Transporte

CMA CGM anuncia aumento de tarifas para cargas da Ásia à América Latina

A CMA CGM anunciou um reajuste nas tarifas de transporte marítimo para cargas embarcadas em portos asiáticos com destino à América Latina. A nova cobrança será aplicada a partir de 15 de outubro de 2026, considerando a data de carregamento.

Reajuste alcança diferentes regiões da Ásia e da América Latina

O aumento abrangerá embarques realizados a partir de todos os portos da Ásia, incluindo instalações marítimas localizadas no Japão, no Sudeste Asiático e em Bangladesh.

No destino, a medida alcançará diferentes mercados da região, contemplando portos da costa oeste e da costa leste da América do Sul, além de América Central, Caribe e México.

Adicional será de US$ 1 mil por contêiner

Segundo a companhia francesa, o novo valor representará um acréscimo de US$ 1.000 por unidade conteinerizada.

O reajuste será aplicado a diferentes tipos de carga, incluindo cargas secas, refrigeradas, sobredimensionadas e contêineres vazios com frete pago.

A mudança afetará, portanto, uma ampla variedade de operações de transporte marítimo entre Ásia e América Latina, com impacto sobre os custos dos embarques realizados a partir da data estabelecida pela empresa.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Confiabilidade do transporte marítimo cai na Costa Leste da América do Sul

A confiabilidade dos serviços marítimos de contêineres na Costa Leste da América do Sul (ECSA) caiu 12 pontos percentuais em agosto, chegando a 34%. No mesmo período, o atraso médio das embarcações dobrou, alcançando 5,4 dias, segundo levantamento da consultoria Xeneta.

O desempenho foi afetado, em parte, por uma paralisação de três dias dos práticos nos portos argentinos no início de agosto. A interrupção acrescentou 1,6 dia ao tempo médio de atraso nas operações de atracação em portos como Buenos Aires.

Diante do impacto da paralisação, algumas companhias marítimas redirecionaram cargas para terminais próximos, incluindo Montevidéu, no Uruguai, e Itajaí, no Brasil.

Paralisação ocorreu em período estratégico

De acordo com a Xeneta, o momento da paralisação contribuiu para ampliar seus efeitos sobre a logística marítima regional.

O movimento ocorreu no último mês da principal temporada de exportação da Argentina e pouco antes do início da temporada de maior movimentação de cargas do Brasil.

Mesmo com a queda em agosto, a ECSA permaneceu próxima do desempenho registrado na Costa Oeste da América do Sul. A região Oeste apresentou índice de confiabilidade de 37%.

Com o resultado, a ECSA continuou entre as três rotas marítimas com melhor desempenho global, embora tenha registrado uma deterioração significativa nos indicadores de pontualidade.

Atrasos aumentam antes da temporada de exportações do Brasil

A Xeneta destacou que o aumento do atraso médio para 5,4 dias e a redução da pontualidade para 34% diminuem a margem de segurança do setor diante de novas interrupções.

A consultoria também avalia que as restrições de calado no Canal do Panamá representam uma ameaça relativamente menor para as operações da ECSA. Isso ocorre porque, com exceção de um serviço, as rotas provenientes da Ásia utilizam atualmente o caminho pelo Cabo da Boa Esperança.

Outro fator considerado pela análise é a temporada de tempestades no Atlântico. Apesar de setembro marcar o período de maior atividade, as condições permaneceram relativamente tranquilas até o momento analisado.

Confiabilidade global recua pelo terceiro mês seguido

No cenário internacional, o índice de confiabilidade do transporte marítimo caiu pelo terceiro mês consecutivo em agosto.

O indicador global recuou quatro pontos percentuais em relação a julho, para 29%. Esse foi o segundo pior resultado dos 12 meses anteriores e praticamente anulou a recuperação observada após o mínimo de 27% registrado em fevereiro.

O atraso médio das embarcações também aumentou. O indicador passou de 4,2 dias em julho para 5,1 dias em agosto.

Segundo a Xeneta, a combinação entre atrasos mais longos e maior frequência de chegadas fora do horário previsto torna mais difícil recuperar a regularidade das operações.

Rotas registram queda de pontualidade

Entre as regiões com maior deterioração do desempenho está a África, onde a confiabilidade caiu 15 pontos percentuais, para 21%.

A Costa Leste da América do Sul teve queda de 12 pontos, enquanto a rota entre o Extremo Oriente e a Europa recuou dez pontos percentuais.

Nesta última, apenas 6% das embarcações chegaram dentro do prazo previsto, com atraso médio de 8,2 dias.

Maersk mantém maior índice entre grandes armadores

Entre as principais companhias marítimas, dez das 12 maiores registraram queda de desempenho em agosto.

A Maersk apresentou índice de confiabilidade de 51%, seguida pela Hapag-Lloyd, com 46%. Apesar de liderarem o indicador entre as empresas citadas, ambas tiveram redução em relação ao mês anterior: seis e sete pontos percentuais, respectivamente.

A CMA CGM caiu sete pontos, para 33%, enquanto a Cosco registrou redução de seis pontos e chegou a 22%.

A Xeneta avalia que a diferença de desempenho entre as companhias, que chegou a 45 pontos percentuais, mantém a escolha do armador como um dos principais fatores sob controle dos embarcadores para buscar maior previsibilidade logística durante a temporada de contratação de serviços.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mundo Marítimo

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Transporte

Drewry prevê 77 viagens canceladas no transporte marítimo nas próximas cinco semanas

Um total de 77 viagens marítimas deverá ser cancelado nas próximas cinco semanas, segundo uma análise da consultoria Drewry. As chamadas blank sailings representam cerca de 11% das 720 partidas anunciadas para o período.

Com isso, a estimativa é de que aproximadamente 89% dos navios mantenham os cronogramas de viagem originalmente previstos.

Cancelamentos atingem principais rotas comerciais

O levantamento considera o período entre a semana 39, de 21 a 27 de setembro, e a semana 43, de 19 a 25 de outubro.

Nesse intervalo, as três principais rotas analisadas — Transpacífico, Transatlântico e Ásia–Norte da Europa e Mediterrâneo — deverão registrar, juntas, cancelamentos equivalentes a 11% das partidas programadas.

A maior concentração das interrupções está na rota Transpacífica no sentido leste, responsável por 55% dos cancelamentos previstos.

Na sequência aparece o corredor Ásia–Europa/Mediterrâneo, com 31% das suspensões. Já a rota Transatlântica representa 14% e continua sendo a menos afetada entre os principais serviços avaliados.

Golden Week pode alterar oferta de espaço nos navios

A Drewry avalia que a proximidade da Golden Week, período de feriados na China, pode provocar mudanças nos fluxos de carga e na programação das companhias marítimas.

O adiantamento de embarques antes dos feriados, combinado a possíveis ajustes de capacidade das empresas de navegação, pode influenciar a disponibilidade de espaço e os cronogramas de outubro.

Esse cenário pode exigir atenção adicional dos embarcadores na organização das cargas e no planejamento logístico para as próximas semanas.

Riscos no Oriente Médio continuam afetando o transporte

Além dos ajustes de capacidade, o cenário de segurança no Oriente Médio continua interferindo nos fluxos de transporte marítimo regional.

Segundo a Drewry, alguns serviços voltaram a utilizar o Canal de Suez, mas os riscos na região ainda representam um fator de incerteza para as operações.

A consultoria também aponta que a congestão portuária e a irregularidade na confiabilidade dos cronogramas permanecem entre os principais desafios para os embarcadores.

Com as companhias marítimas reorganizando suas redes, a expectativa é de que disponibilidade de espaço, congestionamentos e cumprimento dos horários continuem sendo pontos importantes para o planejamento do transporte marítimo internacional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Logística

Irã suspende taxa de frete de 10% para navios estrangeiros de petróleo e gás

O governo do Irã decidiu suspender temporariamente a cobrança de uma taxa de 10% sobre os custos de frete de embarcações estrangeiras que transportam petróleo, gás e derivados de petróleo com origem ou destino no país. A informação foi divulgada nesta quinta-feira pela agência de notícias semioficial Fars.

Suspensão ocorre em meio a dificuldades nas exportações de petróleo

A medida acontece em um momento de forte pressão sobre as exportações marítimas de petróleo do Irã. Um bloqueio naval promovido pelos Estados Unidos tem afetado de maneira significativa o transporte de petróleo iraniano por via marítima.

Segundo a Fars, a determinação para interromper a cobrança partiu do vice-chanceler jurídico da Presidência. A suspensão deverá permanecer em vigor até que o governo iraniano aprove e divulgue oficialmente a relação de produtos que estarão sujeitos à tarifa.

Taxa elevava custos do transporte marítimo

A cobrança de 10% havia provocado aumento nos custos relacionados ao transporte de petróleo, gás e produtos líquidos, de acordo com a agência iraniana.

Com a suspensão temporária, o governo espera diminuir as despesas de frete e tornar o transporte de produtos energéticos iranianos mais atrativo para embarcações estrangeiras.

A expectativa é que a redução dos custos contribua para ampliar a disponibilidade de frotas internacionais dispostas a transportar cargas de e para o Irã, especialmente em um cenário de restrições ao comércio marítimo do país.

FONTE: Investing
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Portos

Congestionamento nos portos bate recorde e retém 4,3 milhões de TEUs

O congestionamento nos portos ao redor do mundo atingiu um patamar histórico e já afeta diretamente os custos de frete, os prazos de entrega e a logística global de contêineres. Dados da consultoria Linerlytica apontam que mais de 4,3 milhões de TEUs estão retidos em navios que aguardam para atracar.

O volume supera o recorde registrado durante a crise logística provocada pela pandemia de Covid-19. Em 2022, o número de contêineres parados chegou a aproximadamente 4 milhões de TEUs.

Tempestades ampliam filas nos portos asiáticos

Parte do atual gargalo é consequência de uma sequência de tempestades na Ásia Oriental, que provocou alterações nas escalas e nos cronogramas de navios. A instabilidade climática comprometeu a operação portuária e aumentou o tempo de espera para atracação.

Considerando a frota mercante mundial, estimada atualmente em 34,4 milhões de TEUs, os contêineres retidos representam cerca de 12,6% da capacidade global.

Apesar do recorde em números absolutos, a proporção ainda está abaixo da registrada em 2022. Naquele período, os contêineres parados correspondiam a 15,7% da frota mundial, que era menor e somava 25,3 milhões de TEUs.

Canal de Panamá também enfrenta restrições

O cenário de congestionamento marítimo também se estende ao Canal de Panamá. A redução no número de travessias diárias, provocada pela seca na região, contribui para o aumento das filas e adiciona pressão à cadeia internacional de transporte.

Navios porta-contêineres que possuem slots previamente agendados, porém, tendem a sofrer impactos menores diante das restrições operacionais.

Santos Brasil lidera ranking de Transporte e Logística

No mercado brasileiro, a Santos Brasil conquistou a primeira colocação no setor de Transporte e Logística no ranking Valor 1.000 deste ano. O anúncio foi realizado na noite de terça-feira, em São Paulo (SP).

O levantamento é elaborado pelo jornal Valor Econômico e pela revista Época Negócios, em parceria com a Serasa Experian e a Fundação Getulio Vargas (FGV). A publicação avalia o desempenho das principais empresas do país e destaca companhias de maior relevância em seus respectivos segmentos.

Movecta anuncia nova CFO

A Movecta, empresa de logística integrada, anunciou Caroline Pepe Leonard como sua nova Chief Financial Officer (CFO). A chegada da executiva ocorre em uma etapa estratégica para a companhia, que trabalha na execução do Plano Movecta 2030.

O projeto estabelece entre seus principais objetivos a meta de dobrar o faturamento da empresa em cinco anos, reforçando a estratégia de expansão do grupo.

Com mais de 20 anos de experiência profissional, Caroline possui atuação nas áreas de finanças corporativas, relações com investidores, fusões e aquisições (M&A) e private equity.

A executiva já ocupou cargos de liderança em empresas e grupos dos segmentos de infraestrutura, logística, telecomunicações e varejo de alto padrão. Entre as organizações pelas quais passou estão Mills Solaris, Telefônica, Grupo Ultra, Pátria Investimentos e LVMH.

FONTE: Portal BE News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/APS

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Comércio Internacional

Canal do Panamá: navio paga valor recorde de R$ 27,4 milhões para garantir passagem

Uma empresa sul-coreana pagou um valor recorde para garantir a passagem de um navio pelo Canal do Panamá. A SK Gas desembolsou US$ 5,3 milhões, aproximadamente R$ 27,4 milhões, para assegurar que o navio-tanque G. Spirit atravesse a hidrovia em 1º de setembro.

A passagem ocorrerá dois dias antes da entrada em vigor de novas restrições ao tráfego de embarcações no canal, uma das principais rotas do comércio marítimo internacional.

Seca reduz capacidade do Canal do Panamá

O valor milionário está relacionado à disputa por vagas de passagem diante da redução da capacidade operacional do Canal do Panamá.

A partir de 3 de setembro, o número máximo de embarcações autorizadas diariamente cairá de 36 para 34. Ainda durante setembro, o limite deverá chegar a 32 navios por dia.

A redução está diretamente ligada à disponibilidade de água. O funcionamento das eclusas do canal depende dos reservatórios de Gatún e Alhajuela, abastecidos principalmente pelas chuvas.

Os baixos níveis dos reservatórios vêm preocupando as autoridades panamenhas, que enfrentam um período de seca associado ao fenômeno El Niño. A menor disponibilidade hídrica limita a quantidade de embarcações que podem atravessar a hidrovia.

Leilão bate recorde de preço

Com a diminuição das vagas, os espaços que garantem prioridade de passagem se tornaram mais disputados.

Segundo dados da Autoridade do Canal do Panamá, os leilões realizados entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 registraram preço médio de aproximadamente US$ 55 mil.

Em abril, entretanto, uma embarcação transportadora de gás natural liquefeito pagou US$ 4 milhões para garantir a passagem sem precisar enfrentar um período maior de espera.

O novo lance da SK Gas, de US$ 5,3 milhões, superou o recorde anterior, de US$ 4,6 milhões. O valor havia sido pago no início de agosto por outra embarcação controlada por uma companhia sul-coreana.

Como funciona a prioridade de passagem

A maior parte dos navios que utilizam o Canal do Panamá opera por meio do sistema regular de reservas. Já embarcações sem agendamento ou que precisam atravessar a via em caráter de urgência podem disputar vagas em leilões.

Nesse modelo, as empresas oferecem valores para obter prioridade e reduzir o risco de espera causado pela limitação da capacidade do canal.

No caso do G. Spirit, que transporta gás liquefeito de petróleo (GLP), a prioridade permitiu que a embarcação fosse programada para atravessar o canal antes da redução prevista no número diário de passagens.

Impacto no comércio marítimo internacional

O Canal do Panamá é uma rota estratégica para o transporte marítimo mundial por conectar os oceanos Atlântico e Pacífico. A hidrovia responde por aproximadamente 5% do comércio marítimo internacional.

Uma eventual redução prolongada da capacidade pode aumentar custos logísticos e afetar empresas que dependem da ligação entre os dois oceanos. Para operadores de navios e empresas de comércio exterior, a disponibilidade de vagas e a possibilidade de atrasos passam a ter impacto direto no planejamento das operações.

Fonte: R7, com informações da AFP e Bloomberg.

Texto: Redação

Imagem: Internet / Divulgação

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Logística

Crise logística na Ásia eleva frete marítimo e ameaça abastecimento de pneus no Brasil

Os custos do frete marítimo internacional entre a China e o Brasil continuam em forte alta e já chegam a US$ 9.500 por contêiner de 40 pés para embarques previstos entre 1º e 7 de setembro. As cotações variam conforme o armador, a disponibilidade de espaço e equipamentos e as condições de negociação.

O cenário aumenta a preocupação dos importadores brasileiros de pneus, que já vinham acompanhando a deterioração das condições logísticas no mercado asiático. A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP) havia utilizado anteriormente o valor de US$ 8.300 como referência para o frete, montante que já foi ultrapassado pelas novas cotações.

Portos chineses enfrentam congestionamento e risco climático

Além da alta dos preços, os importadores enfrentam dificuldades para garantir espaço nos navios. Informações recebidas pela ABIDIP em 24 de agosto apontam a possibilidade de três novos tufões afetarem regiões portuárias estratégicas, como Shenzhen, Ningbo e Shanghai.

Os principais portos chineses já registram atrasos, omissões de escalas e falta de equipamentos. Também há dificuldades para que os armadores disponibilizem navios suficientes para retirar os contêineres acumulados nos terminais.

Segundo informações repassadas à entidade pelo setor de transporte internacional, o backlog portuário nos principais portos chineses estaria próximo de 400 mil TEUs.

As dificuldades também já afetam a programação dos armadores. Entre os relatos recebidos pelo setor, a HMM (Hyundai Merchant Marine) teria informado que sua próxima operação em Shanghai está prevista apenas para 22 de setembro, após remanejamentos para atender outros portos e recuperar escalas atrasadas.

Para Ricardo Alípio, presidente da ABIDIP, a situação deixou de ser apenas uma questão relacionada ao preço do transporte.

“Até algumas semanas atrás discutíamos principalmente o preço do frete. Agora, temos uma preocupação adicional: conseguir espaço e equipamento para embarcar.”

Segundo ele, a combinação de fretes próximos de US$ 10 mil, congestionamento portuário, atrasos e cancelamentos de escalas pode comprometer a regularidade do abastecimento no mercado brasileiro.

Setembro pode ser crítico para importadores de pneus

A expectativa do setor é de que setembro apresente uma forte restrição de espaço nos navios, principalmente nas rotas com origem na China.

A situação preocupa especialmente os importadores de pneus, que precisam antecipar suas operações para manter os estoques destinados ao mercado nacional.

Os associados da ABIDIP atuam principalmente no mercado de reposição, atendendo consumidores, revendedores, frotistas, motoristas de aplicativo, transportadores urbanos e pequenos empreendedores.

A entidade avalia que a redução da oferta e a elevação dos custos de importação podem chegar ao consumidor por meio do aumento dos preços dos pneus.

“O pneu é um item obrigatório de segurança. Se aumentamos simultaneamente o custo logístico e as barreiras à importação, quem acaba pagando essa conta é o consumidor brasileiro”, afirma Alípio.

O presidente da entidade também alerta que preços mais elevados podem fazer motoristas adiarem a substituição de pneus desgastados, aumentando os riscos à segurança no trânsito.

Frete mais caro aumenta pressão sobre o preço dos pneus

A ABIDIP já havia calculado os efeitos da combinação entre frete marítimo e tributação. No cenário considerado pela entidade, com frete de US$ 8.300 e eventual aumento do Imposto de Importação para 35%, um pneu 185/60 R15 poderia passar de R$ 254,90 para R$ 331,97.

O aumento estimado seria de 30,2%.

Com as atuais cotações podendo chegar a US$ 9.500 por contêiner, a pressão exercida pelos custos logísticos tornou-se ainda maior do que a considerada no levantamento inicial.

ABIDIP critica possível aumento do Imposto de Importação

A crise logística ocorre enquanto está em discussão uma possível elevação do Imposto de Importação sobre pneus de passeio, dos atuais 25% para 35%.

Para a ABIDIP, aplicar uma nova tarifa neste momento representaria um segundo impacto sobre uma cadeia que já enfrenta custos elevados por fatores externos.

“O Brasil não controla tufões, congestionamentos nos portos asiáticos ou a disponibilidade de navios. Mas controla sua política tarifária”, afirma Ricardo Alípio.

A entidade defende que eventuais medidas de proteção à indústria nacional sejam adotadas por meio dos mecanismos de defesa comercial previstos na legislação, sem comprometer a concorrência, a previsibilidade e o abastecimento.

Diversificação de fornecedores é vista como segurança de abastecimento

Na avaliação da ABIDIP, manter diferentes fontes de fornecimento torna-se ainda mais importante diante da atual crise internacional.

A entidade considera que restringir alternativas de importação em um momento de dificuldades logísticas pode aumentar a vulnerabilidade do mercado brasileiro.

“A competitividade deve ser construída com produtividade, inovação e eficiência, e não simplesmente com o aumento de tarifas”, conclui Alípio.

FONTE: 54 Psi

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/54 Psi

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Exportação

Carros chineses pressionam frete marítimo e expõem falta de navios para exportação

A explosão das exportações de carros chineses está criando um novo gargalo no comércio global: a falta de navios especializados para transportar veículos. Com as montadoras ampliando rapidamente suas vendas no exterior, a capacidade disponível de transporte marítimo de veículos não tem acompanhado o ritmo da produção.

Os chamados navios Ro-Ro, projetados para receber automóveis diretamente em seus conveses, estão com a capacidade comprometida por longos períodos. O aumento da procura fez as taxas de afretamento subirem 65% neste ano, segundo dados citados por executivos do setor.

Exportações chinesas aumentam pressão sobre navios

A expansão internacional das montadoras chinesas ocorre em meio à forte disputa entre mais de 100 marcas, ao excesso de capacidade produtiva e ao enfraquecimento do mercado doméstico.

Com isso, fabricantes passaram a buscar espaço adicional para enviar veículos à América Latina, Europa e Austrália. Em alguns casos, a falta de navios especializados levou empresas a utilizar contêineres convencionais, normalmente destinados ao transporte de produtos como roupas, móveis e eletrônicos.

Lasse Kristoffersen, presidente da Wallenius Wilhelmsen, afirmou que o crescimento do segmento está diretamente relacionado ao avanço das exportações chinesas.

A indústria naval já havia reagido à maior demanda com uma onda de encomendas. Mesmo assim, a frota mundial de navios transportadores de veículos aumentou cerca de 40% e ainda não é suficiente para atender às necessidades da China.

China pode exportar até 10 milhões de veículos

A dimensão do avanço chinês ajuda a explicar o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Segundo o grupo de pesquisa Mobility Global, a China exportou pouco menos de 600 mil carros e vans em 2019. Para 2026, a estimativa é de que esse volume possa chegar a 10 milhões de veículos.

Na União Europeia, a expansão das marcas chinesas também ganhou velocidade. No primeiro semestre de 2026, os licenciamentos da SAIC Motor cresceram 19%, enquanto os da BYD mais que dobraram, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.

Entre as montadoras tradicionais, o desempenho foi mais moderado. A Stellantis avançou 6%, a Volkswagen cresceu 2,6% e a Renault registrou queda de 4,2%.

Andreas Enger, presidente da Höegh Autoliners, afirmou que a China deixou de ter uma participação pouco relevante no mercado externo e se tornou a maior exportadora mundial de veículos em apenas cinco anos.

O avanço das exportações também elevou os fretes marítimos de automóveis para aproximadamente o dobro dos níveis registrados antes da pandemia.

Afretamento de navios volta a disparar

O mercado esperava uma redução das tarifas em 2026, principalmente porque uma quantidade significativa de novos navios entraria em operação.

Entre 2022 e 2025, empresas do setor investiram bilhões de dólares na construção de transportadores de veículos, impulsionadas pelo aumento do consumo de automóveis e pela rápida expansão das exportações chinesas.

A forte demanda chegou a levar as taxas de afretamento a cerca de US$ 115 mil por dia no fim de 2023 e início de 2024.

A esperada acomodação, porém, não se concretizou. Com a capacidade novamente pressionada, o custo médio anual para afretar um grande navio transportador de veículos alcançou US$ 70 mil por dia em junho, segundo a corretora marítima Clarksons. No fim de 2025, a média estava em US$ 42,5 mil.

Mercado chinês mais fraco estimula vendas no exterior

A expansão das exportações também funciona como alternativa para as montadoras diante da desaceleração do mercado doméstico.

Com poucas exceções, os veículos chineses não são enviados aos Estados Unidos em grande escala devido às tarifas de importação e às restrições relacionadas a softwares, associadas por Washington a preocupações de segurança nacional.

Em outros mercados, entretanto, os modelos elétricos e híbridos chineses vêm ganhando espaço. Fabricantes como BYD e SAIC Motor avançaram em países como Reino Unido, Brasil e Alemanha, além de ampliarem sua presença fora da China.

Tu Le, diretor da consultoria Sino Auto Insights, considera que a estratégia agressiva de exportação funciona como uma espécie de válvula de escape para a indústria diante do enfraquecimento das vendas internas.

No primeiro semestre de 2026, as vendas de veículos na China recuaram mais de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

Falta de navios leva carros para contêineres

Os transportadores especializados continuam sendo a alternativa preferida pelas montadoras. Nesse modelo, os veículos são conduzidos diretamente para dentro do navio, o que tende a reduzir custos e diminuir o risco de danos durante o processo logístico.

Eric Dessupoiu, vice-presidente de logística de veículos acabados da Ceva Logistics, afirma que, quando não encontram espaço nos navios especializados, as empresas recorrem ao transporte de carros em contêineres.

De acordo com Kristoffersen, da Wallenius Wilhelmsen, até quatro milhões de veículos deixam a China todos os anos em contêineres ou por outros meios que não os navios tradicionais de transporte de automóveis.

O uso de contêineres para carros não é uma novidade. O que mudou foi a escala da operação. Durante a pandemia de Covid-19, a procura por transporte de veículos superou a oferta de navios, levando o setor a ampliar o uso desse modelo.

Christoph Seitz, vice-presidente global de veículos acabados da DP World, afirmou que algumas montadoras ocidentais inicialmente demonstraram resistência à alternativa. As fabricantes chinesas, porém, teriam adotado a solução rapidamente diante da necessidade de ampliar a capacidade de exportação.

Como funciona o transporte de carros em contêineres

O processo exige etapas adicionais em comparação com os navios especializados.

Primeiro, os automóveis são levados a um pátio próximo ao porto. Depois, são colocados dentro dos contêineres e transportados por guindastes até o navio. No destino, o procedimento precisa ser realizado novamente no sentido inverso.

A demanda cresceu a ponto de grandes empresas do transporte marítimo de contêineres, como Maersk e MSC, passarem a oferecer serviços diretamente às montadoras.

A alternativa, portanto, deixou de ser apenas uma solução emergencial e passou a integrar a estrutura logística utilizada para escoar parte da produção chinesa.

BYD investe na própria frota marítima

Diante da dificuldade de encontrar capacidade suficiente no mercado, a BYD decidiu atuar diretamente no transporte marítimo.

A montadora chinesa colocou em operação seu primeiro navio próprio para transporte de veículos em 2024. Atualmente, segundo as informações apresentadas no texto, a empresa conta com uma frota de oito embarcações.

O movimento mostra como a expansão das exportações chinesas está alterando não apenas o mercado automotivo, mas também a logística internacional necessária para levar esses veículos aos consumidores.

Com a produção chinesa crescendo mais rapidamente do que a capacidade global de transporte especializado, o setor enfrenta um novo desafio: encontrar navios suficientes para acompanhar a transformação da China em uma potência cada vez maior nas exportações automotivas.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Transporte

Frete marítimo sobe e ameaça exportações brasileiras após tarifa dos EUA e tensão no Oriente Médio

O comércio internacional iniciou agosto sob um cenário de maior pressão logística. A combinação entre a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, os reflexos da guerra no Oriente Médio e a reorganização da frota mundial está elevando os custos do frete marítimo e reduzindo a oferta de espaço nos navios, o que preocupa exportadores brasileiros.

Especialistas apontam que o momento é marcado por incertezas nas cadeias globais de transporte, dificultando o planejamento das empresas em um período estratégico para os embarques de commodities.

Três fatores explicam a alta do frete marítimo

De acordo com análises do setor de logística internacional, o atual cenário resulta da combinação de três elementos principais: os impactos da guerra no Oriente Médio, a redistribuição das embarcações após as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos e a gestão de capacidade realizada pelas companhias de navegação.

Mesmo com uma leve desaceleração dos índices globais de frete, os preços permanecem elevados. Na principal rota de referência do mercado, entre China e demais destinos internacionais, o transporte de um contêiner de 40 pés continua acima de US$ 4 mil.

Exportações de commodities enfrentam novos desafios

O aumento dos custos não afeta apenas os produtos atingidos pelas tarifas norte-americanas. Commodities como soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes, que dependem do transporte marítimo para alcançar mercados internacionais, também sofrem os efeitos da menor disponibilidade de navios.

Além do impacto financeiro, empresas enfrentam dificuldades para garantir espaço nas embarcações, comprometendo prazos, planejamento logístico e competitividade das exportações brasileiras.

Falta de espaço preocupa mais que o preço

Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a tendência é de aumento da pressão sobre o transporte marítimo entre agosto e dezembro.

Ele destaca que, ao longo de 2026, os fretes na rota chinesa registraram forte valorização, passando de aproximadamente US$ 1 mil por contêiner no início do ano para cerca de US$ 6 mil em julho, chegando a se aproximar de US$ 8 mil em determinados períodos. O avanço representa uma alta superior a 500% em apenas sete meses.

No caso do Brasil, entretanto, o principal obstáculo deixou de ser apenas o preço.

“O frete em si está relativamente estável, mas conseguir espaço para embarcar está cada vez mais difícil”, afirma o especialista.

Campos explica que essa escassez não está ligada diretamente à tentativa de exportadores brasileiros anteciparem embarques antes da entrada em vigor das novas tarifas americanas. Para ele, o intervalo entre o anúncio das medidas e sua aplicação foi insuficiente para permitir essa estratégia.

Demanda dos EUA reorganiza rotas internacionais

Na avaliação do especialista, a forte demanda por transporte para o mercado norte-americano levou armadores a priorizarem rotas mais rentáveis.

Com isso, embarcações foram deslocadas para atender o comércio com os Estados Unidos, reduzindo a oferta de navios em outras regiões, incluindo linhas que atendem o Brasil. O resultado é um mercado mais disputado e com menor disponibilidade para exportadores brasileiros.

Em alguns casos, segundo Campos, a procura supera em muito a capacidade das embarcações. Navios com espaço para cerca de 5 mil contêineres chegam a receber demanda próxima de 10 mil unidades.

Guerra e gestão de capacidade mantêm preços elevados

Dados do Índice Mundial de Contêineres Drewry, referência internacional para fretes de curto prazo, mostram que houve recuo de 3% no indicador em 30 de julho, fechando em US$ 4.255 por contêiner de 40 pés. Apesar da queda, os valores continuam muito acima da média histórica.

A consultoria atribui esse comportamento ao gerenciamento de capacidade promovido pelas empresas de navegação, que seguem cancelando viagens programadas — prática conhecida como blank sailings — para evitar uma redução mais intensa das tarifas.

Além disso, o mercado permanece pressionado pelas consequências das novas barreiras comerciais dos Estados Unidos, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos congestionamentos em importantes portos internacionais.

Outro fator que pesa na composição dos custos é a adoção de sobretaxas emergenciais de combustível anunciadas por diversas empresas de navegação para o mês de agosto.

Segundo semestre deve manter pressão sobre a logística

A expectativa do setor é de que o cenário permaneça desafiador até o fim do ano. Tradicionalmente, entre setembro e novembro, cresce a movimentação de cargas destinadas ao abastecimento da Black Friday e do Natal, ampliando a disputa por espaço nos navios.

Embora o elevado volume exportado favoreça a entrada de divisas e contribua para a balança comercial brasileira no curto prazo, especialistas alertam que os custos logísticos elevados e a limitação da capacidade de transporte podem reduzir a competitividade das exportações nos próximos meses.

China continua sendo referência para o mercado global

A rota marítima da China permanece como o principal indicador do comportamento do mercado internacional de fretes. Como o país concentra a maior movimentação mundial de contêineres, qualquer alteração na demanda influencia diretamente a distribuição das embarcações.

Quando os fretes nas rotas asiáticas aumentam, as companhias de navegação tendem a deslocar seus navios para esses trajetos mais lucrativos. Esse movimento reduz a oferta em outras regiões e acaba pressionando os custos do transporte marítimo em escala global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: China Daily via REUTERS

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Portos

Porto de Santos firma acordo para estudar transbordo offshore de soja e ampliar eficiência logística

A Autoridade Portuária de Santos assinou, na última segunda-feira (20), um memorando de entendimentos com o porto de Ningbo Zhoushan, na China, para desenvolver estudos voltados à implantação do transbordo offshore de soja. A iniciativa busca tornar mais eficiente o transporte marítimo da commodity, com operações realizadas ainda na costa brasileira.

Modelo pode reduzir custos e acelerar operações

A proposta prevê que navios de menor porte, carregados no cais do Porto de Santos, transfiram a carga para embarcações do tipo capesize em alto-mar. Esses gigantes do transporte marítimo têm capacidade superior a 150 mil toneladas, enquanto os maiores graneleiros que atualmente atracam no terminal santista comportam cerca de 80 mil toneladas.

Com esse sistema, os navios menores retornariam ao porto mais rapidamente para novos carregamentos, aumentando a produtividade das operações. Além disso, o uso de embarcações de maior capacidade tende a reduzir os custos com frete marítimo e otimizar a logística portuária.

Grupo bilateral vai avaliar viabilidade do projeto

O memorando estabelece a criação de um grupo de trabalho formado por representantes dos dois portos. A equipe será responsável pela troca de informações e pela realização de estudos técnicos para avaliar a implementação do modelo de transbordo offshore entre Brasil e China.

Maior porto do mundo participa da iniciativa

O porto de Ningbo Zhoushan é atualmente o maior do mundo em volume de cargas movimentadas. O complexo portuário registra uma movimentação anual superior a 1,4 bilhão de toneladas, consolidando-se como uma das principais referências globais em infraestrutura e eficiência logística.

FONTE: Porto de Santos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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