Comércio, Comércio Exterior, Economia

AGU pede ao STF que investigue “insider trading” antes de Trump tarifar o Brasil

Volume grande de compra e venda de dólares às vésperas e depois logo após o anúncio da taxa de Donald Trump aos produtos brasileiros sugere uso indevido de informações privilegiadas, segundo AGU

A AGU (Advocacia Geral da União) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), na noite do último sábado (19), uma investigação no mercado financeiro sobre operações de câmbio feitas com base em informações privilegiadas (insider trading), às vésperas do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de taxa de importação de 50% sobre produtos brasileiros.

Segundo a AGU, o pedido direcionado ao STF pede para que “sejam investigadas possíveis correlações entre os elementos em apuração no inquérito e a o uso indevido de informações privilegiadas no mercado cambial brasileiro envolvendo o anúncio oficial de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, no dia 9 de julho”.

Na última sexta-feira (18), o portal g1 e a TV Globo noticiaram a realização de grandes compras de dólares horas antes do anúncio de Trump sobre o Brasil e que, horas depois, houve um grande volume de venda de dólares, “o que sugere possível utilização de informações privilegiadas (insider trading) por pessoas físicas ou jurídicas, supostamente com acesso prévio e indevido a decisões ou dados econômicos de alto impacto”.

O pedido da nova investigação está contido no inquérito já instaurado, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para apurar a conduta do Deputado Federal licenciado, Eduardo Bolsonaro, acusado de usar instrumentos comerciais internacionais como mecanismo de coação premeditada contra a Justiça brasileira.

“À luz dos fatos noticiados, podemos inferir que eles se inserem em contexto no qual os fatos já em apuração neste inquérito estão além dos ilícitos penais já indicados na Pet 14.129 pela Procuradoria-Geral da República, relacionados à obstrução da Justiça, mas também com possíveis ganhos financeiros ilícitos, mediante os mesmos fatos que buscaram impor embaraço à aplicação da lei penal”, enfatiza a AGU.

Providências 

O gabinete do ministro da AGU, Jorge Messias, pediu que a Procuradoria-Geral Federal, órgão da AGU que representa judicialmente Comissão de Valores Mobiliários (CVM), adote em caráter prioritário as medidas que reputar cabíveis no âmbito de suas atribuições, inclusive em articulação com outras autoridades nacionais.

“A AGU pontua, que além da esfera criminal, o uso ilícito de informação privilegiada enseja responsabilidade civil e administrativa, inclusive por prejuízos ao mercado e a investidores”, diz em comunicado.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Alckmin pediu reforço de 100 analistas no Mdic horas antes do tarifaço

Vice-presidente e ministro do Comércio pede a Esther Dweck (Gestão e Inovação) para integrar excedentes do “Enem dos Concursos” ao seu time com impacto de R$ 82 milhões até 2027

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, pediu autorização para adicionar mais 100 analistas de comércio exterior ao seu time às vésperas do tarifaço iniciado pelos Estados Unidos de Donald Trump (Partido Republicano) contra o Brasil.

Poder360 teve acesso a um ofício enviado por Alckmin à ministra Esther Dweck (Gestão e Inovação) solicitando o reforço. O documento foi assinado às 14h56 de 9 de julho.

Trump anunciou a taxa de 50% contra as importações brasileiras por volta das 17h daquele dia, mas já ameaçava cobrança extra ao Brasil nos dias anteriores. A nova alíquota vale a partir de 1º de agosto.

O pedido inicial do vice-presidente foi enviado em 1º de julho. Na época, queria mais 12 analistas de comércio exterior. O texto de 8 dias depois trazia mais dados para embasar a solicitação e aumentou a quantidade de profissionais para 100.

A ideia do chefe do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) é contratar excedentes que passaram para o cargo no CNU (Concurso Nacional Unificado) em 2024.

São as pessoas que ficaram imediatamente atrás dos aprovados para analista de comércio exterior na prova.

O ofício de Alckmin diz que o impacto orçamentário e financeiro seria de R$ 81,9 milhões até 2027, dividido da seguinte forma:

  • 2025 – R$ 2,93 milhões;
  • 2026 – R$ 38,99 milhões; e
  • 2027 – R$ 40,01 milhões.

“Tal proposta de ampliação visa a dar encaminhamento mais efetivo e realista à atual situação do quadro funcional do Mdic, para fortalecer sua estrutura de maneira sustentável e garantir a implementação eficaz das políticas públicas”, diz o documento.

Além das vagas de analista de comércio exterior, Alckmin também solicitou mais 12 analistas técnicos administrativos e 2 economistas.

A Associação dos Analistas de Comércio Exterior apoia a medida. Uma carta do setor menciona os movimentos de Trump como uma necessidade maior dos funcionários.

“A recente ação dos Estados Unidos contra o Brasil, em flagrante violação dessas normas, é só um exemplo da complexidade e da volatilidade que caracterizam o ambiente global”, disse a entidade em carta aberta.

Segundo o texto, os profissionais atuam em áreas como:

  • inteligência comercial;
  • Investigações de práticas desleais de comércio;
  • gestão de instrumentos tarifários; e
  • negociações e disputas comerciais internacionais.

A associação também defende que haja uma definição legal das atribuições da carreira. Ou seja, que as funções da profissão fiquem definidas por lei.

De forma simbólica, também pedem a volta da expressão “Comércio Exterior” na denominação do Mdic.

Fonte: Poder 360

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Comércio Exterior, Internacional

Tarifaço de Trump: ES não fecha novos negócios e deixa de exportar 2,5 mil toneladas de café para os EUA em 7 dias

Estimativa é do Centro do Comércio de Café de Vitória, que representa os exportadores capixabas. No Brasil, novos negócios com os Estados Unidos também não foram fechados, deixando mais de 12,6 mil toneladas de café sem comercialização.

exportação de café do Espírito Santo para os Estados Unidos está paralisada desde o anúncio feito por Donald Trump da nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em 7 dias, o estado deixou de embarcar cerca de 42 mil sacas, o equivalente a 2,5 mil toneladas de café cru e solúvel. O dado é do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), que representa os exportadores do estado.

Novos negócios também não foram selados com os Estados Unidos em todo o país. De acordo com o CCCV, mais de 210 mil sacas de café brasileiro deixaram de ser comercializadas para os Estados Unidos, o que corresponde a 12,6 mil toneladas sem destino.

O vice-presidente da entidade, Jorge Nicchio, explicou que o impacto foi imediato e atingiu tanto grandes quanto pequenas empresas do setor.

“Esse comércio está parado. O que já tá vendido, a gente não sabe ainda o que vai acontecer, porque tem café já vendido anteriormente ao anúncio dessa taxação e que vai ser embarcado agora. Mas, desde então, não têm sido feitas novas vendas para os Estados Unidos”, explicou Jorge.

Brasil é um dos maiores exportadores do mundo

O Brasil é o maior exportador de café do mundo, e os Estados Unidos são historicamente um dos seus principais mercados. No Espírito Santo, o impacto é ainda mais forte, já que o estado lidera a produção nacional de café conilon e é também um dos maiores produtores de café solúvel, que costumam ter demanda no mercado americano.

Nicchio pontuou ainda que o impacto também será sentido pelos Estados Unidos, uma vez que eles produzem só 1% do café consumido por sua população.

O Brasil é o principal fornecedor de café para os EUA e detém cerca de um terço do mercado norte-americano. Países como China, Índia, Indonésia e Austrália podem absorver parte da demanda, mas não seria simples.

“As indústrias relacionadas ao café geram aproximadamente 2 milhões de empregos nos Estados Unidos. São muitas cafeterias, indústrias. Essa medida não atinge só o Brasil, os Estados Unidos também vão sofrer muito, porque outros concorrentes, no curto prazo, dificilmente vão conseguir suprir”, concluiu o vice-presidente do CCCV.

