Transporte

El Niño pode impactar o transporte marítimo global e acender alerta no Canal do Panamá

O avanço do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico já mobiliza autoridades climáticas e preocupa o setor de transporte marítimo internacional. A confirmação oficial do evento pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aumenta os temores sobre possíveis impactos em rotas comerciais, operações portuárias e cadeias globais de suprimentos nos próximos meses.

Segundo as projeções mais recentes, o fenômeno climático pode alcançar intensidade histórica até o fim de 2026, elevando o risco de restrições em importantes corredores logísticos ao redor do mundo.

NOAA alerta para possibilidade de um dos maiores eventos já registrados

A NOAA confirmou o desenvolvimento do El Niño no Pacífico tropical e divulgou previsões que apontam para um fortalecimento significativo do fenômeno nos próximos meses.

De acordo com o Centro de Previsão Climática da agência, há 88% de probabilidade de que o evento atinja intensidade considerada forte entre novembro e janeiro. Além disso, existe uma chance de 63% de que ele alcance níveis classificados como muito fortes.

Caso esse cenário se confirme, o fenômeno poderá ser comparado aos episódios de 1997-1998 e 2015-2016, considerados alguns dos mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950.

Canal do Panamá volta ao centro das preocupações

Um dos principais reflexos do fortalecimento do El Niño pode ocorrer no Canal do Panamá, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio global.

Durante o ciclo climático de 2023-2024, a região enfrentou uma severa estiagem que reduziu significativamente os níveis dos reservatórios responsáveis pela operação da via. Como consequência, a Autoridade do Canal do Panamá precisou limitar o calado das embarcações e diminuir em até 40% o número diário de travessias.

O processo de recuperação das operações levou cerca de um ano após a normalização das condições climáticas.

Medidas preventivas já foram anunciadas

Mesmo antes da confirmação oficial da NOAA, a Autoridade do Canal do Panamá já havia adotado ações preventivas para enfrentar um possível agravamento da situação.

Entre as medidas está a redução do calado máximo permitido para embarcações que utilizam as eclusas neopanamax, que passará a ser de 49,5 pés a partir de julho. A decisão foi baseada na possibilidade de um novo período de escassez hídrica associado ao fenômeno climático.

Com o monitoramento contínuo das condições meteorológicas, especialistas avaliam que novas restrições poderão ser implementadas caso o fenômeno atinja os níveis projetados.

Exportações dos EUA aumentam pressão sobre a rota

Além dos desafios climáticos, o Canal do Panamá enfrenta um aumento expressivo da demanda por espaço de navegação.

Dados da Clarksons Research indicam que as exportações energéticas dos Estados Unidos seguem em níveis recordes. O volume de transporte de derivados de petróleo, gás liquefeito de petróleo (GLP) e etano tem ampliado a disputa por vagas de trânsito na hidrovia.

Esse cenário pode tornar ainda mais complexa a gestão operacional do canal caso as restrições de água sejam ampliadas.

Efeitos podem atingir outras rotas e sistemas hidroviários

Os impactos do El Niño não se limitam ao Panamá. O aquecimento das águas do Pacífico equatorial altera padrões atmosféricos em diversas regiões do planeta, influenciando regimes de chuva e períodos de seca.

Historicamente, eventos intensos estão associados à redução das precipitações em áreas da América Central e do Sudeste Asiático, aumentando o risco de dificuldades para sistemas logísticos dependentes de rios, canais e hidrovias.

As mudanças também podem afetar regiões que dependem das monções para manter níveis adequados de navegação e abastecimento hídrico.

Temporada de furacões pode trazer alívio parcial

Embora o fenômeno represente riscos para diversas operações marítimas, ele também pode gerar efeitos positivos em determinadas rotas.

O El Niño costuma aumentar o cisalhamento dos ventos sobre o Oceano Atlântico, condição que normalmente dificulta a formação e o fortalecimento de furacões.

Isso pode reduzir a ocorrência de tempestades tropicais nas áreas do Golfo do México e do Caribe, beneficiando operações de navegação e transporte marítimo durante o segundo semestre de 2026.

Mercado de grãos também pode sentir os efeitos

O setor de granéis sólidos e o comércio agrícola estão entre os segmentos mais sensíveis às alterações climáticas provocadas pelo fenômeno.

Mudanças nos regimes de chuva podem afetar importantes regiões produtoras de soja, milho e outros grãos na Índia, Austrália e partes do Sudeste Asiático. A redução da produção ou alterações nas safras costumam influenciar diretamente os fluxos comerciais globais e a demanda por navios graneleiros.

Com isso, armadores, exportadores e operadores logísticos acompanham atentamente as projeções climáticas para avaliar possíveis impactos nos mercados ao longo dos próximos doze meses.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Frete marítimo dispara e pressiona custos do transporte de contêineres no comércio global

As taxas spot de frete marítimo registraram forte alta na primeira semana de junho, refletindo um cenário marcado pelo aumento da demanda, limitações de capacidade operacional e impactos indiretos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O movimento tem elevado os custos do transporte marítimo de contêineres nas principais rotas comerciais do mundo.

Dados da consultoria Drewry mostram que o Índice Mundial de Contêineres (WCI) avançou 23% em apenas uma semana, alcançando US$ 3.433 por FEU (contêiner de 40 pés). Segundo a empresa, a antecipação da alta temporada contribuiu para intensificar a pressão sobre os preços dos fretes internacionais.

Rotas entre Ásia e Estados Unidos lideram aumentos

No corredor transpacífico, os reajustes foram ainda mais expressivos. O frete entre Xangai e Los Angeles saltou 31%, chegando a US$ 4.565 por FEU. Já os embarques destinados a Nova York registraram aumento de 20%, alcançando US$ 5.505 por FEU.

A Drewry observa que o número reduzido de cancelamentos de viagens programadas para as próximas semanas demonstra a expectativa de maior movimentação de cargas. Apenas três viagens foram suspensas na rota, volume inferior ao observado recentemente.

A procura por espaço nos navios tem sido impulsionada por importadores que antecipam embarques diante de possíveis alterações tarifárias nos Estados Unidos previstas para julho. Além disso, a preparação logística relacionada à Copa do Mundo de 2026 também vem contribuindo para o aumento da demanda.

Europa também enfrenta alta nos fretes

As ligações marítimas entre a Ásia e a Europa seguiram a mesma tendência de valorização.

O transporte entre Xangai e Roterdã registrou aumento de 25%, atingindo US$ 3.579 por FEU. Já os serviços para Gênova avançaram 20%, chegando a US$ 5.089 por FEU.

Segundo a Drewry, o crescimento da demanda foi acelerado pela corrida dos embarcadores para antecipar cargas antes da implementação de ajustes nos custos de combustível programados para julho.

Oriente Médio e congestionamentos ampliam volatilidade

A consultoria Xeneta também identificou um cenário de forte pressão sobre os preços do transporte marítimo global.

De acordo com Peter Sand, analista-chefe da empresa, os aumentos estão sendo impulsionados por uma combinação de fatores, incluindo o conflito no Oriente Médio, gargalos operacionais em portos estratégicos do Sudeste Asiático e preocupações relacionadas a uma possível crise energética no segundo semestre de 2026.

Nas últimas semanas, as taxas médias de frete entre o Extremo Oriente e a Costa Oeste dos Estados Unidos avançaram 20%, ficando mais de 100% acima dos níveis registrados antes da escalada das tensões na região do Golfo.

Nas rotas para o Norte da Europa e Mediterrâneo, os reajustes chegaram a 27% e 17%, respectivamente.

Portos asiáticos enfrentam atrasos

A situação operacional em importantes centros de transbordo também contribui para a instabilidade do mercado.

Portos como Singapura e Port Klang vêm registrando atrasos que afetam diretamente o fluxo de mercadorias e a eficiência das cadeias globais de suprimentos.

Segundo Sand, interrupções nesses hubs logísticos têm potencial para gerar impactos em diversos mercados, uma vez que concentram parte significativa da movimentação internacional de contêineres.

Oferta e demanda favorecem armadores

Para Lars Jensen, analista da indústria marítima, o atual equilíbrio entre oferta e demanda continua beneficiando as companhias de navegação.

O especialista avalia que a temporada de maior movimentação comercial está ganhando força, criando um ambiente favorável para a manutenção de fretes elevados e fortalecendo o poder de negociação dos armadores.

Dados do Container Trade Statistics (CTS) reforçam essa percepção. Em abril, a demanda global por transporte marítimo de contêineres cresceu 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ao excluir a América do Norte e as áreas diretamente impactadas pela crise no Estreito de Ormuz, o avanço chegou a 9,7%. No mercado norte-americano, as importações aumentaram 6,2%, enquanto o comércio transpacífico apresentou expansão de 11,3%.

Canal do Panamá entra no radar do setor

Além dos desafios já existentes, uma nova preocupação começa a surgir para o comércio marítimo internacional.

A Autoridade do Canal do Panamá anunciou que reduzirá, a partir de 3 de julho, o calado máximo permitido para embarcações Neopanamax, passando para 49,5 pés. A medida busca preservar os recursos hídricos diante da possibilidade de condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño e da perspectiva de baixos níveis de água nos próximos anos.

Embora os impactos imediatos sejam considerados limitados, especialistas veem a decisão como um sinal de alerta para futuras restrições operacionais que podem afetar cadeias logísticas globais e aumentar ainda mais os custos do transporte marítimo.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

CMA CGM anuncia aumento de fretes marítimos entre o Subcontinente Indiano e América Latina, Europa e Norte da África

A companhia marítima CMA CGM anunciou uma nova tabela de fretes marítimos FAK (Freight All Kinds) para cargas embarcadas no Subcontinente Indiano com destino à América Latina, Europa e Norte da África. A medida reflete a pressão contínua sobre os custos do transporte internacional e impactará diferentes rotas estratégicas do comércio global.

As novas tarifas para destinos na América Central, Caribe e costa oeste da América do Sul passam a valer em 10 de junho de 2026, considerando a data de entrada da carga nos portos de origem.

América Latina registra algumas das tarifas mais elevadas

Os reajustes serão aplicados a cargas secas e cargas classificadas como perigosas transportadas a partir do Subcontinente Indiano.

Entre os destinos latino-americanos, os portos de La Guaira e Puerto Cabello apresentarão os maiores valores. As tarifas foram fixadas em US$ 5.150 para contêineres de 20 pés e US$ 5.500 para unidades de 40 pés.

Já o porto de Kingston terá fretes de US$ 4.150 para contêineres de 20 pés e US$ 4.200 para equipamentos de 40 pés.

Em Caucedo, os valores serão de US$ 4.050 para contêineres de 20 pés e US$ 3.800 para os de 40 pés.

Para Manzanillo, as novas tarifas foram estabelecidas em US$ 3.750 e US$ 3.650, respectivamente.

No porto de Cartagena, os fretes passarão para US$ 3.500 por contêiner de 20 pés e US$ 3.350 por unidade de 40 pés.

Já os portos de Buenaventura, San Antonio, Callao e Guayaquil terão tarifas padronizadas de US$ 3.300 para contêineres de 20 pés e US$ 3.250 para equipamentos de 40 pés.

O que está incluído nas novas tarifas

Segundo a transportadora, os valores divulgados contemplam o frete marítimo básico e os custos relacionados ao combustível marítimo.

No entanto, permanecem fora da composição das tarifas despesas como movimentação terminal, sobretaxas de alta temporada, encargos de segurança e demais taxas locais aplicadas nos portos.

Europa e Norte da África também terão reajustes

Além das rotas voltadas à América Latina, a CMA CGM confirmou novos valores para embarques com destino ao Norte da Europa, Mediterrâneo e Norte da África.

As tarifas entrarão em vigor em 15 de junho de 2026 e permanecerão válidas até nova atualização da companhia.

Para o Norte da Europa, o frete foi fixado em US$ 4.500 tanto para contêineres de 20 pés quanto para os de 40 pés.

Os embarques destinados ao Mediterrâneo também terão valor de US$ 4.500 para ambos os tamanhos de contêineres.

O maior valor entre essas regiões foi registrado para o Norte da África, onde as tarifas alcançarão US$ 5.500 por unidade, independentemente do tamanho do contêiner.

Novas regras abrangem cargas originadas em quatro mercados

As tarifas para Europa e Norte da África serão aplicadas a cargas secas embarcadas a partir do noroeste e sudeste da Índia, além de origens localizadas no Sri Lanka e no Paquistão.

A armadora informou que os preços incluem os custos de transporte marítimo e encargos relacionados ao bunker, mas não contemplam despesas de terminal nem cobranças ligadas à segurança portuária.

FONTE: Container News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Container News

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Comércio Internacional

Tarifas dos EUA mudam cadeias globais de suprimentos e redefinem comércio internacional

A nova política de tarifas dos EUA implementada em 2025 está provocando mudanças profundas no comércio internacional e forçando empresas a reformularem suas estratégias logísticas e operacionais. A conclusão faz parte do relatório “The Rise of the Tariff-Optimized Supply Chain: Inside the New Rules of Global Trade”, divulgado pela empresa de tecnologia logística Infios.

O estudo analisou mais de um milhão de registros de importação dos Estados Unidos entre 2024 e 2025 e identificou uma transformação estrutural nas cadeias globais de suprimentos.

Tarifas deixam de ser custo fixo e passam a influenciar decisões logísticas

Segundo a pesquisa, as tarifas deixaram de ser apenas um custo previsível para se tornarem um fator estratégico na execução do comércio exterior. Empresas passaram a ajustar rotas, modais de transporte, armazenagem e planejamento financeiro para minimizar impactos tributários.

De acordo com Ed Auriemma, CEO da Infios, organizações que conseguirem identificar rapidamente as mudanças no cenário global terão mais capacidade de manter operações eficientes e sem interrupções.

Estudo aponta duas fases de reação ao tarifaço

O levantamento mostra que a reação das empresas ocorreu em dois momentos distintos. Na fase inicial, marcada pelo impacto imediato das medidas tarifárias, importadores adotaram ações emergenciais conhecidas como “panic routing”, com mudanças rápidas de modal logístico e aumento temporário do uso do acordo comercial USMCA.

Nesse período, tarifas superiores a 50% — praticamente inexistentes antes de 2025 — cresceram rapidamente. Como consequência, o frete aéreo e o transporte rodoviário ganharam espaço, priorizando velocidade e previsibilidade operacional.

Com o passar dos meses, as mudanças deixaram de ser temporárias e passaram a representar um novo modelo estrutural para o comércio global.

Flexibilidade se torna vantagem competitiva

Para Don Mabry, vice-presidente de soluções globais da Infios, o cenário atual exige capacidade de adaptação constante. Segundo ele, empresas que conseguem reconfigurar rapidamente suas operações terão vantagem frente às organizações que ainda dependem de sistemas rígidos e pouco flexíveis.

A análise indica que a execução logística passou a ser elemento estratégico nas empresas, deixando de ocupar apenas um papel operacional de retaguarda.

Principais impactos das tarifas no comércio global

O relatório destaca diversas mudanças provocadas pelo novo ambiente tarifário:

  • As alíquotas efetivas ficaram entre 20% e 80% mais altas em determinados setores devido ao chamado “tariff stacking”, que é o acúmulo de tarifas;
  • O frete aéreo internacional cresceu cerca de 12% e permaneceu elevado;
  • O frete marítimo registrou queda entre 10% e 12%, sem recuperação no período analisado;
  • O transporte rodoviário aumentou aproximadamente 8%, impulsionado pelo avanço do nearshoring;
  • O uso de armazéns alfandegados subiu de 10% para até 18% dos registros de importação;
  • A complexidade da classificação tarifária praticamente dobrou;
  • O valor médio das cargas aumentou 78%, enquanto o número de embarques caiu cerca de 7%.

Novas rotas comerciais surgem com mudanças tarifárias

O estudo também mostra que alguns setores começaram a diversificar fornecedores fora da China, especialmente nas áreas de bens de consumo e manufatura leve. Já segmentos industriais e químicos mantiveram maior dependência de mercados tradicionais.

Além disso, novos corredores logísticos passaram a ganhar relevância, enquanto antigas rotas perderam competitividade diante das mudanças tarifárias.

Para a Infios, a chamada “tariff-optimized supply chain” — ou cadeia de suprimentos otimizada para tarifas — passa a ser o novo modelo operacional do comércio internacional. Nesse sistema, tarifas são tratadas como variável estratégica e não mais apenas como custo inevitável.

Empresas precisam agir com rapidez diante da volatilidade

A conclusão do relatório aponta que, em um ambiente de instabilidade comercial permanente, empresas mais flexíveis e preparadas para responder rapidamente às mudanças tendem a conquistar vantagem competitiva no mercado global.

A pesquisa reforça que inteligência logística, adaptação operacional e rapidez na tomada de decisão serão fatores determinantes para o futuro do comércio internacional.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mike Blake/Reuters

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Internacional

Irã cria agência para controlar tráfego e cobrar taxas no Estreito de Ormuz

O governo do Irã oficializou nesta segunda-feira (18) a criação da Autoridade dos Estreitos do Golfo Pérsico (PGSA), novo órgão responsável pela administração e fiscalização do Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo e combustíveis.

A medida amplia o controle exercido por Teerã sobre a região desde o agravamento das tensões no Oriente Médio e cria novas exigências para a navegação internacional.

Nova agência terá poder sobre tráfego marítimo e cobrança de taxas

O anúncio foi divulgado por canais oficiais ligados ao Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano e à Guarda Revolucionária Islâmica.

Segundo informações publicadas pela Lloyd’s List, a PGSA ficará encarregada de autorizar a passagem de embarcações e também de cobrar tarifas de trânsito — prática inédita na região.

A nova estrutura utilizará plataformas digitais para monitorar em tempo real as operações marítimas, funcionando como um centro de inteligência, rastreamento e controle portuário em mar aberto.

A decisão pode provocar impactos relevantes nos custos do transporte marítimo internacional, especialmente nas rotas ligadas ao comércio global de petróleo e derivados.

Navios terão de enviar informações detalhadas ao Irã

Com as novas regras, embarcações que pretendem cruzar o estreito precisarão apresentar relatórios completos às autoridades iranianas.

O protocolo exige dados sobre proprietários dos navios, seguros contratados, lista de tripulantes e detalhes das rotas planejadas para a travessia.

Na visão da imprensa estatal iraniana, incluindo a Press TV, o novo sistema reforça a soberania do país sobre suas águas territoriais e moderniza o gerenciamento do tráfego marítimo em um dos principais gargalos logísticos do mundo.

Controle do Estreito de Ormuz se torna instrumento estratégico

O presidente da Comissão Parlamentar de Segurança Nacional do Irã, Ebrahim Azizi, já havia indicado no domingo (17) que o mecanismo estava pronto para operar imediatamente.

Segundo ele, a iniciativa faz parte de uma política permanente de controle regional e não deve ser revertida mesmo em caso de redução das tensões militares.

Desde fevereiro, após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, Teerã vem afirmando que o fluxo comercial no Estreito de Ormuz não retornará ao modelo anterior.

O governo iraniano defende que a segurança da rota depende do reconhecimento internacional de sua autoridade sobre a área.

Petróleo e comércio global podem sentir impacto

O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, tornando-se peça-chave na geopolítica energética internacional.

No mês passado, o Irã já havia começado a arrecadar receitas provenientes das tarifas cobradas de petroleiros e cargueiros que utilizam a rota.

Especialistas avaliam que a criação da PGSA transforma uma medida inicialmente ligada ao contexto de guerra em uma política permanente de Estado, aumentando a pressão sobre o comércio marítimo global e sobre os preços internacionais do petróleo.

Cessar-fogo não reduziu tensão econômica

A criação da nova autoridade ocorre em meio a um cenário de cessar-fogo considerado frágil. Embora a trégua militar entre as partes tenha entrado em vigor em 8 de abril, as disputas econômicas permanecem intensas.

Enquanto o Irã amplia o controle e a cobrança de taxas no estreito, os Estados Unidos mantêm restrições severas aos portos iranianos e às exportações do país.

Analistas internacionais observam com preocupação a possibilidade de que as novas exigências relacionadas a seguros e tripulações sejam utilizadas para restringir a passagem de embarcações ligadas a países aliados de Washington.

O funcionamento da PGSA também amplia o debate sobre a liberdade de navegação em águas internacionais, tema frequentemente defendido pelas potências ocidentais.

FONTE: Movimento Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Marinha dos Estados Unidos

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Logística

Tarifas de frete marítimo sobem 12% nas principais rotas globais

O custo do frete marítimo internacional registrou forte alta na última semana. De acordo com o Índice Mundial de Contêineres (WCI), da consultoria Drewry, as tarifas avançaram 12%, alcançando US$ 2.553 por contêiner de 40 pés.

O aumento foi impulsionado principalmente pelas rotas comerciais transpacífica e Ásia-Europa, que seguem pressionadas pela alta demanda, restrição de capacidade e sobretaxas aplicadas pelas armadoras.

Rotas transpacíficas lideram aumento das tarifas

Segundo a Drewry, as tarifas na rota transpacífica dispararam devido à adoção de cobranças extras, como os Recargos Emergenciais de Combustível (EFS) e os adicionais de alta temporada (PSS).

No trajeto entre Xangai e Nova York, o valor do frete aumentou 14%, chegando a US$ 4.252 por contêiner de 40 pés. Já os embarques entre Xangai e Los Angeles tiveram alta de 10%, atingindo US$ 3.357 por FEU.

A consultoria também informou que sete viagens foram canceladas na rota transpacífica para a próxima semana, estratégia utilizada pelas companhias marítimas para controlar a oferta de espaço nos navios.

Além disso, a Yang Ming Marine Transport anunciou um reajuste geral de tarifas (GRI) de US$ 2 mil por contêiner de 40 pés, válido a partir de 15 de maio. A expectativa da Drewry é de novos aumentos nos próximos dias.

Fretes entre Ásia e Europa também avançam

As tarifas spot na rota Ásia-Europa também apresentaram crescimento relevante nesta semana. De acordo com a consultoria, o movimento é resultado da aplicação de tarifas FAK (Freight All Kinds) e da redução de capacidade promovida pelas armadoras para o mês de maio.

O frete de Xangai para Gênova subiu 20%, alcançando US$ 3.701 por contêiner de 40 pés. Já a rota entre Xangai e Roterdã registrou avanço de 11%, chegando a US$ 2.413 por FEU.

Conflitos no Oriente Médio pressionam logística global

A Drewry avalia que a temporada de pico entre Ásia e Europa poderá começar antes do habitual neste ano. O cenário é influenciado pelo aumento das reservas de carga, espaço reduzido nos navios e pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

As preocupações com possíveis impactos no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho seguem sendo monitoradas pelas companhias marítimas, que mantêm cautela em suas operações e rotas internacionais.

Combustível caro e capacidade limitada sustentam alta

Outro fator que continua pressionando os preços é o aumento dos custos de combustível marítimo aliado à limitação de espaço disponível nos navios.

As armadoras seguem utilizando mecanismos como EFS, PSS, GRI e tarifas FAK mais elevadas, além de cancelamentos estratégicos de viagens e ajustes flexíveis de capacidade para sustentar o mercado aquecido, mesmo diante de um fluxo relativamente estável de embarcações.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Internacional

China multa MSC, CMA CGM e Hapag-Lloyd por irregularidades em fretes marítimos

O governo da China aplicou multas contra nove companhias internacionais de transporte marítimo de contêineres e sete operadores domésticos do tipo NVOCC (Non-Vessel Operating Common Carrier) por supostas violações relacionadas às tarifas de frete. A medida foi anunciada pelo Ministério dos Transportes chinês, que também emitiu um alerta para que as empresas reforcem seus sistemas de controle e conformidade.

Gigantes do transporte marítimo estão entre as empresas penalizadas

Entre as companhias atingidas pela ação estão líderes globais do setor, como MSC Mediterranean Shipping Company, CMA CGM Group, Hapag-Lloyd, Ocean Network Express e Evergreen Marine.

Outras transportadoras de menor porte também aparecem na lista de autuadas, incluindo Wan Hai Lines, SM Line, Emirates Shipping e TS Lines.

Fiscalizações ocorreram em importantes portos chineses

Segundo o ministério, as inspeções foram realizadas nos portos de Guangzhou, Qingdao e Ningbo entre agosto e novembro de 2025.

As autoridades concentraram a fiscalização no cumprimento das regras de registro das tarifas de frete marítimo. De acordo com o governo chinês, as empresas apresentaram irregularidades como ausência de registro obrigatório das tarifas ou divergências entre os valores declarados e os efetivamente praticados.

Além das multas administrativas, o Ministério informou ter realizado reuniões formais consideradas “sérias” com as companhias envolvidas.

Governo chinês promete reforçar controle sobre tarifas de frete

O Ministério dos Transportes afirmou que as empresas deverão aprimorar seus sistemas de declaração de fretes, ampliar os mecanismos de responsabilização interna e cumprir rigorosamente as exigências regulatórias.

As autoridades chinesas classificaram a ação como um “alerta” ao setor e indicaram que novas inspeções serão intensificadas nos próximos meses. O objetivo é ampliar o monitoramento sobre o cumprimento das normas relacionadas aos fretes marítimos, transporte internacional de contêineres e registro de tarifas portuárias.

Pressão sobre armadores já havia ocorrido em março

A nova rodada de penalidades acontece meses após o governo chinês convocar executivos da Maersk e da MSC Mediterranean Shipping Company para reuniões em março deste ano.

Na ocasião, o movimento foi interpretado como uma reação de Pequim após acordos envolvendo operações portuárias no Canal do Panamá. Segundo informações divulgadas pelo jornal Financial Times, autoridades chinesas teriam solicitado discretamente que as companhias abandonassem operações de terminais anteriormente controladas pela CK Hutchison e assumidas pelo governo panamenho.

A CK Hutchison também informou que pretende recorrer à arbitragem contra a APM Terminals, subsidiária ligada à Maersk.

FONTE: Maritime Executive
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qingdao

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Comércio Exterior

Cancelamento de viagens marítimas deve atingir 54 saídas nas próximas semanas

Um levantamento da consultoria Drewry aponta que o número de viagens marítimas canceladas deve chegar a 54 nas próximas cinco semanas. O total representa as chamadas “saídas em branco” dentro de um universo de 689 partidas programadas globalmente.

Apesar das interrupções, a expectativa é de que cerca de 92% dos navios mantenham seus itinerários conforme o planejado, indicando relativa estabilidade no setor de transporte marítimo.

Rotas globais registram cancelamentos moderados

Entre a semana 18 (27 de abril a 3 de maio) e a semana 22 (25 a 31 de maio), as principais rotas internacionais — Transpacífico, Transatlântico e Ásia–Norte da Europa/Mediterrâneo — devem concentrar aproximadamente 8% de cancelamentos do total de viagens previstas.

Esse índice reflete ajustes operacionais das companhias diante de fatores econômicos e logísticos que ainda impactam o comércio global.

Transpacífico lidera interrupções

As interrupções no transporte marítimo estão mais concentradas na rota transpacífica no sentido leste, que responde por 44% dos cancelamentos. Na sequência aparece a rota Ásia–Europa/Mediterrâneo, com 37%, enquanto o eixo Transatlântico registra menor impacto, com 19%.

Um destaque do relatório é que a aliança Gemini Cooperation não apresentou cancelamentos nas principais rotas leste-oeste, mantendo suas operações estáveis no período analisado.

Custo do combustível segue como fator decisivo

Segundo a Drewry, o custo do combustível marítimo continua sendo uma variável determinante para o setor. Embora os preços ainda estejam elevados, há sinais de queda, o que reduz a pressão por novos aumentos nas tarifas de frete.

Ainda assim, a combinação de demanda enfraquecida e capacidade disponível tem limitado o sucesso das transportadoras em aplicar sobretaxas integrais aos clientes.

Impactos para embarcadores e mercado

Para os embarcadores, o cenário atual pode representar fretes mais baixos em determinadas rotas, além de uma oferta de capacidade relativamente estável. No entanto, permanecem riscos associados às rotas e à volatilidade dos custos de combustível, exigindo atenção constante dos operadores logísticos.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Logística

Logística europeia enfrenta alta de custos e riscos operacionais em meio à crise global

O setor de logística europeia atravessa um período de forte pressão diante do cenário geopolítico instável. Relatórios recentes do setor indicam que os custos de transporte registraram aumentos de dois dígitos no primeiro trimestre, levando empresas a reformular suas cadeias de suprimentos em busca de maior resiliência.

O principal desafio, no entanto, está na imprevisibilidade das rotas comerciais estratégicas. Esse cenário amplia os riscos operacionais na logística europeia, impactando diretamente os preços finais de bens de consumo.

Fretes mais caros e prazos mais longos

Os dados mais recentes mostram que os fretes marítimos para os principais portos do norte da Europa subiram cerca de 15% em março. Com isso, o custo de envio de contêineres a partir da Ásia permanece em patamares historicamente elevados.

Além da alta nos preços, o tempo médio de trânsito aumentou entre 10 e 14 dias, reflexo do redirecionamento de rotas comerciais. A situação pressiona financeiramente importadores que dependem de operações logísticas precisas.

Outro fator de preocupação é o aumento de 8% nas primas de seguros de carga, ampliando ainda mais os custos operacionais no setor.

Falta de caminhoneiros limita transporte terrestre

A escassez de mão de obra segue como um dos principais gargalos. Estima-se que faltem mais de 450 mil motoristas profissionais para atender à demanda atual no continente.

Diante disso, empresas têm acelerado investimentos em automação logística para compensar a falta de trabalhadores. Tecnologias de gestão de pátios e armazenagem vêm registrando crescimento anual de cerca de 20%.

Mesmo com esses avanços, o sistema de transporte terrestre opera próximo ao limite de sua capacidade, o que eleva o risco de atrasos e ineficiências.

Energia cara e transição sustentável desafiam o setor

O custo do combustível para transporte também tem contribuído para a volatilidade do setor, com oscilações semanais em torno de 12%. Esse cenário afeta diretamente as margens das empresas de navegação e transporte.

Para reduzir a dependência do petróleo, parte das frotas tem adotado combustíveis alternativos, mas a infraestrutura ainda é insuficiente, especialmente na Europa Oriental, onde a rede de recarga para caminhões elétricos segue limitada.

A busca por sustentabilidade na logística exige uma transição energética rápida, mas cuidadosamente planejada para evitar novos gargalos operacionais.

Inflação logística deve persistir em 2026

A expectativa é de que a inflação logística permaneça elevada ao longo de 2026, mantendo o setor sob pressão. Em resposta, a União Europeia trabalha para fortalecer corredores comerciais mais seguros e eficientes.

Especialistas apontam que a adoção de tecnologia será decisiva para enfrentar o cenário de alta volatilidade. A eficiência operacional e a visibilidade completa da cadeia de suprimentos devem determinar quais empresas conseguirão se manter competitivas nos próximos anos.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Logística

Frete marítimo dispara no Brasil com guerra no Oriente Médio e pressiona exportações

As tarifas de frete marítimo no Brasil registraram forte alta em abril, impulsionadas pelas incertezas em torno do conflito envolvendo o Irã. Dados da consultoria Solve Shipping apontam que os embarques em contêineres com destino ao Mediterrâneo — rota estratégica para o Oriente Médio — ficaram 67% mais caros em relação a março.

Outras rotas relevantes também apresentaram aumentos expressivos. O custo de envio para a costa leste dos Estados Unidos e o norte da Europa subiu 80%, enquanto o frete para o Golfo do México avançou 89% no mesmo período.

Exportações de carne sentem impacto mais intenso

O setor de proteína animal está entre os mais afetados. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o valor do transporte de contêineres refrigerados pela rota do Estreito de Hormuz mais que dobrou desde o início da guerra, passando de US$ 3 mil para cerca de US$ 7 mil.

O Oriente Médio responde por aproximadamente 15% das exportações do segmento, o que amplia a preocupação com os custos logísticos. Ainda assim, os preços atuais seguem cerca de 17% abaixo dos níveis registrados em abril de 2025, quando tensões comerciais globais provocaram uma corrida antecipada por embarques.

Custos sobem com combustível caro e rotas alternativas

Apesar de ainda não terem atingido o pico histórico, os valores do frete internacional já preocupam o setor logístico. Especialistas apontam que o aumento é resultado de uma combinação de fatores, com destaque para a disparada do petróleo, que elevou significativamente o custo do combustível.

Além disso, cerca de 10% da frota global de contêineres tem sido impactada pelas restrições nas rotas do Oriente Médio. Com isso, cargas precisam ser redirecionadas para portos intermediários, reduzindo a capacidade disponível e encarecendo as operações.

Portos alternativos em países como Paquistão, Omã, Singapura e Arábia Saudita também enfrentam congestionamentos, agravando ainda mais a situação.

Rotas mais longas encarecem e atrasam entregas

Uma das alternativas adotadas tem sido o envio de mercadorias até o porto de Jeddah, na Arábia Saudita, seguido de transporte terrestre até o Golfo Pérsico. Embora viável, essa opção é mais lenta e gera custos adicionais para os exportadores.

Além das tarifas tradicionais, empresas de navegação passaram a cobrar taxas extras relacionadas ao risco de guerra, que podem chegar a US$ 3 mil por contêiner padrão e até US$ 4 mil para cargas refrigeradas.

Exportadores de commodities enfrentam maiores desafios

Produtores de commodities agrícolas e carnes estão entre os mais prejudicados, já que lidam com produtos perecíveis que exigem transporte rápido e refrigerado. Exportadores de itens com menor valor agregado, como madeira, também enfrentam dificuldades adicionais diante da escalada dos custos.

Por outro lado, grandes empresas conseguem absorver melhor os impactos devido à maior capacidade logística e margens mais robustas.

Mercado ainda reflete volatilidade pós-pandemia

A diferença em relação aos preços de 2025 evidencia a volatilidade do transporte marítimo global desde a pandemia. No ano passado, o setor enfrentou um cenário mais crítico, com tarifas elevadas devido a tensões comerciais e interrupções em rotas estratégicas, como no Mar Vermelho.

Desde então, houve ampliação da frota de navios, o que ajudou a aumentar a oferta e conter parte da pressão sobre os preços.

Riscos de escassez e novos aumentos

Além da alta nos custos, cresce a preocupação com possíveis gargalos logísticos. Há risco de falta de combustível para navios e escassez de contêineres, especialmente se as restrições no Estreito de Hormuz se prolongarem.

No caso das importações brasileiras, o impacto ainda é moderado. Na rota com a Ásia — principal origem de produtos importados —, o frete subiu 4,65% em abril frente a março.

Especialistas avaliam que a contenção se deve, em parte, à desaceleração da economia interna e à redução de pedidos, diante do receio de paralisações e dos efeitos da guerra. No entanto, com a redução dos estoques e a continuidade do conflito, a expectativa é de novas altas nas tarifas ainda na segunda metade de abril.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Arquivo

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