Industria

Indústria catarinense demite quase 400 trabalhadores e culpa tarifaço dos EUA

De acordo com relatos, muitos dos colaboradores não tinham qualquer indicação prévia de que seriam demitidos.

A cidade de São Bento do Sul (SC) foi surpreendida nesta quarta-feira (17) por uma onda de demissões em massa na indústria moveleira Artefama, uma das mais tradicionais do município. Segundo informações de sindicatos e ex-funcionários, cerca de 350 trabalhadores foram desligados em um único dia, em uma medida classificada como “dolorosa, porém necessária” pela própria empresa.

De acordo com relatos, muitos dos colaboradores não tinham qualquer indicação prévia de que seriam demitidos. Vídeos e áudios circulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp com imagens de funcionários se despedindo na porta da empresa e comentando a surpresa com a decisão. “Confirmamos que alguns desligamentos ocorreram hoje”, disse a empresa em nota oficial. “Pedimos, porém, muito respeito neste momento. Estamos falando de histórias, famílias e vidas”.

A empresa ressaltou que continua comprometida com a cidade e que aposta em um “novo ciclo de crescimento”, mesmo diante do cenário adverso no mercado internacional.

Motivo: tarifaço dos EUA

O presidente do Sindusmobil (Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário), Luiz Carlos Pimentel, afirmou que a medida é reflexo direto das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos contra móveis brasileiros. O chamado “tarifaço” foi instituído pelo governo de Donald Trump (Republicanos), que retomou medidas protecionistas para produtos considerados concorrência desleal ao setor moveleiro norte-americano.

A Artefama, que tem os EUA como principal mercado de exportação, afirmou em comunicado: “As mudanças recentes no mercado internacional reduziram de forma significativa nossas vendas”. Ainda segundo a empresa, foi necessário “reduzir grande parte de nossa equipe para manter a operação viável e preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento”.

Impacto para São Bento do Sul

A cidade é um dos principais polos moveleiros de Santa Catarina e teve destaque nas exportações em 2024, com mais de US$ 84 milhões em vendas internacionais de móveis. A expectativa de retomada esbarra na instabilidade causada pelas tarifas e na dificuldade de abertura de novos mercados em tempo hábil.

O sindicato dos trabalhadores (Siticom) afirma que ainda não recebeu a lista completa dos demitidos e aguarda o prazo legal de até 10 dias para homologações. A situação mobilizou entidades empresariais, órgãos públicos e a comunidade local.

Governo tenta conter crise

O governo federal, por meio do pacote “Brasil Soberano”, anunciou medidas emergenciais para conter os impactos do tarifaço, incluindo:

  • Linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas exportadoras afetadas
  • Apoio à adaptação de processos e inovação tecnológica
  • Abertura de compras governamentais para absorver parte da produção prejudicada

Já o governo de Santa Catarina liberou:

  • Crédito acumulado de ICMS de exportação
  • Postergação do ICMS por três meses
  • Linhas de crédito em reais e dólares com juros subsidiados pelo Estado
  • Cobertura de custos fixos para empresas com faturamento de até R$ 300 milhões e impacto direto nas exportações

Segundo Pimentel, embora os incentivos sejam bem-vindos, “não resolvem o problema na raiz”. Ele alertou que, para muitas empresas, a única saída no curto prazo é a redução de custos operacionais — o que inclui demissões.

Fonte: Jornal Razão

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