Internacional, Mercado Internacional

A Nvidia está enfrentando tanto Trump quanto a China

O crescimento explosivo da receita pode durar?

Uma honrosa exceção entre os bilionários da tecnologia que apoiaram Donald Trump na sua posse presidencial em 20 de janeiro foi Jensen Huang, o CEO da Nvidia. Ele adotou uma abordagem mais discreta, encontrando-se com Trump na Casa Branca pouco mais de dez dias depois. No início daquela mesma semana, sua empresa — a principal fornecedora de chips de inteligência artificial (IA) — havia perdido US$ 600 bilhões em valor de mercado durante uma onda de vendas causada pelo lançamento dos modelos de IA mais recentes da DeepSeek, uma empresa chinesa. Os planos de Trump para responder à fabricante emergente de modelos podem ter estado tão presentes na mente de Huang quanto a própria DeepSeek.

As ações da Nvidia posteriormente recuperaram boa parte do valor perdido, após a abordagem econômica da DeepSeek na construção de modelos levantar dúvidas sobre a demanda pelos avançados chips gráficos (GPUs) da Nvidia. Em 26 de fevereiro, a empresa divulgou resultados fortes para o trimestre encerrado em janeiro. Suas vendas cresceram impressionantes 78% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 39 bilhões. Os lucros também superaram as expectativas, embora as margens brutas tenham caído.

A resposta do governo americano à DeepSeek é o próximo passo esperado. A administração Biden tentou desacelerar os avanços da China em inteligência artificial (IA) restringindo a exportação dos chips e ferramentas de fabricação mais avançados, além de limitar os investimentos americanos em empresas chinesas de IA. Circulam relatos de que a administração Trump está considerando reforçar esses controles de exportação. Durante sua sabatina no Senado, Howard Lutnick — agora secretário de Comércio — ameaçou adotar uma postura rigorosa em relação às vendas de tecnologia para a China, destacando que os chips da Nvidia foram usados pela DeepSeek. “Isso tem que acabar”, declarou em tom enérgico. As vendas para a China representam cerca de 15% do total da Nvidia. A empresa não comentou sobre a possibilidade de novas restrições, mas elas são esperadas. “Achamos que haverá algum controle adicional de exportações após o caso da DeepSeek”, afirma Joseph Moore, do banco de investimentos Morgan Stanley.

Há dois instrumentos que o governo americano pode usar para dificultar ainda mais o comércio com a China, o que afetaria a Nvidia. O primeiro é limitar ainda mais a venda de GPUs diretamente para o país. Quando os controles anteriores entraram em vigor, a Nvidia desenvolveu um chip de GPU mais simples para o mercado chinês, chamado H20. A administração Trump agora estaria considerando restringir também a venda desse modelo. Dylan Patel, da consultoria SemiAnalysis, acredita que a Nvidia está suspendendo a produção do H20 em resposta a essa ameaça (ele afirma que mais de 1 milhão de unidades foram produzidas nos nove meses até o final de janeiro). A fabricante de chips tem argumentado discretamente ao governo americano que o H20 não oferece mais poder de processamento para os objetivos de IA da China do que chips comuns de videogames vendidos no país. Ainda assim, o uso do H20 para aplicações de IA na China está crescendo rapidamente, segundo relatos.

O segundo instrumento do governo americano visa impedir que empresas chinesas acessem GPUs por meio de terceiros países — objetivo da chamada “Estrutura para Difusão de IA” (Framework for AI Diffusion), uma norma provisória apresentada poucos dias antes da saída de Joe Biden do cargo. A intenção é barrar o contrabando ilegal de GPUs para a China e impedir que firmas chinesas acessem infraestrutura americana de IA por meio de data centers localizados em outros países. A medida entrará em vigor em meados de maio, a menos que seja revogada antes disso.

