Comércio Exterior, Negócios

Empresas brasileiras fazem lobby nos EUA para reduzir tarifas impostas por Trump

O lobby da JBS, EMS, Suzano e Embraer destaca as divisões políticas nos EUA sobre o comércio com o Brasil

Executivos e líderes empresariais brasileiros de grandes companhias afetadas pelo aumento de tarifas de Donald Trump vêm fazendo intenso lobby em Washington para reverter os impactos das medidas comerciais impostas pelo presidente dos EUA desde agosto.

A Embraer conseguiu negociar com sucesso, servindo de exemplo para outros grandes empresários — como os irmãos Batista, donos da JBS, Carlos Sanchez, da gigante farmacêutica EMS, e empresas de outros setores, como a Suzano — buscarem reduções ou eliminações das tarifas.

Fontes indicam que há uma divisão dentro do governo norte-americano em relação à política tarifária rígida de Trump contra o Brasil. De um lado, uma ala mais dura apoia as sobretaxas; de outro, um grupo pragmático de parlamentares acredita que a decisão está “empurrando o Brasil para os braços da China” e fortalecendo a narrativa do presidente Lula.

“Parlamentares moderados entendem que o Brasil exporta produtos que não são produzidos nos EUA, e muitas empresas americanas estão sendo prejudicadas”, disse uma fonte. “Há também preocupação com a inflação.”

Empresas brasileiras vêm realizando reuniões regulares com autoridades da Casa Branca para negociar inclusão na lista de isenções — cerca de 700 itens foram acrescentados no mês passado. A celulose foi retirada da lista, mas o papel continua sujeito às tarifas americanas.

Carlos Sanchez, da EMS, disse ao Valor que contratou uma empresa de lobby nos EUA. O empresário esteve em Washington há cerca de duas semanas para defender os interesses de sua companhia. Embora os medicamentos não tenham sido diretamente afetados pelas medidas americanas, a EMS importa matéria-prima dos EUA e possui uma fábrica em Atlanta. “Trump sinalizou que está revendo o setor farmacêutico porque os remédios são caros nos EUA, e grande parte do fornecimento vem da Europa”, afirmou Sanchez.

“Muitos [parlamentares] não têm ideia do que acontece no Brasil. Explicamos que somos um país democrático”, acrescentou Sanchez. Ele disse ainda que, há cerca de duas semanas, também se reuniu com representantes da JBS em Washington.

Joesley Batista, do grupo J&F, holding controlada pela família Batista e dona da JBS, conhecido por sua proximidade com o presidente Lula, esteve entre os que tiveram acesso direto a Trump.

O encontro, realizado na Casa Branca no início de setembro, pode ter ajudado a convencer o líder americano a considerar a reabertura das negociações com o Brasil, cujas tarifas afetaram severamente as exportações de carne bovina.

O Valor apurou que a reunião entre Joesley Batista e Trump não tinha, inicialmente, como objetivo discutir a sobretaxa sobre a proteína animal brasileira. Em vez disso, foi organizada como parte de uma agenda institucional devido ao porte e à importância da J&F nos EUA, onde o grupo emprega 75 mil pessoas e responde por metade de sua receita.

Nesse contexto, a conversa começou tratando dos investimentos da J&F nos EUA, mas Batista aproveitou para levantar preocupações sobre o efeito das tarifas nos produtos brasileiros e nos preços ao consumidor no mercado americano.

Segundo pessoas próximas à reunião, Batista disse ao presidente Trump que a tarifa de 50% afetaria diretamente o preço do hambúrguer nos EUA. Ele argumentou que, sem a carne bovina brasileira, os processadores americanos seriam obrigados a usar carne mais cara para a produção.

Batista também teria alertado Trump sobre consequências semelhantes em relação ao café e ao suco de laranja — outros dois importantes produtos brasileiros exportados para os EUA.

Agora, as atenções se voltam para o próximo encontro entre os presidentes Lula e Trump, marcado para a semana que vem.

Fonte: Valor International

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