Logística

Frete de grãos em Mato Grosso sobe com escassez de caminhões

O preço do frete de grãos em Mato Grosso registrou alta nas principais rotas do estado, com reajustes que já ultrapassam 3%. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o aumento está diretamente ligado à redução da oferta de caminhões, já que parte da frota migrou para outras regiões do país em busca de melhores margens.

Principais rotas apresentam aumento acima de 3%

Levantamento semanal indica que o trajeto entre Diamantino e Rondonópolis alcançou média de R$ 155 por tonelada, representando avanço de 3,20%. Já a rota de Querência até Uberlândia (MG) teve alta de 3,28%, com o custo chegando a R$ 333,70 por tonelada.

Mesmo com equilíbrio na oferta de carga, o encarecimento foi puxado essencialmente por fatores logísticos, e não pelo volume de produção.

Custos seguem elevados mesmo após colheita

Tradicionalmente, o fim da colheita da soja tende a reduzir os preços do transporte. No entanto, na safra 2025/26, o cenário tem sido diferente. Segundo o Imea, os valores atuais permanecem acima dos registrados no ano passado, refletindo principalmente o impacto do preço do diesel nos custos operacionais.

Logística pesa na competitividade do agronegócio

A forte dependência da malha rodoviária faz do transporte um dos itens mais relevantes na estrutura de custos do agronegócio em Mato Grosso. O aumento do frete reduz a competitividade do estado frente a regiões com melhor infraestrutura logística ou maior proximidade dos portos.

Além disso, o encarecimento impacta diretamente a rentabilidade do produtor rural, dificultando o equilíbrio financeiro das propriedades.

Eficiência no escoamento é decisiva

Especialistas apontam que a logística agrícola é um fator determinante para a sustentabilidade do setor. A eficiência no transporte e escoamento da produção influencia diretamente os resultados econômicos e a posição do estado no mercado nacional de grãos.

Os dados fazem parte do projeto de Custo de Produção Agropecuário (CPA), desenvolvido pelo Imea em parceria com o Senar Mato Grosso, com o objetivo de apoiar decisões estratégicas no campo.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Agronegócio

Falta de armazenagem em Mato Grosso eleva custos e pressiona produtores rurais

A falta de armazenagem em Mato Grosso se consolidou como um dos principais entraves para o avanço do agronegócio no estado e no país. Com safras cada vez maiores, a estrutura disponível não acompanha o ritmo de crescimento da produção, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores.

Atualmente, a capacidade de estocagem no estado atende apenas cerca de metade do volume colhido, cenário que eleva custos operacionais, dificulta a logística e coloca em risco a eficiência do sistema produtivo.

Produção recorde amplia pressão sobre o sistema

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que a capacidade estática de armazenagem gira em torno de 53,4 milhões de toneladas. No entanto, esse volume já não é suficiente diante do avanço das safras.

A produção de soja em Mato Grosso na temporada 2025/26 deve ultrapassar 51 milhões de toneladas, enquanto a produção de milho já superou 55 milhões de toneladas no último ciclo. Esse descompasso obriga o escoamento acelerado da safra, muitas vezes de forma improvisada.

Falta de armazéns encarece frete e reduz ganhos

Sem espaço adequado para estocar a produção, agricultores são forçados a vender rapidamente, o que reduz o poder de negociação e aumenta os custos logísticos. O impacto mais imediato é o aumento do frete agrícola, pressionado pela alta demanda em períodos de colheita.

Lideranças do setor destacam que o investimento em armazenagem é essencial para valorizar a produção e fortalecer a economia local, gerando empregos e renda. Ainda assim, apontam a ausência de políticas públicas mais robustas como um dos principais obstáculos.

Juros altos travam novos investimentos no campo

Apesar da necessidade urgente de ampliar a capacidade, produtores enfrentam dificuldades para investir. Linhas de crédito com juros elevados e pouca oferta de incentivos dificultam a construção de novos armazéns.

Na prática, a limitação de espaço compromete o ritmo da colheita. Em propriedades rurais, é comum que a produção ultrapasse a capacidade de estocagem, gerando atrasos e aumentando a dependência de transporte imediato.

Produtores relatam que projetos de expansão estão sendo adiados, à espera de condições mais favoráveis, como a redução da taxa de juros e maior acesso a financiamento.

Produtores recorrem a recursos próprios para expandir capacidade

Diante do cenário desafiador, parte dos agricultores tem optado por investir gradualmente com capital próprio. A estratégia reduz o risco de endividamento, mas exige planejamento de longo prazo e, muitas vezes, cortes em outras áreas da propriedade.

Mesmo com avanços individuais, especialistas alertam que a ausência de uma política estruturada para armazenagem agrícola no Brasil mantém o setor vulnerável, especialmente em momentos de instabilidade econômica global.

Risco de endividamento preocupa produtores

Outro ponto de atenção é o custo do crédito rural. Com taxas elevadas, o financiamento pode comprometer a saúde financeira das propriedades, levando produtores ao endividamento.

A avaliação no campo é de que, sem mudanças estruturais — como incentivos fiscais, linhas de crédito acessíveis e políticas públicas eficazes —, o problema da infraestrutura agrícola no Brasil tende a persistir, limitando o crescimento sustentável do setor.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook