Comércio Exterior

Dependência de fertilizantes russos deixa Brasil vulnerável a mais taxações dos EUA

O Brasil pode ser alvo de novas taxas dos Estados Unidos por comprar fertilizantes da Rússia, seu principal fornecedor.

Os fertilizantes químicos funcionam como um tipo de adubo, usado para preparar e estimular a terra para o plantio.

O presidente Donald Trump aplicou uma tarifa adicional à Índia nesta quarta-feira (6) por comprar petróleo dos russos. Segundo ele, isso contribui “para a manutenção da guerra contra a Ucrânia”.

Com a nova taxa, a tarifa total aplicada à Índia subiu para 50% — empatando com a do Brasil e deixando o país asiático entre os mais taxados por Trump.

Ainda na quarta-feira, Trump declarou que mais tarifas podem ser impostas.

Se o Brasil for alvo de algo semelhante, a produção de alimentos no Brasil pode ser afetada, com aumento nos custos para o agricultor e o consumidor, diz o consultor Carlos Cogo.

Segundo o especialista, a dependência da importação do Brasil torna o país “vulnerável” a esses tipos de aumento.

No mercado de fertilizantes, existem três insumos que são os mais relevantes, que formam o NPK, aponta Cicero Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV AGRO). São eles:

o nitrogênio (N), que o Brasil importa 95%;

o fosfato (P), o qual 75% é comprado no exterior;

e o potássio (K), com 91% vindo de fora do país.

Cogo aponta os principais motivos que explicam essa dependência. Veja abaixo.

➡️Faltam matérias-primas: no país, não há muitas reservas de componentes que são fundamentais para a produção dos fertilizantes, principalmente nitrogênio e potássio.

O potássio, por exemplo, está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, que dominam o mercado mundial.

Já a indústria nacional de nitrogenados é pequena, porque a produção exige gás natural barato. Assim, perde competitividade frente a países como EUA, Rússia e Catar.

No caso do fosfato, as reservas têm qualidade inferior e são mais caras de explorar.

➡️Demanda grande: a produção nacional não consegue atender tudo o que a agricultura brasileira consome de fertilizante.

Apesar de ser grande produtor de alimentos, o Brasil tem solo pobre em nutrientes. Por isso, precisa de adubação frequente para manter a produtividade. Saiba mais abaixo.

Essa procura por fertilizante vem, principalmente, de produtos como a soja, milho, café e cana-de-açúcar.

➡️ Altos custos: importar sai mais barato, porque a logística no Brasil é cara e a infraestrutura é limitada, aponta Cogo.

O Brasil tem um Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022. A meta é produzir entre 45% e 50% do insumo que o país consome até 2050.

Para isso, o governo pretende gastar mais de R$ 25 bilhões até 2030, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para o consultor Cogo, são necessários grandes investimentos, incentivos e infraestrutura para aumentar a produção.

Dá para trocar de fornecedor?

A Rússia é o 2° maior produtor mundial de fertilizantes potássicos e nitrogenados e o 4° maior de fosfatados. Em 2024, o país foi o principal fornecedor desses insumos para o Brasil, sendo, de acordo com a consultoria Cogo:

53% de fosfato monoamônico (que fornece nitrogênio e fósforo às plantas);

40% de cloreto de potássio;

20% de ureia.

“É um volume muito grande para que qualquer outro fornecedor consiga atender à demanda do Brasil”, diz Lima.

Trocar a Rússia no fornecimento desses componentes para o Brasil não seria rápido, aponta Cogo. Isso porque seria necessário fazer uma reestruturação logística das compras e realizar negociações diplomáticas para fechar novos acordos e abrir mercados.

Entre as alternativas possíveis de novos vendedores, o Brasil poderia ampliar parcerias com Canadá, Marrocos, Nigéria e outros países do Oriente Médio, afirma Cogo.

Mas ele alerta que outros países também buscam evitar sanções e podem disputar os mesmos fornecedores.

Por que o Brasil consome tanto fertilizante?

O Brasil é o 4° maior consumidor de fertilizantes do mundo. Isso acontece porque o solo do país é quimicamente pobre em nutrientes, principalmente no Cerrado, afirma Cogo.

Segundo o consultor, a região tem baixa disponibilidade de elementos essenciais, como fósforo e potássio, além de ter elevada acidez.

Somado a isso, está o clima tropical do país. O Brasil sofre com chuvas intensas, que favorecem a lixiviação, processo em que os nutrientes são rapidamente perdidos do solo.

É diferente do que acontece em países de clima temperado, onde a terra é naturalmente mais fértil e as perdas são menores.

A agricultura intensiva também aumenta a necessidade de fertilizantes. Ela permite várias safras por ano, o que exige reposição constante de nutrientes.

Os cultivos que são voltados para a exportação, como a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão, exigem muitos nutrientes. Portanto, precisam de grandes volumes de adubos químicos para manter produtividade.

Fonte: G1

Ler Mais
Comércio Exterior

Governo deve anunciar medidas de apoio a empresas alvo das tarifas americanas

Diversificação de mercados; Encontro do PSD e outros destaques

O governador Jorginho Mello (PL) deve anunciar na próxima semana um pacote de medidas em apoio às empresas catarinenses que serão impactadas pelo tarifaço dos Estados Unidos. O aumento das tarifas afetará setores estratégicos, o que fez com que o governo montasse uma verdadeira força-tarefa com as principais secretarias da sua área econômica. 

A Federação das Indústrias (Fiesc) tem auxiliado na elaboração das propostas, trocando informações com o governo e mantendo contato com a Confederação Nacional da Indústria em busca de dados sobre os impactos. Um escritório de advocacia americano também está prestando informações sobre o cenário. A ideia principal é manter os empregos, pelo menos por um período, para evitar a queda da renda no Estado. As pessoas ouvidas pela coluna deixaram a impressão de que o conceito está pronto; o que falta são os números. 

A força-tarefa é composta por técnicos da Secretaria de Estado da Fazenda, junto com as secretarias de Indústria, Comércio e Serviços; Planejamento; Agricultura; Articulação Internacional; Badesc, BRDE e a InvestSC. A proposta, que deve ser concluída até amanhã, contempla três frentes principais: 

Apoio financeiro e fiscal – A ideia é dar um alívio imediato para as empresas impactadas pela nova tarifação. Entre as propostas que serão apresentadas ao governador, está a criação de linhas de crédito emergenciais com prazos mais estendidos, carência e taxas reduzidas. A operação ficará por conta do Badesc e do BRDE. Também deve entrar no pacote a ampliação ou reestruturação de programas estaduais já existentes, focando nas empresas exportadoras. 

As empresas, caso os estudos apontem que é possível e Jorginho Mello aprove as propostas, poderão contar com incentivos fiscais temporários e mecanismos de diferimento de tributos. Ou seja, as empresas que compram insumos para exportação ou industrialização deixarão de pagar o ICMS por um período, o que, na opinião das fontes, aliviará o fluxo de caixa. Na prática, não se trata de uma isenção, mas de um retardo no recolhimento do imposto. A antecipação da devolução de crédito de ICMS também está na mesa de discussão. 

Diversificação de mercados

A Secretaria de Articulação Internacional e a InvestSC trabalharão para identificar novos mercados para os produtos catarinenses que ficarão represados por conta do aumento das tarifas dos EUA. “A ideia é promover ações de diplomacia comercial e inteligência de mercado para reorientar parte das exportações atingidas”, relatou uma fonte. 

Para atender às empresas e reduzir os impactos, está sendo feito um mapeamento e diagnóstico técnico para identificar quais serão diretamente impactadas. A ideia é construir um retrato dos prejuízos, permitindo que o pacote seja direcionado com mais precisão às reais necessidades de quem for atingido. 

O que pode atrasar um pouco o anúncio é o fato de que o governo ainda não sabe quais produtos foram excluídos da taxação. A grande preocupação, por exemplo, é com a madeira, que representa um percentual muito grande no volume de exportações. O formato do plano dependerá dos possíveis prejuízos que esse setor, em específico, terá. 

Complementação 

Outro ponto importante é que o Governo do Estado pretende realizar ações que complementem as que serão realizadas pelo Governo Federal. Porém, há uma ideia de que, se não houver um anúncio de Brasília a curto prazo, o plano para Santa Catarina será colocado em prática e revisto quando houver alguma iniciativa federal. 

Balanço da missão 

O senador Esperidião Amin (Progressistas) participou ontem de audiência com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), para apresentar um balanço da missão oficial de senadores aos Estados Unidos, liderada por Nelsinho Trad (PSD). O encontro tratou das tensões comerciais entre os dois países, agravadas pela compra de petróleo russo pelo Brasil.

Segundo Amin, parlamentares democratas e republicanos sinalizaram a aprovação de uma lei, entre agosto e setembro, que poderá punir países que mantêm relações comerciais com a Rússia. O Brasil, que importa óleo diesel e defensivos agrícolas russos, pode ser diretamente afetado. 

Impacto 

De acordo com o senador Esperidião Amin (Progressistas), a possível lei americana que poderá punir com mais taxas países que compram, principalmente, petróleo russo, poderá afetar fortemente Santa Catarina. 

“Isso é muito grave. Óleo diesel é vital para a nossa economia, assim como os defensivos para a competitividade do agro”, alertou Amin. O senador também demonstrou preocupação com as exportações de Santa Catarina, como madeira, pescado, compressores e motores elétricos, que ainda enfrentam barreiras tarifárias. 

Selecionando a imprensa? 

Uma novidade na comunicação do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), como presidente da Fecam. Em agenda hoje, no Oeste, para a chamada “Rota Municipalista”, ele estará em Chapecó para se reunir com os prefeitos dos municípios da região da Amosc, em encontro que terá início às 08h30. Procurada por veículos interessados em uma entrevista com Topázio, a assessoria pediu foto dos jornalistas que farão a entrevista, uma biografia e, pasmem, o posicionamento político. Nem em cobertura presidencial se pede o posicionamento político do jornalista, que é algo irrelevante. Um verdadeiro ataque ao jornalismo livre. 

Encontro do PSD 

O PSD realizará na próxima segunda-feira (11), no Expocentro de Balneário Camboriú, mais um Encontro Estadual do partido. Entre as presenças confirmadas, o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia; o prefeito de Chapecó e pré-candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues; e o governador do Paraná e pré-candidato à Presidência da República, Ratinho Júnior. O início está marcado para as 19h30 e terá como anfitriã a prefeita Juliana Pavan. Deputados estaduais e federais, além de prefeitos e vereadores, também são esperados. Entre os temas da pauta, estão o bem-estar animal, políticas públicas para as mulheres e o fortalecimento da família. “O PSD está ampliando sua presença e relevância em temas que fazem diferença na vida dos catarinenses”, afirmou o presidente estadual, Eron Giordani. 

Alesc Itinerante 

A forte presença de representantes da sociedade civil, prefeitos, vereadores e entidades foi um dos pontos altos da edição do programa Alesc Itinerante, realizada nesta semana em Mafra. O presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD), destacou o envolvimento da população como essencial para o sucesso da iniciativa. “Foram quase 100 vereadores, uma dezena de prefeitos, diversas entidades. Tivemos também o acompanhamento da juventude, com a presença das câmaras mirins”, comentou, mencionando a participação de jovens parlamentares de Mafra, São Bento do Sul e Itaiópolis. Segundo Garcia, o objetivo é justamente aproximar o Legislativo da sociedade. “O que tem de mais importante nessa aproximação é a participação da sociedade, como vimos aqui em Mafra”, concluiu. 

Quinto 

A advogada Giane Bello oficializou sua candidatura ao Quinto Constitucional da OAB, para disputar uma vaga no Tribunal de Justiça. Com quase 30 anos de atuação, Giane destacou o compromisso com a transparência e com o diálogo igualitário entre os profissionais. “Coloco meu nome à disposição com o propósito de servir e bem representar a classe junto ao Poder Judiciário”, afirmou.

A advogada foi diretora da Caixa de Assistência dos Advogados e conselheira estadual, com atuação na reformulação da tabela de honorários e em ações de proteção à advocacia. Após sofrer agressão no exercício da profissão, foi uma das responsáveis pela elaboração do projeto de lei que tramita no Senado e propõe medidas de proteção para advogados.

Fonte: Guararema News

Ler Mais
Portos

Tarifaço dos EUA impulsiona recorde histórico de movimentação de cargas no maior porto do Brasil

Levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do Porto de Santos, com 17 milhões de toneladas no mês de julho.

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, registrou um novo recorde de movimentação de cargas no mês de julho. Segundo apurado pelo g1, um levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do cais santista, com 17 milhões de toneladas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a marca inédita foi impulsionada, principalmente, pelo aumento das exportações após o anúncio de Donald Trump sobre a aplicação de tarifas de 50% para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A medida levou empresas a anteciparem os embarques, o que gerou um intenso fluxo de navios rumo à Europa e aos EUA, com destaque para cargas agrícolas e industriais”, afirmou o ministério, por meio de nota.

O órgão federal acrescentou que o complexo portuário conseguiu manter as operações sem impactos logísticos, apesar das condições climáticas adversas no mês de julho.

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), a consolidação dos dados ainda está em andamento, uma vez que o cais santista conta com mais de 50 terminais e eles têm um prazo — não especificado — para enviar as informações à empresa administradora. Ainda assim, o monitoramento operacional já confirma o recorde histórico de movimentação no mês de julho deste ano.

Levantamento preliminar

Conforme divulgado pela APS, houve um aumento de 10% no embarque de granéis sólidos (grãos diversos), com 900 mil toneladas. A movimentação de contêineres cresceu 4% e chegou a 200 mil toneladas, enquanto as cargas soltas tiveram alta de 9%, com 85 mil toneladas.

A autoridade portuária afirmou que os granéis líquidos (combustíveis, solventes, entre outros) ainda não foram contabilizados, mas a expectativa é de um aumento de 10%.

Em nota, o presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que os dados confirmam um aumento expressivo dos embarques no cais santista, o que já havia sido constatado na primeira quinzena do mês de julho.

“São dados preliminares, mas este ‘recorde dos recordes’ demonstra a importância de Santos em momentos decisivos da história, como este”, destacou Pomini. “É um recorde absoluto que atesta a resiliência e a eficiência do Porto de Santos. Mesmo com crises externas e fechamento do canal devido a condições climáticas, houve crescimento sem gerar qualquer ocorrência nas vias de acesso”.

Também por meio de nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, explicou que o crescimento no volume de cargas demonstra que a infraestrutura dos portos brasileiros é capaz de suportar os aumentos.

