Internacional

Guerra no Irã interrompe importação de diesel árabe e amplia dependência da Rússia no Brasil

O avanço da guerra envolvendo o Irã provocou uma mudança significativa no mercado brasileiro de importação de diesel. Em abril, o Brasil deixou de comprar combustível de três importantes fornecedores do Oriente Médio — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã — e aumentou fortemente sua dependência da Rússia.

Países árabes zeram vendas de diesel ao Brasil

Dados do MDIC mostram que, entre janeiro e março, os três países do Golfo Pérsico responderam por cerca de 29,1% de todo o diesel importado pelo Brasil.

No período, foram adquiridos aproximadamente 1,1 milhão de metros cúbicos do combustível oriundos desses fornecedores.

Com a escalada do conflito no Oriente Médio, porém, o cenário mudou completamente em abril. O volume importado de diesel vindo de Arábia Saudita, Emirados Árabes e Omã caiu para zero.

Rússia domina mercado brasileiro de diesel

Mesmo com a interrupção das compras do Oriente Médio, o volume total importado pelo Brasil permaneceu praticamente estável.

Em abril, o país adquiriu cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos de diesel, número próximo da média registrada no primeiro trimestre do ano. A diferença foi a origem do combustível.

A Rússia passou a responder por 91% de toda a importação brasileira de diesel no mês, consolidando-se como principal fornecedora do combustível ao mercado nacional.

O restante das compras, equivalente a aproximadamente 108 mil metros cúbicos, teve origem nos Estados Unidos.

Guerra eleva preço do diesel importado

Além de alterar a cadeia de fornecimento, a guerra também impactou diretamente os preços do combustível.

Segundo os dados do MDIC, o valor médio do metro cúbico do diesel importado chegou a US$ 852,74 em abril.

O preço representa uma alta de 54% em relação a fevereiro, período anterior ao agravamento do conflito. Na comparação com março, o aumento foi de 23%.

O avanço dos custos reforça a preocupação do setor com os efeitos da instabilidade geopolítica sobre o abastecimento e os preços dos combustíveis no mercado brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Internacional

Navio iraniano sancionado pelos EUA reacende alerta sobre crise dos fertilizantes no Brasil

A chegada do navio iraniano Delruba ao litoral catarinense voltou ao centro das discussões sobre a dependência brasileira de fertilizantes importados. A embarcação, alvo de sanções dos Estados Unidos desde 2018, atracou em outubro de 2025 no Terminal Portuário de Santa Catarina (TESC), em São Francisco do Sul, transportando 60 mil toneladas de ureia avaliadas em US$ 24,4 milhões.

O tema ganhou força novamente após a forte alta no preço da ureia, principal fertilizante nitrogenado utilizado pelo agronegócio brasileiro. Em maio de 2026, o produto atingiu US$ 710 por tonelada nos portos nacionais, avanço de 50% em apenas 30 dias, conforme levantamento do Itaú BBA Agribusiness.

Dependência externa expõe fragilidade do agronegócio

O episódio envolvendo o Delruba evidenciou uma vulnerabilidade histórica do país: o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Atualmente, o mercado brasileiro depende fortemente de fornecedores como Rússia, China e Irã.

A escalada nos preços afeta diretamente culturas estratégicas como soja, milho e café. Entre os fatores que pressionam o mercado estão as restrições de exportação impostas por russos e chineses, além dos impactos logísticos causados pelo bloqueio temporário do Estreito de Ormuz, rota considerada vital para o transporte global de petróleo e fertilizantes.

Navio descarregou ureia produzida por estatal iraniana

O Delruba atracou no porto de São Francisco do Sul em 4 de outubro de 2025 e finalizou o desembarque quatro dias depois. A carga de ureia granulada foi produzida pela Pardis Petrochemical, estatal iraniana ligada ao Ministério do Petróleo do Irã e também incluída na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do governo norte-americano.

A importação foi realizada pela empresa brasileira Link Comercial, com intermediação da Eastoil Petroleum Products LLC, dos Emirados Árabes Unidos. Segundo informações divulgadas à época, a operação recebeu autorização de órgãos federais, incluindo Marinha do Brasil, Anvisa e Polícia Federal.

Sanções secundárias elevam preocupação no setor financeiro

Além do aspecto comercial, o caso levanta preocupações jurídicas e diplomáticas. Em maio de 2026, a OFAC reforçou o alerta sobre possíveis sanções secundárias contra empresas, bancos ou governos que mantenham relações comerciais com entidades iranianas sancionadas.

Na prática, instituições financeiras envolvidas em operações desse tipo podem enfrentar restrições no sistema financeiro internacional baseado em dólar. O risco aumenta a pressão sobre importadores brasileiros, que dependem da compra de fertilizantes estrangeiros para manter a produtividade agrícola.

Crise global impulsiona alta dos fertilizantes

Especialistas apontam três fatores principais para a disparada recente da ureia no mercado internacional.

O primeiro é a tensão geopolítica no Oriente Médio, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz entre fevereiro e maio de 2026, que interrompeu o fluxo de cargas iranianas.

O segundo fator envolve as limitações impostas por Rússia e China. Moscou suspendeu temporariamente as exportações de nitrato de amônio para priorizar o mercado interno, enquanto os chineses restringiram as vendas de fertilizantes fosfatados.

Já o terceiro impacto veio do aumento nos custos logísticos. Os conflitos no Mar Vermelho obrigaram navios a realizarem desvios de rota, ampliando o tempo de transporte e encarecendo o frete marítimo.

Produção nacional ainda enfrenta entraves

Apesar do avanço da crise, o Brasil ainda encontra dificuldades para ampliar a fabricação doméstica de fertilizantes nitrogenados. O principal obstáculo é o custo elevado do gás natural, matéria-prima essencial para a produção de ureia.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o gás utilizado pelas fábricas brasileiras pode custar até US$ 14 por milhão de BTU, valor muito superior ao registrado em países como Estados Unidos e Rússia.

Na tentativa de reduzir a dependência externa, a Petrobras retomou operações em unidades de fertilizantes na Bahia e em Sergipe, além de reativar projetos industriais em Mato Grosso do Sul. A expectativa é ampliar gradualmente a participação da produção nacional no abastecimento interno.

Safra 2026/27 pode sofrer pressão nos custos

A preocupação agora se concentra na próxima safra agrícola. Caso a ureia permaneça acima dos US$ 700 por tonelada, produtores rurais devem enfrentar aumento significativo nos custos de produção.

Embora o Estreito de Ormuz tenha sido reaberto em maio, analistas avaliam que os problemas estruturais do mercado global de fertilizantes continuam sem solução definitiva. O caso Delruba, nesse contexto, tornou-se símbolo da dependência brasileira de insumos externos e dos riscos geopolíticos que cercam o setor.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio Internacional

Pagamentos em yuan disparam e ganham força no comércio de Rússia e Irã

O uso do yuan no comércio internacional registrou forte crescimento recente, impulsionado principalmente por países como Irã e Rússia, que passaram a adotar a moeda chinesa como alternativa ao dólar em transações globais.

Avanço acelerado nas transações internacionais

Dados do Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS) mostram que as liquidações em yuan cresceram 50% em março na comparação com o mês anterior, alcançando 1,46 trilhão de yuans (cerca de US$ 214 bilhões).

O volume representa o triplo do registrado em março de 2021, consolidando uma tendência de expansão contínua do uso da moeda chinesa. Em abril, o sistema voltou a bater recordes, incluindo o maior volume diário de transações já registrado.

Sanções impulsionam uso do yuan

O aumento da adoção do yuan está diretamente ligado a restrições impostas por sanções internacionais. No caso do Irã, o país passou a depender ainda mais da moeda chinesa após ser praticamente excluído do sistema financeiro global baseado no dólar.

Após tensões militares envolvendo Estados Unidos e Israel, Teerã adotou medidas como a cobrança de pedágios no Estreito de Ormuz, aceitando pagamentos em criptomoedas e yuan. Países considerados aliados, como China, Rússia e Índia, mantiveram acesso à rota estratégica.

Rússia amplia comércio fora do sistema ocidental

A Rússia também intensificou o uso do yuan após ser excluída do sistema Swift em 2022, medida adotada em resposta à guerra na Ucrânia. Sem acesso às principais moedas globais, o país passou a realizar transações com a China utilizando rublos e yuan.

Atualmente, a maior parte do comércio bilateral entre os dois países já ocorre nessas moedas, especialmente nas exportações de petróleo e gás natural.

Outros países aderem à moeda chinesa

Além de Irã e Rússia, outros atores relevantes têm ampliado o uso do yuan. A Arábia Saudita, por exemplo, registrou que 41% das transações de petróleo foram liquidadas na moeda chinesa em março. Paralelamente, bancos estatais sauditas passaram a integrar o CIPS.

Criado em 2015, o sistema já reúne mais de 1.700 instituições financeiras ao redor do mundo, com forte presença na Ásia, fortalecendo a internacionalização do yuan.

Yuan digital e estratégia de expansão global

A China também aposta no desenvolvimento do yuan digital como ferramenta para ampliar sua presença no sistema financeiro internacional. Desde 2024, o país conduz testes de pagamentos transfronteiriços com nações como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Esses mecanismos permitem que empresas realizem transações diretamente em yuan, reduzindo a dependência do dólar em operações comerciais e financeiras.

Participação global ainda é limitada

Apesar do avanço, o yuan ainda ocupa uma fatia relativamente pequena no cenário global. Em março, a moeda respondeu por cerca de 3% das liquidações internacionais, bem abaixo dos 51% do dólar.

Ainda assim, especialistas apontam que a tendência é de crescimento gradual, impulsionada por fatores geopolíticos e pela estratégia chinesa de ampliar o uso da moeda em comércio e investimentos internacionais.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paul Yeung/Bloomberg

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Comércio Internacional

Rússia e China vetam resolução sobre o Estreito de Ormuz no Conselho de Segurança da ONU

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou uma proposta de resolução que tratava da crise no Estreito de Ormuz, após veto de dois membros permanentes: Rússia e China. O texto havia sido apresentado pelo Bahrein, representando países do Golfo Pérsico, e previa a condenação do Irã pelo bloqueio da via marítima.

A proposta recebeu apoio de 11 integrantes do colegiado, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e França. Já Colômbia e Paquistão optaram pela abstenção.

Críticas ao conteúdo da resolução

O projeto foi alvo de críticas por focar exclusivamente nas ações do Irã, sem mencionar ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. O texto defendia a soberania dos países do Golfo, mas não abordava a integridade territorial iraniana. Além disso, a proposta reforçava o direito dos Estados-membros de proteger suas embarcações, com base no direito internacional, diante de ameaças à navegação.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas energéticas do mundo, responsável pelo trânsito de cerca de 20% do petróleo e gás global. Diante desse cenário, países do Golfo alertaram para os riscos globais do bloqueio da passagem. O chanceler do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, afirmou que a rejeição da resolução envia um sinal negativo à comunidade internacional sobre a segurança das rotas marítimas.

Irã defende bloqueio como resposta a ataques

O governo iraniano justificou o fechamento do estreito como uma medida de retaliação a ações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel. Segundo o embaixador do país na ONU, Amir Saeid Iravani, o projeto apresentado buscava penalizar o Irã por defender seus interesses estratégicos. Teerã também declarou que embarcações de países considerados não hostis continuam autorizadas a transitar pela região.

A Rússia classificou a proposta como desequilibrada e potencialmente perigosa para a estabilidade regional. O embaixador russo, Vassily Nebenzia, argumentou que o documento ignorava ações consideradas ilegais por parte de Washington e Tel Aviv. O diplomata também citou precedentes internacionais, como a intervenção na Líbia em 2011, para alertar sobre interpretações amplas de resoluções da ONU.

Já a China apontou que o texto não abordava de forma completa as origens do conflito. O embaixador Fu Cong defendeu uma análise mais ampla e equilibrada da situação e criticou a pressa na votação. Pequim também pediu a interrupção das ações militares e reforçou a necessidade de tratar as causas estruturais da crise.

Estados Unidos defendem liberdade de navegação

Os Estados Unidos destacaram a relevância estratégica do Estreito de Ormuz para o comércio global e criticaram o bloqueio imposto pelo Irã. O representante norte-americano afirmou que a rota não pode ser utilizada como instrumento de pressão geopolítica. Washington também acusou Rússia e China de apoiarem um regime que busca pressionar países do Golfo.

Após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, o Irã intensificou ações contra bases militares e estruturas energéticas ligadas a esses países na região do Golfo. O governo iraniano sustenta que nações que permitem o uso de seus territórios para operações militares passam a integrar o conflito.

A crise no Estreito de Ormuz segue como um dos principais pontos de tensão no Oriente Médio, com impactos diretos no mercado global de energia e na segurança internacional.

Fonte: Agência Brasil

Texto: Redação

Imagem: Reprodução Agência Brasil / Reuters / David “Dee” Delgado

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Internacional

China e Rússia condenam ataques ao Irã e morte de Ali Khamenei

A ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou reação imediata de China e Rússia. Neste domingo (1º), os dois países criticaram duramente a operação que resultou na morte do líder iraniano, Ali Khamenei, classificando a ação como violação do direito internacional e da soberania iraniana.

As manifestações reforçam o aumento da tensão diplomática em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

China fala em violação da soberania e pede cessar-fogo

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os ataques representam “grave violação da soberania e da segurança” do Irã. Segundo o governo chinês, a ofensiva também fere princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas e pelas normas que regem as relações internacionais.

O chanceler chinês, Wang Yi, reiterou que a posição de Pequim se sustenta em três pilares:

  • Cessar-fogo imediato
  • Retomada das negociações diplomáticas entre Washington e Teerã
  • Rejeição a ações unilaterais por parte da comunidade internacional

De acordo com Wang Yi, os bombardeios ocorreram enquanto ainda havia tentativas de diálogo entre Estados Unidos e Irã, o que, na avaliação chinesa, amplia o risco de instabilidade regional e compromete os esforços diplomáticos em andamento.

Rússia chama ação de “assassinato cínico”

A reação também partiu de Moscou. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou mensagem ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificando a morte de Khamenei como um “assassinato cínico” que desrespeita princípios morais e jurídicos internacionais.

Em nota divulgada pelo Kremlin, Putin manifestou condolências pela morte do líder iraniano e de integrantes de sua família que também teriam sido vítimas dos ataques. O chefe do Kremlin afirmou ainda que Khamenei será lembrado na Rússia como um estadista que colaborou para o fortalecimento das relações bilaterais entre Moscou e Teerã.

Escalada amplia tensão no Oriente Médio

As críticas de China e Rússia evidenciam o impacto geopolítico da operação militar e reforçam a divisão entre potências globais diante da crise no Oriente Médio. O cenário aumenta a pressão por soluções diplomáticas e amplia o debate sobre os limites das intervenções militares sob a ótica do direito internacional.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Greg Baker/AFP

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Exportação

China lidera exportações de fertilizantes ao Brasil e pressiona operação no Porto de Paranaguá

A China assumiu a liderança nas exportações de fertilizantes para o Brasil e ultrapassou a Rússia no fornecimento de sulfato de amônio (SAM) e de formulações à base de nitrogênio e fósforo (NP). Entre janeiro e outubro de 2025, o país asiático enviou 9,76 milhões de toneladas desses produtos, segundo o boletim Insumos CNA, divulgado nesta terça-feira (2).

Porto de Paranaguá registra filas e aumento de custos operacionais
O avanço acelerado das importações de fertilizantes chineses em um período curto gerou filas recordes de navios no Porto de Paranaguá (PR) ao longo de 2025. O tempo médio de espera para o desembarque chegou a 60 dias, pressionando custos logísticos e elevando a complexidade da operação portuária.

Rússia mantém papel estratégico no fornecimento ao Brasil
Apesar de perder a liderança, a Rússia segue como fornecedor crucial. De janeiro a outubro de 2025, o país embarcou 9,72 milhões de toneladas de fertilizantes ao Brasil. Segundo a CNA, as entregas totais no mercado brasileiro registraram alta de 9% até agosto, indicando demanda aquecida do setor agropecuário.

Projeções apontam para novo recorde em 2025
O estudo aponta que o Brasil pode alcançar um novo recorde de entregas de fertilizantes ainda em 2025. O Rio Grande do Sul deve ter participação relevante nesse resultado, já que o atraso nas compras localmente tende a concentrar mais operações no período final do ano.

Preços e relação de troca seguem pressionados
A CNA avalia que as relações de troca continuam desfavoráveis entre as principais culturas agrícolas e os fertilizantes fosfatados. No mercado de defensivos, foi registrado aumento especialmente no grupo dos fungicidas, impulsionado pelas demandas da cultura da soja.

FONTE: Plox Economia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Internacional

Trump encerra viagem à Ásia com visita à Coreia do Sul

Enquanto Trump voava de volta a Washington, ele disse nas redes sociais que Xi havia autorizado a compra de “quantidades massivas” de soja e outros produtos agrícolas americanos. “Nossos fazendeiros ficarão muito felizes!”, escreveu Trump. O Ministério do Comércio da China afirmou que os dois lados chegaram a um consenso na Coreia do Sul sobre a “expansão do comércio agrícola” e outras questões, mas não forneceu detalhes.

Quando o presidente Trump pediu a realização de testes nucleares, pouco antes de conversas com o líder chinês Xi Jinping, ele pode ter acrescentado inadvertidamente uma nova complicação a um dos temas mais difíceis entre seus países: a rivalidade em armas nucleares.

Trump declarou na quinta-feira que “devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a começar a testar nossas armas nucleares em igualdade de condições”. Sua ordem pode ter sido motivada por uma afirmação do presidente Vladimir V. Putin, feita alguns dias antes, de que a Rússia havia realizado com sucesso o voo de teste de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear e com capacidade nuclear — embora o teste não envolvesse uma detonação.

Os movimentos em direção à retomada de testes explosivos de ogivas nucleares colocariam ainda mais em risco o tratado que, por décadas, restringiu todos, exceto alguns poucos países, de realizá-los. Se os Estados Unidos realmente retomarem os testes nucleares, “isso daria, na prática, uma carta branca à China e à Rússia para retomarem testes nucleares de rendimento total, algo que nenhum dos dois países faz há vários anos”, disse Ankit Panda, autor de The New Nuclear Age.

“O regime de não proliferação nuclear está sob imensa pressão no momento. Rússia, China e Estados Unidos nem sequer conseguem concordar sobre os princípios básicos que realmente sustentam o regime de não proliferação”, afirmou Panda, pesquisador sênior da Carnegie Endowment for International Peace.

Trump e sua administração podem esclarecer seus comentários nas próximas horas ou dias. Panda e outros especialistas disseram que Trump pode ter querido dizer que pretende testar mísseis com capacidade nuclear, e não detonar dispositivos nucleares subterrâneos.

Quando questionado posteriormente sobre suas declarações sobre testes de armas nucleares, Trump sugeriu que elas não estavam relacionadas à China. “Tinha a ver com outros”, disse ele, sem citar países. “Parece que todos estão fazendo testes nucleares.”

Mas as palavras combativas de Trump por si só podem reforçar a desconfiança de Pequim quanto às intenções nucleares dos EUA. As armas nucleares são uma área em que a falta de confiança entre China e Estados Unidos tem se aprofundado, com poucas perspectivas de um acordo rápido.

Sob o comando de Xi, a China tem expandido rapidamente seu arsenal nuclear após décadas mantendo uma força relativamente modesta. A China possui cerca de 600 ogivas nucleares, a maioria projetada para mísseis terrestres, segundo um levantamento publicado no início deste ano por especialistas da Federação de Cientistas Americanos. Isso ainda é muito menos que as milhares de ogivas nucleares que Estados Unidos e Rússia possuem.
Mas a velocidade da expansão da China, assim como a crescente ameaça de Moscou, tem provocado apelos em Washington por uma modernização mais rápida das forças nucleares dos EUA para deter dois grandes adversários.

A Rússia praticamente concluiu a modernização de todas as suas forças nucleares, e a China está modernizando e ampliando seu arsenal em uma velocidade impressionante”, disse Elbridge A. Colby, subsecretário de Defesa na administração Trump, durante sua audiência de confirmação no Senado no início deste ano.

O próximo plano de desenvolvimento da China, divulgado em resumo esta semana, prevê o “fortalecimento das capacidades de dissuasão estratégica” — termo que inclui forças nucleares — como uma prioridade militar para os próximos cinco anos. E, no mês passado, a China exibiu sua crescente coleção de mísseis com capacidade nuclear, incluindo os que podem ser lançados de submarinos e aviões bombardeiros, em um desfile militar em Pequim.

Xi usou o desfile para enfatizar a “tríade nuclear” em amadurecimento da China — isto é, a capacidade de ameaçar inimigos com ataque nuclear por terra, mar e ar —, disse Lin Po-chou, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Defesa Nacional e Segurança, um grupo financiado pelo governo em Taipei, Taiwan.

O ritmo da expansão nuclear da China “continuará e não mudará apenas por causa do anúncio de Trump sobre o aumento dos testes de armas nucleares”, disse Lin.

Evidências de satélite sugerem que a China pode estar preparando instalações para realizar testes nucleares subterrâneos, possivelmente como um sinal de que poderia responder na mesma moeda se outros países retomarem os testes.

A China realizou seu primeiro teste nuclear em 1964 e o último em 1996, pouco antes da adoção do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, uma moratória global adotada pela maioria dos países. (A China, assim como os Estados Unidos, assinou, mas não ratificou o tratado.)

A China realizou cerca de 45 testes no total, menos do que as centenas conduzidas pelos Estados Unidos ou pela Rússia. Como resultado, os cientistas chineses de armas nucleares provavelmente tiveram que trabalhar com menos dados do que outras potências para projetar suas ogivas. Desde 1996, a China e outras potências atômicas têm verificado e testado ogivas usando testes subcríticos, que não chegam a causar explosões atômicas.

Mas imagens de satélite revelaram novas construções em Lop Nur, o local de testes nucleares da China em Xinjiang, uma região no extremo oeste do país. A atividade inclui novos túneis que poderiam ser usados para testes nucleares subterrâneos, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas armas nucleares, escreveram dois especialistas, Renny Babiarz e Jason Wang, em um estudo recente sobre a área.

Se Trump realmente ordenar novos testes nucleares, levaria cerca de 18 meses para que os Estados Unidos preparassem o provável local de testes em Nevada, disse Panda, o especialista da Carnegie Endowment for International Peace. China e Rússia, segundo ele, provavelmente conseguiriam agir um pouco mais rápido.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Comércio Exterior

Rússia legaliza uso de criptomoedas em comércio internacional e desafia sanções ocidentais

A Rússia deu um passo estratégico na corrida tecnológica e econômica global ao legalizar o uso de criptomoedas em transações internacionais. A medida cria um sistema alternativo para driblar as sanções ocidentais e garantir maior autonomia no comércio com países parceiros, como China, Índia e Turquia.
De acordo com o governo russo, o objetivo é fortalecer o comércio exterior sem comprometer a estabilidade do rublo, mantendo um controle rigoroso sobre riscos financeiros.

Criptomoedas liberadas para transações internacionais

O Ministério da Fazenda e o Banco Central da Rússia oficializaram a utilização de criptoativos em negociações externas, consolidando o regime experimental iniciado em setembro. Esse modelo já vinha sendo testado em operações limitadas de comércio exterior.
O ministro da Fazenda, Anton Siluanov, destacou que, embora a decisão alivie o impacto das sanções, o foco principal do governo continua sendo a segurança do sistema financeiro:

“Embora o objetivo estratégico seja aliviar as sanções, nosso foco principal continua sendo o controle dos riscos financeiros inerentes às criptomoedas”, afirmou Siluanov.
Mesmo com a liberação para o comércio internacional, o uso de criptomoedas dentro do território russo permanece proibido, garantindo a preservação da moeda nacional.

Supervisão e segurança reforçadas

Para evitar lavagem de dinheiro e riscos cambiais, o novo sistema russo impõe regras rigorosas de monitoramento e fiscalização. Todas as transações deverão passar por infraestrutura regulada e supervisionada pelo Banco Central e pelo Federal Financial Monitoring Service.
Entre as exigências do governo estão:

  • Conformidade com os padrões internacionais de AML (Anti-Money Laundering) e KYC (Know Your Customer);
  • Controle de todas as operações em ambiente regulado;
  • Manutenção das restrições sobre transações domésticas com criptoativos.
    Essas medidas buscam equilibrar inovação financeira e proteção da economia interna, evitando instabilidades no câmbio e no sistema bancário.

Impactos e perspectivas globais

Com a legalização das criptomoedas para pagamentos internacionais, Moscou cria uma rota alternativa aos sistemas bancários tradicionais, como o SWIFT, do qual foi excluída por sanções. Assim, empresas russas poderão realizar pagamentos internacionais com mais agilidade e menor interferência política.
A decisão também fortalece os laços comerciais com nações não alinhadas ao Ocidente, abrindo espaço para negociações bilaterais mais flexíveis e seguras. No entanto, especialistas alertam que o modelo exige fiscalização constante para evitar abusos e riscos de volatilidade.
Em um cenário de crescente pressão econômica, a Rússia transforma a criptoeconomia em ferramenta de soberania e resistência geopolítica, sinalizando uma nova era no uso estratégico das moedas digitais no comércio global.

FONTE: Bit Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Bit Notícias

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Exportação

Exportação de carne de Mato Grosso tem leve alta; Russia compra mais que EUA

As exportações de carne bovina mato-grossenses, mês passado, se mantiveram próximas em relação a julho, sendo enviadas 89,68 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC) segundo a Secex (secretaria de Comércio Exterior), alta de 0,22% no comparativo mensal, representando o maior volume já enviado pelo Estado.

O preço médio por carne exportada, que foi de US$ 4.368/tonelada, resultou no faturamento de US$ 391,80 milhões em agosto. Cabe ressaltar que a demanda chinesa ainda se mantém aquecida, com aumento de 1,71% em relação a julho, mas um ponto de destaque foi a Rússia, que ultrapassou os Estados Unidos nas exportações totais, sendo responsável por 6,47% de toda exportação de carne bovina de Mato Grosso, em 2025. Por fim, o aumento na demanda externa no segundo semestre tende a aumentar a intensidade da alta nos preços do boi gordo, dado que a demanda interna também é maior neste período.

Fonte: Só Notícias

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Importação

Importação russa de carne do Brasil atinge em agosto maior nível dos últimos 8 anos

Em agosto, a Rússia aumentou em 1,6 vezes as importações de carne do Brasil em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando US$ 67,6 milhões (R$ 365,2 milhões) — o maior valor desde 2017, segundo análise da Sputnik baseada em dados do governo brasileiro.

Confira abaixo um histórico das exportações brasileiras de carne para a Rússia de janeiro a julho de 2022 a 2025. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne para a Rússia | Jan 2022 a Jun 2025 | TEUs

A última vez que o volume havia sido maior foi em novembro de 2017, quando as importações atingiram US$ 105,9 milhões (R$ 572 milhões).

O salto ocorreu principalmente devido à duplicação das compras de carne bovina, que passaram de US$ 30 milhões (R$ 162 milhões) para US$ 60,7 milhões (R$ 327,9 milhões). Também houve um aumento de 28% na importação de miúdos bovinos.

Por outro lado, as compras de carne de frango caíram quase quatro vezes, chegando a US$ 2,5 milhões (R$ 13,5 milhões).

Em agosto, o maior importador de carne brasileira foi a China, seguida por México, Filipinas, Chile e Japão. A Rússia ficou em oitavo lugar.

Produção de carne em alta no Brasil

No segundo trimestre de 2025, o Brasil registrou 10,46 milhões de cabeças de bovinos abatidas, alta de 3,9% em relação ao mesmo período de 2024 e de 5,5% frente ao trimestre anterior. Por outro lado, o abate de suínos somou 15,01 milhões de cabeças, crescimento de 2,6% em comparação com o segundo trimestre de 2024 e de 4,1% em relação aos três primeiros meses deste ano.

Já o abate de frangos chegou a 1,64 bilhão de cabeças, o que representa aumento de 1,1% frente ao mesmo trimestre do ano passado, mas uma leve queda de 0,4% em comparação ao primeiro trimestre de 2025.

Fonte: Tribuna do Sertão

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