Exportação

Exportações da China caem inesperadamente em meio à queda contínua dos preços

Após meses de forte demanda, as exportações da China recuaram de forma inesperada em outubro — a primeira queda em oito meses — em meio à queda nos preços de muitos de seus principais produtos, como carros, painéis solares e baterias.

De acordo com a Administração Geral de Alfândegas da China, o valor das exportações chinesas caiu 1,1% em outubro, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Economistas ocidentais esperavam que o país registrasse mais um mês de crescimento.

Mesmo com a guerra comercial com os Estados Unidos e o aumento de tarifas em países em desenvolvimento como Brasil, Índia e Turquia, preocupados com o impacto de produtos chineses baratos em suas indústrias locais, as exportações chinesas vinham crescendo fortemente ao longo do ano. Até outubro, as vendas para outras regiões do mundo haviam compensado a queda no comércio com os EUA. A China ainda caminha para registrar superávit comercial recorde pelo segundo ano consecutivo.

O volume físico das exportações aumentou de forma expressiva em 2024, impulsionado pelo avanço de automóveis, eletrônicos, eletrodomésticos e outros bens. No entanto, o valor total exportado não acompanhou o mesmo ritmo, já que muitas empresas chinesas estão reduzindo preços para escoar o excesso de produção.

As exportações chinesas para a União Europeia, América Latina, África e Sudeste Asiático enfraqueceram em outubro. Além disso, a composição das vendas externas vem mudando: cresce a participação de carros e painéis solares, cujos preços despencaram, enquanto produtos de baixa tecnologia, como móveis e roupas, perdem espaço.

O número de carros exportados subiu quase 25% em outubro, mas o valor dessas exportações aumentou apenas 17%, refletindo a queda dos preços.

As tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, por outro lado, tiveram efeito menor no último mês. As exportações para o mercado americano caíram menos em outubro do que nos dois meses anteriores. Há ainda indícios de que empresas chinesas estejam contornando as tarifas, enviando produtos para outros países antes de chegarem aos EUA.

“O aumento da participação das exportações chinesas destinadas ao Vietnã, o principal centro de redirecionamento, sugere que o impacto das tarifas continuou a ser compensado”, explicou Zichun Huang, economista da Capital Economics, em relatório. “Ou seja, o peso das tarifas americanas parece estar diminuindo, não aumentando.”

Mesmo assim, a China continua exportando mais de três vezes o que importa dos Estados Unidos, o que tem ajudado Pequim a sustentar o emprego industrial e fortalecer a economia, apesar da crise prolongada do setor imobiliário, que abalou as finanças de muitas famílias chinesas.

Com os consumidores reticentes em gastar após perdas financeiras significativas, parte da produção doméstica tem sido redirecionada para o mercado externo.

A ligeira valorização do yuan (renminbi) frente ao dólar nos últimos meses pode ter prejudicado a competitividade dos produtos chineses, tornando-os mais caros em alguns mercados. Por outro lado, a moeda se desvalorizou cerca de 7% em relação ao euro no último ano, o que beneficiou as exportações destinadas à União Europeia.

O banco Goldman Sachs observou que o desempenho mais fraco das exportações também pode ter sido influenciado por um fator pontual: outubro teve um dia útil a menos neste ano em relação a 2023.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qilai Shen para o The New York Times

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