Logística

Bioceânica: Estrada consolida guinada liberal do Paraguai

Corredor rodoviário permite conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico, posicionando o país como centro estratégico para exportações na América do Sul

O Paraguai está investindo na construção da Rota Bioceânica como parte de uma estratégia para se estabelecer como principal centro logístico da América do Sul. O projeto, que visa conectar os oceanos Atlântico e Pacífico, representa uma oportunidade histórica para o país sem litoral expandir suas capacidades de exportação.

Atualmente, o acesso ao Paraguai pela rota é feito apenas por balsa, através do rio Paraguai, conectando Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, primeira cidade paraguaia na fronteira. A pequena cidade de menos de 5 mil habitantes dá acesso à rodovia PY15, que atravessa a região do Grande Chaco paraguaio.

Desenvolvimento econômico e social

A rota tem especial importância para a comunidade menonita, grupo de origem europeia que chegou ao Paraguai há 100 anos. Em Loma Plata, no centro do Chaco, a Cooperativa Chortitzer, formada por menonitas, já movimenta mais de 500 milhões de dólares por ano no agronegócio.

Gustavo Sawatzky, presidente do Bancop, destaca que a rota representa uma oportunidade para melhor competitividade nos negócios: “Esta rota faz o mundo cada dia menor para nós. Temos uma grande oportunidade de competir melhor, porque o custo elevado sempre é o frete. Será o verdadeiro Mercosul”.

Avanço das obras e perspectivas

As obras da rota no território paraguaio seguem em ritmo acelerado. Em Mariscal Estigarríbia, o trecho atual conta com aproximadamente 200 quilômetros de estrada de terra até a fronteira com a Argentina. A previsão é que o segmento paraguaio da rota seja concluído em 2026.

O projeto tem impulsionado o crescimento econômico do país. Segundo relatório do Banco Mundial, o Paraguai registrou crescimento de 4,2% do PIB em 2024, o melhor resultado entre os países participantes da Rota Bioceânica. Arnold Wiens, ex-ministro de Obras Públicas do Paraguai, ressalta que o projeto está criando um novo eixo de desenvolvimento: “O Paraguai está integrando território. 61% do território paraguaio não estava conectado em boas condições com os vizinhos”.

Fonte: CNN Brasil


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Logística

Rota Bioceânica: Nova ponte entre Brasil e Paraguai ficará pronta em 2026

A maior e mais cara obra da Rota Bioceânica, que ligará o Brasil ao Paraguai, está em estágio avançado de construção no Pantanal. A ponte, orçada em mais de US$ 100 milhões, conectará Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, com previsão de conclusão em 2026. O tema é abordado na série da CNN Brasil Rota Bioceânica: Brasil rumo ao Pacífico, em exibição no CNN Prime Time, produzida pelo analista Caio Junqueira e pelo cinegrafista Djalma Sena.

Com 75% da obra já executada, a estrutura impressiona por suas dimensões: são 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, incluindo viadutos de acesso e um trecho estaiado com torres de 125 metros de altura. A ponte será a terceira ligação entre os dois países.

Obras complementares e impacto logístico

Para garantir o pleno funcionamento da ponte, estão em andamento as obras de acesso, que se estendem por 13 quilômetros e têm custo estimado em R$ 425 milhões. A complexidade do projeto se deve à necessidade de construção sobre áreas pantanosas. A expectativa é que 250 caminhões utilizem a travessia diariamente após sua inauguração.

Porto Murtinho, município de 15 mil habitantes, prepara-se para se tornar um importante hub logístico. A cidade já conta com um novo plano diretor que visa reorganizar sua infraestrutura pelos próximos dez anos, prevendo inclusive a criação de uma área de serviços específica para atender ao fluxo da rota.

Transformação e desenvolvimento regional

A expectativa é que a população de Porto Murtinho triplique com a chegada de funcionários aduaneiros, agentes de segurança e o aumento do fluxo de pessoas. O município já atrai investidores por sua posição estratégica na bacia platina, contando com porto privado que deve expandir suas operações com a inauguração da rota.

A obra representa uma mudança significativa para a região, historicamente vista como ponto final da logística nacional. Com o corredor bioceânico, a área se transformará em um importante nó logístico, facilitando as conexões comerciais entre o Brasil e os países do Pacífico.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Exportações internacionais do Brasil só crescem, mais três novos mercados oficializados, que foram na Argentina, Paraguai e Indonésia

O Brasil conquistou avanços importantes na abertura de mercado internacional. O anúncio envolve três frentes estratégicas: o Paraguai autorizou a entrada de produtos agrícolas brasileiros, a Indonésia ampliou em 80% o número de frigoríficos habilitados para exportar carne bovina e a Argentina abriu espaço para novos produtos nacionais.

As medidas foram confirmadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e reforçam a posição do país como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo.

Indonésia amplia em 80% número de frigoríficos habilitados

Outro avanço expressivo veio da Indonésia, que autorizou a habilitação de 11 novos frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina.

Com isso, o número de estabelecimentos credenciados passou de 14 para 25, representando um crescimento de 80%.

A medida foi comemorada pelo Mapa, que destacou o esforço do governo em ampliar a abertura de mercado para o Brasil em regiões estratégicas da Ásia.

A Indonésia, que possui população de mais de 270 milhões de pessoas, é vista como um dos destinos mais promissores para a carne bovina brasileira.

Argentina abre vagas para ovos em pó e produtos suínos

abertura de mercado para o Brasil na Argentina incluiu o aceite a ovos em pó para alimentação animal, matérias-primas suínas e miúdos suínos in natura.

O anúncio fortalece a integração comercial entre os dois países e amplia oportunidades de exportação agropecuária.

Paraguai autoriza sementes de chia

No Paraguai, a conquista foi a aprovação para a exportação de sementes de chia produzidas no Brasil.

Essa abertura de mercado para o Brasil fortalece a diversificação das exportações agrícolas, ampliando a presença de produtos nacionais no país vizinho e gerando novas oportunidades para pequenos e médios produtores.

Impacto para o agronegócio brasileiro

Segundo o Ministério da Agricultura, essas novas autorizações somam-se às conquistas recentes e contribuem para fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor confiável no comércio internacional.

Desde 2023, já foram registradas mais de 425 aberturas de mercado, impulsionando o crescimento do setor agroexportador.

Os resultados obtidos junto ao Paraguai, Indonésia e Argentina são mais do que vitórias comerciais: representam um marco no fortalecimento da diplomacia agrícola brasileira.

A cada novo acordo, o país se projeta como potência global no setor e abre caminho para que produtores, cooperativas e exportadores alcancem novas oportunidades de crescimento sustentável.

Com a abertura de mercado para o Brasil em expansão, o futuro do agronegócio nacional se mostra ainda mais promissor no cenário internacional.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Logística

Como a BR-277 se tornará o corredor logístico da fronteira com o Paraguai até o porto de Paranaguá

Pelo retrovisor do caminhão carregado de grãos, o caminhoneiro olha para a cidade de Foz do Iguaçu, na fronteira do Paraná com o Paraguai, antes de acessar a rodovia BR-277. Enquanto o dia nasce no horizonte, o motorista se prepara para mais uma saga logística até o porto de Paranaguá, no outro extremo do estado. A aventura diária que movimenta a indústria e a agricultura da quarta economia do país tem aproximadamente 740 quilômetros, de oeste a leste em terras paranaenses, e os desafios de uma rodovia que não conseguiu acompanhar a força do setor produtivo paranaense.

Há dois anos, o projeto do corredor logístico da BR-277 teve início dentro do novo programa de concessões rodoviárias do governo do Paraná, que corre atrás de décadas perdidas sem investimentos na principal ligação entre a tríplice fronteira e o maior porto graneleiro do Brasil. O atraso nas obras de infraestrutura da BR-277 também é resultado dos contratos firmados no antigo Anel de Integração do Paraná, encerrado em 2021 após mais de 20 anos de concessão e que foram marcados por casos de corrupção, falta de obras e preços elevados nas praças de pedágio.

No segundo semestre de 2023, o grupo Pátria e a EPR arremataram os lotes 1 e 2 das novas concessões, respectivamente, que englobam trechos da BR-277 entre Prudentópolis e Curitiba e na descida pela Serra da Mar até o porto de Paranaguá, considerado o trajeto mais importante para o escoamento da produção do estado. Em resposta às reivindicações do agro e da indústria paranaense, a gestão Ratinho Junior (PSD) antecipou o leilão do lote 6 pela relevância estratégica da BR-277 e pela urgência das obras na rodovia, que pode impulsionar o setor produtivo ou frear o desenvolvimento do estado.

Com a revolução logística prevista até 2034 e a promessa das primeiras obras concluídas a partir de fevereiro de 2027, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) afirma que vai acompanhar cada quilômetro das novas concessões para que o hub rodoviário se torne uma realidade. No último mês de junho, a Fiep lançou o “Observatório dos Pedágios”, plataforma digital para que a sociedade e o setor produtivo acompanhem o andamento das obras nos seis lotes de concessões.

Projeto de corredor logístico na BR-277 tem 484 quilômetros de duplicações

Segundo dados da Fiep, os contratos de concessões dos lotes 1, 2 e 6 exigem a duplicação de 484 quilômetros do trajeto da BR-277 entre Foz do Iguaçu e Paranaguá. Ou seja, para que a rodovia se torne um dos principais corredores logísticos do Sul do país, a BR-277 ainda deve ser duplicada em 65% na ligação oeste-leste.

BR-277

O corredor logístico do oeste até o litoral do Paraná.

Percurso de aproximadamente 740 km entre Foz do Iguaçu e Paranaguá

Fonte: Fiep, ANTT e concessionárias Via Araucária e EPR.

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Internacional, Mercado Internacional

Brasil e Paraguai voltam a se encontrar para abrir Ponte da Integração este ano

Liberação para veículos leves e caminhões vazios depende das obras nas aduanas e de mais conversas entre os dois países.

A tão esperada abertura da Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco, no Paraguai, deu mais um passo importante nesta segunda-feira (29). Durante nova reunião da Comissão Mista Brasil/Paraguai, realizada no Recanto Cataratas, foi discutida a possibilidade de liberar o tráfego na nova ponte a partir de dezembro — mas de forma parcial.

Se tudo der certo, a ponte será aberta primeiro para veículos pequenos, carros de passeio, vans de turismo e caminhões vazios (sem carga). Mas isso só vai acontecer se as obras das aduanas nos dois lados da fronteira estiverem prontas até lá.

Uma nova reunião entre representantes dos dois países já está marcada para o dia 18 de agosto, também em Foz do Iguaçu. Nessa data, a proposta de abertura parcial será apresentada oficialmente pelas chancelarias do Brasil e do Paraguai.

Movimentação política dos dois lados

O presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Debrito, destacou que liberar a nova ponte vai ajudar a diminuir os atrasos e o sufoco de quem cruza todos os dias pela Ponte da Amizade.

O prefeito general Silva e Luna, reforçou que os dois governos sabem da importância da ponte e que, com as aduanas prontas, a liberação parcial em dezembro é viável.

Já o vereador de Presidente Franco, Lúcio Vera, disse que a decisão final depende dos governos federais, mas que vai pressionar para que a liberação ocorra ainda este ano.

A expectativa é grande. A Ponte da Integração deve desafogar o trânsito na região e facilitar muito a vida de quem trabalha, faz compras ou cruza a fronteira com frequência.

Fonte: Portal da Cidade

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Evento

Rodada Internacional de Negócios FEBAP: mais de 200 reuniões entre empresas da Argentina, Brasil e Paraguai

A Rodada de Negócios Internacional em Posadas reuniu mais de 40 empresas metalmecânicas de Misiones e de outras províncias da Argentina, além de representantes do Brasil e do Paraguai, com 200 reuniões comerciais e apoio institucional. O evento projetou negócios no valor de 1,7 milhão de dólares.

A Rodada Internacional de Negócios organizada pela Federação Econômica Brasil Argentina Paraguai (FEBAP) foi realizada no dia 24 de julho no Silicon Misiones, em Posadas. Participaram mais de 40 empresas do setor metalmecânico oriundas da Argentina, Brasil e Paraguai. A Câmara de Representantes de Misiones, o Ministério do Turismo provincial e o Conselho Deliberativo de Posadas reconheceram oficialmente a atividade. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o evento gerou uma expectativa de negócios estimada em 1.700.000 dólares.

“Esse setor sugerido, onde empresas de Misiones terão toda a parte de contatos com aquelas que estão dentro da área de atuação da FEBAP — que, do lado brasileiro, corresponde ao estado do Rio Grande do Sul, e do lado paraguaio ao departamento de Itapúa. Ambos têm zonas de produção agrícola, industrial e comercial, com presença significativa de empresas familiares”, comentou Daniel Ríos, presidente da FEBAP Argentina, ao Canal Doce. Ele também mencionou que, do lado argentino, participam empresas de Misiones e da cidade de Ituzaingó, em Corrientes.

FEBAP destacou o caráter institucional e regional do encontro

“A Federação, no que diz respeito a eventos, sempre propôs, a Federação não impõe. A FEBAP sempre atuou em conjunto com o Estado provincial, com as instituições parceiras, que são as câmaras de comércio e indústria das cidades de Posadas, Leandro N. Alem, as fundações que tratam de temas econômicos, culturais, sociais, e os conselhos profissionais que têm contribuído academicamente ao longo da história da federação, que neste ano completa 35 anos”, declarou Ríos a respeito.

“Esse evento, como rodada de negócios, não será um fato isolado, porque os contatos já foram realizados; as empresas puderam se reconhecer entre si em mais de 200 reuniões. Ontem, em um intervalo muito curto, a cada quinze minutos, as empresas dos três países se revezavam, e cada uma havia manifestado previamente, na inscrição, a intenção de comprar ou vender”, afirmou o presidente da FEBAP Argentina. Além disso, as rodadas foram organizadas com inscrição prévia e coordenação logística para garantir que cada encontro cumprisse seu objetivo comercial.

SEBRAE apoiou o evento e coletou dados sobre o intercâmbio empresarial

Da mesma forma, o dirigente destacou que “a expectativa em relação aos negócios foi uma informação fornecida pelo SEBRAE. O SEBRAE é um serviço de apoio à média e pequena empresa, que participou do evento. Agradecemos especialmente a todo o pessoal da instituição, bem como à presidente do Silicon Misiones, Alicia Penayo, que acompanhou e esteve presente ontem”. Durante a jornada, foram aplicadas pesquisas aos empresários participantes, cujos resultados permitiram projetar o volume esperado de negócios.

“Todos saíram enriquecidos em termos de habilidades relacionadas ao conhecimento tecnológico, matérias-primas e serviços. E não sei se podemos falar em competição, mas sim em fortalecimento nesse campo, que não é um fato isolado. Misiones tem tecnologia, tem empresas com uma visão voltada para o futuro”, afirmou o dirigente. Ele também destacou que esse fortalecimento tem projeção internacional na região, com foco na expansão para o Brasil e o Paraguai.

A Câmara de Representantes e órgãos locais declararam a jornada de interesse público

Sobre o apoio institucional à Rodada Internacional de Negócios, o evento contou com a declaração de interesse da Legislatura Provincial, do Conselho Deliberativo de Posadas e do Ministério do Turismo.

“Isso coloca a Federação, a FEBAP, em um lugar que sempre buscamos ocupar por meio da representatividade. Sempre trabalhamos em conjunto com as instituições — como mencionei, com o Estado provincial — e o valor que foi dado ao longo dos anos pelas diretorias anteriores é o caminho que a Federação conquistou por meio de todas as suas realizações”, destacou o representante da federação internacional.

Fonte: Doce TV

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Economia

Fronteiras viram termômetro da economia entre Brasil, Argentina e Paraguai

Reportagem do La Nación mostra como o câmbio afeta o comércio, o turismo e até a saúde na região da tríplice fronteira.

A tríplice fronteira não é um tema frequente na grande imprensa argentina. Mas, neste sábado (05), a edição do jornal La Nación, de Buenos Aires, traz uma reportagem de Erica Gonçalves que conseguiu captar como funciona a economia onde os três países se encontram.

A primeira constatação dela é o que qualquer um já percebeu: “As oscilações econômicas e a cotação das moedas determinam o ritmo de vida e as filas na tríplice fronteira”.

Já na fronteira do Brasil com a Argentina, ela viu que uma longa fila de pessoas aguardava para entrar no país vizinho, depois de fazer compras em Foz e em Ciudad del Este. “Sacolas de supermercado enchiam os porta-malas.”

O tráfego intenso, no horário em que ela passou, fazia com que os procedentes de Ciudad del Este levassem uma hora e meia para chegar à fronteira argentina.

A Argentina, hoje, tem uma oscilação de preços que faz com que os produtos adquiridos no Brasil se tornem mais atrativos.

“No Brasil, a carne pode custar a metade (do preço na Argentina); algumas frutas e verduras chegam a ser 70% mais baratas. No Paraguai, roupas e artigos para casa têm até 60% de diferença — o mesmo ocorre com alguns produtos em Foz do Iguaçu. Na gastronomia, cruzar a fronteira pode representar uma economia de até 30%”, contou a jornalista.

Segundo ela, melhores preços, atendimento profissional e restaurantes mais acessíveis levam todos os que vivem ou circulam pela região a comprar em Ciudad del Este e Foz.

Com Pix

Dalila, de 30 anos, moradora de Puerto Iguazú, contou a Erica que, uma vez por mês, vem a Foz e compra tudo o que precisa. Ela estava no Max Atacadista de Foz. “Aqui é muito mais barato: uma compra mensal me custa $220.000, enquanto lá a semanal sai por $120.000. Pago com Pix, que é como o Mercado Pago do Brasil”, contou, complementando que todos que têm carro, em Puerto Iguazú, fazem o mesmo.

“O ritmo das fronteiras muda conforme o câmbio”, afirmou Marcelo, argentino que mora em Ciudad del Este há mais de 15 anos.

“Eu cruzo todos os dias para levar passageiros e aproveito para comprar o que falta no dia. Levo de tudo porque vale metade”, disse Ezequiel, taxista de Puerto Iguazú, enquanto também fazia compras no Max Atacadista.

“Na alfândega, se for para consumo familiar, não tem problema.” Ele e sua esposa ainda se impressionam com as diferenças de preço: “5 kg de arroz aqui no Brasil custam R$17, ou $3.400 pesos argentinos. Na Argentina, 1 kg custa $2.200. A cartela de ovos em Foz sai por $4.400, e em Puerto, $7.300.”

Ele lembrou que, até um ano e meio atrás, Misiones estava cheia de brasileiros e paraguaios. “Agora os supermercados têm prateleiras vazias. O negócio ficou restrito aos turistas.”

Inversão

O gerente de uma multinacional americana lembrou que, “até uns oito meses atrás, todos cruzavam para Puerto Iguazú para comprar comida, jantar e abastecer. Agora mudou: é o lugar mais caro dos três”. “Hoje são os missioneiros que cruzam para fazer compras, e a fila mais crítica é a de saída. As fronteiras na região são um termômetro.”

Os táxis argentinos cobram cerca de $50.000 (R$ 218,00) para ir até Foz e voltar para Puerto com o porta-malas cheio. “Mesmo com esse custo, ainda vale a pena: a maioria dos produtos aqui (em Foz) custa a metade”, disse um taxista.

A jornalista do La Nación observou também que os paraguaios são fregueses dos supermercados de Foz. “Aqui é 30% mais barato”, disse a paraguaia Carolina, enquanto colocava as compras no carro. Ela afirmou que quase não vai mais para Puerto Iguazú. “Não vale mais a pena comprar lá.” Segundo ela, o controle migratório argentino desestimula: “É muita burocracia, e isso faz a gente perder tempo. A fila não compensa.”

“Hoje, 50% dos nossos clientes vêm do Paraguai e da Argentina”, disse Vinicius, funcionário do Max Atacadista. “Costumam vir bem cedo ou no fim do dia. O número de argentinos aumentou bastante depois da desvalorização do real. Eles compram de tudo”, afirmou.

Diante dos preços brasileiros, o setor de supermercados de Misiones se transformou. Ramón, com 20 anos de trabalho no supermercado Capicüa, contou que 80% das vendas vêm do turismo e que, hoje, os moradores de Puerto Iguazú compram apenas o necessário para o dia. “Os brasileiros ainda vêm comprar vinhos e itens finos. Antes levavam sem olhar o preço. Agora comparam.”

Para os missioneiros, os bons preços do Brasil e do Paraguai vão além dos supermercados e da eletrônica. “Em Ciudad del Este tem tênis falsificado com bom preço. Casacos de frio por US$20 e roupas de cama de qualidade”, disse Marisa, de Puerto Iguazú. Susana prefere o setor têxtil: “Compro roupas em Foz.” Os ônibus que vão a ambas as cidades tornam o deslocamento fácil.

Diana, dona da Mia Mía Boutique, em Puerto Iguazú, admite que as vendas caíram nos últimos seis meses. “Os preços do Brasil nos afetam muito. Só conseguimos manter o negócio porque temos clientes fiéis”, afirmou.

Liliana, funcionária do tradicional restaurante La Rueda, reconhece que a clientela da tríplice fronteira diminuiu. “Temos muitos clientes brasileiros, mas é verdade que, depois da pandemia, o movimento local caiu. Hoje, nosso foco são os turistas”, disse.

O restaurante 4 Sorelle, em Foz, atrai clientes da região. “Cerca de 20% vêm do Paraguai e da Argentina. É um número importante para nós: 90% deles são clientes habituais.”

Os vendedores da Feirinha de Puerto Iguazú — um mercado com produtos locais — dizem que a inflação pós-pandemia e a desvalorização do real afetaram os negócios. “Os clientes sempre dizem que antes era mais barato”, relatou Silvia, da Barraca Daloira.

O vinho argentino ainda é valorizado no Brasil. “Alguns compram por R$230 para revender por R$1.000”, disse Clara, funcionária da Argentinian Wine.

Ciudad del Este

Logo após o controle migratório paraguaio, começa o centro de Ciudad del Este, valorizado por quem busca preços baixos. Ao contrário das outras cidades, ela possui um regime aduaneiro especial, quase como uma zona franca. Os preços baixos são resultado de tarifas de importação reduzidas ou até nulas.

Trocas de moeda ocorrem o tempo todo. “Aqui tem de tudo, entendeu? De tudo mesmo”, disse Manuel, um cambista de 68 anos. “Por dia, passam cerca de 500 brasileiros e 300 argentinos. Muitos são moradores da tríplice fronteira.”

Os preços de Ciudad del Este atraem comerciantes do Brasil e da Argentina, mas as regulações impõem limites. “Em Foz só é permitido trazer até cinco peças iguais. Alguns contratam ‘passadores’ para levar o excedente”, disse uma vendedora de óculos.

Na Argentina, as compras não podem passar de US$300, e há quem contrate transporte irregular. “Custa US$35 para cruzar mercadoria de barco.”

“Nossos produtos custam 50% a mais no Brasil e o dobro na Argentina”, disse Luis, da Nasser Cubiertas (cubierta, em espanhol, é pneu). O mesmo ocorre com autopeças e artigos para casa.

Alguns setores sentiram o impacto das mudanças econômicas. “No inverno, os brasileiros vinham buscar casacos, mas agora diminuíram. O dólar está mais caro para eles”, disse Rosa, da loja Shopping Berlín. Atualmente, 15% dos clientes são de Puerto Iguazú.

Willy, de Santa Terezinha de Itaipu, cruza todos os dias para trabalhar como gerente na perfumaria Elegancia, em Ciudad del Este. “Muitos brasileiros trabalham no comércio paraguaio. No Brasil ganham R$1.500; no Paraguai, R$2.400.” No Brasil, os paraguaios dominam o setor da construção civil.

Empresários brasileiros também instalam seus negócios em Ciudad del Este. Ayham, há 25 anos no Paraguai, tem loja no Shopping Vendôme: “70% dos funcionários são de Foz. Só quatro são paraguaios.”

Nahiara, 18 anos, paraguaia, cursa Medicina na Universidade Privada do Este. “Na minha turma somos 123; só 30 são paraguaios, o resto é brasileiro.” Ela destaca que muitas universidades se instalaram ali para atender brasileiros.

Nataly, de Ciudad del Este, estuda Odontologia em Foz: “Busquei uma formação de qualidade”, e já precisou cruzar a ponte a pé para não perder aula.

Saúde

“Paraguaios e brasileiros não vêm mais comprar remédios aqui porque estão caros”, disse Natalia, da Macrofarma, em Puerto Iguazú. “Antes levavam tudo, agora parou. Depois da pandemia, os preços dispararam.”

Um analgésico que, na Argentina, custa US$2 sai por US$0,75 no Paraguai.

Farmácias de Foz confirmam: “Temos muitos clientes argentinos. Dizem que os preços lá estão 200% mais altos”, disseram funcionários da São João.

A saúde é motivo vital para cruzar a fronteira. “Vou tirar documentos argentinos para operar o joelho lá”, disse Daniel, de uma empresa de logística no Paraguai. “É mais barato, e os médicos são melhores. A saúde pública no Paraguai morreu.”

“Paraguaios com documentos brasileiros se tratam em Foz, e os com documentos argentinos, em Puerto Iguazú ou Eldorado”, disse Claudia, motorista de aplicativo. Muitos com câncer tentam tratamento fora. “Em Misiones há muito controle. Em Foz, cobram R$2.000 para simular que paraguaios vivem com eles e tenham acesso ao SUS.”

Foz atrai os de maior poder aquisitivo. “Famílias levam os filhos a pediatras de Foz. Também consultam oftalmologistas e ginecologistas lá”, disse Cecilia, moradora temporária do Paraguai.

“Os exames são bons. Quando o real está barato, compensa fazer os testes no Brasil”, completou.

Ezequiel, o taxista, confirmou: “Os ricos de Misiones se tratam em Foz. E também quem tem convênio com cobertura no Brasil”.

Fonte: Portal da Cidade

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Exportação, Exportadores agrícolas, Mercado Internacional

Exportações de milho paraguaio crescem

As exportações de milho paraguaio mostram sinais de recuperação em 2025, com aumento nas vendas e nas divisas, apesar do baixo estoque da safra anterior.

Entre junho de 2024 e maio de 2025, foram enviadas 1,9 milhão de toneladas — menos do que no período anterior, mas as exportações por ano-calendário aumentaram em 112.741 toneladas.

Certamente, esse crescimento gerou receitas de 93 milhões de dólares, 23 milhões a mais do que em maio de 2024. Segundo Sonia Tomassone, assessora de comércio exterior da Capeco, a melhora nos preços foi influenciada pelo mercado brasileiro e pela escalada do conflito no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo e beneficiou o consumo de etanol de milho.

O Brasil continua sendo o principal destino do milho paraguaio, absorvendo 92% das exportações, seguido por Uruguai, Senegal, Camarões e Chile. O relatório também destaca que Agrofértil, LAR e C. Vale lideram o ranking de exportadores com 44% do volume total.

Embora o mercado apresente volatilidade nos preços, as usinas de etanol mantêm uma demanda constante que ajuda a estabilizar as vendas internas. Espera-se que os embarques referentes à safra 2025 comecem entre junho e julho, o que poderá impulsionar novamente o volume exportado nos próximos meses.

As condições climáticas e a dinâmica do mercado regional continuarão sendo fatores-chave para o comportamento do comércio de milho no Paraguai. Especialistas também apontam que a demanda do Brasil e de outros países vizinhos poderá manter a pressão sobre os preços e as exportações.

Por isso, produtores e exportadores estão atentos às flutuações para ajustar suas estratégias comerciais e também aproveitar as oportunidades em um ambiente que continua volátil, mas com potencial de crescimento.

Fonte: Todo Logística News

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Comércio, Negócios

Brasil e Paraguai ampliam diálogo comercial em rodada de negócios do Brazilian Renderers

A capital paraguaia foi palco de mais uma rodada internacional de negócios promovida pelo projeto Brazilian Renderers, uma parceria entre a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O Business Connection Paraguai foi realizado na Embaixada do Brasil em Assunção, no dia 12 de junho, reunindo autoridades, empresas e representantes do setor de nutrição animal para promover o que há de melhor na reciclagem animal do Brasil.

Com apoio institucional da Embaixada e participação de empresas brasileiras associadas à ABRA, o evento proporcionou um ambiente estratégico de aproximação comercial com o mercado paraguaio. A abertura oficial contou com a presença do encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Assunção, ministro Emerson Kloss, seguido de falas institucionais e apresentações do setor. O apoio da Embaixada foi fundamental para o sucesso do evento.

Representando o setor brasileiro junto da equipe ABRA, o presidente da Câmara de Comércio Exterior da ABRA (CAMEX), Charbel Syrio, deu as boas-vindas aos participantes e destacou o potencial de integração comercial entre os dois países no campo da nutrição animal, com foco na qualidade dos ingredientes produzidos pela indústria brasileira de rendering.

O evento contou com importante a presença de autoridades e lideranças do setor agroindustrial paraguaio, incluindo o Dr. José Carlos Martin Camperchioli, presidente do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (SENACSA); Alfred Fast, da Federação de Cooperativas de Produção (FECOPROD); Fabio Fustagno, presidente da Câmara de Comércio Paraguai-Brasil; José Bareiro, presidente da Câmara Paraguaia de Empresas de Nutrição Animal; Nestor Zarza, presidente da Associação de Avicultores do Paraguai; Hugo Schaffrath, presidente da Associação de Criadores de Suínos do Paraguai; e Nevercendo Cordeiro, membro titular da Comissão Diretiva da Associação Rural do Paraguai.

Conexões comerciais

Produtiva e bem direcionada, a rodada de negócios entre empresas brasileiras e representantes do mercado paraguaio foi o grande destaque do Business Connection Paraguai, abrindo espaço para conexões e oportunidades comerciais concretas. Ao longo do encontro, os participantes puderam conhecer de perto as soluções da indústria brasileira de reciclagem animal, que atestou a qualidade e o potencial de fornecimento para o país vizinho.

Participaram da rodada de negócios as empresas A&R Nutrição Animal, Minerva e Protein Meal Tec, que estiveram presentes em Assunção, além de Avenorte Avícola, Ayamo, BRF Ingredients, FASA by Darling, Friboi, Levo Alimentos, Patense e Seara Alimentos, participando de forma online. Juntas, elas apresentaram ao mercado paraguaio seus portfólios de produtos e soluções em nutrição animal, reforçando a capacidade do Brasil de atender às demandas internacionais com qualidade, segurança e competitividade.

Encerrando a programação, o público foi convidado a um coquetel de confraternização promovido pela REAM 2025, reforçando o ambiente de networking estabelecido ao longo do dia.

Brazilian Renderers

Desde 2012, a ABRA e a ApexBrasil promovem em parceria o projeto Brazilian Renderers, com o objetivo de fomentar as exportações do setor de Reciclagem Animal — farinhas, gorduras, hemoderivados, palatabilizantes e proteínas hidrolisadas de origem animal. Por meio da participação em feiras, realização de workshops e outras ações especiais de promoção comercial, os projetos valorizam atributos da indústria da reciclagem animal e seus produtos — como a qualidade, o status sanitário e a sustentabilidade da produção — e valorizam as marcas internacionais dos produtos, fomentando novos negócios para os exportadores brasileiros. Informações sobre como fazer parte dos projetos setoriais podem ser obtidas pelo site brazilianrenderers.com.

Fonte: Informativo dos Portos

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Informação, Internacional

Perimetral Leste: Paraguai conclui obra da aduana; no lado brasileiro, execução chega a 77%

DER mantém entrega da rodovia para novembro deste ano; no Paraguai, ponte sobre Rio Monday será finalizada em 2026.

A obra das aduanas Brasil–Paraguai e Brasil–Argentina, que fazem parte do complexo da rodovia Perimetral Leste, chegaram a 77,31% da execução, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER). 

No lado paraguaio, a aduana — erguida em Presidente Franco — já está pronta e permite a passagem de carros pequenos pela Ponte da Integração, que liga o município a Foz do Iguaçu.

No entanto, a circulação de veículos ainda depende da conclusão das duas aduanas situadas em Foz do Iguaçu.

A aduana Brasil–Paraguai está sendo construída na cabeceira da Ponte da Integração, e a aduana Brasil–Argentina, próximo à Ponte da Fraternidade, ligação entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú.

Na aduana perto do Paraguai, em maio, de acordo com informe do DER, estavam sendo feitas as instalações dos acabamentos internos e dos revestimentos metálicos nas fachadas. Também começou a execução de meio-fio e de calçadas no pátio.

Já na aduana da entrada da Argentina, é possível observar a mudança da paisagem com a obra que fica na lateral da ponte. Lá, conforme o DER, o trabalho está voltado para assentamento de revestimentos cerâmicos, aplicação de revestimentos argamassados, execução de divisórias em drywall e instalações elétricas e hidrossanitárias. No pátio, já estão sendo erguidos muros de contenção.

De acordo com a Receita Federal (RF), com a inauguração do prédio, o edifício da atual aduana brasileira será desativado, porém ainda não se sabe o que será feito no espaço.

Uma ponte à espera de duas aduanas

Pronta desde 2023, a Ponte da Integração depende da conclusão das duas aduanas no Brasil e de obras complementares para que o trânsito de caminhões seja liberado.

No lado paraguaio, a aduana situada em Presidente Franco, nas proximidades da cabeceira da ponte, está pronta, e o Terminal de Cargas da Administração Nacional de Portos (ANP), com 96% das obras executadas, segundo a engenheira Laura Arevalo, encarregada do Escritório de Apoio da Ponte da Integração e do Corredor Metropolitano del Este.

As obras no lado paraguaio fazem parte do Corredor Metropolitano del Este, que incluiu, além da aduana, situada a três quilômetros da cabeceira da Ponte da Integração, outras cinco obras complementares.

Entre essas obras, há três rodovias, uma delas começa no quilômetro 17 da PY 02, em Minga Guazú, e segue até a rodovia PY 07, em Los Cedrales.

Outra importante edificação, imprescindível para habilitar a circulação de caminhões pela Ponte da Integração, é a ponte sobre o Rio Monday, cuja execução está em 20% e tem previsão de ser entregue apenas em 2026.

“Para a circulação de turistas estamos à espera da habilitação da Ponte da Integração, porém falta terminar a ponte sobre o Rio Monday para a travessia de caminhões pesados”, esclarece a engenheira.

Segundo o Ministério de Obras Públicas (MOC), do Paraguai, as obras complementares, em ambos os países, seriam concluídas somente no ano que vem.

No Brasil, o DER informou que as obras da Perimetral Leste serão entregues em 30 de novembro deste ano.

Com investimento de aproximadamente R$ 86 milhões até abril deste ano, a Perimetral Leste tem 15 quilômetros. A rodovia ligará a BR-277 à Ponte da Integração Brasil–Paraguai e à Ponte Tancredo Neves.

Fonte: H2Foz

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