Logística

Marinha amplia calado na foz do Amazonas e fortalece logística dos portos do Arco Norte

A Marinha do Brasil autorizou o aumento do calado operacional no chamado “Arco Lamoso”, trecho estratégico localizado na foz do Rio Amazonas. A medida amplia a capacidade de navegação na região, melhora a segurança do transporte aquaviário e fortalece a competitividade dos portos do Arco Norte no comércio exterior brasileiro.

A mudança permite a circulação de embarcações maiores e com mais carga, aumentando a eficiência logística e reduzindo restrições operacionais em uma das principais rotas hidroviárias do país.

Novo calado amplia capacidade de carga dos navios

Com a atualização das condições de navegabilidade, o novo limite de calado passou para 11,85 metros em navios mercantes com cargas comuns e 11,65 metros para navios-tanque e embarcações que transportam cargas perigosas.

Os índices valem entre 1º de fevereiro e 15 de agosto de cada ano. Nos demais meses, os limites serão de 11,70 metros para navios mercantes e 11,50 metros para embarcações-tanque.

O “Arco Lamoso” é considerado o trecho mais crítico e raso da Barra Norte, localizada entre os estados do Pará e Amapá, com extensão aproximada de 45 quilômetros.

Região enfrenta desafios naturais para navegação

Segundo o diretor do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), capitão de fragata Anselmo Vinicius de Souza, a navegação na foz amazônica exige monitoramento constante devido à intensa dinâmica hidrológica da região.

Entre os fatores que dificultam a navegação estão o encontro de diferentes massas de água, as mudanças sazonais provocadas pelos períodos de cheia e seca dos rios e a movimentação sedimentar do estuário amazônico.

Por isso, a realização contínua de levantamentos hidrográficos e atualizações cartográficas é considerada essencial para garantir rotas seguras.

Medida beneficia exportações brasileiras

A ampliação do calado deve gerar impactos diretos no escoamento de commodities produzidas nas regiões Norte e Centro-Oeste, aumentando a eficiência do transporte marítimo e reduzindo custos logísticos.

O corredor hidroviário do Arco Norte é estratégico para as exportações brasileiras, especialmente de grãos e minérios.

De acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os portos da região Norte registraram crescimento de 10,4% na movimentação de cargas em 2025, atingindo 163,3 milhões de toneladas — índice acima da média nacional.

Navios Panamax poderão transportar mais carga

Segundo a Marinha, o aumento do calado poderá representar um ganho significativo de capacidade para navios do tipo Panamax, embarcações projetadas para operar no limite das eclusas do Canal do Panamá.

A estimativa é que cada navio consiga transportar até 10 mil toneladas adicionais de carga, o que pode representar incremento de aproximadamente US$ 1 milhão por embarcação.

Marinha reforça segurança da navegação na Amazônia

Para viabilizar a mudança, a Marinha realizou levantamentos hidrográficos, monitoramento do leito do rio e análise da dinâmica sedimentar da região.

Ao todo, cerca de 110 quilômetros quadrados da Barra Norte passaram por sondagens para garantir a atualização segura dos parâmetros de navegação.

A atuação faz parte das atividades permanentes da Força Naval voltadas à segurança da navegação em águas brasileiras, incluindo produção de cartas náuticas e sinalização marítima.

Hidrovias ganham importância na logística brasileira

O fortalecimento do transporte hidroviário também é visto como alternativa para reduzir a dependência das rodovias no país.

Além de ser mais eficiente energeticamente, o modal aquaviário apresenta menor custo operacional e menor emissão de poluentes, especialmente no transporte de cargas de grande volume.

Na Amazônia, onde a infraestrutura rodoviária ainda é limitada, as hidrovias desempenham papel fundamental na integração regional e no desenvolvimento econômico.

Especialistas apontam que medidas como a ampliação do calado ajudam a tornar a matriz logística brasileira mais equilibrada, sustentável e competitiva.

FONTE: Agência Marinha de Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Marinha de Notícias

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Sustentabilidade

Maersk conclui teste inédito com navio movido 100% a etanol

A Maersk, considerada a maior armadora do mundo, anunciou a realização bem-sucedida da primeira navegação de um navio abastecido integralmente com etanol. A operação ocorreu no primeiro trimestre de 2026 e foi divulgada pela companhia no relatório financeiro do período.

O teste representa mais um passo da empresa na busca por soluções de combustíveis renováveis para reduzir as emissões de carbono no setor marítimo.

Testes começaram com mistura entre etanol e metanol

Os experimentos da armadora com etanol tiveram início em 2025, utilizando combinações graduais do biocombustível com metanol em navios bicombustíveis. Essas embarcações conseguem operar tanto com bunker — combustível fóssil derivado do petróleo — quanto com alternativas renováveis.

Os primeiros testes utilizaram uma mistura com 10% de etanol e 90% de metanol. Posteriormente, a proporção evoluiu para 50% de cada combustível, até chegar ao uso integral do etanol.

Segundo a companhia, os resultados comprovaram que o biocombustível pode ser incorporado de forma segura e eficiente às operações marítimas.

Etanol surge como alternativa de baixa emissão

Para a Maersk, o uso do etanol amplia as possibilidades de descarbonização da frota marítima global.

A empresa avalia que o combustível pode se tornar uma alternativa escalável e de baixa emissão para navios bicombustíveis atualmente preparados para operar com metanol.

O avanço ocorre em um momento de forte pressão internacional para redução das emissões no setor naval. Regras da Organização Marítima Internacional determinam que o transporte marítimo elimine completamente as emissões de gases de efeito estufa até 2050. Até 2030, a meta mínima de redução é de 20%.

Atualmente, o setor responde por cerca de 2% a 3% das emissões globais de gases-estufa.

Maersk quer neutralidade de carbono até 2040

Além das metas internacionais, a armadora estabeleceu um compromisso próprio de alcançar a neutralidade de carbono até 2040, antecipando em dez anos o prazo estipulado pela IMO.

Para cumprir o objetivo, a companhia vem investindo em alternativas como bioetanol, e-metanol, biodiesel e outros combustíveis sustentáveis.

A empresa já encomendou 45 navios bicombustíveis, sendo que 14 embarcações já estão em operação.

Setor marítimo amplia busca por combustíveis renováveis

Outras companhias de navegação também aceleram investimentos em tecnologias voltadas à transição energética. Entre as alternativas mais estudadas estão o gás natural liquefeito (GNL), a amônia verde e os biocombustíveis.

Especialistas do setor estimam que, caso apenas 10% da frota mundial passe a utilizar etanol, a demanda global pelo combustível poderá atingir 50 bilhões de litros por ano — volume superior à produção atual do Brasil, mesmo considerando o crescimento do etanol de milho.

Brasil pode ganhar espaço no mercado marítimo de biocombustíveis

Os principais fornecedores globais de etanol para o transporte marítimo são os Estados Unidos e o Brasil, responsáveis juntos por aproximadamente 80% da produção mundial do biocombustível.

Apesar do potencial brasileiro, a falta de infraestrutura portuária para abastecimento de navios ainda é um desafio para ampliar a participação do país nesse mercado.

Nos testes realizados pela Maersk, cargas de etanol produzidas no Brasil foram transportadas até o Porto de Amsterdã, onde abasteceram o navio Laura Mærsk.

Origem sustentável do combustível preocupa setor naval

Além da logística, a indústria marítima acompanha com atenção a origem dos combustíveis alternativos utilizados nas embarcações.

No caso do etanol brasileiro, existe preocupação sobre possíveis impactos ambientais provocados pela expansão da produção agrícola para atender uma futura demanda bilionária do setor naval, incluindo riscos relacionados ao avanço do desmatamento.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Cabotagem no Nordeste movimenta 1,82 milhão de toneladas em janeiro e reforça logística regional

A cabotagem no Nordeste registrou movimentação de 1,82 milhão de toneladas em janeiro, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), organizados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

O desempenho foi puxado pelo Maranhão, responsável por 1,24 milhão de toneladas, seguido por Bahia (1,14 milhão), Pernambuco (1,07 milhão) e Ceará (892 mil toneladas). O resultado evidencia a força da navegação marítima regional como eixo logístico estratégico.

Principais cargas garantem energia e produção

Entre os itens mais transportados pela cabotagem brasileira, destacam-se:

  • petróleo bruto (950 mil toneladas)
  • bauxita (875 mil toneladas)
  • derivados de petróleo (867 mil toneladas)
  • contêineres (613 mil toneladas)

Esses produtos são fundamentais para o abastecimento energético, o funcionamento da indústria nordestina e a distribuição de bens essenciais à população.