“O Ministério de Portos e Aeroportos está trabalhando para ampliar a capacidade e eficiência operacional dos portos com os leilões que estamos preparando para este ano, como o do canal de acesso ao Porto de Santos e o do terminal de contêineres, Tecon Santos 10”, afirmou o ministro.

Fonte: G1

Ler Mais
Comércio Exterior

Tarifaço de 50% dos EUA ameaça um mercado de US$ 3,7 bilhões no Brasil

Os produtos florestais lideram as exportações para os EUA. Desses, cerca de US$ 1,7 bilhão vem dos estados do Sul. Só no Paraná, cerca de 40 mil empregos estão ameaçados

A decisão do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros impacta diretamente o setor de base florestal, com efeitos severos sobre os estados da Região Sul, em especial o Paraná — maior produtor brasileiro de madeira de pinus.

A nova tarifa entrou em vigor nesta quarta-feira, 6, e incide sobre itens como madeira serrada, painéis, portas, móveis e molduras produzidos de florestas plantadas de pinus e eucalipto. Segundo dados do setor, os produtos florestais lideram as exportações do agronegócio para os Estados Unidos, somando US$ 3,7 bilhões por ano — dos quais cerca de US$ 1,7 bilhão é originado da Região Sul.

“É uma notícia muito ruim. Justamente no que o Paraná é bom, onde se destaca, vamos ser taxados de forma muito forte e veemente”, afirma Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas). O executivo também alerta para o risco de fechamento de postos de trabalho e paralisação de operações em larga escala.

“Só no Paraná cerca de 40 mil empregos estão ameaçados”, afirma o presidente.

Dependência crítica do mercado americano

A dependência do setor florestal brasileiro em relação ao mercado americano é evidente. No caso das molduras produzidas no Paraná, 98% das exportações — o equivalente a US$ 102 milhões entre janeiro e junho de 2025 — têm como destino os EUA. O mesmo ocorre com as portas de madeira: 96% da receita (US$ 34 milhões de um total de US$ 35 milhões) vem do país.

Em produtos como compensados de pinus e madeira serrada, a dependência é um pouco menor, mas ainda significativa: 33% das exportações desses itens são destinadas aos Estados Unidos.

Impacto imediato: retração e férias coletivas

Antes mesmo da publicação oficial da medida, empresas do setor já haviam adotado estratégias para conter os impactos: suspenderam os envios aos Estados Unidos, reduziram estoques e implementaram férias coletivas para evitar demissões.

“A exportação para os Estados Unidos representa volumes que não podem ser redirecionados de forma rápida a outro mercado. Buscar novos compradores é um trabalho de médio prazo e, muitas vezes, exige redução de preços”, afirma Brun.

Uma das empresas que adotaram férias coletivas foi a Braspine, empresa do Paraná que fabrica molduras de madeira, que decidiu no começo do mês adotar férias coletivas de 30 dias para 1,5 mil funcionários nas unidades de Jaguariaíva e Telemaco Borba .

“Essa turma de funcionários é toda da operação e será dividida em dois grupos, um deles sai de férias, e depois o outro sai. A ideia é manter as unidades em operação porque temos compromissos com os nossos clientes”, diz a fonte da empresa.

Celulose escapa da tarifa

Alguns produtos importantes para o setor ficaram de fora da nova tarifa. Entre eles, a celulose química (solúvel, soda, sulfato, sulfito), celulose semiquímica e a celulose feita de papel reciclado ou bambu — insumos não produzidos nos EUA e utilizados na fabricação de itens como papel higiênico e guardanapos.

Também escapou o ferro-gusa produzido com carvão vegetal, que integra a cadeia das florestas plantadas e substitui insumos de origem fóssil.

Setor florestal: motor do agro e da economia do Sul

O setor de base florestal é um dos líderes das exportações do agronegócio, como tem forte capilaridade no interior do país, especialmente no Sul. O Paraná concentra metade da produção nacional de pinus e é responsável por 15% dos empregos diretos no setor florestal.

“Estamos falando de uma cadeia produtiva bem diversificada. Além da atividade econômica, essas indústrias mantêm projetos sociais e de saúde. Ou seja, a área social também poderá ser bastante afetada com essa retração”, afirma o presidente da APRE.

Contradição com os compromissos climáticos

A medida é vista com perplexidade pelo setor, especialmente por ocorrer em um momento em que as florestas plantadas ganham destaque global como solução sustentável para o enfrentamento das mudanças climáticas. A madeira proveniente dessas florestas é considerada renovável e menos intensiva em carbono.

“O setor de base florestal plantado é hoje um dos pilares da sustentabilidade global. É difícil entender por que estamos sendo penalizados dessa forma, em um movimento que não tem base técnica, comercial ou regulatória, mas sim política”, critica Brun.

Setor pede por apoio emergencial

Nos próximos dias, a associação deve apresentar ao governo do Paraná uma série de pleitos, incluindo:

  • Liberação de linhas de financiamento subsidiadas via BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) para pagamento da folha de funcionários;
  • Antecipação dos créditos de ICMS para exportadores de madeira;
  • Criação de programas estaduais de incentivo ao uso da madeira.

A expectativa, segundo o CEO da APRE Florestas, é que o governo estadual e o federal atuem com urgência para proteger essa cadeia do agronegócio. “Precisamos garantir empregos, renda e competitividade em meio à crise gerada pela tarifa dos EUA”.

Fonte: Exame

Ler Mais
Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA atinge 77,8% das exportações brasileiras, diz CNI

Nesse universo, segundo a Confederação Nacional da Indústria, 45,8% dos produtos estão submetidos a tarifas de 40% ou 50%

Dados da CNI mostram que o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil vai impactar 77,8% da pauta produtos exportados por empresas nacionais ao mercado norte-americano.

“No total, 77,8% da pauta exportadora está sujeita a alguma taxação adicional, considerando as ordens executivas que instituíram as tarifas de 10%, de 40% e a Seção 232 do Trade Expansion Act, de 25% e 50%, aplicadas exclusivamente a produtos de aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças. Mais da metade das exportações enfrentarão sobretaxas de 50%”, diz a CNI.

O levantamento baseia-se em dados da United States International Trade Commission, com análise no nível de dez dígitos do código tarifário norte-americano, o que permite identificar com precisão os produtos sujeitos às medidas comerciais.

É importante destacar que cada medida comercial tem a própria lista de cobertura e isenções, o que significa que produtos livres de uma tarifa adicional podem estar submetidos à outra.

O cruzamento mostra que dos 77,8% das exportações sujeitas a taxação adicional, 45,8% estão submetidas a tarifas de 40% ou 50% direcionadas especificamente ao Brasil.

“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. É um trabalho que precisa envolver governos e os setores produtivos. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.

Os dados mostram que 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, está sujeita à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou 17,5 bilhões de dólares.

Principal segmento exportador ao mercado americano, a indústria de transformação responde por 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, que totalizaram 12,3 bilhões de dólares em 2024.

Os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa combinada de 50% seriam: Vestuário e acessórios (14,6%), Máquinas e equipamentos (11,2%), Produtos têxteis (10,4%), Alimentos (9,0%), Químicos (8,7%) e Couro e calçados (5,7%).

Os setores de aço, alumínio e cobre, sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta e enfrentarão tarifa adicional de 50%.

Combinados, esses blocos da pauta exportadora representam 50,7% das exportações brasileiras aos americanos.

Fonte: Veja

Ler Mais
Comércio Exterior

EUA: Tarifas mais altas de Trump atingem produtos dos principais parceiros comerciais

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos

As tarifas mais altas de 10% a 50% impostas pelo presidente Donald Trump a dezenas de parceiros comerciais dos Estados Unidos entraram em vigor, testando sua estratégia para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem grandes interrupções nas cadeias globais de oferta, inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA começou a cobrar as tarifas mais altas após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

As mercadorias carregadas em navios com destino aos EUA e em trânsito antes do prazo final podem entrar com tarifas anteriores mais baixas antes de 5 de outubro, de acordo com um aviso da agência para os expedidores emitido esta semana. As importações de muitos países estavam anteriormente sujeitas a uma tarifa básica de importação de 10% depois que Trump suspendeu as tarifas mais altas anunciadas em abril.

Mas, desde então, Trump modificou frequentemente seu plano tarifário, aplicando a alguns países taxas muito mais altas, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias devido às compras de petróleo russo pelo país do sul da Ásia.

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos.

“A ÚNICA COISA QUE PODE IMPEDIR A GRANDEZA DA AMÉRICA SERIA UMA CORTE DE ESQUERDA RADICAL QUE QUER VER NOSSO PAÍS FRACASSAR!”, disse Trump no Truth Social.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A ordem de Trump especificou que qualquer mercadoria que tenha sido transbordada de um terceiro país para escapar das tarifas mais altas dos EUA estará sujeita a uma tarifa de importação adicional de 40%, mas seu governo divulgou poucos detalhes sobre como essas mercadorias serão identificadas ou como a disposição será aplicada.

O decreto tarifário de Trump de 31 de julho impôs tarifas acima de 10% a 67 parceiros comerciais, enquanto a taxa foi mantida em 10% para aqueles que não estão listados.

Esses impostos de importação são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trajetória separada e enfrentará um possível aumento de tarifas em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Fonte: InfoMoney

Ler Mais
Mercado Internacional

Apex mapeia estados dos EUA que dependem de produtos brasileiros por maior pressão contra tarifaço

A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) está preparando um mapeamento dos estados americanos que dependem de produtos brasileiros. A ideia, segundo o presidente do órgão, Jorge Viana, é sensibilizar os atores locais para agirem contra as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.

