Inovação

Uber Air: táxi voador da Uber começa a operar em Dubai e promete revolucionar mobilidade urbana

Os táxis voadores — antes vistos apenas em filmes de ficção científica — estão prestes a entrar na rotina de transporte urbano. A Uber, em parceria com a Joby Aviation, anunciou o lançamento do serviço Uber Air em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com previsão de início das operações comerciais em 2026.

A iniciativa faz parte da estratégia de mobilidade aérea urbana, que busca oferecer uma alternativa rápida e sustentável aos deslocamentos nas grandes cidades. O projeto pretende integrar viagens aéreas curtas ao ecossistema de transporte já operado pela plataforma da Uber.

Projeto de mobilidade aérea começou há quase uma década

A aposta da Uber na mobilidade aérea não é recente. Entre 2015 e 2016, a empresa criou o projeto Uber Elevate, divisão interna dedicada ao desenvolvimento de soluções de transporte aéreo para áreas urbanas.

O objetivo era expandir o modelo de transporte sob demanda — já consolidado nas ruas — para o espaço aéreo das cidades.

Um passo importante ocorreu em 2021, quando a Uber transferiu a divisão Uber Elevate para a Joby Aviation, empresa especializada em aeronaves elétricas. Ao mesmo tempo, reforçou a parceria ao investir cerca de US$ 75 milhões na companhia.

Com isso, a tecnologia, a equipe e os projetos da Uber passaram a ser desenvolvidos diretamente sob a gestão da Joby. Eric Allison, atualmente executivo da empresa, liderava a operação do programa dentro da Uber.

Parceria une tecnologia aeronáutica e plataforma da Uber

A colaboração entre as empresas combina dois pilares principais: a experiência da Uber em gestão de mobilidade sob demanda e a tecnologia avançada da Joby no desenvolvimento de aeronaves.

Segundo Sachin Kansal, diretor de produtos da Uber, os táxis aéreos elétricos podem ajudar a enfrentar desafios urbanos relacionados à mobilidade e à sustentabilidade.

Durante uma visita à imprensa em Dubai, que reuniu dezenas de jornalistas, Kansal destacou o potencial do projeto.

Ele afirmou que a expansão da plataforma para o transporte aéreo permitirá aplicar a escala tecnológica da Uber a um novo tipo de mobilidade, ampliando as opções de deslocamento nas grandes cidades.

Tempo perdido no trânsito motiva nova solução de transporte

Um dos principais objetivos do Uber Air é reduzir o tempo gasto em deslocamentos urbanos.

De acordo com estimativas apresentadas pela empresa, motoristas e passageiros podem perder até 93 horas por ano presos em congestionamentos em trajetos cotidianos, como ida e volta do trabalho ou da escola.

Para a companhia, ampliar estradas ou construir novas vias não resolve completamente o problema. A alternativa seria diversificar os meios de transporte disponíveis nas cidades, incluindo rotas aéreas para trajetos curtos.

Aeronave elétrica eVTOL será usada no serviço

O funcionamento do Uber Air depende da integração entre software e hardware. De um lado está a tecnologia da plataforma da Uber; do outro, as aeronaves eVTOL (Electric Vertical Take-Off and Landing) desenvolvidas pela Joby.

Esse tipo de veículo elétrico consegue decolar e pousar verticalmente, sem a necessidade de pistas longas, característica que facilita o uso em áreas urbanas.

A Joby Aviation, sediada na Califórnia, é considerada uma das empresas líderes em Mobilidade Aérea Avançada (AAM). A companhia desenvolve internamente praticamente todos os componentes das aeronaves, desde o design até o software de controle.

Tecnologia automotiva ajudou na produção das aeronaves

A empresa também contou com a colaboração de especialistas da Toyota, que participaram do desenvolvimento dos processos industriais da Joby.

A experiência da montadora japonesa em produção em larga escala ajudou a estruturar métodos de fabricação capazes de viabilizar a produção comercial das aeronaves.

O resultado dessa integração tecnológica é o Joby S1, veículo aéreo que será utilizado no serviço Uber Air.

Desempenho e autonomia do táxi voador

O Joby S1 é equipado com seis hélices inclináveis e motor totalmente elétrico. A aeronave pode atingir velocidade máxima de cerca de 320 km/h e possui autonomia de até 160 quilômetros com uma única carga.

Outro diferencial é o baixo nível de ruído. Segundo os desenvolvedores, o som gerado pelo veículo pode ser até 100 vezes menor que o de helicópteros tradicionais, característica essencial para operações em áreas urbanas.

Durante voos de demonstração, o ruído é mais perceptível apenas na decolagem e no pouso. Em altitude de cruzeiro, o som tende a ser significativamente reduzido.

Sistema digital garante controle e segurança

A aeronave conta com tecnologias avançadas, incluindo o sistema fly-by-wire digital, que transforma os movimentos feitos pelo piloto nos controles em sinais elétricos interpretados por computadores de bordo.

Além disso, diversos componentes essenciais — como motores, baterias, atuadores e sistemas eletrônicos — são produzidos internamente pela empresa, o que permite maior controle de qualidade e segurança operacional.

Aplicativo da Uber conectará transporte aéreo e terrestre

A experiência do usuário continuará integrada ao aplicativo da Uber, que será responsável por conectar as rotas aéreas com os trajetos terrestres.

Segundo Eric Allison, diretor de produtos da Joby, o sistema utiliza uma plataforma própria chamada Elevate OS, responsável por gerenciar reservas de voos, disponibilidade de pilotos e integração com a infraestrutura urbana.

Com isso, o usuário poderá solicitar um voo da mesma forma que pede um carro no aplicativo.

Viagens de 30 km podem levar apenas 11 minutos

Simulações feitas pela Uber indicam que trajetos que hoje levam dezenas de minutos podem ser drasticamente reduzidos.

Um exemplo é o percurso entre Dubai Marina e o Aeroporto Internacional de Dubai, com cerca de 30 quilômetros de distância. Pelo ar, o deslocamento poderia ser realizado em aproximadamente 11 minutos.

A redução no tempo de viagem pode beneficiar principalmente executivos, empresários e viajantes que precisam se deslocar rapidamente dentro da cidade.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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