Comércio Internacional

Exportação de açúcar da Índia avança com queda de preços internos e desvalorização da rupia

Os acordos de exportação de açúcar da Índia começaram a ganhar tração nas últimas semanas, impulsionados pela queda dos preços domésticos e pela desvalorização da rupia. Usinas indianas já fecharam contratos para cerca de 180 mil toneladas nesta temporada, segundo fontes do comércio e da indústria.

Em novembro, o governo indiano autorizou a exportação de 1,5 milhão de toneladas de açúcar da safra atual, iniciada em 1º de outubro. No entanto, os preços elevados no mercado interno limitaram o avanço das vendas externas nos primeiros meses.

Ritmo lento da Índia sustenta preços globais

A lentidão nas exportações do país, que é o segundo maior produtor mundial de açúcar, contribui para dar suporte aos preços internacionais, atualmente próximos das mínimas registradas em cinco anos.

Até o momento, as usinas firmaram contratos para embarques destinados a Afeganistão, Sri Lanka e países da África Oriental, de acordo com cinco negociantes ouvidos. As fontes pediram anonimato por não terem autorização para comentar publicamente.

Pressão financeira leva usinas a exportar

Apesar da margem ainda apertada, algumas usinas decidiram avançar com as exportações. “Normalmente, os melhores preços vinham do mercado externo, mas desta vez o incentivo é limitado. Mesmo assim, algumas usinas precisam gerar caixa para pagar os agricultores pela cana”, afirmou um operador de uma trading global em Mumbai.

Produção maior derruba preços no mercado interno

A produção abundante de açúcar na nova temporada começou a pressionar os preços locais. Após se manterem acima das referências globais, os valores recuaram cerca de 6% nos últimos três meses, para 36.125 rúpias por tonelada (aproximadamente US$ 401).

Entre outubro e dezembro, a produção indiana somou 11,9 milhões de toneladas, crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Competitividade ainda limitada no mercado internacional

No mercado externo, o açúcar indiano está sendo ofertado em torno de US$ 450 por tonelada FOB, cerca de US$ 20 acima do preço de referência dos contratos futuros em Londres, segundo negociantes.

“A pressão da oferta reduziu os preços internos. As exportações ainda não são altamente lucrativas, mas deixaram de gerar prejuízo, como ocorreu no mês passado”, avaliou BB Thombare, presidente da West Indian Sugar Mills Association.

Janela curta para exportações antes do Brasil

Especialistas alertam que a Índia dispõe de uma janela limitada de exportação, concentrada entre janeiro e março. A partir de abril, a expectativa é de que o aumento dos embarques do Brasil, maior produtor global, pressione ainda mais os preços internacionais.

FONTE: Forbes Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes Brasil

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