Navegação fortalece economia e reduz custos logísticos

De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o crescimento da cabotagem no Brasil reforça o papel do modal marítimo no desenvolvimento regional.

Segundo ele, a expansão contribui para a geração de empregos, redução de custos logísticos e maior segurança no abastecimento, além de ampliar a conexão entre estados e mercados nacionais e internacionais.

Alternativa estratégica à matriz rodoviária

O avanço da logística marítima também ajuda a equilibrar a matriz de transportes no país. Ao concentrar grandes volumes nos portos, a cabotagem diminui a dependência das rodovias e melhora a eficiência no transporte de cargas estratégicas.

Políticas públicas impulsionam o setor

O crescimento do setor está diretamente ligado a iniciativas como o Programa BR do Mar, que trouxe maior organização, transparência regulatória e segurança para investidores e operadores da navegação entre portos.

Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, a combinação de regulação clara, planejamento e incentivos fortalece a integração logística e amplia a eficiência do transporte aquaviário no país.

Perspectivas de crescimento da cabotagem

Com a ampliação das rotas e o aumento da movimentação portuária, a cabotagem no Nordeste se consolida como alternativa estratégica para integrar regiões e otimizar o transporte de cargas.

A expectativa do governo é que o setor continue crescendo, aumentando sua participação na matriz de transportes e contribuindo para uma logística mais eficiente, sustentável e conectada em todo o Brasil.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério de Portos e Aeroportos

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Investimento

Fundo da Marinha Mercante aprova R$ 3,2 bilhões para projetos no Sudeste

O Fundo da Marinha Mercante aprovou cerca de R$ 3,2 bilhões em investimentos voltados à indústria naval no Sudeste, com foco principal na ampliação da infraestrutura portuária e na construção de embarcações.

Os recursos também contemplam iniciativas de apoio marítimo e serviços ligados à navegação, contribuindo para o aumento da capacidade operacional do setor e o fortalecimento da cadeia produtiva naval no país.

As propostas foram validadas durante a 62ª reunião do Conselho Diretor do fundo, realizada em 18 de março, com expectativa de geração de 1.610 empregos diretos.

Sudeste concentra projetos estratégicos

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, os aportes reforçam a importância estratégica da região. De acordo com ele, os investimentos impulsionam a economia, ampliam a logística e consolidam o Sudeste como polo da atividade portuária brasileira.

Espírito Santo lidera volume de recursos

O estado do Espírito Santo concentra a maior fatia dos investimentos, com R$ 2,178 bilhões destinados ao projeto do Porto Central. A iniciativa prevê a construção de infraestrutura portuária e deve gerar 438 empregos diretos.

Projetos em São Paulo e Rio de Janeiro ampliam capacidade do setor

Em São Paulo, os projetos da Wilson Sons somam R$ 632,1 milhões, distribuídos em 23 empreendimentos, incluindo construção e manutenção de embarcações. A previsão é de 117 empregos diretos.

Já no Rio de Janeiro, diferentes empresas concentram investimentos relevantes:

  • CBO Holding: R$ 213,8 milhões, 16 projetos e 575 empregos
  • Belov Engenharia: R$ 68,7 milhões e 50 empregos
  • Galáxia Navegação: R$ 5,1 milhões e 260 empregos
  • OceanPact (Estaleiro Farol de São Thomé): R$ 97,8 milhões e 170 empregos

Política pública impulsiona logística e geração de empregos

Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, os investimentos são fundamentais para o desenvolvimento regional. Ele destaca que a medida fortalece a indústria naval, amplia serviços estratégicos e melhora a eficiência logística.

A iniciativa faz parte da estratégia do Governo Federal para expandir a infraestrutura portuária e estimular o crescimento do setor marítimo no Brasil.

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Logística

Hélice naval gigante sustenta 90% do comércio global e redefine eficiência dos navios

Pouco visível ao público, a hélice naval é um dos componentes mais críticos da logística marítima global. Presente nos maiores navios porta-contêineres do planeta, essa estrutura pode pesar até 131 toneladas, medir cerca de 11 metros de diâmetro e custar até US$ 4 milhões por unidade.

Mesmo representando apenas entre 3% e 5% do custo total de uma embarcação, sua função é essencial: garantir eficiência, desempenho e continuidade nas operações que sustentam cerca de 90% do comércio mundial.

Evolução acompanha crescimento dos navios

O avanço tecnológico das hélices acompanha a evolução dos gigantes dos mares. Um exemplo é o MSC Irina, considerado um dos maiores navios do mundo, com quase 400 metros de comprimento e capacidade superior a 24 mil TEUs.

A diferença em relação ao passado é expressiva. O RMS Titanic, lançado em 1912, possuía hélices de cerca de 7 metros e 38 toneladas. Hoje, os padrões mudaram significativamente:

  • Diâmetro: entre 10 e 11,6 metros
  • Peso: entre 100 e 131 toneladas
  • Estrutura: de 4 a 6 pás
  • Material: liga de alumínio-níquel-bronze
  • Produção: até 4 meses

Produção concentrada e altamente especializada

A fabricação dessas hélices exige tecnologia avançada e precisão extrema. A alemã Mecklenburger Metallguss domina mais de 60% do mercado global, refletindo o alto nível de especialização necessário.

Pequenas variações na geometria das pás podem reduzir a eficiência do navio em até 10%, o que exige controle rigoroso em todas as etapas produtivas.

Processo industrial de alta precisão

A produção de uma hélice marítima envolve meses de trabalho e diversas etapas técnicas:

  • Modelagem digital em 3D e criação de moldes milimétricos
  • Fundição com metal a mais de 1.200 °C
  • Resfriamento controlado para evitar falhas estruturais
  • Usinagem com máquinas CNC de alta precisão
  • Acabamento manual, polimento e balanceamento

Além disso, são realizadas mais de 200 horas de inspeção, incluindo testes por ultrassom para detectar microfissuras.

Eficiência energética e impacto logístico

Hélices maiores operam com menor rotação e maior deslocamento de água, reduzindo turbulência e melhorando o consumo de combustível. Em rotas intercontinentais — como entre Ásia e Europa — isso representa ganhos significativos de eficiência.

Essas estruturas trabalham em conjunto com motores de alta potência, como os da MAN Energy Solutions e da WinGD, que podem alcançar até 100 mil hp.

Qualquer falha pode interromper operações por semanas, afetando cadeias logísticas globais. Por isso, navios desse porte passam por inspeções rigorosas e frequentemente operam com peças sobressalentes nas primeiras viagens.

Tecnologia silenciosa que sustenta o comércio

Apesar de operar longe dos olhos do público, a hélice naval é uma das engrenagens mais sofisticadas da indústria moderna. Sua combinação de escala, precisão e impacto direto na eficiência operacional mostra como tecnologias aparentemente invisíveis são fundamentais para manter o fluxo do comércio internacional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Exportação

Guerra no Oriente Médio muda rota de navios com commodities brasileiras e encarece exportações

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a afetar a logística de exportações brasileiras de commodities. Navios carregados com produtos do agronegócio do Brasil que seguiam para países da região estão interrompendo a viagem antes do destino final e descarregando mercadorias em portos considerados seguros.

Segundo relatos de traders e exportadores, a carga está sendo retirada das embarcações em portos fora da zona de conflito e depois segue por transporte terrestre até o destino final.

A mudança logística envolve remessas com destino a países como Israel, Iraque, Irã, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, áreas que têm enfrentado tensões militares e riscos para o transporte marítimo.

Navios interrompem viagens e redirecionam cargas

De acordo com um operador do mercado de açúcar, algumas companhias marítimas estão declarando o chamado “fim de viagem” em determinadas rotas. Na prática, isso significa que os navios não chegam ao destino originalmente contratado.

Em vez disso, a carga é descarregada em um porto intermediário e os clientes precisam organizar a retirada e o transporte até o destino final.

Alguns contêineres de açúcar brasileiro já passaram por esse processo. As mercadorias foram descarregadas em portos alternativos e seguiram por via terrestre. Nesse caso, os custos adicionais da nova logística foram repassados aos compradores.

Exportadores de carne recebem aviso de redirecionamento

Uma empresa brasileira de médio porte do setor de exportação de carne bovina informou ter recebido um comunicado da Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciando o encerramento de viagens para cargas destinadas ao Golfo Pérsico.

Dois contêineres da companhia, que estavam a caminho de Dubai, podem ser desviados para outro porto fora da área de risco. Nesse caso, os custos extras devem ser pagos pelo próprio exportador.

No aviso enviado aos clientes, a transportadora informou que toda carga atualmente em trânsito será desviada para o porto seguro mais próximo, onde será descarregada e disponibilizada para retirada.

Além disso, será aplicada uma taxa adicional obrigatória de US$ 800 por contêiner para cobrir despesas decorrentes da mudança de rota. Custos de movimentação, armazenagem e outras taxas portuárias também passam a ser responsabilidade do dono da carga.

Mudança de destino depende de nova reserva

Exportadores que desejarem enviar a mercadoria para outro destino precisarão fazer uma nova reserva de transporte marítimo.

Outra alternativa é solicitar a mudança do porto final — processo conhecido como Change of Destination (COD). No entanto, a aceitação desse pedido dependerá de fatores como:

• viabilidade operacional
• rotas disponíveis dos navios
• evolução da situação de segurança no Oriente Médio

Mesmo quando aceito, o pedido não garante que a carga chegará exatamente ao destino solicitado e não elimina custos extras gerados pelo conflito.

Seguro marítimo e Canal de Suez geram novas preocupações

Outro desafio envolve o seguro de guerra para transporte marítimo. Para navios que já estavam em viagem rumo ao Oriente Médio, as condições permanecem inalteradas.

Já para novos embarques, seguradoras passaram a cancelar coberturas ou revisar contratos individualmente, geralmente com prêmios mais elevados.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, afirmou que o conflito também tem provocado restrições no tráfego do Canal de Suez.

Uma alternativa para os navios é contornar o Cabo da Boa Esperança, rota mais longa que liga o Atlântico ao Índico.

Segundo Perosa, o impacto ainda é limitado, mas tende a crescer.

Empresas que já enviaram mercadorias à região devem negociar soluções logísticas e compensações com importadores. A prioridade, segundo ele, é garantir que clientes recebam produtos que já foram pagos.

Exportações de carne podem sofrer impacto bilionário

As exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025.

Entretanto, a guerra envolvendo o Irã e possíveis restrições no Estreito de Ormuz podem afetar até US$ 6 bilhões em negócios, estima a Abiec.

Esse valor inclui cargas que passam pelo hub logístico da região antes de seguir para outros mercados — cerca de 30% a 40% de tudo o que o Brasil enviou no ano passado.

Companhias marítimas também já suspenderam novas reservas de contêineres refrigerados para cargas com destino ao Oriente Médio ou que precisem transitar pela região.

No caso do mercado global de açúcar, operadores afirmam que ainda não houve interrupções relevantes no fluxo de comércio.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Logística

LEGO lança novo porta-contêiner Maersk com tecnologia dual-fuel após 12 anos

A LEGO anunciou um novo modelo inspirado na navegação comercial em parceria com a Maersk. O set 40955 Maersk Dual-Fuel Container Vessel chega ao mercado internacional em 1º de março de 2026, marcando o retorno da armadora à linha oficial da fabricante de brinquedos após um hiato de 12 anos sem lançamentos conjuntos.

O produto recria um moderno porta-contêiner da Maersk e promete atrair tanto fãs de montagem quanto entusiastas do transporte marítimo global.

Modelo é inspirado em navio real com tecnologia sustentável

O novo set LEGO Maersk foi desenvolvido com base no navio real Ane Mærsk, embarcação equipada com sistema dual-fuel, tecnologia que permite o uso de combustíveis alternativos e mais limpos.

A proposta reflete o movimento da companhia marítima em direção à descarbonização do transporte marítimo, uma tendência crescente na indústria global de logística e navegação.

Set conta com mais de 1.500 peças e alto nível de detalhes

Classificado para maiores de 12 anos, o LEGO Maersk Dual-Fuel Container Vessel reúne 1.516 peças e aposta em uma montagem rica em detalhes. Entre os principais elementos do modelo estão:

  • ponte de comando com estrutura que se abre
  • área interna da tripulação
  • janelas transparentes na casa de máquinas
  • passarelas deslizantes
  • contêineres construíveis que compõem o navio

O preço oficial divulgado é de US$ 149,99. No Brasil, a estimativa é de cerca de R$ 1.299,99, embora ainda não exista confirmação da data de lançamento no mercado nacional.

Parceria entre LEGO e Maersk tem histórico entre colecionadores

A colaboração entre as duas empresas já é conhecida no universo dos colecionáveis. Cerca de uma década atrás, a LEGO lançou um modelo inspirado nos gigantescos navios da classe Triple E, que na época representavam os maiores porta-contêineres do mundo.

A edição se tornou marcante entre fãs e colecionadores, tanto pelo tamanho do navio reproduzido quanto pela grande quantidade de adesivos utilizados nos contêineres, característica que gerou discussões e desafios durante a montagem.

Comunidade aguarda detalhes da experiência de montagem

Com o anúncio do novo modelo, fóruns e comunidades de fãs já discutem como será a experiência de construção do set 40955.

Uma das principais curiosidades é se o novo porta-contêiner LEGO trará um design com menos adesivos ou se seguirá o padrão do modelo anterior, conhecido pelo trabalho minucioso de alinhamento dos stickers.

Mesmo antes do lançamento oficial, o set já chama a atenção de entusiastas de engenharia naval, logística internacional e transporte marítimo, mostrando como o universo dos megacontêineres também conquista espaço na cultura pop e no mercado de colecionáveis.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Logística

Salalah se destaca como único porto de contêineres acessível com fechamento de Hormuz e Bab el-Mandeb

O fechamento do Estreito de Hormuz e a retomada dos ataques houthis no Bab el-Mandeb criaram uma situação inédita de duplo gargalo, isolando o Golfo Pérsico das rotas marítimas globais. Diante da retirada de navios da região e do cancelamento de seguros contra risco de guerra, um porto se mantém operacional: Salalah, em Omã, que ocupa uma posição estratégica única no oeste do Oceano Índico.

Localização estratégica e operação contínua

Localizado na costa do Mar Arábico, a cerca de 500 km a sudoeste de Hormuz e bem ao norte de Bab el-Mandeb, Salalah é o único hub de transbordo regional que não exige passagem por nenhum dos estreitos em risco. Historicamente, o porto já mostrou resiliência em situações de crise.

Quando ataques houthis interromperam o tráfego no Mar Vermelho no fim de 2023, o Índice de Conectividade de Transporte Marítimo Regular (LSCI) de Salalah caiu 42%, de 229 para 133, devido ao redirecionamento de serviços pelos armadores. No entanto, a recuperação foi rápida: no quarto trimestre de 2025, o LSCI alcançou 237, superando o nível pré-crise e consolidando Salalah como um nó estratégico fora de gargalos críticos.

Volume movimentado e eficiência operacional

O volume de contêineres acompanha essa recuperação. Após cair de 4,5 milhões de TEU em 2022 para 3,2 milhões em 2024, Salalah voltou a registrar 4,3 milhões de TEU em 2025, um crescimento anual de 34,4%. O Índice de Desempenho de Portos de Contêineres do Banco Mundial já posiciona Salalah como o quinto porto mais eficiente do mundo, com pontuação de 1,78, destacando sua capacidade operacional superior a concorrentes da região.

Pressão financeira e logística para o Golfo

O fechamento do Estreito de Hormuz elevou drasticamente as taxas de frete, enquanto a retirada da cobertura de seguro contra risco de guerra torna muitas rotas comerciais inviáveis. Normalmente, cerca de 20 milhões de TEU por ano passam pelo estreito, mas agora armadores precisam encontrar alternativas seguras.

Peter Sand, analista-chefe da Xeneta, observa que a crise está forçando uma revisão completa das redes de navegação no Oriente Médio. Embora Salalah não tenha sido citado nominalmente, sua posição geográfica torna inevitável sua escolha como porto alternativo estratégico.

Salalah como alternativa a Jebel Ali

Com Jebel Ali, principal hub regional, inacessível por trás do Estreito de Hormuz, Salalah se apresenta como a solução natural para armadores que dependem de transbordo no oeste do Oceano Índico. Portos indianos, como Mundra, não oferecem substituição direta, pois atendem ao consumo doméstico do subcontinente e não possuem redes alimentadoras voltadas ao Oriente Médio.

O outro porto de Omã, Sohar, movimenta menos de 1 milhão de TEU anuais, atende principalmente cargas industriais e breakbulk, e possui LSCI de apenas 195, muito abaixo dos 237 de Salalah. Para armadores que precisam de conectividade e capacidade de transbordo fora do Estreito, Salalah permanece como a única opção viável.

Capacidade de expansão e conectividade terrestre

Atualmente com 4,3 milhões de TEU, Salalah opera abaixo de sua capacidade máxima, e a DP World, operadora do terminal, já sinalizou possibilidade de expansão. Absorver mesmo parte dos 15,5 milhões de TEU de Jebel Ali exigiria rápida alocação de berços, equipamentos e redes alimentadoras, algo complexo de implementar rapidamente.

A infraestrutura de conexão terrestre de Salalah com os mercados dos Emirados Árabes Unidos e do Golfo está disponível, reforçando a lógica comercial para concentração de operações enquanto Hormuz permanecer fechado.

Recuperação e confiança dos armadores

O histórico de Salalah mostra capacidade de rápida recuperação diante de interrupções causadas por gargalos. O LSCI, que caiu de 229 para 133 e voltou a 237, indica confiança dos armadores e consolida o porto como ponto central de contingência para o transporte marítimo no Golfo e Oriente Médio.

FONTE: Container Management
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Cabotagem no Porto de Natal: Codern e Fiern avaliam potencial logístico e oportunidades para o RN

As oportunidades da cabotagem no Porto de Natal estiveram no centro de uma reunião entre a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern). O encontro teve como foco a análise do transporte marítimo de curta distância como alternativa estratégica para fortalecer a logística portuária e impulsionar o desenvolvimento econômico do estado.

O presidente da Codern, Paulo Henrique Macedo, recebeu o presidente da Fiern, Roberto Serquiz, na sede da companhia. Durante a conversa, foram discutidos caminhos para ampliar o uso da cabotagem, considerando o potencial do Porto de Natal na integração da cadeia logística potiguar.

Cabotagem como alternativa para a logística do estado

De acordo com a Fiern, a federação acompanha há anos as iniciativas voltadas à valorização do transporte marítimo como solução viável para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade da indústria local. A entidade destacou que tem atuado de forma contínua para evidenciar os benefícios da cabotagem como vetor de crescimento regional, em articulação com diferentes atores do setor.

Participação de lideranças das duas instituições

Roberto Serquiz esteve acompanhado do segundo diretor-secretário da Fiern, Etelvino Patrício, que atua diretamente na agenda de cabotagem no Rio Grande do Norte, além do primeiro diretor-tesoureiro da federação, Djalma Júnior, e da coordenadora executiva de Relações Institucionais e de Mercado, Ana Adalgisa Dias.

Pela Codern, também participaram da reunião o diretor técnico e comercial, Paulo Sidney, e o gerente de operações, Rodolfo Gois, que contribuíram com avaliações técnicas sobre a operação portuária e as possibilidades de expansão do modal marítimo.

FONTE: Datamar News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Antaq avança no modelo de concessão da dragagem do Porto de Santos

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou a realização de consulta pública e audiência pública sobre o projeto de concessão da dragagem do Porto de Santos. A iniciativa representa um avanço importante na gestão do canal de acesso do maior porto da América Latina, considerado estratégico para o comércio exterior brasileiro.

Projeto prevê aprofundamento gradual do canal
Conforme a versão mais recente dos estudos técnicos, o plano estabelece a execução das obras de dragagem em duas etapas. Na primeira fase, o canal terá a profundidade ampliada para 16 metros. Posteriormente, está prevista a continuidade das intervenções para atingir 17 metros de profundidade, ampliando a capacidade operacional do porto.

Mais segurança e eficiência para a navegação
O modelo de concessão da dragagem tem como principal objetivo garantir níveis adequados de profundidade de forma permanente, aumentando a segurança da navegação e viabilizando a operação de navios de maior porte. A expectativa é de ganhos em previsibilidade, eficiência operacional e redução de riscos logísticos para armadores e operadores portuários.

Participação social antecede próximas etapas
Com a abertura da consulta pública, o projeto será submetido à análise e às contribuições da sociedade, de agentes do setor portuário e de outros interessados. As manifestações devem subsidiar os ajustes finais antes do avanço para as próximas fases do processo de concessão.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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