A sobretaxa de 50% aplicada pelos EUA a produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (6). Ela atinge cerca de 36% dos itens exportados pelo Brasil aos EUA, segundo cálculo do governo brasileiro, incluindo produtos importantes na relação comercial entre os dois países, como máquinas agrícolas, carnes e café.

“Quando você põe uma tarifa para o que entra nos Estados Unidos, você está criando um problema interno. Um estado que tem uma atividade industrial que depende de um produto que vem do Brasil, e agora o produto ficou 50% mais caro, é um problema para eles também”, disse Viana. “É nesse sentido que a gente está trabalhando.”

De acordo com levantamento da Apex, no caso dos minerais críticos, por exemplo, o Brasil exporta para a Flórida cerca de US$ 5,3 milhões e tem 82% de participação na importação deles no setor. Mais especificamente no caso do vanádio, o Brasil tem 100% de participação no mercado da Pensilvânia, em torno de US$ 20 milhões.

No início da semana, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) afirmou ver possibilidade de Brasil e Estados Unidos chegarem a um acordo relacionado à mineração nessa nova fase das tratativas entre os dois governos.

Segundo Viana, a agência trabalha em conjunto com seus escritórios nos EUA, com a Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) e com representantes dos setores atingidos pelo tarifaço.

O presidente da Apex considera que uma pressão interna de governos locais pode ajudar no avanço das tratativas. “Os governos locais, seja a Califórnia, vão ter que ir lá na Casa Branca dizendo: ‘Olha, está prejudicando o meu estado”, afirmou.

Como exemplo, ele citou a Embraer -beneficiada na lista inicial de exceções estabelecida pelos EUA, que possui componentes usados na aviação civil. “Ela tem uma base industrial na Flórida. Vai dizer [para as autoridades americanas]: ‘Como é que vai ficar? Vai parar a produção? Vai demitir funcionários?'”, disse.

De acordo com Viana, o Brasil atua em três frentes contra o tarifaço de Trump. Além dos esforços de negociação com os americanos, há uma busca por diversificação de mercado para escoamento dos produtos que vão perder espaço nos EUA.

Em paralelo, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgará um plano de contingência para mitigar os efeitos sobre as empresas exportadoras.

O presidente disse que a Apex também está preparando um plano próprio de socorro às suas empresas parceiras, a exemplo do que ocorreu após as enchentes que atingiram o Rio Grande Sul no ano passado. Segundo ele, a proposta estará conectada ao desenho criado pelo governo federal.

Segundo Haddad, o governo deve editar uma MP (medida provisória) com o plano de contingência, que prevê liberação de crédito e aumento de compras governamentais, entre outras medidas, e deve priorizar os pequenos produtores.

O mel é citado por Viana como um dos setores que precisa de uma política “rápida e urgente”, considerando que 78% do que o Brasil exporta de mel tem os Estados Unidos como destino e que o ramo é formado por pequenos produtores.

“Existe mercado para o mel no Reino Unido, na Bélgica, na própria China, que é o grande produtor de mel do mundo. Nós vamos trabalhar nisso”, acrescentou.

Fonte: Folha de São Paulo

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação

Com tarifaço, desafio de exportadores é encontrar novos mercados

Será necessário esforço para conquistar novos compradores, diz Apex

O impacto do aumento das tarifas de importação nos Estados Unidos a partir de desta quarta-feira (6) ainda começa a se desenhar e causa incerteza para trabalhadores e empresários que atuam com os mais de três mil itens que serão sobretaxados.

Enquanto estratégias imediatas como gestão de estoques, embarques em tempo acelerado ou diminuição de produção desenham as primeiras reações, um caminho em vista é pensar novos destinos para a produção. A busca por mercados exportadores, porém, não tem resultados imediatos e exige preparações específicas.

Este périplo das empresas para novos destinos tem todo um ecossistema público-privado de apoio, com ministérios como o do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o SEBRAE, as associações comerciais e entidades de promoção de comércio.

Em coletiva na manhã de hoje, Jorge Viana, presidente da APEX, falou deste papel conjunto. A agência já apoia 2,6 mil das 9 mil empresas nacionais que exportam para os Estados Unidos. Para ele, vai haver mudanças, “isso não tem volta”, com as novas estratégias das empresas.

“Setores como o de produtores de mel precisarão receber apoio urgente pois o único destino de exportação destes pequenos agricultores hoje são os Estados Unidos. Vamos incluí-los em todas as políticas de apoio”, explicou Viana durante a coletiva.

De acordo com Viana, este apoio deve ser anunciado em breve, diretamente pela presidência da República. A expectativa é de que tenha elementos semelhantes àqueles do apoio emergencial às empresas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.

A Apex também abrirá um escritório em Washington para negociar diretamente com o governo americano. Essa negociação se soma ao diálogo dos serviços consulares, que já atuam em nome do Brasil, e à pressão direta das empresas locais.

