Economia

Ibovespa cai e dólar sobe com reação do mercado ao tarifaço

Na Europa, os principais índices fecharam em queda. Já na Ásia, as bolsas oscilaram.

O mercado financeiro avalia, nesta quinta-feira (31), os efeitos do tarifaço aplicado pelo governo Donald Trump ao Brasil. O dólar oscila durante todo o dia. No começo da tarde, operava em leve alta de 0,03%, cotado aos R$ 5,59. Já o Ibovespa caia 0,57%, aos 133.229 pontos.

Na Europa, os principais índices fecharam em queda:

  • Stoxx 600: queda de 0,71%, aos 546,34 pontos;
  • FTSE 100 (Londres): queda de 0,08%, aos 9.130,04 pontos;
  • DAX (Frankfurt): queda de 0,81%, aos 24.065,47 pontos;
  • CAC 40 (Paris): queda de 1,14%, aos 7.771,97 pontos;

Na Ásia, os principais índices oscilaram:

  • Nikkei 225 (Tóquio): alta de 1,1%, para 41.069,82 pontos;
  • Kospi (Seul): queda de 0,3%, para 3.245,44 pontos;
  • Hang Seng (Hong Kong): queda de 1,5%, para 24.803,18 pontos;
  • Xangai Composto (Xangai): queda de 1,2%, para 3.573,21 pontos;
  • S&P ASX 200 (Austrália): queda de 0,2%, para 8.742,80 pontos;
  • Taiex (Taiwan): alta de 0,3%, para 23.542,52 pontos;
  • BSE Sensex (Índia): alta de 0,2%, para 81.642,81 pontos.

Impacto para os setores

Quase 60% dos produtos brasileiros ainda serão taxados em 50% quando entrarem nos Estados Unidos, se não houver acordo. A medida assinada pelo presidente Donald Trump afeta produtos como o café, frutas, pescado e carne bovina.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o Cecafé, Marcos Matos, disse, em entrevista ao CBN São Paulo, que as negociações continuam em andamento.

Ele ressaltou que, apesar das tarifas, uma queda do preço do café no mercado interno não deve acontecer no momento. Marcos Matos explica que isso depende de outros fatores:

“O mercado já começou a trabalhar. As tarifas são só mais um item dessa equação, mais uma variável – ela é incerta porque, a todo momento, também as condições mudam, os acordos comerciais com cada país mudam. Continuamos a trabalhar para que a gente consiga colocar o produto na lista de exceções, mas sempre buscando o diálogo entre os dois países que é primordial também”, afirmou.

O setor de pescados também ficou de fora da lista de exceções. Em entrevista ao Jornal da CBN, o diretor-executivo da ABIPESCA, Jairo Gund, explicou que as exportações serão inviáveis para o mercado americano.

“Estamos vivendo talvez o momento mais sensível da história recente do nosso setor. E, agora, a gente fica numa situação onde temos a perda total de de competitividade, comparado com os nossos principais concorrentes externos. Fica completamente inviável. Já estava tendo retenções de embarque pelo receio da confirmação da entrada em vigor -que se confirmou na data de ontem. Agora, nós teremos um impacto severo na redução da produção primária”, explica.

Os mercados caribenho e asiático, que são os concorrentes, também foram tarifados, mas em taxas menores do que a do Brasil.

Uma situação similar atinge o setor de carnes. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, a carga tributária total ultrapassaria os 76%, dificultando o processo. A Abiec afirmou em nota que ainda busca uma negociação com os importadores norte-americanos e com o governo brasileiro.

A tarifa também afetará a competitividade dos derivados de cacau brasileiro e pode gerar riscos fiscais e operacionais para o setor. Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau, os Estados Unidos responderam por 18% do valor total exportado pelo Brasil.

A Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados ainda acompanha o desdobramentos de negociações entre os dois países.

Em relação ao setor do Alumínio, a Associação Brasileira do Alumínio estima um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão para o setor. De acordo com a Abal, as tarifas também ameaçam a cadeia de reciclagem.

Fonte: CBN

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