Internacional

EUA perdem vendas de soja para China, enquanto Brasil ocupa abastecimento

Os exportadores de soja dos Estados Unidos correm o risco de perder bilhões de dólares em vendas para a China este ano, à medida que as negociações comerciais se arrastam e os compradores do principal importador de oleaginosas fecham cargas do Brasil para embarque durante a principal temporada de comercialização dos EUA, de acordo com traders.

Importadores chineses terminaram de reservar as cargas de soja para setembro, levando cerca de 8 milhões de toneladas, todas da América do Sul, disseram três traders à Reuters. Para outubro, compradores chineses garantiram cerca de 4 milhões de toneladas — metade de sua necessidade esperada — também da América do Sul, disseram os traders.    

“As fortes compras de soja da China no terceiro trimestre sugerem que o setor acumulou estoques antes dos possíveis riscos de fornecimento no quarto trimestre”, disse Wang Wenshen, analista da Sublime China Information. No ano passado, os importadores chineses de sementes oleaginosas compraram cerca de 7 milhões de toneladas dos EUA para embarques durante os dois meses. O risco de uma ausência prolongada de compras chinesas para o ano-safra dos EUA a partir de setembro, em meio a tensões comerciais não resolvidas, poderia aumentar a pressão sobre os futuros de Chicago, negociados próximos das mínimas de cinco anos, disseram os traders.

Normalmente, a maioria das compras chinesas de soja dos EUA é enviada entre setembro e janeiro, antes que os suprimentos brasileiros assumam o controle após a colheita da América do Sul. A expectativa é de que os compradores chineses concluam as reservas de outubro deste ano até o início do próximo mês, disse um trader de uma empresa internacional em Cingapura.

A China vem reduzindo sua dependência dos produtos agrícolas dos EUA desde a guerra comercial durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. No ano passado, a China importou cerca de 105 milhões de toneladas de soja. Desse total, 22,13 milhões de toneladas vieram dos EUA, no valor de US$ 12 bilhões. 

Tensões comerciais prejudicam as perspectivas

No domingo (10), Trump pediu à China que quadruplicasse suas compras de soja antes do prazo final da trégua tarifária, uma meta que analistas disseram ser inviável, pois exigiria que a China comprasse quase exclusivamente dos EUA. No dia seguinte, os dois lados estenderam a trégua tarifária por 90 dias. No entanto, três traders disseram à Reuters que a prorrogação, por si só, não deve estimular as compras, já que a tarifa de Pequim sobre as importações de soja dos EUA permanece em 23% — tornando-as não competitivas.

A China poderia voltar a comprar soja dos EUA se chegasse a um acordo para reduzir as tarifas. “Um cenário possível é que, se ambos os lados chegarem a um acordo em novembro, a China poderá voltar a comprar soja dos EUA, potencialmente estendendo a janela de exportação dos EUA e pressionando as vendas de novas safras do Brasil”, disse Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, sediada em Pequim.

Excluindo as tarifas, a soja dos EUA para embarque em outubro está cerca de US$ 40 por tonelada mais barata do que as cargas brasileiras que estão sendo compradas pela China, segundo dois traders. A China tem soja em abundância após intensificar as importações, com as compras atingindo níveis recordes nos últimos meses. 

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Especialista: China não tem interesse de voltar a depender da soja dos EUA

Quando conversa com seus interlocutores na China, Larissa Wachholz ouve que não há interesse por parte dos chineses de voltar a depender da soja dos Estados Unidos como foi no passado.

Até a primeira passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os norte-americanos se destacavam como fornecedores da oleaginosa ao país asiático. Desde a primeira guerra comercial deflagrada pelo republicano, a balança virou de ponta cabeça: hoje, os EUA fornecem cerca de 20% da soja consumida pelos chineses; o Brasil, 70%.

Especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e sócia da Vallya Participações, Wachholz relatou ao WW desta segunda-feira (11) que os chineses têm para eles que a diversificação de mercado foi fruto de um esforço e que, por tanto, o país “não teria interesse em caminhar para uma nova dependência”. Wachholz também foi assessora especial do Ministério da Agricultura para assuntos relativos à China.

Ela ressalta que na relação entre os EUA e a China houve uma quebra de confiança em relação a um “produtos tão essencial como a soja” para os chineses. Em meio a negociações que caminham vagarosamente, Washington e Pequim, até o momento, não estabeleceram nenhuma garantia de que as tarifas aplicadas um contra o outro não vão voltar a subir.

Mais cedo, Trump se manifestou sobre a relação comercial, e exigiu que os chineses quadrupliquem as compras de soja norte-americana. O movimento veio pouco antes de o republicano estender, por mais 90 dias, a pausa tarifária à China. Questionada se os dois movimentos estão interligados, Wachholz pondera que ainda não há como saber ao certo e que “tudo indica que não tenha sido”. Porém, a especialista em negócios com a China não descarta que a soja esteja sendo utilizada pela Casa Branca como ferramenta política nas tratativas com os chineses.  

Ao perder espaço no mercado chinês, o produtor norte-americano se viu em uma situação delicada, agricultores estes que estão baseados em estados tradicionalmente republicanos. “O presidente Trump tem dito repetidas vezes que as tarifas são resposta a um déficit comercial, que é difícil de resolver, os volumes são muitos grandes. Mas os Estados Unidos têm condições de exportar produtos agrícolas e a China é uma grande demandante”, observa Wachholz. “Esse é um tipo de produto que de fato tem na China um mercado consumidor e poderia ser usado de forma política para um acordo. E as duas maiores economias do mundo precisam chegar a um acordo para várias cadeias produtivas.”

Se adotada a demanda, prejudicano na história seria o Brasil: os EUA virariam o maior fornecedor à China, apesar de a soja brasileira ser mais competitiva por conta de preço, escala de produção e qualidade. Porém, Wachholz ressalta que nem a dependência da China da soja brasileira é de interesse dos chineses, destacando políticas públicas que o governo de Xi Jinping tem promovido para reduzir as compras do grão.

“Em uma viagem à China, em junho, ouvi de uma autoridade brasileira que, quando se encontrou com o presidente da Universidade de Agricultura da China, ouviu que a missão a ele dada por Xi Jinping foi de reduzir as compras da China de soja brasileira. Também tem preocupação do lado deles de ter muitos ovos da mesma cesta de fornecimento.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional

Importações chinesas de soja do Brasil crescem 9% em junho

Crescimento nas importações de soja do Brasil e dos EUA reflete impacto da guerra comercial e da safra 2024/25

As importações chinesas de soja do Brasil subiram 9,2% em junho em relação ao ano anterior, mostraram dados da alfândega neste domingo (20), impulsionadas por uma forte colheita e pela guerra comercial sino-americana em curso, enquanto os suprimentos dos Estados Unidos aumentaram 21%.

O maior comprador mundial de soja importou 10,62 milhões de toneladas métricas da oleaginosa do Brasil no mês passado, o que representa 86,6% do total das importações, em comparação com 9,72 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

As importações provenientes dos EUA em junho atingiram 1,58 milhão de toneladas, cerca de 12,9% do total do mês, acima das 1,31 milhão de toneladas registradas no ano anterior.

As importações totais de soja da China alcançaram o nível mais alto de todos os tempos para o mês de junho, com 12,26 milhões de toneladas métricas.

“O aumento anual nas importações de junho reflete principalmente uma defasagem em relação a abril, causada pela lentidão no desembaraço aduaneiro, enquanto o crescimento acumulado de janeiro a junho é impulsionado pela grande safra de soja 2024/25 do Brasil”, disse Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures.

De janeiro a junho, as importações chinesas de soja do Brasil totalizaram 31,86 milhões de toneladas, uma queda de 7,5% em comparação com o mesmo período do ano passado.

O total de importações provenientes dos EUA no primeiro semestre foi de 16,15 milhões de toneladas, um aumento de 33% em relação ao ano anterior, segundo os dados.

É provável que as importações de soja pela China permaneçam elevadas no terceiro trimestre, enquanto as do quarto trimestre dependerão do resultado das negociações comerciais entre os EUA e a China, disseram operadores e analistas.

Fonte: InfoMoney

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Sem Categoria

Moratória da soja é criticada em fórum internacional como ameaça à segurança alimentar

Em Portugal, governador Mauro Mendes e presidente da Aprosoja MT alertam que segurança alimentar é uma forma de garantir a paz mundial

A moratória da soja — política adotada por grandes tradings que impede a compra do grão produzido em áreas da Amazônia desmatadas após 2008, mesmo que legalmente — foi apontada como uma ameaça direta à segurança alimentar global durante o XIII Fórum de Lisboa, realizado nesta quarta-feira (2), em Portugal.

O XIII Fórum de Lisboa trouxe como tema central neste ano “O Mundo em Transformação – Direito, Democracia e Sustentabilidade na Era Inteligente”.

Durante o painel “Agronegócio e Segurança Alimentar Global: Desafios para a Cooperação”, representantes de Mato Grosso da esfera produtiva e política alertaram para os impactos econômicos e sociais da moratória da soja.

De acordo com dados apresentados pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), a medida já afeta mais de 2,7 milhões de hectares no estado, abrangendo 85 municípios e retirando mais de R$ 20 bilhões da economia regional.

Além das perdas econômicas, a moratória da soja foi criticada por desconsiderar o Código Florestal Brasileiro, que é considerado um dos mais rigorosos do mundo, e por aprofundar desigualdades regionais.

“A moratória causa desigualdades sociais regionais. E quem veio para controlar o desmatamento ilegal foi o Código Florestal. O produtor tem consciência de que, se desrespeitar a lei, tem áreas embargadas, não produz, não acessa crédito”, disse o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber.

O presidente da Aprosoja MT ressaltou ainda que a entidade está atuando firmemente no campo jurídico contra essa medida.

“Estamos atuando tanto na ação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) quanto na Justiça. Já pedimos R$ 1,1 bilhão de indenização por danos morais, e vamos pedir o ressarcimento por danos materiais causados em mais de 20 anos de prejuízos”.

Brasil na segurança alimentar global

Também foram apresentados dados sobre o avanço sustentável do agronegócio em Mato Grosso. A área plantada de soja passou de 9,6 milhões para 13 milhões de hectares entre 2019 e 2024, e a produção de milho saltou de 4,5 para 7,2 milhões de hectares. Neste ano, a previsão é de uma safra recorde de mais de 100 milhões de toneladas somando os dois grãos. A expectativa é alcançar 80 milhões de toneladas de milho e 54 milhões de soja em até dez anos.

“Alimentamos mais de um bilhão de pessoas no mundo. A moratória da soja é um inimigo direto da segurança alimentar. Essas empresas, que representam 94% do mercado comprador, poderiam criar protocolos de segregação logística e rastreabilidade, em vez de restringirem a produção dos nossos agricultores”, salientou o presidente da Aprosoja MT.

Ainda durante o painel, foi destacado que o Brasil, especialmente Mato Grosso, é um dos poucos países com potencial de dobrar sua produção sem abrir mão da preservação ambiental — hoje, mais de 60% do território de Mato Grosso permanece preservado.

“Mato Grosso é o maior produtor do Brasil e faz isso preservando 60% do seu território. Produzir alimentos, garantir esta tranquilidade na segurança alimentar é uma forma de garantir a própria paz do planeta”, frisou o governador do estado Mauro Mendes.

O cenário, no entanto, esbarra em entraves burocráticos e legais. Como exemplo, foi citado por Mauro Mendes o caso da mina de Autazes no Amazonas, que poderia suprir 50% da demanda de fertilizantes de Mato Grosso, mas ficou 15 anos esperando uma licença ambiental.

“Isso não é sério. Nenhum país do mundo trata desta forma uma atividade econômica tão importante como é o agronegócio, tendo a oportunidade de diminuir uma das suas principais vulnerabilidades e demorar 15 anos para fazer um licenciamento ambiental. Não dá para sermos um país de primeiro mundo enquanto o Poder Público, as leis que nós temos, os marcos legais, permitirem que coisas tão importantes sejam tratadas com tamanha irrelevância”, completou Mauro Mendes.

Fonte: Canal Rural Mato Grosso

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Agricultura, Exportação

Exportações brasileiras de soja em grão devem atingir quase 15 milhões de toneladas em junho, aponta Anec

Segundo relatório semanal divulgado nesta terça-feira (24) pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil deve exportar 14,986 milhões de toneladas de soja em grão em junho. O volume representa um aumento em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 13,829 milhões de toneladas.

Farelo de soja tem leve queda nas exportações
As exportações de farelo de soja, por sua vez, devem somar 1,923 milhão de toneladas neste mês. O número é inferior ao registrado em junho de 2024, quando o país embarcou 2,047 milhões de toneladas do produto.

Milho também apresenta recuo nos embarques
Já as exportações de milho estão projetadas em 828,959 mil toneladas para junho, volume abaixo das 982,812 mil toneladas embarcadas no mesmo mês do ano passado.

Panorama geral
Os dados divulgados pela Anec indicam que, apesar do crescimento expressivo nos embarques de soja em grão, os volumes de farelo e milho seguem abaixo dos patamares registrados no ano anterior para o mesmo período.

Fonte: MinutoMT

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Exportação

Operações investigam irregularidades em cargas de soja e farelo para exportação

Ações contaram com apoio técnico do Mapa e resultaram em mandados de busca, apreensões e uma prisão em flagrante em seis municípios.

Operações coordenadas pela Polícia Federal, com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), investigam possíveis fraudes na comercialização de soja e farelo de soja destinados à exportação.

As ações, realizadas nesta terça-feira (17), visam coibir adulterações nos produtos, com foco em cargas que sairiam do país por meio do Porto de Paranaguá e outros pontos estratégicos.

Cargas de soja e farelo

As operações contaram com o apoio técnico do Programa Vigifronteiras e do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (SIPOV/PR). Equipes do ministério atuaram em ações de fiscalização e apoio a diligências, com foco no cumprimento de mandados de busca e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos.

Foram executadas 15 ordens judiciais nos municípios de Cuiabá (MT), Toledo (PR), São José dos Pinhais (PR), Paranaguá (PR), Pontal do Paraná (PR) e Morretes (PR). Uma prisão em flagrante foi registrada durante a operação.

A atuação do Mapa se insere em um conjunto mais amplo de medidas contra irregularidades no setor. Em abril, 6,8 milhões de quilos de soja e farelo foram apreendidos por suspeita de adulteração.

Já em junho, uma nova fiscalização conjunta no Porto de Paranaguá localizou 39,2 mil quilos de farelo de soja contaminado com areia, serragem e mofo.

As ações reforçam o compromisso do governo federal com a integridade dos produtos agropecuários destinados à exportação, buscando garantir a segurança alimentar, a sanidade vegetal e a credibilidade do Brasil no comércio internacional.

As investigações seguem com análise do material apreendido, e novas medidas poderão ser adotadas com base nos desdobramentos.

Fonte: Agro 2

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Agricultura, Comércio

Fundos elevam apostas na alta dos preços de soja na semana até 17 de junho

Fundos de investimento aumentaram suas apostas na alta dos preços de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) na semana encerrada em 17 de junho.

De acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), a posição líquida comprada desses participantes cresceu 77,6%, de 35.071 para 62.289 lotes.

No período, fundos elevaram suas apostas na queda dos preços de milho. A posição líquida vendida aumentou 12,6%, de 150.143 para 169.072 lotes.

Já o saldo vendido em trigo diminuiu 15,3% na semana até 17 de junho, de 87.669 para 74.256 lotes.

Fonte: Compre Rural

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Comércio Exterior, Importação, Mercado Internacional

A grande mudança na alimentação da China para reduzir importações de soja pressiona pequenos agricultores

A iniciativa da China de reduzir o uso de farelo de soja na alimentação animal para diminuir a dependência de importações é viável, mas será cara e tecnicamente desafiadora para os pequenos agricultores, que respondem por um terço da produção de carne suína do país, segundo especialistas do setor.

Em abril, a China anunciou um plano para reduzir o teor de farelo de soja nas rações animais para 10% até 2030, abaixo dos 13% registrados em 2023, à medida que a guerra comercial contínua com os EUA aumenta a urgência de Pequim em reforçar a segurança alimentar. Em 2017, o farelo de soja representava 17,9% da alimentação animal na China, segundo o Ministério da Agricultura do país.

Se for bem-sucedida, a China poderá reduzir as importações anuais de soja em cerca de 10 milhões de toneladas métricas — o equivalente à metade dos US$ 12 bilhões em compras de soja dos EUA realizadas pelo país em 2024 — segundo cálculos da Reuters e estimativas de dois analistas, o que deve diminuir a demanda dos agricultores nos EUA e do principal fornecedor, o Brasil.

Embora os principais criadores de suínos da China já tenham reduzido o uso de farelo de soja e possam fazer cortes adicionais utilizando fontes alternativas de proteína, os pequenos produtores provavelmente enfrentarão dificuldades devido a restrições de custo e maior sensibilidade a impactos no crescimento dos animais, afirmaram agricultores, nutricionistas e analistas.

A China abriga metade dos porcos do mundo.

“Existe uma preferência habitual significativa entre os pequenos produtores por formulações tradicionais à base de farelo de soja, em grande parte devido à familiaridade, confiança e percepção de confiabilidade”, disse Matthew Nicol, analista sênior da empresa de pesquisa China Policy.

“As grandes empresas vão se adaptar rapidamente, enquanto os pequenos produtores podem ficar para trás ou até enfrentar retrocessos”, afirmou ele.

Na China, os grãos de soja são processados para produzir óleo de cozinha e farelo — um ingrediente relativamente barato e rico em proteínas, usado para engordar porcos, aves e bovinos. O farelo de soja é valorizado na alimentação animal por seu perfil ideal de aminoácidos e pela compatibilidade com grãos ricos em energia, como milho e trigo.

A China, de longe o maior importador mundial de soja, reduziu sua dependência dos suprimentos dos EUA desde o início da guerra comercial durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. Atualmente, a China compra cerca de 20% da sua soja dos EUA, uma queda em relação aos 41% registrados em 2016, mas ainda representa quase metade das exportações americanas da oleaginosa.

REDUÇÕES NO USO DE FARELO DE SOJA

Atualmente, o uso de farelo de soja na China já é menor do que em algumas outras regiões.

As rações para suínos nos Estados Unidos contêm, em média, entre 15% e 25% de farelo de soja, estimam especialistas, já que fontes alternativas de proteína — como o subproduto da produção de etanol de milho (distillers grain) e aminoácidos sintéticos — têm substituído o farelo de soja em certos períodos, segundo Hans Stein, nutricionista de suínos da Universidade de Illinois.

No Sudeste Asiático, a inclusão média é de cerca de 25% para aves e 20% para suínos, afirmou Basilisa Reas, diretora técnica regional com sede em Manila do U.S. Soybean Export Council.

Em comparação, a maior produtora de suínos da China, a Muyuan Foods (002714.SZ), reduziu o uso de farelo de soja para 5,7% da composição da ração em 2023, ante 7,3% em 2022. Já a Wens Foodstuff (300498.SZ) relatou uma média de 7,4% de inclusão de farelo de soja em sua ração composta em 2021, de acordo com comunicados da empresa e documentos do governo.

NO ENTANTO, PEQUENOS PRODUTORES ENFRENTAM DIFICULDADES

Pequenos produtores chineses, que criam 32% dos porcos, 63% do gado de corte e 12% dos frangos de corte do país, geralmente não têm capital, conhecimento técnico ou acesso a ferramentas de formulação de ração de precisão para reduzir o uso de farelo de soja, segundo analistas e nutricionistas.

Dados da plataforma de criação de suínos Zhue.com.cn mostram que fazendas familiares chinesas normalmente utilizam entre 15% e 20% de farelo de soja nas rações.

Um criador veterano, de sobrenome Wang, que cria de 200 a 300 porcos na província de Shanxi, no norte da China, utiliza 18% de farelo de soja na alimentação das porcas matrizes e acredita que uma dieta com menos farelo de soja desaceleraria o ganho de peso e prolongaria o ciclo de produção.

“Com dietas ricas em farelo de soja, posso alimentar menos,” disse ele. “Com rações com pouco farelo, preciso alimentar mais — ou os porcos ficam muito magros.”

ALTERNATIVAS CARAS E AINDA EM DESENVOLVIMENTO

As substituições do farelo de soja geralmente envolvem uma mistura de fontes alternativas de proteína, como farelo de colza, farelo de palmiste, farelo de arroz, farinha de peixe, além de suplementos de aminoácidos sintéticos, segundo Basilisa Reas.

No anúncio de abril, o Ministério da Agricultura da China incentivou o uso de alternativas como aminoácidos sintéticos, palha fermentada, milho de alto teor proteico e proteínas não derivadas de grãos, como proteína microbiana, proteína de insetos e resíduos alimentares. A meta é alcançar mais de 10 milhões de toneladas de produção de proteína não derivada de grãos até 2030.

Desde a guerra comercial iniciada no governo Trump, a China também vem promovendo a chamada “tecnologia de ração com baixo teor de proteína”, que reduz a dependência de farelo de soja ao complementar a dieta animal com aminoácidos sintéticos, especialmente entre grandes empresas do setor.

A Muyuan, por exemplo, está colaborando com a Universidade de Westlake, em Hangzhou, em pesquisas de biologia sintética voltadas para uma produção suína “zero-soja”.

No entanto, especialistas da indústria alertam que os aminoácidos sintéticos só conseguem substituir parcialmente as proteínas naturais e não atendem totalmente às exigências digestivas dos animais.

Pequim também apoia o cultivo de milho com alto teor de proteína — cerca de 667 mil hectares já foram plantados. Essa variedade contém mais de 10% de proteína, em comparação com os 8% do milho convencional.

A proteína de inseto também está ganhando espaço: fazendas de mosca soldado negra nas províncias de Shandong e Guangdong produzem 100 mil toneladas de ração por ano, atualmente em fase de testes para alimentação de aves, suínos e aquicultura, segundo a Guide to Chinese Poultry, uma revista apoiada pelo ministério da agricultura.

Contudo, a maioria dessas alternativas ainda é mais cara ou está em estágios iniciais de desenvolvimento.

No fim de maio, o farelo de soja no leste da China custava 66 yuans (US$ 9,19) por unidade de proteína — mais barato que a lisina (um aminoácido sintético), a 79 yuans por unidade, e que a proteína de milho, a 69 yuans, segundo um trader de Xangai.

“As operações agrícolas chinesas, no fim das contas, vão priorizar a lucratividade,” disse Even Rogers Pay, analista agrícola da Trivium China.
“Enquanto o farelo de soja continuar sendo a melhor opção em termos de custo e desempenho dos animais, continuará mantendo participação no mercado.”

Fonte: Reuters

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Agricultura, Comércio

Vendas de soja avançam com necessidade de espaço para o milho em Mato Grosso

As negociações de soja 2024/25 em maio tiveram um progresso de 5,47 p.p. no comparativo mensal, de acordo com o Imea

comercialização da soja 2024/25 em Mato Grosso alcançou 76,02% da produção de 50,8 milhões de toneladas. Um avanço de 5,47 pontos percentuais no comparativo mensal pautado pela necessidade dos produtores em fazer caixa, bem como abrir espaço para o milho que está chegando nos armazéns.

As negociações poderiam ter sido maiores em maio se não fosse o recuo de 1,26% no preço negociado da oleaginosa. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a saca de 60 quilos da soja 2024/25 fechou o mês em média de R$ 110,64.

safra 2025/26 também apresentou progresso nas vendas antecipadas. O avanço mensal foi de 3,44 pontos percentuais em relação a abril e alcançou 14,15% da produção estimada em 47,1 milhões de toneladas.

“Essa evolução foi impulsionada pela valorização de 1,79% no preço mensal, que ficou na média de R$ 111,93 a saca, o que estimulou os produtores a aproveitarem o cenário favorável e intensificarem as vendas”, destaca o Instituto.

O Imea salienta ainda que em comparação ao observado nesta mesma época para a safra 2024/25, a comercialização da safra futura está 2,36 pontos percentuais abaixo. A justificativa é são as “incertezas em relação à próxima temporada”.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio, Comércio Exterior, Economia

Argentina ‘afunda’ com a soja e EUA disparam no plantio; como as cotações ficaram no Brasil?

Chicago sobe levemente com apoio do milho e trigo, enquanto clima na Argentina ainda preocupa safra de soja

O mercado brasileiro de soja registrou preços predominantemente firmes nesta terça-feira (20), com cotações estáveis a mais altas em diversas praças. De acordo com o consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os negócios foram moderados, impulsionados por algumas oportunidades de preços, variações no câmbio e ganhos em Chicago. Os prêmios também contribuíram para sustentar o movimento de alta.

Cotações de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
  • Porto de Rio Grande (RS): subiu de R$ 133,00 para R$ 134,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 125,00 para R$ 126,00
  • Porto de Paranaguá (PR): subiu de R$ 132,00 para R$ 132,50
  • Rondonópolis (MT): caiu de R$ 114,50 para R$ 114,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 117,00 para R$ 117,50
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 116,00 para R$ 117,00

Soja em Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja fecharam com leves altas. O mercado foi sustentado por preocupações com o excesso de chuvas na Argentina e pelo bom desempenho de milho e trigo. No entanto, a reação foi limitada pelo avanço do plantio nos Estados Unidos e pela demanda ainda enfraquecida pela soja norte-americana, mesmo após o novo acordo comercial com a China.

A safra argentina pode registrar perdas na província de Buenos Aires, após intensas chuvas recentes, segundo análises do setor.

USDA

O USDA informou que até 18 de maio, o plantio da soja nos EUA havia atingido 66% da área prevista. No mesmo período do ano anterior, o percentual era de 50%, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 53%. Na semana anterior, o índice era de 48%.

Contratos futuros da soja

O contrato de soja em grão com entrega em julho fechou com alta de 2,25 centavos de dólar (0,21%), a US$ 10,53 por bushel. A posição novembro subiu 4,00 centavos (0,38%), cotada a US$ 10,41 por bushel.

Nos subprodutos, o farelo para julho avançou US$ 1,50 (0,51%), encerrando a US$ 292,60 por tonelada. O óleo de soja para julho fechou a 49,50 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,06 centavo (0,12%).

Câmbio

O dólar comercial terminou o dia em alta de 0,23%, negociado a R$ 5,6677 para venda e R$ 5,6657 para compra. A moeda oscilou entre R$ 5,6426 na mínima e R$ 5,6831 na máxima do dia.

Fonte: Canal Rural

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