Como está, a nova regra limitaria o acesso de muitos países às GPUs mais avançadas, submetendo-os à supervisão regulatória americana e incentivando-os a se aliar a gigantes americanas de computação em nuvem, como Alphabet, Amazon e Microsoft. A Nvidia detesta essa medida. Criticou publicamente a administração Biden quando a regra foi anunciada, chamando-a de um emaranhado “equivocado” de excesso de regulação que enfraqueceria a competitividade dos EUA e prejudicaria o crescimento. Nos bastidores, a empresa argumenta que restringir o acesso à tecnologia americana de IA para mais de 150 países pode alienar aliados e empurrá-los para os braços da Huawei — uma gigante chinesa da tecnologia que está desenvolvendo seus próprios chips de IA. Ainda assim, Gregory Allen, do CSIS (um centro de estudos em Washington), acredita que a administração Trump apoiará a “estrutura básica” da regra, embora deva colocar sua própria marca sobre ela.

Jensen Huang ainda pode esperar mudar a opinião do presidente. Embora ele não faça parte da “broligarquia” da tecnologia que cerca Trump, tem boas conexões. Durante o período pré-eleitoral, o chefe da Nvidia elogiou generosamente Elon Musk — amigo do presidente — pela velocidade com que o empreendedor, agora agitador político, construiu um enorme data center em Memphis para a xAI, sua startup faminta por GPUs. Mesmo que os falcões da administração Trump queiram restringir com força as vendas de chips de IA para a China, Huang pode esperar que Musk use sua influência na Casa Branca para suavizar o impacto.

A geopolítica já tornou a vida difícil para a Nvidia na China. As sanções americanas contra a Huawei prejudicaram o maior concorrente da Nvidia no país, mas as restrições comerciais também afetaram a própria empresa americana. A participação das vendas para a China no total da Nvidia já caiu, passando de mais de 20% dois anos atrás para cerca de 15% hoje. Os esforços do governo chinês para estimular a demanda por chips nacionais também não ajudaram.

De modo geral, a Nvidia tem tentado manter-se em bons termos com a China — o que pode explicar por que ela critica abertamente os controles de exportação americanos. Isso, no entanto, não a poupou de virar peça no jogo geopolítico. Em dezembro, o governo chinês anunciou uma investigação sobre a Nvidia por supostas violações da lei antimonopólio do país, amplamente interpretada como retaliação às restrições impostas aos chips americanos.

A incerteza sobre os negócios da Nvidia na China torna seu crescimento futuro ainda mais dependente de vendas em outras regiões. A empresa continua dominante no restante do mundo e segue superando seus concorrentes por meio de atualizações frequentes de hardware e software. As vendas de sua nova arquitetura de IA, chamada Blackwell, dispararam no último trimestre.

A recuperação recente das ações da Nvidia sugere que investidores confiam em Huang e em outros que argumentam que os avanços da DeepSeek — ao baratear os modelos — acabarão gerando mais demanda por hardware de IA, e não menos, ao estimular a adoção da tecnologia. Desde a queda causada pela DeepSeek, as gigantes americanas de computação em nuvem indicaram que pretendem continuar aumentando os investimentos em data centers. Ainda assim, uma nota publicada por analistas do banco de investimentos TD Cowen, em 21 de fevereiro, afirma que a Microsoft cancelou recentemente alguns contratos de locação de data centers nos EUA (a empresa garante que ainda está comprometida em investir US$ 80 bilhões em infraestrutura neste ano). Apesar de todas as suas fortalezas, Jensen Huang ainda enfrenta turbulências tanto no cenário doméstico quanto no exterior.

Fonte: The Economist

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

EUA se preparam para permitir operações limitadas de petróleo na Venezuela, começando pela Chevron, dizem fontes

O governo Trump está se preparando para conceder novas autorizações aos principais parceiros da estatal venezuelana PDVSA, começando pela Chevron, o que lhes permitiria operar com limitações no país sancionado e trocar petróleo, disseram cinco fontes próximas ao assunto na quinta-feira.

Se concedidas, as autorizações para a grande petrolífera dos EUA, e possivelmente também para os parceiros europeus da PDVSA, marcariam uma mudança de política em relação a uma estratégia de pressão que Washington adotou no início deste ano sobre o setor de energia da Venezuela, que está sob sanções dos EUA desde 2019.

Os EUA podem agora permitir que as empresas de energia paguem aos empreiteiros de campos petrolíferos e façam as importações necessárias para garantir a continuidade operacional. Algumas importações poderiam ser trocadas por petróleo venezuelano, conforme autorizado em licenças anteriores, disseram três das fontes.

Uma autoridade do Departamento de Estado disse em um comunicado que não poderia falar sobre nenhuma licença específica para os parceiros da PDVSA, mas acrescentou que os EUA não permitiriam que o governo do presidente Nicolás Maduro lucrasse com a venda de petróleo.

“A Chevron conduz seus negócios globalmente em conformidade com as leis e regulamentos aplicáveis a seus negócios, bem como com as estruturas de sanções previstas pelo governo dos EUA, inclusive na Venezuela”, disse um porta-voz da empresa.

As ações da Chevron atingiram US$155,93 na quinta-feira, seu nível mais alto desde 3 de abril, de acordo com dados da LSEG.

Embora a Venezuela e os EUA tenham realizado uma troca de prisioneiros este mês, as relações entre os dois países têm sido tensas há anos, e o governo Trump tem apoiado publicamente os líderes da oposição que dizem que seu candidato venceu a eleição do ano passado, e não Maduro.

Em fevereiro, Trump anunciou o cancelamento de um punhado de licenças de energia na Venezuela, incluindo a da Chevron, e deu prazo até o final de maio para encerrar todas as transações.

A medida deixou todas as operações em joint ventures de petróleo e gás com a Chevron e outros parceiros nas mãos da PDVSA, mas as empresas foram autorizadas a preservar suas participações e a produção permaneceu praticamente inalterada.

O Departamento de Estado dos EUA, que em maio bloqueou uma ação do enviado presidencial especial Richard Grenell para prorrogar as licenças, desta vez está impondo condições a qualquer modificação na autorização, para que nenhum dinheiro chegue aos cofres de Maduro, disseram as três fontes.

O secretário de Estado Marco Rubio não deve, desta vez, proibir as autorizações, mas está negociando seu escopo, acrescentaram.

Não ficou imediatamente claro se os termos da licença que poderia ser concedida à Chevron seriam reproduzidos por outras empresas estrangeiras na Venezuela, incluindo a italiana Eni e a espanhola Repsol, que vêm solicitando aos EUA permissão para trocar suprimentos de combustível por petróleo venezuelano.

As autorizações podem permanecer privadas, disse uma das fontes.

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA e a PDVSA não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Fonte: Reuters

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Comércio, Comércio Exterior

Brasil busca ampliar comércio com México e Canadá após tarifaço imposto por Trump

Diante da iminente entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, o governo federal prepara uma reorientação estratégica nas relações comerciais com os países da América do Norte. A partir de 1º de agosto, a sobretaxa deve atingir setores importantes da pauta de exportações nacionais, levando o Brasil a intensificar as negociações com Canadá e México como alternativa para mitigar as perdas no mercado norte-americano.

Segundo o jornal O Globo, a movimentação já começou. O governo brasileiro articula, para setembro, uma proposta de retomada das negociações do acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá. Antes disso, em agosto, Brasília receberá a visita do ministro do Comércio canadense, Maninder Sidhu, com expectativa de avanços concretos. Paralelamente, o país busca expandir os termos do acordo comercial já existente com o México.

Em contato telefônico realizado na noite de quarta-feira (23), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Claudia Sheinbaum concordaram com uma visita oficial do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) à Cidade do México nos dias 27 e 28 de agosto. A missão contará também com a presença de ministros e empresários brasileiros, e tem como objetivo estreitar as relações comerciais em áreas estratégicas.

Acordos com potencial em setores-chave – No caso canadense, apesar da dependência do mercado dos EUA — que absorve 50% do aço, 46% do cobre e 90% do alumínio produzidos no país — há interesse em diversificar parceiros comerciais. A principal barreira para a conclusão do acordo é o setor agrícola, devido aos altos subsídios concedidos pelo governo canadense. No entanto, há otimismo quanto a possíveis parcerias nos segmentos de energia nuclear, aeronáutica e semicondutores.

