Portos

Panama Ports Company recorre à arbitragem internacional e pede indenização ao Panamá

A Panama Ports Company (PPC) informou que iniciou, em 3 de fevereiro, um processo de arbitragem internacional contra a República do Panamá, com base no contrato de concessão dos portos de Balboa e Cristóbal e nas Regras de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (CCI). A companhia busca reparação após decisões judiciais que impactaram diretamente sua atuação no país.

Concessão foi anulada pela Suprema Corte do Panamá
A medida ocorre após a Suprema Corte de Justiça panamenha declarar inconstitucional o arcabouço legal que sustentava a concessão dos terminais. A decisão resultou na anulação do contrato que autorizava a PPC, subsidiária do grupo Hutchison Ports, a operar instalações estratégicas localizadas em lados opostos do Canal do Panamá.

Empresa alega tratamento discriminatório por parte do Estado
Segundo a PPC, a decisão judicial integra uma ação direcionada do Estado panamenho especificamente contra a empresa e seu contrato. A companhia afirma que medidas abruptas e seletivas causaram danos significativos e criaram riscos adicionais, sem que outros contratos portuários em vigor no país fossem submetidos a iniciativas semelhantes.

Tentativas de diálogo antecederam a arbitragem
A empresa sustenta que, antes de recorrer à arbitragem, realizou esforços extensivos para evitar litígios, mantendo as operações normalmente e cooperando com autoridades locais. No entanto, alega que o Estado ignorou comunicações formais, pedidos de consulta e solicitações de esclarecimento apresentados ao longo do processo.

Contrato teria respaldo jurídico de quase 30 anos
Na reivindicação apresentada, a Panama Ports Company destaca que o contrato de concessão se apoia em um marco legal vigente há quase três décadas, criado para assegurar segurança jurídica e estabilidade contratual. A PPC afirma que o Panamá violou tanto o contrato quanto a legislação aplicável e anunciou que buscará indenização integral, com base em dados financeiros relevantes, além de outras medidas legais cabíveis.

Mudança de entendimento jurídico é questionada pela companhia
A empresa também afirma que o Estado panamenho reverteu posições históricas sobre o regime jurídico da concessão e passou a promover ou apoiar ações judiciais destinadas a invalidar o contrato, que, segundo a PPC, resultou de um processo licitatório internacional transparente.

Críticas a comunicado do Judiciário panamenho
A PPC criticou ainda um comunicado divulgado pelo Judiciário em 29 de janeiro de 2026, classificando-o como irregular. O texto está relacionado a uma decisão que declarou inconstitucional uma lei de 1997, apontada pela empresa como contraditória em relação a entendimentos anteriores da própria Suprema Corte. A companhia ressalta que a decisão ainda não foi oficialmente publicada nem entrou em vigor.

Estado teria iniciado medidas de transição operacional
Após o julgamento, a PPC afirma que o Estado passou a adotar ações para assumir o controle das operações, incluindo visitas inesperadas aos terminais e exigências de acesso irrestrito à infraestrutura física, comercial e intelectual, além de dados e funcionários. As medidas estariam inseridas em um suposto plano de transição portuária coordenado por autoridades estatais.

Operações seguem ativas enquanto arbitragem avança
Apesar do impasse, a empresa afirma que segue operando normalmente e continua solicitando mecanismos de coordenação com o governo. A PPC destaca que realizou investimentos superiores aos de qualquer outra operadora portuária no Panamá, gerando milhares de empregos diretos e indiretos e contribuindo para consolidar o país como um hub logístico global. A companhia reiterou o pedido de esclarecimentos ao Estado enquanto o processo de arbitragem internacional segue em curso.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Logística

APM Terminals assume gestão temporária dos portos de Balboa e Cristóbal, no Panamá

A APM Terminals passará a responder de forma temporária pela administração dos portos de Balboa e Cristóbal, no Panamá, após a Autoridade Marítima do Panamá anunciar a ativação de um plano técnico de transição operacional. A medida foi adotada depois que a Suprema Corte de Justiça do país declarou inconstitucional a concessão concedida à Companhia de Portos do Panamá, controlada pelo grupo CK Hutchison, com sede em Hong Kong.

Terminais são estratégicos para o Canal do Panamá
Os dois portos ocupam posições consideradas essenciais para o comércio marítimo internacional, por estarem localizados em lados opostos do Canal do Panamá. O porto de Cristóbal opera no eixo Atlântico, enquanto o porto de Balboa está situado no Pacífico, formando um corredor logístico fundamental para o fluxo global de cargas.

Operações seguem sem interrupções, afirma autoridade marítima
Em nota oficial, a Autoridade Marítima do Panamá informou que os serviços essenciais ligados ao comércio exterior continuam operando normalmente. Segundo o órgão, a transição está sendo conduzida de forma organizada e coordenada, com expectativa de colaboração da atual operadora durante o período de mudança.

Gestão provisória enquanto governo define modelo definitivo
Durante a fase de transição, a APM Terminals atuará como gestora interina dos terminais, enquanto o Estado panamenho avalia os próximos passos para a administração definitiva das unidades portuárias. A prioridade, de acordo com o governo, é manter a estabilidade do sistema portuário e garantir a continuidade do fluxo de cargas no país.

Foco na preservação do comércio internacional
A Autoridade Marítima reforçou que todo o processo tem como objetivo central assegurar a continuidade do comércio internacional, destacando o papel dos portos de Balboa e Cristóbal nas cadeias globais de suprimentos e na competitividade logística do Panamá.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Portos

Panamá negocia com Maersk para operação temporária de portos estratégicos do Canal

O governo do Panamá confirmou que está em negociação com a dinamarquesa Maersk para a operação temporária de portos estratégicos do Canal do Panamá, após a Justiça anular a concessão da empresa de Hong Kong CK Hutchison. Os terminais afetados estão localizados nas duas extremidades da via interoceânica, considerada essencial para o comércio marítimo global.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (30) pelo presidente panamenho José Raúl Mulino, que afirmou que as conversas envolvem uma subsidiária do grupo APM Moller Maersk, reconhecida pela experiência e capacidade técnica para assumir, de forma transitória, a administração dos terminais.

Decisão judicial e críticas internacionais

A Suprema Corte de Justiça do Panamá declarou inconstitucionais os contratos que permitiam à Panama Ports Company (PPC), ligada à CK Hutchison, operar desde 1997 os portos de Balboa e Cristóbal. A decisão provocou reação imediata da China, que classificou o movimento como prejudicial aos interesses de suas empresas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que Pequim adotará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos comerciais. Autoridades de Hong Kong também condenaram o que consideram interferência de governos estrangeiros em relações econômicas privadas.

Transição administrativa e nova concessão

Segundo Mulino, os contratos anulados são “leoninos” e desfavoráveis ao país. Ele garantiu que, até a implementação da decisão judicial, haverá continuidade das operações atuais, seguida de uma transição administrativa ordenada. Ao final do processo, o Panamá pretende lançar uma nova concessão sob condições mais vantajosas.

A Maersk confirmou, em comunicado, estar disposta a assumir a gestão provisória para mitigar riscos ao fluxo logístico e evitar impactos nos serviços essenciais ao comércio regional e internacional.

Importância estratégica do Canal do Panamá

O Canal do Panamá é utilizado principalmente por Estados Unidos e China e responde por cerca de 5% do comércio marítimo mundial. Apenas os EUA concentram aproximadamente 40% do tráfego de contêineres que passam pela rota.

Apesar das alegações do ex-presidente americano Donald Trump, que voltou a ameaçar “retomar” o canal sob o argumento de influência chinesa, o governo panamenho nega qualquer controle de Pequim sobre a via, administrada por uma entidade pública autônoma.

Impacto econômico e venda em suspenso

A decisão judicial ocorre em meio à tentativa da CK Hutchison de vender sua participação nos portos panamenhos a um consórcio liderado pela BlackRock, em um negócio avaliado em US$ 22,8 bilhões. O acordo, anunciado em março de 2025, perdeu força após alertas da China sobre possíveis prejuízos a seus interesses globais.

Após o anúncio do Panamá, as ações do conglomerado controlado pelo bilionário Li Ka-shing recuaram 4,6% na Bolsa de Hong Kong.

Para o economista Kelvin Lam, da consultoria Pantheon Macroeconomics, a decisão judicial dificilmente pode ser dissociada da pressão política dos Estados Unidos. Segundo ele, o episódio tende a aumentar a cautela de investidores estrangeiros em projetos de infraestrutura estratégica na região.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP/Arquivos

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Logística

Missão Panamá fortalece cooperação logística e amplia negociações entre Brasil e países da América Latina

A missão oficial do Governo Federal ao Panamá representou um avanço relevante na estratégia de integração logística e infraestrutura regional. A agenda, realizada na Cidade do Panamá, teve foco na atração de investimentos, no intercâmbio de tecnologia logística e no fortalecimento das relações econômicas entre os países.

Integrando a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, participou de encontros estratégicos que resultaram na assinatura de um acordo de cooperação e no avanço das negociações para a ampliação da malha aérea entre Brasil e Panamá, reforçando o protagonismo brasileiro na logística sul-americana.

Integração regional e Rotas Sul-Americanas

Durante a abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, o presidente Lula destacou o papel do programa Rotas de Integração Sul-Americana como eixo central do desenvolvimento regional. Segundo ele, o conjunto de obras em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e infraestrutura digital tem potencial para dobrar o comércio intrarregional nos próximos anos.

A iniciativa busca reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade e aproximar mercados da América do Sul, promovendo crescimento econômico integrado.

Brasil amplia protagonismo em infraestrutura logística

Para o ministro Silvio Costa Filho, a presença brasileira no Panamá reforça o compromisso do país em liderar a agenda de infraestrutura, aviação e setor portuário na região. De acordo com ele, a missão teve como objetivo aprofundar reuniões bilaterais e identificar oportunidades concretas de parcerias estratégicas.

O foco, segundo o ministro, está na ampliação da cooperação técnica e no estímulo a investimentos que fortaleçam a infraestrutura brasileira e a conexão com países vizinhos.

Cooperação portuária e criação de corredor verde

Um dos principais resultados da missão foi a assinatura de um Memorando de Entendimento entre Brasil e Panamá voltado à cooperação portuária. O acordo estabelece quatro eixos prioritários:
aumento da competitividade logística, descarbonização, modernização tecnológica com uso de inteligência artificial e Big Data e capacitação profissional.

O documento também prevê estudos para a implantação de um Corredor Verde entre o Brasil e o Canal do Panamá, rota estratégica que movimenta cerca de 5,8 milhões de toneladas de cargas por ano. A proposta é incentivar o uso de combustíveis sustentáveis, alinhando eficiência operacional às metas globais de redução de emissões de carbono.

Canal do Panamá e impacto no comércio brasileiro

A agenda incluiu ainda uma visita técnica às eclusas de Cocolí, estrutura fundamental que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. A comitiva conheceu de perto o funcionamento do canal, por onde transitam milhões de toneladas de cargas brasileiras anualmente.

O Canal do Panamá é considerado um corredor logístico estratégico para o Brasil, especialmente nas relações comerciais com a Ásia e a América do Norte, ao reduzir distâncias e custos no transporte marítimo internacional.

Articulação política e encontros bilaterais

No campo diplomático, o ministro acompanhou o presidente Lula em reunião com o presidente do Chile, José Antonio Kast, reforçando o diálogo político e econômico entre os países. A comitiva também participou do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, promovido pelo CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina.

Ainda na quarta-feira (28), representantes do governo brasileiro se reuniram com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em encontro bilateral voltado ao debate sobre infraestrutura física, investimentos e integração logística, com o objetivo de destravar gargalos e impulsionar o comércio regional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Logística

Corredor interoceânico mexicano promete encurtar rota entre Atlântico e Pacífico e desafia hegemonia do Canal do Panamá

O México avança em um dos projetos logísticos mais ambiciosos do século ao apostar em um corredor interoceânico capaz de ligar Atlântico e Pacífico em cerca de 20 horas. A iniciativa, instalada no Istmo de Tehuantepec, envolve a movimentação de bilhões de toneladas de terra, modernização de portos, reconstrução ferroviária e a criação de polos industriais voltados ao nearshoring, redesenhando o mapa do comércio internacional sob intenso escrutínio ambiental e geopolítico.

A expectativa oficial é que o eixo terrestre movimente até 200 milhões de toneladas por ano, atraia indústrias que deixam a Ásia e funcione como alternativa estrutural ao Canal do Panamá, cada vez mais pressionado por crises hídricas.

Crise no Canal do Panamá acelera disputa por novas rotas globais

A vulnerabilidade do modelo panamenho ficou evidente em 2023, quando a seca histórica no Lago Gatún reduziu drasticamente o número de travessias diárias. O canal, responsável por quase 6% do comércio mundial, precisou limitar o fluxo de navios, gerando filas superiores a 200 embarcações e forçando desvios que acrescentaram milhares de quilômetros às rotas marítimas.

Nesse cenário, a proposta mexicana ganhou força política e econômica. Sem depender de eclusas ou grandes reservatórios de água doce, o corredor ferroviário passou a ser visto como uma solução mais previsível em um contexto de mudanças climáticas e instabilidade logística.

Como funciona o corredor interoceânico do Istmo de Tehuantepec

Descrito como um “canal sobre trilhos”, o Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec substitui a travessia aquática por um sistema integrado de portos modernizados e ferrovia de alta capacidade. A operação prevê o desembarque de contêineres em um oceano, o transporte ferroviário pelo istmo e o reembarque no oceano oposto.

Cada composição ferroviária pode levar mais de 120 contêineres, cruzando o território a velocidades médias de 70 km/h. Quando estiver plenamente operacional, o tempo de deslocamento interno deverá cair mais de 80% em relação às esperas enfrentadas no Panamá.

Portos de Salina Cruz e Coatzacoalcos viram peças-chave da nova rota

No Pacífico, Salina Cruz passou por dragagens profundas que ampliaram o calado para até 24 metros, permitindo a atracação de navios pós-panamax. Um novo quebra-mar de seis quilômetros reforça a proteção contra tempestades, enquanto sensores e píeres reforçados preparam o terminal para operações automatizadas.

No Atlântico, Coatzacoalcos teve o canal de acesso aprofundado e ganhou integração direta com a ferrovia, eliminando etapas intermediárias no transporte. Segundo o projeto, o tempo de liberação de cargas caiu de dias para poucas horas, aumentando a competitividade do porto.

Ferrovia reconstruída impulsiona nearshoring e polos industriais

No interior do istmo, cerca de 90% da malha ferroviária foi substituída. Trilhos reforçados, dormentes de concreto e viadutos em áreas alagadiças garantem a circulação de trens pesados. Ao longo do traçado, surgem polos industriais voltados a setores como petroquímica, eletrônicos, logística e energia limpa, com incentivos fiscais que podem durar até 15 anos.

As projeções indicam a geração de mais de 250 mil empregos diretos, em uma região onde grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza. A combinação entre infraestrutura logística e incentivos posiciona o corredor como peça central da estratégia mexicana de reindustrialização.

Linha K amplia alcance regional do corredor interoceânico

Ainda em construção, a Linha K representa a expansão do sistema ferroviário rumo ao sul. Com quase 90% de avanço físico, o eixo deve ser concluído até 2026 e conectar o corredor a Puerto Chiapas, abrindo caminho para futuras ligações com a América Central.

O projeto inclui 447 quilômetros de trilhos, centenas de pontes e pátios de transferência. A presidente Claudia Sheinbaum já confirmou negociações para estender a malha até a Guatemala, ampliando o impacto regional do corredor.

Trem suburbano e obras urbanas transformam cidades do istmo

Além da carga, o plano prevê o lançamento do trem suburbano El Tehuanito, com tarifas reduzidas para a população local. Viadutos de grande porte e parques urbanos acompanham a ferrovia, indicando que o corredor também altera a dinâmica urbana das cidades atravessadas.

Investimento bilionário consolida prioridade política do projeto

O orçamento federal de 2026 reserva dezenas de bilhões de pesos para o avanço do corredor interoceânico, incluindo compra de material rodante, conclusão da Linha K e fortalecimento dos polos industriais. Linhas já reabilitadas acumulam centenas de milhares de passageiros e toneladas de carga, testando o modelo integrado.

Desenvolvimento, moradia e conflitos fundiários no traçado

Ao longo da rota, foram criados Núcleos de Desenvolvimento para o Bem-Estar, zonas industriais com incentivos fiscais. Paralelamente, o governo registra investimentos em moradia e projetos comunitários, enquanto obras viárias associadas ao corredor expõem disputas por terras e indenizações, revelando o lado social mais sensível do empreendimento.

Pressão ambiental reacende debate sobre megaprojetos interoceânicos

O impacto ambiental é um dos pontos mais críticos. Casos como o de Dos Bocas, onde manguezais foram removidos, alimentam críticas de organizações ambientais. No istmo, parques eólicos levantam alertas sobre riscos à fauna migratória, apesar de produzirem energia renovável.

Experiências internacionais reforçam os alertas. O fracasso do canal da Nicarágua e o avanço da Passagem do Ártico, impulsionado pelo derretimento do gelo, mostram que a disputa por rotas entre Atlântico e Pacífico ocorre em um cenário de alta incerteza climática e política.

O México aposta que seu corredor terrestre encontrará equilíbrio entre competitividade logística, desenvolvimento regional e preservação ambiental, em uma disputa que pode redefinir o comércio global nas próximas décadas.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Portos

China ganha espaço em licitações portuárias no Canal do Panamá apesar de pressão dos EUA

Companhias da China poderão participar do processo de licitação para a construção de dois novos portos no Canal do Panamá, afirmou o administrador da via interoceânica, Ricaurte Vásquez. A decisão ocorre mesmo diante das recentes pressões dos Estados Unidos, que ameaçam retomar influência sobre a rota estratégica.

A declaração contrasta com as afirmações do presidente norte-americano, Donald Trump, que insiste que o canal estaria sob controle de Pequim devido à operação das instalações de Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico) pela empresa hong-konguesa Hutchison Holdings.

Disputa geopolítica aumenta atenção sobre novas licitações

Em meio ao cenário de tensão, a Hutchison concordou em vender ambas as terminales a um grupo liderado pela norte-americana BlackRock — movimento que gerou desconfiança em Pequim. Agora, empresas chinesas demonstram interesse direto nas novas obras portuárias, classificadas como estratégicas para o futuro da logística regional.

“Temos que estar abertos à participação de todas as partes interessadas”, declarou Vásquez a jornalistas. Questionado sobre a possibilidade de um agravamento das tensões caso as obras sejam concedidas a companhias chinesas, respondeu: “Primeiro precisamos ver como chegamos ao rio; depois decidimos como atravessá-lo”, numa metáfora sobre o andamento do processo.

Reuniões com consórcios começam na próxima semana

As reuniões com grupos interessados começam na próxima segunda-feira e integram o processo de concessão dos futuros portos de Corozal, no Pacífico, e Telfers, no Atlântico. Entre os participantes estão as hong-konguesas Cosco Shipping Ports e OOCL, além de empresas de outros países.

O Canal do Panamá planeja investir US$ 8,5 bilhões na próxima década para ampliar sua infraestrutura. Além dos novos portos, o plano inclui a construção de um gasoduto e de um novo reservatório. A expectativa é adjudicar os projetos em 2026 e iniciar operações em 2029.

Interesse global reforça importância estratégica do canal

Também manifestaram interesse empresas como PSA International (Singapura), Evergreen (Taiwan), Hapag-Lloyd (Alemanha), Maersk (Dinamarca) e CMA Terminals–CMA (França). Os principais portos panamenhos, todos próximos ao canal, são hoje administrados por concessionárias dos Estados Unidos, Taiwan, Hong Kong e Singapura.

Com 80 quilômetros de extensão, o Canal do Panamá responde por 5% do comércio marítimo mundial e tem como principais usuários justamente EUA e China. Washington transferiu oficialmente o controle da rota ao Panamá em 1977, concluindo o processo em 31 de dezembro de 1999, após quase um século de administração.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Portos do Canal do Panamá em risco por decisão judicial

O Canal do Panamá, um dos corredores mais estratégicos do planeta, volta a ocupar o centro das atenções. Um processo judicial em andamento pode definir o futuro da concessão dos dois principais portos que operam em suas extremidades — um no Pacífico e outro no Atlântico — em um contexto de crescente competição global pelo controle de infraestruturas críticas.

