Transporte

Frete mínimo ganha peso regulatório e impulsiona digitalização no transporte de cargas

O frete mínimo no transporte rodoviário passou a ocupar papel central na gestão logística após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 1.343/2026. A norma amplia a responsabilidade dos embarcadores e eleva o nível de exigência regulatória, impactando diretamente contratos e operações em todo o setor.

Com a mudança, a conformidade deixa de ser apenas um aspecto operacional e passa a integrar a estratégia das empresas, diante de um ambiente mais rigoroso e sujeito a penalidades.

Fiscalização digital aumenta complexidade operacional

O novo cenário é marcado por uma fiscalização digital no transporte mais intensa, com validações em larga escala. Isso exige maior controle sobre operações que envolvem diferentes agentes da cadeia logística.

Outro ponto relevante é a obrigatoriedade do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) em todas as operações remuneradas a partir de maio de 2026. A medida amplia o risco de inconsistências na documentação e exige maior atenção na formalização dos processos.

Tecnologia fortalece governança do frete

Diante desse contexto, cresce a adoção de soluções voltadas à gestão digital de frete e à governança logística. Sistemas integrados têm sido utilizados para automatizar validações, reduzir erros e garantir conformidade com a legislação.

Ferramentas que conectam planejamento, execução e pagamento permitem verificar, ainda na origem, o cumprimento do piso mínimo, além de integrar a emissão de documentos como CT-e, CIOT e MDF-e. A estratégia contribui para maior controle, rastreabilidade e eficiência operacional.

Empresas aceleram adaptação ao novo modelo

Organizações de setores como agronegócio, indústria e varejo já iniciaram ajustes em seus processos, com foco na automação e validação prévia das regras. O movimento tem reduzido retrabalho e aumentado a previsibilidade em um ambiente de maior rigor regulatório.

A aplicação de tecnologia em larga escala também tem permitido testar modelos mais robustos de controle, especialmente em operações com grande volume de transações.

Gestão logística entra em nova fase

Especialistas apontam que o frete mínimo deixa de ser apenas um custo operacional para se tornar um elemento estratégico de governança. A capacidade de monitorar, validar e auditar operações em tempo real passa a ser determinante para a competitividade das empresas.

Com o avanço da digitalização e da integração de dados, a tendência é de consolidação de um novo padrão na logística de transporte rodoviário, baseado em tecnologia, conformidade e eficiência.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

MP e novas regras da ANTT levam caminhoneiros a descartarem paralisação nacional

A publicação da Medida Provisória 1.343/2026 e de duas resoluções da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), nesta quarta-feira (25), estabelece novos mecanismos para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. As medidas também ampliam a fiscalização e criam sanções para quem descumprir a legislação.

Novas regras fortalecem o cumprimento do piso do frete

A Resolução 6.077/2026 determina penalidades progressivas para empresas e contratantes que pagarem valores abaixo do mínimo estabelecido. Já a Resolução 6.078/2026 impede a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) quando o frete estiver fora da tabela.

Na prática, sem o CIOT, o transporte é considerado irregular e não pode ser realizado, o que reforça o controle sobre o cumprimento da lei.

Medidas atendem demanda histórica dos caminhoneiros

A iniciativa responde a uma reivindicação antiga da categoria, intensificada após a paralisação nacional de 2018. Recentemente, lideranças do setor chegaram a discutir uma nova greve em reunião realizada em Santos (SP), em março.

Com a adoção das medidas, a mobilização perdeu força, já que parte das demandas foi atendida pelo governo federal.

As resoluções regulamentam a Medida Provisória 1.343/2026, que já está em vigor, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. O texto tem validade inicial de 60 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. Caso não seja votado, perde eficácia na segunda metade de julho.

Como funciona o cálculo do piso mínimo do frete

O valor mínimo do frete varia conforme diferentes critérios, como:

  • Número de eixos do caminhão
  • Tipo e volume da carga
  • Natureza do material (granel sólido ou líquido)
  • Condições de transporte (refrigerado ou aquecido)
  • Forma de acondicionamento (com ou sem contêiner)

Além disso, a legislação prevê reajuste sempre que houver variação igual ou superior a 5% no preço do diesel.

Fiscalização é ampliada em até 2.000%

De acordo com a ANTT, a capacidade de fiscalização foi significativamente ampliada, com aumento de até vinte vezes no número de operações nas rodovias.

A estratégia inclui o monitoramento do fluxo financeiro e das cargas transportadas, o que também contribui para identificar irregularidades como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

Governo reforça diálogo com a categoria

Representantes dos caminhoneiros participaram de reunião em Brasília com autoridades federais, incluindo o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Durante o encontro, foi reforçado o compromisso de manter diálogo contínuo com a categoria e evitar retrocessos na regulamentação do piso mínimo.

Segundo lideranças do setor, o cumprimento das regras é essencial para garantir condições dignas de trabalho. Já o governo destacou a importância dos caminhoneiros para o abastecimento do país, desde combustíveis até alimentos básicos.

Fonte: Agência Brasil

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Logística

MP do frete aumenta custos logísticos e preocupa indústria brasileira

A nova MP do frete editada pelo governo federal tem gerado forte reação do setor industrial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) avaliam que a medida pode elevar o custo logístico, reduzir a competitividade da indústria e trazer impactos negativos ao desenvolvimento econômico.

As entidades alertam que o novo modelo, criado para evitar paralisações de caminhoneiros, pode produzir efeito contrário ao esperado, ao ampliar penalidades e reforçar o tabelamento do frete.

Novo sistema de multas é alvo de críticas

A principal preocupação do setor está no endurecimento das regras para o cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Segundo a indústria, o sistema de sanções é considerado inadequado por não refletir a realidade das operações.

Além disso, a medida foi adotada em um cenário de instabilidade econômica global, o que, na avaliação das entidades, agrava ainda mais os desafios enfrentados pelas empresas.

Para a CNI, decisões regulatórias desse porte deveriam considerar análises técnicas mais aprofundadas e diálogo com os setores envolvidos, especialmente diante do risco de paralisação no transporte.

Alta do diesel pressiona frete e cadeia produtiva

O aumento do preço do diesel é apontado como principal fator de tensão no setor. Influenciado por questões geopolíticas internacionais, o combustível tem impacto direto no transporte rodoviário — responsável pela maior parte da logística no país.

Atualmente, o diesel representa entre 30% e 40% dos custos logísticos. Com isso, qualquer alta significativa provoca efeito em cadeia, elevando o valor do frete, encarecendo insumos e pressionando os preços ao consumidor final.

Apesar de medidas adotadas pelo governo para conter os preços, como desoneração tributária e subsídios, os efeitos ainda não foram totalmente percebidos no mercado.

Indústria pede revisão técnica do tabelamento

Outro ponto crítico levantado pelas entidades é a metodologia utilizada no piso mínimo do frete, considerada frágil e pouco alinhada às condições reais do mercado.

A CNI defende que a aplicação de penalidades só ocorra após uma revisão técnica do modelo, com critérios claros, transparência e participação da sociedade civil. A entidade também reforça a importância do papel regulador da ANTT nesse processo.

Segundo a indústria, a falta de ajustes adequados pode gerar insegurança jurídica, além de aumentar a incerteza para empresas que atuam dentro da legalidade.

Medida pode impactar cadeias globais e investimentos

Na avaliação das entidades, a MP pode prejudicar a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor, ao elevar custos e reduzir a atratividade do país para investimentos.

A combinação entre cenário internacional adverso e novas exigências regulatórias tende a dificultar ainda mais a recuperação econômica e a competitividade do setor produtivo.

Principais pontos da MP do frete

A Medida Provisória nº 1.343/2026 estabelece uma série de regras para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete. Entre os principais pontos estão:

  • Suspensão do registro de transportadores por até 45 dias em caso de reincidência;
  • Cancelamento do registro e impedimento de atuação por até dois anos;
  • Multas que podem chegar a R$ 10 milhões por descumprimento reiterado;
  • Responsabilização de empresas contratantes, incluindo sócios e grupos econômicos;
  • Obrigatoriedade de registro das operações por meio do CIOT, com detalhamento completo;
  • Bloqueio automático de operações fora do piso mínimo por sistemas da ANTT.

Debate exige diálogo e soluções estruturais

Para o setor industrial, a discussão sobre o transporte rodoviário de cargas exige soluções estruturais, com base técnica sólida e amplo diálogo entre governo, empresas e sociedade.

A entidade também destaca que a legislação atual segue sendo questionada no Supremo Tribunal Federal, o que reforça a necessidade de cautela na implementação de novas sanções.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gilberto Sousa/CNI

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Informação

ANTT inicia fiscalização eletrônica de seguros obrigatórios no transporte de cargas em março de 2026

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve iniciar, a partir de 10 de março de 2026, a fiscalização eletrônica das apólices de seguros obrigatórios exigidas das empresas que atuam no transporte rodoviário de cargas no Brasil.

A medida envolve a verificação dos três seguros exigidos pela legislação: RCTR-C, RC-DC e RC-V, obrigatórios para todas as empresas de transporte rodoviário de cargas (ETC). A exigência está prevista desde a publicação da Lei nº 14.599/2023, posteriormente regulamentada pela Resolução nº 6.068/2025 e pela Portaria SUROC nº 27/2025, ambas da ANTT.

Seguro RC-V passa a ser obrigatório para transportadoras

Entre as exigências previstas na legislação, está a obrigatoriedade do seguro RC-V, que passou a integrar a lista de coberturas necessárias para a atividade de transporte de cargas.

Até o momento, não há previsão legal que permita a substituição desse seguro pelo RCF-V, o que reforça a necessidade de as transportadoras manterem as três apólices ativas e em conformidade com as regras vigentes.

Integração entre RNTRC e Susep permitirá fiscalização automática

A nova fiscalização será realizada por meio do cruzamento de dados entre o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e os sistemas da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Com essa integração, a ANTT poderá verificar automaticamente se as empresas possuem as apólices de seguros obrigatórios devidamente contratadas.

Fiscalização ocorrerá de forma escalonada

Segundo a ANTT, o processo de fiscalização eletrônica será implantado gradualmente em três etapas:

Primeira etapa: verificação das apólices no momento da criação de um novo cadastro no RNTRC.

Segunda etapa: conferência durante a atualização cadastral do transportador no sistema do RNTRC.

Terceira etapa: integração com os processos de revalidação do RNTRC.

Caso seja identificada a ausência de qualquer uma das três apólices obrigatórias, o sistema não permitirá a continuidade do cadastro ou atualização do registro. Nessas situações, o RNTRC permanecerá suspenso até que a regularização seja feita.

Fiscalização presencial já pode verificar apólices desde 2025

Mesmo antes do início da fiscalização eletrônica, a ANTT já permite a verificação manual das apólices de seguros durante fiscalizações presenciais, regra que está em vigor desde agosto de 2025.

Se for constatada a ausência dos seguros obrigatórios durante uma abordagem, a empresa pode sofrer suspensão do RNTRC, impedindo a continuidade regular das atividades.

Transporte com RNTRC suspenso pode gerar multa de R$ 3 mil

A legislação também prevê penalidades para empresas que atuarem no transporte de cargas sem a situação regular no RNTRC.

De acordo com a Resolução nº 5.982, que estabelece regras para inscrição e manutenção do registro, o transportador que operar sem inscrição ou com o RNTRC suspenso, pendente ou cancelado pode receber multa de R$ 3.000.

Além da penalidade financeira, a suspensão do RNTRC também traz impactos operacionais relevantes, já que impede a emissão de documentos fiscais e compromete a continuidade das operações de transporte.