Com o México, a ampliação do pacto vigente poderá abranger setores como o aeroespacial, farmacêutico, de energia e agricultura. Assim como o Canadá, os mexicanos têm nos EUA seu maior mercado de exportação — cerca de 80% do total —, o que exige do Brasil negociações que agreguem valor e atratividade para os dois lados.

Dados comerciais reforçam urgência – Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que, em 2023, o Brasil exportou US$ 54,5 bilhões para a América do Norte, com importações de US$ 49,2 bilhões, o que gerou um superávit de US$ 5,4 bilhões. Os principais produtos vendidos foram siderúrgicos, petróleo, aeronaves, café, carne bovina e equipamentos de construção civil.

O déficit com os Estados Unidos somou US$ 284 milhões, puxado por compras de aeronaves, motores, máquinas e combustíveis. Entre os produtos exportados aos EUA estão aço, café, celulose, petróleo e aviões.

Já com o Canadá, o Brasil obteve superávit de US$ 273 milhões. As exportações foram lideradas por ouro, alumínio e açúcar, enquanto fertilizantes, adubos e motores figuraram entre os principais produtos importados.

No comércio com o México, o Brasil registrou superávit de US$ 132 milhões. Os principais itens vendidos foram carne bovina, soja e automóveis.

Além dos vizinhos dos EUA, o Brasil quer aproveitar a presidência temporária do Mercosul no segundo semestre para fomentar avanços com países da Ásia, como Japão, Vietnã e Indonésia. A diversificação de parcerias internacionais é vista como uma resposta urgente às novas restrições impostas pelo governo Trump, que deve impactar setores estratégicos da economia brasileira.

Fonte: Brasil 247

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Investimento

CNI: investimentos brasileiros nos EUA cresceram 52,3% em uma década

Área de alimentos e bebidas, e o setor de plásticos têm destaque

Mapeamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que ao menos 70 empresas brasileiras mantêm investimentos produtivos em 23 dos 50 estados americanos. Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (24) os investimentos brasileiros em solo norte-americano alcançaram um estoque de US$ 22,1 bilhões em 2024, uma alta de 52,3% em relação a 2014. Os números mostram ainda que, entre 2020 e 2024, empresas brasileiras anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações no território americano.

Alimentos e bebidas, com 28%; plásticos, com 12,4%; produtos de consumo, com 9,8%; software e serviços de TI, com 9,6%; e metais, com 9,3% são os setores que lideram os investimentos brasileiros nos EUA.

Entre os estados americanos com maior número de empresas brasileiras com plantas produtivas estão a Flórida, com 12; a Georgia, com sete; Michigan, Minnesota, Missouri, Nova York, aparecem depois com seis empresas cada; e o Tennessee e o Texas, com cinco.

“O estudo revela que nos últimos cinco anos (2020-2025), 70 empresas brasileiras anunciaram projetos nos EUA, com destaques para JBS (US$ 807 milhões), Omega Energia (US$ 420 milhões), Companhia Siderúrgica Nacional (US$ 350 milhões), Bauducco Foods (US$ 200 milhões) e Embraer (US$ 192 milhões)”, informou a CNI.

Investimentos

O documento traz também informações sobre investimentos anunciados por nove empresas brasileiras nos primeiros cinco meses de 2025.

Entre os destaques estão a Embraer, com a implantação de um centro de manutenção no Texas, com investimentos previstos de US$70 milhões e geração de 250 empregos. A JBS, que anunciou uma nova planta em Iowa, com aporte de US$ 135 milhões e 500 empregos diretos, e a Sustainea, parceria da Braskem com a japonesa Sojitz, com um investimento previsto de US$ 400 milhões no estado de Indiana.

O mapeamento mostra que 2.962 empresas brasileiras têm investimentos diversos nos EUA. Na avaliação da confederação, os números reforçam a forte integração econômica entre as duas economias.

“Essa é a prova de que o setor produtivo brasileiro vê na integração com os Estados Unidos muito mais que comércio: vê parceria. O avanço dos investimentos de ambos os lados, ao longo dos anos, reforça o caráter complementar e os benefícios mútuos dessa relação”, afirmou o presidente da CNI Ricardo Alban.

Por outro lado, o mapeamento mostra que, no mesmo período, 186 empresas norte-americanas anunciaram novos negócios no Brasil. Entre as principais companhias estão Bravo Motor Company (US$ 4,3 bilhões), Microsoft (US$ 3 bilhões), CloudHQ (US$ 3 bilhões), Amazon.com (US$ 2,8 bilhões) e New Fortress Energy (US$ 1,6 bilhão).

“No que se refere a investimentos anunciados, de 2015 a 2025, os setores mais atrativos para os investidores dos EUA em território brasileiro foram: comunicações (31,0%), montadoras de automóveis (13,5%), carvão, petróleo e gás (11,4%), serviços financeiros (10,9%) e energias renováveis (7,1%)”, disse a CNI.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Lula diz que Brasil está disposto a negociar com Trump sobre tarifas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o Brasil está aberto a negociar com os Estados Unidos sobre a tarifa de importação de 50% imposta a produtos brasileiros, caso o presidente norte-americano Donald Trump queira conversar.

Ao bater novamente na tecla da soberania nacional e do respeito às questões internas do Brasil, durante um evento em Minas Gerais, Lula afirmou que irá defender os interesses dos empresários e dos bancos brasileiros.

O presidente aproveitou para ressaltar que o Brasil cultiva a tradição de ser um bom negociador “com o mundo inteiro”, mas “sobretudo com quem quer conversar”.

Trump anunciou em carta ao governo brasileiro a imposição de tarifa de 50% sobre os produtos do Brasil, apesar de o país ter déficit comercial com os EUA. No texto, Trump afirmou que as tarifas seriam impostas, entre outros motivos, pelo que ele classificou como perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, processado por envolvimento em tentativa de golpe de Estado após sua derrota eleitoral em 2022.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Setores ligados a gigantes dos EUA tentam destravar negociação de tarifas sobre o Brasil

Importadores e distribuidores de café e suco de laranja e grupos das áreas petrolífera, energética, farmacêutica e aérea buscam interlocutores

Setores ligados a empresas gigantes dos Estados Unidos estão atentos à ameaça das sobretaxas de 50% sobre produtos importados do Brasil anunciada por Donald Trump e têm buscado interlocutores do Brasil para tentar evitar as tarifas.

As sobretaxas estão previstas para serem implementadas em 1º de agosto. Além de empresas que importam e distribuem café e suco de laranja —que são obtidos em peso do Brasil—, companhias das áreas petrolífera, energética, farmacêutica e aérea também têm demonstrado preocupação com o impacto que esses tributos podem ter.

Como mostrou a Folha, o governo brasileiro trata a mobilização do empresariado americano como importante para tentar convencer consumidores e autoridades dos EUA do impacto que as tarifas podem ter. Isso ajudaria a pressionar o governo americano por uma negociação em torno das tarifas. Por ora, empresários têm se movimentado com cautela para evitar exposição e eventual retaliação do governo.

A Câmara do Comércio americana, maior associação empresarial do país, foi uma das que trataram publicamente do tema. Em nota divulgada semana passada, fizeram um apelo pela negociação em torno das sobretaxas para evitar sua implementação em 1º de agosto. O órgão diz que 6.500 pequenas empresas seriam impactadas nos EUA.

“A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos”, afirmou a câmara, em nota divulgada com a Amcham (Câmara Americana de Comércio no Brasil).

Em carta endereçada ao presidente Lula (PT), o presidente Donald Trump vinculou a implementação das tarifas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também reclamou do diz serem centenas de ordens judiciais que visam censurar a liberdade de expressão de americanos e suas empresas.

O governo brasileiro tenta levar a negociação para o campo comercial, o único em que vê possibilidades de ceder. Integrantes do Judiciário têm sido categóricos ao dizer que não vão recuar no julgamento de Bolsonaro. E Lula classificou a carta como tentativa de interferência e ataque à soberania do Brasil.

Por ora, os campos formais de negociação estão suspensos. Isso porque somente a Casa Branca dará a orientação sobre a negociação e isso ainda não ocorreu. O governo do Brasil enviou uma carta pedindo a negociação e não teve resposta —e segue sem previsão de ter.

Nesta semana, as empresas Johanna Foods e Johanna Beverages, que importam e distribuem suco de laranja, recorreram ao Tribunal de Comércio Internacional, em Nova York, para que declare nula a aplicação das tarifas de Trump.

As companhias alegam que o presidente americano excedeu seus poderes de implementar tarifas sem o aval do Congresso ao vincular as tarifas a uma questão política —que não justificaria uma emergência econômica.

O Brasil representa de 65% a 70% das importações de suco de laranja totais dos EUA. O país também é o maior fornecedor individual de café, com importações que variam de 20% e 30%, a depender das safras. Responde ainda por 12% da oferta de açúcar de cana e por 9% da carne bovina.

Está entre os cinco maiores fornecedores de aeronaves e suas peças, representado especialmente pela Embraer, o que justifica a preocupação do setor aéreo. Em sexto lugar no ranking de exportações do Brasil aos EUA estão os produtos químicos, que servem de insumo para a produção de medicamentos. O Brasil também responde por cerca de 5% a 6% das importações americanas de petróleo bruto.

Como mostrou a Folha, para fazer a troca seria necessário promover adaptações que, com certeza, vão elevar o preçoRepresentante das grandes petroleiras com atividade no país, incluindo as americanas ExxonMobil e Chevron, o IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás) disse ver com preocupação a chance de implementação da sobretaxa.

Em nota divulgada poucos dias após o anúncio de Trump, o instituto disse que a medida traz incertezas para o setor de petróleo e gás, que responde hoje por 17% do PIB industrial brasileiro e 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos no país. E ressalta que o petróleo foi o principal produto da pauta de exportações brasileira em 2024.

Fonte: Folha de São Paulo

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Acordos avançam no mundo, e Brasil se isola a oito dias do tarifaço dos EUA

Governo tem adotado uma postura combativa diante do que considera uma medida protecionista injustificada

A oito dias do início da taxação de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o governo busca soluções para impedir o avanço da medida. Além do Brasil, outros países como Indonésia, integrantes da União Europeia, Canadá e Japão também sofreram com a imposição de tarifas.

Entretanto, muitos deles, conseguiram acordos que podem diminuir o impacto nas respectivas economias, apesar de criar uma maior dependência com os EUA.

Em meio à crise entre os EUA e o Brasil, o governo brasileiro tem adotado uma postura combativa diante do que considera uma medida protecionista injustificada e prejudicial para a economia.

Apesar de representantes tentarem diálogo com os norte-americanos, o Brasil não descarta a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade— regulamentada na semana passada —, o que desagrada o setor empresarial.

Nesta quarta-feira (23), o presidente Donald Trump afirmou que só concordará em abaixar as tarifas caso o país que esteja em negociação abra o mercado para os Estados Unidos.

“Se não, tarifas muito mais altas! Os mercados japoneses já estão abertos (pela primeira vez!). Os negócios nos EUA vão crescer!”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social.

Segundo o chefe do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, Rodrigo Medina, esses acordos feitos com demais nações servem como uma garantia de vantagens concorrenciais em relações bilaterais.

O problema em não negociar

Segundo o coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, Gustavo Menon, existem riscos para o Brasil, em termos econômicos e diplomáticos, caso opte por não negociar diretamente com os Estados Unidos diante da ameaça tarifária.

O Brasil se expõe a uma série de riscos significativos. Em relação aos impactos econômicos e comerciais, a perda nas exportações será sintomática. Tarifas de 50% sobre produtos brasileiros podem afetar setores estratégicos, como agronegócio, indústria de transformação e aviões, tornando os produtos brasileiros menos competitivos no mercado americano”, acredita.

Para o especialista, isso torna a situação ainda mais crítica considerando o déficit comercial brasileiro com os EUA, reforçando o diálogo como a melhor iniciativa para um acordo.

A recusa em negociar pode ser vista como hostilidade, fragilizando décadas de uma parceria de mais de 200 anos. O desafio é seguir, diante da nossa melhor tradição diplomática, com os diálogos universalistas. Dessa forma, não negociar de maneira construtiva tende a aprofundar impactos negativos sobre a economia e a reputação internacional do Brasil, como revelam os inúmeros precedentes de outros países que já enfrentaram a mesma encruzilhada diplomática.”

Faltam ‘avanços significativos’

Para o especialista em negócios internacionais Augusto Fernandes, faltam avanços significativos por parte do governo brasileiro.

“Se concretizando, isso é uma bomba atômica na economia brasileira. Você viu aí nas últimas 24 horas, a Indonésia negociou isenção total, pagando 19% dos produtos que exportam para lá, o Japão negociou investimento de 500 milhões lá e isenção de tarifa, você viu a Europa toda negociando. Mas, até agora, nós estamos imobilizados, não vemos avanço nenhuma parte”, comentou.

Apesar disso, Rodrigo Medina sinaliza que também falta diálogo por parte do governo americano. “O diálogo envolve ao menos dois interlocutores. Não é o que se trata, não tem um canal de diálogo aberto”, comentou.

Na reunião com o Itamaraty, o chanceler Mauro Vieira afirmou que há esforço do governo para avançar negociações com o setor privado dos Estados Unidos e com autoridades políticas.

Um embaixador presente relatou que contatos foram reiterados em abril, antes do anúncio das novas tarifas por parte do presidente Donald Trump, mas que não houve retorno.

Acordos com outros países

Nesta terça-feira (22), a Casa Branca confirmou a conclusão do acordo com a Indonésia, que concordou em eliminar aproximadamente 99% das barreiras tarifárias aos EUA para produtos industriais, alimentícios e agrícolas.

Enquanto isso, os norte-americanos concordaram em reduzir para 19% as tarifas recíprocas.

Em outro exemplo, o acordo com o Japão prevê que o país deve investir US$ 500 bilhões nos EUA, além de estarem sujeitos a uma tarifa de 15%, o que representa uma diminuição frente aos 25% iniciais.

Fonte: R7

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Comércio, Comércio Exterior

Brasil articulou apoio de países à fala na OMC, mas evitou irritar EUA

Apoio de 40 países veio após articulação prévia e Brasil evita medidas mais duras na OMC enquanto tenta negociar com EUA, dizem fontes

A diplomacia brasileira articulou previamente o apoio de países às críticas feitas ao tarifaço no Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta quarta-feira (23), segundo fontes que acompanharam as discussões disseram à CNN.

O discurso foi proferido pelo Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que condenou o uso de tarifas como ferramenta para interferir em assuntos internos de países.

Os países que endossaram o posicionamento brasileiro foram: China, Rússia, Peru, Hong Kong, Malásia, Austrália, Colômbia, Nova Zelândia, Camboja, Canadá, Índia, Camarões e Coreia do Sul e a União Europeia, que é formada por 27 países. Considerando o bloco europeu, 40 países apoiaram a intervenção.

Por não ser uma resolução, os países não votam propriamente, mas manifestaram apoio ao Brasil.

Para conseguir o endosso dos países, a missão do Itamaraty em Genebra conversou anteriormente com diplomatas de diversas nações para apresentar previamente as linhas gerais do posicionamento do Brasil.

Fontes informaram que não é praxe o Secretário participar desse tipo de reunião da OMC, mas ele viajou a Genebra justamente para levar o posicionamento brasileiro, que foi proferido por volta de meio-dia do horário local (7h de Brasília).

O secretário chegou na segunda-feira à Suíça e participou das reuniões durante dois dias.

Houve um cuidado entre os diplomatas brasileiros em Genebra para não fazer críticas diretas aos Estados Unidos, enquanto negociações entre Washington e Brasília acontecem no nível da chancelaria. A saída encontrada foi mencionar a necessidade de reformas na OMC e a defesa do multilateralismo.

Fontes também afirmam que enquanto o ministério de Relações Exteriores do Brasil coordena negociações com o governo Trump, a orientação para a missão em Genebra é não entrar com nenhuma medida mais incisiva no âmbito da OMC, como seria o caso de um pedido de disputa no Órgão de Solução de Controvérsias (OSC). A medida chegou a ser avaliada pelo governo Lula logo após o anúncio das tarifas de 50%.

O objetivo com o discurso do secretário Philip Fox-Drummond Gough neste momento era apenas mostrar que o Brasil é apoiado por importantes países em suas queixas sobre as políticas tarifárias de Donald Trump.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Comércio Exterior

Brasil aciona OMC contra tarifas dos EUA

Governo busca apoio internacional para evitar tarifação de produtos brasileiros

O Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) em resposta à decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O governo brasileiro considera essa medida uma interferência em seus assuntos internos. A ação brasileira recebeu apoio de mais de 40 países.

Para evitar a implementação das tarifas, o governo brasileiro está focando em negociações diplomáticas e minimizando críticas públicas aos Estados Unidos, buscando criar um ambiente propício para um diálogo formal entre os dois países.

Fonte: R7

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Investimento

Investimentos brasileiros nos EUA crescem 52% em 10 anos, aponta CNI

Os dados são de um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria.

Um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais do que um parceiro comercial, os Estados Unidos são importantes para investimentos brasileiros.

Em 10 anos, empresas brasileiras instalaram 142 projetos produtivos no país norte-americano. São mais de 22 bilhões de dólares em investimentos — um aumento de 52% em relação a 2014. Nos últimos 5 anos, 70 empresas anunciaram projetos por lá, como JBS e Embraer, todas geraram mais de 2.500 empregos e 1 bilhão de dólares para a economia norte-americana.

O mercado estadunidense responde por quase metade das vendas de jatos comerciais da Embraer e 70% dos jatos executivos. Os Estados Unidos investem bem mais no Brasil: R$ 357 bilhões — uma alta de mais de 200%. O estudo reforça que a relação é importante para os dois lados, além dos empregos gerados lá. Segundo a CNI, R$ 1 bilhão exportados aos Estados Unidos gerou 24 mil empregos no Brasil.

A CNI reforça que os Estados Unidos tem superávit na relação com o Brasil, ou seja, saem mais beneficiados desse comércio entre os dois países. Em relação a tarifa aplicada, a média é baixa, segundo a CNI, de 2,7%. Mesmo assim, para a gerente de Promoção Comercial da CNI, Tatiana Farah, sempre há espaço para negociar. Uma das áreas mais afetadas pelo tarifaço será a indústria da transformação. Os EUA é o principal destino de exportação do Brasil da indústria — nos últimos 10 anos, ela representou mais de 82% das exportações brasileiras para os EUA. Tatiana explica que é uma área de difícil realocação tanto no mercado interno quanto em outros mercados.

“Nós temos peças e autopeças, temos partes de avião, temos aviões inteiros, mas também nós temos, por exemplo, produtos de compensado de madeira, ou produtos de madeira que são feitos para o mercado americano, para o estilo de casa que existe nos Estados Unidos, que não é o mesmo que existe aqui. Então são esses exemplos de produtos, ou as carnes processadas, alimentos processados, são… É isso que a gente chama de produtos manufaturados. Então são produtos complexos, que não são sazonais e que são todos manufaturados pela indústria.”

Mesmo diante das negociações, o governo brasileiro não tem visto com otimismo os próximos passos. Na quarta-feira (23), Trump deu recados mesmo que indiretos ao Brasil ao dizer que estabeleceu tarifas de 15 a 50% e que o índice maior foi aplicado a países em que o relacionamento com os Estados Unidos ‘não tem sido bom’. Mesmo o índice de 15% é visto com preocupação pelos empresários.

Fonte: CBN

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