O caso, atualmente nas mãos da Corte Suprema do Panamá, surgiu a partir de uma ação que questiona a validade do contrato de concessão e sua prorrogação. A decisão, que pode ser conhecida nas próximas semanas, mantém em suspense o sistema logístico internacional diante da possibilidade de suspensão operacional, afetando o trânsito de mercadorias entre os oceanos.

Segundo a Organização Mundial de Cidades e Plataformas Logísticas (OMCPL), a decisão pode gerar uma disrupção sem precedentes nas cadeias de suprimentos, com consequências imediatas nos fluxos comerciais que dependem do transporte interoceânico.

Os dois portos concentram mais de quatro milhões de TEUs anuais e conectam-se a mais de sessenta serviços marítimos internacionais. Uma paralisação simultânea bloquearia o trânsito logístico de contêineres entre os oceanos, impactando companhias marítimas, seguradoras, operadores e toda a rede de fornecedores ligada ao comércio marítimo global.

Rotas comprometidas
As rotas mais afetadas seriam aquelas que conectam o Golfo do México, América do Sul, Ásia e Europa. Se houver interrupção, os portos de Colón, Manzanillo, Cartagena e Kingston absorveriam parte do tráfego, mas nenhum tem capacidade imediata para substituir o papel duplo do Panamá como hub interoceânico.

Na prática, os tempos de trânsito aumentariam, os custos operacionais subiriam e a estabilidade do comércio marítimo poderia ser prejudicada. Os setores mais impactados seriam os ligados à indústria eletrônica, automotiva, farmacêutica e energética, todos dependentes de fluxo contínuo e previsível entre regiões.

O conflito judicial surge em um momento de reconfiguração do poder logístico mundial. No início de 2025, um fundo de investimento americano e uma das principais companhias marítimas do planeta anunciaram a compra da maioria dos ativos portuários de um grupo asiático com presença global. A operação, avaliada em mais de 22 bilhões de dólares, atraiu atenção internacional pelo crescente interesse de grandes capitais em corredores estratégicos do comércio marítimo.

A disputa legal poderia invalidar essa transação caso a justiça panamenha declare nula a concessão. Nesse caso, os ativos ficariam sem validade para transferência, obrigando à suspensão das operações e à abertura de um novo processo licitatório que poderia durar meses.

Impacto além do local
O impacto de uma decisão desse tipo transcenderia o âmbito local. Por se tratar de um ponto crucial que canaliza mais de seis por cento do comércio marítimo mundial, qualquer interrupção geraria efeito dominó com implicações financeiras, geopolíticas e logísticas globais.

Há décadas, o Panamá funciona como um “hub de hubs”, ponto de convergência de mercadorias, capitais e decisões estratégicas. Por isso, o conflito atual vai além do jurídico e se insere na disputa pelo controle dos nós de conectividade mundial. A OMCPL alerta que um veredicto desfavorável poderia replicar impactos de episódios recentes que paralisaram infraestruturas críticas na região. Diferente desses casos, a suspensão das operações portuárias panamenhas afetaria o eixo principal do transporte marítimo interoceânico.

O resultado do processo judicial determinará não apenas o futuro das terminais envolvidas, mas também a estabilidade do fluxo logístico global em um momento de crescente tensão comercial entre potências e vulnerabilidade das cadeias de suprimentos. Enquanto o mundo observa, o Panamá se encontra em um ponto de inflexão: se confirmada a suspensão, o país deixaria temporariamente de ser o elo que une os oceanos para se tornar o ponto onde a cadeia global pode se romper.

FONTE: Todo Logistica News
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Turismo

Canal do Panamá dá início à temporada de cruzeiros 2025-2026 com o Queen Elizabeth

O Canal do Panamá inaugurou oficialmente a temporada de cruzeiros 2025-2026 com a passagem do luxuoso Queen Elizabeth, que cruzou a hidrovia interoceânica rumo ao norte. O navio faz parte de uma viagem de 22 dias com partida de Seattle, Washington, marcando a primeira de mais de 195 travessias programadas para o período.

