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Fechamento do espaço aéreo prolonga voos e aumenta emissões da aviação

O avanço dos conflitos geopolíticos está criando um efeito colateral que vai além da segurança e dos custos das companhias aéreas: o impacto ambiental. Com áreas inteiras do espaço aéreo fechadas ou restritas, aeronaves precisam adotar trajetos mais longos para chegar aos mesmos destinos.

A mudança aumenta o tempo de viagem, eleva o consumo de combustível e, consequentemente, amplia as emissões de CO₂ da aviação. O cenário coloca em xeque parte dos ganhos de eficiência obtidos pelo setor nos últimos anos.

Mas, afinal, como as restrições ao espaço aéreo internacional estão alterando as rotas, encarecendo as operações e agravando a pegada climática dos voos de longa distância?

Por que um espaço aéreo pode ser fechado?

O fechamento ou a restrição de uma região do espaço aéreo pode ocorrer por diferentes motivos. Entre eles estão ameaças à segurança, exercícios militares, lançamento ou atividade de mísseis e drones, conflitos políticos, greves de controladores de tráfego aéreo, desastres naturais e condições meteorológicas extremas.

Além disso, uma restrição não necessariamente impede todas as aeronaves de utilizarem determinada área. Na Ucrânia, por exemplo, todo o espaço aéreo permanece fechado à aviação civil. Na Rússia, por outro lado, as restrições atingem especificamente companhias aéreas da União Europeia.

Órgãos reguladores também podem determinar ou recomendar que empresas evitem determinadas regiões. É o caso da Federal Aviation Administration (FAA), nos Estados Unidos, e da European Union Aviation Safety Agency (EASA), na Europa.

As próprias companhias aéreas também podem optar por não utilizar determinadas rotas, levando em conta suas avaliações internas de risco operacional e segurança.

Na Europa, o sistema Flexible Use of Airspace, administrado pela Eurocontrol, busca liberar para a aviação civil áreas reservadas às atividades militares quando elas deixam de ser necessárias. Para os voos de longa distância, entretanto, conflitos prolongados em pontos estratégicos podem alterar a malha internacional durante meses ou até anos.

Conflitos aumentam o tempo dos voos

Um dos exemplos mais claros envolve a rota entre Helsinque e Tóquio operada pela Finnair. Segundo dados apresentados pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) em 2023, a viagem passou de aproximadamente nove para 13 horas depois que a companhia perdeu o acesso ao espaço aéreo russo — um aumento de 44%.

Em comunicado divulgado em abril de 2026, a Finnair informou que os voos para Japão e Coreia do Sul passaram a exigir de duas a quatro horas adicionais em determinadas circunstâncias.

A situação também se agravou após a escalada das hostilidades no Oriente Médio, em 28 de fevereiro de 2026. O fechamento de áreas do espaço aéreo e de aeroportos obrigou diversas empresas a redesenhar suas rotas.

Segundo a Finnair, viagens com destino à Índia, Tailândia e Singapura passaram a levar cerca de uma a duas horas a mais devido aos desvios provocados pela situação na região.

Rotas entre Ásia e América do Norte também foram afetadas

Os impactos chegaram ainda aos voos que conectam diretamente a Ásia e a América do Norte.

Em março de 2026, a Air India passou a direcionar para oeste algumas operações com destino à Europa e à América do Norte, utilizando corredores disponíveis sobre Omã, Arábia Saudita e Egito.

Os desvios fizeram com que determinados voos entre a Índia e a América do Norte ficassem longos o suficiente para exigir escalas técnicas em cidades como Roma ou Viena antes da continuação da viagem pelo Atlântico.

A companhia informou que as novas rotas elevaram o tempo de voo e acrescentaram complexidade às operações.

Mesmo após uma trégua temporária no conflito do Oriente Médio, algumas áreas permanecem sob alerta. A EASA continua recomendando que as empresas aéreas evitem o sobrevoo de países e regiões como Irã, Iraque e Líbano.

Combustível mais caro chega ao bolso do passageiro

Os desvios não afetam apenas o planejamento operacional das companhias. O aumento do consumo de combustível também pode ser repassado aos viajantes por meio de sobretaxas de combustível.

A Air India começou a cobrar valores adicionais em 10 de março de 2026, poucos dias após a escalada das tensões no Oriente Médio. A empresa justificou a medida pelo aumento dos preços do combustível de aviação associado à situação geopolítica no Golfo.

Para voos com destino à América do Norte, a sobretaxa por trecho passou de US$ 150 para US$ 200 e, posteriormente, chegou a US$ 280 em abril.

A All Nippon Airways (ANA) também adotou uma cobrança adicional. Em abril, a empresa anunciou uma sobretaxa de 56 mil ienes por trecho em determinados voos entre o Japão e a América do Norte ou Europa, considerando itinerários com origem fora do Japão.

O valor subiu para 65 mil ienes em julho e agosto. Em 1º de setembro, porém, a cobrança foi reduzida para 55 mil ienes, após medidas adotadas pelo governo japonês ajudarem a aliviar parte da pressão sobre os custos de combustível.

Na mesma data, a Emirates manteve suas sobretaxas. As viagens entre Japão e Dubai tinham cobrança adicional de 48 mil ienes por trecho, enquanto os voos do Japão para Europa ou Américas apresentavam sobretaxa de 49 mil ienes.

Voos mais longos significam mais emissões

O aumento das distâncias percorridas também tem consequências ambientais. Durante a interrupção do espaço aéreo no Oriente Médio, a Eurocontrol calculou o impacto dos desvios em relatório publicado em 31 de março de 2026.

A estimativa apontou que cerca de 1.150 voos por dia estavam sendo desviados para evitar áreas de conflito. Quando considerados também os voos que atravessavam a Europa com origem ou destino na América do Norte, o número chegava a aproximadamente 1.360 operações diárias.

Somadas, essas aeronaves percorriam cerca de 206 mil quilômetros adicionais todos os dias.

Esse aumento representava um consumo extra de aproximadamente 602 toneladas métricas de combustível diariamente. As operações também acrescentavam mais de 1.900 toneladas métricas de CO₂ e 3,3 toneladas métricas de NOx, os chamados óxidos de nitrogênio, por dia.

Impacto climático desafia metas da aviação

Os números ajudam a dimensionar o efeito dos desvios sobre o impacto ambiental da aviação. De acordo com estimativa da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), um automóvel convencional movido a gasolina emite cerca de 4,6 toneladas métricas de CO₂ por ano.

Nesse parâmetro, as 1.900 toneladas métricas de CO₂ adicionais geradas diariamente pelos desvios equivalem aproximadamente às emissões anuais de mais de 400 carros médios nos Estados Unidos.

O problema ganha importância caso as rotas mais longas deixem de ser uma situação excepcional e se tornem permanentes. Nesse cenário, parte dos ganhos obtidos pelas companhias com novas aeronaves, tecnologias e medidas de eficiência energética pode ser anulada pela necessidade de voar distâncias maiores.

Tráfego aéreo europeu também entra no debate

A discussão sobre rotas mais longas não se limita aos conflitos militares. A Ryanair também aponta problemas relacionados à gestão do tráfego aéreo europeu.

A companhia argumenta que aeronaves obrigadas a contornar áreas de espaço aéreo indisponíveis acabam percorrendo distâncias maiores, aumentando as emissões sem acrescentar qualquer benefício ao transporte.

Em comunicado, o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, citou as greves do controle de tráfego aéreo francês e afirmou que cerca de 20% dos voos da União Europeia passam pelo espaço aéreo da França.

Segundo a empresa, dois dias de paralisações provocaram o cancelamento de 1.500 voos e afetaram os planos de viagem de aproximadamente 270 mil passageiros da União Europeia.

A companhia defende, em uma petição, que uma administração mais eficiente do tráfego aéreo europeu poderia diminuir cancelamentos e desvios e, ao mesmo tempo, reduzir em cerca de 10% as emissões de carbono da aviação.

O cenário mostra como decisões geopolíticas, restrições operacionais e gestão do espaço aéreo passaram a ter impacto direto não apenas sobre o preço e a duração das viagens, mas também sobre os objetivos climáticos da aviação mundial.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: NurPhoto/Getty

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Informação

Petrobras reduz preço do querosene de aviação em 14,5% no mês de julho

A Petrobras anunciou uma nova redução no preço do querosene de aviação (QAV) comercializado para as distribuidoras. O reajuste, válido a partir de julho, representa uma queda de 14,5%, equivalente a R$ 0,81 por litro, marcando o segundo corte consecutivo no valor do combustível utilizado por aeronaves.

Com a atualização, o preço praticado nas refinarias da estatal passa a variar entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro, conforme a unidade de fornecimento.

Queda é atribuída à redução das tensões no mercado internacional

Segundo a companhia, a diminuição do preço foi possível graças à redução dos impactos provocados pelo conflito no Oriente Médio sobre as cotações internacionais dos derivados de petróleo.

Apesar do novo recuo, o querosene de aviação ainda acumula alta de 40,5% em relação ao encerramento de 2025. No período, o aumento corresponde a R$ 1,39 por litro.

O avanço dos preços ocorreu após o agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetaram a cadeia global de abastecimento da indústria do petróleo.

Bloqueio do Estreito de Ormuz elevou preços do petróleo

Um dos principais fatores para a alta registrada nos últimos meses foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circulava cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás antes do conflito.

Com a redução da oferta no mercado internacional, as cotações da commodity dispararam, refletindo diretamente nos preços dos combustíveis.

Mesmo sendo um grande produtor de petróleo, o Brasil acompanha essa dinâmica porque o petróleo e seus derivados são commodities, com preços definidos pelo mercado global.

Histórico recente dos reajustes do QAV

O comportamento dos preços do QAV em 2026 foi marcado por fortes oscilações. Em abril, a Petrobras promoveu um reajuste de 55%. No mês seguinte, houve nova alta de 18%.

Na ocasião, a estatal autorizou que as distribuidoras parcelassem o impacto do aumento para reduzir os efeitos financeiros sobre o setor aéreo.

Em junho, o combustível registrou queda de 14,2%, movimento que teve continuidade com a redução anunciada para julho.

A melhora nas condições do mercado internacional também levou o governo federal a iniciar a retirada gradual dos subsídios concedidos a produtores e importadores de combustíveis, mecanismo utilizado para evitar repasses mais intensos aos consumidores durante o período de maior instabilidade.

Como funciona a comercialização do combustível

A Petrobras fornece o querosene de aviação produzido em suas refinarias ou importado para as distribuidoras. Após a compra, essas empresas são responsáveis pelo transporte e pela revenda do combustível às companhias aéreas e demais consumidores finais nos aeroportos.

Embora detenha aproximadamente 85% da produção nacional de QAV, a estatal atua em um mercado aberto à concorrência, permitindo a participação de outras empresas na produção e importação do combustível.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Aeroportos

Companhias aéreas enfrentam alta nos custos e devem ter queda de 50% na lucratividade em 2026

O aumento das tensões no Oriente Médio tem provocado impactos significativos na aviação mundial. Segundo projeções da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), os gastos adicionais com combustível devem elevar em cerca de US$ 100 bilhões os custos das companhias aéreas neste ano, reduzindo drasticamente a rentabilidade do setor.

A expectativa é que o lucro líquido global das empresas aéreas caia de aproximadamente US$ 45 bilhões registrados em 2025 para cerca de US$ 23 bilhões em 2026. Com isso, a margem líquida da indústria deve recuar de 4,2% para 2%.

As estimativas foram apresentadas por Willie Walsh, diretor-geral da IATA, durante a 82ª Assembleia Geral Anual da entidade, realizada no Rio de Janeiro.

Demanda por viagens continua em crescimento

Apesar do cenário de custos elevados, a entidade não classifica a situação atual como uma crise para a aviação comercial. Isso porque a demanda global por voos segue avançando, embora em ritmo inferior ao projetado antes do agravamento do conflito.

De acordo com a IATA, o segmento de passageiros deve registrar crescimento de 2,1%, enquanto o transporte de cargas aéreas tem previsão de expansão de 0,7%.

Walsh destacou que o período mais crítico para o setor ocorreu entre março e abril. Dados consolidados mostram que a demanda global por transporte aéreo, medida em quilômetros pagos por passageiro, apresentou queda de 3,4% em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Entretanto, ao excluir os mercados do Oriente Médio, o desempenho global teria apresentado crescimento de 1,2%, evidenciando que os impactos da guerra estão concentrados principalmente na região.

Passageiros mantêm planos de viagem apesar das tarifas mais altas

O executivo afirmou que o aumento do preço do combustível tem levado as empresas a reajustarem as tarifas aéreas. Ainda assim, os consumidores continuam demonstrando disposição para viajar.

Pesquisas realizadas pela entidade indicam que 86% dos passageiros consideram natural que os preços das passagens acompanhem a valorização do petróleo. Além disso, quase metade dos entrevistados pretende gastar mais com viagens em 2026 do que no ano anterior, enquanto 43% afirmam que manterão o mesmo orçamento.

Segundo Walsh, esse comportamento sustenta a expectativa de uma temporada de verão forte no Hemisfério Norte. A principal dúvida, no entanto, é por quanto tempo viajantes e empresas conseguirão absorver os custos crescentes da conectividade aérea.

IATA critica falhas na cadeia de suprimentos da indústria

Durante o evento, o diretor-geral da IATA também direcionou críticas à cadeia de suprimentos aeroespacial, apontando atrasos recorrentes na entrega de aeronaves e motores.

Segundo ele, a carteira global de pedidos ultrapassa 18 mil aeronaves, enquanto a idade média da frota mundial atingiu o recorde de 15,2 anos. Além disso, mais de 5 mil aeronaves modernas e mais eficientes em consumo de combustível deixaram de ser entregues conforme o planejado.

Na avaliação da entidade, esses problemas geraram perdas superiores a US$ 11 bilhões para as companhias aéreas somente em 2025, devido ao aumento dos custos de leasing, manutenção e menor eficiência operacional.

Fabricantes de motores são alvo de críticas

Walsh afirmou que o setor perdeu a paciência com os fabricantes de motores e cobrou maior comprometimento com qualidade e prazos de entrega.

O executivo argumentou que, enquanto as empresas aéreas enfrentam atrasos e problemas técnicos, os fabricantes vêm registrando crescimento expressivo de lucros. Para ele, a indústria precisa voltar a priorizar a confiabilidade dos equipamentos e atender às necessidades dos clientes.

Segurança aérea segue como referência mundial

Apesar dos desafios econômicos e operacionais, a segurança continua sendo um dos pontos fortes da aviação global.

Dados apresentados pela IATA mostram que quase 5 bilhões de passageiros viajaram em cerca de 39 milhões de voos durante o último ano. Nesse período, foram registrados 51 acidentes, dos quais oito tiveram consequências fatais.

Segundo Walsh, a evolução contínua da segurança depende da adoção de padrões globais, regulamentações consistentes e compartilhamento de dados entre autoridades e empresas do setor.

Para a entidade, a aplicação uniforme das melhores práticas internacionais permanece essencial para reduzir riscos e fortalecer ainda mais a segurança do transporte aéreo mundial.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Lindsey Wasson

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Informação

Preço do querosene de aviação cai 14,2% em junho, anuncia Petrobras

A Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras a partir deste mês de junho. De acordo com a estatal, o reajuste representa uma queda de R$ 0,93 por litro em relação ao valor praticado em maio.

A medida foi divulgada nesta segunda-feira (1º) e marca a primeira redução do combustível aeronáutico após uma série de aumentos registrados desde março.

Cenário internacional influencia queda nos preços

Segundo a companhia, a diminuição do valor do combustível de aviação está relacionada à desaceleração das pressões observadas no mercado internacional de petróleo.

A Petrobras destacou que a redução reflete a melhora das condições globais após o período de forte valorização das commodities energéticas, movimento que havia sido impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Reajustes seguem contratos com distribuidoras

Os preços do querosene de aviação comercializado pela Petrobras são atualizados mensalmente, conforme previsto nos contratos firmados com as distribuidoras.

Esses ajustes acompanham fatores como a cotação internacional do petróleo, a variação cambial e as condições do mercado global de combustíveis.

Apesar da queda, combustível acumula alta no ano

Mesmo com a redução anunciada para junho, o preço do QAV ainda apresenta forte valorização em 2026.

Dados divulgados pela estatal mostram que, no acumulado do ano, o combustível registra aumento de 54,5% em comparação aos valores praticados em dezembro de 2025. O avanço corresponde a um acréscimo de R$ 1,98 por litro.

O comportamento dos preços continua sendo acompanhado de perto pelo setor aéreo, já que o combustível representa uma das principais despesas operacionais das companhias aéreas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Exportação

China retoma exportações de combustível e pode aliviar crise energética global

A China deve retomar as exportações de combustível — incluindo querosene de aviação, gasolina e diesel — a partir de maio, segundo informações do jornal Financial Times. A decisão ocorre após grandes estatais do setor energético solicitarem autorização para novos embarques.

O movimento indica uma possível flexibilização das restrições impostas por Pequim no início da guerra envolvendo o Irã, quando o país priorizou o abastecimento interno diante das incertezas no mercado internacional.

Impacto direto na crise global de energia

A retomada das exportações de combustíveis da China tende a reduzir a pressão sobre a oferta global, especialmente em um momento de escassez provocada pelo conflito no Oriente Médio. A liberação parcial dos embarques pode contribuir para estabilizar preços e garantir maior disponibilidade de energia em mercados afetados.

Fontes ouvidas pelo veículo afirmam que o governo chinês avalia que a demanda doméstica está “estável”, permitindo a retomada das vendas externas.

Prioridade para países asiáticos com baixa oferta

A estratégia de Pequim deve focar principalmente no envio de combustível de aviação para países da Ásia que enfrentam níveis críticos de estoque. Além disso, também estão previstos embarques de gasolina e diesel, ainda que em menor escala.

A região asiática é atualmente a mais impactada pela crise energética. Como maior importador de petróleo do mundo, a China também desempenha papel relevante como fornecedora de combustíveis refinados para países como Austrália, Japão, Vietnã, Filipinas e Bangladesh.

Exportações haviam caído pela metade

Antes do agravamento do conflito, a China exportava cerca de 800 mil barris diários de combustíveis refinados, segundo dados da Kpler. Em abril, esse volume foi reduzido aproximadamente pela metade devido às restrições.

Especialistas avaliam que a retomada pode ser decisiva para conter os efeitos da crise. Para analistas do setor, a China é atualmente o único país da região com capacidade de ampliar significativamente a oferta de combustíveis no curto prazo, ajudando a equilibrar o mercado.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP Photo/Altaf Qadri,File

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Transporte

Lufthansa reduz 20 mil voos no verão devido à alta do combustível

A companhia aérea alemã Lufthansa anunciou a redução de 20 mil voos de curta distância na Europa durante o verão, em resposta ao aumento expressivo dos custos com combustível de aviação. Segundo a empresa, diversas rotas deixaram de ser economicamente viáveis.

Alta do combustível pressiona setor aéreo

O preço do querosene de aviação praticamente dobrou desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A escalada da tensão afetou a produção e o transporte de energia no Oriente Médio, impactando diretamente o setor aéreo global.

Outras companhias, como KLM-Air France e Delta Air Lines, também adotaram medidas semelhantes, incluindo cortes temporários de voos e aumento no preço das passagens para compensar os custos operacionais.

Especialistas alertam que os passageiros devem se preparar para novas altas nas tarifas e possíveis cancelamentos, caso o cenário geopolítico continue instável.

Dependência europeia do combustível do Golfo

Cerca de 50% do combustível de aviação na Europa é importado da região do Golfo. Grande parte desse volume passa pelo Estreito de Ormuz, área estratégica que foi praticamente bloqueada pelo Irã em resposta às ações militares dos EUA e de Israel.

Rotas suspensas e impacto nos passageiros

A Lufthansa informou que a redução de voos permitirá economizar aproximadamente 40 mil toneladas métricas de combustível. A maior parte desse corte está ligada ao encerramento das operações da subsidiária CityLine.

Com isso, a companhia suspenderá temporariamente voos para cidades como Heringsdorf, Cork, Gdańsk, Ljubljana, Rijeka, Sibiu, Stuttgart, Trondheim, Tivat e Wrocław.

Passageiros afetados poderão optar por reembolso ou remarcação em voos de empresas parceiras do grupo, como SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways.

Possibilidade de cortes permanentes

Parte dessas mudanças pode se tornar definitiva. A Lufthansa informou que está revisando toda a sua malha aérea europeia e deve divulgar novos detalhes ao longo de abril.

Risco de escassez de combustível

A Agência Internacional de Energia alertou recentemente que a Europa pode enfrentar escassez de querosene de aviação em poucas semanas. Apesar disso, governos e companhias aéreas afirmam que, até o momento, não há interrupções no fornecimento.

A União Europeia anunciou a criação de um observatório para monitorar a produção, importação, exportação e estoques de combustíveis, com o objetivo de antecipar possíveis crises e reduzir impactos no setor aéreo.

Operações de longa distância mantidas

Apesar da redução na malha europeia, a Lufthansa garantiu que os passageiros continuarão tendo acesso às rotas globais, especialmente voos de longa distância. A empresa destacou que essas operações serão realizadas com maior eficiência diante do cenário atual.

A decisão também ocorre após o anúncio de aceleração do encerramento da CityLine, com a retirada de 27 aeronaves de operação, motivada pelo aumento dos custos com combustível e pressões trabalhistas.

FONTE: BBC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Informação

Combustível de aviação: governo anuncia medidas para conter alta do QAv

O governo federal anunciou um conjunto de ações para enfrentar a alta do combustível de aviação (QAv) e seus efeitos sobre o setor aéreo. As medidas, divulgadas na segunda-feira (6), foram elaboradas pelo Ministério de Portos e Aeroportos em parceria com a área econômica, com foco em preservar a oferta de voos e conter o aumento das passagens aéreas.

A iniciativa surge em meio à elevação global dos preços do QAv, que pressiona os custos das companhias e pode afetar a conectividade aérea no país.

Estratégia busca equilíbrio fiscal e apoio ao setor

Segundo o Ministério da Fazenda, o pacote foi estruturado para gerar impacto direto no setor sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. Já o Ministério de Portos e Aeroportos destacou que o objetivo central é evitar o repasse integral dos custos ao consumidor.

A preocupação do governo é manter o ritmo de crescimento do transporte aéreo, que recentemente registrou aumento na demanda por passageiros.

Linhas de crédito e financiamento para companhias aéreas

Entre as principais medidas está a criação de uma linha de financiamento via Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), destinada à compra de combustível. Cada empresa poderá acessar até R$ 2,5 bilhões, com operacionalização pelo BNDES e risco assumido pelas próprias companhias.

Também foi anunciada uma linha de crédito adicional de R$ 1 bilhão para capital de giro, cujas regras serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com garantia da União.

Redução de impostos sobre o querosene de aviação

Outra medida relevante é a desoneração tributária. O governo editará decreto para zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o QAv, o que deve reduzir o preço do combustível em cerca de R$ 0,07 por litro.

A iniciativa busca aliviar custos operacionais e contribuir para a estabilidade das tarifas aéreas.

Flexibilização de pagamentos e apoio da Petrobras

O pacote inclui ainda a possibilidade de adiamento no pagamento das tarifas de navegação aérea ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Os valores referentes aos meses de abril a junho poderão ser quitados apenas em dezembro de 2026.

Além disso, a Petrobras anunciou recentemente um modelo de transição para o reajuste do QAv. A proposta permite que distribuidoras repassem inicialmente 18% do aumento, com o restante parcelado em seis vezes a partir de julho.

Medidas tentam conter pressão sobre passagens aéreas

Combinadas, as ações buscam reduzir a pressão sobre os custos das companhias e evitar aumentos expressivos nas tarifas aéreas. O governo aposta que o pacote ajudará a sustentar a expansão do setor e garantir maior previsibilidade ao mercado.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ministério de Portos e Aeroportos

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