Outros setores também enfrentam problemas

A suspensão de novos pedidos não afeta somente os produtores de café. Relatos de suspensão aconteceram nos setores de rochas naturais, gengibre e pimenta-do-reino.

No setor de rochas, mais da metade dos embarques foram suspensos. Segundo a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), com a suspensão dos pedidos, 1.200 contêineres devem deixar de embarcar até o fim de julho, um prejuízo estimado de US$ 40 milhões.

O secretário de Agricultura Enio Bergoli contou que existem relatos de que as exportações de pimenta-do-reino e gengibre tiveram paralisações. “Tem casos concretos de paralisação de envio. Falei com exportadores e já suspenderam antes de embarcar, desistiram do negócio”, relatou.

Apesar dos impactos nesses dois produtos, Bergoli disse que ainda é precoce calcular os prejuízos financeiros do anúncio da medida, que entra em vigor somente em 1º de agosto.

“Não é uma tarefa simples quantificar, mas já começamos a vivenciar prejuízos. Pequenos produtores, por exemplo, conseguimos enviar para outros países, mas os exportadores maiores não é uma tarefa rápida”, concluiu.

Celulose e pescado mantêm embarques, mas setores estão apreensivos

Diferentemente de outros produtos do agronegócio capixaba, os embarques de celulose e pescado para os Estados Unidos ainda não foram interrompidos. Mas os representantes desses setores demonstram preocupação com os possíveis desdobramentos do tarifaço.

Segundo Agostinho Miranda Rocha, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Papel, Papelão e Celulose do Estado do Espírito Santo (Sinpacel-ES), as exportações seguem normalmente, mas com atenção redobrada.

“Nós não tivemos, por enquanto, nenhuma informação sobre cancelamento de pedido. Mas estamos fazendo análises internas. Temos um setor dentro do ecossistema, como papel, papelão, cartonagem e celulose. Os impactos vão ser mais fortes na questão da celulose”, explicou.

Já no setor de pescado, os embarques continuam ocorrendo por enquanto, mas a apreensão é sobre os próximos meses. De acordo com Mauro Lúcio Peçanha de Almeida, presidente do Sindicato das Indústrias da Pesca do Estado do Espírito Santo (Sindipesca), ainda há envios ativos para os Estados Unidos, porque o produto é in natura e transportado por avião.

“Estamos embarcando normalmente, por ser um produto in natura, enviado por avião. O impacto direto ainda não aconteceu, mas a preocupação é com o que pode vir depois que a tarifa entrar em vigor”, disse.

Exportações do agronegócio em números

De acordo com análise da Gerência de Dados e Análises da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), em 2024 o Espírito Santo exportou mais de US$ 800 milhões para os EUA.

Já no acumulado de 2025 (de janeiro a maio), o valor exportado alcança US$ 253,4 milhões, demonstrando continuidade e diversidade dessa relação comercial, apesar das oscilações nos volumes e preços.

EUA é o maior comprador de rochas do ES

Os Estados Unidos são o principal comprador externo de rochas naturais do Espírito Santo. Somente em junho de 2025, foi responsável por 62,4% de todas as exportações do setor. Outros compradores internacionais, como a China, são responsáveis por adquirir 17,5% das rochas produzidas no estado.

Veja destinos de exportações de rochas do ES

Fonte: G1

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Industria

Seis setores da indústria dizem não ter como redirecionar bens comprados pelos EUA

Entidades citam, em conversas com o governo, dificuldades para diversificar destinação de produtos

A reunião entre o setor industrial e o governo federal realizada na terça-feira (15) para debater a sobretaxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros expôs a situação crítica de diversos segmentos da indústria nacional que não teriam como redirecionar vendas para outros mercados em curto ou médio prazo.

