia acelera na economia chinesa

Mesmo sob pressão internacional, a indústria de alta tecnologia chinesa continua em expansão. O Índice da Nova Economia (NEI), calculado pelo Caixin BBD, subiu para 31,2 pontos em setembro, alta de 1,3 ponto em relação a agosto.

O crescimento reflete o aumento dos investimentos em biotecnologia, inovação e mão de obra qualificada, compensando a retração dos aportes de capital. O índice monitora o peso das indústrias emergentes na economia chinesa, que hoje representam 31,2% do total de insumos econômicos do país.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Tarifas dos EUA impõem novos desafios à logística do Brasil à América do Norte

Empresas do setor apontam para uma necessidade crescente de adaptação, revisão de contratos e fortalecimento do planejamento aduaneiro. 

A adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos importados reacende discussões sobre os impactos na cadeia logística internacional, especialmente nas rotas entre o Brasil e a América do Norte. Empresas do setor podem sentir necessidade crescente de adaptação, revisão de contratos e fortalecimento do planejamento aduaneiro. 

“Mais do que uma questão tributária, estamos diante de uma reconfiguração da estratégia logística entre os países”, afirma Luciano Zucki, cofundador e diretor da PLEX Logistics, companhia especializada em transporte internacional com sede em Miami. Segundo ele, empresas brasileiras precisam revisar seus custos logísticos, reavaliar modais e, principalmente, investir em previsibilidade nas operações. 

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alumínio, autopeças e têxteis são os setores mais afetados, impactando diretamente os importadores da América Latina.O Brasil figura entre os principais parceiros comerciais dos EUA no Hemisfério Sul, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o que acende o alerta para possíveis gargalos nos fluxos logísticos. 

A PLEX Logistics tem atuado no assessoramento de embarcadores e operadores logísticos para mitigar riscos, otimizar processos e identificar oportunidades em mercados alternativos. “Nosso papel é orientar os clientes com base em dados, inteligência de mercado e alternativas de transporte mais competitivas”, reforça Zucki. 

A empresa mantém operações marítimas, aéreas e rodoviárias, com foco em soluções personalizadas para importação e exportação entre os dois continentes. 

Website: https://www.linkedin.com/company/plex-international-logistics/ 

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO 

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Comércio Exterior

Importadores rejeitam bebidas brasileiras após contaminação por metanol

Os recentes casos de contaminação por metanol em bebidas brasileiras já refletem no mercado global. Importadores estrangeiros têm recusado cargas de conhaques, espumantes e outras bebidas alcoólicas produzidas no país, por temor de riscos à saúde.

Embora não haja uma restrição oficial por parte de países parceiros, o alerta do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) indica que a situação já prejudica o setor exportador, reforçando a necessidade de fortalecer a fiscalização e o controle público.

Produtores legalizados e clandestinos

Janus Pablo Macedo, presidente do Anffa Sindical, esclarece que as empresas legalmente registradas e fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) seguem padrões rigorosos de qualidade e rastreabilidade. Até o momento, não há indícios de envolvimento de produtores legalizados.

“As investigações apontam para fabricantes clandestinos, que operam à margem da lei e representam sério risco à saúde pública e à imagem do Brasil”, afirma Macedo.

Riscos à saúde e casos registrados

As ocorrências de intoxicação por metanol já provocaram mortes e dezenas de internações em diferentes estados. O crime consiste em adicionar metanol, um álcool extremamente tóxico, a bebidas destiladas para reduzir custos.

Quando ingerido, o metanol se transforma em substâncias que podem causar lesões no sistema nervoso, cegueira ou até a morte.

“Esses casos mostram que a proteção da sociedade depende de um Estado forte e tecnicamente estruturado”, reforça Macedo, destacando o papel dos auditores fiscais na prevenção de fraudes e na garantia de que apenas produtos seguros cheguem ao consumidor.

Medidas de fiscalização e combate à clandestinidade

O Anffa Sindical defende a criação de um grupo de trabalho interinstitucional envolvendo técnicos do Mapa e outras autoridades federais, com foco em rastreabilidade de bebidas e combate à produção clandestina.

