Agricultura

“Brasil deve se tornar a maior potência agrícola do mundo entre 2035 e 2040”, afirma ex-presidente da Farsul

Após oito anos no comando da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Sistema Farsul), o médico-veterinário e produtor rural Gedeão Silveira Pereira encerra seu mandato deixando a presidência da entidade para Domingos Velho Lopes. A partir de 2026, ele assume o cargo de primeiro vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), onde já atuava como segundo vice e diretor de Relações Internacionais.

Em entrevista ao Correio do Povo, Gedeão revisita os principais desafios enfrentados pelo agronegócio gaúcho e nacional durante sua gestão, analisa entraves estruturais e jurídicos ao desenvolvimento do setor e projeta um cenário de forte crescimento para a agricultura brasileira nas próximas décadas.

Pandemia, clima extremo e impacto na economia gaúcha

Entre os momentos mais desafiadores da gestão, Gedeão destaca a pandemia de Covid-19 e as sucessivas crises climáticas. Segundo ele, apesar das dificuldades, o agronegócio brasileiro demonstrou resiliência e eficiência ao garantir o abastecimento interno, diferentemente do que ocorreu em países desenvolvidos.

No Rio Grande do Sul, os eventos climáticos extremos provocaram perdas significativas na produção agrícola, com impacto direto no Produto Interno Bruto (PIB) estadual. A redução estimada foi de cerca de 0,5%, o equivalente a até 50 milhões de toneladas de grãos que deixaram de ser colhidas, afetando a circulação de renda e o crescimento econômico.

Agricultura como motor da economia e transformação tecnológica

Gedeão reforça que a agricultura é o principal motor da economia gaúcha e brasileira. Ele chama atenção para a evolução do setor, que deixou de ser apenas produtor de alimentos para também se consolidar como gerador de energia renovável, com destaque para etanol e biodiesel.

Segundo o dirigente, o Brasil passou a receber tecnologias agrícolas de ponta simultaneamente aos Estados Unidos e à Europa, o que exige mão de obra altamente qualificada. Nesse contexto, ele aponta o treinamento e a educação profissional como o principal legado de sua gestão.

Qualificação profissional como legado permanente

O ex-presidente da Farsul destaca o papel do Senar na capacitação de trabalhadores rurais e produtores. Para ele, a qualificação permite ascensão social, aumento de renda e melhor aproveitamento das tecnologias disponíveis no campo.

Como marco desse trabalho, Gedeão anuncia a inauguração, prevista para abril, da maior escola de tecnologia agrícola do Brasil, no município de Hulha Negra (RS), voltada à formação de operadores de máquinas e tecnologias de alta complexidade.

Frustrações: infraestrutura precária e falta de investimentos

Entre as principais frustrações do período, Gedeão cita a estagnação da infraestrutura no Rio Grande do Sul, especialmente nas áreas de logística e transporte. Ele aponta a precariedade das rodovias, a desativação de ferrovias e as condições das estradas vicinais como gargalos históricos que limitam o crescimento do agro.

Para o dirigente, o baixo nível de investimento público obriga o país a avançar em concessões e privatizações. Sem melhorias logísticas, o Brasil pode enfrentar sérios problemas para sustentar o crescimento da produção agrícola projetado para os próximos anos.

Insegurança jurídica como principal entrave ao agro

Ao ser questionado sobre os maiores opositores do agronegócio, Gedeão é direto: a insegurança jurídica. Ele afirma que a instabilidade regulatória, as disputas sobre o direito de propriedade, as incertezas ambientais e decisões judiciais imprevisíveis desestimulam investimentos no campo.

Temas como o marco temporal indígena, a burocracia ambiental e as restrições ao uso da propriedade rural são citados como fatores que aumentam o risco para produtores e investidores, afetando o ritmo de desenvolvimento do setor.

Brasil rumo à liderança global na produção de alimentos e proteínas

Apesar dos desafios, Gedeão demonstra otimismo com o futuro. Para ele, o Brasil já é um dos maiores produtores globais de alimentos e proteínas e deve consolidar essa posição entre 2035 e 2040, tornando-se a maior agricultura do mundo.