Seis setores foram taxativos sobre o posicionamento durante o encontro com ministros e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que também comanda o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) declarou que exporta cerca de US$ 4 bilhões por ano para os EUA, mercado que representa 50% das exportações brasileiras de alta tecnologia. A associação informou que não há como redirecionar as vendas, não apenas pelo volume, mas também pela especificidade tecnológica.

Outro alerta partiu da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados). Com 22% das exportações voltadas aos EUA, a entidade afirmou que os produtos são feitos sob encomenda dos clientes americanos, o que impediria a realocação. As empresas do setor já começaram a receber cancelamentos de pedidos. Além do impacto comercial, o segmento estima que, caso as tarifas entrem em vigor, haveria perda de 7.000 empregos diretos e 5.000 indiretos, especialmente na região Nordeste do país.

O setor de ferro gusa, representado pelo Sindifer (Sindicato da Indústria de Ferro no Estado de Minas Gerais), informou que exporta 68% de sua produção, sendo 85% dessas vendas destinadas aos Estados Unidos. A entidade reforçou que não há possibilidade de redirecionamento, dada a escala das exportações.

O mesmo posicionamento foi apresentado pelo Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), que enfatizou a importância do mercado americano e declarou que não há como redirecionar as vendas atuais para outros mercados devido ao grau de especialização e integração do setor com os EUA.

A Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) relatou ao governo que 27% das exportações do setor vão para os EUA, com grande parte da produção sendo feita sob encomenda pelos clientes americanos. A associação afirmou que não há alternativa viável de redirecionamento e que a sobretaxa levaria à perda de mercado para produtores chineses, que ficariam mais competitivos.

A preocupação com os desdobramentos também foi destacada pela Abrafi (Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e de Silício Metálico). A instituição que representa o setor de ferroligas (ligas de ferro com outro elemento químico usados na fabricação de aços) disse que 50% da produção é exportada, sendo que 20% disso tem como destino os EUA. A associação reiterou que, diante do volume envolvido, não seria possível encontrar novos mercados substitutos com a mesma capacidade de absorção.

Além desses seis setores, outros segmentos industriais emitiram alerta ao governo. A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) disse que há forte dependência das indústrias de madeira em relação ao mercado americano, devido à demanda do setor de construção civil dos Estados Unidos.

O Instituto Aço Brasil lembrou que o Brasil é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá, mas que os produtos vendidos são complementares.

Já a Abal (Associação Brasileira do Alumínio) mencionou que 14,2% das exportações do setor são para os EUA e que já vem sofrendo com tarifas de 25%, sem exceções, há alguns meses. O segmento diz ter registrado queda de 25% das exportações aos EUA no primeiro semestre. A indústria do alumínio mostrou preocupação com eventual desvio de comércio, mas informou que seria possível encontrar mercados alternativos no médio prazo.

Entre as grandes empresas, especificamente, chama a atenção a exposição da Embraer. A companhia informou que 30% de sua receita são exportações aos EUA, mercado onde operava há décadas com tarifa zero.

A elevação tarifária para 10%, já aplicada por Donald Trump, teve impacto direto na empresa. Se subir para 50%, os negócios se tornariam inviáveis.

A companhia declarou que não é possível redirecionar as vendas, tanto por aspectos técnicos como comerciais. Além disso, disse que 45% dos componentes de um avião da Embraer vêm dos EUA, o que revela forte interdependência industrial.

Todos os setores endossaram a proposta da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que liderou os posicionamentos do setor produtivo e propôs que o Brasil solicite aos EUA um adiamento de 90 dias da entrada em vigor das tarifas, previstas para 1º de agosto. O objetivo seria ganhar tempo para negociar uma solução definitiva.

Fonte: Folha de São Paulo

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Comércio Exterior

Tarifa de 50% dos EUA ameaça competitividade do suco de laranja brasileiro, alerta Cepea

Impacto da tarifa sobre o setor citrícola nacional

A imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre as importações de suco de laranja brasileiro pelos Estados Unidos gera grande preocupação para o setor citrícola do Brasil. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a medida compromete a sustentabilidade da cadeia produtiva nacional e ameaça o principal fluxo comercial internacional da commodity.

