Portos

Moegão alcança 95% das obras e prepara Porto de Paranaguá para ampliar transporte ferroviário de grãos

As obras do Moegão, considerado o maior investimento portuário atualmente em execução no Brasil, entraram na fase final e já atingiram 95% de conclusão. O marco foi alcançado após a instalação do último dos 54 módulos metálicos que compõem o sistema aéreo de transporte de grãos e farelos vegetais.

O empreendimento reúne investimentos superiores a R$ 650 milhões, financiados com recursos da Portos do Paraná e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e promete transformar a logística ferroviária do Porto de Paranaguá.

Sistema de transporte está praticamente concluído

Os módulos metálicos formam uma estrutura de aproximadamente 1,7 quilômetro de extensão, onde já foram instalados mais de 4 mil metros de correias transportadoras.

O sistema foi projetado exclusivamente para o Moegão e contará com três linhas independentes de esteiras, capazes de operar simultaneamente. O objetivo é transportar os produtos descarregados dos vagões diretamente até os terminais de exportação, aumentando a agilidade das operações.

Além das galerias metálicas, a construção da moega já foi finalizada, assim como o Sistema de Prevenção e Combate a Incêndio (SPCI), essencial para a segurança operacional. Também está pronta a torre de elevadores responsável por conduzir os grãos até as esteiras aéreas.

Grande parte dos equipamentos já foi instalada, incluindo estruturas localizadas em áreas subterrâneas que chegam a 14 metros de profundidade, equivalente à altura de um edifício de quatro pavimentos.

Projeto deve elevar em 63% a eficiência operacional

Segundo a Portos do Paraná, o Moegão reúne soluções inéditas na engenharia ferroviária e portuária ao centralizar o recebimento das cargas transportadas por trem em um único ponto antes do embarque nos navios.

Com a nova estrutura, a capacidade diária de recebimento passará dos atuais 550 vagões para até 900 vagões descarregados em 24 horas, um aumento estimado de 63% na eficiência operacional.

Além disso, a movimentação anual de cargas pelo modal ferroviário poderá alcançar 24 milhões de toneladas, frente às pouco mais de cinco milhões de toneladas registradas atualmente.

Estrutura foi planejada para atender expansão ferroviária

O investimento também busca preparar o Porto de Paranaguá para o crescimento da malha ferroviária previsto nos próximos anos.

A infraestrutura foi dimensionada para absorver o aumento do fluxo de cargas com a futura ampliação da Ferroeste, incluindo o novo ramal previsto para o Mato Grosso do Sul, além da modernização da Malha Sul.

A expectativa é que o porto esteja apto a atender à demanda crescente sem comprometer a eficiência logística.

Onze terminais serão integrados ao novo sistema

O Moegão atenderá os 11 terminais que integram o Corredor de Exportação Leste (Corex), responsável pelo armazenamento e embarque de grãos destinados ao mercado internacional.

Cada terminal fará sua ligação ao sistema por meio das torres de transferência, processo que algumas empresas já iniciaram.

Obras entram na etapa final

As equipes seguem atuando simultaneamente em diferentes frentes de trabalho.

Entre os serviços em andamento estão a conclusão da linha férrea, a construção dos prédios administrativos e de manutenção e a implantação da subestação de energia exclusiva que abastecerá toda a operação do complexo.

A previsão é que os últimos trechos de trilhos sejam concluídos até o fim de julho.

Novo traçado ferroviário reduzirá manobras e trânsito na região portuária

Um dos principais ganhos do projeto será a reorganização da operação ferroviária.

O complexo contará com três linhas independentes, permitindo o descarregamento simultâneo de três vagões em cada uma delas, sem necessidade de dividir as composições para atender diferentes terminais.

Atualmente, esse processo exige diversas manobras, provocando bloqueios frequentes nas ruas da região portuária.

Com o novo sistema, o número de cruzamentos ferroviários utilizados será reduzido de 16 para apenas cinco. Dessa forma, as interrupções no trânsito ocorrerão somente durante a passagem dos trens, normalmente entre 10 e 15 minutos.

Outro diferencial é o formato em “pera” adotado no projeto ferroviário, implantado em uma área de aproximadamente 600 mil metros quadrados. A configuração permite entrada e saída dos trens por dois acessos distintos, melhorando a circulação das composições e reduzindo gargalos logísticos.

