Industria

Avança a elaboração da política industrial rumo a 2050

O Ministério da Indústria, Energia e Mineração (MIEM) realizou o segundo Conselho da Indústria, uma reunião mensal com representantes do setor privado, sindicatos, academia e autoridades do Ministério do Trabalho e Seguridade Social (MTSS); com o objetivo de desenhar uma política industrial de médio e longo prazo até 2050.

A ministra Fernanda Cardona e o diretor de Indústria, Adrián Míguez, lideraram o encontro no LATU, onde os participantes visitaram o Centro Tecnológico do Plástico, o Centro de Automação Industrial e Mecatrônica (Caime) e o Centro de Desenvolvimento de Conteúdos da Dinatel. Cardona destacou a importância de articular o setor privado, os trabalhadores e a academia em torno de uma visão integrada e territorial.

Durante o encontro, foi apresentado um projeto conjunto de diagnóstico da indústria manufatureira, elaborado pela CIU, pelo Instituto Cuesta Duarte do Pit-Cnt e pelo Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (Inefop). Esse documento permitirá identificar necessidades de produtividade, capacitação e mapeamento territorial dos trabalhadores industriais.

Está previsto analisar 12 núcleos industriais, incluindo metal-mecânico, vestuário e calçados, farmacêutico, cárneo e lácteo, com o objetivo de propor medidas que fortaleçam a competitividade regional e nacional.

O registro de trabalhadores industriais também busca facilitar a reinserção no mercado de trabalho, especialmente após o fechamento da empresa japonesa de autopeças Yazaki em Colônia e Las Piedras, que afetou cerca de 1.100 trabalhadores. Segundo Danilo Dárdano, presidente da Confederação de Sindicatos Industriais (CSI), avalia-se a extensão de benefícios e também programas de capacitação para quem está em seguro-desemprego.

Fonte: Todo Logistica News

Ler Mais
Industria

BNDES apresenta novas linhas de fomento à indústria na FIESC

Evento no dia 17/09 traz detalhes de programas de apoio a exportadoras, inovação e indústria 4.0 e Nova Indústria Brasil; encontro será transmitido pelo YouTube da FIESC.

A Federação das Indústrias de SC (FIESC) recebe, no próximo dia 17 de setembro, às 14h, o Diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon. O executivo apresenta o papel estratégico do BNDES na Nova Indústria Brasil e as novas oportunidades de financiamento para o setor industrial, em três programas:

  • Brasil Soberano: R$ 40 bilhões para apoiar exportadores impactados pelas tarifas norte-americanas. Com taxas diferenciadas de até 0,58% ao mês, oferece suporte essencial para empresas que tiveram perdas superiores a 5% do faturamento.
  • Crédito Indústria 4.0: Nova linha de R$ 10 bilhões do BNDES + R$ 2 bilhões da Finep para modernização do parque industrial brasileiro, com foco na difusão de equipamentos que aumentam a produtividade e reduzem o impacto ambiental.
  • Nova Indústria Brasil (NIB): R$ 300 bilhões com foco em quatro eixos estratégicos: inovação e digitalização, exportação, sustentabilidade e produtividade.

As inscrições podem ser feitas no link. O evento será híbrido, na sede da FIESC em Florianópolis e com transmissão pelo YouTube.
 

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

Ler Mais
Economia, Industria

Indústria manufatureira desacelera mais do que o PIB

Enquanto o PIB cresceu 0,4% no segundo trimestre, em relação aos três meses anteriores, indústria da transformação registrou queda de 0,5%, refletindo aumento do custo do crédito e da inadimplência

A política monetária mais contracionista vem surtindo efeito na atividade econômica, tanto que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou desaceleração para 0,4% em relação à alta de 1,4% nos três meses anteriores;

Entre os setores mais afetados pelos impactos dos juros mais elevados está a indústria da transformação, que registrou queda pelo segundo trimestre seguido e ainda teve uma contração mais profunda do que a do PIB, de 0,5%.

Enquanto isso, na média, o setor industrial apresentou variação positiva de 0,5% de abril a junho, na comparação com os três meses anteriores. Especialistas destacam os juros altos e o aumento do endividamento das famílias como fatores para que o consumo de bens duráveis encolha, afetando os dados da indústria da transformação.

Conforme dados do Banco Central, divulgados na semana passada, as novas concessões de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) recuaram 2% nas operações de empréstimos para as famílias, somando R$ 644,1 bilhões. No acumulado do ano até julho, as novas contratações nominais avançaram 12,3% no volume total, mas com as concessões às famílias crescendo em ritmo menor, de 9,5%. Os dados do BC ainda mostram que a inadimplência vem crescendo de forma expressiva. Em julho, chegou a 5,2%, patamar mais elevado desde novembro de 2017.

No primeiro trimestre, a indústria de transformação recuou 1% em relação aos três meses anteriores, enquanto o PIB avançou 1,4% na mesma base de comparação. De acordo com analistas, no segundo trimestre, a indústria seguirá em queda, puxada por esse ramo de atividade. Os setores mais sensíveis à política monetária vêm enfraquecendo, com destaque aos bens de capital e bens de consumo duráveis.

Entidades do setor produtivo, como Confederação Nacional da Indústria (CNI) e coligadas, seguem criticando o atual patamar da taxa básica da economia (Selic), de 15% ao ano, e defendem que o Banco Central já deveria ter iniciado o ciclo de cortes de juros. Analistas, no entanto, estimam que a Selic só deverá começar a cair no início de 2026, em grande parte, devido ao desarranjo das contas públicas que tende a limitar o impacto da política monetária.

Perspectivas

Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento prevê recuo de 1% a 2% na produção do setor neste ano por conta dos juros mais altos. A maioria das vendas de eletrodomésticos da linha branca e da linha marrom e bens duráveis em geral, depende do crédito, porque é feita de forma parcelada. Além disso, ele ressaltou que, neste ano, não há os mesmos estímulos do governo de 2024, como o Desenrola (programa de renegociação de dívidas). “O setor teve uma boa performance em 2024, mas, neste ano, com os juros mais elevados e o endividamento das famílias está aumentando e a inadimplência também, estamos prevendo queda”, disse.

De acordo com Nascimento, o impacto do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de 50% sobre os produtos brasileiros nas indústrias do setor de eletroeletrônico no país é pequeno, porque as vendas para o mercado norte-americano “não chegam a 1% da produção nacional”.

E analistas alertam que a inadimplência já está nos maiores patamares do atual governo, dando sinais de que não deve parar de subir, mesmo com os estímulos para o crédito consignado para o trabalhador privado podem não garantir um avanço maior para a indústria. “De fato, já vemos taxas atualizadas negativas no volume de concessões de crédito de recursos livres também em julho, na recente nota de crédito divulgada nesta semana pelo Banco Central”, destacou Eduardo Velho, economista-chefe da Equador Investimentos.

 “As nossas exportações para os EUA são muito pequenas, e o tarifaço não impacta o nosso negócio. Mas, se houver reciprocidade do governo brasileiro, aí, sim, nossos insumos, como semicondutores e compressores, terão os preços elevados”, afirmou. Contudo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avisou recentemente ao governo norte-americano que começou os estudos para adotar medidas de reciprocidade.

O presidente da Eletros ainda demonstrou otimismo de que as conversas do setor com o governo para a adoção de políticas públicas visando estimular a troca de eletrodomésticos mais eficientes, tanto no consumo de energia, quanto no consumo de água na produção, além do estímulo fiscal para as famílias de baixa renda mobiliarem as residências adquiridas por meio do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), devem ser retomadas no fim deste ano ou no início do ano que vem. “Estamos tentando retomar as conversas com o governo para essas políticas e buscamos também ampliar os estímulos para a logística reversa, dando destinação mais adequada aos aparelhos antigos na hora da troca”, destacou. 

Fonte: Correio Braziliense


Ler Mais
Industria

IPP: inflação da indústria caiu 0,30% em julho, segundo dados do IBGE

Com 6º resultado negativo seguido, índice acumula queda de 3,42%

O IPP, Índice de Preços ao Produtor, conhecido como a inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, caiu 0,30% em julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (5) pelo IBGE.

É o sexto resultado mensal negativo seguido, que faz com que o índice acumule uma queda de 3,42% em 2025. Já no resultado dos últimos 12 meses até julho, o índice tem alta de 1,36%.

Analisando as atividades pesquisadas, houve um equilíbrio entre resultados positivos e negativos, segundo o gerente da pesquisa, Murilo Alvim:

“Com 12 delas apresentando menores preços em julho, na comparação com o mês anterior, assim como também 12 atividades atividades apresentaram maiores preços, mas as duas principais influências tiveram variações negativas, o que ajuda a explicar o resultado geral da indústria. Pelo terceiro mês seguido, o setor de alimentos foi o que mais influenciou o resultado do IPP no mês. A atividade foi puxada pelos menores preços de diversos produtos, com destaque para o açúcar e o café. O recuo observado nos açúcares está em linha com a queda dos preços internacionais.”

Já o café tem seus menores preços explicados pelos custos de produção mais baixos. Por outro lado, a alta dos minérios de ferro, um movimento que acompanhou a cotação no mercado internacional, foi a principal responsável pelo resultado do setor extrativo, que seguiu na direção contrária da média da indústria e apresentou alta de 2,42% no mês, sendo a principal influência positiva no resultado geral do IPP.

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Industria

Missão da indústria aos EUA abre oportunidades para acordos futuros, avalia Fiesc

Representante de SC na comitiva da CNI, o 1º vice-presidente da Fiesc, André Odebrecht, avalia que a série de reuniões permitiram maior entendimento sobre o mercado dos EUA

Apesar da questão política ainda impedir um acordo entre Brasil e Estados Unidos para reduzir a tarifa de 50%, a missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) a Washington quarta e quinta-feira (03 e 04) desta semana teve resultados positivos na avaliação do 1º Vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), André Odebrecht. Ele destaca que o grupo de industriais do Brasil participou de reuniões com diversas lideranças americanas representantes do Congresso, Câmaras de Comércio, órgãos do governo, associações setoriais e clientes de empresas brasileiras.

– Todos estes protagonistas estão mais bem informados sobre o ambiente de negócios brasileiro, a qualidade dos produtos e a capacidade de inovação e competitividade de nossas indústrias. Além disso, estão cientes do risco que a ausência de produtos brasileiros em algumas cadeias produtivas ou mercados consumidores pode provocar tanto do ponto de vista de perda de qualidade como da diminuição da concorrência e seus potenciais efeitos negativos sobre a economia norte-americana – destacou Odebrecht.

De acordo com o industrial catarinense, integrantes da missão concluíram que falta muita informação sobre a realidade brasileira em Washington. Além disso, o setor industrial do Brasil precisa acompanhar as investigações que o governo americano está realizando nas seções 232 e 301.

O grupo pôde acompanhar, na quarta-feira (03), uma defesa oral em favor do Brasil, feita pelo embaixador Roberto Azevêdo. Foi no escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre a investigação aberta na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Para Odebrecht, a série de contatos feitos pelos industriais durante essas visitas abre caminhos para futuras negociações, “quando o ambiente político estiver mais favorável”.

Os empresários da missão aproveitaram esses contatos para mostrar o quanto boa parte das empresas brasileiras exportadoras são inovadoras e estratégicas ao mercado americano.

Odebrecht destacou também o fato de empresários dos EUA serem os que mais investem no Brasil e, também, o aumento de investimentos de empresas brasileiras nos EUA, em especial indústrias.

Os Estados Unidos são o país com o maior montante de investimentos privados no Brasil, mas os investimentos diretos de empresas brasileiras também cresceram no mercado americano. Desde 2019, o país ocupa a 5ª posição entre os principais destinos de investimento do Brasil.

Presidente da CNI avalia missão

Líder da missão empresarial aos EUA, o presidente da CNI, Ricardo Alban, disse ao jornal O Globo, que os presidentes dos dois países – Brasil e EUA – precisam conversar para buscar uma redução de tarifas. Segundo ele, isso deve ser encaminhado após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.  

A missão empresarial da CNI foi integrada por 130 empresários e líderes de associações setoriais e incluiu agendas nesta quarta e quinta-feira (03 e 04 de setembro). O objetivo foi abrir caminhos para reverter a taxa de 50% a produtos brasileiros nos EUA.

Empenho frente ao tarifaço

O forte empenho da diretoria da Federação das Indústrias de Santa Catarina na busca de solução para o tarifaço tem mais de uma razão. A primeira é porque os EUA são o maior mercado exportador da indústria catarinense e diversas empresas estão sem poder vender para aquele mercado deste a entrada em vigor da taxação de 50%.

Outra razão é que, tanto o presidente da entidade, Gilberto Seleme, quanto o 1º vice-presidente, André Odebrecht, são acionistas e líderes de empresas que exportam para os Estados Unidos. Por isso, conhecem praticamente todos os desafios do tarifaço.

Fonte: NSC Total

Ler Mais
Investimento

Investimento chinês dobra no Brasil, que agora é o terceiro principal destino

“É excelente a entrada da China. Vai promover um choque de competitividade com outras empresas no setor brasileiro industrial”, disse Uallace Moreira, chefe de desenvolvimento industrial do MDIC

O Brasil se tornou o terceiro maior destino de investimentos chineses no mundo e o número 1 fora da Europa, segundo um novo estudo, com dezenas de projetos em diversos setores atraindo US$4,2 bilhões no ano passado, em meio ao fortalecimento dos laços diplomáticos.

O estudo do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), um centro de estudos, mostrou que o investimento direto chinês no Brasil mais que dobrou em 2024 em relação a 2023, com empresas investindo tanto em projetos de energia quanto em novas áreas como carros elétricos.

“É excelente a entrada da China. Vai promover um choque de competitividade com outras empresas no setor brasileiro industrial”, disse Uallace Moreira, chefe de desenvolvimento industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). “Mas a gente precisa ir além e fazer com que esses investimentos desenvolvam as cadeias produtivas aqui”, acrescentou.

Muitas fábricas chinesas no país ainda importam peças fabricadas na China para montagem final no Brasil, incluindo algumas montadoras de carros elétricos. Esse tipo de investimento gera menos empregos e estimula menos fábricas novas ao longo das cadeias produtivas, que são essenciais para o crescimento econômico, segundo Moreira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês, Xi Jinping, se encontraram duas vezes no último ano, anunciando parcerias em diversos setores, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a guerra comercial, impondo tarifas elevadas sobre produtos de ambos os países.

Empresas chinesas têm buscado expandir seus negócios no Brasil e em outras economias em desenvolvimento, à medida que recuam dos Estados Unidos, disse Tulio Cariello, autor principal do estudo do CEBC, destacando que os investimentos chineses nos EUA atingiram apenas US$2,2 bilhões no ano passado.

“É uma tendência causada por essas tensões geopolíticas”, afirmou ele.

Ainda assim, os Estados Unidos continuam sendo a maior fonte de investimento estrangeiro direto no Brasil, com US$8,5 bilhões enviados no ano passado, segundo dados do governo. O investimento chinês no Brasil e em muitos outros países também está abaixo dos níveis anteriores.

Entre 2015 e 2019, empresas chinesas investiram em média US$6,6 bilhões por ano no Brasil. Mas Cariello explicou que muitos desses investimentos foram direcionados a poucos projetos gigantes de petróleo e energia, como linhas de transmissão e campos de petróleo offshore.