Além disso, o presidente do sindicato enfatiza a importância de investir em inteligência e na inspeção pública, citando o Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteira) como ferramenta essencial, que precisa de mais recursos humanos e estrutura para atuar de forma eficaz.

Orientações ao consumidor

A intoxicação por metanol é uma emergência médica grave. Os principais sintomas incluem:

  • Visão turva ou perda de visão, podendo evoluir para cegueira
  • Náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese intensa

Em caso de suspeita, procure atendimento médico imediato e acione canais especializados:

  • Disque-Intoxicação Anvisa: 0800 722 6001
  • CIATox da sua cidade (lista disponível online)
  • Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733

As autoridades recomendam alertar outras pessoas que possam ter consumido a mesma bebida, pois a demora no atendimento aumenta o risco de sequelas graves ou morte.

Segurança alimentar e responsabilidade pública

O Anffa Sindical lamenta as mortes e os impactos desse crime à saúde pública e à credibilidade das bebidas brasileiras. A entidade reforça que apenas produtos com procedência comprovada e inspeção oficial garantem segurança.

Os auditores fiscais federais agropecuários permanecem à disposição do Estado e da sociedade, com compromisso técnico e público para identificar riscos e proteger a população.

FONTE: FSB Comunicação – Assessoria Anffa Sindical
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Anffa Sindical

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Comércio Exterior

Mercosul e Canadá retomam negociações para acordo de livre comércio

Nova rodada de diálogo em Brasília busca atualizar compromissos bilaterais

O Mercosul e o Canadá deram início, nesta quinta-feira (9/10), em Brasília (DF), a uma nova rodada de negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá. As discussões, conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), seguem até esta sexta-feira (10/10).

O objetivo do encontro é atualizar os entendimentos comerciais entre o bloco sul-americano e o país norte-americano diante do atual cenário internacional, fortalecendo a integração econômica e as oportunidades de negócios.

Visita canadense abriu caminho para retomada

As negociações foram reativadas após a visita ao Brasil do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, em agosto de 2025. Na ocasião, Sidhu se reuniu com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, reforçando o interesse mútuo em ampliar o diálogo econômico e retomar a agenda de cooperação.

De acordo com a Secex, o processo reflete o compromisso do Mercosul em firmar acordos modernos, equilibrados e benéficos para ambas as partes, seguindo modelos de negociações recentes com Singapura, União Europeia e EFTA.

Temas em negociação

A rodada de discussões reúne chefes negociadores e equipes técnicas dos quatro Estados Partes do Mercosul e do Canadá. A agenda inclui balanço dos avanços já alcançados, revisão de pendências e definição de prioridades em capítulos estratégicos, como:

  • Acesso a mercados e regras de origem;
  • Facilitação de comércio e barreiras técnicas;
  • Medidas sanitárias e fitossanitárias;
  • Serviços, investimentos e compras governamentais;
  • Propriedade intelectual e meio ambiente;
  • Questões relacionadas à concorrência, micro e pequenas empresas, gênero, trabalho e povos indígenas.

Relação comercial Brasil–Canadá

O Canadá é um parceiro estratégico para o Brasil. Em 2024, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 9,1 bilhões, consolidando o país como o 19º destino das exportações brasileiras.

Do total exportado pelo Brasil ao Canadá, que somou US$ 6,3 bilhões, cerca de 91% correspondeu à indústria de transformação. Entre os principais produtos estão alumínio, ouro, aço, máquinas e equipamentos, aeronaves e café.Nova rodada de diálogo em Brasília busca atualizar compromissos bilaterais

O Mercosul e o Canadá deram início, nesta quinta-feira (9/10), em Brasília (DF), a uma nova rodada de negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá. As discussões, conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), seguem até esta sexta-feira (10/10).

O objetivo do encontro é atualizar os entendimentos comerciais entre o bloco sul-americano e o país norte-americano diante do atual cenário internacional, fortalecendo a integração econômica e as oportunidades de negócios.

Visita canadense abriu caminho para retomada

As negociações foram reativadas após a visita ao Brasil do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, em agosto de 2025. Na ocasião, Sidhu se reuniu com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, reforçando o interesse mútuo em ampliar o diálogo econômico e retomar a agenda de cooperação.

