Indústria

A invasão do aço chinês por meio das autopeças preocupa indústria brasileira

A presença da China na cadeia automotiva brasileira já não se limita aos carros elétricos. A importação crescente de carrocerias e autopeças tem provocado impactos indiretos na indústria do aço, ampliando o volume de metal chinês que chega ao país por meio de produtos industrializados. Dados da consultoria CRU mostram que, entre janeiro e setembro, as chamadas exportações indiretas de aço da China aumentaram 43% na América Latina em comparação com 2023. Quase um quarto desse total está relacionado ao setor automotivo, hoje um dos principais vetores de expansão chinesa fora da Ásia.

Vantagens competitivas ampliam desequilíbrio

Executivos das principais montadoras instaladas na região afirmam que a concorrência com o país asiático deixou de ser apenas comercial. A combinação de crédito subsidiado, excesso de capacidade e forte apoio estatal dá às empresas chinesas vantagens difíceis de igualar.
“O crédito na China custa 4% ao ano; aqui, chega a 15%. Isso explica tudo”, afirmou Martin Galdeano, CEO da Ford na América do Sul, durante o congresso anual da Alacero.

Esse cenário tende a repetir o movimento já visto na siderurgia: produtos chineses mais baratos substituindo a produção local em diversos elos da cadeia, do aço às carrocerias. As montadoras estimam que 10% do mercado brasileiro já é abastecido por veículos vindos da China. Para Alexander Seitz, chairman da Volkswagen na América do Sul, esse número pode chegar a 25% nos próximos anos caso nada mude.

Cadeia produtiva perde espaço

O avanço chinês fica evidente em casos como o da nova fábrica da BYD em Camaçari (BA), instalada no antigo complexo da Ford. Segundo Jorge Oliveira, CEO da ArcelorMittal Brasil e presidente da Alacero, a construção foi inteiramente realizada com aço importado da China, sem uso de material brasileiro. Para ele, o episódio simboliza a perda de valor agregado na indústria nacional ao longo da cadeia automotiva.

Aço indireto ganha protagonismo

De acordo com o consultor John Lichtenstein, da World Steel Dynamics, a China intensificou a exportação de aço indireto — embutido em automóveis, autopeças e equipamentos. No setor automotivo, essa fatia passou de 9% para 19% em dez anos e pode chegar a 25% em breve.
Na América Latina, o fenômeno é ainda mais forte: quase metade do aço indireto importado já tem origem chinesa. Sem o México, onde as regras de origem são mais rígidas, a participação sobe para 65%.

Esse movimento, afirma Lichtenstein, ajuda a explicar por que a pressão sobre a indústria regional cresce mesmo com tarifas e barreiras comerciais. “A China não exporta apenas aço, mas valor agregado. Cada carro produzido lá traz toneladas de aço subsidiado, distorcendo o comércio global.”

Tarifa não basta para frear avanço chinês

Para Jorge Guajardo, ex-embaixador do México na China, o país transformou o excedente de capacidade industrial em estratégia de política externa. “A China vende abaixo do custo até eliminar concorrentes. Depois, o mercado se torna dependente”, afirmou.
Mesmo tarifas de 25% no Brasil ou 50% em outros países não impedem a entrada do aço chinês, que chega “disfarçado” em carros, peças e equipamentos. “É a segunda fase da mesma história”, resumiu.

A nova etapa da desindustrialização

O avanço sobre a cadeia automotiva marca, segundo especialistas, o início de uma desindustrialização 2.0. Se a primeira onda ocorreu com a entrada massiva de aço barato, a nova fase chega sobre quatro rodas. Sem resposta coordenada, a região corre o risco de repetir o ciclo de exportar minério e importar produtos acabados, abrindo mão de complexidade produtiva.

Para Bruce Mac Master, presidente da ANDI, a América Latina continua “apenas reagindo”, sem uma política industrial sólida capaz de proteger suas cadeias estratégicas. Entre as propostas discutidas, estão mecanismos regionais de defesa comercial, maior agilidade em processos antidumping e regras de origem mais rigorosas para conter a triangulação de peças asiáticas. “Não há política industrial possível sem coordenação política”, afirmou.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Brito

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Comércio Exterior

Mato Grosso apresenta rastreabilidade da carne ao mercado chinês

O programa Passaporte Verde, iniciativa do governo de Mato Grosso que acompanha o desempenho socioambiental do rebanho bovino e bubalino, foi apresentado a autoridades e empresários da China durante uma conferência internacional realizada em 10 e 11 de novembro, em Yangxin, na província de Shandong. O objetivo é atender às exigências de mercados rigorosos e ampliar o envio da carne mato-grossense ao país asiático, hoje principal destino das exportações do estado.

A participação do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) no Beef Trade Cooperation and Development Conference 2025 destacou os avanços regionais em rastreabilidade e sustentabilidade. O encontro reuniu representantes da cadeia da carne dos dois países e abriu espaço para acordos e parcerias comerciais.

Segundo Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Imac, o programa reforça a confiança internacional na pecuária local. “O Passaporte Verde fortalece a reputação positiva da carne de Mato Grosso, mostrando que seguimos as normas ambientais. Também oferece a chance de produtores com pendências se regularizarem e retornarem ao mercado formal”, afirma.

Cooperação técnica entre Brasil e China

Durante a conferência, a comitiva do Imac participou de reuniões com importadores e produtores chineses, além de um encontro com o vice-presidente da China Meat Association (CMA). A agenda discutiu o plano de trabalho previsto no memorando de entendimento firmado entre as instituições em setembro.

O acordo inclui ações de intercâmbio técnico, missões comerciais e atividades voltadas à conscientização de exportadores e importadores sobre boas práticas de sustentabilidade, alinhadas às legislações brasileira e chinesa.

Bruno Andrade adianta que a colaboração deve se intensificar nos próximos anos. “Com essa cooperação, realizaremos visitas técnicas e seminários para apresentar aos importadores chineses a sustentabilidade da produção mato-grossense. Em 2026, teremos uma série de eventos conjuntos, com foco na expansão desse mercado que já recebe tão bem nossos produtos”, destaca.

FONTE: Mato Grosso Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Imac

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Tecnologia

China pode ultrapassar os EUA na corrida da inteligência artificial? Entenda o cenário atual da disputa global

A indústria de inteligência artificial voltou a discutir quem está na dianteira da tecnologia: China ou Estados Unidos. A polêmica ressurgiu após o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmar recentemente que “a China vai vencer a corrida da IA”, provocando forte reação no setor.

Huang atribuiu a possível vantagem chinesa ao ambiente regulatório mais simples, ao acesso facilitado à energia e ao ritmo acelerado de construção de infraestrutura. Dias depois, porém, ele suavizou a declaração em uma nota publicada no X, dizendo que a China estaria apenas “nanosegundos atrás” dos EUA.

Mesmo com o recuo, a discussão ficou no ar — e especialistas apontam que há motivos concretos para levar a hipótese a sério.

Energia: o novo campo de batalha

Se vencer a corrida da IA depende principalmente da capacidade de construir e abastecer grandes data centers, a China aparece hoje com uma vantagem importante. O país tem histórico de executar projetos gigantescos com rapidez, beneficiado pelo papel central do governo na economia.

Além disso, a energia subsidiada e os trâmites regulatórios simplificados facilitam a operação de estruturas altamente intensivas em consumo elétrico — condição essencial na era da IA generativa.

Nos EUA, o cenário é bem diferente. Custos de energia mais altos, burocracia complexa e uma rede elétrica frequentemente sobrecarregada dificultam expansões rápidas. Há regiões onde empresas de tecnologia constroem até próprias usinas para suprir a demanda.

A situação já afeta grandes players: a Microsoft revelou ter GPUs encalhadas por falta de energia disponível para rodá-las. Para muitos analistas, o fornecimento elétrico será o maior gargalo da próxima década — e Pequim parece estar um passo à frente.

Avanço no código aberto acelera o crescimento chinês

Outro ponto sensível é o domínio crescente da China no código aberto. Um relatório da a16z mostrou que o país já superou os EUA em downloads de modelos de IA open source, um marco classificado como “momento gráfico de caveira”, quando um concorrente não apenas alcança o líder — mas começa a ultrapassá-lo.

Startups como a DeepSeek exemplificam esse avanço. O modelo R1, totalmente aberto, demonstrou alta eficiência e custo reduzido, reforçando a habilidade chinesa de otimizar e escalar soluções rapidamente. Pesquisas da DeepSeek e da Tencent mostram que o país está inovando em métodos alternativos, como compressão de texto em representações visuais e previsões vetoriais contínuas, que podem transformar a eficiência dos modelos.

Há quem acredite que laboratórios ocidentais como OpenAI e Anthropic utilizem conceitos semelhantes de forma discreta, mas as empresas chinesas têm divulgado seus avanços de maneira mais agressiva e transparente.

Afinal, a China já ultrapassou os Estados Unidos?

Ainda não há consenso. Embora os EUA mantenham vantagem em pesquisa de ponta, chips avançados e grandes laboratórios privados, a China demonstra capacidade estratégica para ganhar terreno rapidamente — especialmente ao combinar infraestrutura robusta, energia abundante e escala industrial.

No ritmo atual, analistas afirmam que o país está excepcionalmente bem posicionado para disputar a liderança global em inteligência artificial nos próximos anos.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yoshikazu Tsuno/Gamma-Rapho/Getty Images/The New York Times Licensing Group

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Indústria

Indústria do aço na América Latina se une contra o avanço do aço chinês

O calor intenso da América Latina reflete o clima na indústria siderúrgica, que vive um momento de tensão e união diante de um inimigo comum: o aço chinês. Durante o Alacero Summit, evento que reuniu os principais executivos do setor na região, o tom foi de alerta e mobilização.

“O que está em jogo não é apenas o setor, mas o futuro industrial da América Latina”, afirmou Jorge Oliveira, CEO da ArcelorMittal Brasil e presidente da Alacero (Associação Latino-Americana do Aço). A conferência, que em outros anos abordava temas como inovação e sustentabilidade, se transformou em um palco de resistência ao avanço da China no mercado global de aço.

Exportações chinesas disparam e derrubam preços

Nos últimos dois anos, as exportações de aço da China para a América Latina cresceram 54%, pressionando os preços internacionais. O valor médio da tonelada caiu de US$ 580 em 2023 para US$ 460 em 2024, segundo dados da Alacero.

A China produz cerca de 1,2 bilhão de toneladas de aço por ano, mas consome apenas 800 milhões. “Em 11 horas, a China produz o que a Colômbia faz em um ano. Em 12 dias, chega ao total do Brasil”, comparou Ezequiel Tavernelli, copresidente da Alacero.

Atualmente, quatro em cada dez quilos de aço consumidos na América Latina são importados, e a maior parte tem origem chinesa. Essa enxurrada de produtos começou em 2021, após o estouro da bolha imobiliária na China, que levou o governo de Pequim a inundar o mercado global para manter sua economia ativa.

Política industrial chinesa intensifica a disputa

De acordo com Margaret Myers, diretora do Johns Hopkins Institute, o 15º Plano Quinquenal chinês consolidou a estratégia de exportar o excesso de produção e redirecionar políticas industriais para fora do país. Programas como o Made in China 2025 e a política de “new infrastructure” ampliaram o uso de aço em setores como carros elétricos e energia renovável, aumentando ainda mais a oferta global.

Em 2023, a América Latina recebeu 12% das exportações chinesas de aço, ficando atrás apenas do Sudeste Asiático (30%), Oriente Médio (18%) e África (16%). O resultado foi uma combinação de queda de preços, redução de mercado e desaceleração produtiva nas siderúrgicas locais, que agora enfrentam capacidade ociosa e risco de desindustrialização.

Efeitos econômicos e pressão por medidas urgentes

O impacto já é visível. A produção industrial da Argentina caiu 10% em 2023, enquanto Brasil e Colômbia enfrentam estagnação. Para o setor, sem medidas coordenadas, a pressão chinesa pode ampliar o desemprego e provocar o fechamento de fábricas.

A ArcelorMittal avalia, inclusive, se manterá seu plano de investimentos de até R$ 12 bilhões no Brasil entre 2026 e 2030. “Temos apetite para continuar investindo, mas isso depende do ambiente. Se o governo adotar cotas de importação e tarifas mais altas, o cenário pode ser favorável”, disse Jorge Oliveira.

O consenso entre os executivos é claro: as ações precisam ser rápidas e profundas. Tavernelli defende tarifas de até 50% sobre o aço chinês, a exemplo dos Estados Unidos. “Não há tempo a perder”, alertou.

União entre setores e defesa da competitividade

A preocupação com a concorrência chinesa também atinge outras indústrias. Martin Rappallini, presidente da União Industrial Argentina, destacou que “a China quer avançar em todas as cadeias produtivas, do aço ao plástico”. Ele defende que os países da região imponham limites para proteger o emprego e a geração de valor local.

Na mesma linha, o CEO da Ford América do Sul, Martin Galdeano, defendeu uma parceria mais estreita entre governos e iniciativa privada. Para ele, o desafio vai além de tarifas: é preciso criar regras equivalentes de competição. “Não sou a favor de fechar o mercado, mas queremos jogar uma Copa do Mundo com as mesmas condições, não com uma mochila de chumbo nas costas”, afirmou.

A mensagem do setor é clara: a sobrevivência da indústria latino-americana depende de reação conjunta e políticas firmes contra o aço chinês.

FONTE: Brazil Journal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Journal

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Comércio Exterior

México aplica tarifas de até 210% sobre açúcar importado para proteger mercado interno

O governo do México anunciou a adoção de tarifas de importação que variam entre 156% e 210% sobre o açúcar estrangeiro. A iniciativa tem como objetivo proteger o setor açucareiro nacional, preservar empregos e garantir estabilidade às famílias que dependem da produção local, segundo o Ministério da Agricultura.

Detalhes das novas alíquotas

De acordo com o comunicado oficial, o açúcar de beterraba e os xaropes importados passarão a pagar 156% de tarifa, enquanto o açúcar líquido refinado e o açúcar invertido terão taxa de 210,44%.

Setor produtivo apoia decisão

A União Nacional de Produtores de Cana elogiou a medida, afirmando que as altas tarifas praticamente eliminam as importações que poderiam desestabilizar o mercado interno. Segundo a entidade, a decisão cria um ambiente mais previsível e sustentável para o setor açucareiro mexicano.

Modernização e novas políticas

Além da taxação, o governo anunciou um programa de modernização do setor, com foco em aumentar a produtividade, melhorar a rentabilidade e ampliar o uso da cana-de-açúcar na produção de alimentos e biocombustíveis.

Outras tarifas sobre produtos importados

O México também comunicou a aplicação de tarifas de até 50% sobre mais de 1.400 produtos, abrangendo itens como automóveis, cosméticos e eletrônicos provenientes da China e de outros países da Ásia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Daniel Becerril

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Comércio Internacional

Feira Internacional de Importações da China bate recorde com US$ 83,49 bilhões em negócios

A Feira Internacional de Importações da China (CIIE) alcançou um novo marco histórico em sua oitava edição, ao registrar US$ 83,49 bilhões em acordos comerciais previstos, um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior. O resultado confirma o evento como uma das maiores plataformas de promoção do comércio internacional no mundo.

CIIE reforça papel da China no comércio global

Realizada em Xangai, entre 5 e 10 de novembro de 2025, a CIIE reuniu milhares de empresas e visitantes de mais de 150 países e regiões, consolidando-se como um espaço estratégico para impulsionar o intercâmbio econômico e promover cooperação internacional. Segundo os organizadores, o aumento no volume de negócios reflete tanto a força da economia chinesa quanto o comprometimento do país com a abertura de mercado e a globalização econômica.

Inovação e tecnologia são destaques da feira

Os setores de alta tecnologia, inteligência artificial e equipamentos industriais de ponta atraíram grande atenção do público e dos investidores. A área dedicada à inovação tecnológica foi uma das mais movimentadas, reunindo empresas chinesas e estrangeiras interessadas em parcerias estratégicas e novas oportunidades de negócios.

Desde sua criação, em 2018, a CIIE é vista como uma das principais iniciativas do governo chinês para ampliar o acesso do mercado interno a produtos e serviços internacionais, funcionando como uma ponte entre economias e fortalecendo as cadeias globais de valor.

Comércio, sustentabilidade e integração global

Autoridades destacaram que a China continuará promovendo um ambiente de negócios aberto e previsível, estimulando parcerias sustentáveis e a integração econômica global. A feira também reforçou o papel do país como motor do crescimento mundial, especialmente em um momento de busca por equilíbrio nas cadeias produtivas internacionais.

A crescente presença de empresas estrangeiras na feira demonstra a confiança do setor privado na estabilidade da economia chinesa e nas perspectivas de expansão do consumo interno. Os acordos firmados durante a edição de 2025 devem impulsionar investimentos em tecnologia, saúde, alimentos e energia limpa, consolidando a CIIE como um dos principais motores do comércio internacional contemporâneo.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Global Times

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Negócios

Dívida da Braskem dispara para 14,7 vezes o EBITDA com prejuízo de R$ 26 milhões

A Braskem atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 26 milhões, uma melhora frente à perda de R$ 592 milhões no mesmo período do ano anterior. O alerta, porém, está no balanço: a dívida líquida saltou para 14,76 vezes o EBITDA recorrente, quase o triplo da relação de um ano antes (5,76x), revelando uma estrutura financeira frágil e insustentável para uma empresa cíclica e de capital intensivo.

O EBITDA recorrente despencou 65% em relação a 2024, para US$ 150 milhões (R$ 818 milhões), enquanto a receita líquida caiu 19%, totalizando R$ 17,3 bilhões — reflexo de preços deprimidos de petroquímicos e alta ociosidade nas plantas. O fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 334 milhões, e o consumo total de caixa chegou a R$ 2 bilhões, ampliando o desequilíbrio financeiro da companhia.

Margens pressionadas e mercado em retração

A crise é estrutural. O mercado petroquímico global segue com excesso de oferta — o chamado “efeito China” —, o que derrubou as margens de polietileno (PE), polipropileno (PP) e PVC entre 9% e 16% em comparação ao 3º trimestre de 2024. No Brasil, a taxa de utilização dos crackers de etileno caiu de 73% para 65%, afetada por paradas programadas no Rio de Janeiro e pela fraca demanda doméstica.

As vendas de resinas no mercado brasileiro recuaram 9%, somando 787 mil toneladas, enquanto as exportações avançaram na mesma proporção (+9%). Mesmo com ajustes operacionais e créditos tributários do REIQ, o EBITDA do segmento Brasil/América do Sul caiu de US$ 335 milhões para US$ 205 milhões.

Nos Estados Unidos e Europa, o cenário foi ainda pior: o EBITDA reverteu de lucro de US$ 71 milhões para prejuízo de US$ 15 milhões, pressionado por queda de 23% nos preços do PP e pela baixa atividade industrial. No México, a subsidiária Braskem Idesa também inverteu resultados, com EBITDA negativo de US$ 37 milhões, frente a lucro de US$ 80 milhões no ano anterior, devido ao alto custo do etano e à parada de manutenção de grande porte.

O nó financeiro

Com margens comprimidas e fluxo de caixa negativo, a Braskem passou a depender de financiamentos de longo prazo e alto custo. A dívida bruta atingiu US$ 8,4 bilhões em setembro, com prazo médio de nove anos, enquanto a posição de caixa (sem incluir a Idesa) somava US$ 1,3 bilhão. Em outubro, a empresa ainda utilizou uma linha de crédito rotativo internacional de US$ 1 bilhão, mas o balanço segue mostrando erosão de liquidez e da capacidade de investimento.

A administração aposta no Programa de Resiliência e Transformação, voltado ao controle de custos e racionalização de projetos. Um alívio temporário veio da redução da provisão do evento geológico de Alagoas, de R$ 5,57 bilhões em 2024 para R$ 3,8 bilhões, após acordo de R$ 1,2 bilhão com o Estado de Alagoas, que encerrou ações judiciais e quitou indenizações ligadas ao afundamento de solo em Maceió em 2018.

Mesmo assim, a empresa contabilizou encargo de R$ 435 milhões para hibernar sua planta de cloro-soda em Alagoas, no âmbito do plano Transforma Alagoas — medida voltada a tornar a produção de PVC mais sustentável, mas que evidencia uma redução estrutural das operações na região.

Crise setorial e medidas regulatórias

A indústria química brasileira opera com 39% de ociosidade, o maior nível em 30 anos, segundo a Abiquim. Para conter o colapso, o governo tem implementado medidas de proteção, como o Projeto de Lei PRESIQ (PL 892/2025) — já aprovado na Câmara — e a aplicação de tarifas antidumping provisórias sobre as importações de polietileno.

A Braskem considera essas iniciativas fundamentais para equilibrar a concorrência e preservar a produção nacional. O conselho da empresa também aprovou o Projeto Transforma Rio, um investimento de R$ 4,2 bilhões destinado a ampliar a capacidade de etileno e polietileno no Rio de Janeiro e aumentar o uso de etano como matéria-prima.

Tentativa de reversão

A atual gestão tenta reverter um ciclo negativo que não foi corrigido por administrações anteriores — nem mesmo após o boom da pandemia, quando a Braskem atingiu seu pico histórico. Em 2021, o EBITDA alcançou US$ 5,2 bilhões, impulsionado por margens recordes e escassez global de plásticos. Desde então, o ciclo virou: os preços caíram, a demanda enfraqueceu e a lucratividade evaporou. O desafio da nova liderança é restabelecer a estabilidade financeira em um setor que hoje luta pela sobrevivência.

Perspectiva crítica

Com o EBITDA sob pressão, a alavancagem em níveis históricos e a geração de caixa negativa, a Braskem enfrenta um ponto de inflexão. A empresa opera com liquidez apertada, margens reduzidas e um mercado global em retração, enquanto tenta preservar seu grau de crédito e atrair novos investimentos.

O cenário segue de tensão simultânea nos três pilares da petroquímica: demanda, margens e endividamento. Uma eventual recuperação dependerá da recomposição dos preços globais e da eficácia das políticas industriais brasileiras previstas para 2026.

FONTE: Brazil Stock Guide
IMAGEM: Reprodução/Brazil Stock Guide

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Exportação

Brasil amplia exportações e conquista habilitação para vender sorgo e DDG à China

O Brasil recebeu autorização para que dez unidades exportem sorgo e cinco estabelecimentos enviem DDG (grãos secos de destilaria) à China, consolidando o país asiático como o principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro. A medida abre novas oportunidades tanto para o setor de sorgo quanto para a indústria de etanol de milho, ampliando o alcance internacional dos produtos nacionais.

Parcerias firmadas e protocolos assinados

As habilitações são resultado direto da assinatura de dois acordos bilaterais: o Protocolo Fitossanitário do Sorgo, firmado em novembro de 2024, e o Protocolo de Proteínas e Grãos Derivados da Indústria do Etanol de Milho, celebrado em maio de 2025. Além disso, os modelos de certificado fitossanitário foram finalizados em conjunto pelas autoridades brasileiras e chinesas, garantindo conformidade com as exigências técnicas de ambos os países.

Produção e exportação de sorgo no Brasil

Responsável por mais de 60% da produção nacional, a região Centro-Oeste é o principal polo de sorgo do Brasil. Em 2024, segundo o IBGE, o país produziu 4 milhões de toneladas, das quais 178,4 mil toneladas (4%) foram destinadas à exportação. Foram habilitadas dez unidades, distribuídas entre Mato Grosso (4), Minas Gerais (4), Rondônia (1) e Bahia (1). A China, que responde por 80% das importações globais de sorgo, comprou mais de US$ 2,6 bilhões do grão no último ano.

Expansão do mercado de DDG

O DDG, coproduto obtido do processamento do milho para etanol, também ganha destaque nas exportações brasileiras. O país é o terceiro maior produtor de milho do mundo e exportou cerca de 791 mil toneladas de DDG em 2024. A nova habilitação contempla quatro unidades no Mato Grosso e uma no Mato Grosso do Sul, fortalecendo o comércio com a China, que importou mais de US$ 66 milhões desse insumo no mesmo período.

Impactos econômicos e sustentáveis

Com essas autorizações, o Brasil estabelece um canal regular de exportação para o maior importador global de grãos e insumos para ração animal, aumentando a previsibilidade dos contratos e criando condições para ampliar o volume exportado nas próximas safras. Além dos ganhos econômicos, as novas habilitações reforçam o compromisso do país com a sustentabilidade, já que a exportação de coprodutos do agronegócio, como o DDG, estimula a economia circular e o aproveitamento de resíduos industriais.

Cooperação entre governo e setor privado

O avanço nas negociações foi resultado do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Adidância Agrícola e a Embaixada do Brasil em Pequim, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o setor privado, em alinhamento com as exigências técnicas das autoridades chinesas.

Em 2024, a China se manteve como o principal destino das exportações agropecuárias brasileiras, com mais de US$ 49,6 bilhões em produtos enviados pelo agronegócio nacional.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação

Brasil registra recorde histórico nas exportações de carne bovina em outubro de 2025

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram 357 mil toneladas em outubro de 2025, o maior volume mensal desde o início da série histórica em 1997, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O número supera em 1,5% o recorde anterior, registrado em setembro, e representa uma alta de 18,7% em relação a outubro de 2024.

O faturamento também cresceu significativamente, alcançando US$ 1,9 bilhão, valor 39,1% superior ao mesmo mês do ano passado.

Crescimento contínuo e expectativa de novo recorde anual

Entre janeiro e outubro, o Brasil exportou 2,79 milhões de toneladas de carne bovina, somando US$ 14,31 bilhões em receita — aumentos de 16,6% em volume e 35,9% em valor na comparação anual.

Com esse desempenho, o país se mantém próximo ao recorde de 2024, quando exportou 2,89 milhões de toneladas e faturou US$ 12,8 bilhões. Segundo a Abiec, se o ritmo atual continuar, o recorde histórico anual poderá ser superado já em novembro, consolidando o Brasil como líder mundial nas exportações de carne bovina, com embarques realizados para 162 países em 2025.

Carne in natura domina as exportações

A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado, com 320,5 mil toneladas embarcadas em outubro e US$ 1,7 bilhão em receitas. O preço médio foi de US$ 5,5 mil por tonelada, representando quase 90% do volume total exportado e 93,5% do faturamento.

Outros produtos, como miúdos, carnes industrializadas, gorduras e carnes salgadas, também contribuíram para o resultado positivo.

Exportações para os Estados Unidos seguem firmes

Mesmo com o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, o Brasil manteve suas exportações para o país. Embora tenha havido redução no ritmo desde agosto, o fluxo não foi interrompido.

Em outubro, os embarques somaram 12,9 mil toneladas, um avanço em relação a setembro (9,9 mil toneladas) e agosto (9,3 mil toneladas). A Abiec destacou que os EUA continuam sendo um mercado estratégico para a carne brasileira, graças à competitividade e regularidade do produto.

De janeiro a outubro, as exportações para os Estados Unidos totalizaram 232 mil toneladas e US$ 1,38 bilhão, altas de 45% em volume e 38% em valor em comparação ao mesmo período de 2024. Os números já superam todo o desempenho do ano passado, quando foram enviadas 229 mil toneladas, gerando US$ 1,35 bilhão.

China segue como principal destino da carne bovina brasileira

A China manteve sua liderança nas compras, com 190,8 mil toneladas importadas em outubro e US$ 1,046 bilhão em negócios — o equivalente a 53% do volume e 55% da receita mensal.

Outros mercados de destaque foram:

  • União Europeia: 17 mil toneladas / US$ 140,4 milhões
  • Estados Unidos: 12,9 mil toneladas / US$ 83,1 milhões
  • Chile: 12,7 mil toneladas / US$ 72,3 milhões
  • Filipinas: 12,4 mil toneladas / US$ 56,3 milhões
  • México: 10,1 mil toneladas / US$ 56,2 milhões
  • Egito: 12,1 mil toneladas / US$ 53,9 milhões
  • Rússia: 11,8 mil toneladas / US$ 48,6 milhões
  • Arábia Saudita: 6,5 mil toneladas / US$ 34,7 milhões
  • Hong Kong: 7,8 mil toneladas / US$ 29,7 milhões

No acumulado do ano, a China segue na liderança absoluta, com 1,34 milhão de toneladas e US$ 7,1 bilhões — o que representa 48,1% do volume e 49,7% da receita total. Na sequência, aparecem Estados Unidos, México, Chile e União Europeia.

Os mercados que mais ampliaram suas compras em 2025 foram México (+213%), União Europeia (+109%), China (+75,5%), Rússia (+50,4%) e Estados Unidos (+45%), o que demonstra a diversificação e fortalecimento das exportações brasileiras, segundo a Abiec.

Setor confirma força e equilíbrio do mercado

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que o desempenho histórico de outubro comprova a força do setor, a abertura de novos mercados e o equilíbrio entre exportações e abastecimento interno.

“O Brasil segue ampliando sua presença internacional com qualidade e regularidade de fornecimento, resultado do trabalho conjunto entre a indústria e o governo. É importante lembrar que apenas 30% da carne produzida no país é exportada, enquanto cerca de 70% abastece o mercado interno, o que demonstra a robustez do consumo doméstico e a capacidade do país de atender à demanda mundial”, destacou.

A Abiec reúne 47 empresas responsáveis por 98% das exportações de carne bovina do Brasil.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Exportações da China caem inesperadamente em meio à queda contínua dos preços

Após meses de forte demanda, as exportações da China recuaram de forma inesperada em outubro — a primeira queda em oito meses — em meio à queda nos preços de muitos de seus principais produtos, como carros, painéis solares e baterias.

De acordo com a Administração Geral de Alfândegas da China, o valor das exportações chinesas caiu 1,1% em outubro, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Economistas ocidentais esperavam que o país registrasse mais um mês de crescimento.

Mesmo com a guerra comercial com os Estados Unidos e o aumento de tarifas em países em desenvolvimento como Brasil, Índia e Turquia, preocupados com o impacto de produtos chineses baratos em suas indústrias locais, as exportações chinesas vinham crescendo fortemente ao longo do ano. Até outubro, as vendas para outras regiões do mundo haviam compensado a queda no comércio com os EUA. A China ainda caminha para registrar superávit comercial recorde pelo segundo ano consecutivo.

O volume físico das exportações aumentou de forma expressiva em 2024, impulsionado pelo avanço de automóveis, eletrônicos, eletrodomésticos e outros bens. No entanto, o valor total exportado não acompanhou o mesmo ritmo, já que muitas empresas chinesas estão reduzindo preços para escoar o excesso de produção.

As exportações chinesas para a União Europeia, América Latina, África e Sudeste Asiático enfraqueceram em outubro. Além disso, a composição das vendas externas vem mudando: cresce a participação de carros e painéis solares, cujos preços despencaram, enquanto produtos de baixa tecnologia, como móveis e roupas, perdem espaço.

O número de carros exportados subiu quase 25% em outubro, mas o valor dessas exportações aumentou apenas 17%, refletindo a queda dos preços.

As tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, por outro lado, tiveram efeito menor no último mês. As exportações para o mercado americano caíram menos em outubro do que nos dois meses anteriores. Há ainda indícios de que empresas chinesas estejam contornando as tarifas, enviando produtos para outros países antes de chegarem aos EUA.

“O aumento da participação das exportações chinesas destinadas ao Vietnã, o principal centro de redirecionamento, sugere que o impacto das tarifas continuou a ser compensado”, explicou Zichun Huang, economista da Capital Economics, em relatório. “Ou seja, o peso das tarifas americanas parece estar diminuindo, não aumentando.”

Mesmo assim, a China continua exportando mais de três vezes o que importa dos Estados Unidos, o que tem ajudado Pequim a sustentar o emprego industrial e fortalecer a economia, apesar da crise prolongada do setor imobiliário, que abalou as finanças de muitas famílias chinesas.

Com os consumidores reticentes em gastar após perdas financeiras significativas, parte da produção doméstica tem sido redirecionada para o mercado externo.

A ligeira valorização do yuan (renminbi) frente ao dólar nos últimos meses pode ter prejudicado a competitividade dos produtos chineses, tornando-os mais caros em alguns mercados. Por outro lado, a moeda se desvalorizou cerca de 7% em relação ao euro no último ano, o que beneficiou as exportações destinadas à União Europeia.

O banco Goldman Sachs observou que o desempenho mais fraco das exportações também pode ter sido influenciado por um fator pontual: outubro teve um dia útil a menos neste ano em relação a 2023.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qilai Shen para o The New York Times

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