Agora, empresas chinesas estão investindo em um número recorde de 39 projetos no Brasil, em uma gama mais diversificada de setores, colocando o país atrás apenas do Reino Unido e da Hungria como destino global de capital chinês, segundo o CEBC.

O Brasil havia ocupado a nona posição entre os destinos globais em 2023 e 2022, de acordo com o estudo.

Por exemplo, as empresas de tecnologia Meituan e Didi entraram no setor de entrega de alimentos este ano, observou Cariello.

Moreira, do Ministério do Desenvolvimento, disse que muitas empresas chinesas ainda enfrentam dificuldades no Brasil devido às cadeias produtivas mais caras, ao sistema tributário complexo e às leis trabalhistas mais rigorosas.

Neste ano, procuradores processaram a montadora chinesa BYD após autoridades resgatarem 163 trabalhadores que teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão em uma fábrica que a empresa está construindo no Brasil. A empresa negou qualquer irregularidade.

Fonte: InfoMoney

Ler Mais
Industria

Produção industrial recua 0,2% em julho e acumula efeitos do juro alto

Setor chega a quatro meses sem crescimento

A produção da indústria no país recuou 0,2% na passagem de junho para julho. Com esse resultado, o setor chega a quatro meses seguidos sem crescimento, o que é explicado pelo ambiente de juro alto.

O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (3) pela Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De abril a julho, a indústria acumula perda de 1,5%, sendo quedas em abril (-0,7%) e maio (-0,6%) e estabilidade em junho (0%). A última vez que o parque industrial brasileiro somou quatro meses sem expansão foi entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023.

Em relação a julho de 2024, a produção da indústria nacional mostra avanço de 0,2%. Nos últimos 12 meses, o setor apresenta expansão de 1,9%.

O resultado de julho deixa o setor 1,7% acima do patamar pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020) e 15,3% abaixo do nível recorde já alcançado, de maio de 2011.

Em relação ao patamar final de 2024, o setor teve expansão de 0,3%.

Efeito do juro alto
De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o cenário predominante negativo desde abril é explicado pela política monetária restritiva, ou seja, os juros altos, ferramenta do Banco Central (BC) para tentar conter a inflação.

“Em termos conjunturais, destacam-se os efeitos de uma política monetária mais restritiva – que encarece o crédito, eleva a inadimplência e afeta negativamente as decisões de consumo e investimentos. Esses fatores contribuíram para limitar o ritmo de crescimento da produção industrial no período, refletindo-se em resultados mais moderados frente aos meses anteriores”, analisa Macedo.

Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o patamar mais alto desde julho de 2006. Os juros altos têm o efeito de desestimular o consumo e o investimento para esfriar a economia e diminuir a procura por bens e serviços, consequentemente, tirando força da inflação.

Em julho, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrou acúmulo de 5,23% em 12 meses, fora da meta do governo 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, indo até 4,5%.

A taxa está acima do teto desde setembro de 2024 (4,42%). Em abril, chegou a 5,53%, o ponto mais alto desde então. 

Setore
Na passagem de junho para julho, o IBGE identificou queda em 13 das 25 atividades industriais. Os destaques negativos foram:

  • metalurgia (- 2,3%)
  • outros equipamentos de transporte (-5,3%)
  • impressão e reprodução de gravações (-11,3%)
  • bebidas (-2,2%)
  • manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,7%)
  • equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2%)
  • produtos diversos (-3,5%)
  • produtos de borracha e de material plástico (-1%)

Entre as atividades com alta na produção, os principais impactos positivos vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,9%), alimentícios (1,1%), indústrias extrativas (0,8%) e produtos químicos (1,8%).

Em relação às grandes categorias, bens de consumo duráveis (-0,5%) e bens de capital (-0,2%) registraram altas na passagem de junho para julho. Bens de capital são máquinas e equipamentos.

Por outro lado, bens intermediários, ou seja, que serão transformados em outros produtos, cresceram 0,5% e bens de consumo semi e não duráveis aumentaram 0,1%.

Tarifaço
De acordo com André Macedo, o resultado de julho teve reflexos também do tarifaço americano, que só começou na primeira semana de agosto. Isso se explica pelo fato de que a ameaça de taxação das exportações brasileiras para os Estados Unidos mexeu com expectativas e decisões futuras de empresários, principalmente os que têm atividades voltadas para o mercado externo.

Macedo ressalta que a predominância negativa desde abril é fundamentada pela política de juros.

“Dentro do resultado geral, [o tarifaço] não tem muita importância no momento”, disse.

Fonte: Folha de Pernambuco

Ler Mais
Industria

Tarifaço azeda de vez o humor da indústria brasileira, mostra CNI

Entre junho e agosto o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das empresas exportadoras caiu

O mau humor entre os exportadores  supera o pessimismo que já domina a indústria. Os exportadores brasileiros registraram índice de confiança inferior ao das indústrias que dependem apenas do mercado interno. O dado foi divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, 1º.

Entre junho e agosto, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das empresas exportadoras caiu de 50,2 para 45,6 pontos, ficando  abaixo da linha de 50 que separa confiança de falta de confiança. Desde o dia 6 de agosto metade de tudo que o país exporta para os Estados Unidos está pagando nova tarifa de 50% O cenário de incerteza se amplia com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, previsto para esta semana, já que o tarifaço imposto ao Brasil tem forte motivação política.

Inversão

A queda ocorreu em duas etapas. Em julho, o ICEI recuou 1,7 ponto. Com a entrada em vigor do tarifaço americano sobre parte dos produtos brasileiros, em agosto, houve nova redução de 2,9 pontos, segundo a CNI.

O  movimento, segundo o gerente da pesquisa, altera o padrão em que exportadores costumavam apresentar indicadores acima da média. “As taxas de juros elevadas penalizam o consumo dentro do país. Mas as empresas exportadoras, com a opção de vender para o exterior, contornavam a queda da demanda no mercado doméstico e, por isso, mostravam confiança superior à média da indústria”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Agora o ICEI dos exportadores (45,6) ficou abaixo do ICEI geral (46,1), que  está em nível de falta de confiança há oito meses.

O resultado pesa no Índice de Expectativas, que mede a confiança em relação ao futuro da economia e dos próprios negócios, que recuou 5 pontos no período, de 52,2 para 47,2 pontos.

Fonte: Veja

Ler Mais
Negócios

Inventor, industrial funda duas multinacionais e o maior parque empresarial do Brasil

O empresário italiano Fabio Perini desenvolveu uma trajetória sem igual. Começou inventando máquinas para indústrias de papel, fundou duas multinacionais, registrou mais de 100 patentes, abriu um estaleiro e fundou em Joinville o Perini Business Park

Entre os empresários que são ícones em Santa Catarina, um dos estados com economia mais dinâmica no Brasil, está o empreendedor e inventor italiano Fabio Perini. No final dos anos de 1970 ele abriu uma fábrica de máquinas para papel em Joinville, a maior cidade do estado, e em 2001 fundou o Perini Business Park, hoje o maior condomínio empresarial da América do Sul, onde estão sediadas mais de 300 empresas que faturam mais de R$ 10 bilhões por ano e respondem por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. 

Inventor e empreendedor, Fabio Perini, sempre foi muito discreto. Veio a Joinville no começo deste mês – dia 06 de agosto – quando foi homenageado com a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca, o mais importante reconhecimento do município, pela colaboração ao desenvolvimento econômico. No mesmo dia, também foi assinado acordo de irmandade de Joinville com a cidade italiana de Lucca, onde está a sede do Grupo Perini, na Itália.

O evento foi na “casa” de Fabio Perini, o Ágora Tech Park, dentro do Perini Business Park. No dia seguinte, ele concedeu esta entrevista exclusiva ao portal NSC Total, contando sua trajetória no mundo das invenções e dos negócios.

Embora não tenha cursado engenharia mecânica, ele é brilhante na arte de inventar máquinas. Foi essa capacidade de inovar que permitiu a ele ser o industrial que transformou mundialmente o setor de conversão do papel tissue. Registrou mais de 100 patentes, é considerado o fundador do Tissue Valley na cidade de Lucca, abriu duas multinacionais nesse segmento, a Fabio Perini e a Futura, fundou também o estaleiro Perini Navi e outros negócios.

Em 1974, veio ao Brasil para investir no país e se encantou por Joinville, uma cidade organizada como as italianas. Por isso abriu filial da indústria Fabio Perini e, décadas depois, inovou ao fundar o Perini Business Park.

Engana-se quem pensa que ele reduziu o ritmo aos 85 anos. Ao lado do CEO do Grupo Perini na América Latina, o engenheiro civil catarinense Marcelo Hack, ele destacou vários projetos para o mega condomínio empresarial. Uma creche para todas as crianças, prestação de serviços para empresas, área para pequenas empresas e um futuro shopping aberto no empreendimento. Leia a entrevista a seguir: 

Como foi o início da sua carreira? O seu pai tinha um negócio na área de papel e o senhor deu continuidade?

– Meu pai e irmãos tinham três papeleiras (fábricas de papel) e uma oficina mecânica (de máquinas produtoras de papel). Depois, dividiram o negócio e o meu pai ficou com a oficina. Nós morávamos num lugar antigo e eu pensei que tinha pessoas pouco interessadas em investimentos. Mas meu pai tinha empreendedorismo na cabeça e só sabia fazer papel, não sabia o que se fazia em outras partes do mundo.

Trabalhávamos nessas indústrias, mas com uma oficina. Não tinha engenheiro. Tudo era feito na prática. Então, eu trabalhava aí. Me acostumei à maneira do meu pai de não desenhar as coisas, mas pensar. Comecei a ver uma parte de máquina, mas era tudo no pensamento, não era como um engenheiro de hoje que vai desenhando.

Então, me acostumei a pensar as coisas como deveriam ser feitas e contratava um desenhista porque eu não sabia desenhar. É bem diferente a cultura em que você, através do desenho, chega a ter um projeto, do que quem trabalha vendo o projeto e depois desenha. Assim começamos a trabalhar, a fazer máquinas e, depois, chegamos ao Brasil.

Que idade o senhor tinha quando começou a fabricar máquinas?

– Eu estava com 17 anos quando comecei a fazer máquinas. Mas a firma era pequena, era eu, meu pai, meus irmãos e mais dois trabalhadores. Eu estava fazendo coisas um pouco novas. A gente não estava acostumado a pensar no novo. Sempre gostava de fazer algo como o que já existia. Então, aí eu me tornei o problema da família. Daí eu comecei a sair da empresa da família e trabalhar sozinho. Meu pai me deu a emancipação.

Quando o senhor registrou a primeira patente?

– Comecei a criar. Eu registrei a primeira patente de uma máquina para produção de papel quando eu tinha 17 anos. A primeira máquina que fiz não teve sucesso. Mas, depois, fiz uma outra, parecida, que deu resultado.

A máquina produtora de papel tem uma correia de um tecido grosso onde vai a água com a fibra e sai papel. Essa correia se movimenta e isso é regulado por um operador. E eu fiz um dispositivo que fazia esse movimento sem a necessidade de um operador. Mas depois fizemos vários tipos, até chegar a um para uma máquina importante, fabricada na Itália.

O que destacou o senhor internacionalmente como inventor de máquinas de papel?

– No setor de papel existem equipamentos que, a partir da celulose, produzem folhas de papel. Esses equipamentos fazem bobinas de papel. Eu trabalho especificamente com máquinas para papel tissue, que é o papel macio e mais absorvente para guardanapos, toalhas, lenços e papel higiênico. É um papel que tem entre 14 e 18 gramas de gramatura.

As máquinas que eu projeto prendem as bobinas jumbo, que são as bobinas maiores de papel tissue, e fazem a conversão, ou seja, transformam o papel que está em rolos grandes em papel toalha e papel higiênico. São máquinas de um segmento do setor chamado “converting”, que fazem a conversão das bobinas grandes em produtos menores, para o uso dos consumidores.

Quando fundou a primeira fábrica dessas máquinas?

– Eu tinha 26 anos quando fundei a indústria Fabio Perini, no ano de 1966. Ela cresceu, alcançou liderança nesse segmento, vendemos produtos para diversos países. Abrimos filiais no Brasil (em Joinville), nos Estados Unidos e no Japão. Tínhamos escritórios em 18 países. Em 1994 eu vendi parte da empresa para o grupo alemão Körber e em 1999 vendi toda a empresa Fabio Perini para eles que, há cinco anos, venderam para o grupo sueco Valmet. 

Passado um tempo, em 2001, comecei uma empresa nova, a Futura, que atua no mesmo setor, mas com tecnologias completamente novas. Todas as máquinas são novas, sem sobreposição de patentes. Agora, 25 anos depois, a Futura é líder mundial em tecnologia.

Como chegou a essa série de mais de 100 patentes registradas?

– Precisei fazer muitas máquinas. Quando tive papeleiras na Inglaterra e Romênia, por exemplo, criei uma máquina para elas, mas os clientes viram, gostaram e quiseram também. Então eu fiz para eles.

Eu penso que nem todas as patentes que fiz foram registradas no meu nome porque eu gosto de fazer projetos, mas depois o que acontece com eles não me interessa. Acredito que fiz cerca de 200 patentes. Tem algumas registradas em nome de outras pessoas, mas tudo bem.

Não é comum um dono de indústria projetar os equipamentos fabricados por ela, como o senhor faz…

– São 60 anos que eu trabalho nisso, que estou me dedicando ao setor de papel tissue. Hoje, todo o construtor de máquinas do setor imita o que eu fiz anos atrás, o que estou fazendo. Isso me enche de orgulho.

E como está a sua mais recente indústria de máquinas de papel, a Futura?

– Está bem. Tem sede em Lucca, na Itália e em Joinville é o centro de assistência técnica para as Américas. Atendente Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Argentina, Chile e Colômbia.

Por que o senhor escolheu Joinville para ser a primeira cidade com filial da sua primeira indústria, a Fabio Perini?

– Todo mundo que vem ao Brasil chega em São Paulo primeiro. Eu tinha um amigo em São Paulo e eu queria fazer uma firma. Diziam que tudo o que eu precisaria, eu poderia fazer em São Paulo. Mas eu comecei a visitar o Brasil, de Norte a Sul. Visitei todos os estados. Tinha locais que eu gostava um pouco mais e outros, um pouco menos.

Quando cheguei em Joinville foi paixão imediata. Vi todas as casas das ruas com jardins, plantações de verduras e de árvores frutíferas como na minha cidade, na Itália. Mas o que me tocou mais foi ver tanta criança de uniforme indo para a escola. Ao mesmo tempo, muitas pessoas estavam indo trabalhar de bicicleta porque naquela época quase todos usavam bicicletas. Eu fiquei hospedado no Hotel Anthurium, no centro da cidade.

E como surgiu a ideia de fazer o condomínio   Perini Business Park?

– Eu vendi a indústria Fabio Perini e pensei em investir o resultado também no Brasil, em Joinville. Começamos a estudar um pouco sobre como fazer construções empresariais. Aprendi como se faz concreto armado. Aí fizemos uma indústria para produzir material pré-fabricado, hoje a Perville Construtora. Fizemos o primeiro galpão, este onde está a administração do condomínio.

Recebemos as primeiras máquinas e fizemos um piso de concreto em céu aberto, foram instaladas as máquinas, começaram a fazer as peças de concreto e foram montando por cima das próprias formas. Eu acompanhei no início. Sempre faço isso. Depois, quando a coisa passa a funcionar, me afasto.

Quando começou o condomínio o senhor imaginava que ele se tornaria esse gigante?

– Não, não pensava que seria um sucesso. Na realidade, quando eu comecei, pensava um pouco diferente, porque eu pensava em fazer galpões, principalmente para alugar a quem queria começar porque sempre sei o quão difícil é começar. Então, eu pensava que essa era a maneira certa para que funcionasse.

Mas, na realidade, depois que chegou uma firma mais importante, pediram e nós acompanhamos a necessidade do mercado dela. Uma ideia minha era fazer para pequenas empresas. Mas aí vieram muitas grandes empresas e hoje já são mais de 300. Eu amo as pequenas empresas.

O que mais impressiona o senhor hoje no Perini Business Park?

– Pelo que vejo, tem muita segurança e tudo é fácil porque tem muito serviço para todo mundo. É muito prático trabalhar aqui. Tem transporte e várias outras coisas importantes. Mas nós estamos planejando mais coisas novas para o condomínio.

Quais são esses novos planos para o Perini?

– Eu gostaria de instalar uma firma para manutenção das indústrias locais, aqui do condomínio. Isso porque cada indústria tem que ter um eletricista, um mecânico e que depois trabalha só na emergência.

Mas a emergência seria uma empresa que poderia prestar trabalho para todo mundo. Seria mais econômico e de grande ajuda para os inquilinos. Isso porque cada um tem à sua maneira de trabalhar.

Eu penso que a melhor maneira de trabalhar é sempre oferecer vantagem aos outros. Depois, de qualquer forma, volta para nós também. Eu penso que é uma vantagem importante ter uma pessoa para fazer manutenção elétrica. Precisamos fazer algo para ajudar os inquilinos.

O senhor disse também que planeja construir uma creche dentro do condomínio. Como será essa creche?

– Nós gostaríamos, sim, de ter uma creche aqui. Quem tem filho, traz para cá. Será uma creche tanto para filhos de empresários, quanto de trabalhadores. E as crianças dessa creche, quando forem para as escolas públicas, têm que chegar mais preparadas do que as outras. Temos esse projeto há um bom tempo. Agora vamos fazer.

Veja, os empreendedores normalmente pensam em como ter mais lucro possível. É justo porque o sucesso se tem com o lucro. Penso também que quando você tem o lucro, o que faz? Como pode aproveitar mais o lucro? Se você faz uma coisa linda, bem-feita, que dá uma satisfação grande, já chega. Não precisa fazer a volta do dinheiro. Então, se a pessoa tem lucro, investe numa coisa boa e tem um grande retorno.

A sua trajetória é de sucesso desde o início. O que representa o sucesso para o senhor?

– O sucesso para mim é quase um problema. Porque eu gosto de fazer coisas, mas o sucesso acaba tendo custos. Ontem foi um dia ótimo para mim (o empresário recebeu homenagem da prefeitura de Joinville). Normalmente eu não gosto de falar. Gosto de fazer. E ao receber essa homenagem eu falei.

Eu lembro que quando tivemos a indústria de barcos a vela fizemos um barco fantástico. Ele teve muitas premiações, mas eu nunca fui receber esses prêmios. Sempre mandei outra pessoa nas premiações. O prêmio é quando você faz uma coisa boa e reconhece o que você tem feito. Esse é o prêmio verdadeiro. O sucesso paga você direto, o prêmio é algo mais.

Por que o senhor fundou um estaleiro para fabricar veleiros e o vendeu mais tarde?

– Fundei a Perini Navi, empresa que projetou e fabricou um dos maiores barcos a vela do mundo. Gosto muito de navegar. Na década de 1980 vim da Itália até o Brasil de veleiro. Esse estaleiro (na cidade italiana de Viareggio) foi muito importante. Recebemos o prêmio de melhor barco do mundo várias vezes. Isso teve um grande sucesso. Depois eu vendi. Eu pensava que a empresa ia crescer mais sem eu estar na liderança, mas depois de dois anos ela quebrou. Foi uma pena.

Veja um dos projetos (ele mostra um veleiro em tamanho miniatura no escritório). Esta vela é uma das patentes que registrei. Esse mastro gira. As velas são fixas, mas o mastro gira. Este foi um barco com muita inovação. Ele foi adquirido na época pelo empresário Tom Perkins, presidente da Compaq, dos EUA. Este barco é um navio. Levou cinco anos para ser construído e custou mais de US$ 100 milhões.

Qual será o próximo projeto para expandir o número de empresas no Perini Business Park?

– Gostaria de oferecer espaços para firmas pequenas. Penso que é útil. A firma grande nasce porque tem uma assistência da firma pequena. A criação nasce do pequeno. Eu penso que é preciso. Se está perdendo em todo o mundo a parte de produção de empresas de pequeno porte com alta qualidade e baixa escala.

São firmas que empregam, por exemplo, três jovens que acabam aprendendo mais naquela empresa pequena do que na escola. Se tornam pessoas com alta capacidade produtiva. Na Itália, muitas empresas são pequenas, têm seis ou sete empregados. E aí eles fazem tudo e acabam se tornando especialistas em fazer determinados produtos.

Podemos ter empresas assim também aqui no Perini Business Park para dar suporte às empresas maiores. Um exemplo é a Cisa, empresa italiana do grupo que aqui contrata muitos serviços de fora de casa quando necessita.

O que mais o senhor está prevendo para este condomínio empresarial crescer?

– Eu tenho que perguntar ao Marcelo Hack, CEO do Grupo Perini na América Latina (que acompanhou a entrevista). Nós temos que fazer aquilo que o mercado precisa. Mas, temos uma ideia fantástica de que, antes ou depois, vamos construir numa parte aqui do parque, que é mais elevada, linda, que era ocupada por um reflorestamento e chamamos de morro.

Isso porque a lei mudou e, então, poderemos fazer construções com altura de 30 metros. Antes, onde está o Ágora Tech Park, podíamos fazer somente com até 15 metros de altura. Nosso plano para essa parte mais elevada é fazer um centro comercial, um open mall com algumas torres, mas deixando muitos espaços para lazer, como praças e outras estruturas.

É um projeto que vamos desenvolver ainda. Atualmente, estamos numa fase de retirada de terra do morro. Vamos demorar ainda uns três ou quatro anos para chegar na cota que a gente quer. Até lá, estaremos com um projeto pronto para submeter à aprovação dos órgãos competentes.

Quanto o Perini está investindo?

– Estamos executando um plano de investimento de R$ 100 milhões para um período de 20 meses que começou em abril de 2024 e vai até janeiro de 2026 para a expansão do parque. Acreditamos que quando finalizado esse investimento gerará 1.000 empregos.

Como o senhor avalia a instalação de um parque tecnológico dentro do Perini?

– Eu penso que a tecnologia atrai, desenvolve soluções para problemas tecnológicos. Penso que o Ágora ajuda também empresas internas de tecnologia aqui do condomínio. O desenvolvimento tecnológico é sempre importante.

O diferencial que o senhor incluiu nas suas indústrias, no Perini Business Park, é a inovação. Qual é a importância da inovação para negócios, na sua opinião?

– Eu penso que a coisa mais importante é ver se consegue ensinar as pessoas a terem coragem de ir para frente. Isso porque eu vejo que muda. Todo mundo gosta de fazer o que se fazia, porque não dá erro, é mais fácil fazer o mesmo. Na minha experiência, vejo um problema, vejo pessoas capazes, que muitas vezes pensam que são muito mais capazes do que eu, e se eu deixo, eles não conseguem ir em frente. Eu tenho coragem. Muitas vezes eu conquisto coisas porque tenho coragem de ir em frente. Eu errei muito, mas tive sorte que alguma coisa deu certo.

Qual é a importância da homenagem que o senhor recebeu com a Medalha Dona Francisca, da prefeitura de Joinville?

– Sinceramente, eu não sabia que receberia esse prêmio. E não sei nem se mereço. Mas gostei. Penso que junto com o Marcelo Hack (presidente do Perini) alguma coisa fizemos de bom. Mas penso também que temos tempo para fazer mais ainda. No começo, as pessoas não acreditavam que o Perini Business Park ia dar certo.

Qual empresa mais chama atenção aqui no condomínio, na sua avaliação?

– É a Wetzel, uma tradicional indústria metalúrgica que deixou de ter uma sede própria no município para se instalar dentro do Perini. Quando ela veio, proporcionou uma virada de chave para o parque. Mais empresas vieram.

Fonte: NSC Total

Ler Mais
Industria

Indústria pede prudência e insistência no processo de negociações com os EUA

FIESC integra comitiva da CNI a Washington na semana que vem para reuniões bilaterais e preparação da defesa do setor produtivo brasileiro na investigação nos termos da Seção 301

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de SC (FIESC) defendem a persistência no uso de instrumentos de negociação como forma de reverter os efeitos nocivos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige cautela e discussões técnicas. Neste sentido, uma comitiva liderada pela CNI com líderes de associações e empresários industriais desembarcará no começo da semana que vem em Washington, para uma série de compromissos com empresários e representantes do poder público dos EUA.

Entre os participantes da missão aos EUA estará o primeiro vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, que representará os interesses do setor exportador catarinense. Segundo Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o objetivo será a busca de abertura de exceções nas tarifas para os principais produtos da pauta exportadora de SC.

Alban destaca também que é importante observar que as economias brasileira e americana são complementares. Na corrente de comércio, os bens intermediários (insumos produtivos) representaram 58% do que foi comercializado entre os dois países na última década.

A agenda em Washington contempla encontros bilaterais entre instituições empresariais brasileiras e suas contrapartes e parceiros nos EUA, e reunião plenária para discutir os impactos comerciais e estratégias para aprofundar a parceria econômica entre os dois países.

A CNI também vai promover encontros estratégicos preparatórios para a defesa do setor industrial na audiência pública, marcada para o dia 3 de setembro, sobre a investigação aberta em julho pelo governo norte-americano nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Como representante do setor industrial brasileiro, a CNI formalizou uma manifestação em defesa do Brasil, argumentando que o país não adota práticas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio bilateral.


Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook