Comércio Exterior, Tecnologia

Tecnologia, Big Data e o Futuro do Comércio Internacional: entrevista com a especialista Mariana Tomelin

Com mais de 15 anos de atuação no comércio exterior, Mariana Pires Tomelin é referência quando o assunto é internacionalização de empresas. À frente da Exon Trade Business Intelligence, ela lidera projetos que integram inteligência comercial, análise de dados e tecnologia de ponta, como Inteligência Artificial e Big Data, para ampliar o desempenho de empresas brasileiras em mercados globais. Com domínio de seis idiomas e uma abordagem estratégica, Mariana atua em negociações multiculturais e apoia indústrias a se posicionarem de forma sólida e competitiva fora do Brasil.

Nesta entrevista, a especialista compartilha sua visão sobre as transformações tecnológicas no comércio internacional, os desafios enfrentados por empresas iniciantes na exportação e os caminhos para a inovação no setor. Confira:

Como a tecnologia tem transformado o comércio internacional?

MARIANA – A transformação digital trouxe automação de processos aduaneiros, rastreabilidade logística em tempo real e plataformas de integração entre fornecedores, compradores e agentes logísticos. Hoje, é possível exportar com mais segurança, velocidade e inteligência.

Qual o papel do Big Data no comércio exterior?

MARIANA – O Big Data possibilita decisões baseadas em dados concretos: desde a identificação de mercados potenciais até a análise de concorrência, preços praticados e comportamento de consumo global. Com ferramentas avançadas, é possível traçar estratégias muito mais eficazes.

Quais tecnologias emergentes você considera aliadas das empresas que querem se posicionar globalmente?

MARIANA – Inteligência Artificial, blockchain, automação aduaneira, plataformas de e-commerce B2B e ERPs integrados são essenciais. Essas ferramentas otimizam custos, aumentam a segurança jurídica e ampliam o alcance comercial das empresas.

Qual a importância do comércio internacional para as empresas atualmente?

MARIANA – O comércio internacional é uma alavanca estratégica para o crescimento das empresas. Ele permite acesso a novos mercados, maior escala de produção, diversificação de receitas e redução de dependência do mercado interno. Para muitas empresas, internacionalizar-se deixou de ser uma opção e se tornou uma necessidade.

Como a exportação contribui para a solidez e longevidade das empresas?

MARIANA – Exportar é uma forma de gerar receita em moeda forte, diluir riscos e aumentar a competitividade. Além disso, empresas exportadoras tendem a investir mais em inovação, qualidade e eficiência, o que as torna mais resilientes em momentos de crise.

Por que diversificar mercados é uma estratégia tão relevante no comércio exterior?

MARIANA – A diversificação reduz a exposição a riscos geopolíticos, variações cambiais e mudanças regulatórias. Atuar em diferentes regiões permite equilibrar sazonalidades e adaptar produtos a múltiplos perfis de consumo.

Por que é fundamental que a empresa se posicione estrategicamente no mercado internacional?

MARIANA – O posicionamento define como a marca será percebida globalmente. Uma empresa bem posicionada comunica seus diferenciais, valores e capacidade produtiva de forma coerente e confiável, o que impacta diretamente na atração de clientes e parceiros comerciais.

Como consultorias especializadas podem acelerar o processo de internacionalização?

MARIANA – Consultorias estratégicas conhecem os atalhos legais, logísticos e comerciais para cada país. Elas ajudam a evitar erros caros, planejar com eficiência, reduzir custos tributários e abrir portas por meio de uma rede de contatos qualificada.

O quanto é importante entender a legislação internacional e os trâmites burocráticos?

MARIANA – O desconhecimento legal é um dos principais fatores que inviabilizam ou tornam uma operação internacional deficitária. Conhecer as normas, tanto do país de origem quanto de destino, garante segurança jurídica, redução de riscos e maior agilidade no processo.

Quais são os principais erros cometidos por empresas iniciantes no comércio exterior?

MARIANA – Entre os erros mais comuns estão: subestimar os custos logísticos, não adequar o produto ao mercado-alvo, negligenciar barreiras não-tarifárias, não buscar apoio técnico e trabalhar sem contratos bem elaborados.

Que papel o planejamento estratégico desempenha no sucesso da exportação?

MARIANA – O planejamento permite antecipar riscos, organizar processos, preparar equipes e construir metas realistas. Sem planejamento, a exportação pode virar um esforço isolado e insustentável.

Como as micro e pequenas empresas podem começar a exportar com segurança?

MARIANA – Elas devem buscar capacitação, participar de programas de incentivo à exportação, estudar o mercado-alvo e começar com operações-piloto. Hoje, há muitas plataformas e órgãos de apoio à disposição.

A atuação internacional exige adaptação dos produtos ou serviços?

MARIANA – Em muitos casos, sim. Pode ser necessária a adaptação de embalagem, rótulos, certificações técnicas e até mesmo do posicionamento da marca. Essa adaptação demonstra respeito ao mercado local e aumenta a aceitação do produto.

Como lidar com as exigências documentais do comércio exterior?

MARIANA – É essencial montar um checklist robusto e manter uma comunicação fluida entre os departamentos envolvidos. Ter apoio de um despachante aduaneiro e sistemas integrados de gestão documental é um grande diferencial.

O que mudou no comércio exterior nos últimos 5 anos?

MARIANA – Houve avanços expressivos na digitalização dos processos, maior exigência de sustentabilidade, aumento da volatilidade geopolítica e uma crescente demanda por rastreabilidade e transparência.

Quais habilidades você considera essenciais para um profissional da área?

MARIANA – Visão estratégica, capacidade de negociação, conhecimento técnico em legislação e logística, domínio de idiomas, familiaridade com tecnologia e sensibilidade cultural são indispensáveis.

Como você enxerga o papel do Brasil no comércio exterior nos próximos anos?

MARIANA – O Brasil tem potencial para ser protagonista, especialmente com alimentos, minérios, energia limpa e biotecnologia. Para isso, é preciso investir em infraestrutura, acordos comerciais e redução da burocracia.

Que conselhos você daria para quem deseja construir carreira em comércio exterior?

MARIANA – Busque conhecimento prático, aprenda com erros, esteja sempre atualizado e desenvolva uma mentalidade global. O profissional dessa área precisa ser curioso, resiliente e conectado com as mudanças do mundo.

Há espaço para inovação no comércio exterior?

MARIANA – Muito. Desde soluções logísticas inteligentes até plataformas de matchmaking internacional, passando por fintechs de câmbio e crédito. O setor ainda tem muito a evoluir com apoio de tecnologia.

Qual mensagem você deixa para as empresas brasileiras que ainda não exportam?

MARIANA – A internacionalização pode parecer desafiadora, mas é perfeitamente viável com planejamento, orientação e coragem. O Brasil tem produtos e talentos de altíssimo nível; com a preparação adequada é possível diversificar mercados e trazer inúmeros benefícios para a empresa e para a sociedade.

Sobre a especialista:

Mariana Pires Tomelin é especialista em Comércio Exterior e fundadora da Exon Trade Business Intelligence. Com atuação estratégica em projetos de internacionalização, Mariana tem como missão tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e inovador. Seu trabalho une experiência técnica, visão de futuro e fluência cultural, transformando dados e desafios em estratégias de expansão global para empresas brasileiras.

TEXTO: REDAÇÃO
IMAGENS: FREEPIK / DIVULGAÇÃO

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook