Comércio Exterior

EUA ameaçam tarifas e taxas portuárias para barrar acordo verde da IMO

Os Estados Unidos estão pressionando fortemente aliados e rivais a rejeitarem um acordo histórico das Nações Unidas para reduzir as emissões de combustíveis marítimos, informou a Reuters. Washington alertou que países que avancem com a estrutura proposta pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) poderão enfrentar uma série de medidas retaliatórias — desde tarifas e taxas portuárias até restrições de visto.

A intervenção extraordinária ocorre após meses de disputas na IMO sobre seu plano de emissão líquida zero para o setor de navegação, que deve ser votado no próximo mês.

“Estamos ativamente explorando e nos preparando para adotar medidas corretivas, incluindo tarifas, restrições de visto e/ou taxas portuárias, caso esse esforço seja bem-sucedido”, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA à Reuters. “Lutaremos com firmeza para proteger o povo americano e seus interesses econômicos.”

Sem regras claras e aplicáveis, os armadores não conseguem preparar suas frotas de forma responsável para o futuro.

A posição coloca os EUA em rota de colisão com a União Europeia e vários países do Pacífico e da Ásia que apoiam o acordo.

A ameaça de Washington de usar tarifas e acesso portuário como armas pode afundar anos de delicadas negociações sobre a trajetória climática do transporte marítimo.

Em declaração conjunta no mês passado, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Comércio Howard Lutnick, o secretário de Energia Chris Wright e o secretário de Transportes Sean Duffy afirmaram que o presidente Donald Trump não aceitaria “qualquer acordo ambiental internacional que imponha encargos excessivos ou injustos aos Estados Unidos ou que prejudique os interesses do povo americano.”

A estrutura proposta de emissão líquida zero, acordada em princípio pela maioria dos Estados-membros da IMO em abril, busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de navegação por meio da introdução de padrões de combustíveis e taxas sobre navios que não cumpram metas rígidas. Os defensores afirmam que as medidas são essenciais para alcançar as metas climáticas da IMO para 2050, mas a delegação dos EUA argumenta que as regras beneficiariam desproporcionalmente a China e penalizariam combustíveis em que a indústria americana é líder, como GNL e biocombustíveis.

A posição é consistente com a sessão do Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho (MEPC) de abril, quando os negociadores americanos abandonaram as discussões. Na votação de abril, 63 Estados-membros — incluindo China, Brasil e países da UE — apoiaram a estrutura, enquanto 16 se opuseram.

O acordo constitui um padrão de combustível, na forma de uma exigência quanto à intensidade de GEE da energia utilizada, acoplada a um mecanismo de precificação e comércio.

Navios que não reduzirem sua intensidade de emissões de gases de efeito estufa — incluindo dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — de acordo com duas trajetórias de redução delineadas nas novas regulamentações, que ainda precisam ser promulgadas na próxima reunião do MEPC em outubro, serão considerados como tendo um déficit de emissões. Esse déficit deverá então ser compensado com a compra de unidades corretivas.

A decisão de outubro exigirá uma maioria de dois terços — 108 dos 176 membros da IMO que ratificaram a convenção relevante — caso não seja alcançado consenso.

A IMO raramente recorre a votações, mas com o endurecimento das posições, uma votação formal parece cada vez mais provável.

ONGs ambientais condenaram a posição dos EUA, alertando que novos atrasos na regulamentação das emissões de combustíveis marítimos podem comprometer a capacidade do setor de atingir suas metas climáticas.

“A próxima sessão do MEPC em outubro oferece a plataforma adequada para tratar de quaisquer preocupações dos Estados-membros antes do processo de adoção”, disse no mês passado um porta-voz da IMO ao portal Splash.

Um porta-voz da BIMCO, o maior grupo de lobby da navegação, disse ao Splash que a posição dos EUA provavelmente não impedirá a implementação caso a estrutura seja aprovada, mas alertou que a não participação de Washington complicaria a fiscalização.

“Mesmo quando, ou se, os EUA registrarem reservas de que as regras não se aplicarão a eles, elas se aplicarão, porque todos os navios de bandeira não americana que operam no comércio internacional estão vinculados pela sua bandeira. Os navios americanos também terão que cumprir se operarem internacionalmente. A única opção é o comércio bilateral fora das regras”, explicou o porta-voz da BIMCO no mês passado.

Para os armadores, a maior dor de cabeça pode ser a incerteza que a postura dos EUA injeta nas decisões de investimento em combustíveis. A corretora SSY afirmou que os pedidos no segmento de granel seco continuam paralisados pela ausência de regras claras e estáveis, com os armadores se resguardando entre GNL, amônia e metanol na esperança de preparar suas frotas para o futuro.

“A confiança importa mais do que a retórica na navegação, pois, sem regras claras e aplicáveis, os armadores não conseguem preparar suas frotas de forma responsável para o futuro, e a descarbonização continuará sendo apenas um exercício custoso de gestão de riscos”, destacou a SSY em uma atualização recente de mercado.

Fonte: Splash 247

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Comércio Exterior

Produtores pedem que EUA suspendam importação de carne bovina do Brasil

A Associação Nacional dos Pecuaristas (National Cattlemen’s Beef Association, NCBA) dos Estados Unidos solicitou ao governo de Donald Trump que a carne brasileira seja vetada no país.

O que aconteceu
A solicitação foi exposta por Kent Bacus, diretor da NCBA, em carta ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). Na quarta, dia 3, ele testemunhou em audiência pública de investigação que apura se as práticas comerciais do Brasil são prejudiciais às empresas americanas, com base na Seção 301 da legislação de comércio americana.

“A NCBA apoia fortemente o presidente Trump em responsabilizar o Brasil, impondo tarifas de até 76% sobre bens brasileiros destinados ao mercado dos EUA. Este é um bom primeiro passo, mas o governo deve continuar a responsabilizar o Brasil por suas barreiras comerciais à carne bovina dos EUA e por sua falta de transparência e responsabilidade.” Kent Bacus, diretor da NCBA

Com os 50% do tarifaço em vigor, o Brasil paga hoje uma tarifa que supera os 76% para a venda de carne para os Estados Unidos -a taxa anterior era de 26%. O país norte-americano é o segundo principal destino da carne brasileira, atrás apenas da China.

A NCBA solicita ao governo Trump suspender as importações de carne bovina do Brasil até que um processo completo de auditoria e inspeção comprove que o Brasil possa atender a um nível equivalente de segurança alimentar e saúde animal

A NCBA destacou ainda as restrições do Brasil à carne bovina dos EUA e preocupações de longa data com o histórico do governo brasileiro em segurança alimentar e saúde animal. “Nos últimos cinco anos, o Brasil vendeu US$ 4,45 bilhões em carne bovina para consumidores americanos, mas não ofereceu acesso significativo à carne bovina dos EUA, implementando barreiras técnicas onerosas”, diz a associação.

O texto também aponta uma ‘falha do Brasil em relatar casos graves de saúde animal de forma oportuna’ e diz que o país sul-americano ‘repetidamente atrasou semanas, meses ou até anos para relatar casos de encefalopatia espongiforme bovina (BSE) atípica, enquanto usava o atraso para vender mais produtos’.

A NCBA foi a primeira a alertar sobre os problemas de segurança alimentar do governo brasileiro em 2017 e seus atrasos em relatar casos de BSE atípica em 2021 e 2023. Os Estados Unidos mantêm todos os parceiros comerciais nos mais altos padrões baseados em ciência, e o Brasil não deve ser a exceção

Nos últimos 40 anos, o governo brasileiro sofreu sete investigações abertas pelo USTR sob a chamada seção 301 da Lei de Comércio. Foram alvos do escrutínio americano setores como os de software, fármacos e automóveis, entre outros.

Fonte: UOL

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Comércio Exterior

Trump assina decreto de isenções tarifárias a parceiros comerciais

Mais de 45 categorias entram na lista de tarifas zeradas para importação de “parceiros alinhados”. Ordem entra em vigor a partir da próxima segunda-feira (8)

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (5), um decreto que oferece algumas isenções tarifárias a parceiros comerciais que fecharem acordos sobre exportações industriais como níquel, ouro e outros metais, além de compostos farmacêuticos e produtos químicos. A ordem entra em vigor a partir da próxima segunda-feira (8).

A ordem identifica mais de 45 categorias para tarifas zero de importação de “parceiros alinhados” que firmam acordos para cortar as tarifas e taxas “recíprocas” impostas por Trump sob o estatuto de segurança nacional da Seção 232. O decreto alinha as tarifas dos EUA com seus compromissos em acordos-quadro existentes, incluindo aqueles com aliados como o Japão e a União Europeia.

No documento, Trump afirma que sua disposição em reduzir tarifas depende do “escopo e do valor econômico dos compromissos de um parceiro comercial com os Estados Unidos em seu acordo de comércio recíproco” e dos interesses nacionais dos EUA.

Trump passou seus primeiros sete meses no cargo implementando aumentos tarifários massivos para reorganizar o sistema comercial global, reduzir os déficits comerciais dos EUA e obter concessões de países parceiros comerciais em negociações.

Categorias isentas

Os cortes abrangem itens que “não podem ser cultivados, minerados ou produzidos naturalmente nos Estados Unidos” ou produzidos em volume suficiente para atender à demanda doméstica.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que também cria novas exceções para alguns produtos agrícolas, aeronaves e peças, além de artigos não patenteados para uso em produtos farmacêuticos. Em situações em que um país tenha firmado um acordo comercial “recíproco” com os Estados Unidos, isso permitirá que o representante comercial dos EUA, o Departamento de Comércio e a alfândega isentem tarifas sobre importações cobertas sem uma nova ordem executiva de Trump, afirmou o funcionário.

Os itens com tarifa zero identificados na ordem incluem grafite e várias formas de níquel, um ingrediente essencial na fabricação de aço inoxidável e em baterias de veículos elétricos. Também estão abrangidos compostos usados ​​em medicamentos genéricos, incluindo o anestésico lidocaína e reagentes usados ​​em testes de diagnóstico médico.

A ordem abrange vários tipos de importações de ouro, desde pós e folhas até ouro em barras, uma importação importante da Suíça que enfrenta tarifas americanas de 39%, já que ainda não chegou a um acordo comercial. A ordem também permite a eliminação de tarifas sobre grafite natural, ímãs de neodímio e diodos emissores de luz (LEDs), além de eliminar isenções tarifárias anteriores sobre certos plásticos e polissilício, um componente essencial dos painéis solares.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Exportações catarinenses para os EUA caem 19,5% em agosto

Apesar do recuo, vendas do estado ao exterior sobem 1,54% no mês, puxadas por México, Chile e Argentina; acumulado ano ano registra alta de 5,9% nas exportações

As exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos recuaram 19,5% em agosto, em relação a igual período do ano passado. A despeito da queda, os EUA seguem como o principal destino dos embarques de produtos catarinenses. No oitavo mês do ano, as exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 119,2 milhões.

O economista-chefe da Federação das Indústrias (FIESC), Pablo Bittencourt, destaca que o desempenho reflete dois fatores associados ao tarifaço: a antecipação de pedidos por clientes norte-americanos – que estocaram produtos antes da entrada das tarifas em vigor – e a suspensão dos pedidos após a vigência da sobretaxa de 50%. “Foi uma redução significativa em agosto, mas foi um movimento que já esperávamos. Nos próximos meses teremos condições de analisar como as exportações para os Estados Unidos vão se comportar no futuro”, explica.

Considerando as vendas externas globais, o estado registrou alta de 1,54% em agosto, para US$ 971,4 milhões. O desempenho foi influenciado pelo incremento de vendas para países como México (+47,5%), Chile (+30,9%) e Argentina (+21,7%), segundo dados compilados pelo Observatório FIESC.

Pauta exportadora
Entre os principais produtos exportados pelo estado que apresentaram alta em agosto estão: carne de aves (+9,9%), soja (+16,1%), motores elétricos (+4,2%), transformadores elétricos (+28,7%) e papel kraft não revestido (+34,4%). Por outro lado, registraram queda: carne suína (-6,2%) e partes de motor (-42,7%). No setor de madeira e móveis, as exportações de obras de carpintaria para construções encolheram 34,9%, as de madeira compensada cederam 30%, as de outros móveis recuaram 17,2% e as de madeira serrada caíram 1%.

“O setor de madeira e derivados tem se mostrado um dos mais vulneráveis ao tarifaço. A elevada exposição aos Estados Unidos, combinada com a produção de itens customizados para aquele mercado, torna a situação complexa, sem perspectivas de solução no curto prazo”, explica Bittencourt.

Acumulado do ano
Os embarques de produtos catarinenses registraram aumento de 5,9% no acumulado de janeiro a agosto, para US$ 7,94 bilhões. Contribuíram para o resultado a alta nas exportações de proteína animal, principais itens da pauta. As vendas externas de carne de aves cresceram 8,1% no ano até agosto, para US$ 1,44 bilhão, enquanto as de carne suína avançaram 12,7%, para US$ 1,14 bilhão. Destacaram-se no período os embarques de carnes de aves para o México e de suína para o Japão.

O principal destino dos embarques foram os Estados Unidos, apesar do recuo de 1,3% no ano, até agosto. As exportações para a China, segundo país do ranking, também mostraram declínio (-6,3%), bem como para o México (-1,1%). Por outro lado, as vendas externas para a Argentina, terceira no ranking, cresceram 31,7% no ano, acompanhadas pelos embarques para o Japão – quinto principal destino – que subiram 13,8%. O crescimento de exportações para o Chile também foi destaque, com alta de 39,2% no ano, na comparação com os oito primeiros meses de 2024.

Importações
Considerando apenas o mês de agosto, as importações catarinenses recuaram 10,6%, para US$ 2,75 bilhões. As importações de partes e acessórios para veículos – terceiro item na pauta  – recuaram 12,6%, enquanto as compras de pneus de borracha caíram 29,8%. O destaque positivo foi o aumento de 150,9% nas importações de fertilizantes nitrogenados. O cobre refinado, primeiro item da pauta, registrou incremento de 12,9% nas importações. As importações recuaram nas cinco principais origens das compras catarinenses: China (-16,5%), EUA (-3,5%), Chile (-6,9%), Alemanha (-27,4%) e Argentina (-15,3%).

No acumulado do ano, as importações subiram 2,6%, para US$ 22,48 bilhões. A principal origem das importações segue sendo a China, com US$ 9,58 bilhões e alta de 2% frente ao registrado entre janeiro e agosto de 2024. Estados Unidos e Chile mostraram recuos de 6,6% e 3,3%, respectivamente. As importações da Alemanha cresceram 3,3% no ano, enquanto as argentinas recuaram 6,1% no período.


Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Agronegócio

Recuperações judiciais no agro podem bater recorde com ‘tarifaço’ dos EUA

O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu o maior patamar no 1º semestre de 2025. Segundo o Monitor RGF, ao fim do 2º trimestre havia 4.965 companhias em processo ativo, o que representa um crescimento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O setor agropecuário tem se mostrado entre os mais pressionados pela atual conjuntura. Dados oficiais da Serasa Experian mostram que, no 1º trimestre de 2025, foram registrados 389 pedidos de recuperação judicial ligados ao agro, um aumento de 44,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Dentro desse universo:

  • 195 pedidos de produtores pessoa física, alta de 83,9% em relação ao 1º trimestre de 2024;
  • 113 pedidos de produtores pessoa jurídica, crescimento de 31% na mesma base de comparação;
  • 81 pedidos de empresas da cadeia agroindustrial, aumento de 5,1% frente a 2024.

Sanções externas ampliam o risco

A tendência pode se acentuar diante do chamado tarifaço dos Estados Unidos, que prevê sobretaxas de até 50% em importações brasileiras, além de possíveis medidas financeiras adicionais.

Analistas avaliam que o movimento cria novos riscos para exportadores, encarecendo custos logísticos e reduzindo margens de empresas ligadas à soja, carnes e açúcar.

Para o advogado Antônio Frange Júnior, especialista em recuperação judicial, a situação exige planejamento estratégico antecipado: “A recuperação judicial não é um sinal de fragilidade, mas sim uma ferramenta moderna de gestão de crise. Em setores dependentes do mercado externo, como o agro, ela garante condições de reorganização financeira sem comprometer ativos produtivos”, avaliou.

Segundo ele, é cada vez mais comum que produtores busquem a medida de forma preventiva: “O cenário atual combina juros elevados, restrição de crédito e instabilidade internacional. Empresas que atuam no agro precisam avaliar cedo alternativas de reestruturação, para preservar empregos e manter a continuidade da cadeia produtiva”, acrescentou Frange.

Tendência para 2025

Economistas projetam que, mantidas as condições atuais de juros altos e pressões externas, o Brasil pode encerrar 2025 com o maior número de recuperações judiciais já registrado.

O impacto deve ser mais forte em segmentos com maior exposição internacional e margens mais estreitas, como transporte, agroindústria e pequenos produtores rurais.

Fonte: Compre Rural

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Comércio Exterior

Em impasse tarifário com Trump, China boicota soja americana

Os agricultores americanos precisam vender sua safra, e a China precisa comprá-la caso sua principal alternativa, o Brasil, sofra com enchentes ou secas; mas a guerra comercial entre os dois países impede um acordo

China possui metais de terras raras. Os Estados Unidos e o Brasil possuem soja.

Apesar de todo o domínio que a China exerce sobre as cadeias de abastecimento globais, ela depende enormemente da soja proveniente de outras partes do mundo. A China importa três quintos de toda a soja comercializada nos mercados internacionais. Agora, com a China e os Estados Unidos em um impasse tenso sobre tarifas, a soja surgiu como uma disputa central entre os parceiros comerciais.

A China vem boicotando as compras de soja dos EUA desde o final de maio para mostrar seu descontentamento com a imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump sobre as importações da China. O impacto está sendo sentido nos estados do Meio-Oeste, especialmente Illinois, Iowa, Minnesota e Indiana. Pela primeira vez em muitos anos, os agricultores americanos estão se preparando para colher sua safra neste outono sem pedidos de compra da China.

“Quanto mais nos aproximamos do outono sem chegar a um acordo com a China sobre a soja, piores serão os impactos para os agricultores de soja dos EUA”, alertou a American Soybean Association em uma carta enviada a Trump em 19 de agosto.

Mas a China também enfrenta riscos nesse impasse. O Brasil, que fará a colheita no início do próximo ano, é o único outro país com soja suficiente para atender à demanda chinesa e com trens e capacidade portuária suficientes para transportar essa soja para a China.

“Acho que eles provavelmente poderiam passar sem a soja americana neste outono, mas se o Brasil tiver alguma seca ou enchente que afete suas safras no próximo ano, isso colocaria a China em uma posição difícil”, disse Darin Friedrichs, diretor-gerente da Sitonia Consulting, uma empresa de pesquisa especializada em agricultura chinesa.

Na China, espera-se uma safra recorde de soja este ano e agricultores como Zhou Ping estão prosperando. Com a forte demanda, os preços estão subindo, e este verão trouxe um equilíbrio quase perfeito entre sol e chuva.

“A safra deste ano é a melhor que já vi em anos”, disse ele, parado à beira de seu campo verde-escuro de plantas que chegam à altura das coxas.

No entanto, mesmo com uma colheita provável de 21 milhões de toneladas este ano, a China precisará importar mais 100 a 105 milhões de toneladas.

A imensa necessidade da China por soja importada — o suficiente para encher o Superdome em Nova Orleans mais de 30 vezes por ano — reflete uma mudança para dietas ricas em proteínas, à medida que os padrões de vida dispararam nos últimos 30 anos. A China agora cria um grande número de porcos e galinhas.

A China importa soja geneticamente modificada para alimentar esses animais. As modificações genéticas são quase totalmente proibidas na China, e a soja cultivada no país é usada principalmente para consumo humano, principalmente em tofu e leite de soja.

Antes da primeira guerra comercial de Trump com Pequim em 2018, a China comprava entre um quarto e um terço da safra americana. Desde então, a China tem tentado desenvolver alternativas. Mas apenas o Brasil conseguiu realmente aumentar significativamente o fornecimento ao mercado chinês.

A China comprou 71% de suas importações de soja no ano passado do Brasil, quando um clima quase perfeito levou a uma safra recorde.

Os Estados Unidos forneceram 21% do total de soja importada pela China no ano passado. A safra é, no entanto, a maior exportação remanescente dos Estados Unidos para a China. Pequim substituiu sistematicamente as importações de equipamentos agrícolas e outros produtos manufaturados avançados dos Estados Unidos por meio de um programa, o Made in China 2025, destinado a aumentar a autossuficiência do país.

A China tem feito um esforço conjunto para aumentar a produção de soja, aplicando extensos subsídios governamentais. Apesar da colheita bem-sucedida deste ano, os resultados desse esforço têm sido mistos.

Os principais produtores do país estão na província de Heilongjiang, no nordeste da China, próxima à Sibéria, na Rússia. Mas eles têm demorado a aumentar a produção.

O governo paga aos agricultores em grande parte de Heilongjiang um subsídio equivalente a cerca de US$ 17 por acre para cultivar milho e cerca de US$ 300 para cultivar soja. No entanto, nas aldeias próximas a Harbin, capital da província, e perto de Heihe, na fronteira com a Rússia, no rio Amur, a maioria dos campos ainda está coberta de milho.

Os agricultores que plantaram soja disseram que seus vizinhos estavam relutantes em mudar de cultura.

A regra geral em Heilongjiang é que o milho é vendido pela metade do preço da soja por tonelada. Mas um acre de terra plantado com milho normalmente produz três vezes mais alimentos. Assim, os agricultores podem ganhar mais dinheiro com o milho do que com a soja, mesmo quando os subsídios são levados em consideração.

Heilongjiang, como a maior parte da China rural, tem uma grave escassez de mão de obra, já que os jovens migram para as cidades. Eles ganham salários elevados nas fábricas do país, que também têm escassez de mão de obra, mas pagam muito mais do que a agricultura.

“O milho é fácil de cultivar porque dá menos trabalho — a soja requer mais cuidados e manutenção e, se não for bem cuidada, fica cheia de ervas daninhas”, disse Jia Yinghai, agricultor em Dawusili, uma vila perto de Heihe.

Durante o primeiro mandato de Trump, quando Pequim suspendeu temporariamente as compras de soja americana, muitas pessoas pensaram que a Rússia poderia ajudar a China a reduzir sua dependência das importações americanas.

Algumas empresas chinesas já operam fazendas de soja do outro lado do rio Amur, na Sibéria. Mas seus esforços para expandir esbarraram em dificuldades.

Por um lado, a linha ferroviária chinesa que vai do sul da fronteira russa em Heihe cobra tarifas de frete mais altas do que o sistema nacional da China, disse Zhou Rui, gerente geral da Heihe Beifeng Yuandong Agricultural Development Company, uma empresa de Heihe com fazendas de soja na Rússia. A empresa possui moinhos de esmagamento de soja em Heihe que extraem o óleo de soja, usado na culinária, e deixam para trás a farinha de soja, usada como ração animal.

Caminhões transportam o óleo de soja de alto valor da Heihe Beifeng para o sul. Mas a empresa tem tido dificuldade em convencer grandes empresas de criação de frangos e suínos a 2.400 km de distância, na China central, a comprar sua farinha de soja, disse Zhou, que não tem parentesco com o agricultor de mesmo sobrenome.

Para piorar a situação, a Rússia mudou suas políticas relativas à soja após invadir a Ucrânia em 2022. A Rússia introduziu um imposto de aproximadamente 20% sobre as exportações de soja não triturada. O imposto desestimulou os agricultores a enviar suas safras para a China.

O sistema ferroviário da Rússia também está fornecendo transporte gratuito de farelo de soja para fazendas de gado no oeste da Rússia, que fornecem carne para seus soldados na linha de frente. Esse é outro incentivo para que a soja cultivada na Sibéria russa seja transportada para o oeste, e não para o sul, para a China.

No ano passado, as exportações de soja da Rússia para a China caíram pela metade e representaram apenas 0,6% do total das importações de soja da China.

No geral, a China vende três a quatro vezes mais produtos para os Estados Unidos do que compra, um desequilíbrio que o presidente Trump está tentando resolver. “Espero que a China quadruplique rapidamente seus pedidos de soja”, escreveu ele nas redes sociais no mês passado.

No entanto, a China pode ter outro trunfo na disputa com os Estados Unidos pela soja: reservas estratégicas de soja para uso durante guerras, desastres agrícolas ou outras crises. Embora o tamanho exato das reservas seja segredo de Estado, o governo dos EUA estimou recentemente que Pequim pode ter 45 milhões de toneladas de soja, o equivalente a dois anos de importações dos Estados Unidos.

O que não está tão claro, porém, é quanto dessa reserva de emergência a China está disposta a usar em uma guerra comercial.

Fonte: Estadão

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Economia

Dólar recua a R$ 5,38 após payroll reforçar expectativa de corte de juros nos EUA

EUA criam 22 mil vagas de trabalho em agosto, abaixo do esperado

O dólar à vista registra forte baixa frente ao real nesta sexta-feira (5), após o relatório de emprego (payroll) nos Estados Unidos confirmar a desaceleração do mercado de trabalho e o aumento da taxa de desemprego. Os dados reforçam as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião deste mês.

Vale destacar que a redução de juros nos EUA aumenta o carry trade — estratégia em que investidores tomam recursos em países com juros baixos para aplicar em países com juros mais altos — em relação aos juros brasileiros, atraindo recursos estrangeiros para economias emergentes.

Qual a cotação do dólar hoje?

Às 11h07, o dólar à vista caía 1,11%, aos R$ 5,387 na venda. Na B3 o dólar para outubro — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,82%, aos R$ 5.436 pontos.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 5,387
  • Venda: R$ 5,387

Dólar turismo

  • Compra: R$ 5,418
  • Venda: R$ 5,598

O que aconteceu com dólar hoje?

A divisa norte-americana já iniciou a sessão em baixa, com investidores à espera dos dados do relatório payroll. Com a divulgação dos números às 9h30, que vieram piores que o esperado, a queda das cotações se aprofundou.

A economia dos EUA abriu 22 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em agosto, após 79 mil em julho em dado revisado para cima. O dado ficou abaixo do esperado. Pesquisa da Reuters com economistas projetava abertura de 75.000 empregos fora do setor agrícola no mês passado. Já a taxa de desemprego ficou em linha com o esperado, a 4,3%. A expectativa era de um aumento da taxa de desemprego de 4,2% para 4,3%.

Após a divulgação dos números, os rendimentos dos Treasuries apresentavam fortes baixas, em meio à leitura de que o caminho para o Fed cortar juros este mês está aberto. Às 9h55, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 10 pontos-base, a 3,489%.

A perspectiva de corte de juros nos EUA fazia o dólar aprofundar perdas não apenas ante o real, mas também em relação às demais divisas no exterior. O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,60%, a 97,640.

Internamente, parte das atenções do mercado estará voltada para entrevista coletiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, convocada nesta manhã para as 11h.

Galípolo estará acompanhado dos diretores de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Correa; e de Regulação, Gilneu Vivan. O tema da coletiva são as medidas de reforço da segurança do Sistema Financeiro Nacional aprovadas em reunião da diretoria do BC. Uma das medidas será a criação de um teto para transferência de recursos por Pix e TED.

Fonte: Reuters

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Industria

Missão da indústria aos EUA abre oportunidades para acordos futuros, avalia Fiesc

Representante de SC na comitiva da CNI, o 1º vice-presidente da Fiesc, André Odebrecht, avalia que a série de reuniões permitiram maior entendimento sobre o mercado dos EUA

Apesar da questão política ainda impedir um acordo entre Brasil e Estados Unidos para reduzir a tarifa de 50%, a missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) a Washington quarta e quinta-feira (03 e 04) desta semana teve resultados positivos na avaliação do 1º Vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), André Odebrecht. Ele destaca que o grupo de industriais do Brasil participou de reuniões com diversas lideranças americanas representantes do Congresso, Câmaras de Comércio, órgãos do governo, associações setoriais e clientes de empresas brasileiras.

– Todos estes protagonistas estão mais bem informados sobre o ambiente de negócios brasileiro, a qualidade dos produtos e a capacidade de inovação e competitividade de nossas indústrias. Além disso, estão cientes do risco que a ausência de produtos brasileiros em algumas cadeias produtivas ou mercados consumidores pode provocar tanto do ponto de vista de perda de qualidade como da diminuição da concorrência e seus potenciais efeitos negativos sobre a economia norte-americana – destacou Odebrecht.

De acordo com o industrial catarinense, integrantes da missão concluíram que falta muita informação sobre a realidade brasileira em Washington. Além disso, o setor industrial do Brasil precisa acompanhar as investigações que o governo americano está realizando nas seções 232 e 301.

O grupo pôde acompanhar, na quarta-feira (03), uma defesa oral em favor do Brasil, feita pelo embaixador Roberto Azevêdo. Foi no escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre a investigação aberta na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Para Odebrecht, a série de contatos feitos pelos industriais durante essas visitas abre caminhos para futuras negociações, “quando o ambiente político estiver mais favorável”.

Os empresários da missão aproveitaram esses contatos para mostrar o quanto boa parte das empresas brasileiras exportadoras são inovadoras e estratégicas ao mercado americano.

Odebrecht destacou também o fato de empresários dos EUA serem os que mais investem no Brasil e, também, o aumento de investimentos de empresas brasileiras nos EUA, em especial indústrias.

Os Estados Unidos são o país com o maior montante de investimentos privados no Brasil, mas os investimentos diretos de empresas brasileiras também cresceram no mercado americano. Desde 2019, o país ocupa a 5ª posição entre os principais destinos de investimento do Brasil.

Presidente da CNI avalia missão

Líder da missão empresarial aos EUA, o presidente da CNI, Ricardo Alban, disse ao jornal O Globo, que os presidentes dos dois países – Brasil e EUA – precisam conversar para buscar uma redução de tarifas. Segundo ele, isso deve ser encaminhado após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.  

A missão empresarial da CNI foi integrada por 130 empresários e líderes de associações setoriais e incluiu agendas nesta quarta e quinta-feira (03 e 04 de setembro). O objetivo foi abrir caminhos para reverter a taxa de 50% a produtos brasileiros nos EUA.

Empenho frente ao tarifaço

O forte empenho da diretoria da Federação das Indústrias de Santa Catarina na busca de solução para o tarifaço tem mais de uma razão. A primeira é porque os EUA são o maior mercado exportador da indústria catarinense e diversas empresas estão sem poder vender para aquele mercado deste a entrada em vigor da taxação de 50%.

Outra razão é que, tanto o presidente da entidade, Gilberto Seleme, quanto o 1º vice-presidente, André Odebrecht, são acionistas e líderes de empresas que exportam para os Estados Unidos. Por isso, conhecem praticamente todos os desafios do tarifaço.

Fonte: NSC Total

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Comércio Exterior

Um mês de tarifaço: vendas para EUA caem 18,5%, e superávit da balança sobe

A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 6,133 bilhões em agosto, primeiro mês em que vigorou a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros. O crescimento foi de 3,9% em relação a agosto do ano passado. Já as exportações para o mercado americano despencaram 18,5% no mês passado, informou hoje o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

O que aconteceu

As exportações brasileiras somaram US$ 29,8 bilhões em agosto, contra US$ 28,7 bilhões em agosto do ano passado. O resultado foi impulsionado pela agropecuária e indústria extrativista. “Temos um destaque em valor para a carne bovina, que aumentou 56%, e para o ouro, que aumentou 55,9% em valor, mas em volume cresceu [também]”, afirmou Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior do ministério.

Já as importações atingiram US$ 23,7 bilhões no mês passado. A queda foi de 2% em comparação com agosto de 2024 (US$ 24,2 bilhões). Destaque para bens de capital, que caíram 10,1% em valores, e bens de consumo (-9%).

No acumulado do ano, o Brasil exportou US$ 227,5 bilhões. O crescimento foi de 0,5% em relação ao acumulado dos oito primeiros meses de 2024.

Já as importações somaram US$ 184,7 bilhões de janeiro a agosto. O valor significa crescimento de 6,9% em comparação com os US$ 172,9 bilhões importados no mesmo período do ano passado. Assim, o saldo positivo nos oito primeiros meses do ano foi US$ 42,8 bilhões.

Já o saldo corrente de comércio ficou de US$ 412,3 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Essa é a diferença entre o valor total exportado e importado em um determinado período.

O aumento da exportação foi mais que suficiente para compensar a queda da importação e fazer com que a corrente de comércio crescesse no mês de agosto, com aumento de 1,2%.Herlon Brandão, diretor de estatísticas do Mdic

Caem exportações para os EUA

As exportações brasileiras para os EUA caíram 18,5%, para US$ 4 bilhões em agosto. No ano passado, o Brasil havia exportado US$ 4,4 bilhões para o mercado americano.

Os produtos com as maiores quedas de exportação para os EUA foram:

  1. Minério de ferro: – 100%. “Não exportamos minério de ferro nesse mês de agosto para os Estados Unidos”, afirmou o diretor de estatísticas.
  2. Açúcar: – 88,4%.
  3. Aeronaves e partes de aeronaves: – 84,9%
  4. Motores e máquinas não elétricos: – 60,9%
  5. Carne bovina fresca: – 46,2%
  6. Máquinas de Energia Elétrica: – 45,6%
  7. Madeira em bruto (parcialmente trabalhada): – 39,9%.
  8. Óleos combustíveis: – 37%
  9. Produtos semi-acabados de ferro-aço: – 23,4%
  10. Celulose: – 22,7%.

Já as importações de produtos americanos subiram 4,6%, e chegaram a US$ 3,9 bilhões no mês passado. Há um ano, as importações para os americanos somaram R$ 3,8 bilhões.

Outros mercados

Brasil também vendeu menos para Canadá e União Europeia. Enquanto as vendas recuaram 11,9% para a UE (de US$ 4,5 bi para US$ 4 bi), o recuo foi de 10,7% para os canadenses, de US$ 546 milhões em agosto de 2024 para US$ 487 milhões em agosto de 2025.

Já as exportações para o México cresceram 43,8%. Em agosto, foram vendidos US$ 790 milhões ao país latino-americano, contra US$ 549 milhões um ano antes.

O grupo representado por China, Hong Kong e Macau foi o principal destino dos produtos brasileiros em agosto. Aumento de 29,9%, de US$ 7,3 bilhões para US$ 9,5 bilhões, o que significou uma participação de 32,1% das exportações nacionais no mês passado.

Os produtos mais vendidos para a China, Hong Kong e Macau foram:

  1. Carne bovina: + 84%
  2. Óleos e produtos de petróleo: + 75%
  3. Soja: + 28,4%
  4. Açúcar e melaço: + 20%
  5. Minério de ferro: + 4,9%

A China, que vinha caindo a exportação para esse destino ao longo do ano por conta principalmente de preço, (…) nesse mês de agosto [teve] um grande crescimento de volume exportado.Herlon Brandão, diretor de estatísticas do Mdic

O tarifaço

O tarifaço de 50% vale desde 6 de agosto. Naquela data, os EUA passaram a cobrar mais 40% sobre as tarifas de 10% que já aplicavam desde abril sobre a importação de produtos brasileiros. Desde então, uma taxa de 50% passou a ser cobrada sobre produtos como café, carnes, pescados, açúcar, cacau e frutas tropicais, como manga e uva. Castanhas, suco de laranja e produtos de aviação civil entraram em uma lista de quase 700 produtos que se livraram da sobretaxa.

As razões para o tarifaço são políticas. Trump implementou a tarifa adicional de 40% sobre o Brasil “para lidar com políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”, escreveu o republicano em sua ordem executiva.

O documento cita o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Casa Branca classificou o processo contra o ex-presidente como uma “perseguição, intimidação, assédio e censura”.

Moraes tem abusado de sua autoridade judicial para ameaçar, atingir e intimidar milhares de seus oponentes políticos.Comunicado da Casa Branca

As decisões judiciais do Brasil contra big techs também foram mencionadas. O americano acusou o Brasil de tomar “medidas sem precedentes para coagir empresas americanas de forma tirânica e arbitrária” com objetivo de “censurar” discursos políticos, remover usuários e alterar políticas de moderação de conteúdo sob penas de “multas extraordinárias” e processos criminais.

Fonte: UOL

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Internacional

Déficit comercial dos EUA atinge o maior valor em quatro meses devido à corrida por importações

Aumento de 5,9% nas importações em julho reflete uma antecipação de novos impostos sobre o comércio global, impactando a balança comercial americana

O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou significativamente em julho, atingindo o maior valor em quatro meses, à medida que as empresas se apressaram para importar mercadorias e materiais antes do anúncio de novos impostos do presidente Donald Trump sobre parceiros comerciais globais. De acordo com dados do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a diferença entre exportações e importações no setor de bens e serviços cresceu quase 33% em comparação ao mês anterior, totalizando US$ 78,3 bilhões. A estimativa média de economistas consultados pela Bloomberg previa um déficit de quase US$ 78 bilhões.

As importações registraram um aumento de 5,9% em julho, o maior desde o início do ano, enquanto as exportações tiveram um crescimento mais modesto. Os números apresentados não foram ajustados pela inflação. A alta nas importações foi impulsionada pelo aumento das remessas de suprimentos industriais, que alcançaram o maior nível em quatro meses. As importações de bens de consumo também cresceram, e as remessas de equipamentos de capital, exceto automóveis, avançaram mais do que em qualquer outro momento desde o início de 2025.

Esse aumento nas importações reflete uma corrida das empresas americanas para garantir mais produtos antes da aplicação de tarifas recíprocas, que eram esperadas para afetar uma série de países com os quais os Estados Unidos ainda não haviam formalizado acordos comerciais. Vale lembrar que, após uma grande alta nas importações no primeiro trimestre, motivada pela tentativa das empresas de antecipar a implementação de tarifas anunciadas por Trump em abril, as importações haviam caído por três meses consecutivos.

A volatilidade nas importações e exportações tem causado flutuações consideráveis nas medições do governo sobre a atividade econômica, como o Produto Interno Bruto (PIB). Essas oscilações no comércio internacional têm gerado incertezas sobre o impacto das novas tarifas e a direção futura das relações comerciais dos Estados Unidos no cenário global.

Fonte: Brasil 247

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