Comércio Exterior

Maior receio dos EUA é Brasil vender miúdos para Ásia, diz Abiec

Presidente da associação de exportadores de carnes destaca que há momento diplomático para Japão habilitar frigoríficos brasileiros ainda este ano

Com o crescimento populacional e a elevação da renda, a Ásia se consolidou como a prioridade do setor de carne bovina brasileiro.

O mercado asiático é visto como “a menina dos olhos” dos exportadores nacionais, que buscam expandir as vendas não apenas de cortes tradicionais, mas principalmente de miúdos — produtos de alto valor agregado que têm forte aceitação cultural e religiosa em países da região.

Para se ter uma noção, o mercado de língua bovina no Japão chega a pagar entre US$ 10 e US$ 12 o quilo, enquanto o Brasil exporta o mesmo produto a cerca de US$ 2, segundo o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa.

De acordo com o executivo, essa diferença de até seis vezes mostra o potencial de agregação de valor que os miúdos representam para a indústria nacional.

“Quem já foi no Japão sabe: numa churrascaria, em vez de servir a picanha fatiada como aqui [no Brasil], servem a língua fatiada, e é considerada um churrasco gourmet. Então, é costume. Se servir a língua aqui, poucas pessoas vão comer, mas lá é um produto valorizado. É essa a estratégia da indústria bovina brasileira”, explicou em coletiva de imprensa nesta terça-feira (9).

Para Perosa, o maior medo dos americanos é o Brasil ampliar o acesso ao mercado asiático, justamente pela dimensão da demanda.

“Os Estados Unidos têm receio de perder espaço na Ásia porque sabem que não conseguem competir em escala com o Brasil. Eles têm teto de produção, e a Austrália também”, afirmou.

“Então, quando a gente abre espaço na Ásia, é um caminho sem volta. Esse é o grande ponto: a carne magra produzida pelo Brasil é necessária no mundo todo, mas é na Ásia que está o futuro do consumo”, pontuou.

Desta forma, uma das estratégias para ampliar a presença no mercado japonês é aproveitar o ambiente diplomático criado pelas recentes agendas entre os dois países e a COP30, conferência do clima que acontecerá em novembro em Belém (PA).

Mas tudo começou a avançar em março deste ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve no Japão após seis anos sem o país lançar um convite para visita de Estado para qualquer nação. Na ocasião, foram assinados tratados de cooperação em diversas áreas, inclusive a agropecuária.

Após o encontro, uma comitiva japonesa esteve no Brasil para averiguar os frigoríficos do país. O Japão é um dos países mais rigorosos em critérios sanitários sobre carne bovina do mundo.

Segundo Roberto Perosa, os movimentos mostram avanços concretos para a abertura de mercado para a carne bovina brasileira.

“É claro que isso está tudo em negociação ainda com o Ministério da Agricultura brasileira, que é o ministério e o órgão responsável por negociar com o governo japonês a abertura do mercado”, ponderou.

“A gente costuma dizer que existe um momento diplomático para haver esse anúncio. O momento diplomático está dado, e eu acho que é na COP, com a visita do primeiro-ministro japonês”, frisou.

Para além das tratativas com o mercado nipônico, nesta segunda-feira (8), a Indonésia anunciou a habilitação de 17 novas plantas brasileiras, elevando para 38 o número de frigoríficos aptos a exportar carne bovina ao país.

O governo indonésio também autorizou a entrada de carne com osso, miúdos e produtos preparados, ampliando o portfólio brasileiro no mercado local.

Em 2025, as exportações para a Indonésia já somam 15,4 mil toneladas, gerando US$ 71,6 milhões, um salto de 258,9% em valor e 253% em volume em relação ao mesmo período de 2024.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 2 milhões de toneladas de carne bovina, alta de 20% frente a 2024, com faturamento de US$ 10,7 bilhões, avanço de 33%.

A China segue como principal destino, com 1 milhão de toneladas (US$ 5,4 bilhões), consolidando a liderança asiática no consumo da proteína brasileira.

Nos próximos meses, Perosa e sua equipe devem viajar para a China a fim de ampliar o diálogo para avançar com as negociações.

Perspectivas para 2025 e 2026

No balanço da Abiec, para as exportações em geral, a expectativa calculada em dezembro passado era de crescimento de 12% no volume e 14% no faturamento das exportações brasileiras de carne bovina em 2025.

O resultado parcial do ano já superou a previsão, com avanço de 16% em valor e de 12% em volume.

“Fizemos um compilado no fim do ano passado e projetamos 12% de incremento no volume de exportação, fazendo com que a gente passe de 13 milhões de toneladas de carne exportada e 14% em faturamento no incremento também do setor em 2025”, disse Perosa.

“E, para minha surpresa, isso está mantido, e está dando acima. Está dando 12% no volume, e no faturamento está dando um pouquinho mais, está dando 16%, mas muito em linha com o estudo que nós fizemos em dezembro.”

O dirigente ressaltou que, mesmo diante do impacto do tarifaço dos Estados Unidos, a diversificação geográfica tem sustentado os embarques.

“Claro que tem país a mais [recebendo exportações], tem país que diminuiu [a compra], mas no conjunto das exportações a gente está mantendo esse equilíbrio”, completou.

Fonte: CNN Brasil

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Notícias, Portos

Dezenas de contêineres caem no mar em porto na Califórnia; vídeo

Algumas das caixas de 12 metros de comprimento estavam começando a submergir no mar, enquanto outras permaneciam flutuando, empilhadas umas sobre outras

Dezenas de contêineres de carga caíram de um navio atracado em um porto da Califórnia nesta terça-feira, interrompendo as operações no terminal de embarque. Vídeos mostram o momento em que os contêineres caíram como dominós de um enorme navio enquanto enormes guindastes de carga se moviam sobre ele no Porto de Long Beach, perto de Los Angeles.

Imagens aéreas mostram vários contêineres amassados ​​após caírem sobre o que parece ser uma embarcação de apoio. Vários reboques de contêineres também podem ser vistos cercando o Mississippi, de bandeira portuguesa.

Ainda não se sabe o que há dentro dos contêineres, mas jornalistas no terminal relataram ter visto sapatos e roupas flutuando na água. Algumas das caixas de 12 metros de comprimento estavam começando a submergir no mar, enquanto outras permaneciam flutuando, empilhadas umas sobre as outras.

Vários contêineres estavam pendurados precariamente na lateral do navio. A Guarda Costeira informou que pelo menos 67 contêineres caíram no mar por volta das 9h, horário local, mas ninguém ficou ferido no incidente.

“As operações de carga foram temporariamente suspensas no terminal enquanto os trabalhadores trabalham para proteger os contêineres”, disse Art Marroquin, porta-voz do porto.

O Porto de Long Beach é um dos mais movimentados dos Estados Unidos, movimentando cerca de US$ 300 bilhões em mercadorias anualmente, de acordo com seu website. É um dos terminais mais importantes para mercadorias da Ásia e se conecta a mais de 200 portos ao redor do mundo.

Fonte: O Globo
Vídeo: ABC7 News Bay Area

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Negócios

Banco do Brasil já prepara plano de contingência diante de possíveis sanções dos EUA

O Banco do Brasil (BB) está elaborando um plano de contingência para lidar com possíveis sanções financeiras adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, em decorrência da Lei Magnitsky. O objetivo é proteger clientes, como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e as operações da instituição, caso as restrições sejam intensificadas.

A Lei Magnitsky foi aplicada contra o ministro Moraes no final de julho. No entendimento do governo americano, o ministro ultrapassou suas funções ao restringir liberdades fundamentais e promoveu uma “caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras”.

A agência Bloomberg informou que o Banco do Brasil, maior instituição financeira de capital misto do país, está alinhando a estratégia com orientações jurídicas de escritórios de advocacia nos Estados Unidos.

Fonte: Gazeta do Povo

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Internacional, Mercado Internacional

EUA: Colheita da soja começa com 0 kg vendido à China e Brasil ocupa espaço

Maior comprador do grão do planeta parece boicotar americanos; exportadores dos EUA apelam a Donald Trump

colheita da safra de soja começa nos Estados Unidos com muita apreensão. Pela primeira vez na história, produtores iniciam o processo sem um único quilo vendido para a China. Diante da guerra comercial de Donald Trump, o maior comprador do grão do planeta segue em silêncio com os americanos.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revelam um cenário dramático aos exportadores americanos: a China não fechou nenhum contrato de compra de soja da safra 2025/26, que começa a ser colhida em setembro.

Nessa mesma época de 2024, sem a guerra comercial, chineses já tinham contratos futuros para 3,9 milhões de toneladas da soja. No ano anterior, eram 6,3 milhões de toneladas. Em 2022, o compromisso dos chineses era ainda maior: 11,4 milhões de toneladas.

Compra de soja dos EUA pela China

Em 28 de agosto de cada ano

Em toneladas métricas

A queda de 100% nos contratos com os chineses gera uma onda crescente de preocupação – quase pânico – entre os sojicultores americanos.

“A China não tem nenhum pedido de exportação de soja dos EUA para a safra 2025/26. Nesta época, em anos em que as disputas comerciais não eram um problema, a China encomendava uma média de 14% de suas compras de soja dos EUA”, cita a ASA, na sigla em inglês (Associação Americana da Soja).

A entidade que representa os sojicultores entende que o Brasil deve ocupar boa parte desse espaço: “clientes chineses compraram volumes recordes do Brasil entre abril e julho de 2025”, cita a ASA em relatório do fim de agosto.

Esse volume recorde pode ter sido uma “preparação” para o boicote chinês à soja americana.

Além disso, operadores do mercado de commodities citam que, nas últimas semanas, grandes compradores chineses fecharam contratos com exportadores do Brasil para compra de 8 milhões de toneladas em setembro e outras 4 milhões de toneladas em outubro.

Os exportadores americanos citam que produtores argentinos também avançam. No mês passado, foi anunciada a primeira venda de farelo de soja da Argentina para a China. O produto é destinado à fabricação de ração animal para aves e suínos – exatamente o principal destino dos grãos do Brasil e EUA na China.

Em 11 de agosto, o presidente Trump foi às redes sociais e acenou ao setor. Instou a China a quadruplicar a compra de soja diante da suposta preocupação de Pequim com a falta do alimento.

“Espero que a China quadruplique rapidamente seus pedidos de soja. Esta também é uma forma de reduzir substancialmente o déficit comercial da China com os EUA”, disse Trump.

Apesar do apelo, o volume de pedidos não foi quadruplicado. Ao contrário, caiu a zero.

Oito dias depois, os sojicultores enviaram uma carta a Trump. O documento, assinado por Caleb Ragland, presidente da ASA, cita que produtores “estão à beira de um precipício comercial e financeiro”. Por isso, apelou ao presidente para priorizar a soja nas conversas com Pequim.

“Pedimos que priorizem a soja e cheguem a um acordo que inclua a remoção das tarifas retaliatórias da China e, se possível, compromissos significativos de compra”, cita a carta.

Ragland agradece a Trump o post nas redes sociais, mas diz que a realidade é muito diferente – e cita o Brasil.

“Infelizmente para os nossos produtores de soja, a China firmou um contrato com o Brasil para atender às necessidades dos próximos meses, evitando a compra de soja dos Estados Unidos”, lamenta o representante dos exportadores americanos.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

EUA ameaçam tarifas e taxas portuárias para barrar acordo verde da IMO

Os Estados Unidos estão pressionando fortemente aliados e rivais a rejeitarem um acordo histórico das Nações Unidas para reduzir as emissões de combustíveis marítimos, informou a Reuters. Washington alertou que países que avancem com a estrutura proposta pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) poderão enfrentar uma série de medidas retaliatórias — desde tarifas e taxas portuárias até restrições de visto.

A intervenção extraordinária ocorre após meses de disputas na IMO sobre seu plano de emissão líquida zero para o setor de navegação, que deve ser votado no próximo mês.

“Estamos ativamente explorando e nos preparando para adotar medidas corretivas, incluindo tarifas, restrições de visto e/ou taxas portuárias, caso esse esforço seja bem-sucedido”, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA à Reuters. “Lutaremos com firmeza para proteger o povo americano e seus interesses econômicos.”

Sem regras claras e aplicáveis, os armadores não conseguem preparar suas frotas de forma responsável para o futuro.

A posição coloca os EUA em rota de colisão com a União Europeia e vários países do Pacífico e da Ásia que apoiam o acordo.

A ameaça de Washington de usar tarifas e acesso portuário como armas pode afundar anos de delicadas negociações sobre a trajetória climática do transporte marítimo.

Em declaração conjunta no mês passado, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Comércio Howard Lutnick, o secretário de Energia Chris Wright e o secretário de Transportes Sean Duffy afirmaram que o presidente Donald Trump não aceitaria “qualquer acordo ambiental internacional que imponha encargos excessivos ou injustos aos Estados Unidos ou que prejudique os interesses do povo americano.”

A estrutura proposta de emissão líquida zero, acordada em princípio pela maioria dos Estados-membros da IMO em abril, busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de navegação por meio da introdução de padrões de combustíveis e taxas sobre navios que não cumpram metas rígidas. Os defensores afirmam que as medidas são essenciais para alcançar as metas climáticas da IMO para 2050, mas a delegação dos EUA argumenta que as regras beneficiariam desproporcionalmente a China e penalizariam combustíveis em que a indústria americana é líder, como GNL e biocombustíveis.

A posição é consistente com a sessão do Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho (MEPC) de abril, quando os negociadores americanos abandonaram as discussões. Na votação de abril, 63 Estados-membros — incluindo China, Brasil e países da UE — apoiaram a estrutura, enquanto 16 se opuseram.

O acordo constitui um padrão de combustível, na forma de uma exigência quanto à intensidade de GEE da energia utilizada, acoplada a um mecanismo de precificação e comércio.

Navios que não reduzirem sua intensidade de emissões de gases de efeito estufa — incluindo dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — de acordo com duas trajetórias de redução delineadas nas novas regulamentações, que ainda precisam ser promulgadas na próxima reunião do MEPC em outubro, serão considerados como tendo um déficit de emissões. Esse déficit deverá então ser compensado com a compra de unidades corretivas.

A decisão de outubro exigirá uma maioria de dois terços — 108 dos 176 membros da IMO que ratificaram a convenção relevante — caso não seja alcançado consenso.

A IMO raramente recorre a votações, mas com o endurecimento das posições, uma votação formal parece cada vez mais provável.

ONGs ambientais condenaram a posição dos EUA, alertando que novos atrasos na regulamentação das emissões de combustíveis marítimos podem comprometer a capacidade do setor de atingir suas metas climáticas.

“A próxima sessão do MEPC em outubro oferece a plataforma adequada para tratar de quaisquer preocupações dos Estados-membros antes do processo de adoção”, disse no mês passado um porta-voz da IMO ao portal Splash.

Um porta-voz da BIMCO, o maior grupo de lobby da navegação, disse ao Splash que a posição dos EUA provavelmente não impedirá a implementação caso a estrutura seja aprovada, mas alertou que a não participação de Washington complicaria a fiscalização.

“Mesmo quando, ou se, os EUA registrarem reservas de que as regras não se aplicarão a eles, elas se aplicarão, porque todos os navios de bandeira não americana que operam no comércio internacional estão vinculados pela sua bandeira. Os navios americanos também terão que cumprir se operarem internacionalmente. A única opção é o comércio bilateral fora das regras”, explicou o porta-voz da BIMCO no mês passado.

Para os armadores, a maior dor de cabeça pode ser a incerteza que a postura dos EUA injeta nas decisões de investimento em combustíveis. A corretora SSY afirmou que os pedidos no segmento de granel seco continuam paralisados pela ausência de regras claras e estáveis, com os armadores se resguardando entre GNL, amônia e metanol na esperança de preparar suas frotas para o futuro.

“A confiança importa mais do que a retórica na navegação, pois, sem regras claras e aplicáveis, os armadores não conseguem preparar suas frotas de forma responsável para o futuro, e a descarbonização continuará sendo apenas um exercício custoso de gestão de riscos”, destacou a SSY em uma atualização recente de mercado.

Fonte: Splash 247

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Comércio Exterior

Produtores pedem que EUA suspendam importação de carne bovina do Brasil

A Associação Nacional dos Pecuaristas (National Cattlemen’s Beef Association, NCBA) dos Estados Unidos solicitou ao governo de Donald Trump que a carne brasileira seja vetada no país.

O que aconteceu
A solicitação foi exposta por Kent Bacus, diretor da NCBA, em carta ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). Na quarta, dia 3, ele testemunhou em audiência pública de investigação que apura se as práticas comerciais do Brasil são prejudiciais às empresas americanas, com base na Seção 301 da legislação de comércio americana.

“A NCBA apoia fortemente o presidente Trump em responsabilizar o Brasil, impondo tarifas de até 76% sobre bens brasileiros destinados ao mercado dos EUA. Este é um bom primeiro passo, mas o governo deve continuar a responsabilizar o Brasil por suas barreiras comerciais à carne bovina dos EUA e por sua falta de transparência e responsabilidade.” Kent Bacus, diretor da NCBA

Com os 50% do tarifaço em vigor, o Brasil paga hoje uma tarifa que supera os 76% para a venda de carne para os Estados Unidos -a taxa anterior era de 26%. O país norte-americano é o segundo principal destino da carne brasileira, atrás apenas da China.

A NCBA solicita ao governo Trump suspender as importações de carne bovina do Brasil até que um processo completo de auditoria e inspeção comprove que o Brasil possa atender a um nível equivalente de segurança alimentar e saúde animal

A NCBA destacou ainda as restrições do Brasil à carne bovina dos EUA e preocupações de longa data com o histórico do governo brasileiro em segurança alimentar e saúde animal. “Nos últimos cinco anos, o Brasil vendeu US$ 4,45 bilhões em carne bovina para consumidores americanos, mas não ofereceu acesso significativo à carne bovina dos EUA, implementando barreiras técnicas onerosas”, diz a associação.

O texto também aponta uma ‘falha do Brasil em relatar casos graves de saúde animal de forma oportuna’ e diz que o país sul-americano ‘repetidamente atrasou semanas, meses ou até anos para relatar casos de encefalopatia espongiforme bovina (BSE) atípica, enquanto usava o atraso para vender mais produtos’.

A NCBA foi a primeira a alertar sobre os problemas de segurança alimentar do governo brasileiro em 2017 e seus atrasos em relatar casos de BSE atípica em 2021 e 2023. Os Estados Unidos mantêm todos os parceiros comerciais nos mais altos padrões baseados em ciência, e o Brasil não deve ser a exceção

Nos últimos 40 anos, o governo brasileiro sofreu sete investigações abertas pelo USTR sob a chamada seção 301 da Lei de Comércio. Foram alvos do escrutínio americano setores como os de software, fármacos e automóveis, entre outros.

Fonte: UOL

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Comércio Exterior

Trump assina decreto de isenções tarifárias a parceiros comerciais

Mais de 45 categorias entram na lista de tarifas zeradas para importação de “parceiros alinhados”. Ordem entra em vigor a partir da próxima segunda-feira (8)

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (5), um decreto que oferece algumas isenções tarifárias a parceiros comerciais que fecharem acordos sobre exportações industriais como níquel, ouro e outros metais, além de compostos farmacêuticos e produtos químicos. A ordem entra em vigor a partir da próxima segunda-feira (8).

A ordem identifica mais de 45 categorias para tarifas zero de importação de “parceiros alinhados” que firmam acordos para cortar as tarifas e taxas “recíprocas” impostas por Trump sob o estatuto de segurança nacional da Seção 232. O decreto alinha as tarifas dos EUA com seus compromissos em acordos-quadro existentes, incluindo aqueles com aliados como o Japão e a União Europeia.

No documento, Trump afirma que sua disposição em reduzir tarifas depende do “escopo e do valor econômico dos compromissos de um parceiro comercial com os Estados Unidos em seu acordo de comércio recíproco” e dos interesses nacionais dos EUA.

Trump passou seus primeiros sete meses no cargo implementando aumentos tarifários massivos para reorganizar o sistema comercial global, reduzir os déficits comerciais dos EUA e obter concessões de países parceiros comerciais em negociações.

Categorias isentas

Os cortes abrangem itens que “não podem ser cultivados, minerados ou produzidos naturalmente nos Estados Unidos” ou produzidos em volume suficiente para atender à demanda doméstica.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que também cria novas exceções para alguns produtos agrícolas, aeronaves e peças, além de artigos não patenteados para uso em produtos farmacêuticos. Em situações em que um país tenha firmado um acordo comercial “recíproco” com os Estados Unidos, isso permitirá que o representante comercial dos EUA, o Departamento de Comércio e a alfândega isentem tarifas sobre importações cobertas sem uma nova ordem executiva de Trump, afirmou o funcionário.

Os itens com tarifa zero identificados na ordem incluem grafite e várias formas de níquel, um ingrediente essencial na fabricação de aço inoxidável e em baterias de veículos elétricos. Também estão abrangidos compostos usados ​​em medicamentos genéricos, incluindo o anestésico lidocaína e reagentes usados ​​em testes de diagnóstico médico.

A ordem abrange vários tipos de importações de ouro, desde pós e folhas até ouro em barras, uma importação importante da Suíça que enfrenta tarifas americanas de 39%, já que ainda não chegou a um acordo comercial. A ordem também permite a eliminação de tarifas sobre grafite natural, ímãs de neodímio e diodos emissores de luz (LEDs), além de eliminar isenções tarifárias anteriores sobre certos plásticos e polissilício, um componente essencial dos painéis solares.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Exportações catarinenses para os EUA caem 19,5% em agosto

Apesar do recuo, vendas do estado ao exterior sobem 1,54% no mês, puxadas por México, Chile e Argentina; acumulado ano ano registra alta de 5,9% nas exportações

As exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos recuaram 19,5% em agosto, em relação a igual período do ano passado. A despeito da queda, os EUA seguem como o principal destino dos embarques de produtos catarinenses. No oitavo mês do ano, as exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 119,2 milhões.

O economista-chefe da Federação das Indústrias (FIESC), Pablo Bittencourt, destaca que o desempenho reflete dois fatores associados ao tarifaço: a antecipação de pedidos por clientes norte-americanos – que estocaram produtos antes da entrada das tarifas em vigor – e a suspensão dos pedidos após a vigência da sobretaxa de 50%. “Foi uma redução significativa em agosto, mas foi um movimento que já esperávamos. Nos próximos meses teremos condições de analisar como as exportações para os Estados Unidos vão se comportar no futuro”, explica.

Considerando as vendas externas globais, o estado registrou alta de 1,54% em agosto, para US$ 971,4 milhões. O desempenho foi influenciado pelo incremento de vendas para países como México (+47,5%), Chile (+30,9%) e Argentina (+21,7%), segundo dados compilados pelo Observatório FIESC.

Pauta exportadora
Entre os principais produtos exportados pelo estado que apresentaram alta em agosto estão: carne de aves (+9,9%), soja (+16,1%), motores elétricos (+4,2%), transformadores elétricos (+28,7%) e papel kraft não revestido (+34,4%). Por outro lado, registraram queda: carne suína (-6,2%) e partes de motor (-42,7%). No setor de madeira e móveis, as exportações de obras de carpintaria para construções encolheram 34,9%, as de madeira compensada cederam 30%, as de outros móveis recuaram 17,2% e as de madeira serrada caíram 1%.

“O setor de madeira e derivados tem se mostrado um dos mais vulneráveis ao tarifaço. A elevada exposição aos Estados Unidos, combinada com a produção de itens customizados para aquele mercado, torna a situação complexa, sem perspectivas de solução no curto prazo”, explica Bittencourt.

Acumulado do ano
Os embarques de produtos catarinenses registraram aumento de 5,9% no acumulado de janeiro a agosto, para US$ 7,94 bilhões. Contribuíram para o resultado a alta nas exportações de proteína animal, principais itens da pauta. As vendas externas de carne de aves cresceram 8,1% no ano até agosto, para US$ 1,44 bilhão, enquanto as de carne suína avançaram 12,7%, para US$ 1,14 bilhão. Destacaram-se no período os embarques de carnes de aves para o México e de suína para o Japão.

O principal destino dos embarques foram os Estados Unidos, apesar do recuo de 1,3% no ano, até agosto. As exportações para a China, segundo país do ranking, também mostraram declínio (-6,3%), bem como para o México (-1,1%). Por outro lado, as vendas externas para a Argentina, terceira no ranking, cresceram 31,7% no ano, acompanhadas pelos embarques para o Japão – quinto principal destino – que subiram 13,8%. O crescimento de exportações para o Chile também foi destaque, com alta de 39,2% no ano, na comparação com os oito primeiros meses de 2024.

Importações
Considerando apenas o mês de agosto, as importações catarinenses recuaram 10,6%, para US$ 2,75 bilhões. As importações de partes e acessórios para veículos – terceiro item na pauta  – recuaram 12,6%, enquanto as compras de pneus de borracha caíram 29,8%. O destaque positivo foi o aumento de 150,9% nas importações de fertilizantes nitrogenados. O cobre refinado, primeiro item da pauta, registrou incremento de 12,9% nas importações. As importações recuaram nas cinco principais origens das compras catarinenses: China (-16,5%), EUA (-3,5%), Chile (-6,9%), Alemanha (-27,4%) e Argentina (-15,3%).

No acumulado do ano, as importações subiram 2,6%, para US$ 22,48 bilhões. A principal origem das importações segue sendo a China, com US$ 9,58 bilhões e alta de 2% frente ao registrado entre janeiro e agosto de 2024. Estados Unidos e Chile mostraram recuos de 6,6% e 3,3%, respectivamente. As importações da Alemanha cresceram 3,3% no ano, enquanto as argentinas recuaram 6,1% no período.


Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Agronegócio

Recuperações judiciais no agro podem bater recorde com ‘tarifaço’ dos EUA

O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu o maior patamar no 1º semestre de 2025. Segundo o Monitor RGF, ao fim do 2º trimestre havia 4.965 companhias em processo ativo, o que representa um crescimento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O setor agropecuário tem se mostrado entre os mais pressionados pela atual conjuntura. Dados oficiais da Serasa Experian mostram que, no 1º trimestre de 2025, foram registrados 389 pedidos de recuperação judicial ligados ao agro, um aumento de 44,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Dentro desse universo:

  • 195 pedidos de produtores pessoa física, alta de 83,9% em relação ao 1º trimestre de 2024;
  • 113 pedidos de produtores pessoa jurídica, crescimento de 31% na mesma base de comparação;
  • 81 pedidos de empresas da cadeia agroindustrial, aumento de 5,1% frente a 2024.

Sanções externas ampliam o risco

A tendência pode se acentuar diante do chamado tarifaço dos Estados Unidos, que prevê sobretaxas de até 50% em importações brasileiras, além de possíveis medidas financeiras adicionais.

Analistas avaliam que o movimento cria novos riscos para exportadores, encarecendo custos logísticos e reduzindo margens de empresas ligadas à soja, carnes e açúcar.

Para o advogado Antônio Frange Júnior, especialista em recuperação judicial, a situação exige planejamento estratégico antecipado: “A recuperação judicial não é um sinal de fragilidade, mas sim uma ferramenta moderna de gestão de crise. Em setores dependentes do mercado externo, como o agro, ela garante condições de reorganização financeira sem comprometer ativos produtivos”, avaliou.

Segundo ele, é cada vez mais comum que produtores busquem a medida de forma preventiva: “O cenário atual combina juros elevados, restrição de crédito e instabilidade internacional. Empresas que atuam no agro precisam avaliar cedo alternativas de reestruturação, para preservar empregos e manter a continuidade da cadeia produtiva”, acrescentou Frange.

Tendência para 2025

Economistas projetam que, mantidas as condições atuais de juros altos e pressões externas, o Brasil pode encerrar 2025 com o maior número de recuperações judiciais já registrado.

O impacto deve ser mais forte em segmentos com maior exposição internacional e margens mais estreitas, como transporte, agroindústria e pequenos produtores rurais.

Fonte: Compre Rural

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Economia

Dólar recua a R$ 5,38 após payroll reforçar expectativa de corte de juros nos EUA

EUA criam 22 mil vagas de trabalho em agosto, abaixo do esperado

O dólar à vista registra forte baixa frente ao real nesta sexta-feira (5), após o relatório de emprego (payroll) nos Estados Unidos confirmar a desaceleração do mercado de trabalho e o aumento da taxa de desemprego. Os dados reforçam as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião deste mês.

Vale destacar que a redução de juros nos EUA aumenta o carry trade — estratégia em que investidores tomam recursos em países com juros baixos para aplicar em países com juros mais altos — em relação aos juros brasileiros, atraindo recursos estrangeiros para economias emergentes.

Qual a cotação do dólar hoje?

Às 11h07, o dólar à vista caía 1,11%, aos R$ 5,387 na venda. Na B3 o dólar para outubro — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,82%, aos R$ 5.436 pontos.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 5,387
  • Venda: R$ 5,387

Dólar turismo

  • Compra: R$ 5,418
  • Venda: R$ 5,598

O que aconteceu com dólar hoje?

A divisa norte-americana já iniciou a sessão em baixa, com investidores à espera dos dados do relatório payroll. Com a divulgação dos números às 9h30, que vieram piores que o esperado, a queda das cotações se aprofundou.

A economia dos EUA abriu 22 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em agosto, após 79 mil em julho em dado revisado para cima. O dado ficou abaixo do esperado. Pesquisa da Reuters com economistas projetava abertura de 75.000 empregos fora do setor agrícola no mês passado. Já a taxa de desemprego ficou em linha com o esperado, a 4,3%. A expectativa era de um aumento da taxa de desemprego de 4,2% para 4,3%.

Após a divulgação dos números, os rendimentos dos Treasuries apresentavam fortes baixas, em meio à leitura de que o caminho para o Fed cortar juros este mês está aberto. Às 9h55, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 10 pontos-base, a 3,489%.

A perspectiva de corte de juros nos EUA fazia o dólar aprofundar perdas não apenas ante o real, mas também em relação às demais divisas no exterior. O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,60%, a 97,640.

Internamente, parte das atenções do mercado estará voltada para entrevista coletiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, convocada nesta manhã para as 11h.

Galípolo estará acompanhado dos diretores de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Correa; e de Regulação, Gilneu Vivan. O tema da coletiva são as medidas de reforço da segurança do Sistema Financeiro Nacional aprovadas em reunião da diretoria do BC. Uma das medidas será a criação de um teto para transferência de recursos por Pix e TED.

Fonte: Reuters

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