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Análise: Brasil compõe seleto grupo de 5 países que pode sair vencedor do “tarifaço”

O Brasil, como importador líquido de mercadorias dos Estados Unidos, exemplifica a maneira como alguns países podem tirar proveito da guerra tarifária

Dias após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tarifas que chocaram vários parceiros comerciais e os mercados globais, alguns países estão surgindo como possíveis vencedores, embora o risco de uma recessão induzida limite os ganhos.

Com aliados de longa data e parceiros comerciais próximos dos EUA, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, entre os mais atingidos – com tarifas de 20% ou mais – rivais que vão do Brasil à Índia e da Turquia ao Quênia veem uma luz no fim do túnel.

O Brasil está entre as economias que escaparam com a menor tarifa “recíproca” dos EUA, de 10%. Além disso, o país pode se beneficiar das tarifas retaliatórias da China, que provavelmente atingirão os exportadores agrícolas dos EUA.

As mais recentes tarifas dos EUA entrarão em vigor em 9 de abril.

O Brasil, como importador líquido de mercadorias dos Estados Unidos, exemplifica a maneira como alguns países podem tirar proveito da guerra comercial que Trump está travando principalmente contra a China e outros grandes exportadores que têm superávits comerciais com os EUA.

Marrocos, Egito, Turquia e Singapura

Marrocos, Egito, Turquia e Singapura, todos com déficits comerciais com os EUA, podem encontrar uma oportunidade nas dificuldades de países como Bangladesh e Vietnã, que têm grandes superávits e foram duramente atingidos por Trump.

Enquanto os dois últimos estão enfrentando tarifas esperadas de 37% e 46%, respectivamente, os outros, como o Brasil e a maioria de seus vizinhos, terão tarifas de 10% cada – mais como um tapinha na mão na nova ordem mundial de Trump.

“Os EUA não impuseram tarifas apenas ao Egito”, disse Magdy Tolba, presidente da joint venture egípcio-turca T&C Garments. “Eles impuseram tarifas muito mais altas a outros países. Isso dá ao Egito uma excelente oportunidade de crescimento.”

Tolba listou a China, Bangladesh e Vietnã como principais concorrentes do Egito no setor têxtil.

“A oportunidade está à vista de todos”, disse ele. “Nós só precisamos agarrá-la”.

A Turquia, cujas exportações de ferro, aço e alumínio foram afetadas pelas tarifas anteriores dos EUA, agora deve se beneficiar à medida que outros comerciantes globais enfrentam taxas ainda mais altas.

O ministro do Comércio, Omer Bolat, chamou as tarifas sobre a Turquia de “as melhores das piores”, considerando as taxas impostas a muitos outros países.

Da mesma forma, o Marrocos, que tem um acordo de livre comércio com os EUA, poderia emergir como um beneficiário relativo do sofrimento tanto da UE quanto das antigas potências asiáticas.

“A tarifa é uma oportunidade para o Marrocos atrair investimentos de investidores estrangeiros dispostos a exportar para os EUA, dada a tarifa comparativamente baixa de 10%”, disse um ex-funcionário do governo, falando sob condição de anonimato.

Ainda assim, o funcionário e outros observaram que os riscos se aproximam, com o perigo de que grandes investimentos chineses recentes, incluindo US$6,5 bilhões da Gotion High Tech para o que seria a primeira gigafábrica da África, possam atrair atenção negativa de Trump.

Rachid Aourraz, economista do Instituto Marroquino de Análise de Políticas (MIPA), um think tank independente em Rabat, observou que os setores aeroespacial e de fertilizantes do país ainda podem ser afetados.

“Embora o impacto direto pareça limitado, já que os EUA não são um mercado importante para as exportações do Marrocos, as ondas de choque criadas pelas tarifas e o espectro da recessão podem afetar o crescimento econômico marroquino”, disse ele.

O Quênia, país com o qual os EUA têm um superávit comercial, também pode ter efeitos mistos de um golpe tarifário relativamente leve. Os produtores de têxteis, em particular, expressaram a expectativa de que poderiam obter uma vantagem comparativa em relação aos concorrentes dos países mais afetados pelas tarifas.

Preocupações

Preocupações semelhantes estão ocorrendo em Cingapura, onde o índice de referência Straits Times caiu 7,5% na segunda-feira, a maior queda desde 2008, e ampliou as perdas nesta terça-feira.

Embora a cidade-Estado possa se beneficiar de alguns fluxos de investimento à medida que os fabricantes buscam diversificar, eles ainda estariam sujeitos a regras substanciais de fabricação e conteúdo local, disse Selena Ling, economista do OCBC.

“A história absoluta é que não há ‘vencedores’ se a economia dos EUA e/ou global sofrer uma parada brusca ou uma recessão”, disse ela. “É tudo relativo.”

Chua Hak Bin, economista do Maybank, acrescentou: “Cingapura não pode vencer em uma guerra comercial global, dada a forte dependência do comércio.”

A Índia, apesar de uma tarifa de 26%, ainda está procurando oportunidades nas dores de seus rivais asiáticos.

De acordo com uma avaliação interna do governo compartilhada com a Reuters, os setores em que a Índia pode ganhar participação de mercado nos embarques para os EUA incluem têxteis, vestuário e calçados. Logo após o anúncio da tarifa, o Ministério do Comércio indiano disse que estava “estudando as oportunidades que podem surgir devido a esse novo acontecimento na política comercial dos EUA”.

FONTE: InfoMoney
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URGENTE: União Europeia aprova tarifas retaliatórias contra os EUA com início em 15 de abril

A União Europeia (UE) acaba de aprovar seu primeiro conjunto de tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos, marcando uma escalada nas tensões comerciais entre os dois blocos.

Segundo informações da CNBC, as medidas, que entram em vigor em 15 de abril de 2025, visam responder às tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre aço e alumínio europeus, implementadas em 12 de março deste ano. O pacote inicial da UE prevê taxações de até 25% sobre uma gama de produtos americanos, totalizando cerca de 26 bilhões de euros em mercadorias, como forma de proteger os interesses econômicos do bloco.

A decisão foi anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que classificou as tarifas americanas como um “grande golpe” para a economia global. Em declaração oficial, von der Leyen destacou que a UE está finalizando contramedidas adicionais, a serem implementadas caso as negociações com Washington não avancem. Produtos como bourbon, motocicletas e jeans estão entre os alvos iniciais, enquanto setores como serviços digitais podem ser incluídos em etapas futuras, segundo fontes do governo francês. A medida reflete a determinação da UE em retaliar, mas também a disposição para buscar um acordo que evite uma guerra comercial mais ampla.

A resposta europeia ocorre em um momento de crescente preocupação com o impacto do protecionismo no comércio internacional. Líderes como a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, enfatizaram a necessidade de diálogo para evitar prejuízos mútuos, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, defende suas tarifas como uma forma de corrigir desequilíbrios comerciais. Com exportações da UE para os EUA avaliadas em 334 bilhões de euros em 2024, contra 532 bilhões na direção oposta, o bloco tem menos margem de manobra, mas promete uma reação “adequada”. A próxima reunião dos ministros do Comércio da UE, em Luxemburgo, deve detalhar os próximos passos dessa disputa que pode redefinir as relações transatlânticas.

FONTE: Diário do Brasil Noticia
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Com tarifaço, suco de laranja pode pagar mais de R$ 1 bilhão para entrar nos EUA

A cadeia de suco de laranja também está preocupada com o tarifaço do presidente americano Donald Trump.

A ordem executiva de uma tarifa adicional de 10% sobre o suco pode representar R$ 100 milhões a mais de impostos pagos pelas exportadoras brasileiras. No geral, se levado em conta todos os tributos incidentes sobre a entrada da bebida, são US$ 200 milhões ou R$ 1,1 bilhão anuais, revela a CitrusBR, entidade que representa as exportadoras Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus.

Os Estados Unidos respondem por 37% das exportações brasileiras do produto. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela CitrusBR, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, foram embarcadas 207,2 mil toneladas de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ 66 Brix), no valor de US$ 879,8 milhões em faturamento.

Com base no desempenho atual da safra 2024/25 e projetando-se uma exportação anualizada de 235,5 mil toneladas ao mercado americano, o impacto da nova tarifa pode atingir cerca de US$ 100 milhões por ano, ou R$ 585 milhões considerando o câmbio de R$ 5,85 por dólar.

Esse valor se soma aos tributos já incidentes, como a tarifa de US$ 415 por tonelada de FCOJ equivalente a 66 Brix. Segundo a CitrusBr, apenas em 2024, esse tributo representou US$ 85,9 milhões em pagamentos. Assim, somando-se as tarifas atuais e a nova medida, o total de impostos pode atingir cerca de US$ 200 milhões anuais, ou aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

Apesar do cenário, a CitrusBr afirma que as que “empresas brasileiras seguem, de forma individual e com base em suas estratégias comerciais, abastecendo o mercado dos Estados Unidos com suco de laranja de alta qualidade”.

“O setor lamenta, no entanto, que a medida tenha sido adotada sem considerar o histórico de complementaridade entre a produção brasileira e a indústria da Flórida, além da relação de longo prazo com empresas engarrafadoras que atuam nos Estados Unidos.”

Fonte: Globo Rural
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Ex-chefe da OMC vê menos comércio e mais inflação com tarifas dos EUA

Roberto Azevêdo diz que correção de curso de Trump terá que vir de pressão doméstica

Roberto Azevêdo, o diplomata brasileiro aposentado que liderou a Organização Mundial do Comércio entre 2013 e 2020, acredita que Donald Trump pode eventualmente ser forçado a suavizar sua política tarifária – mas apenas sob pressão crescente do Congresso, dos tribunais e do setor privado dos EUA.

“Duvido que qualquer correção de curso venha espontaneamente da Casa Branca”, disse Azevêdo. Em sua opinião, a pressão por ajustes nas novas regras aumentará à medida que os consumidores começarem a sentir a picada do aumento dos preços das importações e a economia dos EUA desacelerar ou reverter. “Há uma expectativa crescente nos EUA de uma recessão iminente. O aumento da inflação é uma certeza matemática.”

O Sr. Azevêdo é atualmente o presidente global de operações da Ambipar, uma empresa brasileira de serviços ambientais. Ele concorda com muitos analistas que veem a nova política dos EUA como uma ruptura com a ordem internacional e diz que as disputas provocadas por essas tarifas inevitavelmente se espalharão para relações diplomáticas mais amplas. Abaixo estão os principais trechos da entrevista dada pelo Sr. Azevêdo de sua casa em Stamford, Connecticut:

ValorComo você caracterizaria as mudanças trazidas pelas tarifas impostas pelos EUA?

Roberto Azevêdo: Acho que estamos testemunhando um momento verdadeiramente histórico – e não uso esse termo levianamente. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando as instituições de Bretton Woods foram criadas – junto com as Nações Unidas – o sistema vem evoluindo. Estamos falando de 1947, quase 80 anos atrás. A ordem internacional – tanto política quanto econômica – desenvolveu-se por meio de instituições como a ONU, o Conselho de Segurança, a Organização Mundial da Saúde, a Organização Internacional do Trabalho, o FMI, o Banco Mundial e a OMC, que já foi GATT. O sistema que temos hoje não é o mesmo de 1947. Evoluiu por meio de negociações e adaptações, acompanhando as realidades políticas e econômicas.

O que estamos vendo agora não é evolução – é uma ruptura com a ordem que vem se desenvolvendo nas últimas oito décadas. Economicamente, isso é evidente nas tarifas que o presidente Trump está impondo, que violam as regras acordadas ao longo de décadas. Mas também é político: a retirada dos EUA da OMS, do Acordo Climático de Paris e seu questionamento de várias outras organizações e agências. É uma ruptura profunda e séria – e ainda não sabemos o que virá a seguir.

ValorAo causar tanta perturbação e insatisfação globalmente, os EUA estão se tornando um parceiro menos confiável?

Sr. Azevêdo: Dado o colapso contínuo de vários acordos – incluindo aqueles feitos durante o primeiro mandato de Trump – qualquer negociador que aceite uma oferta dos EUA pelo valor de face, sem considerar o contexto político e econômico mais amplo, está assumindo um sério risco. Aceitar cegamente o que é colocado na mesa neste ambiente é extremamente perigoso.

ValorA China e a UE já responderam às tarifas dos EUA. Que impacto esse amplo aumento nas tarifas pode ter na economia global?

Sr. Azevêdo: Historicamente, a última vez que vimos algo semelhante foi em 1930, quando os EUA aprovaram a Lei Tarifária Smoot-Hawley – sem dúvida o precedente mais próximo. Essa legislação aumentou as tarifas sob o pretexto de aumentar a receita tributária. O que se seguiu foi uma depressão comercial – distinta da depressão econômica mais ampla – que viu dois terços do comércio global desaparecerem em quatro anos. Não foi apenas o aumento das tarifas dos EUA, mas as retaliações que se seguiram.

ValorA animosidade provocada pelas tarifas pode afetar outros aspectos das relações diplomáticas? Ou essas disputas permanecem confinadas ao comércio?

Sr. Azevêdo: Raramente eles ficam confinados. Eu diria com alta probabilidade que essas tensões se espalharão para outras áreas da política internacional. Especialmente quando as tarifas são usadas para pressionar os países em questões não comerciais. Veja o Canadá e o México, onde os EUA usaram a influência comercial para pressionar por controles de fronteira mais fortes e fiscalização da migração. Até a Dinamarca foi pega pela Groenlândia. Então, sim, as tensões comerciais muito provavelmente afetarão outros aspectos das relações exteriores.

Geopoliticamente, isso já está acontecendo. Você vê a China se engajando em negociações de alto nível com aliados tradicionais dos EUA – Europa, Japão, Coreia do Sul. Rotas da cadeia de suprimentos, parcerias internacionais – tudo isso terá que ser repensado. A definição de um parceiro confiável está sendo reexaminada.

ValorCom os mercados financeiros reagindo negativamente, há uma chance de Trump ajustar sua política tarifária?

Sr. Azevêdo: Duvido que tal mudança venha voluntariamente da Casa Branca. Mas pode acontecer se o Congresso, os tribunais e, especialmente, o setor privado começarem a pressionar. A desaceleração do mercado não é acidental – é um reflexo da crescente preocupação com uma recessão iminente. O aumento da inflação é uma certeza matemática. A inflação é inevitável.

A única coisa que poderia detê-lo seria uma recessão severa que deprime a demanda o suficiente para impedir que os preços subam. Quem se beneficia das tarifas? Alguns setores nos EUA A ideia é trazer as fábricas de volta ao solo americano – mas isso não vai acontecer da noite para o dia. Pode levar cinco anos ou mais.

Alguns estados podem se beneficiar. Alguns milhares de pessoas podem conseguir emprego em fábricas recém-realocadas – mas apenas se essas mudanças forem viáveis. Muitas vezes, fatores logísticos e econômicos inviabilizam a realocação.

A verdadeira questão é que quaisquer benefícios serão isolados, enquanto os custos serão generalizados. A inflação afeta a todos, independentemente de tendências políticas ou econômicas. A recessão cortará empregos em todos os setores. Isso cria uma pressão política doméstica real e intensa. Não tenho certeza de quanto tempo essa política da Casa Branca pode durar sem ajustes. Como esses ajustes vêm – por meio de negociações ou de outra forma – eu não posso dizer. E duvido que alguém mais possa, também.

ValorSe essas tarifas persistirem ao longo do ano, qual será o impacto no comércio global e na economia em geral?

Sr. Azevêdo: Essa é outra certeza matemática. As tarifas, não importa onde sejam aplicadas ou a quem sejam direcionadas, levarão a dois resultados: um declínio no comércio global – já que a demanda cairá – e uma reconfiguração dos fluxos comerciais. As mercadorias bloqueadas em um mercado serão redirecionadas para outro lugar. Esses mercados, por sua vez, se moverão para se proteger. A UE já está se preparando para um aumento nos produtos chineses. Eles disseram o que todos estão pensando: produtos destinados aos EUA, China, Europa ou Índia agora precisarão encontrar novos destinos. Isso vai criar uma competição acirrada pelos mercados. E nada disso ajuda o crescimento econômico global.

ValorApesar das consequências negativas, alguns países ainda podem se beneficiar? Por exemplo, o Brasil, como grande exportador de commodities, poderia encontrar novas oportunidades?

Sr. Azevêdo: Sem dúvida. Vi vários meios de comunicação dos EUA hoje mencionando o Brasil como um potencial beneficiário de curto prazo se as exportações agrícolas dos EUA enfrentarem barreiras. Isso é totalmente plausível. No entanto, por outro lado, não há garantia de que as condições não mudem novamente. Esses são provavelmente ganhos específicos do setor de curto prazo. A duração do benefício é difícil de prever. No curto prazo, sim, alguns setores brasileiros podem aproveitar as oportunidades. Quais? Isso dependerá de como as negociações internacionais se desenrolam e se a retaliação comercial pode ser evitada.

ValorMalaysia is trying to coordinate a regional response among Southeast Asian countries. Do you foresee coordinated reactions to U.S. policy?

Sr. Azevêdo: É quase impensável que os países não se coordenem. Se eu fosse um negociador, estaria sondando outros governos. Como a coordenação acontece, quais são os resultados, se funciona – tudo isso é difícil de dizer. Mas pensar que cada país agirá sozinho ou apenas tentará fechar acordos bilaterais com Washington é uma abordagem tacanha.

ValorEssa coordenação aumentaria a pressão sobre os EUA?

Sr. Azevêdo: É difícil dizer. Pode ir de qualquer maneira. Os EUA podem reagir dobrando a aposta.

ValorPara o Brasil, a coordenação significaria trabalhar por meio do BRICS ou com outros países da América do Sul?

Sr. Azevêdo: Em uma situação como essa, o Brasil deve explorar todos os caminhos – envolver-se com os BRICS, conversar com os vizinhos sul-americanos e considerar quaisquer outras opções. A chave é seguir uma estratégia com a maior chance de sucesso.

FONTE: Valor Internacional
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China promete lutar ‘até o fim’ contra tarifas anunciadas por Trump nos EUA

Governo chinês afirmou, nesta terça-feira (8), que vai retaliar medida inaceitável do americano

A tensão entre China e Estados Unidos voltou a escalar nesta terça-feira (8), após o governo chinês prometer que lutará contra as tarifas americanas “até o fim”. A reação veio após o presidente Donald Trump ameaçar novas taxas sobre produtos chineses, intensificando o embate comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Mesmo com o impacto negativo nas Bolsas na segunda-feira (7), Trump não demonstrou intenção de rever sua política comercial agressiva. A queda global nos mercados refletiu o receio de uma possível recessão mundial provocada pela disputa tarifária.

Na semana passada, a China respondeu às tarifas impostas pelo Estado Unidos anunciando uma taxa de 34% sobre produtos americanos, com início marcado para a próxima quinta-feira (9). Pouco depois, Trump rebateu a medida ameaçando elevar as tarifas a um total de 104%.

“Tenho um grande respeito pela China, mas não podem fazer isso”, disse Trump na Casa Branca.

A postura americana foi criticada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, que condenou as “pressões, ameaças e chantagens” dos Estados Unidos. Já o Ministério do Comércio chinês classificou a atitude como “um erro após o outro” e afirmou que as ameaças americanas “expõem, mais uma vez, a natureza chantagista dos Estados Unidos”.

“Os Estados Unidos insistem em seguir seu próprio caminho, a China lutará até o fim”, declarou o ministério. A nota acrescenta que o país asiático tomará “contramedidas” para proteger seus “direitos e interesses”, embora mantenha o apelo por “diálogo”.

Oscilações nos mercados

As Bolsas registraram uma recuperação nesta terça-feira (8), após uma segunda-feira de quedas nos mercados da Ásia, Europa e Estados Unidos.

Tóquio fechou em alta de mais de 6%, após ter caído 8%. Na Europa, os principais índices também abriram com valorização.

Especialistas apontam que a guerra comercial pode trazer efeitos negativos como inflação, aumento do desemprego e desaceleração do crescimento econômico global.

Trump argumenta que os Estados Unidos foram “saqueados” economicamente por outras nações ao longo dos anos. Por isso, na semana passada, anunciou uma tarifa geral de 10% sobre todos os produtos importados, além de taxas específicas para determinados países: 20% para membros da União Europeia e 46% para o Vietnã, que entra em vigor a partir de quarta-feira (9).

Diante da medida, os 27 países da União Européia tentaram articular uma resposta conjunta e propuseram uma isenção total e recíproca de tarifas para produtos industriais, incluindo automóveis.

“Não, não é suficiente”, rebateu Trump, criticando os europeus por não comprarem produtos industriais americanos em volume satisfatório.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou que as tarifas anunciadas em 2 de abril visam fortalecer a posição dos EUA nas negociações. Segundo ele, quase 70 países já entraram em contato com Washington, e o presidente Trump estará pronto para negociar quando houver garantias sobre a abertura dos mercados estrangeiros aos produtos americanos.

FONTE: Rádio Itatiaia
China promete lutar ‘até o fim’ contra tarifas anunciadas por Trump nos EUA – Rádio Itatiaia

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Dólar fecha em alta após Trump ameaçar China com tarifa adicional de 50%

O dólar à vista voltou a fechar em forte alta diante do real nesta segunda-feira, seguindo a tendência de outras moedas emergentes, em meio à escalada das preocupações com a guerra comercial de Donald Trump.

O presidente americano fez nova ameaça à China, de impor mais 50% em tarifas, caso o país não volte atrás na retaliação contra os produtos americanos anunciada na sexta-feira.

O dólar chegou a registrar uma queda pontual pela manhã em meio ao boato de que os EUA fariam uma pausa nas tarifas para abrir espaço para negociações com outros países, mas o rumor foi logo desmentido pela Casa Branca.

O dólar à vista fechou em alta de 1,30%, a R$ 5,9106, após oscilar entre R$ 5,8169 e R$ 5,9324. Às 17h05, o dólar futuro para maio subia 0,85%, a R$ 5,9335.

Lá fora, o índice DXY tinha alta de 0,42%, aos 103,454 pontos. O euro caía 0,34%, para US$ 1,0917. E a libra recuava 1,37%, a US$ 1,2719.

Data Compra Venda Variação Variação
01/04/2025 5,6827 5,6833 -0,39% -0,0224
02/4/2025 5,698  5,6986 0,27% 0,0153
03/4/2025 5,6279 5,6285 -1,23% -0,0701
04/4/2025 5,8349 5,8355 3,68% 0,207%
07/4/2025 5,91 5,9106 1,29% 0,0751

Fonte: ADVFN News
Dólar fecha em alta após Trump ameaçar China com tarifa adicional de 50% | ADVFN News

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Como fica o Brasil com as bolsas derretendo no mundo?

Escalada tarifária iniciada por Donald Trump provoca queda nos mercados, alta do dólar e incertezas sobre os rumos da economia global

Os mercados estão instáveis frente à guerra comercial iniciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na última semana, e as respostas de outros países, sobretudo a China, que já anunciou taxas recíprocas de 34%.

O Vix, popularmente conhecido como o “índice do medo” de Wall Street, ultrapassou 60 na manhã de segunda-feira, número mais alto desde agosto passado. Bolsas em todo o mundo abriram essa segunda-feira (7) estendendo o clima negativo visto ao fim da semana passada. Na Ásia, a bolsa de Tóquio chegou a acionar o circuit breaker, interrompendo momentaneamente as operações. O mesmo cenário de perda é visto na Europa e nos mercados dos Estados Unidos.

O Brasil também não passou ileso, com dólar voltando a ser negociado acima de R$ 5,90. A falta de clareza foi tema da fala do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em evento da autarquia nesta manhã em São Paulo. “Hoje, o tema de incerteza e volatilidade está mais espalhado no mundo”, disse. A incerteza quanto aos próximos passos de Trump e das reações dos países causa a volatilidade dos ativos, explica o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Spinola. Com a economia globalmente interligada, o Brasil também é afetado.

“O Brasil vai ter algum efeito direto das exportações para os EUA. Porém, o maior efeito mesmo vai ser esse indireto, pois a gente não consegue escapar diante disso, principalmente com as empresas que operam nos Estados Unidos e também com as empresas que operam com os preços internacionais e com commodities”, afirma Spinola.

Entre as incertezas, o economista cita possíveis cortes dos juros nos EUA e possíveis efeitos na inflação. “Então, por isso, essa volatilidade tão grande, essa dúvida sobre o que será definitivo ou não. Isso diminui a intenção de comprar renda variável no mundo”, acrescenta. Na avaliação do estrategista-chefe e head de Research da XP, Fernando Ferreira, as incertezas do mercado mexem com as decisões das empresas de investir e gerar lucro e dos consumidores de irem às compras. Esse cenário pode colocar a economia global em recessão.

“Os mercados já estão reagindo fortemente a esse risco. Mais de US$ 10 trilhões evaporaram das Bolsas globais apenas nos últimos 3 dias”, disse em análise publicada na segunda. Segundo levantamento feito por Ferreira, dados históricos mostram que, durante recessões econômicas, o S&P 500 tende a cair entre 20% e 30% desde o pico, com algumas exceções que tiveram quedas maiores (entre -40% e -50% em 1973, 2000 e 2008). Ou seja, de acordo com a reação do mercado, uma recessão já estaria começando a ser precificada. Fernando Ferreira afirma que os investidores esperavam que o presidente Trump trouxesse medidas de redução de gastos e de impostos corporativos aos EUA e que as tarifas ficassem somente no campo da tática de negociação típica do republicano. 

“Não foi o que observamos até agora, pois o governo Trump optou por focar suas energias nas políticas de tarifas, que não são apenas retórica, enquanto as outras pautas parecem ter ficado para depois”, diz. Na manhã desta segunda, o presidente dos EUA afirmou que manterá a sua posição frente às tarifas impostas aos países estrangeiros. “Fomos tratados tão mal por outros países porque tivemos uma liderança estúpida que permitiu que isso acontecesse”, comentou Trump, que descartou um acordo com a China, a menos que o déficit comercial dos EUA com o país asiático diminua.

FONTE: CNN Brasil
Como fica o Brasil com as bolsas derretendo no mundo? | CNN Brasil

 

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UE diz que acordo comercial com o Mercosul é uma “grande oportunidade” devido às tarifas dos EUA

Fechar um acordo comercial com o bloco Mercosul seria uma “grande oportunidade” para a União Europeia, dadas as incertezas provocadas pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adotar uma nova rodada de tarifas, disse um porta-voz da UE nesta sexta-feira.

© Reuters. Bandeiras da União Europeia na sede da Comissão Europeia em Bruxelas
19/09/2019 REUTERS/Yves Herman
“Vamos investir muito tempo e energia com os Estados membros para finalizar o acordo”, acrescentou.

Apesar das reservas anteriores, a França realizou na quinta-feira uma reunião com 10 países da UE para discutir um possível acordo comercial com o Mercosul, sinalizando disposição de diversificar as parcerias comerciais.

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FONTE: Investing.com
Poupança no Brasil registra 3º mês seguido de saques em março, diz BC Por Reuters

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Brasil foi beneficiado ou prejudicado por tarifas de Trump? Saiba quais setores são mais atingidos

O presidente americano, Donald Trump, pode ter inaugurado uma nova era do comércio mundial com o anúncio do tarifaço, na quarta-feira, 2, segundo muitos analistas.

Os efeitos prometem ser disseminados, duradouros e abrangentes — tanto em produtos quanto em origens. Também podem redirecionar as vendas transnacionais e trazer para o Brasil exportações que seriam feitas para os Estados Unidos.

Por conta de tudo isso, as previsões de ganhos e perdas para o Brasil ainda trazem muitas incertezas, mas as contas já estão sendo feitas. O cenário desenhado não é visto pelos analistas como benéfico ao Brasil, mesmo que o anúncio da quarta-feira tenha sido recebido com certo alívio, com uma alíquota para o País mais favorável relativamente aos concorrentes comerciais.

“Começamos a vivenciar uma das maiores fricções, se não for a maior, do comércio global desde o acordo de tarifas de 1947. Todas as relações de comércio estão sendo reavaliadas a partir daqui”, afirma o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato. “Muitos dos investimentos atuais foram feitos sob as regras anteriores, e considerando uma previsibilidade tarifária. O anúncio fomenta a incerteza. Vai haver um período de adaptação e produzir uma desaceleração da economia global, com fluxos de capitais mais retraídos.”

Do ponto de vista da balança comercial, os maiores impactos, se não forem estabelecidas exceções para esses produtos e para o Brasil, estarão nos setores que vendem mais para os EUA, casos do petróleo, café, papel e celulose, aço e ferro e aeronaves. Mas, dentro desse grupo, há expectativas diferentes e que podem mudar.

O presidente Donald Trump anunciou novas tarifas, na quarta-feira, 2, em Washington Foto: Mark Schiefelbein/AP

Por exemplo, entre as commodities agrícolas brasileiras mais vendidas para os EUA, estão o café e o suco de laranja. “Mas o café não tem produção local nos EUA, já o suco de laranja enfrenta competição local, que vai ser beneficiada por não pagar a tarifa”, diz o advogado especialista em comércio internacional Rodrigo Pupo, do escritório MPA Trade Law.

É um caso similar ao da indústria de aeronaves brasileira, mais especificamente, da Embraer. Com atuação na produção de jatos médios e executivos, ela tem como concorrentes diretos a canadense Bombardier e empresas chinesas, dois dos países mais afetados pela ofensiva de Trump. A americana Boeing não atua no mesmo nicho que a brasileira.

Outro efeito que deve advir da nova configuração depende da reação dos países mais afetados pela nova configuração comercial. A União Europeia, a China e nações do Sudeste Asiático estão entre as mais taxadas. Elas podem redirecionar parte da produção que iria para os EUA para países da América Latina, em especial, para um grande mercado como o Brasil.

“O Brasil é um forte candidato para receber essas exportações, porque tem um mercado consumidor relevante”, diz Renê Medrado, sócio e especialista em comércio internacional e direito aduaneiro do escritório Pinheiro Neto Advogados.

Ameaça à indústria, oportunidade ao agro

Há o risco de uma enxurrada de produtos baratos sendo trazidos para o País, que pode ameaçar setores industriais, como já aconteceu quando a China passou a vender fortemente pneus, painéis solares e aço no Brasil a preços muito inferiores ao da produção local. Esses impactos podem começar a ser medidos nos próximos dias.

Por outro lado, commodities agrícolas têm potencial para fazer o caminho inverso. Com a possível resposta da China de restringir a importação de produtos agrícolas americanos, em retaliação, o Brasil pode ocupar mais espaços nas vendas para o mercado asiático. “A pauta brasileira concorre com o produto americano, como em soja e proteína animal. Inclusive, o Brasil pode abrir exportações para o Japão, que pode passar a comprar o produto brasileiro até como forma de proteção para o fornecimento americano”, afirma Pupo.

A política comercial externa brasileira, muito menos agressiva do que a do governo Trump, será pressionada a abrir espaço para a formação de alianças estratégicas de longo prazo. “O Brasil tem buscado construir relações mais sólidas com a União Europeia, com a China e, mais recentemente, com o Japão”, afirma Carlos Fadigas, fundador da consultoria CF Partners e com larga vivência no setor industrial.

O consultor afirma que o País poderá obter vantagens e desvantagens, considerando o impacto grande nos fluxos de comércio global e a complexidade do tema. “Ainda assim, o país tende a colher mais benefícios do que prejuízos, considerando o cenário de forma agregada”, afirma o consultor.

Ele diz que, em primeiro lugar, o Brasil manterá acesso à maior economia do mundo com tarifas, em média, menores do que as aplicadas a outros países — especialmente quando comparadas às impostas à China.

Setorialmente, Fadigas avalia que exportadores brasileiros com foco na China — que vão desde o minério de ferro até o frango, passando pela soja — tendem a se beneficiar de um aumento no fluxo de comércio com a Ásia. “Desde o início do governo Trump, a China vem intensificando sua aproximação com a América Latina, especialmente com o Brasil”.

Impacto na inflação

Como as redes de comércios e os seus efeitos são bastante complexos, mesmo notícias negativas, como uma possível enxurrada de produtos chineses no Brasil, pode trazer um benefício de curto prazo macroeconômico. “Depois da questão fiscal, o tema que mais assola o País e prejudica a popularidade do governo é a inflação, que obriga a juros mais altos. Pode ser conveniente ao Brasil permitir a importação de produtos baratos. Acho que a resposta inicial do País vai ser quieta no começo”, diz Honorato, do Bradesco.

Num segundo momento, a expectativa é de que essa superoferta global acabe se ajustando, defende o economista. “As empresas não vão ficar olhando uma queda global da demanda, e então vão cortar a produção. Deve ocorrer um equilíbrio para uma demanda global menor, com um choque de oferta clássico”, afirma Honorato.

Por exemplo, no setor de vestuário, que deve ser um dos mais afetados no mundo, e que tem forte produção em Bangladesh e Vietnã, é relativamente simples fazer uma mudança para os EUA ou baixar o volume de fabricação. Já, em outros, o reequilíbrio de oferta é mais complicado, como na siderurgia, que exige ciclos de investimentos longos, de vários anos.

Quanto ao risco da chegada de produtos de menor custo vindos da Ásia, o Brasil pode ter formas de se defender dessa ameaça. “Isso pode afetar a competitividade dos produtores nacionais. Porém, o Brasil dispõe de mecanismos para mitigar esses impactos, como a aplicação de medidas antidumping e o uso seletivo e criterioso de tarifas, capazes de proteger os setores mais vulneráveis da economia nacional”, diz Fadigas.

O cálculo de benefício líquido para o Brasil, observa Medrado, do escritório Pinheiro Neto, tem de ser feito setor a setor e vai exigir muita estatística e muita observação empírica a respeito do desenvolvimento desses mercados. “Essa é uma análise bem econômica, porque precisa comparar os fluxos comerciais por produto, com os outros países que concorrem com tal produto”.

Por exemplo, se existe um determinado tipo de aço exportado do Brasil aos EUA, e as exportações que concorrem com o Brasil são da China, EUA e Vietnã, o Brasil vai se beneficiar. Agora, se a Argentina for também uma exportadora, como o país ficou com o mesmo patamar do Brasil, haveria uma divisão de ganho entre os dois países. Isso terá que ser feito de produto a produto. É um exame bem detalhado, com base em estatística de comércio.

FONTE: Estadão e MSN
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Ex-funcionário do CAF critica alívio do Brasil sobre tarifa dos EUA

Jorge Arbache, ex-vice-presidente para o setor privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina, diz que a taxa de 10% ainda aprofunda o desequilíbrio comercial com os EUA.

Embora o Brasil tenha sido um dos menos afetados pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump aos parceiros comerciais, a taxa de 10% sobre as exportações brasileiras para os EUA deve aprofundar o desequilíbrio em uma relação em que os EUA já têm mais vantagens, segundo Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).

“Os EUA têm um superávit comercial de longa data em bens com o Brasil. O excedente em serviços é enorme. Quando se trata de repatriação de lucros, o superávit é ainda maior. As empresas de tecnologia pagam poucos impostos aqui, e os serviços que prestam não são devidamente registrados como importações de serviços – eles são amplamente subestimados. Com base na metodologia utilizada e nos déficits do Brasil, estaríamos justificados em aumentar as tarifas. Então, o Brasil sai pior. Não entendo por que o Brasil está comemorando ‘apenas’ uma tarifa de 10%”, disse Arbache, que já atuou como vice-presidente para o setor privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

O significativo déficit comercial do Brasil com os EUA foi citado por autoridades brasileiras em conversas com Washington. Na noite de quarta-feira (2), poucas horas após o anúncio tarifário de Trump, o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e o Itamaraty emitiram uma declaração conjunta destacando que, somente em 2023, os EUA registraram um superávit de US$ 7 bilhões no comércio de mercadorias com o Brasil, com base em dados do governo dos EUA. Incluindo bens e serviços, o superávit totalizou US$ 28,6 bilhões. “Este é o terceiro maior superávit comercial que os EUA têm em todo o mundo”, disse o comunicado.

“Em termos relativos, estamos em pior situação. Já tínhamos um déficit comercial com eles, e agora teremos isso mais uma tarifa extra. Então, você pode dizer que saímos bem? Claro que não. Mas em comparação com os outros, sim, nos saímos melhor”, disse Arbache ao Valor.

Ele também apontou para a subestimação das importações de serviços devido a acordos que efetivamente protegem as empresas de tecnologia da tributação no Brasil. O governo estuda maneiras de tributar as grandes empresas de tecnologia desde o ano passado, mas a questão ainda não avançou no Congresso. Em março, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, disse que o tema seria uma “agenda prioritária” este ano.

Arbache argumentou que o Brasil não tem influência para pressionar unilateralmente por uma revisão das regras internacionais que protegem a propriedade intelectual e beneficiam setores como o de tecnologia. No entanto, ele acredita que outros atores, como a China e a União Europeia, poderiam agir para mudar essas estruturas.

“Não acho que o Brasil tenha poder de barganha para enfrentar isso sozinho. Mas é possível que o TRIPS – o acordo que deu aos EUA tantas vantagens – possa ser revisado pela Europa, China e outros. Nesse contexto, o Brasil poderia reavaliar sua posição. Mas confrontar os EUA unilateralmente seria arriscado e possivelmente imprudente”, disse ele.

Parceiros asiáticos

Olhando para o futuro, Arbache espera novos desenvolvimentos na Ásia, o principal alvo da política tarifária do presidente Trump. Países como China (34%), Indonésia (32%) e Vietnã (46%) estavam entre os mais atingidos.

“Com essas penalidades na Ásia, o comércio intra e inter-regional – que já estava se expandindo – acelerará rapidamente. A mudança do centro de gravidade econômico do Atlântico para a Ásia provavelmente ganhará um grande impulso, o que poderia corroer ainda mais a economia dos EUA no médio e longo prazo”, disse ele.

Jorge Arbache — Foto: Vanessa Carvalho/Valor
Jorge Arbache — Photo: Vanessa Carvalho/Valor

Arbache acredita que essa mudança pode abrir oportunidades para o Brasil aprofundar sua integração nas cadeias de suprimentos globais, especialmente devido à crescente demanda por energia limpa. “Esses países [asiáticos] precisam se descarbonizar. E o Brasil, por exemplo, é altamente competitivo na produção de combustíveis de baixo carbono e aço verde – coisas em que eles estão interessados”, disse ele.

Ele expressou ceticismo sobre a estratégia de reindustrialização prometida por Trump como parte das medidas tarifárias. “Essa ideia de trazer a política industrial de volta aos EUA não se sustenta, devido ao alto custo da produção doméstica e às longas cadeias de valor globalmente dispersas. Você teria que realocar tudo de volta para os EUA – isso não vai acontecer.

“Há também a questão da saída dos imigrantes, que costumavam ajudar a conter a pressão salarial. Isso aumentará os salários dos EUA. Qualquer um que pense sistemicamente olha para essas medidas e simplesmente não entende”, disse ele.

Olhando para o futuro, Arbache espera mais negociações em torno de tarifas, mas com uma mudança no manual do comércio global. “O jogo mudou. Não adianta aplicar o pensamento antigo a um novo mundo. Esse mundo não existe mais. O conceito teórico de comércio que ensinamos é diferente agora. Entramos na era dos acordos regionais e bilaterais.”

FONTE: Valor Internacional
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