Brasil como líder global em exportação de suco

O país é o maior exportador mundial de suco de laranja, e essa tarifa imposta pelos EUA compromete sua competitividade no mercado externo, além de criar pressões inflacionárias para o consumidor norte-americano, que depende fortemente do fornecimento brasileiro.

Cenário de recuperação da safra paulista

O impacto da tarifa ocorre em um momento de recuperação da safra paulista de laranja. Com a combinação de maior oferta e barreiras comerciais, os pesquisadores do Cepea apontam para o provável acúmulo de estoques industriais e queda dos preços no mercado interno.

Redirecionamento das exportações e pressão sobre preços

Com a dificuldade de acesso ao mercado norte-americano, volumes que seriam exportados para os EUA podem ser redirecionados para os mercados europeu e interno. Isso tende a aumentar a oferta nesses mercados, intensificando a pressão sobre os preços internacionais e gerando efeitos negativos em toda a cadeia produtiva.

Previsões para o curto prazo

No curto prazo, o excedente de suco causado pela tarifa deve provocar desequilíbrio nos estoques e redução das margens de lucro da indústria nacional, impactando a sustentabilidade econômica do setor citrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Negócios

Empresários veem dificuldade maior em negociar tarifaço após operação da PF

Avaliação é de que a ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro podia ser evitada diante das tensões já existentes entre o governo brasileiro e Donald Trump

Empresários diretamente envolvidos nos debates com o governo para formular uma estratégia de negociação do tarifaço imposto por Donald Trump relataram à CNN que a operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (18), amplia as dificuldades do Brasil em negociar com os Estados Unidos para que a medida seja revista pela Casa Branca.

A avaliação é de que a soberania brasileira e a autonomia dos Poderes nacionais são inegociáveis e não devem ser colocadas à mesa com os americanos em nenhum momento.

No entanto, consideram que a ação foi desnecessária e poderia ter sido evitada ou adiada, diante das dificuldades enfrentadas pelo Brasil nas tratativas com Trump.

Um desses empresários apontou ser “complicadíssimo” prosseguir com as negociações, que envolvem três frentes de tensão simultâneas. Segundo ele, são elas:

  • A pressa — considerada excessiva — para condenar Bolsonaro;
  • O presidente Lula provocar Trump constantemente, gerando entre os empresários a sensação de que busca recuperar popularidade com o episódio e incentiva seus aliados a adotarem a mesma postura;
  • O interesse dos Estados Unidos em evitar a criação de um precedente, pois, se o Brasil tiver êxito nesse embate, poderia servir de exemplo para outros países.

Outro empresário avaliou que a operação de hoje poderá ter efeito reverso sobre o STF (Supremo Tribunal Federal), ao dar repercussão mundial às alegações da defesa de Bolsonaro sobre o processo jurídico e fomentar dúvidas quanto à imparcialidade da Corte nesse julgamento.

A percepção entre as fontes ouvidas pela CNN é de que, pela forma como os fatos estão se desenrolando, Trump será “implacável” com o Brasil e não cederá em nada.

Um sinal nesse sentido, segundo um dos negociadores, poderá ser o endurecimento da posição dos Estados Unidos quanto à exigência empresarial de suspender ou rever a nova tarifa.

Diante do cenário de maior dificuldade, as críticas à condução das negociações por parte do governo aumentaram após a operação.

Representantes do setor privado também relataram receio de serem usados como instrumento político pelo governo em uma negociação que deveria ser prioritariamente estatal.

Caso a negociação fracasse, temem que o governo transfira a responsabilidade ao setor privado.

O temor é que, ao final, o governo colha ganhos políticos internos enquanto atribui ao setor privado a culpa pelo insucesso da negociação — setor esse que, até o momento, enxerga uma sequência de erros e falta de estratégia por parte da equipe governamental.

Também há a percepção de que o governo caminha para responsabilizar Bolsonaro pelo eventual fracasso nas negociações.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Importação

Importados do Brasil pesam na inflação dos EUA antes mesmo da tarifa

Grupo alimentação puxou preços ao consumidor, com destaque para café e frutas cítricas

A inflação nos Estados Unidos voltou a subir em junho, atingindo seu nível mais alto em quatro meses, à medida que o aumento de preços — incluindo aqueles provenientes de tarifas — tiveram um impacto maior.

Os preços ao consumidor subiram 0,3% no mês passado, elevando a taxa de inflação anual para 2,7%, a mais alta desde fevereiro, de acordo com os últimos dados do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) divulgados na terça-feira (15) pelo BLS (Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA).

Esperava-se que o dado de junho fosse um “ponto de virada” em que tarifas elevadas deixariam uma marca ainda maior nos dados de inflação. No entanto, até que ponto as tarifas podem aumentar a inflação e por quanto tempo isso pode durar ainda é uma questão em aberto.

Economistas como Heather Long, da Navy Federal Credit Union, alertaram que os impactos relacionados às tarifas ainda são iniciais.

“As tarifas estão começando a pesar”, disse a economista-chefe da Navy Federal Credit Union, em entrevista à CNN Internacional. “Não foi tão ruim quanto o esperado, mas dá para ver nos dados. Isso parece o primeiro inning, os estágios iniciais do que provavelmente será um número cada vez maior de itens apresentando aumento de preço.”

Ela observou como os preços do café e da laranja — categorias já duramente afetadas pelos impactos climáticos e que também devem sofrer pressão adicional com as tarifas — dispararam em junho.

Os produtos são duas das principais exportações que o Brasil faz aos EUA. Enquanto o café é 3º item mais vendido, somando US$ 1,172 bilhão entre janeiro e junho deste ano, os sucos de frutas — dentre os quais prevalece o da laranja — são o 6º, com US% 743 milhões.

O CPI apurou que o café subiu 2,2% nos EUA ao longo do último ano, enquanto as frutas cítricas 2,3%, acima da meta perseguida pelo Fed (Federal Reserve) de 2%.

“Você não compra uma máquina de lavar nova toda semana, mas compra frutas e vegetais”, disse Long.

Na terça, Trump comemorou a queda dos preços ao consumidor e autoridades da Casa Branca minimizaram o efeito das tarifas sobre a inflação geral. Trump pediu ao Fed que cortasse as taxas de juros “agora!”.

Os dados vieram em linha com as previsões dos economistas de que o CPI geral aumentaria em relação às variações mensal de 0,1% e anual de 2,4% relatadas em maio.

Eles esperavam que preços mais altos do gás ajudassem a elevar o índice geral (o que foi o caso) e anteciparam que um conjunto mais amplo de produtos mostraria o efeito das empresas repassando custos mais altos de importação aos consumidores (o que também foi o caso).

Excluindo gás e alimentos, que tendem a ser bastante voláteis, o núcleo do CPI ficou abaixo das expectativas, subindo 0,2% em relação a maio e 2,9% nos 12 meses encerrados em junho. No entanto, isso representa uma aceleração em relação aos 0,1% e 2,8%, respectivamente, do mês anterior.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Especialista

CAUTELA: A estratégia mais inteligente para um cenário econômico volátil

O ESPECIALISTA: PATRÍCIA SOARES

Vivemos um momento econômico global especialmente sensível — e o setor reefer não é exceção. A cada nova notícia, as oscilações do mercado se tornam mais intensas e imprevisíveis. O que parecia um movimento calculado ontem, hoje pode ser afetado por uma decisão política internacional ou uma nova política comercial. E, diante de tantos fatores incontroláveis, a única regra clara neste cenário é: cautela.

Não estamos apenas diante de variações de preços ou ajustes pontuais. O ambiente de negócios assumiu um tom quase caótico, onde as tomadas de decisão se tornam verdadeiros testes de sangue-frio. Se não pararmos para analisar com clareza, corremos o sério risco de entrar no ciclo da histeria coletiva — um fenômeno silencioso, mas devastador, capaz de levar empresários e corporações a escolhas precipitadas e, consequentemente, a resultados bem distantes dos desejados.

A tensão aumentou ainda mais após o anúncio do chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que estremeceu estratégias em diversos segmentos, incluindo o reefer. A notícia não apenas gerou insegurança no comércio exterior, mas também impactou diretamente as dinâmicas do mercado interno, afetando tanto decisões corporativas quanto a atuação de profissionais da área.

Neste contexto, pode ser prudente — e até estratégico — revisar as metas para o segundo semestre. Mas, ainda mais importante do que replanejar, é não se deixar arrastar pelo looping de confusão e ansiedade que essas incertezas costumam provocar. É o momento de respirar fundo, analisar com visão ampla e não perder de vista o cenário global.

Quando ampliamos nosso olhar, entendemos que o pano de fundo dessa situação vai muito além das relações comerciais bilaterais. Mais de 12% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos — produtos estratégicos como petróleo, café, carne bovina, suco de laranja, aço, celulose entre outros. É, sem dúvida, uma fatia relevante do comércio exterior brasileiro. No entanto, os impactos mais profundos parecem se desenhar, neste momento, dentro das próprias fronteiras americanas — com inflação interna, pressão sobre o consumo e crescente insatisfação popular.

Por aqui, cabe a nós mantermos o equilíbrio. Seguir atentos, conscientes e, acima de tudo, resilientes. Porque se este ano tem nos ensinado algo, é que a resiliência não é mais uma qualidade opcional, mas uma competência essencial para quem deseja prosperar.

E é justamente nesses momentos de incerteza que se revelam os líderes, os visionários e os negócios que farão história. Seguimos firmes, atentos e prontos para transformar desafios em oportunidades.

Patrícia Soares é uma profissional reconhecida no segmento Reefer, com uma sólida trajetória de mais de 19 anos no setor logístico. Atualmente ocupa o cargo de Key Account Manager, onde lidera o relacionamento com clientes estratégicos, contribuindo para soluções logísticas personalizadas e de alto valor agregado.

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Economia, Mercado Internacional

Economia chinesa cresce 5,2% no 2º trimestre, mesmo com tarifaço de Trump

Dados divulgados nesta segunda-feira mostram que as exportações chinesas apresentaram um bom desempenho, resistindo à guerra comercial com os Estados Unidos.

A economia chinesa cresceu 5,2% no segundo trimestre do ano, segundo dados oficiais publicados no fim da noite desta segunda-feira (14), graças ao bom desempenho das exportações e apesar da guerra comercial com os Estados Unidos.

O resultado corresponde à previsão de uma pesquisa da AFP realizada com analistas na semana passada.

Já as vendas no varejo — indicador-chave de consumo — subiram 4,8% em relação ao ano anterior, abaixo da previsão de 5,3% em uma pesquisa da Bloomberg com economistas, o que sugere que os esforços para reativar o consumo interno não conseguem decolar.

Contudo, a produção industrial aumentou 6,8%, acima da estimativa de 5,6%. No primeiro trimestre do ano, o PIB chinês avançou 5,4%.

“A economia nacional resistiu à pressão e mostrou uma melhora constante apesar dos desafios”, disse o vice-diretor do Departamento Nacional de Estatísticas, Sheng Laiyun, em coletiva de imprensa.

“A produção e a demanda cresceram de forma constante, o emprego manteve-se geralmente estável, a renda das famílias continuou a aumentar, os novos motores de crescimento testemunharam um desenvolvimento robusto e o desenvolvimento de alta qualidade alcançou novos avanços”, afirmou.

O governo da segunda maior economia mundial trava uma batalha em várias frentes para manter o crescimento econômico, um desafio que se viu dificultado pela ofensiva tarifária do presidente americano Donald Trump.

Trump impôs tarifas à China e aos principais parceiros comerciais dos americanos desde que retornou ao cargo em janeiro, ameaçando as exportações chinesas justamente quando Pequim está mais dependente delas para estimular a atividade econômica.

Washington e Pequim vêm tentando desescalar a disputa comercial após terem chegado a um marco de acordo em negociações realizadas em Londres no mês passado, mas analistas alertam sobre uma incerteza persistente.

Trump aumentou as apostas na segunda-feira, ao avisar aos parceiros comerciais da Rússia que imporá tarifas “muito severas”, chegando a 100%, se Moscou não acabar com sua guerra na Ucrânia dentro de 50 dias.

A China criticou a ameaça de Trump e reiterou que é favorável a uma solução política na Ucrânia. “A coerção ou as pressões não podem resolver os problemas”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim.

Os países ocidentais pedem repetidamente à China — um aliado comercial importante da Rússia — para exercer sua influência e fazer com que Vladimir Putin pare sua guerra de três anos contra a Ucrânia.

Bom desempenho das exportações

Dados da Administração Geral de Alfândega da China divulgados nesta segunda-feira mostraram que as exportações aumentaram muito mais que o esperado em junho (5,8% em termos anuais e 32,4% na comparação com o mês anterior), com ajuda da trégua comercial entre Washington e Pequim.

As importações também subiram 1,1%, acima do avanço previsto de 0,3%, o que representa o primeiro crescimento deste ano.

O oficial da alfândega Wang Lingjun afirmou em coletiva de imprensa que Pequim esperava “que os Estados Unidos continuassem a trabalhar juntos com a China na mesma direção”, relatou a emissora estatal CCTV.

A trégua tarifária foi “duramente conquistada”, disse Wang. “Não há saída por meio de chantagem e coerção. Diálogo e cooperação são o caminho certo”, frisou.

Muitos analistas, no entanto, preveem um crescimento mais lento nos próximos seis meses, com uma demanda interna frágil como principal obstáculo.

“Os dados provavelmente ainda superestimam a força do crescimento”, afirmou Zichun Huang, economista para a China na Capital Economics, em um comunicado.

“Com as exportações destinadas a desacelerar e o impulso de apoio fiscal prestes a desaparecer, é provável que o crescimento desacelere ainda mais durante a segunda metade deste ano”, acrescentou.

Fonte: G1

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Industria

Indústria projeta perda de 110 mil empregos com tarifa de Trump ao Brasil

CNI pediu articulação por adiamento de 90 dias na aplicação da alíquota de 50%

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que o Brasil deve perder pelo menos 110 mil postos de trabalho em decorrência da tarifa de importação aplicada pelos Estados Unidos contra os produtos nacionais, afirmou a entidade na segunda-feira (14).

A Indústria também prevê “forte impacto negativo no PIB [Produto Interno Bruto]” brasileiro, segundo o balanço apresentado em reunião de emergência com os presidentes das federações das indústrias de todo o país, que contou com participação da secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Lacerda Prazeres.

Na última quarta-feira (9), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que irá aplicar, a partir do dia 1º de agosto, uma alíquota de 50% sobre os importados brasileiros que entram no país.

Os representantes do setor produtivo defendem a interlocução pelo adiamento, de pelo menos 90 dias, do início da nova cobrança.

“Esse prazo é considerado essencial para que a indústria brasileira possa analisar de forma mais aprofundada os efeitos da medida, além de buscar soluções diplomáticas para evitar perdas mais amplas”, afirma a CNI.

Os industriais também defenderam que o processo seja conduzido com cautela e diálogo entre os setores público e privado, “preservando os canais institucionais entre os dois países e reforçando a necessidade de cooperação para manter relações comerciais estáveis e previsíveis”.

Segundo a CNI, Prazeres garantiu que os pontos levantados serão encaminhadas ao governo.

Fonte: CNN Brasil

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