Comércio, Portos

Remessas de Alimentos Paralisadas no Principal Porto do Brasil em Meio à Incerteza sobre Tarifas dos EUA

A tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já está tendo repercussões no Porto de Santos, localizado no litoral de São Paulo. De acordo com o Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região (SDAS), os embarques estão atualmente paralisados no maior complexo portuário do Brasil devido ao cancelamento de exportações por parte das empresas, principalmente do setor de alimentos.

Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), os EUA importaram mais de 8,1 milhões de toneladas através do Porto de Santos em 2024, totalizando R$ 12,8 bilhões. Isso representou 12,6% das exportações totais do complexo portuário, colocando os Estados Unidos atrás apenas da China, que importou 42,4 milhões de toneladas (R$ 26 bilhões ou 25,5%).

Abaixo está um gráfico histórico das exportações brasileiras em contêineres para os Estados Unidos via Porto de Santos, com base em dados do DataLiner:

Exportações em Contêineres para os Estados Unidos via Porto de Santos – Jan 2022 a Mai 2025 – TEUs

A tarifa de 50%, anunciada por Donald Trump, deve entrar em vigor no dia 1º de agosto. No entanto, os efeitos já estão sendo sentidos devido à incerteza por parte dos exportadores.

Em entrevista ao G1, o secretário do SDAS, Hugo Cesar Evangelista, afirmou que o sindicato recebeu relatos de seus associados (despachantes aduaneiros) sobre embarques paralisados nos terminais do Porto de Santos. “Algumas empresas já estão devolvendo mercadorias, especialmente pequenos negócios”, disse ele.

Ele explicou que a suspensão dos embarques se deve à incerteza sobre a alíquota que será aplicada quando a carga chegar aos Estados Unidos, já que o transporte leva vários dias.

“Temos relatos de cargas retidas enquanto as empresas aguardam para entender como a situação vai se desenrolar, enquanto outras estão cancelando e devolvendo os produtos para seus armazéns”, disse Evangelista.

Segundo o sindicato, produtos como frutas, sucos e carne bovina estão entre os que estão paralisados no complexo portuário. No entanto, o sindicato ainda não tem uma estimativa completa das exportações interrompidas.

O Brasil é o principal fornecedor de café para os Estados Unidos. A tarifa atual sobre o café é de 10%, e a nova taxa de 50% representaria um aumento de 400%. Cerca de 35% das exportações brasileiras com destino aos EUA são embarcadas pelo Porto de Santos.

Fonte: G1

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Internacional, Negócios

Em encontro com Alckmin, FIESC defende negociações com EUA, sem retaliação

Presidente da entidade liderou grupo de industriais do setor metalmecânico que também discutiu assimetria competitiva na invasão chinesa de fixadores

O presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, liderou na tarde desta quarta-feira (16) comitiva de industriais do setor metalmecânico em reunião com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e com a secretária de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres.

No encontro, Aguiar defendeu o diálogo para tentar reverter os impactos do chamado tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump. “Retaliar seria o pior encaminhamento, pois ampliaria os prejuízos para a indústria brasileira. Além de tentar reduzir as tarifas, precisamos buscar alternativas como a prorrogação do prazo de início da aplicação, para que as empresas tenham fôlego para se reorganizar e buscar novos mercados”, disse Aguiar.

“As palavras de ordem agora são negociar, negociar e negociar. Mesmo que as tarifas não voltem aos patamares anteriores, precisamos chegar a um nível que permita manter a relevância daquele mercado como destino das exportações catarinenses e brasileiras”, resumiu o presidente da FIESC.

As indústrias catarinenses pretendem atuar em sintonia com seus clientes norte-americanos, que podem pressionar o governo dos Estados Unidos, demonstrando os impactos das tarifas que serão pagas pelos consumidores de lá. “O ministro conhece os números e tem total clareza sobre a importância do tema. Reforçamos a diversidade industrial catarinense, onde as tarifas terão graves consequências, já que os Estados Unidos são o principal destino de nossas exportações”, afirmou Aguiar.

No encontro, a Federação catarinense também destacou a necessidade de o governo federal incluir produtos semiacabados de aço e alumínio nas estratégias de defesa dos interesses brasileiros no comércio internacional, buscando isonomia tributária. “Hoje existe uma invasão de produtos chineses, porque o parafuso vindo da China chega ao preço dos insumos pagos pelos fabricantes brasileiros”, disse Aguiar, lembrando que há importantes empresas do setor no estado, gerando elevado número de empregos.

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior, Importação

Importados do Brasil pesam na inflação dos EUA antes mesmo da tarifa

Grupo alimentação puxou preços ao consumidor, com destaque para café e frutas cítricas

A inflação nos Estados Unidos voltou a subir em junho, atingindo seu nível mais alto em quatro meses, à medida que o aumento de preços — incluindo aqueles provenientes de tarifas — tiveram um impacto maior.

Os preços ao consumidor subiram 0,3% no mês passado, elevando a taxa de inflação anual para 2,7%, a mais alta desde fevereiro, de acordo com os últimos dados do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) divulgados na terça-feira (15) pelo BLS (Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA).

Esperava-se que o dado de junho fosse um “ponto de virada” em que tarifas elevadas deixariam uma marca ainda maior nos dados de inflação. No entanto, até que ponto as tarifas podem aumentar a inflação e por quanto tempo isso pode durar ainda é uma questão em aberto.

Economistas como Heather Long, da Navy Federal Credit Union, alertaram que os impactos relacionados às tarifas ainda são iniciais.

“As tarifas estão começando a pesar”, disse a economista-chefe da Navy Federal Credit Union, em entrevista à CNN Internacional. “Não foi tão ruim quanto o esperado, mas dá para ver nos dados. Isso parece o primeiro inning, os estágios iniciais do que provavelmente será um número cada vez maior de itens apresentando aumento de preço.”

Ela observou como os preços do café e da laranja — categorias já duramente afetadas pelos impactos climáticos e que também devem sofrer pressão adicional com as tarifas — dispararam em junho.

Os produtos são duas das principais exportações que o Brasil faz aos EUA. Enquanto o café é 3º item mais vendido, somando US$ 1,172 bilhão entre janeiro e junho deste ano, os sucos de frutas — dentre os quais prevalece o da laranja — são o 6º, com US% 743 milhões.

O CPI apurou que o café subiu 2,2% nos EUA ao longo do último ano, enquanto as frutas cítricas 2,3%, acima da meta perseguida pelo Fed (Federal Reserve) de 2%.

“Você não compra uma máquina de lavar nova toda semana, mas compra frutas e vegetais”, disse Long.

Na terça, Trump comemorou a queda dos preços ao consumidor e autoridades da Casa Branca minimizaram o efeito das tarifas sobre a inflação geral. Trump pediu ao Fed que cortasse as taxas de juros “agora!”.

Os dados vieram em linha com as previsões dos economistas de que o CPI geral aumentaria em relação às variações mensal de 0,1% e anual de 2,4% relatadas em maio.

Eles esperavam que preços mais altos do gás ajudassem a elevar o índice geral (o que foi o caso) e anteciparam que um conjunto mais amplo de produtos mostraria o efeito das empresas repassando custos mais altos de importação aos consumidores (o que também foi o caso).

Excluindo gás e alimentos, que tendem a ser bastante voláteis, o núcleo do CPI ficou abaixo das expectativas, subindo 0,2% em relação a maio e 2,9% nos 12 meses encerrados em junho. No entanto, isso representa uma aceleração em relação aos 0,1% e 2,8%, respectivamente, do mês anterior.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

CNI defende esgotar negociação com EUA antes de recorrer à retaliação imediata

Presidente da instituição, Ricardo Alban, reiterou pedido de adiamento do início da taxação em reunião no MDIC

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu o caminho das negociações com os Estados Unidos antes de recorrer à retaliação imediata.

“Antes (de retaliar), é preciso esgotar toda e qualquer possibilidade de negociação”, alertou Ricardo Alban.

O posicionamento é consenso no setor e foi definido em reunião virtual ontem (14) entre todos os presidentes de federações da indústria.

Alban participa de encontro entre empresários e autoridades no Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para discutir a estratégia de resposta do país às medidas da Casa Branca, com a presença dos ministros Geraldo Alckmin (MDIC), Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos).

Indústria reitera pedido para adiar início da taxação

O dirigente também reforçou o pedido para que o governo articule juntos aos Estados Unidos uma ampliação de 90 dias para o começo da vigência da nova tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros.

“Estamos falando aqui só de perde-perde. Não tem ganha-ganha. Perde a indústria, perde a economia, perde o social. Gostaríamos de colocar na mesa um adiamento de 90 dias no prazo para início da vigência (da tarifa)”, pontuou Alban. “Queremos colocar a discussão de acordos setoriais e bilaterais. Discutir bitributação”, completou.

A estimativa preliminar da indústria é de uma perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho, caso a medida entre em vigor nos termos anunciados, além de forte impacto sobre o PIB.

Alckmin, destacado pelo Palácio do Planalto para encabeçar as negociações com os americanos, destacou que o governo vai trabalhar para reverter as novas tarifas, consideradas por ele “completamente inadequadas”.

Ele reiterou que EUA têm superávit na relação com o Brasil há 15 anos e a tarifa média dos produtos que os norte-americanos exportam para o nosso país é de 2,7%. “Temos uma importante complementariedade econômica. É importante conversarmos com os parceiros americanos no setor industrial para mostrarmos que a medida encarece também os produtos deles”, acrescentou Alckmin.

É preciso objetividade e pragmatismo, diz CNI

Ricardo Alban alertou que é preciso objetividade e pragmatismo por parte do governo e do setor privado na negociação. “O que não queremos neste momento é perder a razão. É importante essa parceria. É muito difícil o setor industrial encontrar alternativas de médio prazo para substituir esse mercado dos EUA”, afirmou.

Uma comitiva de empresários e representantes de associações industriais participa da reunião, incluindo o presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Josué Gomes da Silva; o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso; a presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Janaína Donas; o presidente emérito da Associação Brasileira Indústria Têxtil e de Confecções (Abit); Fernando Pimentel; o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira; o CEO da Tupy, Rafael Lucchesi; o CEO da Embraer, Francisco Gomes, entre outros.

Com a palavra, o presidente da CNI, Ricardo Alban:

Fonte: Portal da Indústria

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Comércio Exterior

Após tarifas, frigoríficos do MS interrompem produção destinada aos EUA

À CNN, presidente de entidade fala em inviabilização de negócios e busca por novos contratos com outros países

Frigoríficos do Mato Grosso do Sul que produzem carne para o mercado dos Estados Unidos estão interrompendo a produção destinada às exportações norte-americanas, afirmou à CNN Regis Luís Comarella, presidente do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Carne do Mato Grosso do Sul) e diretor da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul).

Comarella disse que os produtores “viraram a chave” e estão buscando desviar o excedente para China, Chile e países da África, como a Argélia.

“Os frigoríficos pararam de produzir produtos para os Estados Unidos, com rotulagem para o mercado americano […] até que haja solução para voltar ao normal. Eles diminuíram um pouco a escala e os abates para não ficar com estoque alto”, relatou o presidente do Sicadems à CNN nesta terça-feira (15).

Com certeza a tarifa inviabiliza [o comércio com os EUA], já que o Brasil já é taxado por eles, […] com mais 50% não há condições de honrar os contratos existentes, pois o prejuízo é muito para as empresas”, ressaltou.

Quatro dos frigoríficos que atuam no estado são habilitados para enviar suas carnes aos EUA:

  • Naturafrig;
  • JBS;
  • Minerva;
  • Iguatemi.

CNN entrou em contato com as empresas e aguarda retorno para atualizar a matéria.

Segundo o Sicadems, os Estados Unidos foram o segundo maior mercado para a carne sul-mato-grossense em 2024: foram enviados US$ 215 milhões de dólares em produtos aos EUA.

Um impacto que Comarella diz que virá “com certeza” é o da queda no preço do arroba do boi, não só no estado, “mas em nível Brasil”, por conta do excedente de produtos que devem ficar estacionados por aqui.

Como alternativas para mitigar o impacto da tarifa dos EUA, o presidente do Sicadems lista três caminhos.

“Primeiramente, é tentar que aplicação da taxa seja prorrogada mais para frente, para que dê tempo dessa carne que está embarcada chegar até o destino, fugindo da taxa. Segundo, é dialogar para que se tenha um resultado positivo. Terceiro, ir atrás de novos contratos com outros países que não tenham essa taxa.”

Na última quarta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova tarifa de 50% contra os importados brasileiros que entrarem no país. A taxa entra em vigor no dia 1º de agosto, reforçou o republicano nesta terça.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Comércio Exterior

Câmaras de comércio nos EUA e no Brasil pedem suspensão de taxas

Entidades apontam prejuízos para cadeias produtivas dos dois países

A U.S. Chamber of Commerce e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgaram nota conjunta na qual pedem para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a suspensão das tarifas de 50% imposta aos produtos brasileiros.

A taxação às exportações brasileiras está prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto.  A nota das entidades destaca que a medida unilateral do governante dos Estados Unidos vai afetar “produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos”.

As duas câmaras de comércio defenderam que Estados Unidos e Brasil “se engajem em negociações de alto nível a fim de evitar a implementação da tarifa de 50%”. Além disso, as entidades alertam que as taxações podem estabelecer um precedente “preocupante” nas relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos”.

As entidades apontam que mais de 6,5 mil pequenas empresas dos Estados Unidos dependem das importações brasileiras e outros 3,9 mil empreendimentos norte-americanos contam com investimentos no Brasil.

“O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos”, destaca o comunicado.

A seguir, a íntegra da nota das U.S. Chamber of Commerce e a AmCham:

“A U.S. Chamber e a Amcham Brasil solicitam aos governos dos Estados Unidos e do Brasil que se engajem em negociações de alto nível a fim de evitar a implementação da tarifa de 50%. A imposição dessa medida como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante.

A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos.

Mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas norte-americanas têm investimentos naquele país. O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos.

Uma relação comercial estável e produtiva entre as duas maiores economias das Américas beneficia consumidores, sustenta empregos e promove prosperidade em ambos os países. A U.S. Chamber e a Amcham Brasil seguem à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada, pragmática e construtiva — que evite a escalada da atual situação e garanta a continuidade de um comércio bilateral mutuamente vantajoso.”

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Economia

Tarifa de 50% dos EUA pode impactar receita da Embraer como a crise da Covid, diz CEO

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos

As tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre exportações brasileiras a partir de 1º de agosto podem ter um impacto na receita da Embraer (EMBR3) semelhante ao da crise da Covid-19, disse o presidente-executivo da companhia, Francisco Gomes Neto, nesta terça-feira.

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos, além de possíveis reduções na força de trabalho, gerando um custo adicional de cerca de US$9 milhões por avião exportado aos EUA.

Os Estados Unidos são o principal mercado da Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo atrás da Airbus e da Boeing, com clientes norte-americanos representando 45% do seu negócio de jatos comerciais e 70% de sua divisão de jatos executivos.

“Pela relevância que esse mercado tem… a gente estima que, se isso for para frente, nessa magnitude, vamos ter um impacto similar ao da Covid em termos de queda de receita da companhia”, disse Neto.

Ele acrescentou que as tarifas de 50% seriam praticamente um embargo comercial sobre os jatos comerciais, especialmente os modelos E1 da Embraer, tornando “inviáveis” as exportações para os EUA.

Ainda assim, o executivo afirmou que nenhum pedido foi cancelado até o momento.

As ações da Embraer, que chegaram a subir 3% mais cedo no dia, passaram a operar de forma volátil durante as declarações de Neto, devolvendo ganhos antes de voltarem a subir cerca de 1%.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Os pedidos de Lula na carta que será enviada aos EUA após tarifaço de Trump

Documento será endereçado à Secretaria de Comércio, liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), com quem as negociações sobre as tarifas têm sido conduzidas

O governo Lula (PT) pretende enviar, nos próximos dias, uma carta para os Estados Unidos por meio da embaixada do Brasil em território norte-americano. A decisão ocorre em meio às negociações do Brasil para reverter a taxação de 50% a produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump. As informações são do g1.

A carta será endereçada à Secretaria de Comércio, liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), com quem as negociações sobre as tarifas têm sido conduzidas. O documento está pronto e será assinado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler Mauro Vieira. O texto aguarda o aval de Lula.

No documento enviado ao governo dos EUA, o Brasil formaliza três pedidos:

  • Que os canais de diálogo entre os dois governos continuem abertos;
  • Que sejam marcadas novas reuniões entre os representantes dos países sobre o tema; e
  • Que os Estados Unidos respondam o material que o governo brasileiro mandou ainda em maio, detalhando informações sobre balança comercial e outros números, e que permanecem sem resposta.

Lei da Reciprocidade

Lula (PT) assinou na segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade. A medida possibilita que o Brasil adote uma resposta à sobretaxa de 50% anunciada por Donald Trump para produtos brasileiros.

A proposta foi aprovada no Congresso em abril, quando teve tramitação acelerada na Câmara e no Senado, com apoio de ruralistas e governistas. O decreto impõe a reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países.

O tarifaço de Trump

A taxação adicional de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos foi anunciada na semana passada em carta divulgada pelo presidente norte-americano Donald Trump. No texto, o líder credita a medida a uma “caça às bruxas” que na opinião dele vem sendo feita na Justiça do Brasil contra o ex-presidente e aliado Jair Bolsonaro, além de citar um suposto déficit do país nas relações comerciais com o Brasil e processos para retirada de conteúdo contra gigantes de tecnologia que atuam no país.

O anúncio gerou reações no meio político e econômico brasileiro, com o receio sobre possíveis reflexos no país. As vendas para os Estados Unidos representam cerca de 12% das exportações nacionais e 14% das vendas de Santa Catarina para o mercado externo.

Fonte: NSC Total

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Comércio Exterior

Tarifaço inoportuno ou oportunidade para fortalecer relação bilateral?

Em artigo publicado no Valor Econômico, o presidente da CNI, Ricardo Alban, fala sobre a decisão do presidente dos EUA de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil

Um tarifaço sem fundamentos econômicos. A decisão do presidente dos EUA de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, sem qualquer estudo técnico que justifique, configura uma ruptura grave de uma relação comercial centenária, marcada por forte integração produtiva e amigável.

Há mais de 15 anos, os Estados Unidos registram superávit constante no intercâmbio de bens e serviços com o Brasil. Entre 2015 e 2024, esse saldo positivo acumulado alcançou US$ 91,6 bilhões em mercadorias e US$ 256,9 bilhões em serviços, segundo estimativas a partir de dados oficiais norte-americanos.

Argumentar que o Brasil pratica alíquotas excessivas também está em desacordo com a realidade. Em 2023, a tarifa efetivamente aplicada pelo nosso país sobre produtos originários dos EUA foi de apenas 2,7% – quatro vezes inferior à alíquota nominal média de 11,2% registrada na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A tarifa de 50% anunciada pelo governo Trump põe fim à previsibilidade que sustenta milhares de contratos de longo prazo, afetando fábricas brasileiras e plantas nos Estados Unidos que dependem de componentes e insumos produzidos no Brasil para manter linhas produtivas e empregos. Existem milhares de companhias norte-americanas instaladas no Brasil e outras tantas brasileiras operando nos EUA. O tarifaço, portanto, aumenta substancialmente o risco de retrocesso, ameaçando a competitividade de ambos os lados e lançando incerteza sobre planos de investimento futuros e negócios em andamento.

Diante disso, o diálogo deve ser o caminho prioritário. A CNI, em parceria com entidades empresariais dos dois países, está pronta para contribuir tecnicamente na busca de uma solução negociada que reverta as tarifas e restabeleça a confiança.

Temos conversado com as principais lideranças econômicas e políticas do Brasil. Vemos, na formação pelo governo federal de um “Comitê”, que contempla o setor produtivo, de grande valia.

Vemos, nas redes sociais, disputas, desentendimentos e polarização, agravados pela antecipação do próximo ciclo eleitoral, mas o sentimento real do povo brasileiro é o da busca pelo diálogo, pelo entendimento e consenso.

São muitos e importantes os desafios que já enfrentamos, entre eles o reequilíbrio das contas públicas, sem o qual a economia implode; a redução sustentável da taxa de juros, dependente do ajuste fiscal, para destravar investimentos; o avanço de reformas estruturantes que melhorem o ambiente de negócios e reduzam custos, condição indispensável ao crescimento da produtividade e do PIB.

A história desmente a visão de luta de classes ou de imposições unilaterais de tarifas como armas de conquista ou consolidação de poder.
O maior aliado do trabalhador é uma empresa sólida e confiante para investir; o maior aliado do empreendedor é um ambiente de negócios previsível e competitivo.

Por isso, rejeitamos soluções fáceis, como elevar impostos para financiar uma máquina pública ineficiente. A sociedade não suporta nova alta de carga tributária. O verdadeiro milagre econômico está na estabilidade, na redução do “Custo Brasil” e na liberação do espírito empreendedor.

Reconhecemos os méritos da política industrial inaugurada pela Nova Indústria Brasil e, justamente por acreditar no potencial dessa parceria é que apelamos por diálogo e caminhos que não estrangulem a competitividade dos setores produtivos. Incertezas fiscais, guerras comerciais e a rápida difusão da inteligência artificial já criam um ambiente complexo; somar novos conflitos tarifários só ampliará os riscos.

O momento exige moderação e convergências com agilidade para que o Brasil possa negociar em posição de parceiro e nação independente.

Fonte: Agência de Notícias da Indústria

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Industria

Indústria projeta perda de 110 mil empregos com tarifa de Trump ao Brasil

CNI pediu articulação por adiamento de 90 dias na aplicação da alíquota de 50%

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que o Brasil deve perder pelo menos 110 mil postos de trabalho em decorrência da tarifa de importação aplicada pelos Estados Unidos contra os produtos nacionais, afirmou a entidade na segunda-feira (14).

A Indústria também prevê “forte impacto negativo no PIB [Produto Interno Bruto]” brasileiro, segundo o balanço apresentado em reunião de emergência com os presidentes das federações das indústrias de todo o país, que contou com participação da secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Lacerda Prazeres.

Na última quarta-feira (9), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que irá aplicar, a partir do dia 1º de agosto, uma alíquota de 50% sobre os importados brasileiros que entram no país.

Os representantes do setor produtivo defendem a interlocução pelo adiamento, de pelo menos 90 dias, do início da nova cobrança.

“Esse prazo é considerado essencial para que a indústria brasileira possa analisar de forma mais aprofundada os efeitos da medida, além de buscar soluções diplomáticas para evitar perdas mais amplas”, afirma a CNI.

Os industriais também defenderam que o processo seja conduzido com cautela e diálogo entre os setores público e privado, “preservando os canais institucionais entre os dois países e reforçando a necessidade de cooperação para manter relações comerciais estáveis e previsíveis”.

Segundo a CNI, Prazeres garantiu que os pontos levantados serão encaminhadas ao governo.

Fonte: CNN Brasil

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