Economia

Selic cai para 14,25% após novo corte de juros decidido pelo Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), levando os juros básicos da economia para 14,25% ao ano. A medida foi aprovada por unanimidade e marca a terceira redução consecutiva da taxa neste ciclo de flexibilização monetária.

Com o novo ajuste, a autoridade monetária dá continuidade ao movimento iniciado em março, quando a Selic começou a recuar após atingir 15% ao ano.

Banco Central mantém cautela sobre próximos passos

Apesar da nova redução, o comunicado divulgado após a reunião não sinaliza claramente qual será o ritmo das próximas decisões.

Segundo o Copom, a extensão do atual ciclo de cortes dependerá da evolução dos indicadores econômicos e das condições necessárias para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.

O colegiado destacou que o atual nível de restrição monetária permite diferentes trajetórias para os juros, mas ressaltou que as projeções seguem cercadas por um grau elevado de incerteza.

Cenário internacional influencia decisão

Entre os fatores monitorados pelo Banco Central está o ambiente externo, que continua marcado por instabilidade geopolítica e volatilidade nos mercados globais.

O Copom citou as incertezas relacionadas aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus reflexos sobre os preços de ativos financeiros, commodities e condições de financiamento internacional.

Nos últimos dias, declarações de autoridades dos Estados Unidos e do Irã sobre um possível entendimento para encerrar hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz trouxeram algum alívio aos investidores. No entanto, a ausência de detalhes concretos sobre a implementação do acordo mantém o cenário sob observação.

Inflação segue como principal preocupação

Mesmo com a redução dos juros, o Banco Central indicou que continua enxergando mais riscos para uma alta da inflação do que para uma desaceleração dos preços.

Entre os fatores que podem pressionar o índice inflacionário estão a persistência da inflação em determinados setores, o comportamento das expectativas econômicas, políticas de estímulo ao consumo e possíveis impactos de medidas adotadas no Brasil e no exterior.

Além disso, o Copom destacou que choques de oferta ainda podem influenciar a dinâmica dos preços nos próximos meses.

Quais são os fatores que podem reduzir a inflação?

Por outro lado, a autoridade monetária também apontou elementos que podem favorecer uma desaceleração mais intensa da inflação.

Entre eles estão uma eventual perda de ritmo da atividade econômica brasileira, uma desaceleração mais forte da economia global e uma possível queda nos preços internacionais de commodities, incluindo petróleo e matérias-primas.

Esses fatores, segundo o Banco Central, podem contribuir para reduzir pressões inflacionárias e abrir espaço para novas avaliações sobre a trajetória dos juros.

Mercado já esperava nova redução

A decisão anunciada pelo Copom ficou alinhada às projeções predominantes do mercado financeiro, que já precificava um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião.

O movimento ocorre em um contexto de busca por equilíbrio entre o controle da inflação e a necessidade de preservar o crescimento econômico, em meio a desafios fiscais internos e incertezas no cenário internacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Economia

PIB do Brasil: Banco Mundial reduz projeção de crescimento para 1,9% em 2026

O Banco Mundial revisou para baixo sua estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2026. A nova projeção aponta expansão de 1,9% do PIB, ligeiramente inferior aos 2% previstos anteriormente. Para 2027, a expectativa também foi ajustada, passando de 2,3% para 2%.

Consumo mais fraco pesa nas perspectivas

Segundo o relatório mais recente da instituição, divulgado nesta semana, a revisão reflete principalmente a expectativa de desaceleração do consumo interno nos próximos anos.

Apesar do ajuste, o Banco Mundial avalia que a economia brasileira poderá ganhar fôlego gradualmente a partir de 2027, impulsionada por um cenário de redução das taxas de juros. Ainda assim, o ritmo de recuperação projetado é mais moderado do que o previsto no início do ano.

Conflitos no Oriente Médio têm impacto limitado no Brasil

O documento também analisa os reflexos da escalada das tensões no Oriente Médio sobre a economia global.

Na avaliação da instituição, os efeitos diretos do aumento dos preços do petróleo tendem a ser mais limitados na América Latina, especialmente em países como o Brasil, que figuram entre os exportadores líquidos de commodities energéticas.

Por outro lado, o Banco Mundial alerta para possíveis pressões inflacionárias decorrentes da alta dos combustíveis, o que pode exigir medidas econômicas por parte dos governos, incluindo subsídios e mecanismos de controle de preços.

América Latina enfrenta desafios para crescer

As perspectivas para a região também foram revisadas. A previsão de crescimento para a América Latina e Caribe foi reduzida de 2,3% para 2,2%.

Entre os principais riscos apontados estão a desaceleração das economias dos Estados Unidos e da China, além da manutenção de juros elevados por um período mais longo no cenário internacional.

Inflação e restrições fiscais limitam estímulos

O relatório destaca que a persistência da inflação em algumas economias reduz a margem para cortes de juros e dificulta a adoção de políticas de estímulo ao crescimento.

Além disso, as restrições fiscais enfrentadas por diversos governos da região diminuem a capacidade de investimentos públicos e tornam mais onerosa a implementação de medidas para conter os impactos da alta dos combustíveis.

Reformas são apontadas como caminho para acelerar o crescimento

Na avaliação do Banco Mundial, a região continuará registrando um desempenho econômico modesto caso não avance em reformas estruturais.

Entre as prioridades destacadas estão o aumento da produtividade, a ampliação dos investimentos, a qualificação da mão de obra e melhorias no ambiente de negócios, fatores considerados fundamentais para elevar o potencial de crescimento de longo prazo.

FONTE: Estadão Conteúdo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Economia

Como o dólar afeta importação e exportação no Brasil e impacta preços, empresas e consumo

A cotação do dólar segue como um dos principais fatores de influência sobre a economia brasileira em 2026. A variação cambial afeta diretamente o custo de vida, a inflação, os preços de produtos importados e a competitividade das exportações nacionais.

Com a economia global cada vez mais integrada, oscilações no câmbio são rapidamente percebidas por consumidores, empresas e investidores.

Dólar alto pressiona inflação e custo de vida

O impacto da alta do dólar vai muito além das viagens internacionais. A moeda norte-americana influencia desde alimentos e combustíveis até eletrônicos e medicamentos vendidos no Brasil.

Isso acontece porque grande parte dos insumos utilizados pela indústria nacional é cotada em moeda estrangeira. Quando o real perde valor frente ao dólar, os custos de importação aumentam e acabam sendo repassados ao consumidor.

Economistas classificam esse movimento como pass-through cambial, mecanismo que acelera a transmissão da alta do dólar para os preços internos.

Produtos mais afetados pela alta do dólar

Alguns setores sentem os efeitos da valorização cambial de forma quase imediata.

Alimentos e commodities

Produtos como soja, trigo e milho possuem preços internacionais em dólar. Quando a moeda sobe, produtores tendem a priorizar exportações, reduzindo a oferta interna e elevando os preços no mercado brasileiro.

Combustíveis e energia

O preço do diesel e da gasolina acompanha o mercado internacional, impactando diretamente fretes, logística e transporte de mercadorias.

Eletrônicos e medicamentos

A indústria de tecnologia e farmacêutica depende fortemente de componentes importados e princípios ativos comprados no exterior, tornando os produtos mais caros com o dólar elevado.

Exportadores e agronegócio ganham competitividade

Se o câmbio alto pesa no bolso do consumidor, ele também favorece setores exportadores, especialmente o agronegócio brasileiro.

Como commodities agrícolas são negociadas em dólar no mercado internacional, produtores recebem mais em reais quando convertem receitas vindas das exportações.

Além disso, a desvalorização do real torna os produtos brasileiros mais competitivos no exterior, favorecendo vendas para mercados da Europa, Ásia e América do Norte.

Dependência de fertilizantes reduz ganhos do agro

Apesar do aumento nas receitas, o setor agrícola também enfrenta desafios causados pelo dólar elevado.

O Brasil ainda depende da importação de fertilizantes e defensivos agrícolas vindos principalmente da Rússia e da China. Como esses produtos são dolarizados, os custos de produção sobem junto com a moeda americana.

Especialistas apontam que produtores que realizaram compras antecipadas de insumos em períodos de dólar mais baixo conseguiram preservar melhor suas margens de lucro.

Indústria sofre com aumento dos custos de importação

Na indústria nacional, a valorização do dólar representa um forte impacto sobre os custos de produção.

Setores como o automotivo, eletrônico e tecnológico dependem de peças, semicondutores e componentes estrangeiros. Empresas que não conseguem absorver os custos acabam reajustando preços ou reduzindo margens.

A dependência de fornecedores globais também aumenta os riscos de desindustrialização em períodos de forte volatilidade cambial.

Hedge cambial ganha espaço entre empresas

Para reduzir riscos, empresas brasileiras vêm ampliando o uso do chamado hedge cambial, estratégia financeira que protege operações contra oscilações do dólar.

Por meio de contratos futuros e travas de câmbio, companhias conseguem fixar previamente uma cotação para pagamentos futuros em moeda estrangeira.

Nos últimos anos, fintechs e plataformas digitais facilitaram o acesso de pequenas e médias empresas a ferramentas antes restritas às grandes corporações.

Superávit comercial cresce, mas consumo perde força

A valorização do dólar também fortalece a balança comercial brasileira, impulsionando exportações e aumentando a entrada de moeda estrangeira no país.

Ao mesmo tempo, o consumidor brasileiro enfrenta perda de poder de compra devido à inflação provocada pelo encarecimento de produtos e serviços.

Analistas avaliam que o principal desafio econômico de 2026 será equilibrar o crescimento das exportações com a preservação do mercado interno.

Como reduzir impactos da volatilidade cambial

Especialistas recomendam algumas estratégias para empresas e consumidores enfrentarem períodos de forte oscilação do dólar:

  • Diversificar investimentos e manter parte da reserva financeira atrelada ao dólar;
  • Evitar dívidas indexadas à moeda estrangeira;
  • Planejar compras internacionais com antecedência;
  • Priorizar fornecedores nacionais quando possível;
  • Utilizar proteção cambial em operações de importação.

Economia brasileira segue dependente do cenário externo

O comportamento do dólar continuará sendo um dos principais indicadores econômicos acompanhados pelo mercado em 2026.

Enquanto o setor exportador se beneficia do câmbio elevado, consumidores e empresas dependentes de importações seguem enfrentando inflação e aumento de custos.

A capacidade do Brasil de reduzir a dependência de tecnologia e insumos estrangeiros será determinante para diminuir os impactos da volatilidade cambial nos próximos anos.

FONTE: Revista Oeste
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Revista Oeste

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Informação

Petróleo impulsiona superávit recorde do Brasil no 1º trimestre

O petróleo consolidou-se como principal motor do superávit comercial brasileiro no início do ano. Entre janeiro e março, o saldo positivo no segmento de óleo e combustíveis atingiu US$ 9,52 bilhões — o maior já registrado — equivalente a 67,2% do superávit total do país no período.

Produção do pré-sal sustenta desempenho

O avanço é reflexo direto do aumento da produção, especialmente após a expansão do pré-sal, que desde 2016 vem garantindo superávits consecutivos nesse segmento. Ainda assim, o país segue dependente da importação de derivados, mantendo déficit nessa categoria.

Nos anos recentes, o setor já vinha ganhando relevância: no primeiro trimestre de 2024 e 2025, os saldos foram de US$ 7,2 bilhões e US$ 6,4 bilhões, respectivamente — números inferiores ao desempenho atual.

Exportações de petróleo seguem em alta em abril

Dados preliminares indicam que o ritmo positivo deve continuar. Na segunda semana de abril, a receita média diária com exportações de petróleo bruto mais que dobrou em relação ao mesmo período de 2025, com alta de 101%.

Esse crescimento foi impulsionado por:

  • aumento de 74,5% no volume exportado;
  • elevação de 15% nos preços internacionais.

A valorização está ligada à alta das commodities, influenciada pelo conflito no Oriente Médio.

Guerra pressiona preços e favorece o Brasil

Analistas avaliam que, mesmo com eventual fim do conflito, os preços do petróleo devem permanecer elevados ao longo de 2026. Isso tende a fortalecer ainda mais o saldo da balança comercial brasileira e impactar positivamente o câmbio.

Segundo especialistas, o cenário atual repete ciclos anteriores de protagonismo de commodities, como soja e minério de ferro, mas agora com o petróleo liderando.

China amplia compras e lidera demanda

A China foi o principal destino do petróleo brasileiro. Em março:

  • respondeu por 64,6% das exportações do produto;
  • ampliou significativamente suas compras;
  • absorveu US$ 3,1 bilhões em petróleo bruto.

O país asiático tem buscado diversificar fornecedores diante das tensões no Golfo Pérsico, elevando a participação do Brasil como parceiro estratégico.

Petróleo supera soja no crescimento das exportações

Embora a soja tenha liderado a receita total em março (US$ 5,9 bilhões), o petróleo foi responsável por 68,5% do crescimento das exportações brasileiras na comparação anual.

No mês:

  • exportações de petróleo somaram US$ 4,8 bilhões;
  • volume embarcado cresceu 75,9%;
  • preços recuaram levemente, mas sem comprometer o resultado.

Projeções indicam superávit maior em 2026

Estimativas apontam revisão significativa no superávit comercial brasileiro. A projeção passou de US$ 68,4 bilhões para cerca de US$ 85 bilhões, impulsionada pela alta do petróleo.

Antes da crise, o barril do Brent era estimado em US$ 60 para 2026. Agora, a previsão gira em torno de US$ 90. Cada aumento de US$ 10 no preço médio pode elevar o saldo comercial em aproximadamente US$ 8,5 bilhões.

Impactos indiretos: inflação e câmbio

Apesar dos ganhos na balança comercial, há efeitos colaterais:

  • aumento no preço de combustíveis, como o diesel, que subiu 13,9% em março;
  • pressão inflacionária;
  • encarecimento de fertilizantes e insumos.

Por outro lado, o cenário favorece a valorização do real frente ao dólar, impulsionada também pelo fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes.

Desafios estruturais permanecem

Especialistas destacam que o Brasil ainda precisa avançar em pontos estratégicos:

  • ampliar a capacidade de refino;
  • reduzir a dependência de derivados importados;
  • investir na produção de fertilizantes;
  • explorar alternativas como o biodiesel.

O momento, segundo analistas, pode ser uma oportunidade para acelerar essas mudanças estruturais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Economia

Argentina endurece regras e dificulta retirada de dólares do país

O governo da Argentina anunciou um novo conjunto de medidas que torna mais rígidas as operações de envio de recursos ao exterior. As regras, divulgadas pelo Banco Central, têm como alvo principal mecanismos usados no mercado paralelo de câmbio, especialmente o chamado blue-chip swap, prática comum entre investidores para acessar dólares fora do sistema oficial.

Restrições ao câmbio paralelo

As novas diretrizes fazem parte de uma estratégia para conter a saída de divisas e reforçar as reservas internacionais da Argentina. O endurecimento das regras dificulta o uso do câmbio paralelo, frequentemente adotado por empresas e investidores para transferir moeda estrangeira para fora do país.

A medida também busca aliviar a pressão sobre o peso argentino e conter impactos inflacionários — fatores que influenciam diretamente a estabilidade econômica e a popularidade do governo de Javier Milei.

Governo tenta fortalecer reservas

No fim de 2025, o país já havia anunciado um programa de compra de moeda estrangeira para ampliar suas reservas, um dos principais desafios da política econômica atual. No mesmo dia em que as novas regras foram divulgadas, o Banco Central realizou sua maior aquisição de dólares em 2026, somando US$ 281 milhões.

A expectativa do governo é que, com o controle mais rígido sobre a saída de recursos, haja aumento no fluxo de entrada de capital estrangeiro, impulsionado por setores como energia e agronegócio.

Flexibilização do câmbio oficial

Enquanto o cerco ao mercado paralelo foi ampliado, houve flexibilização em operações pelo câmbio oficial. Entre as mudanças, destacam-se:

  • Fim do limite de saque de US$ 50 em cartões emitidos no país;
  • Ampliação do prazo para liquidação de receitas de exportação;
  • Eliminação da exigência de autorização prévia para pagamento de dívidas financeiras externas.

Essas medidas visam facilitar o ambiente de negócios e incentivar exportações, contribuindo para o ingresso de moeda estrangeira na economia argentina.

Expectativa de maior entrada de dólares

O governo projeta aumento no volume de divisas nas próximas semanas, sustentado por:

  • Crescimento do setor de energia;
  • Expansão das exportações agrícolas;
  • Entrada de investimento estrangeiro direto;
  • Emissões de dívida corporativa no exterior.

Reformas econômicas ganham respaldo

Relatório recente do Banco Mundial destacou a Argentina como uma exceção positiva na América Latina, apontando melhora nas expectativas econômicas e nas condições financeiras após a adoção de medidas de estabilização.

Desde 2023, a gestão de Javier Milei tem implementado uma agenda de reformas econômicas liberais com foco no controle da inflação e retomada do crescimento. Entre os principais indicadores:

  • Risco-país em queda: o EMBIG recuou de cerca de 2.200 pontos para menos de 600 em março de 2026;
  • Atração de investimentos: programas como o RIGI impulsionam setores estratégicos, incluindo energia, mineração de lítio e tecnologia;
  • Projeções de crescimento: estimativa acumulada de 12,2% entre 2024 e 2027.

Perspectivas para o PIB

O Banco Mundial projeta crescimento de 3,6% para a economia argentina em 2026, após expansão de 4,4% em 2025 e retração de 1,3% em 2024. Em comparação, o Brasil deve crescer 2,2% em 2025, após alta de 2,8% no ano anterior.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rica Canepa/Bloomberg/Getty Images

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Internacional

Estreito de Ormuz pressiona seguros marítimos e pode elevar preços ao consumidor

A crescente instabilidade no Estreito de Ormuz já provoca efeitos no comércio global e pode chegar ao bolso do consumidor. A escalada do conflito no Oriente Médio tem elevado os custos de seguros marítimos, impactando diretamente o transporte de cargas e o preço final de produtos.

Corredor estratégico sob risco

Localizado entre Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás. Com o aumento das tensões militares desde o fim de fevereiro, a região passou a registrar queda acentuada no tráfego marítimo e aumento significativo nos riscos à navegação.

Dados recentes apontam a dimensão do problema: o número de embarcações que cruzam a rota caiu drasticamente, enquanto episódios de ataques e incidentes envolvendo navios comerciais se tornaram mais frequentes, incluindo petroleiros e cargueiros.

Esse cenário reforça a importância estratégica da região para o abastecimento energético global e acende o alerta para possíveis impactos econômicos mais amplos.

Seguradoras suspendem coberturas

Diante do agravamento da situação, empresas de seguro passaram a rever sua atuação. Muitas seguradoras estão cancelando ou suspendendo apólices de risco de guerra, mecanismo essencial para garantir operações em áreas instáveis.

Especialistas explicam que, em ambientes de conflito, aumenta o risco de perdas simultâneas — envolvendo embarcações, cargas, tripulações e até danos ambientais — o que pressiona a capacidade financeira das companhias.

Além disso, a rápida deterioração do cenário e a concentração de ativos de alto valor tornam a região ainda mais sensível para o mercado de seguros internacionais.

Cancelamento de seguro é permitido?

Apesar do impacto econômico, o cancelamento dessas coberturas geralmente não configura quebra de contrato. Isso porque os contratos de seguro marítimo já incluem cláusulas específicas que permitem a suspensão ou revisão das apólices em situações de risco elevado.

Essas regras seguem padrões internacionais e exigem aviso prévio, que pode variar entre 72 horas e sete dias. Embarques realizados antes da notificação continuam cobertos, enquanto operações posteriores ficam expostas aos riscos sem proteção.

Impacto indireto no Brasil

Mesmo distante geograficamente, o Brasil pode sentir os efeitos dessa crise. O aumento no custo dos fretes marítimos e dos seguros tende a ser repassado ao longo da cadeia produtiva.

Um dos primeiros reflexos aparece no preço dos combustíveis. Com a alta do petróleo no mercado internacional, os custos de energia aumentam, pressionando a inflação global.

Esse movimento gera um efeito em cadeia: eleva o custo de produção, encarece fertilizantes, impacta alimentos e aumenta o preço de produtos importados. A menor previsibilidade nas entregas também contribui para a volatilidade dos preços.

Efeito cascata na economia global

Especialistas apontam que a continuidade do conflito pode intensificar ainda mais os impactos. A combinação de volatilidade no preço do petróleo, aumento nos custos logísticos e pressão sobre cadeias de suprimentos globais tende a afetar diversos setores da economia.

Caso haja interrupções prolongadas no fluxo pelo Estreito de Ormuz, o cenário pode se agravar, com reflexos diretos no abastecimento e na inflação em diferentes países.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Internacional

Tensão no Irã eleva custos de produção e logística em Mato Grosso

O agravamento das tensões no Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, já começa a impactar diretamente a economia de Mato Grosso. De acordo com a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), o cenário geopolítico tem provocado forte valorização do petróleo no mercado internacional, pressionando os custos de produção industrial e o transporte agrícola.

Desde o início dos conflitos, em 28 de fevereiro, o barril do tipo Brent acumulou alta de 41% até 16 de março. Esse movimento afeta diretamente setores que dependem de combustíveis fósseis, especialmente em regiões com grande extensão territorial e forte atividade agroindustrial.

Reajuste do diesel agrava custos logísticos

A elevação do petróleo já foi repassada ao mercado brasileiro. No dia 13 de março, a Petrobras aumentou o preço do diesel em R$ 0,38 por litro para as distribuidoras. Com o combustível alcançando média de R$ 3,65, o impacto sobre a logística em Mato Grosso é imediato.

Dependente majoritariamente do transporte rodoviário, o estado sente de forma mais intensa os efeitos da alta. O encarecimento do diesel afeta diretamente o custo do frete, elemento essencial para o escoamento da produção agrícola e industrial.

Efeito cascata atinge toda a cadeia produtiva

O aumento no preço do combustível desencadeia um efeito em cadeia. O transporte de grãos, gado e insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, torna-se mais caro. Da mesma forma, o envio de produtos industrializados até portos e centros consumidores sofre reajustes.

Com longas distâncias entre áreas produtoras e corredores logísticos, a tendência é que os custos adicionais sejam repassados ao consumidor final. Esse movimento contribui para a alta da inflação e reduz a competitividade da produção regional.

Relação comercial com o Irã entra em alerta

Outro ponto de atenção é a balança comercial de Mato Grosso. Nos últimos cinco anos, o estado exportou cerca de US$ 5 bilhões ao Irã, consolidando-se como principal exportador brasileiro para o país.

A pauta é concentrada em commodities agrícolas, como milho e soja, com baixa presença de produtos industrializados. Eventuais desdobramentos do conflito podem afetar essas relações comerciais.

Monitoramento constante do cenário internacional

Segundo o presidente da Fiemt, Silvio Rangel, o principal impacto imediato está no aumento dos custos operacionais. Ele destaca que a alta do petróleo influencia diretamente o preço dos combustíveis, com reflexos em toda a cadeia produtiva.

A entidade avalia que os efeitos sobre a economia local dependerão da duração do conflito e das oscilações no câmbio e no mercado de commodities. Diante disso, o acompanhamento do cenário internacional é considerado essencial para mitigar riscos e preservar a competitividade.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Secom-MT

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Economia

Economia brasileira cresce 2,3% em 2025, aponta IBGE

A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, consolidando o quinto ano consecutivo de expansão. No quarto trimestre, o avanço foi de 0,1% frente ao período imediatamente anterior.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em valores correntes, o PIB brasileiro atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado. O PIB per capita chegou a R$ 59.687, com alta real de 1,9% em relação a 2024. Segundo o instituto, tanto o resultado total quanto o valor por habitante são os maiores da série histórica iniciada em 1996.

Cinco anos seguidos de alta

O desempenho mantém uma sequência de crescimento iniciada em 2021:

  • 2021: 4,8%
  • 2022: 3%
  • 2023: 3,2%
  • 2024: 3,4%
  • 2025: 2,3%

Apesar da desaceleração frente aos anos anteriores, o país permaneceu em trajetória positiva.

Agropecuária lidera expansão do PIB

Pela ótica da produção, todos os grandes setores da economia registraram crescimento em 2025.

  • Agropecuária: 11,7%
  • Serviços: 1,8%
  • Indústria: 1,4%

O principal destaque foi a agropecuária, impulsionada por ganhos de produtividade e recordes de produção, especialmente de milho (23,6%) e soja (14,6%). O setor respondeu por 32,8% da alta do PIB no ano.

Na indústria, a extração de petróleo e gás sustentou o avanço das indústrias extrativas, que cresceram 8,6%. A construção apresentou estabilidade, com leve alta de 0,5%.

O setor de serviços também avançou em todas as atividades pesquisadas, com ênfase para informação e comunicação (6,5%) e atividades financeiras (2,9%).

Segundo o IBGE, agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviços e informação e comunicação concentraram 72% da expansão econômica em 2025.

Consumo das famílias desacelera

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3% em 2025, resultado associado à melhora do mercado de trabalho, maior oferta de crédito e programas de transferência de renda. Ainda assim, houve desaceleração frente ao crescimento de 5,1% registrado em 2024.

O IBGE atribui a perda de fôlego à política monetária contracionista, marcada por juros elevados.

O consumo do governo cresceu 2,1% no ano, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) avançou 2,9%, puxada por importações de máquinas e equipamentos, desenvolvimento de softwares e desempenho da construção.

A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, levemente abaixo dos 16,9% de 2024. Já a taxa de poupança subiu para 14,4%.

Desempenho no quarto trimestre

Entre outubro e dezembro, o PIB variou 0,1% em relação ao trimestre anterior.

Pelo lado da produção:

  • Serviços: +0,8%
  • Agropecuária: +0,5%
  • Indústria: -0,7%

Na ótica da despesa:

  • Consumo do governo: +1%
  • Consumo das famílias: 0%
  • Investimentos: -3,5%

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a estabilidade do consumo das famílias e o aumento dos gastos públicos compensaram a queda nos investimentos.

Juros altos marcaram o ano

O cenário de desaceleração está relacionado ao ciclo de alta da taxa básica de juros. Em setembro de 2024, o Banco Central do Brasil iniciou um processo de elevação da taxa Selic, conduzido pelo Comitê de Política Monetária. A taxa passou de 10,5% ao ano para 15% em junho de 2025, permanecendo nesse patamar.

A meta oficial de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo permaneceu por 13 meses fora desse intervalo, abrangendo praticamente todo o ano de 2025.

Juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos e tendem a frear o consumo, contribuindo para o controle da inflação, mas com impacto sobre o ritmo da atividade econômica.

Apesar disso, o ano terminou com a menor taxa de desemprego da série histórica, também segundo o IBGE.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em determinado período. O indicador permite avaliar o desempenho da economia e comparar resultados entre regiões e países.

O cálculo considera pesquisas setoriais de comércio, serviços e indústria, além dos impostos embutidos nos preços ao consumidor.

Embora seja um dos principais indicadores econômicos, o PIB não reflete aspectos como distribuição de renda ou qualidade de vida da população.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Economia

Dólar sobe e petróleo dispara após ataque militar ao Irã

O dólar sobe e o petróleo dispara nesta segunda-feira (2), refletindo a tensão geopolítica após a ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito, que resultou na morte de centenas de pessoas — entre elas o líder supremo iraniano, Ali Khamenei — intensificou a aversão ao risco nos mercados globais.

Por volta das 12h, o contrato futuro do petróleo Brent, referência internacional, era negociado próximo de US$ 79 o barril, com alta de cerca de 7,6%, na ICE Futures Europe, em Londres. Mais cedo, chegou a superar US$ 80, acumulando avanço de até 13%.

Já o WTI, negociado na New York Mercantile Exchange, era cotado pouco acima de US$ 71 o barril, com ganho aproximado de 6%.

No Brasil, as ações da Petrobras subiam cerca de 3,9% na B3, negociadas a R$ 44,39 no início da tarde.

Estreito de Ormuz concentra preocupação

Analistas apontam que a disparada do preço do petróleo está diretamente ligada à situação no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico ao sul do Irã.

Cerca de 20% da produção global de petróleo e gás passa pela região, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Países como Irã, Arábia Saudita e Iraque dependem da rota para exportar a commodity.

Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, o fechamento do estreito reduz drasticamente a oferta global, o que provoca reação imediata nos preços. No sábado, relatos indicavam centenas de embarcações ancoradas, sem conseguir atravessar a passagem.

Enquanto persistirem os confrontos e houver restrição ao tráfego marítimo, a tendência é de manutenção de cotações elevadas, especialmente com possível redução dos estoques disponíveis.

Logística preocupa mais que produção

Para Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Banco Daycoval, o principal risco não está na capacidade de produção, mas na logística de transporte.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) anunciaram aumento de produção como forma de compensar eventuais perdas. Segundo o executivo, o cartel possui capacidade ociosa suficiente para suprir uma eventual retirada do Irã do mercado.

O gargalo, porém, está no escoamento. Uma interrupção no Estreito de Ormuz poderia desorganizar cadeias produtivas globais, afetando inclusive países exportadores de petróleo, como o Brasil, que ainda importam derivados.

Impacto na inflação e nos juros

O encarecimento do petróleo pode gerar pressão inflacionária. Sartori avalia que um conflito prolongado exigiria repasses ao consumidor, resultando em um novo impulso na inflação.

Esse cenário pode influenciar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, que sinalizou a intenção de reduzir a taxa básica de juros na próxima reunião.

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano. Diante das incertezas, o corte pode ser mais moderado — possivelmente de 0,25 ponto percentual, em vez de 0,50 p.p.

Dólar sobe com fuga do risco

A cotação do dólar hoje também reflete o aumento da aversão ao risco. Pouco depois das 12h, a moeda era negociada perto de R$ 5,20, alta próxima de 1%, interrompendo a trajetória recente de queda que levou a divisa ao menor nível em 21 meses.

Segundo Oliveira, o movimento é típico de “fuga para ativos seguros”, quando investidores retiram recursos de mercados emergentes e direcionam para moedas fortes, como o dólar e o iene japonês.

Sartori pondera, no entanto, que o comportamento da moeda americana tem sido mais complexo nos últimos anos, especialmente diante de incertezas políticas envolvendo o presidente Donald Trump. Para ele, é possível que o dólar oscile na faixa entre R$ 5,20 e R$ 5,25 nos primeiros dias de conflito, sem necessariamente apresentar valorização abrupta como em crises anteriores.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: © Valter Campanato/Agência Brasil

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Economia

Galípolo afirma que melhora da inflação não indica “volta da vitória”, diz presidente do Banco Central

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (9) que a recente melhora nos indicadores de inflação no Brasil não deve ser interpretada como um sinal definitivo de vitória no combate aos preços. Em encontro com banqueiros, em São Paulo, o dirigente destacou que o momento exige cautela e foco na calibragem da política monetária.

Inflação mostra alívio, mas atividade segue resiliente

Segundo Galípolo, houve uma surpresa positiva no comportamento da inflação, mas a atividade econômica continua demonstrando resiliência, o que demanda prudência nas decisões do BC.

“Há um reconhecimento de que o cenário inflacionário está diferente, mas isso não significa uma volta da vitória. Estamos em um momento de ajuste fino”, afirmou durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

Cenário é melhor do que no início de 2025

O presidente do BC ressaltou que o ambiente inflacionário atual é mais favorável do que o observado no começo de 2025, quando as projeções do mercado para o IPCA se aproximavam de 6%, bem acima da meta de inflação.

“Tivemos um processo inflacionário que se acelerou, e agora chegamos a uma fase em que a palavra-chave é calibragem”, explicou.

Expectativas seguem desancoradas, alerta BC

Apesar da melhora nos indicadores, Galípolo destacou que a desancoragem das expectativas de inflação continua sendo um ponto de atenção para o Copom (Comitê de Política Monetária).

“Isso ainda incomoda bastante o Comitê. A ancoragem das expectativas é fundamental para a condução da política monetária”, afirmou.

Mercado aposta em início do corte da Selic

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, e tanto o mercado quanto o próprio Banco Central indicam a possibilidade de início do ciclo de cortes de juros já na próxima reunião do Copom, prevista para março.

A sinalização, no entanto, reforça que eventuais ajustes dependerão da evolução da inflação, das expectativas e do comportamento da atividade econômica nos próximos meses.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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