“Essa tarifa de 50% não tem nenhuma motivação comercial, ela vem da atuação de grupos políticos. O que espero que aconteça é que, com a entrada das tarifas, essa taxação se materializa e afete o consumidor lá. Ai é que entra a Apex no trabalho de criar novas alternativas de mercados, para as empresas e produtos brasileiros que tenham os Estados Unidos como mercado”, disse Viana, para quem a forte integração entre cadeias produtivas deve contar a favor nas negociações.

A Apex deve ampliar sua atuação na diversificação de fornecedores. “Os setores irão nos ajudar com o conhecimento que têm. O mundo inteiro está fazendo isso, percebendo a instabilidade com essas medidas”, completou.

Dados da ApexBrasil mostram que, entre janeiro e março deste ano, o Brasil exportou US$ 77,3 bilhões em bens, valor menor que os US$ 77,7 bilhões do mesmo período de 2024. O saldo comercial fechou positivamente em US$ 10 bilhões. Os principais produtos exportados foram petróleo bruto, soja, minério de ferro e café verde, com destaque para as exportações de bens industrializados, que tiveram alta no período, inclusive em itens como máquinas e aparelhos elétricos.

Em relação aos principais países de destino das exportações brasileiras, destacam-se China (US$ 19,8 bilhões), União Europeia (US$ 11,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 9,7 bilhões) e Mercosul (US$ 5,8 bilhões), com destaque para a Argentina, com um aumento de 51%.

Diplomacia

O caminho diplomático para reduzir as taxas aplicadas pelos Estados Unidos ainda se mostra como uma opção, conforme divulga o governo brasileiro. O recuo do governo Trump ao isentar uma lista de 700 produtos, na semana passada, mostra que também há alguma abertura da parte do país norte-americano.

“A flexibilização das tarifas é um passo positivo, e o Brasil deve aproveitar essa oportunidade para diversificar suas exportações e reduzir sua dependência do mercado americano. Com uma abordagem estratégica e diplomática, o Brasil pode minimizar os impactos negativos das tarifas e fortalecer sua posição no comércio internacional. Nesse contexto, é importante destacar que o diálogo e as negociações tornam-se as melhores opções para evitar uma escalada de tensões comerciais entre os dois países”, explicou o advogado Raphael Jadão, sócio do RMM Advogados, que atua com arbitragem e resolução de disputas comerciais.

Outro elemento importante nesta crise está na concentração das parcerias brasileiras. Alguns analistas consideram que as exportações do Brasil têm alto índice de concentração. 50% são concentradas em cinco países (China, EUA, Argentina, Holanda e Espanha), entre 237 parceiros comerciais. 12% somente para os Estados Unidos.

“Isso nos traz um sinal de alerta e de preocupação. Pois como tivemos um desafio com os EUA neste momento, podemos ter daqui a pouco com a China, que representa quase um quarto de tudo que o país envia para o exterior. E não se acha um comprador para substituir outro tão rapidamente. Então, aquelas empresas, por exemplo, que exportam carne bovina para os Estados Unidos, que é um dos produtos que o Trump não colocou na lista de exceções e que vai passar a ter a taxação de 40% a mais. Já tinha a de 10% de abril, mais 40%, ou seja, 50% a mais do que o ano passado. A partir da próxima semana, essa empresa que exporta carne para lá não vai encontrar tão cedo um mercado para comprar a carne que ele não vai mais vender para o americano da noite para o dia. A gente tem uma dependência que traz risco, sim, para a nossa pauta de exportação”, ponderou Bruno Meurer, co-fundador e diretor de operação da Next Shipping, empresa do ramo de logística.

Mercados alternativos

A busca por novos mercados envolve elementos culturais, parcerias comerciais e atendimento a medidas de burocracia fitossanitária e de comprovação de origem.

Este processo envolve um passo a passo com algumas variações em relação a cada país e mercadoria. Segundo Meurer, de uma forma resumida, após finalizar a negociação o exportador irá produzir a mercadoria. Com ela pronta irá emitir uma documentação internacional, que é a fatura comercial e o packing list, que são os documentos comerciais da carga, apresentados para o importador. Este irá contratar o frete internacional e então a mercadoria passa à alfândega, onde passará pelo processo de fiscalização aduaneira, passar pelo registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior e pode passar pela fiscalização presencial, que é feita em parte das cargas. Recolhidas taxas e feitas as fiscalizações na aduana, a mercadoria segue para o exterior.

“O tempo que se leva depende do tipo de produto que está sendo exportado, os que precisam de anuência de órgãos específicos, como por exemplo medicamentos, demoram mais, já roupas, como não existe um órgão específico de fiscalização o tempo é mais célere”, resume Meurer.

Condições específicas dos mercados, como preocupação com certificações ambientais ou culturais, também podem significar oportunidades. O Brasil é um dos grandes exportadores de aves para países muçulmanos, por exemplo, por conta de uma adaptação de mais de uma década à produção segundo a certificação Halal, que envolve abate com características diferentes e respeitando preceitos daquela religião.

