Negócios

JBS deve reforçar estratégia de diversificação diante de questões tarifárias, diz CEO

Questões tarifárias e geopolíticas do mundo atual mostram que a JBS, maior produtora global de carnes, está no caminho certo em sua estratégia de diversificar por regiões e proteínas, algo que deve ser reforçado em um contexto em que a carne bovina do Brasil recebe uma taxa de 50% do governo dos Estados Unidos, disse o CEO da companhia, nesta segunda-feira.

“Essa estratégia de diversificação foi construída pensando nos ciclos de commodities, pensando nos problemas sanitários, geopolíticos e nos problemas tarifários. Quando vejo isso acontecendo, vejo que temos de reforçar ainda mais esta plataforma, temos de enfatizar, crescer mais, diversificar mais…”, disse Gilberto Tomazoni, durante congresso da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Segundo ele, esta é a única forma de uma empresa que tem 280 mil trabalhadores se manter crescendo mesmo com dificuldades.

Diante de um problema em um segmento em determinado país, se o caixa é afetado, outra região da companhia pode compensar e gerar investimentos, exemplificou ele.

“Vejo que tomamos uma decisão acertada lá atrás”, afirmou Tomazoni, referindo-se à estratégia da JBS.

Durante o evento, ele não detalhou os impactos das tarifas dos EUA que afetam também a carne bovina do Brasil, maior exportador global de carne bovina.

A JBS tem a maior parte de suas receitas provenientes da operação nos EUA, mas a empresa também tem importantes plataformas no Brasil e Austrália, entre outros países, como o México.

BARREIRAS AMBIENTAIS?

O executivo afirmou que a pecuária do Brasil enfrenta desafios que vão além das tarifas dos EUA, como as normas ambientais da União Europeia sobre emissões de metano na pecuária, as quais estão erradas, na avaliação do CEO.

“Obviamente essas regulações… estamos falando aqui de tarifas, mas tem outras barreiras que às vezes são mais importantes em impedir que você venda do que propriamente as tarifas em alguns casos”, disse.

Ele citou que tais normas podem ser consideradas um protecionismo.

Tomazoni apontou para um “caso simples” que afeta profundamente o negócio da JBS, que é a “questão” de como a União Europeia faz o calculo das emissões de carbono da pecuária.

“Está errado, eles simplesmente só contemplam emissões, não contemplam as capturas, o ruminante é um animal extraordinário, pega carbono e fibras e transforma em proteínas, se a fibra que ele comeu, a gramínea fez fotossíntese, pegou carbono do ar, sequestrou carbono na folha, estocou no solo nas raízes…”, afirmou.

Ele admitiu que o metano emitido na pecuária “polui”, mas disse que os dejetos dos animais podem ser utilizados com fertilizantes, dentro de um processo de uma economia circular sustentável.

Tomazoni destacou os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta no Brasil, que também capturam carbono.

O presidente da JBS disse que o Brasil deverá levar tais exemplos para serem discutido na COP30, para que importadores como os europeus possam reconhecer as potencialidades do Brasil como produtor de bioenergia e alimentos.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Brasil assina memorando de cooperação com China e Rússia em meio a tarifaço

Iniciativas buscam diversificar parcerias em um contexto de tensões comerciais globais

Foi publicado no DOU (Diário Oficial da União) desta segunda-feira (11), dois memorandos de cooperação do Brasil com a China e a Rússia, que permitem avanços em áreas estratégicas de finanças e economia.

Os documentos foram assinados em 3 de julho de 2025, no Rio de Janeiro, mas publicados em meio às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros.

A iniciativa com os chineses permite que os países “estabeleçam sinergias estratégicas entre as estratégias brasileiras de desenvolvimento, como a NIB (Nova Indústria Brasil), o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o Plano de Transformação Ecológica e o Programa Rotas da Integração Sul-Americana e a Iniciativa Cinturão e Rota, para impulsionar a atualização e o melhoramento da qualidade da cooperação entre os dois países”.

Além disso, o memorando destaca o compromisso de “expandir e aprofundar a cooperação programática” e reforça o papel da COSBAN (Comissão Brasileiro-Chinesa de Alto Nível), com foco em “ações concretas para propiciar a criação de um mecanismo internacional voltado à proteção e preservação das florestas tropicais”.

Já o memorando com os russos estabelece um “Diálogo Econômico e Financeiro bilateral regular” para promover cooperação em áreas como “políticas macroeconômicas, desafios econômicos, cooperação tributária, financiamento de infraestrutura e fortalecimento da cooperação multilateral no âmbito dos BRICS e do G20”.

O texto ressalta que as partes atuarão com base nos princípios de “igualdade, benefício mútuo, confiança mútua firme, abertura, inovação, justiça, equidade e respeito à soberania”.

Os documentos foram assinados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e seus homólogos Anton Siluanov, da Rússia, e o representante do Ministério das Finanças da China. As iniciativas buscam diversificar parcerias em um contexto de tensões comerciais globais.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Como a empresa mais valiosa do mundo ficou no meio da briga China-EUA

Em acordo histórico com governo Trump, gigantes da tecnologia concordam em compartilhar receitas de vendas para o mercado chinês em troca de licenças de exportação

Empresa mais valiosa do mundo, a Nvidia se vê no meio da histórica guerra comercial de Donald Trump com a China. O resultado: uma concessão extraordinária de uma corporação de US$ 4,5 trilhões que dará aos Estados Unidos uma porcentagem de cada chip de inteligência artificial de alta performance vendido aos chineses.

O acordo, que a AMD também assinou para alguns de seus chips, pode equilibrar dois objetivos concorrentes da administração Trump: manter a dominância norte-americana em IA enquanto assegura um acordo comercial com a China.

A tratativa ainda pode garantir à Casa Branca bilhões de dólares para gastar como desejar.

Do que trata o acordo?

A Nvidia e a AMD concordaram em pagar ao governo norte-americano 15% de suas receitas provenientes das vendas de semicondutores para a China em troca de licenças para exportar sua tecnologia para lá.

A Casa Branca bloqueou em abril a exportação de certos chips de IA para a China, incluindo os chips H20 da Nvidia e MI308 da AMD.

O acordo com a administração Trump permite que as empresas obtenham licenças de exportação para retomar as vendas desses chips na China, disse um funcionário norte-americano à CNN Internacional. O Financial Times foi o primeiro a reportar a história no domingo (10).

A Nvidia antecipou o acordo no mês passado, quando disse que retomaria as vendas do chip H20 para a China após o governo demonstrar abertura para permitir novamente a exportação de certos chips de IA.

Mas o pagamento de 15% foi uma surpresa. Trump disse que inicialmente foi solicitado à Nvidia pagar 20%, mas eles negociaram a taxa para 15%.

O acordo foi fechado após o CEO da companhia, Jensen Huang, se reunir com o presidente dos Estados Unidos na quarta-feira (6), disse o funcionário. Embora as licenças de exportação tenham sido concedidas na sexta-feira (8), nenhum envio foi feito ainda.

“Seguimos as regras que o governo dos EUA estabelece para nossa participação nos mercados mundiais”, disse um porta-voz da Nvidia em comunicado.

“Embora não tenhamos enviado H20 para a China por meses, esperamos que as regras de controle de exportação permitam que a América compita na China e mundialmente.”

Quão extraordinário é isto?

Governos, incluindo os Estados Unidos, já assumiram o controle de empresas no passado quando eram consideradas de importância estratégica para a segurança nacional.

Durante a crise financeira em 2009, os Estados Unidos assumiram o controle da General Motors e Chrysler, e os rendimentos dessas participações foram diretamente para o Tesouro norte-americano depois que o governo as vendeu com lucro.

Mas não está claro se o governo dos EUA já exigiu uma porcentagem dos negócios de uma empresa sem assumir participação acionária – ou se isso é sequer legal.

A Constituição dos EUA proíbe impostos sobre exportações. Para contornar isso, os termos do acordo foram estruturados como um acordo voluntário, para que não seja considerado um imposto ou tarifa, disse um funcionário.

Em vez disso, Nvidia e AMD enviarão voluntariamente fundos ao governo norte-americano. As empresas não terão nenhuma influência sobre como o governo utilizará esse dinheiro após o envio.

“É difícil identificar qualquer precedente histórico para esse tipo de acordo”, disse Sarah Kreps, professora de direito e diretora do Instituto de Política Tecnológica da Escola Brooks de Política Pública da Universidade Cornell.

E a segurança nacional?

Nos últimos anos, o governo norte-americano tem buscado restringir o acesso da China à tecnologia avançada dos EUA em um esforço para desacelerar seu progresso em IA e permitir que os Estados Unidos se mantenham no topo.

Mas a reversão da Casa Branca nos controles de exportação pode ser um reconhecimento de que a China está avançando em IA de qualquer maneira, então as empresas norte-americanas podem muito bem ser autorizadas a se beneficiar.

Isso também pode dar aos EUA outra forma de aumentar a receita para o governo, junto com as tarifas.

“Parece que houve alguma vacilação dentro da administração sobre e em relação à China, e acho que isso reflete a divisão interna dentro da administração entre os falcões da China e os pragmáticos econômicos”, disse Kreps. “Parece que, cada vez mais, os pragmáticos econômicos estão prevalecendo.”

Essa abordagem se alinharia com os argumentos de Huang, da Nvidia, que tem dito que restringir as vendas de chips de IA é ruim para a segurança nacional dos EUA.

Os desenvolvedores chineses poderiam simplesmente minar a liderança norte-americana criando suas próprias alternativas se não puderem comprar tecnologia do país, segundo Huang, que se reuniu com Trump repetidamente nos últimos meses.

A Casa Branca concorda com o CEO, acreditando que é melhor ter a China vinculada a um chip fabricado nos EUA vendido por canais legítimos do que forçá-la ao mercado negro, disse um funcionário do governo. Os chineses têm conseguido subverter os canais existentes para obter chips restritos de qualquer maneira.

Por que Trump está cobrando 15%?

Grandes questões permanecem sobre onde surgiu a ideia da comissão de 15% e o que isso poderia significar para a segurança nacional.

Um funcionário do governo disse que o pagamento permite que a administração mantenha o controle do processo de exportação e gere receita para a Casa Branca no processo.

Ainda assim, não está claro se a penalidade para Nvidia e AMD efetivamente limitará o fluxo dos chips ou eliminará quaisquer possíveis questões de segurança nacional.

“Se existe uma preocupação legítima de segurança nacional sobre a exportação desses chips para a China, então não vejo como os pagamentos ao governo dos EUA resolvem esses riscos. Na verdade, não resolvem de forma alguma”, disse Scott Kennedy, consultor sênior e presidente do conselho em negócios e economia chinesa no CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais).

“E se não houver risco suficiente à segurança nacional ou se eles puderem ser adequadamente mitigados […] então o governo dos EUA deveria simplesmente sair do caminho e não esperar nada em troca.”

O que isso significa para a Nvidia?

A Nvidia lançou o chip H20 no ano passado como uma forma de manter acesso ao mercado chinês — que representou 13% das vendas da empresa em 2024 — diante dos controles de exportação impostos pela administração Biden.

Mas acredita-se que os chips tenham contribuído para o DeepSeek, um modelo avançado de IA chinês que abalou o Vale do Silício após seu lançamento no início deste ano, levantando preocupações de que a China estaria mais à frente em IA do que se pensava anteriormente.

Depois que a administração Trump proibiu as vendas do H20 para a China em abril, a Nvidia disse que teve bilhões de dólares em encargos e perda de receita devido aos controles de exportação no primeiro trimestre e projetou um resultado semelhante no segundo trimestre.

Assim, mesmo que tenha que repassar 15% dessas vendas para a Casa Branca, retomar os envios do H20 para a China poderia significar bilhões de dólares a mais em receita para a Nvidia — que se tornou a primeira empresa de capital aberto a ultrapassar US$ 4 trilhões em valor de mercado no mês passado.

As ações da Nvidia subiram até 0,5% na segunda-feira (11).

Qual a importância desses chips?

Na segunda-feira (11), Trump chamou o chip H20 da Nvidia de “obsoleto”, dizendo que a China “já o possui em uma forma diferente.”

“Esses H20s ainda são estado da arte”, disse Kennedy do CSIS. Embora sejam menos avançados, em alguns aspectos, do que outros chips da Nvidia, “eles também vêm com elementos que os tornam extremamente sofisticados e valiosos”, incluindo suas capacidades de memória.

“Acho que sugestões de que eles são obsoletos subestimam o valor para o usuário”, disse ele.

A Nvidia provavelmente considerou que há demanda chinesa suficiente pelos chips para tornar a comissão de 15% para a Casa Branca uma compensação válida para seus negócios, segundo Kreps.

“Você tem que fazer um cálculo baseado no que foi perdido com os controles de exportação”, disse ela.

Trump aprovará chips mais avançados?

Na segunda, Trump deixou em aberto a possibilidade de a Nvidia exportar seus chips Blackwell de altíssimo desempenho por um preço mais alto.

A administração do republicano havia fechado as portas para a exportação dessa tecnologia para a China — mesmo após reverter o curso sobre o H20.

No entanto, Trump disse que consideraria permitir que a Nvidia vendesse o chip Blackwell.

“O Blackwell é superultraavançado. Eu não faria um acordo com isso, embora seja possível”, disse Trump. “Eu faria um acordo um pouco aprimorado de forma negativa. Blackwell, em outras palavras, tirar 30% a 50% dele, mas esse é o último e o melhor do mundo. Ninguém tem isso. Eles não terão por cinco anos.”

Trump disse que Huang voltará à Casa Branca no futuro para discutir a venda de uma versão “não aprimorada” do Blackwell.

“Acho que ele virá me ver novamente sobre isso, mas será uma versão não aprimorada do grande”, disse Trump. “Sabe, às vezes vendemos aviões de caça para um país e damos a eles 20% menos do que temos.”

O que a China quer?

Questionamentos de Pequim sobre a segurança dos chips de IA americanos também levantam incertezas sobre quão bem-sucedida a política de comissão de Trump poderia ser.

A China pode optar por não comprar os chips H20 da empresa americana Nvidia, disse no domingo (10) a conta de mídia social Yuyuan Tantian, que é afiliada à emissora estatal CCTV.

Ela alegou que os chips poderiam ter “backdoors” que afetam sua função e segurança, seguindo alegações similares anteriores da administração de cibersegurança da China.

A Nvidia tem negado repetidamente que seus produtos possuam backdoors.

No entanto, essa declaração pode ser menos uma indicação de que a China não comprará chips americanos e mais um sinal para as empresas de tecnologia chinesas continuarem inovando em semicondutores, mesmo se os envios dos EUA forem retomados, disse Kennedy.

O que isso significa para um acordo comercial mais amplo?

Para a administração Trump, a análise de custo-benefício indica que isso abre o fluxo de chips de médio porte para a China, ao mesmo tempo em que fornece à administração uma importante moeda de troca nas negociações comerciais em andamento, disse um funcionário dos EUA.

O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, classificou os controles de exportação da Nvidia como uma “moeda de negociação” nas discussões comerciais mais amplas entre EUA e China.

Mas a China está ciente disso, e seu posicionamento sobre supostas preocupações de segurança com o chip H20 neste fim de semana sugere que não será convencida tão facilmente — mesmo que deseje os chips para seu mercado.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Em meio às tarifas dos EUA, Lula conversa por telefone com Xi Jinping sobre ‘defesa do multilateralismo’

O governo informou que os dois países ‘concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo’. Segundo fontes do governo, a ligação, feita a pedido de Lula, também tratou das relações bilaterais entre os países e a conjuntura geopolítica internacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o líder chinês Xi Jinping nesta segunda-feira (11) em meio ao tarifaço dos Estados Unidos imposto pelo presidente americano Donald Trump. A realização da ligação foi confirmada pelo Planalto.

De acordo com fontes do governo, a conversa, feita a pedido de Lula, também tratou das relações bilaterais entre os países e a conjuntura geopolítica internacional.

Em nota, o governo informou que a ligação durou cerca de uma hora e que os dois países “concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo”. Quando o governo americano aumentou tarifas de importação de mercadorias brasileiras para 50%, o Planalto classificou a medida como unilateral.

“Os chefes de Estado também conversaram sobre a parceria estratégica bilateral. Nesse contexto, saudaram os avanços já alcançados no âmbito das sinergias entre os programas nacionais de desenvolvimento dos dois países e comprometeram-se a ampliar o escopo da cooperação para setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites”, afirmou o documento.

Segundo a mídia estatal chinesa, Xi disse a Lula que os dois países poderiam dar um exemplo de “autossuficiência”. Ele também declarou que “todos os países devem se unir e se opor firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo”, relatou a Xinhua.

Mais tarde, o presidente brasileiro foi às redes sociais para comentar a ligação.

“Reiterei a importância que a China terá para o sucesso da COP 30 e no combate à mudança do clima. O presidente Xi indicou que a China estará representada em Belém por delegação de alto nível e que vai trabalhar com o Brasil para o êxito da conferência”, diz a postagem.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre janeiro e julho deste ano as exportações para a China superaram os US$ 57,6 bilhões — cerca de R$ 313 bilhões. Já as importações somaram US$ 41,7 bilhões — cerca de R$ 227 bilhões.

Também nesta segunda, Lula afirmou que o Brasil precisa manter sua soberania e sonhar grande diante de um cenário internacional cada vez mais hostil. As declarações foram feitas durante a entrega de um prêmio da área de educação, no Palácio do Planalto.

“Este país está precisando de todos nós, porque o mundo está ficando mais perverso. O mundo está ficando mais nervoso, e nós precisamos de um país soberano, democrático, e que o povo brasileiro seja o único dono deste país”, disse Lula.

Medidas de reciprocidade

Assim que lançar o plano de ajuda econômica em resposta ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, o governo quer iniciar o debate sobre medidas de reciprocidade. A informação foi publicada pela jornalista Ana Flor, da GloboNews.

O tema é considerado polêmico porque empresários brasileiros temem que a aplicação da Lei de Reciprocidade possa encarecer produtos importados dos EUA ou gerar outros impactos negativos na economia. Além disso, integrantes de setores econômicos avaliam que o uso da lei poderia sinalizar uma saída da mesa de negociação para tentar reverter as tarifas impostas nos últimos meses.

Segundo fontes do governo, Lula pediu aos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Fazenda a análise de medidas pontuais de reciprocidade. A orientação, segundo integrantes dessas pastas, não é adotar ações amplas, mas medidas específicas.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA já impacta transporte rodoviário de cargas no Paraná

Segmentos da economia paranaense já estão sofrendo os efeitos das sobretaxas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde a última quarta-feira (6), segundo o Setcepar (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná). Já há suspensão de produção e adoção de férias coletivas em algumas empresas, de acordo com Silvio Kasnodzei, presidente do sindicato.

“Tivemos relatos de embarcadores que anteciparam seus envios para julho, tentando fugir da tarifação”, disse Kasnodzei. O sindicalista explicou que o tarifaço dos EUA afeta vários setores da economia do Paraná, especialmente o agronegócio, a indústria de base e o setor madeireiro, com forte dependência do comércio exterior.

Ainda não foram registrados cancelamentos de contratos, mas já há paralisação de frotas e ociosidade em alguns terminais logísticos. Ainda segundo o dirigente do Setcepar, verifica-se uma reação em cadeia que atinge portos, transportadoras e o próprio planejamento das empresas exportadoras. Há o temor de que o impacto nas exportações possa resultar em um quadro de desemprego em massa.

Mais barreiras
Empresas que exportam a outros países, além dos EUA, relatam preocupação de que outros destinos também venham a impor barreiras ao Brasil, segundo informou o presidente do Setcepar, devido a pressões geopolíticas. Kasnodzei acredita em uma saída pela via da negociação e diz que esse cenário não pode se manter por muito tempo. “Isso seria o caos, não só para o transporte, mas para toda a economia brasileira”, afirmou.

Fonte: Agência Infra

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Comércio Exterior

Tarifaço: duas cidades de SC estão entre as 20 mais atingidas pelas tarifas de Trump

A taxa adicional aplicada pelo presidente dos Estados Unidos de 50% aos produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (6) e afetou 906 municípios brasileiros

Jaraguá do Sul e Joinville estão entre as 20 cidades mais atingidas pelas tarifas de Donald Trump. A taxa adicional aplicada pelo presidente dos Estados Unidos de 50% aos produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (6) e afetou 906 municípios brasileiros.

As exportações de Santa Catarina de máquinas, equipamentos elétricos e mecânicos desses municípios somam quase R$ 474 milhões em vendas anuais para o mercado americano, agora sujeitas à nova taxação decretada por Trump.

Municípios mais atingidos pelas tarifas de Trump

A medida, decretada pelo presidente Donald Trump, atinge especialmente carne, café, máquinas, pescados e armas, poupando apenas setores como aeronaves, petróleo, celulose e suco de laranja. O levantamento é do Estadão, com base em dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Sudeste e Sul concentram maior impacto

As regiões Sudeste e Sul, líderes nas exportações para os EUA, concentram grande parte dos municípios afetados. Em São Paulo, Piracicaba, referência em máquinas e peças, lidera a lista.

Matão (SP) é forte em preparações de frutas; Guaxupé e Varginha (MG) exportam café; e cidades gaúchas e catarinenses têm fábricas de armas, equipamentos e materiais elétricos que perderão competitividade.

No Rio Grande do Sul, a sobretaxa afeta também as exportações de carnes e móveis, produtos com alta concorrência no mercado internacional. No Sul, Jaraguá do Sul (SC) e São Leopoldo (RS) se destacam entre os mais impactados.

Norte e Nordeste são mais vulneráveis

Segundo estudo do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste da FGV/IBRE, as regiões Norte e Nordeste tendem a sentir mais os efeitos econômicos e sociais do tarifaço. Isso porque suas exportações têm baixo valor agregado e forte peso no emprego local, como frutas, pescados, calçados e têxteis.

Estados como o Ceará, com forte dependência do mercado americano, estão entre os mais expostos. “As isenções beneficiaram proporcionalmente as regiões mais ricas do País e menos as regiões mais pobres”, afirma o pesquisador Flávio Atalibra Barreto.

Centro-Oeste sofre menos com a medida

O Centro-Oeste é a região menos afetada, por ter sua pauta de exportações centrada em commodities agropecuárias e minerais, com destino prioritário para China e Europa. Mesmo assim, há cidades da região que exportam carne e outros produtos que sofrerão com o aumento tarifário.

Produtos e municípios mais atingidos pelas tarifas de Trump

O levantamento do Estadão mapeou os 30 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2024. Entre os mais impactados estão:

Piracicaba – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 1.052.717,85

Matão – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor em MIL US$ 442.426,12

Guaxupé – MG

  • Produtos: café, chá, mate e especiarias
  • Valor: 410.456,63

Barcarena – PA

  • Produtos: produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos
  • Valor: 344.011,52

Varginha – MG

  • Produtos: café, chá, mate e especiarias
  • Valor: 290.403,23

Jaraguá do Sul – SC

  • Produtos: máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
  • Valor: 245.120,49

Colina – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor: 244.896,53

Pederneiras – SP

  • Produtos: veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios
  • Valor: 236.728,72

Joinville – SC

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 228.366,36

Serra – ES

  • Produtos: obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes
  • Valor: 215.801,36

Araraquara – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor: 206.007,26

Petrópolis – RJ

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 194.894,86

Campo Largo – PR

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 181.515,87

Lins – SP

  • Produtos: preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos
  • Valor: 179.662,9

Cachoeiro de Itapemirim – ES

  • Produtos: obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes
  • Valor: 178.644,73

São Luís – MA

  • Produtos: produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos
  • Valor: 155.593,59

Contagem – MG

  • Produtos: máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
  • Valor: 153.740,23

Ribeirão Pires – SP

  • Produtos: armas e munições; suas partes e acessórios
  • Valor: 153.369,0

Suzano – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 131.941,46

Campo Limpo Paulista – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 131.066,0

Apesar de algumas exceções, como aviões da Embraer e petróleo, a nova 2tarifa deve pressionar setores estratégicos, provocar perda de competitividade e abrir espaço para concorrentes internacionais.

Fonte: ND+

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Comércio Exterior

Países árabes querem comprar mais produtos do Brasil após tarifaço dos EUA

A pesquisa traz os volumes de importação desses itens pelos países árabes, os principais países árabes importadores dos itens e potenciais destinos substitutos na exportação

Países árabes querem comprar mais produtos do Brasil como alternativa ao tarifaço dos Estados Unidos. Um estudo realizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, antecipado com exclusividade ao Broadcast Agro (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), mapeou os produtos mais afetados pelo tarifaço de 50% que entrou ontem (6) em vigor sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado americano.

A pesquisa traz os volumes de importação desses itens pelos países árabes, os principais países árabes importadores dos itens e potenciais destinos substitutos na exportação. As oportunidades concentram-se sobretudo na comercialização de produtos do agronegócio brasileiro aos 22 países da Liga Árabe.

O diagnóstico do estudo apontou para 13 produtos entre os principais exportados pelo Brasil para os Estados Unidos dos últimos cinco anos, que poderiam ser exportados ou aumentar as vendas já existentes para o mercado árabe. Para cada produto, a Câmara Árabe sugere três países promissores para importação dos itens brasileiros.

Um dos produtos com potencial de ser mais exportado aos países árabes é o café verde. O Brasil exportou US$ 513,83 milhões em café não torrado para o mercado árabe em 2024, ante vendas de US$ 1,896 bilhão para os Estados Unidos. A câmara aponta potencial de expansão das vendas de café verde para Arábia Saudita, Kuwait e Argélia. No caso da Arábia Saudita, dos US$ 400 milhões importados em 2024 de café pelo país, apenas US$ 49 12 milhões foram provenientes do Brasil, havendo portanto espaço para crescimento da participação brasileira.

Já em carne bovina, Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são países que podem ampliar as compras da proteína brasileira. No caso do Egito, dos US$ 927,12 milhões importados de carne bovina pelo país em 2024, apenas US$ 273,07 milhões são da proteína brasileira. No último ano, o Brasil exportou US$ 1 211 bilhão de carne bovina para os países árabes ante US$ 885 milhões exportados aos Estados Unidos.

Em outra ponta, há produtos que são exportados pelo Brasil aos Estados Unidos mas ainda não vendidos aos países árabes e com potencial de pequena absorção, caso dos produtos semimanufaturados de ferro ou aço e madeira de coníferas. Bulldozers e angledozers e carregadoras e pás carregadoras são itens com importação elevada pelos países árabes, mas ainda com exportação incipiente do Brasil, ou seja, com espaço para crescimento das vendas brasileiras ao mercado árabe.

No caso do café não torrado, por exemplo, ele pode chegar aos países árabes com tarifa zerada, enquanto os Estados Unidos cobrarão 50% sobre o produto brasileiro. Na carne bovina congelada, as alíquotas árabes variam de zero a 6%, ante os 50% do mercado norte-americano. O açúcar chega no mercado árabe com tarifa de zero a 20% ante 50% cobrados pelos EUA. Produtos semimanufaturados de ferro e aço estão sujeitos à alíquota de 50% dos Estados Unidos, enquanto no mercado árabe a taxa varia de zero a 12%. Petróleo refinado, que está entre os principais produtos exportados do Brasil aos EUA, tem tarifa de 50% para entrar no mercado americano em comparação com 5% de cobrança nos países da Liga Árabe, aponta o estudo.

São dois objetivos, segundo a câmara: mitigar os impactos da nova tarifa dos Estados Unidos (sobretaxa de 40% em adicional à alíquota de 10% em vigor desde 5 de abril) e ampliar a parceria comercial do Brasil com os países árabes. Para chegar nos resultados, a câmara cruzou os 20 principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, os principais destinos consumidores destes itens no mercado árabe e análise tarifária, considerando apenas os produtos que ficaram sujeitos à alíquota cheia de 50% e não foram excetuados.

Há demanda crescente dos países árabes pelos produtos brasileiros com redução tarifária, com alíquotas que variam de zero a 30%, avalia a Câmara Árabe. Esses fatores somados à escalada tarifária dos Estados Unidos podem ser vistos como oportunidades para redirecionar e ampliar os fluxos comerciais das exportações brasileiras, observa a câmara. “Os países árabes têm crescimento populacional e econômico acima da média mundial, tem população jovem e o Brasil é um importante provedor para a segurança alimentar de lá”, observa Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara. Para ele, o mercado árabe deve, portanto, estar nas prioridades das empresas e do governo nas estratégias de redirecionamento dos produtos que deixarão de ser exportados aos Estados Unidos.

Não há uma estimativa de quanto que poderia ser redirecionado aos países árabes, mas parte pode ser absorvida pelo mercado árabe ainda este ano, projeta Mourad. “O estudo aponta para crescer paulatinamente o comércio, mas em alguns produtos pode haver demanda imediata. Carne bovina e café são produtos com potencial de rápida colocação nos países árabes, podendo colher resultados rápidos, embora 100% do que seria exportados aos Estados Unidos seja absorvido”, explicou. Para isso, o setor produtivo e as empresas terão que ser proativos, avalia.

Histórico

Em 2024, o Brasil exportou o recorde de US$ 23,68 bilhões para os países árabes, com superávit para o lado brasileiro de US$ 13 50 bilhões. Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita lideram as importações de produtos nacionais. Para este ano, a expectativa é de estabilidade a leve crescimento nas vendas externas do Brasil à Liga Árabe.

Produtos do agronegócio predominam na pauta brasileira de exportação ao bloco, respondendo por 76% dos embarques no último ano. Os itens mais vendidos ao mercado árabe são açúcar, frango, minério de ferro, milho e outros cereais e carne bovina. O Brasil é o principal fornecedor de gado, carne suína, carne de frango, milho, soja em grãos, amendoim, gordura de bovino, ceras vegetais, açúcar, suco de laranja congelado, tabaco brut, minério de ferro, minério de alumínio, celulose, ferro gusa bruto (usado para produção de aço) e resíduos de estanho (usado para fabricação de ligas metálicas) para o mercado árabe, mostra o estudo.

A câmara ressalta que há complementaridade na pauta comercial do Brasil com países árabes, além de alíquotas menores em uma gama de produtos. O País importa sobretudo do mercado árabe petróleo e fertilizantes e exporta commodities agrícolas e alimentos. “É preciso levar a ideia do Brasil como um fornecedor confiável, com menor custo benefício ao importador com preço competitivo e qualidade. O tema da segurança alimentar é muito sensível aos países árabes”, lembrou Mourad. Ele afirma que o custo do frete, apesar da logística dificultada, não é um impeditivo para as compras.

Além das questões de negócios, a câmara reforçará com o governo a identificação dos países árabes com o Brasil e a relação histórica de mais de um século entre os mercados. “Não tenho duvidas de que país a país vai escolher mais pelo Brasil não somente em alimentos, mas nos mais diversos produtos”, pontuou o secretário-geral da câmara.

Entre os países que carecem de “atenção especial” do setor privado brasileiro para expansão do fluxo comercial, a Câmara Árabe cita Egito, Argélia, Iraque e Líbia. “O Egito, pelo fato de ter acordo comercial vigente com o Mercosul, continua sendo um parceiro muito importante e o acordo facilita as exportações” observa Mourad. “Líbia e Iraque, por sua vez, gozam de certa estabilidade e têm economias ligadas à exploração do petróleo, o que mostra liquidez e apetite para comprar. Já a Argélia é um país com mais de 40 milhões de habitantes, exporta petróleo, importante consumidor de bens, porém com altas tarifas para importação que precisam ser negociadas”, observou o secretário-geral da Câmara.

Plano de trabalho

A Câmara Árabe sugere ainda ao governo brasileiro um escopo de ações para fomentar a exportação brasileira aos países árabes. As ações são divididas em três frentes: sensibilização, diversificação de comércio e facilitação.

O plano prevê ações coordenadas entre a Câmara Árabe, empresas brasileiras e o governo brasileiro para maximizar o redirecionamento de fluxos comerciais e explorar searas de crescimento. As principais áreas incluem a promoção comercial de produtos com alta atratividade tarifária e demanda no mercado árabe, o apoio à adaptação de empresas brasileiras às exigências locais (como a certificação halal) e o fortalecimento de acordos comerciais e diplomáticos. Medidas como a facilitação de vistos de negócios para empresários brasileiros e árabes para países como Arábia Saudita, Argélia, Catar e Kuwait; organização de missões comerciais e atração de investimento aos países árabes e islâmicos são ações práticas sugeridas.

A Câmara Árabe ressalta a necessidade ainda de o Mercosul fechar acordos de livre comércio com países árabes. Há negociações em andamento com Tunísia, Marrocos, Jordânia, Líbano e com o próprio Conselho de Cooperação do Golfo. Como exemplo, a câmara cita o acordo comercial entre Egito e Mercosul, firmado em 2010. “Desde lá, as exportações brasileiras ao Egito quase dobraram”, apontou Mourad. Hoje as tratativas mais avançadas são com os Emirados Árabes Unidos.

Na avaliação de Mourad, tanto os países árabes quanto o Brasil têm de aproveitar também o bom momento das relações entre o governo brasileiro e o mercado árabe. “O governo sabe trabalhar muito bem essa região, enxerga o peso econômico e o potencial de consumo e respeita a importância do mundo árabe”, pontuou.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Plano de contingência contra tarifaço deve ser anunciado até terça (12)

Alckmin teria agenda nesta segunda em São Paulo, mas cancelou para reunião com Lula em Brasília em que deve tratar de últimos detalhes das medidas

Concentrado nos esforços para tirar do papel o pacote de medidas de socorro para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, cancelou agendas que teria em São Paulo nesta segunda-feira (11) para um “compromisso inadiável” em Brasília.

Alckmin terá uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro está marcado às 17h. Mas, os ministros terão uma prévia com a Casa Civil. Têm participado dos encontros: Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

A expectativa é que o plano de contingência seja anunciado até terça-feira (12), seis dias após as tarifas impostas aos produtos brasileiros terem entrado em vigor.

Na capital paulista, Alckmin participaria de um congresso do agronegócio pela manhã e do lançamento de um programa de qualificação para exportações à tarde. Ele já estava em São Paulo.

De acordo com membros da equipe econômica do governo, o plano a ser apresentado foi construído “sob medida”, com diferentes ações para múltiplos setores e perfis de empresas. O pacote contará com medidas de mitigação de “curto, médio e longo prazo”, de acordo com estes governistas.

Devem fazer parte do plano linhas de crédito para setores impactados e a expansão de compras governamentais, permitindo que órgãos públicos absorvam mercadoria que deixará de ser exportada. Segundo cálculos do governo, as tarifas de 50% afetarão cerca de um terço das empresas que vendem aos EUA.

Entre as 694 isenções da tarifa, estão alguns dos itens mais importantes da pauta de exportações brasileira para os Estados Unidos, como o suco de laranja, celulose e os aviões da Embraer. Mas outros produtos importantes, como café e carne, seguem tarifados.

Fonte: CNN Brasil

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Economia

TARIFAÇO: Supermercados projetam queda de US$ 40,4 bilhões na economia do Brasil

O Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento (FCNA), que reúne associações ligadas às redes de supermercados, enviou um relatório ao governo federal para alertar sobre os impactos do tarifaço dos Estados Unidos na economia e no consumo, a partir do cenário atual de sobretaxas de 50% sobre o Brasil.

Segundo o estudo enviado pelo grupo, se não houver mudanças no médio prazo, a economia brasileira pode perder US$ 40,4 bilhões em 12 meses, o que significaria uma redução de 1,8 ponto percentual no PIB. De acordo com o relatório, essa situação derrubaria o crescimento esperado para 2025, de 3,2%, para 1,3%.

Associações ligadas a redes de supermercados apresentam lista de medidas ao governo

O estudo aponta que o setor mais exposto neste momento é a indústria de transformação, que pode ter retração de até 5,6 pontos percentuais no cenário mais grave, enquanto a agropecuária e a indústria extrativa sofreriam menos por terem maior capacidade de redirecionar commodities para outros mercados.

O documento também traça cenário de impactos negativos sobre a arrecadação federal, com perdas de até 2% no curto prazo, além de pressão sobre o emprego.

Sem medidas de fomento ao mercado interno, projeta-se uma redução de 179 mil postos de trabalho no curtíssimo prazo (até seis meses após a entrada em vigor da tarifa), até 287 mil postos no médio prazo (18 a 36 meses).

“O FCNA manifesta sua profunda preocupação com os impactos econômicos e sociais potenciais, em especial sobre setores que lideram as exportações brasileiras de alimentos, bebidas e insumos industriais, como café, carnes, frutas e derivados agroindustriais”, afirma o documento, que foi enviado na quinta-feira (8) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de oito ministros.

Para enfrentar o choque, o Fórum das associações propõe um conjunto de medidas para fortalecer o mercado interno. Entre elas, menciona a necessidade de antecipar a vigência da cesta básica nacional de alimentos com isenção tributária total.

O setor pede, ainda, “aceleração da redução da taxa Selic e ampliação do crédito produtivo”, além de “desoneração e simplificação das contratações formais, com foco nas pequenas e médias empresas”.

As demandas também incluem a criação de um programa emergencial de apoio aos setores mais impactados, com refinanciamento de passivos e compra pública de excedentes de produção, além de “medidas fiscais estruturantes, com foco no equilíbrio orçamentário”.

Segundo o Fórum, se as ações forem adotadas de forma coordenada, será possível neutralizar grande parte dos efeitos recessivos e de perda de empregos provocados pelo tarifaço.

Apesar do cenário traçado pelo setor, a imposição de tarifa de 50% feita por Donald Trump não causou uma mudança significativa nas expectativas dos economistas ouvidos pelo Banco Central para os principais índices da economia nacional.

O boletim Focus da segunda-feira (4) apresentou uma queda na previsão para a inflação e manteve a perspectiva para o PIB (Produto Interno Bruto), o dólar e a taxa de juros deste ano.

A expectativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) caiu pela décima semana seguida, indo de 5,09% para 5,07%. Os analistas também reduziram o IPCA de 2026 para 4,43%, uma diminuição de 0,01 ponto percentual em relação à semana passada. Já a expectativa para 2027 e 2028 segue em 4% e 3,8%, respectivamente.

Com isso, o mercado manteve a expectativa que a inflação fique no limite da meta no próximo ano. O objetivo é alcançar uma alta de preços anual de 3%, com variação de 1,5% para cima ou para baixo.

Além da inflação, o outro índice que teve alteração na comparação com o último boletim foi o PIB, que teve uma redução em 2026 (de 1,89% para 1,88%) e 2027 (de 2% para 1,95%). Neste ano, a perspectiva é que o crescimento econômico seja de 2,23%, patamar mantido pela quarta semana consecutiva.

O documento é endossado por 15 instituições:

Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Abad (Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores), Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes), Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas), ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), Abralog (Associação Brasileira de Logística), Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Abre (Associação Brasileira de Embalagem), Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários), ANR (Associação Nacional de Restaurantes) e CropLife Brasil (Associação de Pesquisa e Desenvolvimento de Soluções para a Produção Agrícola Sustentável).

Fonte: Blog do BG

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Exportação

Mercados reagem a dados chineses e Fed; tarifas pressionam exportações brasileiras

As principais bolsas da Ásia e da Europa registraram alta, desafiando o ambiente de incerteza provocado pela nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos. O índice de Xangai atingiu seu maior patamar desde 2021, impulsionado por números de importação e exportação da China em julho que superaram as expectativas dos analistas. O bom desempenho dos dados chineses renovou o apetite por risco dos investidores e compensou, em parte, as preocupações comerciais globais.

Segundo fontes do Departamento de Comércio dos EUA, oito dos principais parceiros comerciais do país – responsáveis por cerca de 40% dos fluxos comerciais americanos – firmaram acordos para limitar as tarifas a 15% ou menos. No entanto, países como Brasil, Índia, Suíça e Canadá enfrentam agora tarifas significativamente mais elevadas, entre 35% e 50%, o que deve impactar diretamente setores exportadores estratégicos, como o de alimentos e commodities agrícolas.

Apesar da tensão tarifária, Taiwan e Coreia do Sul comemoraram isenções totais sobre as taxas de importação de semicondutores, um alívio importante para cadeias produtivas de alta tecnologia.

Outro fator que ajudou a sustentar o otimismo dos mercados foi a sinalização de que o Federal Reserve pode iniciar uma nova rodada de cortes de juros ainda este ano. Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, e Mary Daly, do Fed de São Francisco, indicaram que a instituição ainda vê espaço para flexibilizar a política monetária nos próximos meses, diante de dados econômicos que sugerem desaceleração da atividade.

Em meio às especulações, o presidente Donald Trump afirmou que deve indicar nos próximos dias uma substituta temporária para o lugar de Adriana Kugler no conselho do Fed. Também circulam os nomes cotados para substituir Jerome Powell na presidência do banco central em 2026, com destaque para Kevin Warsh, ex-governador do Fed, e Kevin Hassett, conselheiro da Casa Branca.

Mercado de cacau mantém viés altista

No mercado de cacau, o contrato com vencimento em dezembro registrou nova valorização, encerrando o dia em US$ 7.837 por tonelada, com alta de US$ 87. Durante o pregão, oscilou entre US$ 7.657 e US$ 7.849, com um volume expressivo de 30.048 contratos negociados. O interesse em aberto subiu levemente, alcançando 96.534 contratos, sinalizando continuidade da pressão compradora.

Os estoques certificados nos portos dos EUA, monitorados pela ICE, apresentaram mais uma queda – desta vez de 8.333 sacas – totalizando 2.298.448 sacas, reforçando a percepção de aperto na oferta física da amêndoa nos mercados de entrega.

O contrato futuro de Real x Dólar com vencimento em 30 de agosto está estável, cotado a R$ 5,50, refletindo um momento de compasso de espera antes da divulgação de indicadores econômicos importantes nos EUA nesta quinta-feira.

Fonte: mercadodocacau

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