De acordo com a Secex, o processo reflete o compromisso do Mercosul em firmar acordos modernos, equilibrados e benéficos para ambas as partes, seguindo modelos de negociações recentes com Singapura, União Europeia e EFTA.

Temas em negociação

A rodada de discussões reúne chefes negociadores e equipes técnicas dos quatro Estados Partes do Mercosul e do Canadá. A agenda inclui balanço dos avanços já alcançados, revisão de pendências e definição de prioridades em capítulos estratégicos, como:

  • Acesso a mercados e regras de origem;
  • Facilitação de comércio e barreiras técnicas;
  • Medidas sanitárias e fitossanitárias;
  • Serviços, investimentos e compras governamentais;
  • Propriedade intelectual e meio ambiente;
  • Questões relacionadas à concorrência, micro e pequenas empresas, gênero, trabalho e povos indígenas.

Relação comercial Brasil–Canadá

O Canadá é um parceiro estratégico para o Brasil. Em 2024, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 9,1 bilhões, consolidando o país como o 19º destino das exportações brasileiras.

Do total exportado pelo Brasil ao Canadá, que somou US$ 6,3 bilhões, cerca de 91% correspondeu à indústria de transformação. Entre os principais produtos estão alumínio, ouro, aço, máquinas e equipamentos, aeronaves e café.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Comércio Exterior, Inovação, Tecnologia

CEO da Blue Route integra bancas em dois dos principais eventos de inovação e tecnologia do setor portuário e de comércio exterior

A CEO da Blue Route, Beatriz Grance Rinn, foi convidada para atuar como jurada em dois dos mais importantes eventos de inovação e tecnologia do país: o Comex Tech Awards 2025 e o Porto Hack Santos 2025. Reconhecida por sua atuação estratégica no setor de comércio exterior e transformação digital, Beatriz participa da seleção de projetos que estão moldando o futuro da logística e da operação portuária no Brasil.

Beatriz Grance Rinn no Comex Tech Awards 2025

O Comex Tech Awards 2025 teve como objetivo destacar cases que utilizam tecnologia de forma estratégica para transformar o setor de comércio exterior. A premiação reconhece projetos que apresentem desafios reais, envolvimento de múltiplas áreas e resultados mensuráveis, comprovando o impacto tecnológico gerado.

A banca avaliadora é composta por um time multidisciplinar de especialistas e parceiros do Comex Tech Forum. Nesta edição, Beatriz Grance Rinn analisou 43 projetos, dos quais três foram eleitos vencedores.

Entre os diferenciais da avaliação, está o uso de Inteligência Artificial (IA) nos cases — um elemento valorizado, embora não obrigatório. O foco central é o impacto prático e transformador da tecnologia aplicada, seja ela com ou sem IA.

Julgamento no Porto Hack Santos 2025

Já no Porto Hack Santos 2025, considerado o maior hackathon do setor portuário brasileiro, Beatriz integra novamente o corpo de jurados. O evento, organizado pela ABTRA e pelo Instituto AmiGU, desafia estudantes de todo o país a desenvolver soluções tecnológicas com Inteligência Artificial Generativa aplicadas ao Port Community System (PCS) do Porto de Santos.

A competição reúne 61 equipes de 38 instituições de ensino superior e ocorre em duas etapas — uma online e outra presencial. Beatriz foi jurada em ambas as fases. As dez melhores equipes foram classificadas para a grande final, marcada para o dia 13 de outubro, em Santos, onde apresentarão seus protótipos ao vivo para o júri especializado.

Objetivos e critérios de avaliação

O Porto Hack Santos 2025 busca aproximar o ecossistema acadêmico do setor portuário, promover a empregabilidade e incentivar a inovação aberta. Além disso, valoriza o desenvolvimento de competências práticas e o fortalecimento do portfólio digital dos participantes.

Os critérios de julgamento incluem:

  • Inovação — ideias originais e disruptivas para os desafios do Porto de Santos;
  • Aplicabilidade da solução — potencial de implementação no setor portuário e logístico;
  • Uso de IA Generativa — diferencial no desenvolvimento das propostas;
  • Desenvolvimento de protótipos — capacidade de transformar ideias em soluções tecnológicas viáveis;
  • Apresentação e habilidades interpessoais — trabalho em equipe, liderança e resolução de problemas;
  • Valor agregado — impacto das soluções na eficiência e acessibilidade da logística portuária.

Com sua experiência e visão estratégica, Beatriz Grance Rinn reforça o compromisso da Blue Route com a inovação e o desenvolvimento tecnológico no comércio exterior e na logística portuária, consolidando seu papel de liderança em iniciativas que conectam tecnologia, negócios e educação.

Fontes: Com informações do Comex Tech Forum e do Porto Hack Santos 2025.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: DIVULGAÇÃO

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Comércio Exterior

O futuro do trigo argentino se joga no Brasil, não na Europa

Sol Arcidiácono afirmou que o acordo com a União Europeia teria um efeito limitado e que a prioridade é fortalecer o vínculo comercial regional.

Dos extensos campos da província de Buenos Aires até os silos de Rosario, o trigo define parte do pulso agrícola e econômico da América do Sul. Esse grão, básico na alimentação humana, não apenas sustenta a dieta diária, como também atua como eixo da industrialização e do comércio regional. Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai participam de um mercado que conecta a produção local aos fluxos globais de trigo e farinha, dependentes tanto do clima quanto da logística, das políticas e dos preços internacionais.

A head de Grãos da Hedgepoint há quase dez anos e diretora para a América Latina, Sol Arcidiácono, conversou com serindustria.com.ar sobre esse mercado em que atua há quase 20 anos. De Rosario, analisou como a produção e a exportação de trigo na América do Sul não só impactam a economia regional, mas também condicionam a dinâmica da moagem, da industrialização e do consumo de alimentos básicos.
Num cenário marcado pela mudança climática, pela volatilidade internacional e pelas regulações locais, sua perspectiva permite entender por que o trigo continua sendo um pilar estratégico da agricultura sul-americana e como se projeta seu futuro nos próximos anos.

“A produção de trigo nas Américas está distribuída nos polos. A principal oferta está no Polo Norte com Canadá e Estados Unidos, que juntos exportam entre 50 e 60 milhões de toneladas”, explicou Arcidiácono.

A Argentina tem um papel central no hemisfério sul, com um saldo exportável entre 8 e 14 milhões de toneladas, dependendo do ano. Paraguai e Uruguai produzem cerca de 1 a 1,5 milhão de toneladas cada um e exportam aproximadamente 1 milhão de toneladas combinadas em bons ciclos. “No Uruguai, cresceram muitos outros cultivos de inverno para favorecer a rotação com a soja e a área de trigo diminuiu um pouco. Cresceu bastante a canola, oleaginosa que acompanhou toda a revolução dos biocombustíveis que o Uruguai tem, já que exporta biocombustíveis e óleos de canola para a Europa”, comentou a especialista.

Por sua vez, o Brasil, principal importador regional, registrou avanços significativos na produção. “Passou de produzir 5 ou 6 milhões de toneladas para ter um ano acima de 9 milhões de toneladas. Foi um ano excepcional. Custa muito ficar acima de 6-7 milhões porque o risco climático é maior, há mais desafios, geadas precoces, o ciclo é mais curto e a área mais concentrada. Não é como na Argentina, onde a produção é mais distribuída e, se uma região tem problema, outra compensa.”

Para a safra 25/26, os preços internacionais baixos não geram incentivos para ampliar a área plantada: “Quem planta trigo neste ciclo é o triticultor tradicional”, destacou Arcidiácono, acrescentando: “Vemos uma redução de área nesta safra, considerando essas circunstâncias, preços internacionais bem mais baixos e o risco produtivo”.

Mudança climática e volatilidade nos mercados
A mudança climática impacta de forma significativa a agricultura, especialmente em cultivos mais vulneráveis, confirmou Arcidiácono. “Vemos isso em cultivos tropicais, principalmente ligados ao excesso de chuvas, às inundações. Observamos muito mais volatilidade em produtos como óleo de palma e café. De fato, na Hedgepoint desenvolvemos um derivativo para cobertura de risco climático.”

A especialista explicou que a distribuição global do trigo é mais pulverizada do que a de outros grãos. “A oferta de trigo está mais distribuída. No hemisfério norte há maior concentração, 80% do trigo é produzido e exportado de lá. Depois vem o hemisfério sul, com Argentina e Austrália principalmente.”

Sobre o ciclo 25/26, destacou que mostra rendimentos superiores à média em vários países. “Tivemos uma colheita acima do projetado na Rússia. Uma recuperação muito grande na Europa, somando 30 milhões de toneladas no bloco. O Canadá teve uma colheita quase recorde. Os EUA recuperaram bastante na primavera, com oferta e estoques confortáveis. No hemisfério sul, a Austrália espera safra recorde acima de 34 milhões de toneladas. A Argentina, apesar dos desafios, de chuvas excessivas e inundações pontuais, caminha para uma grande colheita.”

Políticas governamentais e competitividade da indústria de moagem
As políticas e regulações impactam diretamente a competitividade da indústria de moagem na América do Sul. “Em geral, quando começamos a industrializar surgem mais barreiras, tarifas, algo que está na moda com a bandeira de Trump. Sem dúvida, as políticas que acabam sendo barreiras definem a competitividade”, declarou Arcidiácono.

Na Argentina, apesar de uma indústria avançada, os impostos internos limitam a competitividade frente a outros países. “De toda forma, a indústria argentina não é competitiva em geral comparada a outras, mas mais pelo peso da carga tributária doméstica do que por tarifas externas.”

Sobre a capacidade ociosa de moagem na Argentina, estimada em 50%, para Arcidiácono o índice não é tão alto quanto parece. “A moagem é uma indústria tradicional que teve papel social no interior, com capacidade instalada importante. Nos últimos anos, trabalhou-se em otimizar custos e incorporar tecnologia.”

Ela destacou que a tecnologia não se limita às máquinas, mas também a processos e questões sanitárias. “O desenvolvimento tecnológico é 360° dentro do moinho, sempre pensando na oportunidade e no desafio de sair do commodity.”

A diversificação também faz parte da estratégia. “Um desafio da moagem foi acompanhar as novas tendências de consumo, incluir outros produtos além do trigo, como farinhas de grão-de-bico, milho, produtos sem glúten e ampliar sua oferta.”

Quanto à logística do trigo, Arcidiácono afirmou que a Argentina consegue abastecer o mercado interno e exportar. “O abastecimento dos padeiros está muito vinculado à concentração populacional. O maior consumo está na província de Buenos Aires, que também é o maior produtor. A logística é muito eficiente.”

Comparado a outros cultivos, o trigo não enfrenta gargalos logísticos sérios. “O desafio logístico não é tão notório porque o trigo não compete por espaço e rotas com milho e soja, que saem juntos em março e abril. Para o trigo, logística não é problema. O mais complicado é a estrutura financeira, por causa das altas taxas e da instabilidade.”

No caso do Brasil, a dinâmica é diferente: o país mói um terço de trigo próprio e importa dois terços. “Precisa da importação argentina. Embora haja um pico de pressão na entrada da safra, o Brasil compra durante todo o ano, com maior concentração entre dezembro e março.”

Oportunidades e exportações
Na exportação de farinha de trigo há oportunidades em nichos específicos. Arcidiácono citou a Turquia como principal exportador mundial, que encontrou um mercado de especialidade em farinhas para massas, sobretudo com o trigo durum.

Por isso, ela considera que existem oportunidades para a Argentina, mas não como commodity, e sim como produto diferenciado. Contudo, o país precisaria investir mais em fertilização para garantir qualidade estável. “Com esse desenvolvimento, poderíamos pensar em uma oportunidade de exportação de nicho, agregando valor e conseguindo preço diferenciado.”

Ao analisar o cenário global, o conflito entre Rússia e Ucrânia gerou volatilidade nos preços. O auge foi em 2022, com o início da guerra e incertezas sobre o abastecimento. Antes, a Ucrânia produzia até 30 milhões de toneladas. “O conflito virou crônico e está mais concentrado em commodities energéticas, mas o trigo continua no radar.”

Arcidiácono também destacou o impacto da política monetária global. Com expectativa de queda das taxas pelo FED, pressionado por Donald Trump, e um dólar enfraquecido, o trigo americano ganha competitividade. “Taxas mais baixas acelerariam a economia, e o consumo de trigo está diretamente ligado ao consumo humano. Não gera volatilidade como fatores geopolíticos, mas a política econômica é relevante para os preços do trigo entrando em 2026.”

Estratégias regionais e papel da Argentina
Hoje, a distribuição mundial do trigo não parece ser um problema. Ainda assim, países sul-americanos poderiam fortalecer sua posição com políticas mais estáveis. “Para a Argentina, é muito saudável alcançar uma colheita de 20 milhões de toneladas ou mais. Isso é positivo para os cultivos, para a sazonalidade da economia e também para a logística, porque março, abril e maio concentram a saída dos cultivos de verão”, afirmou.

Ela lembrou que em outros períodos o país produziu entre 10 e 12 milhões de toneladas, praticamente a metade dos últimos ciclos. Atingir 20 milhões ou mais “é importante, e o país tem potencial para ainda mais”. Essa possibilidade, no entanto, não se replica na mesma escala em Uruguai, Brasil e Paraguai.

Mas alertou que a competitividade argentina continua limitada pelas retenções. “Embora tenham caído muito, já chegaram a ser o dobro. Ainda assim, se perde competitividade porque entramos no mercado mundial com regras que uruguaios e paraguaios não têm. Vamos mais pesados ao mundo.”

O futuro do trigo argentino se joga no Brasil?
Sobre o acordo União Europeia–MERCOSUL, Arcidiácono é cautelosa. “Tenho dúvidas de que seja aprovado, há bastante pressão. Precisa da aprovação de todos os países-membros. Seria benéfico para a agricultura argentina. Tomara que avance, porque seria muito bom.”

No caso do trigo, porém, o impacto seria limitado, já que a Europa também é produtora e exportadora. No curto prazo, poderia haver mais oportunidades em farinha, soja e milho. “Europa compra soja dos EUA; poderia abrir-se espaço para a Argentina, inclusive em biocombustíveis.”

Para ela, o maior potencial de crescimento não está no trigo, mas na soja e no biodiesel. O fator mais determinante para o trigo é o arancel externo comum do MERCOSUL, hoje em 10,5%, que o Brasil administra. “Se será zero, um milhão de toneladas ou outro valor, é o que define quanto trigo pode importar sem pagar tarifa.”

Assim, manter cooperação com o Brasil é essencial. “Mais da metade do trigo que exportamos vai para lá. Existe um codo a codo importante. O Brasil precisa de uma Argentina competitiva.”

Mas, quando a Argentina perde competitividade, o mercado brasileiro reage. “Quando não temos trigo suficiente ou não somos competitivos por câmbio ou restrições, o Brasil se incomoda e busca outros fornecedores. Já chegou a importar trigo da Rússia, o que é um absurdo, estando nós ao lado.”

A chave, portanto, está em garantir estabilidade produtiva. “É fundamental que nunca mais se restrinjam exportações nem haja travas. Isso consolida o vínculo de abastecimento seguro que o Brasil sente da Argentina. Isso é mais importante para o trigo do que qualquer outra coisa.”

Por fim, Arcidiácono refletiu sobre o valor cultural do trigo e da indústria. “A moagem argentina ainda tem trabalho a fazer. Existe muita propaganda contra alimentos à base de trigo e pão. Esse é um desafio maior para a panificação do que para a moagem, mas ambos precisam caminhar juntos.”

Apesar disso, mostrou-se otimista quanto ao futuro. “Há muito espaço para crescer no consumo per capita de trigo no mundo. Na Argentina, é alto pela nossa cultura de imigrantes e pelo abastecimento garantido, com moinhos em todo o país. Mas há um trabalho cultural de conquista que o trigo e o pão precisam fazer no mundo todo”, concluiu.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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