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Dólar sobe para R$ 5,20 e atinge maior cotação em três meses; Ibovespa fecha em queda

A cotação do dólar voltou a ganhar força nesta quarta-feira (24), encerrando o dia em R$ 5,202, o maior patamar registrado desde o fim de março. O movimento foi acompanhado por uma queda no mercado acionário brasileiro, refletindo um cenário de maior cautela entre investidores diante das expectativas para a política monetária dos Estados Unidos e da forte desvalorização do petróleo.

A moeda norte-americana avançou 0,28% no fechamento do pregão, após atingir R$ 5,22 durante a manhã. A valorização foi impulsionada pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, mantenha uma postura mais rígida em relação aos juros caso a inflação continue pressionada.

Os investidores aguardam a divulgação do índice PCE (Personal Consumption Expenditures), principal indicador de inflação monitorado pelo Fed, que pode influenciar os próximos passos da política monetária americana. Enquanto isso, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente às principais moedas internacionais, segue próximo dos níveis mais elevados dos últimos meses, acumulando valorização ao longo do ano.

Diferença de juros reduz atratividade do Brasil

No mercado brasileiro, analistas apontam que a aproximação entre as taxas de juros dos Estados Unidos e do Brasil reduziu o interesse pelo chamado carry trade, estratégia utilizada por investidores para lucrar com a diferença entre juros de diferentes países. Esse movimento contribuiu para a valorização da moeda americana e aumentou a cautela no mercado financeiro nacional.

Após três sessões consecutivas de valorização, o Ibovespa encerrou o dia em baixa de 0,44%, aos 170.506 pontos. Embora tenha iniciado o pregão em alta, o principal índice da B3 perdeu força ao longo do dia, pressionado principalmente pelas ações de empresas ligadas às commodities, como petroleiras e mineradoras.

A retração dos preços do petróleo e dos metais no mercado internacional impactou diretamente esses papéis. Por outro lado, empresas voltadas ao consumo interno registraram desempenho positivo, favorecidas pelo recuo das taxas de juros futuros.

Petróleo registra terceira queda consecutiva

O mercado internacional também foi marcado por uma nova queda nas cotações do petróleo, que atingiram o menor nível desde o início das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. O barril do Brent, referência para a Petrobras, fechou cotado a US$ 73,87, com recuo de 3,81%. Já o WTI, negociado nos Estados Unidos, caiu 3,92%, encerrando o dia a US$ 70,34 por barril.

A desvalorização foi influenciada pela perspectiva de aumento da oferta global da commodity, impulsionada pela retomada gradual da navegação no Estreito de Ormuz e por sinais de possível flexibilização das restrições ao petróleo iraniano.

Mercado acompanha cenário geopolítico e decisões do Fed

Além da política monetária americana, investidores seguem atentos às negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã. O avanço das conversas reduziu parte das preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo, diminuindo o prêmio de risco da commodity.

Nos próximos dias, o foco permanece voltado para os indicadores econômicos dos Estados Unidos, que poderão redefinir as expectativas para os juros internacionais e continuar influenciando o comportamento do câmbio, da bolsa e das commodities.

Fonte: Agência Brasil

Texto: Redação

Imagem: Valter Campanato / Agência Brasil

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