Portos

Brasil perde bilhões com portos saturados e navios defasados

O Brasil vem deixando de movimentar bilhões de dólares todos os anos em razão de um problema crônico: saturados, os portos nacionais não conseguem atender a demanda de mercadorias por problemas de infraestrutura, como modestos terminais de carga e a baixa profundidade dos canais, que impede o recebimento dos maiores navios do mundo e obriga o país a utilizar embarcações com cinco gerações de atraso.

O que aconteceu
São três as principais cargas movimentadas nos portos. Granéis sólidos (minérios e agrícola), líquidos (petróleo e derivados) e contêineres, usado para transportar produtos como eletrônicos, máquinas, veículos e roupas. Embora todas enfrentem problemas, a de contêineres beira o colapso.

Os navios brasileiros estão cinco gerações defasados. A capacidade deles é medida em TEU, que são os 6,1 metros de espaço de um contêiner com capacidade para 16 toneladas. Acontece que os canais dos portos brasileiros têm calado raso, e por isso não podem receber os maiores navios do mundo, com capacidade para 24 mil TEUs. No Brasil, os maiores carregam entre 10,5 mil a 13 mil TEUs, diz o Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CentroNave). Só no ano passado um navio de 366 metros, de 14,4 mil TEUs, atracou por aqui.

Nenhum porto brasileiro consegue receber o gigante de 366 metros. Dos 17 portos com operação de contêiner, seis recebem a embarcação, mas com carga reduzida, já que nenhum deles tem calado mínimo de 16 metros, a profundidade necessária para que esse tipo de navio opere com o máximo de contêineres.

Embarcação de 11,5 mil TEUs navega com 18 mil toneladas a menos em porto com calado de 14,5 metros. É o caso de Santos, que recebe 1 milhão de toneladas a menos por ano.

Portos brasileiros no limite
Além do desembarque de navios menores, a capacidade dos portos está no limite. A previsão é que a demanda supere a capacidade operacional em 2028, quando, na média nacional, a demanda for de 15,2 milhões de TEUs e a capacidade operacional de 15,1 mi de TEUs, prevê a CentroNave.

O caos começa em 2037, quando a demanda também vai superar a capacidade instalada. Em 2047, a demanda de 42 mi de TEUs será quase o dobro da instalada (23,9).

No porto de Santos, o mais importante do Brasil, a capacidade operacional foi superada na pandemia. No ano que vem, a demanda também vai superar a capacidade instalada (5,5).

Os portos brasileiros estão defasados. “Há um descompasso entre o crescimento da demanda por logística eficiente e a capacidade de resposta da infraestrutura portuária brasileira”, diz o presidente do Conselho Federal de Engenharia (CFE), Vinicius Marinelli. “Isso nos coloca em desvantagem competitiva.”

Atrasos e cancelamentos
Essa superlotação reflete na ocupação dos “berços” portuários. O preenchimento das áreas onde os navios atracam ultrapassou a recomendação da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de 65%, em nove dos 13 principais terminais de carga do país. “Em 2024, os navios demoraram 50 horas, em média, para entrar pelo canal de Santos e atracar. É uma tragédia, já estamos colapsados”, diz Souza, da CentroNave.

Em Santos, o governo Lula quer dobrar a capacidade dos terminais de contêiner. A aposta é no leilão do Terminal STS-10, em novembro, quando uma concessão permitirá a construção em uma área 621,9 m² e 1,3 km de cais. “Vamos fazer a dragagem, a concessão do canal de dragagem, mais R$ 5 bilhões de investimentos em 30 anos”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, em maio à EBC. Haverá “aumento em 50% da capacidade na movimentação de TEUs”, diz a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) ao UOL.

De 2013 a 2022, foram realizados 41 leilões portuários e investimentos de R$ 6 bi. “Nos quatro anos do nosso governo, vamos realizar o equivalente a 60 leilões, um investimento de mais de R$ 30 bi”, disse o ministro. A Antaq diz que “estão previstos 20 arrendamentos [nos portos] para 2025 e 17 em 2026”.

A agência diz auxiliar na formulação e concessão de alguns canais. “A Antaq auxilia na formulação da concessão do canal de acesso aos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), o que permitirá o aprofundamento da infraestrutura e o recebimento de navios maiores.” A agência também fiscaliza contratos de dragagem e de manutenção do calado dos canais de acessos.