Redução estratégica no número de travessias

Segundo Albano G. Aguilar, especialista em análise e previsão de mercado do Escritório de Assuntos Corporativos do Canal, a nova temporada deve registrar leve queda no número de trânsitos em relação ao ano anterior. A redução se deve às estratégias de otimização de custos adotadas pelas grandes companhias de cruzeiros, que estão priorizando itinerários mais curtos e operações concentradas no Caribe.

Companhias e navios estreantes no Canal do Panamá

As principais empresas do setor — Norwegian Cruise Line, Carnival Cruise Line e Royal Caribbean Cruises — continuam oferecendo viagens com travessias completas e parciais pelo canal.

Nesta temporada, cinco navios farão sua primeira passagem pelo Canal do Panamá: o Aidadiva, Brilliant Lady, Celebrity Ascent, Disney Adventure e Star Seeker. Ao todo, 41 navios Neopanamax estão previstos para cruzar a hidrovia, incluindo gigantes como o Norwegian Bliss, Norwegian Joy e Norwegian Encore. Alguns deles, como o Celebrity Ascent e o Disney Adventure, farão estreia nas novas eclusas.

Marco histórico: um milhão de visitantes em um ano

O início da temporada coincide com um feito significativo: o Canal do Panamá alcançou a marca de um milhão de visitantes em um único ano fiscal. A hidrovia segue como uma das principais atrações turísticas do país, reforçando sua relevância não apenas comercial, mas também cultural.

Desde que passou à administração panamenha, o Canal tem investido na expansão de sua infraestrutura turística, com a criação do Centro de Visitantes de Miraflores (2003), do Centro de Visitantes de Água Clara, em Colón (2012), e, mais recentemente, do Mirante de Gatún.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Logística

Canal do Panamá lança programa LoTSA 2.0 para modernizar alocação de slots

Novo modelo amplia flexibilidade para companhias de navegação

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) anunciou o lançamento do programa LoTSA 2.0 (Alocação de Slots de Longo Prazo), que traz um novo modelo de reservas para companhias de navegação. O objetivo é oferecer mais flexibilidade operacional e adaptação às dinâmicas do mercado global, facilitando o planejamento de trânsitos pelo Canal do Panamá.

Ciclos semestrais e primeiro leilão em 2025

Com a atualização, os pacotes de reserva deixam de seguir um horizonte de 12 meses e passam a ser divididos em dois ciclos de seis meses. O primeiro período vai de 4 de janeiro a 4 de julho de 2026, e o segundo de 5 de julho de 2026 a 3 de janeiro de 2027.

O primeiro leilão de cotas já tem data marcada: 28 de outubro de 2025.

Novos pacotes de serviços e ajustes na oferta

Entre as mudanças anunciadas, a ACP informou que a média de slots diários será ajustada de quatro para três, além da criação de novos pacotes de serviço, como FixContainer, FlexContainer, FixGas, FlexGas, FlexGas+ e FlexSlot+.

Essas modalidades permitirão que os clientes escolham datas com garantia confirmada ou optem por níveis maiores de flexibilidade.

Benefícios adicionais para os clientes

O LoTSA 2.0 também traz vantagens como:

  • possibilidade de reservar com até 15 dias de antecedência;
  • realização de até duas alterações de data, conforme o pacote;
  • cancelamentos com tarifa reduzida, desde que solicitados com mais de 15 dias de antecedência.

Ajustes no sistema geral de reservas

Paralelamente ao novo programa, a ACP anunciou melhorias no sistema de reservas do canal. Entre elas, o restabelecimento do acesso antecipado para navios de gás natural liquefeito (GNL) no período de reserva 1A, a partir de 4 de janeiro de 2026.

Outra mudança é a eliminação da restrição que limitava a utilização das eclusas do Neopanamax a apenas um cliente por data.

Competitividade e sustentabilidade do Canal do Panamá

Segundo a ACP, a implementação do LoTSA 2.0 busca dar maior previsibilidade às empresas de navegação, otimizar operações, reduzir emissões de gases poluentes e reforçar a competitividade do Canal do Panamá diante das transformações do comércio internacional.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior

Canal do Panamá projeta menor tráfego de navios em 2026 

Tráfego diário ficará abaixo da capacidade máxima em 2026

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) prevê que, em 2026, o trânsito de embarcações pela hidrovia interoceânica continuará abaixo de sua capacidade máxima. A projeção indica uma média de 33 travessias diárias, três a menos do que a capacidade normal de 36 navios, devido à menor demanda por importações nos Estados Unidos, informou a consultoria Alphaliner.

O administrador do Canal, Ricaurte Vásquez Morales, explicou que a desaceleração do comércio causada pelas medidas tarifárias norte-americanas dificulta a recuperação total do tráfego observado antes da seca de 2023/24. Em agosto de 2025, o Canal registrou uma média de 32,5 trânsitos diários, ainda abaixo do potencial máximo.

Perspectiva financeira e impacto econômico

No aspecto financeiro, a ACP estima encerrar o ano fiscal de 2025 com receita bruta próxima a US$ 5 bilhões, impulsionada pelo aumento de importações antes da aplicação das tarifas. Nos próximos meses, porém, a tendência é de moderação, afetando principalmente importadores da Costa Leste e do Golfo dos EUA.

O que é o Canal do Panamá?

O Canal do Panamá é uma hidrovia estratégica de 82 km que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. Por meio de um sistema de comportas e reservatórios, ele eleva navios a 26 metros acima do nível do mar e depois os retorna, facilitando a passagem entre os dois oceanos. Entre 13 mil e 14 mil embarcações atravessam o canal anualmente, tornando-o um eixo crucial para o comércio global.

Ao contrário de estreitos naturais, como o Canal da Mancha, o Canal do Panamá é uma obra artificial projetada para encurtar rotas comerciais e reduzir custos e tempo de transporte.

Como funciona a passagem de navios

O Canal do Panamá utiliza um sistema de lagos artificiais e comportas que elevam os navios para percorrer a hidrovia de 82 km. Funcionários da ACP assumem o comando das embarcações durante a travessia, garantindo segurança e fluidez no trânsito. Rebocadores auxiliam os navios, e há prioridade para quem agenda a passagem com antecedência.

As tarifas variam conforme tamanho, carga e momento da reserva, com média de US$ 143 mil por embarcação ou US$ 8,73 por tonelada de carga. Uma curiosidade histórica: o menor valor pago foi de US$ 0,36, pelo escritor Richard Halliburton, que nadou pelo canal em 1928.

História da construção

A ideia de conectar Atlântico e Pacífico remonta ao século XVI, quando os europeus buscavam evitar a perigosa rota do Estreito de Magalhães. Projetos foram propostos em locais como Nicarágua e Tehuantepec, mas a construção só começou a ganhar forma no século XIX.

Em 1880, o engenheiro francês Fernando de Lesseps, responsável pelo Canal de Suez, recebeu a concessão da Colômbia para construir a hidrovia, mas o projeto fracassou devido a doenças, clima adverso e falta de infraestrutura. Posteriormente, os Estados Unidos assumiram a obra, após o apoio à independência do Panamá em 1903, assinando o tratado Hay-Bunau Varilla que garantiu controle americano sobre a zona do canal.

O canal foi concluído em 1913 e inaugurado oficialmente em 1914. Conflitos e protestos históricos, como o “Dia dos Mártires” em 1964, levaram aos tratados Torrijos-Carter de 1977, que definiram a transferência do controle para o Panamá em 31 de dezembro de 1999, consolidando a soberania panamenha.

Importância econômica e estratégica

Os EUA são os principais clientes do canal, responsáveis por quase 72% da carga transportada, seguidos por China e Japão. A hidrovia é crucial para o comércio global e para a economia panamenha, que lucra até US$ 1,7 bilhão por ano, cerca de 3% do PIB do país.

Mesmo com restrições recentes devido à seca, o Canal do Panamá gerou lucro líquido de US$ 3,45 bilhões em 2024, reforçando seu papel estratégico. Tensões comerciais surgem quando tarifas elevadas afetam grandes importadores, como os Estados Unidos, evidenciando a relevância geopolítica da hidrovia.

FONTES: Mundo Marítimo e Politize
IMAGEM: Reprodução / Mundo Marítimo

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