Logística

Cabotagem no Brasil: 1 em 5 Indústrias Poderia Migrar com Portos Melhores

Cresce o interesse da indústria pelo transporte marítimo

Uma em cada cinco indústrias brasileiras está disposta a adotar a cabotagem caso haja melhorias na infraestrutura portuária. A constatação vem de pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e evidencia a forte dependência do país no transporte rodoviário, considerado mais caro e ineficiente.

Atualmente, apenas 29% das indústrias utilizam a navegação entre portos nacionais, e a cabotagem representa apenas 11% da matriz de transporte do país. Deste percentual, cerca de 75% são dedicados ao transporte de petróleo e derivados.

“Os custos de transporte no Brasil são elevados, pois utilizamos de forma equivocada o modal rodoviário em longas distâncias”, afirma Paula Bogossian, analista de infraestrutura da CNI. Segundo a entidade, uma redistribuição mais equilibrada dos modais poderia reduzir os custos logísticos em até 13%.

Programa BR do Mar ainda pouco conhecido

Apesar de estar em vigor desde julho de 2024, o Programa BR do Mar, criado para estimular a cabotagem, ainda é desconhecido por 76% dos empresários que utilizam o modal. O programa, sancionado em 2022, prevê incentivos para aumentar a frota e investimentos no transporte aquaviário.

Entre os que conhecem a iniciativa, 90% reconhecem benefícios, sendo a redução de custos apontada como principal vantagem — 85% das empresas que usam cabotagem e 70% das que ainda não adotaram o modal citaram essa melhoria.

Barreiras geográficas e infraestrutura

A pesquisa revela que 45% das empresas alegam incompatibilidade geográfica como motivo para não usar a cabotagem. No entanto, os números mostram que muitas poderiam migrar caso houvesse condições adequadas: 20% das indústrias que não utilizam o modal demonstraram interesse.

O interesse é distribuído entre estados como Rio Grande do Sul (17%), Bahia (13%), Rio Grande do Norte (13%) e Santa Catarina (13%). Além da geografia, outros obstáculos são indisponibilidade de rotas (39%), maior tempo de trânsito (15%) e distância até portos (15%), desafios que dependem de investimentos federais.

“Para a indústria, que transporta grandes volumes, a cabotagem é um diferencial competitivo. Por isso, o BR do Mar é tão relevante”, afirma Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI.

Pequenas empresas ainda estão de fora

O levantamento indica que o uso da cabotagem cresce conforme o porte empresarial: apenas 7% das pequenas indústrias adotam o modal, 22% das médias e 44% das grandes. Entre estas últimas, 8% usam intensivamente a navegação entre portos.

Empresas que utilizam cabotagem transportam cargas mais longas — média de 1.213 km contra 862 km das que não utilizam — e destacam a redução de custos (79%) e a segurança no transporte (21%) como principais vantagens.

Regulamentação ainda incompleta

Embora o BR do Mar esteja regulamentado, dispositivos essenciais ainda não foram detalhados, incluindo portarias sobre contratos de longo prazo para afretamento de navios e definição de embarcações sustentáveis.

Muniz ressalta que a integração da indústria com políticas ambientais e sociais é prioridade, mas alerta que exigências excessivas não podem impedir a expansão do modal nem afetar o desenvolvimento da indústria naval brasileira.

Infraestrutura precária limita potencial do país

O principal desafio identificado pelos empresários é a baixa infraestrutura portuária — citado por 69% das empresas que usam cabotagem e 70% das que ainda não adotaram o modal.

Com uma costa de mais de 7.400 km, o Brasil tem grande potencial para transporte aquaviário, mas segue dependente de rodovias caras e desgastadas, comprometendo a competitividade industrial. A pesquisa da CNI evidencia que a falta de investimento não é apenas um problema técnico, mas uma escolha que custa bilhões à economia brasileira.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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