Estão em andamento projetos que aumentam a capacidade dos terminais. Com isso, será possível acompanhar o aumento do volume de movimentação nos portos.Antaq, em nota

Terminais agrícolas
A capacidade dos terminais agrícolas nos portos também saturou. Eles estavam com 91% da capacidade para exportação em uso em 2024, acima do limite de segurança estimado em 85%, segundo a consultoria de infraestrutura Macroinfra. Em 2028, a capacidade instalada (cerca de 234 milhões de toneladas) será insuficiente para absorver a demanda de exportação, que chegará a 238,9 milhões.

O porto de Santos deve ganhar um respiro. O terminal para granéis vegetais (STS-11) foi arrematado por uma empresa chinesa em 2022. A Cofco pretende construir um terminal para aumentar a capacidade de 4,5 milhões para 14 milhões de toneladas por ano.

Com os terminais lotados, o tempo de espera para atracar também é longo. No porto de Santos, o tempo médio de carregamento agrícola passou de 10,5 dias, em fevereiro de 2024, para 17,5 dias no mesmo mês de 2025. Em Paranaguá (PR), esse tempo foi de 8,6 para 12,5 dias. “Tempo de espera que custa dinheiro”, diz Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, que lembra de outro problema crônico para o agronegócio: o escoamento da produção por rodovias.

Todo ano a agricultura perde 10% da safra da fazenda até os portos, diz a Companhia Nacional de Abastecimento. Esse percentual causou um prejuízo de R$ 56 bilhões só em 2022. Cerca de 54% da produção é escoada por caminhões, contra 45% em 2010, segundo o Grupo de Pesquisa em Logística da Escola Superior de Agricultura.

Essa dependência do modo rodoviário “é grave”. “Só 14% da malha rodoviária brasileira é pavimentada, e 67% é considerada péssima ou ruim. É caótico”, diz Quintella. “Tudo isso cria um custo logístico que pode chegar a até 15% do PIB.”

Só no ano passado o governo federal igualou investimentos em infraestrutura de transporte. Foram R$ 24 bi em 2024, o equivalente a 2% do PIB, como na média chinesa e americana. Em 2022, esse valor não passou de R$ 8 bi (0,6% do PIB).

Falta ferrovia e hidrovia para minérios
A exportação de minérios também enfrenta gargalos. Faltam estradas de ferro e hidrovias para escoar essa produção, os principais modais para esse tipo de comodity. “O Brasil tem 30 mil km de ferrovias, mas só 10 mil estão em operação”, diz o professor da FGV Transportes. “E as hidrovias são pouco exploradas.”

Especialistas esperam que as ferrovias em construção reduzam esse gargalo. São elas:

  • Ferrogrão: Ela promete substituir os caminhões da BR-163 ao ligar Sinop, em Mato Grosso, a um porto em Miritituba (PA). Da cidade paraense, a carga seguiria de navio para Ásia, África e Europa.
  • Ferrovia Norte-Sul: Em funcionamento, interliga as principais malhas ferroviárias das cinco regiões do Brasil, possibilitando a conexão entre as linhas que dão acesso aos principais portos e regiões produtoras.
  • Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste no Estado da Bahia): Prevista para entrar em operação em 2026, ligará Ilhéus, na Bahia, a Figueirópolis, no Tocantins, onde fará conexão com a Ferrovia Norte-Sul, dando acesso ao Centro-Oeste pela Fico (Ferrovia De Integração Centro-Oeste).
  • Fico: Vai levar a produção agrícola do Centro-Oeste à Norte-Sul, permitindo o escoamento até o Maranhão –pela conexão com a Estrada de Ferro Carajás– e Santos, pela Rumo Malha Paulista. Também poderá escoar por Ilhéus (BA) pela conexão com a Fiol a partir da Norte-Sul, na altura de Goiás. A malha atingiu 32% de sua execução no começo de 2025.
  • Ferronorte (Rumo): Ela já liga o Centro-Oeste ao porto de Santos pela Rumo, que também conecta ao Norte e Nordeste pela Norte-Sul. Com trechos inaugurados em 1998 e 2012, tem extensões adicionais em fase de construção e de estudo.

O governo Lula diz investir R$ 4 bilhões em logística para transportar por hidrovias. A principal aposta é a polêmica construção da hidrovia do Rio Paraguai, que corta o Pantanal. Em dezembro do ano passado, o governo aprovou o investimento em 400 balsas e 15 empurradores pra aumentar em 6 milhões de toneladas o escoamento de minérios de ferro e manganês na região.

O Brasil tem 12 mil km de hidrovias navegáveis, com potencial de 42 mil. “Um projeto como esse significa o fortalecimento dessa agenda hidroviária”, afirmou em novembro o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

O problema é que “essas novas ferrovias demoram para ficarem prontas”. A Norte-Sul levou 40 anos para chegar onde está. A Fico e Fiol estão longe de serem concluídas”, diz Quintella. “Se não mantém rodovias, como vai construir ferrovias?”

China investe em superporto no Peru
Enquanto o Brasil patina em infraestrutura, a China investe no Peru. Com 60% de verba chinesa, foi construído em apenas quatro anos a primeira parte do porto de Chancay, que pretende ser o mais importante da América do Sul.

Com um calado de 18 metros, poderá receber os maiores navios do mundo ainda este ano. O porto é equipado com IA chinesa e veículos autônomos circulam entre antenas de 5G espalhados por ele.

A China quer que o Brasil também use Chancay. Para isso, estuda bancar a ferrovia “bioceânica”, que conectaria o Rio de Janeiro à costa peruana. Se isso ocorrer, Chancay vai reduzir de até 60 para 23 dias as viagens do Brasil para a Ásia.

Em maio, membros do governo trataram do assunto. “Toda a carga produzida na área central do país seria escoada por essa infraestrutura ferroviária, até chegar ao porto de Chancay”, afirmou o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro à CartaCapital.

Com infraestrutura moderna e eficiência logística, Chancay pode se tornar uma alternativa para rotas asiáticas, especialmente se nossas estruturas não acompanharem os avanços exigidos pelo mercado global. Vinicius Marinelli, do CFE.

Fonte: UOL

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Investimento, Portos

Porto de São Francisco do Sul comemora 70 anos com R$ 600 milhões em investimentos

O Porto de São Francisco do Sul completou 70 anos nesta terça-feira (01/07). Durante a cerimônia, o governador Jorginho Mello anunciou novas obras e reforçou o compromisso com o desenvolvimento dos portos catarinenses.

O evento reuniu cerca de 400 pessoas, entre colaboradores, autoridades e convidados. A tradicional Banda Guarani, patrimônio cultural da cidade, animou o público.

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No discurso, o governador destacou os avanços recentes. Além disso, revelou novos investimentos para fortalecer a infraestrutura portuária. Ao todo, serão mais R$ 41,5 milhões em obras:

Terceira faixa na BR-280: R$ 12,5 milhões
Recuperação do Berço 201: R$ 18 milhões
Sistema de despoeiramento do Corredor de Exportação: R$ 11 milhões

Enquanto isso, o novo Parque Tecnológico do Porto já foi entregue. A obra recebeu R$ 10 milhões em recursos próprios. Com isso, a modernização do terminal avança em ritmo acelerado.

Distribuição de lucros

Por outro lado, os avanços não se limitam à infraestrutura. Jorginho Mello anunciou o Programa de Participação nos Resultados (PPR). O programa prevê a divisão dos lucros entre todos os colaboradores — de forma igualitária, da diretoria ao servidor com menor salário.

“O Porto vai muito bem. Antes estava largado. Agora tem outra cara”, afirmou o governador, sob aplausos. Portanto, a gestão atual busca valorizar tanto os investimentos quanto as pessoas.

Porto em alta

Segundo o presidente do Porto, Cleverton Vieira, os últimos anos foram marcados por grandes conquistas. Ao fazer um balanço da gestão, ele afirmou que serão R$ 600 milhões em investimentos até o fim do mandato. São recursos públicos e privados que, segundo ele, “transformarão a história de São Francisco do Sul”.

Só em infraestrutura, o Porto já aplicou R$ 200 milhões nos últimos 30 meses. Além disso, a dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga receberá R$ 324 milhões.

Com isso, o terminal se prepara para operar com mais profundidade e eficiência.

Destaque nacional

Atualmente, o Porto de São Francisco está entre os 10 maiores do Brasil em movimentação de carga. Além disso, lidera em Santa Catarina. Segundo Vieira, o complexo responde por 60% do volume de cargas do Estado.

Por consequência, o terminal se tornou referência em gestão pública. É um dos poucos portos públicos certificados pelas normas ISO 9001 e 14001 — que garantem qualidade e responsabilidade ambiental.

“Somos o porto público que mais cresceu no Brasil nos últimos dois anos. Aumentamos em 35% a movimentação de cargas”, afirmou o presidente.

Presença do governo

Vieira também agradeceu o apoio do governador. Segundo ele, Jorginho Mello visitou o terminal três vezes em dois anos e meio. Antes, fazia mais de uma década que um governador não pisava no cais.

Um porto com história

Embora tenha sido oficialmente inaugurado em 1955, o Porto de São Francisco tem raízes muito mais antigas. Desde os tempos coloniais, o local já era utilizado para comércio, primeiro pelos povos indígenas e, depois, por colonizadores.

Ao longo das décadas, o complexo evoluiu, tornando-se um símbolo do desenvolvimento do Norte catarinense. Hoje, é referência mundial na exportação e importação de grãos, fertilizantes e produtos siderúrgicos.

Fonte: Correio SC

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Exportação, Portos

Com 44% da exportação nacional de frango, Porto de Paranaguá é o principal exportador de carnes brasileiras 

Mais de 1,2 milhão de toneladas de carnes de frango, bovina e suína foram embarcadas entre janeiro e maio deste ano 

A Portos do Paraná ampliou sua participação nas exportações brasileiras de proteína animal congelada, atingindo 35,1% do total nacional nos cinco primeiros meses de 2025. Com esse desempenho, o porto mantém o título de maior corredor exportador de carnes do Brasil. Entre janeiro e maio, foram embarcadas 1.280.167 toneladas com destino a países como China, Japão, Emirados Árabes e Arábia Saudita, entre outros. 

O volume representa um crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, considerando as remessas de carnes de frango, bovina e suína.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, com destaque para o Paraná, estado líder em produção. O Porto de Paranaguá concentra o maior terminal exportador de aves congeladas do planeta, responsável por 44,1% de toda a produção nacional enviada ao exterior — mais que o dobro da participação do Porto de Santos, que registrou 20,9%. Em 2024, Paranaguá respondeu por 48% das exportações brasileiras de aves de corte.

“Esses resultados são fruto de uma administração dedicada à execução inteligente das operações e a investimentos logísticos consistentes. É um trabalho construído com o apoio de toda a comunidade portuária. O aumento da profundidade do nosso canal, por exemplo, permite embarcar mais carga sem elevar os custos operacionais para quem exporta. É mais por menos”, destacou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

De janeiro a maio deste ano, os embarques de aves congeladas aumentaram 2,5%, mesmo diante das restrições impostas por alguns países em razão de um caso isolado de gripe aviária no Rio Grande do Sul. Foram movimentadas 923.477 toneladas, ante 900.909 toneladas registradas no mesmo período de 2024.

Exportação de carne bovina cresce mais de 50% até maio

Paranaguá também se destaca nas exportações de carne bovina, com a segunda maior movimentação entre os terminais brasileiros. Até maio, houve um crescimento expressivo de 50,9% em relação ao ano anterior, passando de 183.570 toneladas para 276.969 toneladas.

“Somos a principal porta de saída para as carnes de frango, bovina e suína do Brasil. Isso comprova a eficiência dos portos do Paraná. Temos estrutura para diversos tipos de carga, e esses números evidenciam nosso papel como corredor logístico multipropósito. O que o Paraná e o Brasil produzirem, temos capacidade de exportar”, afirmou o diretor de Operações Portuárias, Gabriel Vieira.

Produção pecuária impulsiona desempenho

O Paraná lidera a produção nacional de proteína animal, com destaque para a carne de frango, responsável por 34,6% da produção brasileira no acumulado de janeiro a março de 2025, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em relação à carne suína, o estado ocupa a segunda posição, com 21,9% do total nacional, no mesmo período. 

Já na pecuária bovina, embora com participação menor, o Paraná apresentou crescimento no primeiro trimestre: foram 354 mil cabeças abatidas entre janeiro e março, um acréscimo de 14,2 mil em relação ao mesmo período de 2024 — equivalente a 3,6% da produção nacional.

De acordo com a Secretaria Estadual da Agricultura do Paraná (SEAB), em 2024 o Paraná abateu mais de 2,2 bilhões de cabeças de frango, 12,4 milhões de cabeças de suínos, quase 629 mil bovinos e produziu mais de 180 mil toneladas de peixes.

Essa capacidade produtiva movimenta intensamente a cadeia industrial. O estado reúne uma das maiores estruturas do país dedicadas ao abate e ao processamento de carnes, com 557 empresas atuando no setor.

“Todo esse complexo produtivo requer um equipamento logístico marítimo eficiente que garanta a entrega com a maior precisão possível”, conclui Garcia.

Fonte: Portos do Paraná

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Notícias, Portos

Após missão à Ásia, projetos para aviação regional e ferroviários terão encaminhamentos em Santa Catarina

O desenvolvimento da logística aérea regional e ferroviária foram foco das agendas do governador Jorginho Mello na China. A comitiva visitou uma das maiores fábricas de aviões do país e a maior fábrica de material para o setor ferroviário do mundo. As agendas na Ásia terão desdobramentos nos próximos meses, com a vinda de representantes da empresa ao Brasil e aceleração na análise dos projetos de aviação regional que vêm sendo apresentados ao Governo do Estado.

A primeira parada na China foi em Harbin, cidade que é sede de uma fábrica de aviões. Estas aeronaves foram indicadas como parte de um dos projetos apresentados pela iniciativa privada e que vem sendo analisados pelo governo catarinense, via Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF).

“O Estado já recebeu duas propostas de projetos para a aviação regional. Um deles trabalha com a possibilidade de utilizar esta aeronave chinesa, que é um modelo para 19 lugares, e que pode ser reconfigurado para transporte de cargas em 30 minutos. Agora vamos passar a realizar discussões mais aprofundadas sobre a viabilidade de cada proposta”, relata o secretário da SPAF, Beto Martins, que integrou o roteiro na China.

Uma ação já definida pelo governador Jorginho Mello foi a criação do Grupo de Trabalho sobre Aviação Regional. Além da SPAF, representantes das Secretarias da Fazenda, Planejamento, InvestSC, e Procuradoria Geral do Estado também fazem parte do GT. O objetivo final é estruturar um plano de trabalho para estudar, avaliar e propor ações para o desenvolvimento da aviação regional no Estado, que deverá conectar alguns dos 24 aeroportos catarinenses com um aeroporto hub (Florianópolis).

Ferrovias

Em Pequim, a comitiva catarinense visitou a CRRC Corporation Limited, maior fornecedora mundial de equipamentos para transporte ferroviário. A empresa tem mais de 180 mil funcionários e busca se expandir no Brasil, incluindo a possibilidade de instalar uma unidade no país.

“Nesta agenda nós discutimos a possibilidade de realizar parcerias para os projetos de ferrovias que nós estamos desenvolvendo em Santa Catarina. Ficou agendada uma vinda dos representantes da CRRC aqui em julho. Neste novo encontro com o governador Jorginho Mello, vamos dar continuidade a isso. Eles vêm conhecer de perto o projeto e as nossas perspectivas para o futuro do setor em Santa Catarina”, completa Martins.

Fonte: Agencia SECON

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Portos

Portos do norte da Europa estariam em crise

Os principais portos do norte da Europa enfrentam um dos congestionamentos mais graves dos últimos anos, segundo a Kuehne+Nagel.

Paolo Montrone, diretor global de comércio logístico marítimo, alertou que a situação pode se estender por vários meses. Os navios não chegam nos horários programados, o que gera acúmulo em terminais já saturados, explicou o executivo.

Greves e insatisfação trabalhista afetaram os cronogramas das alianças marítimas, complicando ainda mais a operação portuária. Além disso, mudanças recentes nas alianças entre transportadoras aumentaram a incerteza quanto à rotação e frequência dos navios.

A logística terrestre também está sob pressão devido a fatores externos, indicou Montrone. O baixo nível do rio Reno afetou as barcaças e forçou o desvio de carga para trens e caminhões.

Essas redes terrestres já operam próximas do limite, o que agrava ainda mais a situação logística na região. Para Montrone, o problema não é conjuntural, mas estrutural, e requer medidas urgentes de planejamento estratégico.

Ele recomenda diversificar os corredores logísticos, mesmo que isso implique custos mais altos, incluindo opções em portos do sul da Europa. Rotas intermodais pelo Adriático e pela Europa Oriental podem oferecer algum alívio no curto e médio prazo.

Também sugere mudar a estratégia de estoques, abandonando o modelo “just-in-time” para cargas críticas. Preparar-se para prazos de entrega mais longos será essencial para evitar maiores interrupções, concluiu. “É hora de agir antes que a disrupção se torne paralisia”, alertou.

A crise atual nos portos do norte reflete uma vulnerabilidade crescente na cadeia logística global que não pode ser ignorada.

Fonte: Todo Logística News

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Investimento, Portos

Investimento de R$ 589 milhões acelera expansão do Porto de Paranaguá (PR) e eleva capacidade para 2 milhões de toneladas de granéis líquidos por ano

A Liquipar Operações Portuárias oficializou na última terça-feira (24) um investimento de R$ 589 milhões para a expansão do Terminal PAR50, localizado no Porto de Paranaguá (PR). O plano de investimento contempla a construção de um novo píer, dragagem da área de acesso aquaviário, ampliação do parque de tancagem e modernização completa dos sistemas operacionais. Ao término das obras, a capacidade do terminal será ampliada para 2 milhões de toneladas por ano de granéis líquidos, posicionando Paranaguá como um dos principais hubs logísticos do país para o escoamento de combustíveis, produtos químicos, óleos vegetais e insumos agrícolas.

“Este investimento reforça nosso compromisso com o desenvolvimento logístico do Brasil. Estamos gerando empregos, fortalecendo a infraestrutura estadual e contribuindo com a economia regional. Paranaguá se consolida como um polo estratégico nacional para o abastecimento de granéis líquidos”, destacou Juliano Antunes, CEO da Liquipar.

A cerimônia, realizada no próprio terminal, contou com a presença do prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos, e do CEO da Liquipar, Juliano Antunes, onde simbolicamente firmaram um compromisso para o início do processo de licenciamento junto ao município.

Geração de empregos e impacto socioeconômico

A expansão deverá gerar cerca de 500 empregos diretos e indiretos durante a fase de obras, além de dezenas de vagas permanentes após o início da nova operação. O impacto vai além da empregabilidade, promovendo o aquecimento da economia local, o fortalecimento de negócios da região e o aumento da arrecadação municipal.

Desde que assumiu a gestão do Terminal PAR50, em março de 2024, a Liquipar já investiu R$ 33,7 milhões na recuperação estrutural da antiga Alcopar, além de melhorias operacionais e reforços na segurança. Também foram pagos R$ 7 milhões em outorgas e tarifas à autoridade portuária. Ainda estão previstos R$ 25 milhões para a modernização do terminal químico, anteriormente operado pela União-Vopak.

Atualmente, a Liquipar já disponibiliza ao mercado 38 mil m³ de capacidade instalada para líquidos inflamáveis e combustíveis. Em breve, entrará em operação uma nova estrutura voltada à armazenagem de líquidos não inflamáveis, com 32 mil m³ adicionais, ampliando a oferta e diversificando o portfólio logístico da companhia.

Ambiente regulatório mais eficiente

Durante a cerimônia, o prefeito Adriano Ramos anunciou oficialmente a extinção do Termo de Anuência Prévia (TAP), medida que reduz a burocracia para novos investimentos no município.

“A retirada da TAP representa um avanço significativo na melhoria do ambiente de negócios. Paranaguá se mostra hoje mais competitiva, segura e atrativa para investidores”, afirmou o prefeito.

Preparação para atender à crescente demanda

O Porto de Paranaguá vem apresentando crescimento contínuo na movimentação de granéis líquidos nos últimos anos. O investimento da Liquipar responde diretamente a essa tendência, com foco em tecnologia, eficiência e segurança.

“Nosso terminal está preparado para atender à crescente demanda nacional por combustíveis, óleos vegetais, químicos e fertilizantes. Atuamos com tecnologia de ponta, processos modernos e rigorosos padrões de segurança operacional”, reforçou Antunes.

Fonte: Datamar News

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Portos

Porto de Rio Grande será base para primeira torre eólica offshore flutuante do Brasil

Projeto-piloto prevê investimento de100 milhões de dólares e operação a partir de 2030

Um acordo entre empresas multinacionais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Portos RS e Sindienergia tem a intenção de construir a primeira usina eólica offshore flutuante do Brasil. Batizado de Aura Sul Wind, o projeto-piloto será instalado em águas profundas próximas ao Porto de Rio Grande.

Com início das operações previsto para 2030, o projeto prevê o uso da tecnologia japonesa Raijin FOWT, que consiste em uma turbina eólica montada sobre uma base flutuante de concreto. A torre, de cerca de 200 metros de altura, terá pás com 150 metros e capacidade de geração de 18 megawatts (MW), suficiente para abastecer, inicialmente, o próprio porto rio-grandino. A estrutura será montada dentro do complexo portuário e rebocada até a área de ancoragem em alto-mar.

“A grande vantagem deste sistema flutuante, a Raijin FOWT, é a facilidade na construção e instalação da fundação, e o uso de concreto, material que o Brasil domina tecnologicamente e produz em larga escala, o que reduz os tempos e custos de realização. Isso também ativa uma cadeia produtiva local e acelera a industrialização do setor offshore no Brasil”, explica Rodolfo Gonçalves, especialista em energia eólica offshore, conselheiro da JB Energy e professor da Universidade de Tóquio, no Japão, que liderou a apresentação técnica do projeto e idealizou a formação do consórcio.

Porto de Rio Grande

A escolha de Rio Grande como sede do projeto-piloto acontece pelo grande potencial da região, com ventos fortes e constantes, águas profundas próximas à costa e, sobretudo, um porto estruturado para montar e operar a tecnologia contratada. Após a fase piloto, a ideia é avançar para construção de novas plataformas.

Para Daniela Cardeal, presidente do Sindienergia-RS, o projeto rearma o protagonismo do Rio Grande do Sul, que em 2006 criou o maior parque eólico da América Latina, em Torres. “É um marco não apenas para o setor, mas para toda a economia do Sul. Este projeto reforça a posição do RS como polo estratégico de inovação e transição energética no Brasil”, destaca.

Desenvolvimento regional

O investimento estimado para a fase inicial do Aura Sul Wind é de 100 milhões de dólares. O projeto será desenvolvido em quatro etapas: estudos de viabilidade, projeto executivo, construção e monitoramento, e por fim a fase comercial. A iniciativa integra o Programa Portos Verdes, que visa descarbonizar os processos logísticos e impulsionar a energia limpa na infraestrutura portuária do RS.

“A energia gerada será o combustível da nova economia. E queremos que essa economia nasça aqui”, reforça Rodolfo Gonçalves, especialista em energia e conselheiro da JB Energy. Segundo ele, a plataforma flutuante poderá ser replicada em série, gerando novos empregos e oportunidades na indústria naval, na construção civil e no setor de serviços especializados em energia offshore.

Conforme o protocolo de intenções, a implantação do Aura Sul Wind também deve movimentar centros de pesquisa, universidades e atrair investidores nacionais e estrangeiros interessados em desenvolver projetos sustentáveis em solo brasileiro. O consórcio já iniciou articulações com o setor público e com o mercado privado para garantir o financiamento da fase piloto.

Fonte: A Hora do Sul

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Comércio Exterior, Portos, Tecnologia

Porto de Paranaguá é o 1º a receber veículos elétricos fabricados por gigante chinesa que retoma vendas no Brasil

O fabricante chinês de veículos elétricos Geely realizou seu primeiro desembarque de automóveis no Brasil após nove anos fora do país. O navio San Martin, procedente do Porto de Xangai, trouxe centenas de carros elétricos em operação realizada no Porto de Paranaguá. A marca retorna ao mercado nacional por meio de parceria com uma montadora já instalada no Brasil.

A operação foi realizada no berço 219, estrutura projetada especialmente para receber navios do tipo Ro-Ro (roll-on/roll-off), próprios para cargas rolantes — ou com rodas. O píer permite que embarcações desse tipo atraquem na posição perpendicular ao cais, diferentemente das demais, que atracam em paralelo.

“É uma honra para a Portos do Paraná ser a porta de entrada de veículos de alta tecnologia. Isso demonstra que estamos sempre preparados para atender com eficiência o mercado automobilístico”, afirmou o diretor-presidente da empresa pública, Luiz Fernando Garcia.

Paraná em destaque na indústria automobilística

Além da importação, o Paraná também se consolida como grande fabricante e exportador de automóveis. As vendas de carros produzidos no estado para outros países cresceram 73,7% entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2024. Em valores absolutos, as exportações saltaram de US$ 172 milhões para US$ 299 milhões.

Os dados, divulgados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O crescimento está diretamente relacionado à ampliação das vendas para o mercado sul-americano, especialmente para a Argentina, que registrou um aumento de 464% nas compras de veículos paranaenses. As exportações para o país vizinho subiram de US$ 32 milhões para US$ 182 milhões. Também houve aumentos expressivos nas vendas para a Colômbia (49%), Uruguai (38%) e Chile (28%).

Fonte: Datamar News

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Comércio, Logística, Portos

Portos do Paraná superam 28 milhões de toneladas movimentadas nos cinco primeiros meses do ano

Os portos paranaenses registraram a movimentação de 28.195.118 toneladas de cargas entre janeiro e maio deste ano. O volume representa um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram movimentadas 27.197.565 toneladas. Segundo dados do governo federal, divulgados pelo Comex Stat, o valor FOB – que corresponde ao preço do produto no ponto de embarque – ultrapassou US$ 19 bilhões no período.

“O crescimento está diretamente relacionado à variação cambial do mercado internacional e ao cenário geopolítico, que influencia a demanda pelos produtos escoados pelos portos paranaenses”, explicou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

As exportações continuam impulsionadas pelas commodities agrícolas. A soja em grãos lidera a movimentação com 6.326.901 toneladas, seguida pelo farelo de soja, com 3.036.137 toneladas exportadas. China e Países Baixos foram os principais destinos, representando juntos 15% da participação nacional no setor, o que equivale a US$ 3,4 bilhões em valor FOB.

A boa produtividade da safra 2024/2025 contribuiu para os resultados expressivos no acumulado do ano. Apesar de um leve recuo na demanda entre abril e maio, as exportações de soja e farelo foram retomadas com força em junho. A expectativa agora é o início da exportação de duas a três milhões de toneladas de milho no segundo semestre.

Na importação, os fertilizantes lideram o volume movimentado, com 4.357.233 toneladas descarregadas nos portos paranaenses. O valor da operação chega a US$ 1,4 bilhão, o que representa mais de 25% da movimentação nacional de fertilizantes. As cargas têm como principais destinos os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Goiás.

Confira a seguir um histórico da movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá. O gráfico foi elaborado a partir de dados do DataLiner:

Movimentação de Contêneres no Porto de Paranaguá | Jan 2022 – Abr 2025 | TEUs

A perspectiva para o segundo semestre é mais otimista em comparação a 2024. “O último semestre do ano passado foi desafiador em termos de demanda e volume exportado, especialmente no último trimestre. Em 2025, o cenário se mostra mais favorável”, avaliou o diretor de Operações da Portos do Paraná, Gabriel Vieira.

Segundo Vieira, muitos produtores optaram por adiar a comercialização e exportação entre abril e maio. “Já em junho, observamos uma retomada nas vendas, com tendência de escoamento da supersafra de 2025 ao longo dos próximos meses”, completou.

Fonte: Portos do Paraná

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Portos

Portos enfrentam congestionamento crescente com 40% dos navios atrasados

Portos ao redor do mundo estão enfrentando um aumento acentuado no congestionamento, com atrasos crescendo até 300% em junho de 2025, segundo dados recentes da Tradlinx.

Principais centros marítimos como Singapura, Cidade do Cabo e Roterdã estão entre os mais afetados, enfrentando longas filas de navios e sérios desafios operacionais.

Os dados revelam que 96% dos principais portos de contêineres estão atualmente lidando com interrupções operacionais, com tempos médios de espera de navios ultrapassando 10 dias em algumas localidades.

Essa é a pior situação de congestionamento portuário global desde a pandemia da COVID-19, com apenas 58,7% dos navios chegando no prazo.

A Tradlinx atribui o agravamento da situação a uma combinação de fatores, incluindo greves trabalhistas, condições climáticas adversas e gargalos persistentes na cadeia de suprimentos.

Em Singapura, por exemplo, o porto tem registrado um acúmulo rápido de navios, levando algumas transportadoras a desviar cargas para outros destinos. Da mesma forma, a Cidade do Cabo sofre com lentidão causada por condições climáticas, enquanto Roterdã enfrenta um acúmulo de embarcações e congestionamento nos pátios.

Os atrasos estão provocando efeitos em cascata nas redes de comércio global, com exportadores enfrentando custos mais altos e maior incerteza. Transportadoras têm ajustado cronogramas, pulado escalas e aplicado sobretaxas, prejudicando ainda mais a confiabilidade da cadeia de suprimentos.

O congestionamento também está afetando cargas a granel e gerais, gerando preocupações sobre impactos mais amplos na gestão de estoques e nos prazos de produção.

Embora alguns portos tenham adotado medidas para aliviar o congestionamento — como ampliar o horário de funcionamento dos portões e usar equipamentos adicionais —, a Tradlinx alerta que a recuperação deve ser gradual, dada a magnitude da interrupção.

Fonte: Port Technology

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