Diante desse cenário, a recomendação é que todas as transportadoras e empresas de logística verifiquem se possuem ativas as apólices de seguros obrigatórios no transporte de cargas, evitando riscos de autuações ou bloqueios no registro.

FONTE: SETCESP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SETCESP

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Transporte

Venda de caminhões usados cresce 27,7% em 2025 e reforça papel estratégico do setor

O mercado brasileiro de caminhões usados encerrou 2025 em ritmo acelerado de crescimento, consolidando-se como uma alternativa estratégica para o transporte rodoviário de cargas em um cenário marcado por juros elevados, crédito mais restrito e maior cautela nos investimentos. Ao longo do ano, as transferências de veículos avançaram 27,7%, alcançando 444,8 mil unidades, segundo dados da Fenauto, com base em registros da Senatran.

O resultado evidencia a força do mercado secundário em um período de renovação mais lenta da frota. O alto custo dos caminhões novos, aliado ao envelhecimento da frota nacional e à necessidade de manter a capacidade operacional, levou transportadores a ampliarem a busca por caminhões usados. Mesmo diante de oscilações na atividade econômica, o segmento manteve volumes robustos e crescimento consistente.

Seminovos impulsionam o avanço

O principal motor da expansão foi o segmento de caminhões seminovos, com até três anos de uso. As transferências nessa faixa cresceram 40,3% em 2025, indicando que empresas com maior fôlego financeiro optaram por veículos mais recentes fora do mercado de zero-quilômetro. A escolha reflete a busca por menor investimento inicial, confiabilidade mecânica e disponibilidade imediata.

Os chamados usados jovens, entre quatro e oito anos, também registraram desempenho positivo, com alta de 12,3%. Já os veículos maduros, de nove a 12 anos, ficaram praticamente estáveis, com leve crescimento de 0,5%, sinalizando um mercado mais próximo da saturação. Em contrapartida, os caminhões com mais de 13 anos de uso avançaram 21,0%, sustentados principalmente pela demanda de caminhoneiros autônomos e pequenos transportadores, mais sensíveis às condições de financiamento.

Volvo FH lidera vendas no mercado de usados

Entre os modelos mais negociados, Volvo e Mercedes-Benz mantiveram a liderança no mercado de caminhões usados. O Volvo FH foi o veículo mais transferido em 2025, com 2.897 unidades, seguido pelo Ford Cargo (2.621) e pelo Mercedes-Benz Atego (1.668).

Também figuram entre os destaques o Mercedes-Benz Axor, o Actros e modelos clássicos como o Mercedes-Benz 1113, que seguem presentes na frota nacional. A preferência por marcas tradicionais está diretamente ligada à robustez mecânica, à facilidade de reposição de peças e à ampla rede de serviços, fatores decisivos no mercado de segunda mão.

Nordeste puxa crescimento regional

No recorte geográfico, o Nordeste liderou a expansão regional, com crescimento de 25,3% nas transferências de caminhões usados em 2025. O Centro-Oeste aparece em seguida, com alta de 20,9%, impulsionada pelo agronegócio e pela demanda por transporte de longa distância.

O Sudeste, maior mercado em volume absoluto, avançou 15,2%, enquanto o Sul registrou crescimento de 14,6%. De acordo com a Fenauto, o desempenho mais forte fora do eixo Sudeste reflete a interiorização da logística, o fortalecimento das cadeias agroindustriais e a maior procura por soluções de transporte em regiões com menor acesso ao crédito formal.

Mercado funciona como termômetro do setor

Especialistas avaliam que o mercado de caminhões usados atua como um verdadeiro termômetro do transporte rodoviário de cargas. Em momentos de incerteza econômica, o segmento ganha relevância ao permitir a continuidade das operações sem comprometer excessivamente o fluxo de caixa das empresas.

Com a perspectiva de manutenção dos juros em patamares elevados no curto prazo, a expectativa é que os caminhões usados sigam desempenhando papel central em 2026, tanto como porta de entrada para novos transportadores quanto como alternativa para a renovação gradual da frota das empresas já estabelecidas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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