“Por exemplo, o Brasil mantém boas relações comerciais com países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Dubai. No entanto, as exportações para essas regiões frequentemente demandam certificação Halal, rotulagem no idioma local, embalagens específicas e, em alguns casos, adaptações no produto, como cortes de carne diferenciados. Essa customização é fundamental para o sucesso nesses mercados. Outros produtos, com maior capacidade de adaptação, também requerem atenção similar na negociação de contratos. Ao analisar o mercado de pescados, por exemplo, é crucial considerar a demanda global, os tipos de pescado disponíveis no Brasil e seus respectivos níveis de consumo mundial. Atualmente, os Estados Unidos são um importante mercado para as exportações brasileiras de pescado. Nesse contexto, o setor de pescados pode explorar oportunidades na América do Sul e, potencialmente, em novos mercados na Europa. Contudo, a penetração no mercado asiático pode apresentar desafios”, explicou Stefânia Ladeira, especialista em comércio exterior e gerente de produtos da Saygo Comex, empresa especializada em logística de exportação para o mercado exterior.

A especialista aponta que a adaptação tem prazos e pormenores bastante variáveis, considerando elementos como a produção mundial e a capacidade de atender à demanda internacional e percebendo lacunas de produção, seja para produtos finais ou para insumos. “A identificação e compreensão das dinâmicas de oferta e demanda são cruciais para o estabelecimento de novos contratos”, disse à Agência Brasil.

Os acordos internacionais de comércio também são cruciais para entender estas oportunidades. Os anos recentes foram de aumento dos acordos de complementação econômica, inclusive com parceiros antigos como a China e o Japão, além de países da África, Oceania, América Central e Caribe. “Nestes países há redução tarifária mútua, porém cada país tem sua característica operacional e definição legal de como os produtos precisam ser registrados para importação, salvo a União Europeia que é uma união aduaneira e todos os países seguem o mesmo procedimento para importação e exportação”, explica o advogado Diego Joaquim, especialista em direito aduaneiro.

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Exportação, Importação, Industria

China reforça parceria com o Brasil e destaca importação do açaí

Em meio ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a China voltou a demonstrar, publicamente, seu interesse em importar produtos brasileiros. O destaque mais recente foi uma postagem feita nesta quarta-feira (7) pela embaixada chinesa no Brasil, que promoveu o açaí como um dos produtos mais populares entre os consumidores chineses e símbolo do comércio entre os dois países.

A informação foi publicada pelo jornal O Globo, que destacou a iniciativa como parte da estratégia chinesa de estreitar os laços com o Brasil em um momento de tensões entre Brasília e Washington. Na publicação, feita na plataforma X (antigo Twitter), a embaixada chinesa afirma: “O Brasil é o maior exportador de açaí do mundo. O sabor único e os benefícios à saúde fazem dele um dos produtos mais populares entre os consumidores chineses”. A postagem foi acompanhada por imagens do fruto e emojis de corações.

O gesto é interpretado como um aceno diplomático e comercial diante das recentes medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, que elevaram tarifas sobre diversas exportações brasileiras, incluindo carne, café e suco de laranja. A atitude de Pequim reforça a disposição da China em ampliar sua presença no mercado brasileiro e fortalecer o fluxo bilateral de comércio.

A sinalização é clara: enquanto os Estados Unidos fecham portas, a China amplia oportunidades. A recente aprovação de 183 empresas brasileiras para exportar café ao mercado chinês, válida por cinco anos, e a promoção de itens como o açaí, fazem parte de um conjunto de iniciativas que visam consolidar o Brasil como fornecedor estratégico em tempos de reconfiguração do comércio global.

Fonte: Brasil247

Ler Mais
Comércio Exterior

Brasil aciona OMC contra tarifaço dos Estados Unidos 

Itamaraty diz que EUA violam compromissos com a entidade

O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos contra produtos produzidos no Brasil. Na avaliação do Itamaraty, os EUA “violaram flagrantemente” compromissos assumidos com a própria OMC.

“Ao impor as citadas medidas, os EUA violam flagrantemente compromissos centrais assumidos por aquele país na OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados no âmbito daquela organização”, informou, por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores.

O documento enviado à OMC é um pedido de consultas aos EUA, instrumento instituído com o propósito de viabilizar, às partes, uma solução negociada para a disputa antes do eventual estabelecimento de um painel.

Trata-se, portanto, de uma primeira etapa formal no âmbito do sistema de solução de controvérsias na OMC. 

Nesse documento, o governo brasileiro voltou a reiterar sua disposição para negociação. Ele espera que as consultas contribuam para uma solução para a questão. A data e o local das consultas deverão ser acordados entre as duas partes nas próximas semanas.

Trump

No mês passado, o presidente Donald Trump anunciou tarifas mais altas para produtos importados do Brasil como retaliação pelo processo de tentativa de golpe de Estado ao qual o ex-presidente Jair Bolsonaro responde na Justiça.

Na prática, as tarifas de 50% para vários produtos brasileiros inviabilizam a comercialização desses produtos com os Estados Unidos. 

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook