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Como petróleo, ouro e bolsas reagiram após choques globais anteriores

Os recentes ataques dos EUA e de Israel contra o Irã provocaram forte volatilidade nos mercados globais, refletida em movimentos bruscos nos preços do S&P 500, do petróleo e do ouro.

Volatilidade inicial e declarações de Trump

O presidente Donald Trump afirmou que o conflito poderia durar “quatro a cinco semanas” ou até ser “perpétuo”, considerando os estoques de munições disponíveis, sinalizando que a instabilidade deve continuar. Na terça-feira, novas ofensivas elevaram o temor de uma guerra prolongada, provocando quedas acentuadas nas bolsas.

Padrão histórico de mercados após crises

Uma análise da Yahoo Finance sobre nove momentos de choque geopolítico recente — do Iraque em 1990 até a captura de Nicolás Maduro na Venezuela — revelou um padrão recorrente: os preços disparam nos primeiros dias, mas tendem a se normalizar semanas depois, mesmo em conflitos prolongados.

O exemplo mais recente ocorreu em junho de 2025, durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, quando ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas provocaram alta imediata no petróleo e no ouro, e queda no S&P 500. Após 30 dias de negociação, os preços se inverteram: o Brent subiu quase 7,3% em um dia, mas caiu 0,6% em um mês; o ouro subiu 1,49% em um dia e caiu 1,39% após 30 dias; e o S&P 500, que caiu 1,13% no primeiro dia, subiu 5,70% em 30 dias.

Situação atual dos mercados

Nos ataques recentes ao Irã, o padrão inicial se mantém. Na última sexta-feira, o Brent fechou a US$ 72,48 por barril e saltou para US$ 78,16 na segunda-feira, alta de 7,8%. O ouro avançou quase 2,7% no mesmo período.

O S&P 500 iniciou a segunda-feira em queda, recuperou-se e terminou ligeiramente positivo, antes de registrar nova queda nas primeiras negociações de terça-feira. Analistas, no entanto, evitam previsões sobre os preços futuros.

Jim Smigiel, diretor de investimentos da SEI, alertou que “não temos informações suficientes sobre a duração do conflito ou seus impactos de longo prazo” e aconselhou investidores individuais a “respirarem e evitarem decisões drásticas”.

Mudanças de preços de curto prazo não indicam tendência mensal

Estudos históricos mostram que alterações de preços no primeiro dia de conflito raramente refletem o comportamento dos mercados após um mês. Eventos como a guerra Rússia-Ucrânia, a intervenção dos EUA na Líbia e a Guerra do Iraque em 2003 mostraram que, em menos de 56% dos casos, a direção inicial dos preços coincidiu com a observada após 30 dias.

Por exemplo, após os ataques de 11 de setembro de 2001, o ouro disparou 6,85% no primeiro dia e teve alta mais moderada de 2,28% em 30 dias. O petróleo subiu mais de 34% nos primeiros dias da invasão da Ucrânia pela Rússia, mas terminou 30 dias depois com alta de apenas 1,53%.

Chris Verrone, da Strategas, reforçou que “o pico do petróleo ocorreu cerca de uma semana após a invasão da Rússia”, lembrando que essas flutuações iniciais são apenas indicativas e não determinam tendências duradouras.

Exceção histórica: invasão do Kuwait

O choque de 1990 com a invasão do Kuwait pelo Iraque foi uma exceção. O petróleo subiu 11,64% em um dia e quase 57% em 30 dias, enquanto o S&P 500 caiu 1,14% no primeiro dia e mais de 10% após um mês. No entanto, meses depois, os preços se recuperaram quando as forças aliadas expulsaram as tropas iraquianas.

Conclusão

A análise sugere que, embora choques geopolíticos causem fortes reações imediatas em petróleo, ouro e bolsas, os efeitos tendem a se estabilizar em semanas, com exceções notáveis. Para investidores, a lição é clara: observar tendências de curto prazo pode ser enganoso, e decisões prudentes devem considerar cenários históricos e risco prolongado.

FONTE: Finance Yahoo
TEXTO: Redação
IMAGEM: ATTA KENARE via Getty Images

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Notícias

Paralisação no Estreito de Hormuz deixa 3.200 navios retidos e eleva frete a níveis recordes

A tensão entre Irã e a coalizão EUA-Israel provocou uma paralisação inédita no Estreito de Hormuz, com cerca de 3.200 navios presos na região. O valor do frete para VLCCs (Very Large Crude Carriers) do Oriente Médio para a China atingiu níveis teóricos extraordinários, chegando a US$ 423.700 por dia na segunda-feira, um aumento de US$ 205.600 em relação ao dia anterior. Especialistas alertam, porém, que confirmações de contratos a esses valores ainda não foram registradas.

Seguro marítimo suspende cobertura em guerra

Mais da metade dos maiores clubes P&I do mundo anunciou que deixará de oferecer cobertura contra riscos de guerra para navios que entrem no Golfo Pérsico a partir de 5 de março, encerrando automaticamente a proteção para embarcações em águas adjacentes. A medida aumenta significativamente os custos de viagem e deve levar armadores a optar por rotas alternativas, como o Cabo da Boa Esperança.

Irã reforça controle sobre o estreito

Autoridades iranianas intensificaram a crise ao afirmar controle sobre o estreito. A mídia estatal citou comandantes dizendo que o Estreito de Hormuz está fechado e alertando que “os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular irão incendiar os navios” que tentarem passar. A declaração aumenta o receio do mercado sobre o bloqueio de 14 a 15 milhões de barris de petróleo por dia no Golfo Pérsico.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que “os golpes mais duros” contra o Irã ainda estão por vir, sem indicar a duração da campanha militar.

Ataques afetam navios e infraestrutura

Os ataques iranianos já atingiram navios mercantes e instalações regionais. Pesquisas da Clarksons Research registram pelo menos seis navios danificados – entre eles Stena Imperative, Sea La Donna, Hercules Star, Ocean Electra, Skylight e MKD Vyom – além de múltiplos ataques a portos e unidades de energia. Um ataque a um porto em Bahrain na segunda-feira matou um trabalhador, feriu outros dois e danificou um petroleiro com bandeira dos EUA.

Mercado marítimo em alerta

Especialistas alertam que o bloqueio é mais uma paralisação motivada por risco do que um cerco formal. O estreito normalmente registra 80 a 100 travessias por dia, transportando cerca de um quinto do consumo global de petróleo, enquanto os gasodutos alternativos não possuem capacidade para suprir uma interrupção prolongada.

O impacto varia por setor:

  • Navios petroleiros: os VLCCs sofrem os maiores efeitos, com ganhos teóricos em recorde histórico, enquanto a atividade real deve permanecer limitada nos próximos dias.
  • Gás natural liquefeito (GNL) e GLP: mercados desestabilizados, com aumento de mais de 20% nas tarifas de transporte de GNL devido à parada em Ras Laffan e risco de choque similar para o GLP, que depende cerca de 30% do tráfego por Hormuz.
  • Contêineres: apenas 2% do tráfego passa pelo estreito, mas grandes linhas como MSC suspenderam reservas para o Oriente Médio, intensificando congestionamentos em Europa e Ásia.
  • Carga seca (dry bulk): menos impactada diretamente, mas sofre atrasos e congestionamentos secundários.

Segundo a Clarksons Research, 3.200 embarcações permanecem dentro do Golfo, representando 4% do tonelagem global, incluindo 112 petroleiros e 114 navios de contêineres; cerca de 500 navios aguardam nas costas de Emirados Árabes Unidos e Omã.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: US Navy

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Internacional

EUA aumentam pressão sobre China com ataques na Venezuela e Irã

Os Estados Unidos ampliaram suas ações militares nesta terça-feira (03) contra a Venezuela e o Irã, países que são aliados estratégicos da China no setor energético e comercial. A movimentação atinge diretamente as rotas de abastecimento e os interesses logísticos de Pequim, além de gerar incertezas nos mercados globais de energia.

Estratégia militar e impacto econômico

Washington fortaleceu sua presença em regiões sensíveis e reforçou o discurso de combate a ameaças regionais. O movimento envia uma mensagem política clara e interfere no tabuleiro econômico global.

Tanto o Irã quanto a Venezuela mantêm relações comerciais relevantes com a China, principalmente na exportação de petróleo. Assim, a pressão norte-americana provoca um efeito dominó sobre a segurança energética chinesa e sobre as cadeias de fornecimento de energia.

O episódio acontece em meio à crescente rivalidade entre as duas potências. Enquanto os EUA buscam reafirmar sua liderança global, a China expande sua influência em áreas estratégicas, tornando cada ação militar ou diplomática de peso imediato.

Energia como ponto central do conflito

A economia chinesa depende fortemente de importações de petróleo, o que torna qualquer instabilidade no Oriente Médio ou na América do Sul uma preocupação estratégica.

Analistas apontam que o ataque dos EUA não se restringe ao campo militar. Ele também compromete cadeias logísticas, contratos comerciais e previsibilidade no fornecimento energético. Em outras palavras, a pressão norte-americana afeta não apenas governos, mas toda a engrenagem econômica que sustenta o crescimento da China.

Pequim, por sua vez, reage com cautela. O governo chinês condena medidas unilaterais e defende soluções diplomáticas, evitando confrontos militares diretos, mas mantendo um discurso voltado à estabilidade regional e global.

Consequências políticas e diplomáticas

A ofensiva americana também impacta lideranças locais. Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro enfrenta um cenário internacional ainda mais tenso. Ao mesmo tempo, os EUA reforçam sua estratégia de conter a influência chinesa em regiões estratégicas, transformando o conflito em uma disputa global por poder, energia e influência.

Mercados financeiros acompanham os desdobramentos de perto. Interrupções no fornecimento de petróleo podem provocar alta nos preços e ampliar tensões econômicas, afetando consumidores em diversas partes do mundo.

O que está em jogo

Mais do que atacar alvos específicos, os Estados Unidos alteraram o equilíbrio geopolítico ao atingir pontos sensíveis da rede de aliados da China.

A reação de Pequim poderá definir os próximos passos da disputa global. Uma estratégia diplomática reforçada pode expandir sua influência, enquanto um endurecimento do discurso militar intensificaria a rivalidade com Washington. De qualquer forma, o cenário internacional já mudou, e cada ação daqui em diante será cuidadosamente calculada.

O mundo observa, e a disputa entre potências entra em um novo capítulo estratégico, com impactos que vão além do campo militar.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Guararema News

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Informação

Petróleo dispara 9% após fechamento do Estreito de Hormuz e tensão no Irã

A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou uma forte alta no preço do petróleo nesta terça-feira (3). Após o anúncio do Irã sobre o fechamento do Estreito de Hormuz, o barril do tipo Brent chegou a avançar 9%, superando a marca de US$ 85 e atingindo o maior patamar desde julho de 2024.

Por volta das 11h30, o Brent, referência global da commodity, era negociado a US$ 83,88, com alta de 7,87%. Já o WTI (West Texas Intermediate) subia quase 8%, alcançando US$ 77,57, também no maior nível desde junho de 2025.

Fechamento do Estreito de Hormuz eleva tensão no mercado de energia

A decisão do Irã ocorre em meio à guerra envolvendo ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país. A ameaça da Guarda Revolucionária iraniana de atingir embarcações que cruzem o estreito elevou o temor de interrupção no fluxo global de energia.

O Estreito de Hormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos diariamente no mundo passam pelo corredor de apenas 40 km de largura em seu ponto mais estreito. China e Índia estão entre os principais destinos da carga transportada pela região.

O impacto imediato foi a retenção de centenas de navios petroleiros nas proximidades de polos logísticos como Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

Produção ameaçada e paralisações no Oriente Médio

A tensão geopolítica já provoca interrupções na cadeia produtiva de energia. O Irã responde por cerca de 3% da produção mundial, com aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia, mas sua posição estratégica amplia sua influência sobre o abastecimento global.

Empresas e governos da região anunciaram medidas emergenciais:

  • A estatal do Qatar suspendeu parte da produção de GNL e derivados industriais.
  • A Arábia Saudita interrompeu operações em sua maior refinaria doméstica.
  • Israel e o Curdistão iraquiano reduziram atividades no setor de petróleo e gás.
  • A Índia iniciou racionamento de gás para indústrias.

A gigante saudita Saudi Aramco orientou compradores do petróleo Arab Light a redirecionar carregamentos para Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a rota pelo estreito.

Especialistas avaliam que, caso o bloqueio persista, países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e o próprio Irã poderão ser forçados a reduzir a produção em poucos dias.

Impactos no Brasil e na inflação global

A disparada do petróleo internacional aumenta a pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil e pode influenciar decisões de política monetária. Um ciclo prolongado de alta pode dificultar cortes na taxa de juros, diante do risco de reaceleração da inflação.

Apesar do cenário tenso, analistas descartam, por ora, risco imediato de desabastecimento global, destacando que a oferta mundial ainda supera o crescimento da demanda.

O comportamento das cotações dependerá principalmente da duração e intensidade do conflito e do tempo de fechamento do Estreito de Hormuz.

Bolsas despencam com aversão ao risco

O avanço do conflito também provocou forte queda nas Bolsas de valores ao redor do mundo.

Na Ásia, mercados como Seul registraram perdas superiores a 7%, enquanto índices chineses tiveram o pior desempenho em um mês. Praças europeias operavam com recuos acima de 3% no fim da manhã.

Nos Estados Unidos, os futuros indicavam abertura negativa em Wall Street:

  • Nasdaq: -2,3%
  • Dow Jones: -1,76%
  • S&P 500: -1,84%

Ações de tecnologia como Nvidia e Microsoft também recuaram.

Nem mesmo o ouro, tradicional ativo de proteção, escapou da volatilidade e operava em queda. Já o bitcoin avançava mais de 2%, refletindo movimentos especulativos.

Juros e política monetária no radar

O salto do petróleo reacendeu preocupações com a inflação global. Investidores passaram a rever expectativas sobre cortes de juros pelo Federal Reserve, adiando projeções de redução da taxa básica de julho para setembro.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiu ao maior nível em mais de uma semana, sinalizando maior cautela do mercado diante do cenário geopolítico.

Analistas destacam que, caso o petróleo permaneça em patamares elevados por período prolongado, o movimento de aversão ao risco pode se intensificar nos mercados globais.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Planet Labs

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Internacional

Minério de ferro na China sobe com alta do frete em meio à guerra no Irã

Os contratos de minério de ferro na China encerraram a segunda-feira em alta, revertendo as perdas registradas no início do pregão. O movimento foi impulsionado pelo avanço dos custos de frete marítimo, influenciados pela escalada da guerra no Irã, além da redução nos embarques globais da matéria-prima.

O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) fechou com valorização de 0,87%, cotado a 754,5 iuanes (US$ 109,64) por tonelada. Já o contrato de referência para abril na Bolsa de Cingapura avançou 0,85%, para US$ 99,2 por tonelada.

Petróleo mais caro eleva frete marítimo

Analistas da Zhengxin Futures apontaram que a alta do petróleo, diante das tensões entre Estados Unidos e Irã, elevou os custos logísticos, oferecendo suporte adicional aos preços do minério.

O cenário geopolítico tem impacto direto sobre o transporte marítimo internacional, especialmente em rotas estratégicas para exportação de commodities.

Queda nos embarques da Austrália e Brasil

Outro fator que contribuiu para a valorização foi a retração nos embarques dos dois maiores fornecedores globais, Austrália e Brasil. Segundo dados compilados pela consultoria Mysteel, os volumes caíram 0,8% na comparação semanal.

A redução na oferta externa ajudou a sustentar as cotações do principal insumo utilizado na produção de aço.

Restrições em Tangshan limitaram ganhos

Apesar do fechamento positivo, o minério iniciou o dia em queda, pressionado por restrições ambientais em Tangshan, maior polo siderúrgico chinês.

A previsão de piora na qualidade do ar levou as autoridades locais a acionarem o nível dois de resposta emergencial, medida que normalmente obriga siderúrgicas a reduzirem a produção e, consequentemente, a demanda por matérias-primas.

As restrições também ocorrem em meio a esforços para garantir melhores condições ambientais durante a reunião parlamentar anual da China, marcada para 5 de março.

Estoques elevados ainda preocupam

Apesar do suporte vindo do frete e da oferta global, o mercado segue atento à demanda por aço. Segundo Guiqiu Zhuo, analista da Jinrui Futures, a recuperação do consumo permanece lenta, enquanto os estoques seguem elevados.

Dados da consultoria Steelhome indicam que os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses atingiram 162,17 milhões de toneladas em 27 de fevereiro — o maior volume já registrado.

O cenário combina fatores de suporte pontual aos preços com fundamentos ainda frágeis, mantendo o mercado atento aos próximos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e à evolução da demanda chinesa.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Internacional

Guerra no Oriente Médio ameaça energia da Ásia e pressiona economias já afetadas pela guerra comercial

A escalada da guerra no Oriente Médio acendeu um novo alerta nas principais economias asiáticas, que já vinham lidando com os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Após o presidente Donald Trump afirmar que os ataques militares contra o Irã devem continuar por várias semanas, o foco dos mercados se voltou para o risco de interrupção no fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

O temor central envolve o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo — grande parte destinada à Ásia.

Estreito de Ormuz no centro das preocupações

Governos de China, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Índia acompanham com atenção qualquer ameaça de bloqueio da rota marítima localizada na fronteira sul do Irã.

Embora especialistas considerem improvável que Teerã feche o estreito — já que depende das exportações de energia, especialmente para a China —, os mercados reagiram imediatamente. Os preços do petróleo dispararam, navios petroleiros passaram a evitar a região e os custos de seguro aumentaram, enquanto portos registraram atrasos nas operações.

China enfrenta vulnerabilidade energética

A China importa pouco mais da metade de seu petróleo transportado por via marítima do Oriente Médio, sendo que cerca de um quarto desse volume tem origem no Irã. Um corte prolongado no fornecimento obrigaria o país a buscar novas fontes, possivelmente a preços mais altos.

Segundo dados da consultoria Kpler, a China possui reservas estratégicas suficientes para cerca de 115 dias. Além disso, conta com três grandes oleodutos, dois deles conectados à Rússia e ao Cazaquistão, o que reduz parcialmente a dependência da rota do Golfo.

Ainda assim, o momento é delicado. O país enfrenta desaceleração econômica, crise no setor imobiliário, alta no desemprego juvenil e pressões deflacionárias. A indústria manufatureira tem sido peça-chave para sustentar o crescimento e compensar tarifas impostas por Washington, que chegaram a 145% sobre produtos chineses durante a guerra comercial.

O presidente Xi Jinping deve se reunir em breve com Trump, em um encontro que tende a ocorrer sob clima ainda mais tenso diante da instabilidade geopolítica.

Japão e Coreia do Sul são altamente dependentes

Entre as economias mais expostas estão Japão e Coreia do Sul, fortemente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio.

O Japão importa mais de 90% de seu petróleo pelo Estreito de Ormuz, enquanto a Coreia do Sul depende da região para cerca de 70% de suas importações de petróleo bruto.

A gigante japonesa de transporte marítimo Mitsui O.S.K. Lines anunciou a suspensão de operações no Golfo Pérsico após alertas das autoridades iranianas.

Ambos os países possuem reservas estratégicas robustas: o Japão mantém estoques equivalentes a 254 dias de consumo, enquanto a Coreia do Sul dispõe de reservas para mais de 210 dias. Ainda assim, a alta persistente nos preços da energia pode agravar déficits comerciais e pressionar economias já fragilizadas pela inflação.

Taiwan e o risco para a cadeia global de semicondutores

Em Taiwan, a dependência energética é ainda mais acentuada. Mais de 96% da energia consumida na ilha é importada, principalmente do Oriente Médio. Cerca de 60% do petróleo e um terço do gás natural chegam via Estreito de Ormuz.

Uma interrupção prolongada poderia afetar diretamente a produção de semicondutores, essenciais para smartphones, veículos elétricos e sistemas de inteligência artificial.

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, líder global na fabricação de chips avançados, conta com geradores de emergência, mas esses sistemas não substituem a rede elétrica em crises prolongadas.

Taiwan mantém reservas de petróleo para aproximadamente 120 dias, mas o estoque de gás natural duraria apenas cerca de 11 dias, segundo especialistas locais.

Índia e o dilema estratégico

A Índia vinha ampliando a compra de petróleo da Rússia, mas um acordo comercial recente com os Estados Unidos previa a substituição gradual desse fornecimento por petróleo de outras origens, sobretudo do Golfo Pérsico. A nova crise, no entanto, pode complicar essa estratégia e elevar os custos energéticos do país.

Impactos globais e alerta diplomático

Pequim pediu publicamente o cessar imediato das operações militares para evitar maior instabilidade econômica global. Analistas alertam que um bloqueio do Estreito de Ormuz teria efeitos catastróficos não apenas para a Ásia, mas para toda a economia mundial.

Mesmo que o fluxo de petróleo seja mantido, a escalada nos preços da energia pode pressionar inflação, contas públicas e crescimento econômico em diversas regiões.

Em um cenário já marcado por tensões comerciais e desaceleração econômica, a crise energética surge como um novo fator de risco para a Ásia e para o equilíbrio do comércio global.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fadel Senna/Agence France-Presse — Getty Images

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Internacional

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz e ameaça incendiar navios; EUA contestam bloqueio

O governo do Irã declarou nesta segunda-feira (2) o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que qualquer embarcação que tentar atravessar a rota será alvo de ataque. A informação foi divulgada pela imprensa estatal iraniana, que atribuiu o anúncio a integrantes da cúpula da Guarda Revolucionária.

De acordo com o comunicado, a medida seria uma resposta direta à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Guarda Revolucionária reforça ameaça no Golfo

Em declaração transmitida pela mídia oficial, Ebrahim Jabari, assessor do comando militar, afirmou que o estreito está interditado e que forças da Guarda Revolucionária e da Marinha iraniana agirão contra qualquer navio que desrespeite a determinação.

O posicionamento representa a advertência mais incisiva desde que Teerã havia sinalizado, no último sábado (28), a intenção de fechar a estratégica rota marítima.

Apesar das declarações, o Comando Central dos Estados Unidos nega que o bloqueio esteja efetivamente em vigor. Segundo a emissora norte-americana Fox News, autoridades militares americanas garantem que o tráfego segue operando.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais corredores marítimos para a exportação de petróleo do Oriente Médio. A passagem conecta grandes produtores da região, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.

Analistas alertam que um bloqueio prolongado pode comprometer cerca de um quinto do fluxo global de petróleo bruto, pressionando fortemente os preços internacionais da commodity.

Mais cedo, a Guarda Revolucionária realizou um ataque com drones contra o petroleiro Athen Nova, que navegava pela região. Fontes ouvidas pela agência Reuters confirmaram o incidente.

Retaliação e escalada militar

Antes mesmo da confirmação do fechamento, militares iranianos já haviam emitido ameaças públicas contra os responsáveis pela morte de Khamenei. Em nota, a unidade de elite do Corpo da Guarda Revolucionária afirmou que os “inimigos” não estariam seguros “nem mesmo em casa”.

O discurso ocorreu pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar em Washington que confia na vitória americana na ofensiva contra Teerã.

Em publicação na rede social X, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian acusou Estados Unidos e Israel de ataques contra uma escola no sul do país e um hospital em Teerã. Segundo ele, os bombardeios deixaram 168 mortos no sábado (28) e atingiram uma unidade hospitalar no domingo (1º). Washington e Tel Aviv não confirmaram autoria.

Pezeshkian classificou os episódios como violações graves dos princípios humanitários e afirmou que o Irã não recuará diante das ofensivas.

Trump prevê conflito de até cinco semanas

Em pronunciamento na Casa Branca, Trump defendeu a operação militar e afirmou que a guerra pode se estender por “quatro ou cinco semanas, ou mais”. O republicano disse que os ataques representam a “última e melhor chance” de neutralizar o que chamou de ameaça do regime iraniano.

Segundo ele, os objetivos incluem destruir o arsenal de mísseis do país, enfraquecer a Marinha iraniana e impedir o avanço das ambições nucleares do Irã. O presidente também reiterou críticas ao acordo nuclear firmado durante o governo de Barack Obama, do qual os EUA se retiraram.

Durante cerimônia em homenagem a veteranos das guerras do Vietnã e do Afeganistão, Trump afirmou que as forças americanas já teriam eliminado lideranças iranianas e afundado ao menos dez embarcações militares do país.

De acordo com a CNN Internacional, quatro militares norte-americanos morreram até o momento, enquanto outros 18 estão em estado grave após ataques retaliatórios iranianos.

Mais cedo, Trump declarou à emissora que uma “grande leva de ataques” ainda estaria por acontecer.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jonathan Ernst/ Reuters

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Agronegócio

Guerra entre EUA e Irã pode elevar custos do agro brasileiro no curto prazo

A guerra entre EUA e Irã deve provocar aumento nos custos do agronegócio brasileiro no curto prazo, principalmente em razão da alta do petróleo, da valorização do dólar e de possíveis mudanças nas rotas de exportação.

Analistas de mercado avaliam que, apesar de não haver indicação de interrupção nos embarques de grãos e carnes ao Oriente Médio, o fechamento do Estreito de Ormuz pode exigir redirecionamento logístico, encarecendo o transporte internacional.

“O mundo hoje não é mais o mesmo da última semana”, resume Luiz Carlos Pacheco, analista da T&F Consultoria. Na avaliação dele, o conflito tende a ser pontual, já que uma guerra prolongada entre as duas potências teria impactos globais relevantes, sobretudo por causa da dependência mundial do petróleo.

Fertilizantes e gás natural entram no radar

Um dos principais pontos de atenção está no mercado de fertilizantes, especialmente a ureia. O Irã é fornecedor relevante do insumo para o Brasil e, em 2025, exportou 184,7 mil toneladas ao país, movimentando US$ 66,8 milhões.

Além disso, o país persa é importante fornecedor de gás natural para nações como Catar, Omã e Nigéria, que produzem nitrogenados destinados ao mercado brasileiro. Segundo Maísa Romanello, analista da Safras & Mercado, uma eventual interrupção no fluxo de gás pode reduzir a oferta global de matéria-prima, elevando preços.

Para Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o impacto ocorre em duas frentes: encarecimento dos fertilizantes e valorização do dólar, que pressiona diretamente os custos de produção e importação.

Milho e carnes: comércio deve continuar

O Irã é o maior comprador de milho brasileiro, com 9 milhões de toneladas importadas em 2025 — o equivalente a 23% do total exportado pelo Brasil. A expectativa do mercado é que a demanda seja mantida, já que os principais embarques acontecem a partir de julho, período em que a crise pode já estar resolvida.

No segmento de proteínas, analistas também projetam continuidade do fluxo comercial, ainda que com maior complexidade logística. O Oriente Médio é destino relevante das exportações brasileiras de frango e carne bovina.

Os Emirados Árabes Unidos lideram as compras de frango brasileiro, com 480 mil toneladas adquiridas em 2025. Já as exportações de carne bovina para a região somaram 223,9 mil toneladas, o equivalente a 6,5% do total vendido pelo país, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Entidades monitoram impactos

A Associação Brasileira de Proteína Animal informou que acompanha os pontos críticos na logística internacional e avalia rotas alternativas já utilizadas em crises anteriores na região.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes declarou que monitora a situação, mas ainda não recebeu relatos de impactos concretos das empresas associadas.

A BRF, que possui operações na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes, afirmou que ativou planos de contingência para garantir o abastecimento e prioriza a segurança de seus colaboradores. A JBS optou por não comentar.

Custos maiores, mas sem ruptura comercial

Apesar do aumento nos custos logísticos, do risco de encarecimento dos fertilizantes e da volatilidade cambial, a avaliação predominante é de que não haverá ruptura na corrente de comércio.

O cenário, no entanto, exige atenção redobrada dos exportadores, que podem enfrentar margens mais apertadas enquanto persistirem as incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Exterior

Especialistas analisam o comércio internacional e o cenário econômico da Venezuela

O Conselho Empresarial de Comércio Exterior da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) promoveu um encontro voltado à discussão de temas estratégicos da agenda econômica brasileira e do comércio exterior. O convidado foi o economista Márcio Sette Fortes, que apresentou a palestra “As perspectivas econômicas e políticas da Venezuela no comércio internacional”.

Durante a exposição, o especialista abordou questões relacionadas a acordos internacionais, financiamento ao comércio e o contexto econômico da América do Sul, com foco nos reflexos para o Brasil e para o Estado do Rio de Janeiro.

Política de preços da Petrobras e impactos no mercado

Ao analisar o setor energético, Márcio Sette destacou a mudança na política de preços da Petrobras, que em 2023 deixou de adotar a Paridade de Preços de Importação (PPI). Segundo ele, embora a medida tenha reduzido a dependência direta da cotação internacional do barril Brent, o país ainda permanece sensível às oscilações globais, especialmente no mercado de diesel.

“O Brasil continua exposto aos preços internacionais, mesmo com ajustes na política interna”, observou o economista.

Indústria petrolífera da Venezuela e reflexos no Rio de Janeiro

O economista também chamou atenção para a situação da indústria de petróleo da Venezuela, que, de acordo com sua análise, enfrenta um quadro de sucateamento após duas décadas de baixo investimento. Esse cenário inviabiliza uma retomada rápida da produção, apesar de o país deter as maiores reservas de petróleo do mundo.

No caso do Rio de Janeiro, o alerta recai sobre os possíveis efeitos de uma eventual ampliação da produção venezuelana sob influência dos Estados Unidos. Uma maior oferta de petróleo no mercado global poderia pressionar os preços internacionais. “O petróleo responde por cerca de 40% do PIB total e 80% do PIB industrial fluminense. Uma queda expressiva nos preços teria impacto direto nas exportações da Petrobras, na arrecadação estadual e na economia do Rio”, afirmou.

Acordos comerciais e integração regional

Outro ponto abordado foi o papel dos acordos de comércio internacional, como o Acordo de Complementação Econômica nº 59 (ACE 59) e o Acordo Mercosul–União Europeia. Márcio Sette também comentou a suspensão temporária — posteriormente revogada — do Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que permite a entrada de produtos brasileiros na Venezuela com tarifa zero, desde que cumpridas as exigências de certificação de origem.

Crise política e desafios econômicos na Venezuela

A reunião contou ainda com uma análise política apresentada pelo vice-presidente do Conselho Empresarial de Comércio Exterior, Pedro Rafael. Ele traçou um panorama da crise venezuelana, combinando aspectos históricos com as recentes mudanças políticas e econômicas.

Segundo Pedro Rafael, a Venezuela enfrenta atualmente um cenário de insegurança jurídica, no qual a recuperação econômica depende da reabertura ao mercado internacional e da regularização de dívidas acumuladas. “A reconstrução econômica e política do país é urgente e passa, necessariamente, pela retomada da confiança institucional”, avaliou.

FONTE: ACRJ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ACRJ

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Comércio Exterior

Comércio Brasil–China bate recorde em 2025 e supera em mais do que o dobro as trocas com os EUA

A corrente de comércio entre Brasil e China atingiu um novo recorde histórico em 2025, somando US$ 171 bilhões (cerca de R$ 918,2 bilhões), segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O resultado representa uma alta de 8,2% em relação ao ano anterior e consolida a China como o principal parceiro comercial do país.

O volume negociado com o mercado chinês foi mais que o dobro do registrado com os Estados Unidos, que movimentaram US$ 83 bilhões (R$ 445,7 bilhões) no mesmo período.

Superávit com a China completa 17 anos consecutivos

O Brasil mantém superávits comerciais consecutivos com a China há 17 anos. Em 2025, o saldo positivo chegou a US$ 29,1 bilhões (R$ 156,2 bilhões), equivalente a 43% de todo o superávit brasileiro com o comércio global.

As exportações brasileiras para a China totalizaram US$ 100 bilhões (R$ 537 bilhões), impulsionadas principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa.

Soja, petróleo e café lideram exportações

A pauta exportadora segue concentrada em soja e petróleo, que continuam como os principais pilares da relação bilateral. A China respondeu por 45% de todo o petróleo exportado pelo Brasil em 2025.

Um dos destaques do ano foi o avanço do café não torrado, cujas exportações dobraram de valor e alcançaram US$ 459 milhões (R$ 2,4 bilhões). Com isso, a China passou a ocupar a posição de segundo maior mercado asiático para o café brasileiro.

Carne bovina cresce, enquanto frango perde espaço

No segmento de proteínas animais, as exportações de carne bovina para a China atingiram um recorde histórico de US$ 8,8 bilhões (R$ 47,2 bilhões), com crescimento próximo de 48%.
Já as vendas de carne de frango recuaram, e a Arábia Saudita assumiu a liderança como principal destino desse produto.

Importações chinesas também atingem patamar histórico

As importações brasileiras da China somaram US$ 70,9 bilhões (R$ 380,7 bilhões), avanço de 11,5% em relação a 2024. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela aquisição de um navio-plataforma de petróleo, avaliado em US$ 2,66 bilhões, e pela forte demanda por veículos híbridos, que totalizaram US$ 1,87 bilhão.

O setor farmacêutico também ganhou destaque, com as importações de insulina crescendo 64 vezes, alcançando US$ 135 milhões.

Comércio com os EUA enfrenta entraves

Enquanto o comércio com a China avança, a relação com os Estados Unidos enfrentou dificuldades em 2025. As sobretaxas impostas durante o governo Trump impactaram cerca de 22% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 8,9 bilhões sujeitos a tarifas adicionais.

Especialistas avaliam que, embora o Brasil busque diversificar seus parceiros comerciais, o eixo asiático tende a permanecer como destino prioritário da produção nacional. A expectativa é de continuidade da forte dependência chinesa, acompanhada por esforços para ampliar o comércio com países como Argentina e Índia.

Fonte: Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e Times Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO TIMES BRASIL

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