Internacional

China recupera pastagens e fortalece pecuária ecológica com plano de longo prazo

A China avança na recuperação de suas pastagens e consolida uma estratégia voltada ao fortalecimento da pecuária ecológica. Atualmente, mais de 180 milhões de hectares são classificados como saudáveis ou em condição subsaudável, o equivalente a mais de 70% desses ecossistemas no país.

Os dados foram divulgados na segunda-feira (13), durante um evento realizado em Hohhot, capital da Região Autônoma da Mongólia Interior, como parte das ações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores. As informações foram apresentadas pela Administração Nacional de Florestas e Pastagens, órgão responsável pela gestão desses recursos naturais.

Apesar do destaque para os 180 milhões de hectares, o número representa a área atualmente considerada em boas condições ou parcialmente recuperada, e não a soma de áreas restauradas por projetos específicos.

Recuperação ambiental avança durante o Plano Quinquenal

Entre 2021 e 2025, período correspondente ao 14º Plano Quinquenal, o país recuperou cerca de 3,1 milhões de hectares de pastagens degradadas por ano. O resultado foi alcançado por meio de programas de restauração ambiental, preservação da vegetação e controle do uso excessivo das áreas destinadas ao pastejo.

Com aproximadamente 266,7 milhões de hectares, a China possui a maior extensão de pastagens do planeta. Além de sustentar a produção pecuária, esses ecossistemas desempenham papel importante na conservação da biodiversidade, proteção dos solos, combate à desertificação e manutenção de comunidades rurais.

Nos últimos anos, a estratégia chinesa passou a combinar processos de regeneração natural com ações planejadas de recuperação, integrando a gestão das pastagens às políticas de preservação de florestas, rios, montanhas, áreas agrícolas, lagos e desertos.

Segundo as autoridades, essa abordagem busca evitar que problemas ambientais sejam transferidos entre diferentes regiões, além de recuperar solos degradados e preservar a cobertura vegetal.

Controle do pastejo ajuda a preservar a vegetação

Além da restauração das áreas degradadas, a China intensificou ações de prevenção e controle de pragas, doenças e roedores em cerca de 6,7 milhões de hectares por ano.

Outra medida considerada essencial foi a implantação de regras para limitar o sobrepastoreio. O governo adotou períodos de proibição do pastejo, intervalos de descanso das áreas e critérios que relacionam o número de animais à capacidade de suporte de cada território.

O objetivo é reduzir a pressão sobre a vegetação, evitar processos de erosão e garantir condições para a regeneração natural dos ecossistemas utilizados pela pecuária.

Produção de forragem supera 600 milhões de toneladas

Enquanto amplia a proteção ambiental, a China também registra crescimento na produção agropecuária. A produção anual de forragem ultrapassou 600 milhões de toneladas, reforçando a importância econômica das pastagens para o abastecimento dos rebanhos.

O resultado demonstra que as políticas ambientais foram desenvolvidas sem comprometer a capacidade produtiva das áreas destinadas à criação de animais.

Para incentivar práticas sustentáveis, o governo mantém programas de subsídios e compensações financeiras destinados a produtores e comunidades que reduzem temporariamente o uso das pastagens ou adotam métodos de manejo ambientalmente responsáveis.

Ao mesmo tempo, a fiscalização foi reforçada para combater ocupações irregulares e impedir a conversão ilegal de pastagens em áreas agrícolas, prática considerada prejudicial ao equilíbrio ambiental e ao controle da desertificação.

Novo plano amplia foco na pecuária ecológica até 2030

Para o período entre 2026 e 2030, previsto no 15º Plano Quinquenal, o governo chinês pretende ampliar os investimentos na recuperação das pastagens, fortalecer a fiscalização e aprimorar a gestão territorial.

Entre as prioridades estão o desenvolvimento de uma moderna indústria de gramíneas, o cultivo de variedades mais produtivas para alimentação animal e a ampliação da oferta de forragem, reduzindo a pressão sobre as áreas naturais.

A estratégia também prevê a continuidade da integração entre recuperação de pastagens, reflorestamento e combate à desertificação, buscando conciliar crescimento da pecuária ecológica com preservação ambiental.

Embora os indicadores apontem uma melhora significativa nas condições das pastagens, as autoridades ressaltam que parte dessas áreas ainda é considerada subsaudável, exigindo monitoramento constante e novas ações de conservação nos próximos anos.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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