Projeto também traz benefícios ambientais

Além dos ganhos operacionais, o Moegão incorpora soluções voltadas à sustentabilidade.

As galerias metálicas contam com equipamentos que minimizam a dispersão de poeira durante o transporte dos grãos, enquanto a moega possui sistemas de captação do material particulado gerado no descarregamento dos vagões.

Os resíduos recolhidos retornam ao processo operacional, reduzindo perdas de carga e contribuindo para a melhoria da qualidade do ar na área portuária.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Transnordestina inicia operação experimental e avança rumo à conclusão da ferrovia

Após cerca de duas décadas de obras e expectativas, a Transnordestina entrou em fase de operação experimental. Os primeiros trens já percorrem trechos da ferrovia, que vai conectar a região do Matopiba aos portos do Nordeste. Apesar do avanço, o projeto ainda não foi concluído: aproximadamente 25% dos 1,2 mil quilômetros entre Eliseu Martins (PI) e o Porto de Pecém (CE) seguem em construção.

Obras continuam e operação total é prevista para 2027

Responsável pelo empreendimento, a Transnordestina Logística, empresa controlada pela CSN, afirma que os trabalhos seguem dentro do cronograma. Segundo o presidente da companhia, Tufi Daher, todas as licenças já foram obtidas e os recursos necessários estão garantidos, com previsão de conclusão das obras em 2027.

Enquanto isso, a movimentação de cargas ainda ocorre em escala reduzida. Parte das operações é realizada de forma provisória, já que alguns terminais logísticos permanecem em fase de implantação.

Empresas apostam na redução de custos com transporte ferroviário

Mesmo com a operação ainda limitada, a circulação dos trens já fortalece a confiança do setor produtivo. Empresas que aguardavam a conclusão da ferrovia começaram a utilizar o modal ferroviário para transporte de cargas.

É o caso da Tijuca Alimentos, uma das principais empresas do setor alimentício do Ceará. Atualmente, a companhia utiliza uma frota de cerca de 100 caminhões para transportar insumos destinados à produção de ração entre o Piauí e a Região Metropolitana de Fortaleza.

A empresa já realizou o transporte de aproximadamente 2 mil toneladas de milho, soja e sorgo pelos trilhos. A expectativa é ampliar o uso da ferrovia quando a ligação até o Porto de Pecém estiver totalmente concluída, reduzindo custos logísticos e a dependência do transporte rodoviário.

Projeto enfrentou atrasos e mudanças no traçado original

A Transnordestina foi lançada em 2006 como uma das principais obras de infraestrutura do governo federal. O plano inicial previa uma ferrovia com cerca de 1.700 quilômetros, ligando o interior nordestino aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), com entrega prevista para 2011.

Quase 20 anos depois, o ramal destinado a Pernambuco continua sem execução, frustrando expectativas de empresários e lideranças locais.

Polo do Araripe espera benefícios com expansão da ferrovia

Mesmo sem o trecho até Suape concluído, empresas do sertão pernambucano já enxergam ganhos com a nova logística ferroviária.

A Siqueira Mineração, fornecedora do polo gesseiro do Araripe, já movimenta cerca de 15 mil toneladas mensais por trem e projeta elevar esse volume para 100 mil toneladas quando toda a estrutura estiver em funcionamento.

A prefeita de Trindade (PE), Helbinha Rodrigues, destacou a importância da ferrovia para impulsionar a economia regional, especialmente o setor gesseiro, embora defenda a retomada do traçado original até o porto pernambucano.

Ramal de Suape depende de aval do TCU

O governo federal já realizou a licitação de quatro novos trechos do ramal de Suape, mas o início das obras permanece suspenso por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). O órgão solicitou estudos que comprovem a viabilidade econômica do projeto.

Na última semana, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo trabalha para acelerar a análise do TCU. Segundo ele, os contratos já foram firmados e as obras poderão começar assim que houver autorização do tribunal.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yan Boechat/Valor

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Transporte

Ferrovia de SC pode ampliar movimentação de cargas em até 75% com nova concessão

A movimentação de cargas na ferrovia de Santa Catarina que liga Mafra a São Francisco do Sul poderá registrar crescimento de até 75% nas próximas décadas. A projeção faz parte dos estudos que fundamentam a futura concessão do lote Corredor Paraná–Santa Catarina, integrante da Malha Sul ferroviária, elaborados para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Atualmente, o trecho de 212 quilômetros transporta cerca de 3 milhões de toneladas por ano, com predominância de grãos destinados ao Porto de São Francisco do Sul. A expectativa é que esse volume alcance aproximadamente 5,3 milhões de toneladas até 2050.

Demanda deve crescer de forma gradual ao longo do contrato

Segundo as estimativas apresentadas no estudo de demanda, a movimentação ferroviária deverá atingir cerca de 3,5 milhões de toneladas já em 2030. A partir daí, a tendência é de expansão contínua ao longo da vigência da nova concessão.

As projeções consideram fatores como o aumento da produção agrícola em regiões atendidas por novas ferrovias, além do crescimento das cargas transportadas diretamente pela malha e do uso da infraestrutura por meio do chamado direito de passagem.

Investimentos previstos superam R$ 600 milhões

O trecho entre Mafra e São Francisco do Sul é atualmente o único segmento operacional da Malha Sul em território catarinense. Para modernizar a infraestrutura ferroviária, os estudos preveem investimentos de aproximadamente R$ 608 milhões.

Entre as melhorias planejadas estão a renovação da via permanente, substituição de trilhos e dormentes, além de intervenções voltadas ao aumento da eficiência e da segurança operacional da ferrovia.

O novo contrato deverá ter duração estimada de 35 anos.

Governo prepara nova licitação para a Malha Sul

A concessão atualmente em vigor tem validade até 2027. Diante disso, o governo federal avalia a possibilidade de prorrogar a operação existente por até dois anos, garantindo a continuidade dos serviços até a conclusão do processo licitatório.

A ANTT já autorizou a realização das audiências públicas para discutir o projeto da nova concessão. Os encontros estão programados para ocorrer em julho, com sessões previstas em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis.

Consulta pública e leilão estão no cronograma

De acordo com o cronograma divulgado pela agência reguladora, a consulta pública permanecerá aberta até agosto. A previsão é que o edital seja publicado até dezembro, enquanto o leilão para definição da nova concessionária deverá ocorrer a partir de 2027.

A expectativa do setor é que a modernização da infraestrutura ferroviária fortaleça a logística regional, aumente a competitividade do transporte de cargas e amplie a integração entre o interior produtivo e os portos do Sul do país.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gustavo Rotta/Divulgação Rumo

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Logística

Ferrogrão pode reduzir custos de frete em mais de R$ 9 bilhões e impulsionar logística do agronegócio

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permitiu a retomada do andamento da Ferrogrão recolocou o projeto entre as principais prioridades da infraestrutura nacional. Considerada estratégica para o setor agropecuário, a ferrovia promete ampliar a competitividade do Brasil no mercado internacional e reduzir significativamente os custos logísticos do transporte de grãos.

Com extensão prevista de 933 quilômetros, ligando Sinop, em Mato Grosso, ao terminal portuário de Miritituba, no Pará, a obra poderá gerar uma economia superior a R$ 9 bilhões em fretes, além de fortalecer o corredor de exportação do Arco Norte.

Ferrogrão deve ampliar eficiência no escoamento da produção

O traçado da ferrovia acompanha, em grande parte, a BR-163, rodovia que atualmente concentra o transporte da safra mato-grossense rumo aos portos do Norte do país. O corredor movimenta mais de 17 milhões de toneladas de grãos anualmente, mas enfrenta limitações operacionais, especialmente nos períodos de colheita.

A expectativa é que a Ferrogrão se torne uma alternativa mais eficiente para o transporte de soja, milho e farelo, reduzindo a dependência das rodovias em trajetos de longa distância.

Levantamentos da ANTT apontam que a ferrovia poderá atingir uma capacidade superior a 50 milhões de toneladas por ano quando estiver plenamente operacional, consolidando um novo eixo de exportação pelo Arco Norte.

Projeto contribui para mudança da matriz logística brasileira

A implantação da ferrovia também é vista como um passo importante para ampliar a participação do transporte ferroviário no país. Atualmente, cerca de 65% das cargas brasileiras são movimentadas por rodovias, enquanto as ferrovias representam aproximadamente 21% da matriz logística nacional.

Para especialistas do setor, a logística ferroviária tem potencial para aumentar a eficiência dos corredores de exportação, especialmente no transporte de commodities agrícolas.

Além disso, a transferência de parte do fluxo de cargas dos caminhões para os trilhos poderá aliviar a movimentação na BR-163, reduzir o consumo de combustíveis fósseis e contribuir para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

Sinop ganha protagonismo como polo logístico do agro

O avanço da Ferrogrão reforça a posição de Sinop como um dos principais centros logísticos do agronegócio brasileiro. Localizada em um dos mais importantes corredores de escoamento do Centro-Oeste, a cidade tem atraído investimentos de produtores rurais, tradings, transportadoras e operadores logísticos.

A expectativa é que a nova ferrovia acelere a consolidação de um hub multimodal, aumentando a demanda por armazéns, centros de distribuição, terminais de transbordo e empreendimentos ligados à cadeia agroindustrial.

A integração entre os modais rodoviário e ferroviário poderá gerar ganhos de competitividade para uma região que concentra parcela significativa da produção nacional de grãos.

Segurança jurídica aumenta interesse de investidores

Segundo Antonio Pereira, diretor comercial e de operações do PZ Log, empreendimento voltado ao setor de logística e agronegócio em Sinop, a decisão do STF fortalece a confiança do mercado e amplia o interesse de investidores pela região.

De acordo com o executivo, a Ferrogrão deverá promover uma valorização expressiva dos ativos logísticos e imobiliários locais, impulsionada pela modernização da infraestrutura de transporte.

Pereira destaca ainda que os recursos economizados com fretes poderão ser direcionados para novos investimentos produtivos, estimulando a geração de riqueza, empregos e desenvolvimento regional.

Próximas etapas do projeto

Apesar do avanço jurídico, a Ferrogrão ainda precisa cumprir uma série de exigências técnicas, ambientais e regulatórias antes do início efetivo das obras e do processo de concessão.

O projeto prevê investimentos estimados em cerca de R$ 25,2 bilhões durante o período de concessão e deverá operar por 69 anos.

O desafio agora será transformar a autorização obtida no campo jurídico em um empreendimento economicamente sustentável, capaz de atrair investidores e consolidar um novo corredor logístico entre o Centro-Oeste e os portos paraenses.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Logística

Ferrovia do Mato Grosso: Rumo inaugura novo terminal e amplia capacidade logística no agronegócio

A Rumo confirmou para o dia 19 de junho a inauguração do novo terminal localizado na BR-070 e da primeira etapa operacional da Ferrovia do Mato Grosso. Considerado o maior investimento em andamento da companhia, o projeto também figura como a principal obra ferroviária atualmente em execução no Brasil.

A iniciativa faz parte da estratégia da empresa para fortalecer sua atuação no transporte de cargas e ampliar a participação no escoamento da produção agrícola nacional.

Nova fase impulsiona infraestrutura de transporte no Centro-Oeste

A entrega da primeira etapa da ferrovia representa um marco para a expansão da malha logística da Rumo. O empreendimento chega em um momento de crescente demanda por soluções de infraestrutura logística voltadas ao agronegócio, especialmente na região Centro-Oeste.

Com o início do processo de comissionamento dos novos ativos, a expectativa é de aumento na capacidade de transporte ferroviário, contribuindo para a redução dos custos operacionais e para o ganho de competitividade das exportações brasileiras de grãos.

Terminal terá capacidade para movimentar 10 milhões de toneladas

De acordo com a companhia, a nova estrutura foi projetada para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano. O investimento fortalece a presença da Rumo em Mato Grosso, estado líder na produção agrícola do país, e amplia a eficiência do corredor logístico direcionado aos portos do Arco Sul.

A ampliação da capacidade de escoamento é vista como um passo importante para atender ao crescimento da produção agropecuária e melhorar a integração entre o campo e os mercados internacionais.

Mercado acompanha impacto econômico do projeto

O avanço da Ferrovia do Mato Grosso também desperta atenção do mercado financeiro. Projetos de grande porte no setor ferroviário costumam gerar ganhos de produtividade, otimização operacional e potencial aumento de receitas ao longo dos anos.

Analistas apontam que a nova ferrovia pode se tornar um dos principais motores de crescimento da Rumo no médio e longo prazo, consolidando a empresa como uma das protagonistas da logística nacional voltada ao agronegócio.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

Estados alertam para riscos na execução da Malha Sul diante da Política de Concessão Ferroviária do governo federal

Os governadores dos estados que compõem o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), SC, RS, PR e MS, assinaram um documento contrário à Política Nacional de Concessões Ferroviárias do Ministério dos Transportes. Em ofício, encaminhado ao Ministério, expõem o posicionamento divergente ao Governo Federal que propõe a fragmentação da Malha Sul, à falta de diálogo e à necessidade de participação no processo, apresentando as demandas dos estados, que juntos representam 18,3% do PIB brasileiro.

O documento é assinado pelos governadores Ratinho Junior (PR), que preside o Codesul, Jorginho Mello (SC), Eduardo Leite (RS) e Eduardo Riedel (MS), e pelos presidentes das Federações das Indústrias, da Agricultura, das Associações Empresariais e das Organizações das Cooperativas do PR, MS, SC e RS.

O ofício do Codesul contesta ainda a Carteira de Projetos 2026, apresentada pelo Ministério dos Transportes, que prevê a realização de oito leilões, entre eles, três que fragmentam a atual Malha Sul, em Corredor PR/SC, Corredor Mercosul e Corredor Rio Grande. O entendimento do Grupo de Trabalho do Codesul, com membros designados pelos governadores do PR, SC, RS e MS, é de que este formato não atende às expectativas necessárias para a recuperação do modal ferroviário no Sul do Brasil.

No documento os estados “registram sua inconformidade com o tratamento conferido ao processo até o presente momento, uma vez que a condução das definições tem ocorrido sem a participação efetiva dos entes federativos diretamente afetados, mantendo-os à margem das decisões estruturantes relativas à futura concessão.”

“Soma-se a esse quadro a ausência de compartilhamento com os estados dos estudos técnicos da Malha Sul, conduzidos pela Infra S.A., circunstância que restringe o diálogo institucional e inviabiliza a análise técnica e a apresentação de contribuições qualificadas pela referida Comissão. Tal situação não se compatibiliza com os princípios da cooperação federativa, os quais exigem transparência, coordenação intergovernamental e participação efetiva dos entes subnacionais, especialmente, na estruturação de projetos de infraestrutura de caráter estratégico e de ampla repercussão regional e nacional”, manifesta o ofício.

Os membros do Codesul sugerem ainda que o Ministério dê atenção à estruturação da nova concessão em bloco para a Malha Sul, como alternativa mais adequada para assegurar coerência logística, eficiência operacional, escala econômica e atratividade ao investimento privado; que sejam disponibilização aos Estados dos estudos técnicos elaborados pela Infra S.A., de modo a permitir análise qualificada e contribuição efetiva dos Estados no processo decisório; ao equacionamento dos passivos da concessão vigente, com a recuperação de trechos abandonados, degradados ou inoperantes, assegurando condições mínimas de funcionalidade antes da nova licitação; e garantia de continuidade operacional dos trechos em atividade, com adequada transição entre o término da concessão atual e o novo contrato.

Os Estados do Codesul informam ainda ao MT que contratarão estudo técnico complementar, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do modelo de política pública e da estrutura contratual da futura concessão.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
IMAGEM: Gustavo Rotta/PSFS

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Portos

Porto de Paranaguá destaca inovação logística durante Caravanas da Inovação Portuária

O Porto de Paranaguá recebeu visitas técnicas e apresentações voltadas à modernização do setor durante a 7ª edição das Caravanas da Inovação Portuária. A iniciativa é promovida pelo Ministério de Portos e Aeroportos em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

No primeiro dia da programação, a Portos do Paraná apresentou dados operacionais dos terminais de Paranaguá e Antonina, além de projetos estratégicos ligados à transformação logística, eficiência operacional e crescimento do setor portuário.

Inovação portuária vai além da tecnologia

Durante os debates, os participantes acompanharam uma visão prática sobre inovação aplicada ao ambiente portuário. A proposta destacou que melhorias operacionais não dependem apenas de soluções tecnológicas avançadas, mas também da integração de processos e da capacidade de resposta às demandas do dia a dia.

Segundo Tetsu Koike, inovação no setor envolve tanto tecnologia quanto aprimoramento contínuo da rotina operacional.

“O ganho de eficiência muitas vezes está em ajustes simples de processos e na capacidade de adaptação às necessidades operacionais”, afirmou.

Obras do Moegão avançam no Porto de Paranaguá

Um dos destaques da visita técnica foi o acompanhamento das obras do Moegão, considerado um dos principais projetos em execução no complexo portuário.

A estrutura será utilizada no recebimento de cargas agrícolas, como soja, milho e farelo, que seguirão aos terminais por meio de correias transportadoras. O empreendimento busca ampliar a eficiência logística e fortalecer o transporte ferroviário no porto.

Atualmente, a obra está em fase de montagem mecânica e já conta com galerias instaladas, além de frentes de trabalho nas áreas elétrica, metalmecânica, combate a incêndio e sistemas de ar comprimido.

O projeto envolve cerca de 400 trabalhadores e prevê aproximadamente 1,7 quilômetro de esteiras transportadoras.

De acordo com Felipe Zepeline, a execução exige planejamento integrado devido à complexidade operacional e à convivência com estruturas já em funcionamento no entorno portuário.

Novo sistema deve ampliar transporte ferroviário

Atualmente, cerca de 80% das cargas movimentadas no porto chegam por rodovias, enquanto apenas 20% utilizam a ferrovia. Com o Moegão, a expectativa é aumentar a participação do modal ferroviário, reduzindo impactos logísticos e melhorando o fluxo operacional no complexo.

A mudança faz parte da estratégia de modernização da infraestrutura portuária e de reequilíbrio da matriz de transporte.

Centro de Emergência reforça segurança operacional

Outro espaço visitado pelos participantes foi o Centro de Prontidão e Resposta a Emergências do porto. O setor atua em situações críticas, como incêndios, vazamentos químicos e derramamentos de óleo.

Segundo André Wolinski, a capacidade de resposta rápida é fundamental para garantir a segurança das operações e minimizar impactos ambientais.

Comitê de inovação aposta em integração com startups

A programação também destacou o trabalho do Comitê de Inovação da Portos do Paraná, criado para estimular a cultura de inovação e aproximar o porto de empresas, startups e instituições parceiras.

Entre os projetos apresentados estão iniciativas desenvolvidas em parceria com as plataformas Climatempo e 14Sea, focadas em eficiência operacional e modernização da gestão portuária.

Para Vader Zuliane Braga, equipes multidisciplinares ajudam a criar soluções inovadoras mesmo sem grandes investimentos em equipamentos.

Caravanas buscam fortalecer inovação nos portos brasileiros

As Caravanas da Inovação Portuária têm formato itinerante e são estruturadas em três pilares principais: inspirar, compartilhar e conectar.

A iniciativa promove a troca de experiências entre setor público, empresas privadas, universidades e especialistas, com foco em pesquisa, desenvolvimento e inovação portuária.

As discussões realizadas durante os encontros resultam em propostas e diretrizes que contribuem para o fortalecimento da agenda de modernização dos portos brasileiros.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa/MPor

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Transporte

Ferrovias abandonadas somam 7.400 km com potencial de reativação no Brasil

Um levantamento recente indica que cerca de 7.400 km de ferrovias abandonadas no Brasil podem voltar a operar, mas dependem de forte aporte financeiro do setor público. A estimativa é de que sejam necessários ao menos R$ 75 bilhões para viabilizar a reconstrução e a retomada das operações.

O estudo foi financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com a Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, e deve orientar o planejamento da infraestrutura ferroviária brasileira nos próximos anos.

Maioria da malha pode ser recuperada

O relatório analisou 9.845 quilômetros de trilhos, distribuídos em 61 trechos pelo país. Desse total:

  • 7.412 km (37 trechos) são considerados viáveis para reativação
  • 2.433 km (24 trechos) foram classificados como inviáveis, mesmo com investimento público

Um ponto relevante é que nenhum dos trechos avaliados apresenta viabilidade econômica apenas com recursos privados.

Dependência de subsídios é predominante

Entre os trechos considerados viáveis, apenas 1.310 km demandariam investimentos iniciais para recuperação da infraestrutura. Já a maior parte — cerca de 6.102 km — necessitaria também de subsídios operacionais contínuos para se manter em funcionamento.

Isso reforça o desafio de tornar o transporte ferroviário sustentável do ponto de vista financeiro.

Transporte de cargas deve ser prioridade

A maior parte da malha recuperável tem vocação para o transporte de cargas. Dos trechos viáveis:

  • Aproximadamente 5.900 km seriam voltados principalmente à movimentação de mercadorias
  • Cerca de 1.200 km poderiam operar em modelo misto (cargas e passageiros)
  • Apenas 300 km seriam destinados exclusivamente ao transporte de passageiros

Distribuição regional das ferrovias analisadas

O estudo divide a malha em três grandes regiões:

Malha Nordeste

Com 2.984 km, conecta estados como Pernambuco, Ceará e Paraíba, ligando áreas produtivas a portos estratégicos. Um dos trechos promissores é o corredor entre Recife e Caruaru.

Malha Centro-Leste

Totalizando 3.577 km, abrange estados como Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Um dos destaques é a ligação entre o interior fluminense e o Espírito Santo.

Malha Sul

Com 3.284 km, inclui Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Trechos como o que conecta cidades do interior paulista ao Paraná aparecem como viáveis.

Linhas de passageiros são minoria

Apenas alguns trechos próximos a grandes centros urbanos apresentam potencial para o transporte ferroviário de passageiros, somando cerca de 300 km. Mesmo nesses casos, a operação dependeria de subsídios permanentes.

Desafios econômicos e estruturais

Especialistas apontam que o setor ferroviário exige investimentos elevados e tem retorno financeiro limitado, o que dificulta a atração de capital privado sem apoio estatal.

Além da reconstrução dos trilhos, é necessário investir em equipamentos, tecnologia e logística para garantir eficiência e competitividade frente a outros modais.

Modelo híbrido pode viabilizar projetos

Uma das alternativas discutidas é o uso de modelos como o Viability Gap Funding, no qual o poder público cobre parte dos custos para tornar os projetos viáveis.

Esse tipo de solução já é considerado em projetos estratégicos, como novas concessões ferroviárias voltadas à integração logística e ao escoamento de produção.

Reativação depende de política pública estruturada

O estudo reforça que a recuperação das ferrovias abandonadas no Brasil exige planejamento de longo prazo, integração entre setores público e privado e políticas de incentivo que garantam sustentabilidade econômica.

FONTE: Folha de S. Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Modais em Foco

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Logística, Sem Categoria

Transnordestina avança e fortalece logística no Nordeste

A ferrovia Transnordestina voltou a ganhar destaque em debates sobre infraestrutura, consolidando seu papel como projeto estratégico para a logística do Nordeste. Em discussão recente com especialistas do setor, foram reforçados os impactos positivos da obra na competitividade regional, na integração produtiva e na redução de custos operacionais.

Mesmo após anos de desafios, a ferrovia segue como uma das principais apostas para modernizar o escoamento de cargas e impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

Ferrovia pode transformar o escoamento de cargas

Durante o debate, especialistas apontaram que a Transnordestina tem potencial para alterar significativamente a dinâmica de transporte no Nordeste. O projeto deve beneficiar diretamente setores como o agronegócio e a indústria, ampliando a eficiência logística.

A expectativa é de redução nos custos de transporte, maior previsibilidade nas operações e menor dependência do modal rodoviário, atualmente predominante no país.

Integração com portos amplia competitividade

Outro fator estratégico é a ligação da ferrovia com portos do Nordeste, o que deve facilitar o fluxo de exportações. Essa conexão cria uma estrutura logística mais integrada, permitindo maior agilidade no envio de mercadorias ao mercado externo.

Com isso, a região tende a ganhar força no comércio exterior, aumentando sua competitividade e atraindo novos investimentos.

Eficiência e sustentabilidade no transporte

O transporte ferroviário também se destaca por sua capacidade de movimentar grandes volumes com menor impacto ambiental. A adoção desse modal contribui para operações mais eficientes e alinhadas às demandas de logística sustentável.

Além disso, o uso de trilhos reduz custos operacionais e minimiza riscos associados às oscilações típicas do transporte rodoviário.

Projeto ainda enfrenta desafios

Apesar dos avanços, a execução da ferrovia Transnordestina ainda esbarra em questões relacionadas a prazos e andamento das obras. Mesmo assim, especialistas avaliam que o projeto continua sendo essencial para o futuro da infraestrutura regional.

A expectativa é que, quando concluída, a ferrovia represente um divisor de águas para a logística no Nordeste, com impactos diretos na eficiência, na redução de custos e na expansão econômica.

FONTE: Multimodal Nordeste
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/TLSA

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Transporte

Transporte ferroviário de cargas bate recorde no Brasil e alcança 555 milhões de toneladas em 2025

O transporte ferroviário de cargas no Brasil registrou um novo recorde em 2025. De acordo com o Ministério dos Transportes, foram movimentadas 555,48 milhões de toneladas úteis (TU) ao longo do ano, volume 2,57% maior que o registrado em 2024.

O resultado representa o terceiro recorde consecutivo do setor e reflete o avanço das políticas públicas voltadas à expansão da malha ferroviária brasileira. A estratégia integra o plano do Governo Federal para fortalecer a logística nacional, melhorar o escoamento da produção e ampliar a competitividade no comércio exterior.

Para 2026, o governo projeta a realização de oito leilões ferroviários, com expectativa de atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos no setor. A estimativa é que, ao longo dos próximos anos, o modal ferroviário receba até R$ 600 bilhões em aportes.

Segundo o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, os números mostram que as medidas de planejamento e regulação vêm produzindo resultados.

“Pela terceira vez consecutiva batemos o recorde de movimentação de cargas por ferrovias no Brasil, ao mesmo tempo em que registramos investimentos privados históricos no setor”, afirmou.

Ferrovia melhora logística e reduz custos no transporte de cargas

O avanço do transporte ferroviário de cargas também está ligado à busca por soluções logísticas mais eficientes. A prioridade do governo tem sido aprimorar as cadeias de deslocamento terrestre, garantindo infraestrutura adequada para o escoamento de insumos e mercadorias.

Nas rotas de longa distância, por exemplo, grãos produzidos em Mato Grosso, principal polo agrícola do país, podem ser transportados por trilhos até o Sudeste e aos portos da região. Esse modelo reduz a dependência do transporte rodoviário, diminui o fluxo de caminhões nas estradas e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Agronegócio lidera crescimento da carga transportada

Levantamento da Infra S.A. aponta que o agronegócio apresentou o melhor desempenho entre os segmentos que utilizam o transporte ferroviário. Em 2025, o setor registrou crescimento de 4,62% na movimentação de cargas.

Outros produtos também apresentaram expansão, com aumento de 3,43% no transporte de mercadorias diversas.

O minério de ferro continua sendo o principal item transportado pelas ferrovias brasileiras, somando 401,35 milhões de toneladas úteis, com crescimento de 2,72%.

Para Leonardo Ribeiro, o fortalecimento das ferrovias acompanha a expansão da economia brasileira e indica a importância estratégica do setor para os próximos anos.

“O crescimento do transporte ferroviário vai além de uma tendência. Trata-se de uma infraestrutura essencial para o desenvolvimento econômico do país”, destacou.

Governo aposta em concessões e nova política de outorgas ferroviárias

Atualmente, o Ministério dos Transportes administra 14 concessões ferroviárias em operação. A pasta também busca reestruturar projetos que ficaram parados nos últimos anos.

Uma das iniciativas foi o lançamento da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, criada para organizar e ampliar a carteira de ativos disponíveis para concessão. A medida inclui diretrizes de planejamento, governança e sustentabilidade para novos projetos.

Após a revisão do Marco Legal das Ferrovias, em 2023, o governo também autorizou a primeira nova ferrovia dentro do modelo atualizado.

Concessões em fim de contrato passam por análise

Outra frente de trabalho envolve cinco malhas ferroviárias com contratos próximos do término:

• Malha Sul
• Malha Oeste
• Ferrovia Centro-Atlântica
• Ferrovia Tereza Cristina
• Ferrovia Transnordestina Logística

O objetivo é definir novas soluções logísticas para garantir continuidade dos serviços e ampliar a eficiência do sistema ferroviário.

Trechos ociosos podem voltar a operar

O governo também encaminhou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) as diretrizes para o primeiro chamamento público de trechos ferroviários.

O modelo permitirá que o setor privado assuma a operação de linhas atualmente classificadas como ociosas. O primeiro projeto envolve o Corredor Minas–Rio, que poderá servir de referência para novos processos.

A expectativa é que a iniciativa possibilite a recuperação de até 10 mil quilômetros da malha ferroviária federal.

Investimentos ferroviários crescem 60% desde 2023

Entre 2023 e 2025, os investimentos em ferrovias no Brasil chegaram a R$ 40 bilhões, valor cerca de 60% maior que o registrado entre 2019 e 2022, quando os aportes somaram R$ 25 bilhões.

Um dos principais projetos retomados foi a Ferrovia Transnordestina, considerada estratégica para a logística do Nordeste. As obras foram reiniciadas em 2023 e já alcançaram 71% de avanço físico.

O empreendimento possui investimento estimado em R$ 15 bilhões, sendo que R$ 11,3 bilhões já foram aplicados. O cronograma prevê a conclusão da primeira fase em 2027 e da segunda etapa em 2028.

FONTE: Ministério dos Transportes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Felipe Brasil/MT

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