Mercado de trabalho

Mulheres no comércio exterior e logística: presença cresce, mas liderança ainda é desafio

Tradicionalmente dominados por homens, os setores de comércio exterior, logística e supply chain vêm registrando aumento gradual da participação feminina. Mesmo com avanços nos últimos anos, as mulheres ainda enfrentam desafios relacionados à ocupação de cargos estratégicos e à presença em áreas operacionais.

Participação feminina na logística e supply chain

Levantamentos internacionais indicam que a presença feminina no setor logístico tem crescido, especialmente em áreas administrativas, planejamento e gestão da cadeia de suprimentos.

Uma pesquisa global realizada pela consultoria Gartner aponta que as mulheres representam cerca de 40% da força de trabalho na área de supply chain, considerando funções como logística, planejamento, compras e distribuição.

Apesar desse avanço, a participação diminui conforme aumenta o nível hierárquico. Dados do mesmo estudo indicam que:

  • 31% dos cargos de direção em supply chain são ocupados por mulheres;
  • 26% das posições executivas ou de vice-presidência são ocupadas por profissionais do sexo feminino.

Esse cenário evidencia que o chamado “teto de vidro” ainda é um desafio para o crescimento profissional das mulheres no setor.

Mulheres ainda são minoria em áreas operacionais

Quando se analisam funções diretamente ligadas ao transporte, armazenagem e operações logísticas, a participação feminina ainda é menor.

Estudos do setor logístico indicam que cerca de 12% dos empregos em transporte e armazenagem são ocupados por mulheres em nível global, refletindo uma desigualdade histórica em atividades tradicionalmente associadas a trabalhos físicos ou ambientes predominantemente masculinos.

No entanto, a digitalização da logística, a automação e o crescimento do e-commerce vêm criando novas oportunidades em áreas mais tecnológicas e estratégicas, o que tende a ampliar a presença feminina no setor.

Crescimento da presença feminina no setor

Apesar dos desafios, a participação das mulheres na cadeia logística tem apresentado evolução ao longo das últimas décadas.

Levantamentos do setor apontam que aproximadamente 41% dos profissionais da cadeia de suprimentos no mundo são mulheres, um dos maiores níveis já registrados.

Esse crescimento também está ligado a políticas corporativas voltadas à diversidade e inclusão, além de programas de incentivo à liderança feminina dentro das empresas.

Mulheres no comércio exterior

No comércio exterior, a presença feminina costuma ser mais expressiva do que nas operações logísticas mais pesadas. Muitas funções do setor envolvem atividades como:

  • negociação internacional
  • gestão documental e aduaneira
  • análise de mercado
  • coordenação logística e comercial

Essas áreas exigem competências em gestão, comunicação, idiomas e estratégia, habilidades que têm ampliado a presença feminina nas equipes de comércio internacional.

Nos últimos anos, redes de networking e iniciativas voltadas à liderança feminina no comércio exterior também têm se fortalecido, contribuindo para ampliar oportunidades e visibilidade para profissionais mulheres.

Perspectivas para o futuro

Especialistas apontam que a expansão do comércio global, o crescimento do e-commerce e a transformação digital da logística devem ampliar ainda mais as oportunidades para mulheres.

Entre as tendências que favorecem esse avanço estão:

  • automação e digitalização das operações logísticas
  • crescimento da gestão estratégica da cadeia de suprimentos
  • políticas corporativas de diversidade e inclusão
  • incentivo à formação feminina em áreas estratégicas da economia

Apesar dos avanços, a igualdade plena de oportunidades no comércio exterior e na logística ainda depende de mudanças culturais, investimento em formação profissional e políticas corporativas voltadas à diversidade.

Tendência e valorização

Atento a essa realidade e ao potencial transformador da liderança feminina, o ReConecta News também tem buscado incentivar a presença e o protagonismo das mulheres nos setores de comércio exterior e logística. Por isso, existe o Encontro das Divas do Comex&Log, uma iniciativa voltada a promover conexões, troca de experiências e fortalecimento da rede de mulheres que atuam nessas áreas estratégicas da economia.

O evento nasceu com o objetivo de valorizar trajetórias profissionais, estimular o networking e ampliar o espaço para debate sobre os desafios e oportunidades para mulheres no setor. A próxima edição do encontro já tem data marcada e será realizada no dia 31 de março, em Itajaí (SC), reunindo profissionais, empresárias e lideranças para mais um momento de aprendizado, inspiração e conexão. O tema dessa edição será “Desenvolvimento de Carreira”.