Ele ressalta o avanço da agricultura tropical, o papel da Embrapa, a produção de múltiplas safras por ano e o crescimento da demanda mundial por proteínas animais. O país já lidera ou ocupa posições de destaque na produção de soja, milho, carne bovina, frango e suínos.

Mudança de percepção da sociedade sobre o agro

Gedeão avalia que a imagem do agronegócio junto à sociedade urbana evoluiu significativamente nas últimas décadas, em grande parte graças ao trabalho da imprensa. Termos pejorativos deram lugar ao reconhecimento da eficiência, sustentabilidade e importância estratégica do setor para a economia nacional.

Hoje, segundo ele, o agro é compreendido como essencial não apenas para garantir alimentos e energia, mas também para sustentar o superávit da balança comercial brasileira.

Novo desafio na CNA e foco na defesa do produtor

Na CNA, Gedeão afirma que sua atuação estará concentrada na defesa do produtor rural, na ampliação da capacitação profissional em nível nacional e na incorporação de novas tecnologias, como a inteligência artificial, ao agronegócio.

Ele destaca o papel da entidade como uma das estruturas mais robustas de representação do setor produtivo no país, atuando desde os sindicatos rurais até a articulação institucional em Brasília e no cenário internacional.

FONTE: CORREIO DO POVO

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: CAMILA CUNHA / REPRODUÇÃO CORREIO DO POVO

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Logística

MT-140: Estrada precária gera prejuízo de R$ 50 mil em única chuva

A MT-140, uma das principais rotas de escoamento agrícola da região, voltou a expor produtores e caminhoneiros a prejuízos elevados após as primeiras chuvas. A falta de infraestrutura adequada provoca tombamentos, atolamentos e paralisações frequentes, interrompendo o transporte de milho, soja, algodão e outras culturas.

Enquanto municípios, consórcios e o governo estadual discutem quem deve assumir a manutenção da rodovia, o impasse prolonga uma rotina de perdas econômicas e compromete a competitividade do setor.

Produtores acumulam perdas e relatam abandono

O agricultor Lucas Pasqualotto foi um dos atingidos. Um caminhão carregado dentro da fazenda tombou ao tentar avançar pelo trecho mais crítico. “Era uma carga de 900 sacos de milho. Com a chuva, perdemos tudo”, afirma. O prejuízo estimado chega a R$ 50 mil.

Para a família Pasqualotto, que cultiva quatro mil hectares, o problema se repete a cada chuva. “De seis meses para cá, já é a terceira vez. Todo ano é a mesma coisa: caminhão atolado, produto perdido, prejuízo atrás de prejuízo”, relata Osvaldo Pasqualotto.

A sensação, diz ele, é de impotência. “Colhemos com cuidado para entregar alimento nas cidades, mas boa parte se perde no caminho por causa da estrada abandonada.”

Falta de infraestrutura reduz competitividade do agronegócio

Produtores destacam que o custo logístico só aumenta. Alberto Chiapinotto, com quatro décadas na região, afirma que uma chuva de 50 milímetros já é suficiente para bloquear a passagem. “Estamos há 40 anos aqui e não houve nenhuma melhoria definitiva.”

Ele reforça que a precariedade impacta até serviços básicos: “As crianças ficam sem poder ir para a escola”. A Agrícola Irmãos Chiapinotto cultiva mais de dois mil hectares de soja e milho em Juscimeira.

O frete, segundo Alberto, chega a custar 50% acima do valor de mercado, reduzindo a margem do produtor. “Perdemos cerca de 12% no preço do grão comparado a outras regiões por causa da logística.”

A estimativa é que a área produtiva atendida pela MT-140 ultrapasse 200 mil hectares, com aproximadamente 50 produtores dependentes da rodovia.

Caminhoneiros enfrentam filas, danos e risco diário

Para garantir o escoamento, fazendas têm mobilizado máquinas próprias. “Precisamos desengatar trator, puxar caminhão, tapar buracos. A chuva mal começou e os problemas já começaram também”, diz Ezequiel Victor, gerente da Girassol Agrícola, que trabalha com 8,2 mil hectares de lavoura e 7,5 mil hectares de eucalipto.

Caminhoneiros ficam horas parados aguardando ajuda. “Já era para eu estar carregando. Todo ano é essa luta”, reclama Dionísio da Silva Campos, que critica a falta de reparos antes do período chuvoso.

Para Daniel Luiz, que também enfrentou um atoleiro, a experiência foi suficiente: “Primeira e última vez que passo aqui. Estraga pneu, mola, tudo.”

Impasse político trava solução definitiva desde 2024

O trecho mais problemático, de pouco mais de 15 km, está oficialmente sob responsabilidade de Santo Antônio de Leverger, mas nunca recebeu manutenção adequada. Como Juscimeira está muito mais próxima, o município tenta assumir o controle para realizar obras.

“Juscimeira já recuperou seus quatro quilômetros na MT-140, mas não temos autorização para avançar. A lei que transfere o trecho está parada desde 2024”, explica o prefeito Alexandre Russi, que destaca possuir recursos, máquinas e equipe pronta para atuar.

A distância é um fator decisivo: são 60 km até Juscimeira e 150 km até Santo Antônio de Leverger, o que torna inviável o atendimento por parte do município responsável.

Segundo o prefeito, há um convênio de R$ 12,8 milhões com o governo estadual, via Cidesasul, para manutenção de diversas MTs, e outro acordo está em andamento para ampliar os serviços na região.

A Aprosoja-MT também acompanha o caso. Para o delegado Rogério Berwanger, a situação é recorrente: “As primeiras chuvas já mostram o mesmo problema de todos os anos, causado pela indefinição administrativa.”

Em nota, a Sinfra-MT informou que há convênio com o Cidesasul para manter trechos não pavimentados da MT-140 e outras rodovias estaduais, sem previsão de pavimentação.

Para os produtores, no entanto, só uma intervenção sólida resolverá o problema. Como resume Osvaldo Pasqualotto: “Tem que ser um trabalho bem-feito, levantar, cascalhar e recuperar de verdade.”

FONTE: Mato Grosso Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Exterior

Novo corredor hidroviário da Amaggi em Roraima impulsiona escoamento de grãos e reduz custos logísticos.

Iniciativa estratégica fortalece logística agrícola em Roraima

Roraima inaugurou um importante corredor hidroviário para dinamizar o escoamento de grãos, marcando um avanço logístico para o agronegócio local. A nova Estação de Transbordo de Cargas (ETC) da Amaggi, instalada na Vila Vista Alegre, em Caracaraí, às margens do Rio Branco, iniciou suas operações com o primeiro embarque de soja produzido no estado.

Redução drástica na dependência do transporte rodoviário

A nova rota encurta significativamente o percurso que antes exigia o transporte rodoviário de 763 quilômetros até Manaus. Com a ETC, essa distância cai para apenas 155 quilômetros até Caracaraí, de onde a carga segue via hidrovia até o porto da Amaggi, em Itacoatiara (AM). No trajeto de retorno, a rota também será usada para trazer fertilizantes e calcário ao estado, promovendo ganhos logísticos e redução de custos para os produtores locais.

Economia de até R$ 80 por tonelada para produtores

Com um investimento de R$ 100 milhões e autorização especial da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a operação piloto da ETC deve movimentar entre 60 mil e 70 mil toneladas de soja. A estimativa é de uma economia de cerca de R$ 80 por tonelada, além de uma redução de até 74% no tráfego rodoviário de grãos, aliviando a infraestrutura viária e tornando o transporte mais eficiente e sustentável.

FONTE: Com informações da Amaggi.
TEXTO: Redação

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Logística

Frota de caminhões no Brasil cresce 23% em 10 anos e desafia logística do agronegócio

Expansão da frota no país

A frota de caminhões no Brasil registrou um aumento de 23% na última década, passando de 2,6 milhões de veículos em dezembro de 2015 para 3,2 milhões em agosto de 2025, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), ligada ao Ministério dos Transportes.

O crescimento se mostra ainda mais expressivo no longo prazo: em 25 anos, o número de caminhões em circulação mais que dobrou. Em 2000, o Brasil contava com apenas 1,4 milhão de registros.

Transporte rodoviário é dominante no agro

De acordo com o Ministério da Agricultura, cerca de 70% do escoamento da produção agrícola é feito por rodovias, consolidando o caminhão como principal modal de transporte do agro.

Segundo o especialista em logística de defensivos agrícolas e diretor de projetos da Luft Agro, Luiz Alberto Moreira da Silva, a distribuição desse tipo de produto depende quase exclusivamente dos caminhões, já que as ferrovias não possuem estrutura básica para atender o setor.

Gargalos da logística de defensivos

Silva destaca que o transporte enfrenta obstáculos como alto custo do diesel, falta de mão de obra qualificada e más condições das estradas. A situação se complica nos períodos de chuvas intensas, quando o acesso às propriedades rurais se torna ainda mais difícil.

Outro desafio é a concentração das aplicações de defensivos, já que os agricultores preferem receber os produtos no momento da utilização, em vez de armazená-los, por motivos de segurança e valor agregado. No caso da soja, que representa metade do mercado de defensivos, a aplicação ocorre praticamente no mesmo período em todo o país, aumentando a pressão sobre a logística.

Além disso, é comum a necessidade de reaplicações (repique), que exigem agilidade para evitar prejuízos na produção.

Controle e sustentabilidade no uso de defensivos

Durante participação no Podcast Ascenza – Edição Especial Andav 2025, Silva ressaltou que o uso de defensivos agrícolas é rigorosamente controlado. Ele explicou que nenhum produtor utiliza além do necessário, pois o produto é caro e impacta diretamente a margem de lucro.

O especialista reforçou também que a comercialização é altamente regulada: nenhum defensivo pode ser vendido sem receituário agronômico.

O Brasil é referência mundial em sustentabilidade no agro, principalmente pela gestão de embalagens de defensivos. Há 21 anos, os agricultores são obrigados a devolver as embalagens utilizadas, que são processadas pelo Inpev (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias). Atualmente, 94% das embalagens retornam para reciclagem, índice considerado modelo internacional.

Novas gerações e futuro do agro

Silva apontou ainda que o retorno dos jovens ao campo tem impulsionado a agricultura de precisão, com maior uso de tecnologia e consciência ambiental. Esse movimento contribui para otimizar o uso de insumos e fortalecer a imagem do Brasil como potência agrícola sustentável.

“O agro é a base da segurança alimentar e o que sustenta a balança comercial brasileira. É preciso aproximar a população urbana dessa realidade e mostrar o papel estratégico do setor”, concluiu o especialista.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Informação, Investimento, Logística, Sustentabilidade

DP World expande a Divulgação do Impacto no Desenvolvimento Sustentável para novos países

A DP World ampliou sua Divulgação do Impacto no Desenvolvimento Sustentável (SDID) para incluir Brasil, Senegal e África do Sul, continuando seu progresso em direção ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Isso ocorre após a publicação do primeiro SDID da empresa em abril de 2024, que se concentrou na Índia e em Somalilândia.

O relatório SDID ampliado destaca o compromisso da DP World com o avanço do desenvolvimento sustentável por meio de investimentos estratégicos e demonstra como a empresa está gerando um impacto tangível em áreas críticas, desde infraestrutura resiliente até engajamento comunitário e igualdade de gênero.

Por exemplo, no Brasil, a DP World está colaborando com a Rumo para desenvolver um novo terminal capaz de operar 12,5 milhões de toneladas de grãos e fertilizantes, consolidando ainda mais Santos como um hub importante para logística agrícola. Da mesma forma, no Senegal, a empresa investiu mais de US$ 300 milhões para modernizar suas operações, aumentando a capacidade de manuseio do terminal de 265.000 TEUs em 2008 para 800.000 TEUs em 2023, melhorando a conectividade do comércio sub-regional e ampliando o acesso a mercados de difícil acesso.

Sultan Ahmed bin Sulayem, Presidente do Grupo e CEO da DP World, disse: “Estamos comprometidos em investir em larga escala globalmente para fortalecer a resiliência do comércio e promover impactos sociais positivos nas comunidades onde operamos. Por isso, estamos imensamente orgulhosos de ampliar esta divulgação e destacar nossas contribuições para avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e preencher lacunas em economias em desenvolvimento importantes. O relatório mostra como os serviços que a DP World oferece criam infraestrutura, melhoram os serviços logísticos e proporcionam oportunidades para as comunidades.”

DP World expande a Divulgação do Impacto no Desenvolvimento Sustentável para novos países – DatamarNews

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