SAIBA MAIS AQUI.

Fontes:

  • Gartner – Women in Supply Chain Survey
  • Supply Chain Brain – Women in Supply Chain Workforce Statistics
  • CEVA Logistics – estudos sobre diversidade no setor logístico
  • Organização Internacional do Trabalho (OIT) – dados sobre participação feminina em transporte e logística

Texto: Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e contou com curadoria e revisão da equipe do portal Reconecta News.

Imagem: ReConecta News

Ler Mais
Exportação

Programa Elas Exportam amplia vagas e inclui setor de serviços na 6ª edição

O Programa Elas Exportam chega à sexta edição com novidades. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos anunciaram nesta segunda-feira (2/3) a abertura do edital 2025, que marca a expansão da iniciativa e passa a incluir empresas do setor de serviços. As inscrições seguem abertas até 31 de março.

Criado para fortalecer a presença de mulheres no comércio exterior, o programa agora terá edições anuais e ofertará 120 vagas para empresas mentoradas.

Expansão para TI, audiovisual e games

A principal novidade desta edição é a inclusão de 30 vagas destinadas a negócios dos segmentos de Tecnologia da Informação (TI), audiovisual e games, refletindo o crescimento dos serviços digitais na pauta exportadora brasileira.

Segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, a ampliação acompanha a transformação do comércio global, em que áreas criativas e tecnológicas ganham protagonismo e ampliam oportunidades de internacionalização para empresas lideradas por mulheres.

Dados recentes mostram que, em 2025, as exportações brasileiras de serviços atingiram o recorde de US$ 51,8 bilhões, sendo 65% referentes a serviços entregues digitalmente. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico aponta ainda que os serviços representam cerca de 40% do valor agregado das exportações de manufaturados do Brasil.

A iniciativa também dialoga com ações como o painel interativo ComexVis Serviços, lançado pelo MDIC para dar transparência aos números do setor.

Como participar do Elas Exportam 2025

As inscrições estão abertas em duas frentes:

• Seleção de empresas mentoradas
• Banco de Mentoras

Podem se candidatar como mentoradas empreendedoras e líderes de empresas formalizadas e em operação no mercado nacional, que ainda não tenham experiência relevante em exportação, mas desejem se preparar para acessar o mercado internacional.

Para atuar como mentoras, é necessário ter experiência comprovada em comércio exterior, negócios internacionais ou internacionalização de empresas, além de vínculo profissional ativo com organização pública ou privada.

O Banco de Mentoras, regulamentado por edital publicado no Diário Oficial da União em fevereiro de 2025, continua válido. As integrantes atuais serão consultadas sobre a permanência no programa.

Capacitação e política pública

O Programa Elas Exportam integra a Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE) e o Programa Mulheres e Negócios Internacionais da ApexBrasil. A proposta é desenvolver competências técnicas e socioemocionais voltadas à internacionalização, por meio de mentorias individualizadas e capacitações especializadas.

A diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza, destaca que a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para ampliar a presença de empresas lideradas por mulheres no comércio exterior brasileiro.

O programa conta com apoio do Banco do Brasil e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, além de parcerias com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e a ICC Brasil, no âmbito da Estratégia Nacional de Propriedade Intelectual. A avaliação de impacto é conduzida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Resultados e reconhecimento internacional

Desde a criação, o programa já contemplou 219 empresas mentoradas e envolveu 196 mentoras em todas as regiões do país. Em 2025, a iniciativa recebeu o Prêmio Igualdade de Gênero no Comércio, concedido pela Organização Mundial do Comércio, na categoria Mulheres Empreendedoras.

Entre os casos de sucesso estão a Ôdecasa Bordados, que realizou sua primeira exportação para a Itália; a Wecare Skin, que passou a vender para a Suíça; e a Eri Candle, que estruturou uma linha voltada ao mercado internacional e institucional.

Com a ampliação para o setor de serviços e a consolidação como política pública, o Elas Exportam reforça a estratégia de diversificação da base exportadora e de promoção da equidade de gênero no comércio exterior.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

Ler Mais
Comércio Exterior

Protagonismo feminino no comércio exterior: programa da ApexBrasil vence prêmio internacional na África do Sul

Iniciativa “Mulheres e Negócios Internacionais” (MNI) é reconhecida como a melhor do mundo em inclusão e sustentabilidade de negócios pelo WTPO Awards 2024

O programa Mulheres e Negócios Internacionais (MNI), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), conquistou mais um reconhecimento global ao vencer o WTPO Awards 2024 – na categoria “Melhor iniciativa que garante a inclusão e sustentabilidade de um negócio”. A premiação, promovida pelo International Trade Centre (ITC), foi entregue nesta terça-feira (22) em Joanesburgo, África do Sul, durante a primeira Reunião Ministerial Global de Pequenas e Médias Empresas.

A premiação destaca o impacto transformador do programa no fortalecimento da presença feminina no comércio exterior, tornando o Brasil referência em iniciativas de inclusão de gênero e empoderamento feminino no mercado internacional.

Mulheres liderando negócios globais

Idealizado por Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da ApexBrasil, o MNI foi criado em 2023 com o propósito de inserir mais mulheres no ecossistema de exportações e promover a equidade de gênero no comércio exterior. “A aspiração de trazer mais mulheres para os negócios internacionais está se concretizando em ações efetivas, impactando centenas de empresárias e ecoando no trabalho de diferentes entidades e parceiros governamentais”, afirmou Repezza.

Com ações estruturadas e parcerias estratégicas, o MNI já transformou a trajetória de mais de 1.400 empresas lideradas por mulheres, com 63% dessas empresas sendo de micro e pequeno porte, segmento prioritário para o desenvolvimento inclusivo do Brasil.

Reconhecimento global e impacto local

Esse é o terceiro prêmio internacional que a iniciativa recebe. Em 2024, o programa também foi laureado com o Prêmio de Boas Práticas do Movimento Elas Lideram 2030, da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Além disso, o programa “Elas Exportam”, do MDIC – vinculado ao MNI – ganhou o Prêmio Igualdade de Gênero no Comércio, da OMC, na Suíça.

Segundo Repezza, combate à desigualdade de gênero exige ações permanentes: “Incluir mulheres nos fluxos de comércio exterior gera riqueza, renda e impactos intergeracionais. Cada reconhecimento reforça nosso compromisso com uma economia mais inclusiva.”

MNI: inclusão de gênero como estratégia institucional

Desde sua criação, o MNI tornou-se ação transversal na ApexBrasil, influenciando todos os projetos da Agência com a aplicação de uma lente de gênero. O objetivo é ampliar as oportunidades para empreendedoras brasileiras nos mercados internacionais, com apoio estruturado em capacitação, inteligência de mercado e inserção em feiras e rodadas de negócio.

MPEs ganham protagonismo na exportação brasileira

O apoio às micro e pequenas empresas (MPEs) tem sido uma das prioridades da ApexBrasil. Em 2024, a Agência apoiou 20.596 empresas, sendo 54,2% de micro e pequeno porte – um aumento de mais de 50% em relação a 2023. O Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) capacitou 5.071 empresas este ano, 70% delas MPEs.

Dados da Secex/MDIC mostram que o número de pequenas empresas exportadoras cresceu 112,45% nos últimos 10 anos.Em 2024, foram 5.952 microempresas e MEIs e 5.480 pequenas empresas exportando ativamente.

No entanto, o desafio permanece: as MPEs respondem por menos de 1% do valor total exportado pelo Brasil (US$ 2,6 bilhões dos US$ 337 bilhões). Por isso, ações como o MNI são fundamentais para quebrar barreiras de entradaconectar empresárias a compradores internacionais e incentivar a internacionalização de negócios liderados por mulheres.

Próximos passos: interseccionalidade e redes globais

De acordo com Maira Cauchioli, especialista líder do programa MNI, o foco agora é expandir as ações para além da questão de gênero: “Vamos atuar na interseccionalidade com raça/etnia e fortalecer redes de relacionamento internacionais. Também vamos mapear mulheres atuantes no comércio exterior e conectá-las a compradores e investidores inclusivos.”

A ApexBrasil acredita que o comércio exterior pode ser uma ferramenta poderosa de transformação social, e que mulheres protagonistas nos negócios internacionais representam uma força crescente na economia brasileira.

Texto: REDAÇÃO / FONTE: APEX BRASIL

Imagem: DIVULGAÇÃO

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook