Portos

China ganha espaço em licitações portuárias no Canal do Panamá apesar de pressão dos EUA

Companhias da China poderão participar do processo de licitação para a construção de dois novos portos no Canal do Panamá, afirmou o administrador da via interoceânica, Ricaurte Vásquez. A decisão ocorre mesmo diante das recentes pressões dos Estados Unidos, que ameaçam retomar influência sobre a rota estratégica.

A declaração contrasta com as afirmações do presidente norte-americano, Donald Trump, que insiste que o canal estaria sob controle de Pequim devido à operação das instalações de Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico) pela empresa hong-konguesa Hutchison Holdings.

Disputa geopolítica aumenta atenção sobre novas licitações

Em meio ao cenário de tensão, a Hutchison concordou em vender ambas as terminales a um grupo liderado pela norte-americana BlackRock — movimento que gerou desconfiança em Pequim. Agora, empresas chinesas demonstram interesse direto nas novas obras portuárias, classificadas como estratégicas para o futuro da logística regional.

“Temos que estar abertos à participação de todas as partes interessadas”, declarou Vásquez a jornalistas. Questionado sobre a possibilidade de um agravamento das tensões caso as obras sejam concedidas a companhias chinesas, respondeu: “Primeiro precisamos ver como chegamos ao rio; depois decidimos como atravessá-lo”, numa metáfora sobre o andamento do processo.

Reuniões com consórcios começam na próxima semana

As reuniões com grupos interessados começam na próxima segunda-feira e integram o processo de concessão dos futuros portos de Corozal, no Pacífico, e Telfers, no Atlântico. Entre os participantes estão as hong-konguesas Cosco Shipping Ports e OOCL, além de empresas de outros países.

O Canal do Panamá planeja investir US$ 8,5 bilhões na próxima década para ampliar sua infraestrutura. Além dos novos portos, o plano inclui a construção de um gasoduto e de um novo reservatório. A expectativa é adjudicar os projetos em 2026 e iniciar operações em 2029.

Interesse global reforça importância estratégica do canal

Também manifestaram interesse empresas como PSA International (Singapura), Evergreen (Taiwan), Hapag-Lloyd (Alemanha), Maersk (Dinamarca) e CMA Terminals–CMA (França). Os principais portos panamenhos, todos próximos ao canal, são hoje administrados por concessionárias dos Estados Unidos, Taiwan, Hong Kong e Singapura.

Com 80 quilômetros de extensão, o Canal do Panamá responde por 5% do comércio marítimo mundial e tem como principais usuários justamente EUA e China. Washington transferiu oficialmente o controle da rota ao Panamá em 1977, concluindo o processo em 31 de dezembro de 1999, após quase um século de administração.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Portos do Canal do Panamá em risco por decisão judicial

O Canal do Panamá, um dos corredores mais estratégicos do planeta, volta a ocupar o centro das atenções. Um processo judicial em andamento pode definir o futuro da concessão dos dois principais portos que operam em suas extremidades — um no Pacífico e outro no Atlântico — em um contexto de crescente competição global pelo controle de infraestruturas críticas.

O caso, atualmente nas mãos da Corte Suprema do Panamá, surgiu a partir de uma ação que questiona a validade do contrato de concessão e sua prorrogação. A decisão, que pode ser conhecida nas próximas semanas, mantém em suspense o sistema logístico internacional diante da possibilidade de suspensão operacional, afetando o trânsito de mercadorias entre os oceanos.

Segundo a Organização Mundial de Cidades e Plataformas Logísticas (OMCPL), a decisão pode gerar uma disrupção sem precedentes nas cadeias de suprimentos, com consequências imediatas nos fluxos comerciais que dependem do transporte interoceânico.

Os dois portos concentram mais de quatro milhões de TEUs anuais e conectam-se a mais de sessenta serviços marítimos internacionais. Uma paralisação simultânea bloquearia o trânsito logístico de contêineres entre os oceanos, impactando companhias marítimas, seguradoras, operadores e toda a rede de fornecedores ligada ao comércio marítimo global.

Rotas comprometidas
As rotas mais afetadas seriam aquelas que conectam o Golfo do México, América do Sul, Ásia e Europa. Se houver interrupção, os portos de Colón, Manzanillo, Cartagena e Kingston absorveriam parte do tráfego, mas nenhum tem capacidade imediata para substituir o papel duplo do Panamá como hub interoceânico.

Na prática, os tempos de trânsito aumentariam, os custos operacionais subiriam e a estabilidade do comércio marítimo poderia ser prejudicada. Os setores mais impactados seriam os ligados à indústria eletrônica, automotiva, farmacêutica e energética, todos dependentes de fluxo contínuo e previsível entre regiões.

O conflito judicial surge em um momento de reconfiguração do poder logístico mundial. No início de 2025, um fundo de investimento americano e uma das principais companhias marítimas do planeta anunciaram a compra da maioria dos ativos portuários de um grupo asiático com presença global. A operação, avaliada em mais de 22 bilhões de dólares, atraiu atenção internacional pelo crescente interesse de grandes capitais em corredores estratégicos do comércio marítimo.

A disputa legal poderia invalidar essa transação caso a justiça panamenha declare nula a concessão. Nesse caso, os ativos ficariam sem validade para transferência, obrigando à suspensão das operações e à abertura de um novo processo licitatório que poderia durar meses.

Impacto além do local
O impacto de uma decisão desse tipo transcenderia o âmbito local. Por se tratar de um ponto crucial que canaliza mais de seis por cento do comércio marítimo mundial, qualquer interrupção geraria efeito dominó com implicações financeiras, geopolíticas e logísticas globais.

Há décadas, o Panamá funciona como um “hub de hubs”, ponto de convergência de mercadorias, capitais e decisões estratégicas. Por isso, o conflito atual vai além do jurídico e se insere na disputa pelo controle dos nós de conectividade mundial. A OMCPL alerta que um veredicto desfavorável poderia replicar impactos de episódios recentes que paralisaram infraestruturas críticas na região. Diferente desses casos, a suspensão das operações portuárias panamenhas afetaria o eixo principal do transporte marítimo interoceânico.

O resultado do processo judicial determinará não apenas o futuro das terminais envolvidas, mas também a estabilidade do fluxo logístico global em um momento de crescente tensão comercial entre potências e vulnerabilidade das cadeias de suprimentos. Enquanto o mundo observa, o Panamá se encontra em um ponto de inflexão: se confirmada a suspensão, o país deixaria temporariamente de ser o elo que une os oceanos para se tornar o ponto onde a cadeia global pode se romper.

FONTE: Todo Logistica News
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Turismo

Canal do Panamá dá início à temporada de cruzeiros 2025-2026 com o Queen Elizabeth

O Canal do Panamá inaugurou oficialmente a temporada de cruzeiros 2025-2026 com a passagem do luxuoso Queen Elizabeth, que cruzou a hidrovia interoceânica rumo ao norte. O navio faz parte de uma viagem de 22 dias com partida de Seattle, Washington, marcando a primeira de mais de 195 travessias programadas para o período.

Redução estratégica no número de travessias

Segundo Albano G. Aguilar, especialista em análise e previsão de mercado do Escritório de Assuntos Corporativos do Canal, a nova temporada deve registrar leve queda no número de trânsitos em relação ao ano anterior. A redução se deve às estratégias de otimização de custos adotadas pelas grandes companhias de cruzeiros, que estão priorizando itinerários mais curtos e operações concentradas no Caribe.

Companhias e navios estreantes no Canal do Panamá

As principais empresas do setor — Norwegian Cruise Line, Carnival Cruise Line e Royal Caribbean Cruises — continuam oferecendo viagens com travessias completas e parciais pelo canal.

Nesta temporada, cinco navios farão sua primeira passagem pelo Canal do Panamá: o Aidadiva, Brilliant Lady, Celebrity Ascent, Disney Adventure e Star Seeker. Ao todo, 41 navios Neopanamax estão previstos para cruzar a hidrovia, incluindo gigantes como o Norwegian Bliss, Norwegian Joy e Norwegian Encore. Alguns deles, como o Celebrity Ascent e o Disney Adventure, farão estreia nas novas eclusas.

Marco histórico: um milhão de visitantes em um ano

O início da temporada coincide com um feito significativo: o Canal do Panamá alcançou a marca de um milhão de visitantes em um único ano fiscal. A hidrovia segue como uma das principais atrações turísticas do país, reforçando sua relevância não apenas comercial, mas também cultural.

Desde que passou à administração panamenha, o Canal tem investido na expansão de sua infraestrutura turística, com a criação do Centro de Visitantes de Miraflores (2003), do Centro de Visitantes de Água Clara, em Colón (2012), e, mais recentemente, do Mirante de Gatún.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Logística

Canal do Panamá lança programa LoTSA 2.0 para modernizar alocação de slots

Novo modelo amplia flexibilidade para companhias de navegação

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) anunciou o lançamento do programa LoTSA 2.0 (Alocação de Slots de Longo Prazo), que traz um novo modelo de reservas para companhias de navegação. O objetivo é oferecer mais flexibilidade operacional e adaptação às dinâmicas do mercado global, facilitando o planejamento de trânsitos pelo Canal do Panamá.

Ciclos semestrais e primeiro leilão em 2025

Com a atualização, os pacotes de reserva deixam de seguir um horizonte de 12 meses e passam a ser divididos em dois ciclos de seis meses. O primeiro período vai de 4 de janeiro a 4 de julho de 2026, e o segundo de 5 de julho de 2026 a 3 de janeiro de 2027.

O primeiro leilão de cotas já tem data marcada: 28 de outubro de 2025.

Novos pacotes de serviços e ajustes na oferta

Entre as mudanças anunciadas, a ACP informou que a média de slots diários será ajustada de quatro para três, além da criação de novos pacotes de serviço, como FixContainer, FlexContainer, FixGas, FlexGas, FlexGas+ e FlexSlot+.

Essas modalidades permitirão que os clientes escolham datas com garantia confirmada ou optem por níveis maiores de flexibilidade.

Benefícios adicionais para os clientes

O LoTSA 2.0 também traz vantagens como:

  • possibilidade de reservar com até 15 dias de antecedência;
  • realização de até duas alterações de data, conforme o pacote;
  • cancelamentos com tarifa reduzida, desde que solicitados com mais de 15 dias de antecedência.

Ajustes no sistema geral de reservas

Paralelamente ao novo programa, a ACP anunciou melhorias no sistema de reservas do canal. Entre elas, o restabelecimento do acesso antecipado para navios de gás natural liquefeito (GNL) no período de reserva 1A, a partir de 4 de janeiro de 2026.

Outra mudança é a eliminação da restrição que limitava a utilização das eclusas do Neopanamax a apenas um cliente por data.

Competitividade e sustentabilidade do Canal do Panamá

Segundo a ACP, a implementação do LoTSA 2.0 busca dar maior previsibilidade às empresas de navegação, otimizar operações, reduzir emissões de gases poluentes e reforçar a competitividade do Canal do Panamá diante das transformações do comércio internacional.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior

Canal do Panamá projeta menor tráfego de navios em 2026 

Tráfego diário ficará abaixo da capacidade máxima em 2026

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) prevê que, em 2026, o trânsito de embarcações pela hidrovia interoceânica continuará abaixo de sua capacidade máxima. A projeção indica uma média de 33 travessias diárias, três a menos do que a capacidade normal de 36 navios, devido à menor demanda por importações nos Estados Unidos, informou a consultoria Alphaliner.

O administrador do Canal, Ricaurte Vásquez Morales, explicou que a desaceleração do comércio causada pelas medidas tarifárias norte-americanas dificulta a recuperação total do tráfego observado antes da seca de 2023/24. Em agosto de 2025, o Canal registrou uma média de 32,5 trânsitos diários, ainda abaixo do potencial máximo.

Perspectiva financeira e impacto econômico

No aspecto financeiro, a ACP estima encerrar o ano fiscal de 2025 com receita bruta próxima a US$ 5 bilhões, impulsionada pelo aumento de importações antes da aplicação das tarifas. Nos próximos meses, porém, a tendência é de moderação, afetando principalmente importadores da Costa Leste e do Golfo dos EUA.

O que é o Canal do Panamá?

O Canal do Panamá é uma hidrovia estratégica de 82 km que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. Por meio de um sistema de comportas e reservatórios, ele eleva navios a 26 metros acima do nível do mar e depois os retorna, facilitando a passagem entre os dois oceanos. Entre 13 mil e 14 mil embarcações atravessam o canal anualmente, tornando-o um eixo crucial para o comércio global.

Ao contrário de estreitos naturais, como o Canal da Mancha, o Canal do Panamá é uma obra artificial projetada para encurtar rotas comerciais e reduzir custos e tempo de transporte.

Como funciona a passagem de navios

O Canal do Panamá utiliza um sistema de lagos artificiais e comportas que elevam os navios para percorrer a hidrovia de 82 km. Funcionários da ACP assumem o comando das embarcações durante a travessia, garantindo segurança e fluidez no trânsito. Rebocadores auxiliam os navios, e há prioridade para quem agenda a passagem com antecedência.

As tarifas variam conforme tamanho, carga e momento da reserva, com média de US$ 143 mil por embarcação ou US$ 8,73 por tonelada de carga. Uma curiosidade histórica: o menor valor pago foi de US$ 0,36, pelo escritor Richard Halliburton, que nadou pelo canal em 1928.

História da construção

A ideia de conectar Atlântico e Pacífico remonta ao século XVI, quando os europeus buscavam evitar a perigosa rota do Estreito de Magalhães. Projetos foram propostos em locais como Nicarágua e Tehuantepec, mas a construção só começou a ganhar forma no século XIX.

Em 1880, o engenheiro francês Fernando de Lesseps, responsável pelo Canal de Suez, recebeu a concessão da Colômbia para construir a hidrovia, mas o projeto fracassou devido a doenças, clima adverso e falta de infraestrutura. Posteriormente, os Estados Unidos assumiram a obra, após o apoio à independência do Panamá em 1903, assinando o tratado Hay-Bunau Varilla que garantiu controle americano sobre a zona do canal.

O canal foi concluído em 1913 e inaugurado oficialmente em 1914. Conflitos e protestos históricos, como o “Dia dos Mártires” em 1964, levaram aos tratados Torrijos-Carter de 1977, que definiram a transferência do controle para o Panamá em 31 de dezembro de 1999, consolidando a soberania panamenha.

Importância econômica e estratégica

Os EUA são os principais clientes do canal, responsáveis por quase 72% da carga transportada, seguidos por China e Japão. A hidrovia é crucial para o comércio global e para a economia panamenha, que lucra até US$ 1,7 bilhão por ano, cerca de 3% do PIB do país.

Mesmo com restrições recentes devido à seca, o Canal do Panamá gerou lucro líquido de US$ 3,45 bilhões em 2024, reforçando seu papel estratégico. Tensões comerciais surgem quando tarifas elevadas afetam grandes importadores, como os Estados Unidos, evidenciando a relevância geopolítica da hidrovia.

FONTES: Mundo Marítimo e Politize
IMAGEM: Reprodução / Mundo Marítimo

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Notícias

Canal do Panamá apresenta seu plano até 2035

O Canal do Panamá apresentou nesta terça-feira seu plano estratégico para os próximos dez anos, com foco central na gestão da água após as secas de 2023 e 2024.

O roteiro inclui a construção de um novo reservatório no rio Indio, o desenvolvimento de um gasoduto interoceânico e a criação de novos terminais portuários, com o objetivo de garantir a operação da via e fortalecer seu papel no comércio global.

Água, o recurso mais crítico

“O primeiro e mais importante desafio é administrar melhor o recurso hídrico”, afirmou o administrador Ricaurte Vásquez, ao detalhar o projeto de um reservatório multipropósito na bacia do rio Indio. O investimento estimado é de 1,5 bilhão de dólares, embora o projeto enfrente resistência das comunidades locais.

Esse reservatório será fundamental para manter níveis estáveis de água que assegurem o funcionamento do canal e o abastecimento de água potável para mais da metade da população panamenha.

Gasoduto e corredor energético

Outro eixo do plano é a criação de um corredor energético interoceânico composto por um gasoduto de 76 quilômetros e dois terminais marítimos. Esse projeto permitirá movimentar até 2,5 milhões de barris de produtos energéticos por dia sem a necessidade de atravessar as eclusas.

A infraestrutura contempla principalmente gás propano e butano, mas também a possibilidade de transportar etano para mercados da Ásia. Segundo cálculos oficiais, deverá gerar mais de 64 bilhões de dólares ao longo de sua vida útil.

Terminais portuários e maior capacidade de transbordo

O plano estratégico também prevê a construção de um terminal de contêineres no Atlântico para absorver um crescimento projetado de 5,5 milhões de TEUs na próxima década.

Com esses projetos, a administração busca responder aos efeitos das mudanças climáticas, além de garantir a disponibilidade de água e consolidar o Canal do Panamá como uma plataforma-chave para o comércio marítimo e energético internacional.

Fonte: Todo Logistica News

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Comércio Exterior

Lula anuncia apoio ao acordo de neutralidade do Canal do Panamá

Presidente recebeu hoje o presidente do Panamá, José Raúl Mulino

presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (28), o reconhecimento direto do Brasil ao tratado sobre a neutralidade permanente e a operação do Canal do Panamá. Lula recebeu o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, para uma visita oficial, e, em seu discurso, fez referência às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em retomar o controle da via interoceânica.

“O Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o Canal, conquistada após décadas de luta. Há mais de 25 anos, o país administra o corredor marítimo com eficiência e respeito à neutralidade, garantindo trânsito seguro a navios de todas as origens”, disse Lula em declaração à imprensa no Palácio do Planalto.

“Tentativas de restaurar antigas hegemonias colocam em xeque a liberdade e a autodeterminação de nossos povos. Ameaças de ingerência pressionam instituições democráticas e comprometem a construção de um continente integrado, desenvolvido e autônomo. O comércio internacional é utilizado como instrumento de coerção e chantagem”, acrescentou.

O tratado de neutralidade do Canal do Panamá é um dos atos bilaterais dos Tratados Torrijos-Carter, assinados pelos Estados Unidos e pelo Panamá, que regem o funcionamento e a neutralidade da via aquática, com o Panamá assumindo a administração total do canal em 1999. O Brasil, como nação-membro da Organização dos Estados Americanos (OEA), reconhece a validade desses tratados, que visam garantir o trânsito seguro e não discriminatório para todas as nações.

As obras do Canal do Panamá foram iniciadas pela França em 1880 e assumidas pelos Estados Unidos em 1904. O empreendimento reduziu muito o tempo de viagem para se cruzar os oceanos Atlântico e Pacífico de navio, fundamental para o comércio internacional. O canal é gerenciado e operado pela Autoridade do Canal do Panamá, uma agência do governo do país.

“Não há duvida de que a questão do canal nos afeta muito porque é uma luta de um século, conquistada por negociação e conseguimos alcançar a plena soberania”, disse o presidente panamenho José Raúl Mulino.

Hoje, o Ministério dos Portos e Aeroportos do Brasil e a Autoridade do Canal do Panamá firmaram memorando de entendimento para otimizar as exportações brasileiras e modernizar a operação dos portos brasileiros. Ele prevê o intercâmbio de experiências e transferência de informações sobre o funcionamento do Canal do Panamá, estudos sobre o uso de novas rotas e avaliação de rotas marítimas e fluviais mais sustentáveis.

Durante a visita oficial, também foi assinado memorando para cooperação sobre desenvolvimento agrícola e pecuário, em áreas como capacitação técnica, sanidade animal e vegetal, produção sustentável e inovação. Ainda, a Embraer anunciou o acordo para a venda de quatro aeronaves do modelo A-29 Super Tucano para o Serviço Nacional Aeronaval do Panamá.

Segundo o presidente Lula, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também vai atuar junto ao país ampliar a capacidade panamenha de produção de vacinas e contribuir para o estabelecimento de um polo farmacêutico regional.

Meio ambiente

presidente Mulino confirmou sua participação na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, em novembro, e contou sobre o impacto das migrações nas florestas da Região de Darién, na divisa de Colômbia e Panamá. Segundo ele, os caminhos foram devastados e toneladas de lixo foram deixados pelas milhares de pessoas que cruzam a região em direção à América do Norte.

O país também é afetado pelas secas e está construindo um reservatório para abastecer, inclusive, o lago do Canal do Panamá, que torna possível a navegação no local.

“Precisamos de água, de florestas e lutar todos os dias contra a mudança do clima”, disse Mulino.

presidente Lula destacou que Brasil e Panamá são responsáveis por uma imensa biodiversidade e merecem ser remunerados pelos serviços ambientais. Ele pediu que o país faça a adesão ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que será lançado na COP30, um mecanismo financeiro para recompensar países por preservar suas florestas tropicais.

“Apesar de ser um dos poucos países que absorvem mais gases de efeito estufa do que emitem, o Panamá já lida com os efeitos da elevação do nível do mar em seu território. O deslocamento do povo indígena Guna de seu arquipélago ancestral é um exemplo concreto da injustiça climática”, disse o presidente brasileiro.

Fonte: Agência Brasil

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Informação

Canal do Panamá comemora seu 111º aniversário

Em 25 anos, sob administração panamenha, a Autoridade do Canal do Panamá investiu US$ 15 bilhões

O Canal do Panamá comemora 111 anos de operação, desde sua inauguração em 1914, com a histórica passagem do navio a vapor “Ancón”, que conectou os oceanos Pacífico e Atlântico pela primeira vez. Por ocasião desta comemoração, a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) enfatiza em um comunicado que a hidrovia “tem sido uma força motriz do desenvolvimento econômico e social do Panamá e uma transformadora do comércio marítimo global”.

Ele também observa que, nos últimos 25 anos, sob administração panamenha, a hidrovia interoceânica contribuiu com US$ 28,266 bilhões em pagamentos diretos ao Tesouro Nacional, além de US$ 15 bilhões em investimentos para projetos de capital, manutenção operacional e gestão de bacias hidrográficas.

“Em 25 anos, sob administração panamenha, o canal dobrou sua capacidade, expandiu suas eclusas e reforçou sua segurança. De uma etapa estratégica, evoluiu para um modelo de eficiência, transparência e comprometimento técnico. Cada dólar gerado é reinvestido para garantir que esta artéria continue a fluir para servir o mundo, enquanto o excedente é destinado ao desenvolvimento social do Panamá”, afirma o administrador do canal, Ricaurte Vásquez Morales.

Compromisso ambiental e sustentabilidade

O ACP enfatiza que a hidrovia interoceânica mantém uma sólida estratégia de sustentabilidade, com forte foco na descarbonização e na adaptação às mudanças climáticas. Em linha com a meta da Organização Marítima Internacional (OMI), comprometeu-se a atingir a neutralidade de carbono até 2050.

As principais ações nesse sentido incluem metas específicas de redução de emissões e a aquisição de 10 rebocadores com sistemas de propulsão híbridos, os dois primeiros dos quais foram batizados hoje: “Isla Barro Colorado” e “Isla Bastimentos”. Essas ações reduzem significativamente as emissões, melhoram a eficiência energética e reduzem o ruído subaquático, beneficiando a vida marinha.

O ACP também destaca seu impacto ambiental, já que os motores elétricos com os quais estão equipados permitem economias consideráveis de combustível e aumentam os intervalos de manutenção, aumentando assim a eficiência operacional.

Impacto social e progresso do projeto Lago Río Indio

O ACP destaca ainda que a gestão sustentável da bacia hidrográfica beneficia milhares de pessoas por meio de programas socioambientais como regularização fundiária, reflorestamento, agronegócio e educação ambiental.

Nesse contexto, ele explica que o projeto de criação de um lago na bacia do Rio Índio, atualmente em desenvolvimento, busca melhorar a qualidade de vida das comunidades locais e preservar seu meio ambiente. “Seu objetivo é garantir a segurança hídrica de mais de dois milhões de panamenhos que dependem dos lagos do Canal, um recurso vital para mais da metade da população e para setores produtivos como agricultura, indústria, educação, saúde e comércio.”

Segundo a entidade, o projeto avança com uma abordagem abrangente que incorpora planos de desenvolvimento sustentável para as comunidades da bacia e salvaguardas ambientais alinhadas às melhores práticas internacionais, equilibrando o desenvolvimento da infraestrutura com a preservação ecológica e o respeito aos direitos das famílias afetadas.

Projetos estratégicos

Com uma visão focada no desenvolvimento nacional e regional, a ACP acrescenta que está promovendo quatro iniciativas estratégicas: um corredor energético, novos terminais portuários, um corredor logístico e o fortalecimento do sistema hídrico. “Esses projetos buscam gerar valor a longo prazo, fomentar a inovação e consolidar o Panamá como um polo fundamental para o comércio e a conectividade global.”

“Em seu 111º aniversário, o Canal do Panamá reafirma seu papel como um motor de desenvolvimento sustentável, comprometido com o Panamá, seu povo e o comércio global”, conclui o ACP.

Fonte: Modais em Foco

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Internacional, Portos

China ameaça bloquear venda de mais de 40 portos, incluindo o Canal do Panamá

Pequim quer que a empresa chinesa Cosco receba uma participação da venda dos terminais da CK Hutchison para a BlackRock e a Mediterranean Shipping Company

A China está ameaçando bloquear a venda de mais de 40 portos, pertencentes à empresa CK Hutchison, sediada em Hong Kong, para a gestora BlackRock e a Mediterranean Shipping Company, caso a empresa chinesa de navegação Cosco não receba uma participação, segundo informações publicadas do “Wall Street Journal”.

A proposta de venda também chamou a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que repetidamente expressou o desejo de reduzir a influência chinesa na região do Canal do Panamá e classificou o acordo como uma “recuperação” da hidrovia desde que foi anunciado.

Segundo o jornal, autoridades chinesas informaram à BlackRock, MSC e Hutchison que, se a Cosco for deixada de fora do acordo, Pequim tomará medidas para bloquear a venda proposta dos portos pela Hutchison.

“A China sempre se opôs firmemente ao uso de coerção econômica, hegemonia, intimidação e violação dos direitos e interesses legítimos de outros países”, disse hoje o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, ao questionado sobre o relatório em coletiva de imprensa.

A CK Hutchison, do magnata Li Ka-shing, anunciou em março que venderia sua participação de 80% no negócio de portos, que abrange 43 portos em 23 países. O negócio tem um valor empresarial de US$ 22,8 bilhões, incluindo dívidas.

Após muita análise e críticas na China, a CK Hutchison confirmou em maio que a MSC, operada pela família do bilionário italiano Gianluigi Aponte e uma das maiores empresas de transporte marítimo de contêineres do mundo, era o principal investidor de um grupo interessado em comprar os portos.

A BlackRock, MSC e Hutchison estão abertas à possibilidade de a Cosco adquirir uma participação. No entanto, é provável que as partes não cheguem a um acordo antes do prazo final de 27 de julho para as negociações exclusivas entre a BlackRock, MSC e Hutchison, segundo o relatório.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior, Informação, Logística, Portos

Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec: o México se consolida como rota global e enfrenta desafios cruciais em 2025 

O Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec (CIIT), projeto ambicioso do governo mexicano para conectar os oceanos Pacífico e Atlântico, está em um ponto crucial em meados de 2025. Após avanços significativos na infraestrutura e a realização de testes pilotos com grandes volumes de carga, o corredor se posiciona como uma alternativa viável ao Canal do Panamá, embora persista em lidar com importantes questões sociais e ambientais. 

Um corredor em plena operação e expansão 

Junho de 2025 marca um período de consolidação para o CIIT. A linha férrea que liga Salina Cruz, em Oaxaca, a Coatzacoalcos, em Veracruz, está com sua modernização em estágio avançado, permitindo o trânsito de cargas de forma mais eficiente. Recentemente, em março de 2025, o corredor realizou testes pilotos notáveis, como o transporte de 600 a 900 veículos da Hyundai, vindos da Coreia do Sul, evidenciando sua capacidade de movimentar grandes volumes de mercadorias entre os oceanos. 

Os portos de Salina Cruz e Coatzacoalcos, pontos-chave do corredor, continuam recebendo investimentos em expansão e modernização, incluindo a construção de novos quebra-mares e a ampliação de pátios de armazenamento. Essas melhorias são cruciais para otimizar a movimentação de contêineres e permitir a atracação de navios de maior porte, consolidando a infraestrutura multimodal do projeto. 

Polos de desenvolvimento e investimentos estratégicos 

Um dos pilares do CIIT é a criação de Polos de Desenvolvimento para o Bem-Estar (PDBs) ao longo da rota. Essas zonas industriais e logísticas, que oferecem incentivos fiscais, estão começando a atrair a atenção de empresas nacionais e internacionais. Há anúncios de licitações para projetos nesses polos, com o objetivo de impulsionar a economia regional e gerar empregos em setores como manufatura, logística e petroquímica. O governo mexicano projeta que o CIIT poderá adicionar entre três e cinco pontos percentuais ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, tornando-se um vetor de desenvolvimento para o historicamente menos favorecido sul do México. 

A concorrência com o Canal do Panamá 

Com a crescente saturação e os desafios hídricos enfrentados pelo Canal do Panamá, o CIIT emerge como uma alternativa estratégica. O tempo de trânsito reduzido entre os oceanos e a modernização da infraestrutura do corredor o tornam atrativo para empresas que buscam rotas mais eficientes e menos sujeitas a gargalos. Especialistas apontam que a capacidade do CIIT de processar um volume significativo de contêineres anualmente pode redefinir as rotas comerciais nas Américas, beneficiando empresas da América do Norte e da Ásia. 

Desafios persistentes e a necessidade de diálogo 

Apesar do otimismo em torno do CIIT, o projeto não está isento de desafios. As questões socioambientais continuam sendo um ponto sensível. Há relatos de preocupações por parte de comunidades locais e grupos indígenas, que questionam o impacto ambiental das obras, a adequação das compensações e a efetividade dos processos de consulta prévia e informada. Organizações de direitos humanos têm monitorado de perto o projeto, registrando casos de intimidação e violência contra defensores do território. 

A segurança na região e a necessidade de garantir a sustentabilidade ambiental a longo prazo também são pontos de atenção. O governo mexicano e as empresas envolvidas enfrentam o desafio de equilibrar o desenvolvimento econômico com a proteção dos direitos humanos e do meio ambiente, buscando um modelo que seja verdadeiramente benéfico para todas as partes. 

Perspectivas Futuras 

À medida que 2025 avança, o Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec continua a se consolidar como um dos projetos de infraestrutura mais relevantes do México e da América Latina. Seu sucesso dependerá não apenas da conclusão e eficiência da infraestrutura, mas também da capacidade de lidar com os desafios sociais e ambientais de forma transparente e justa, garantindo que o desenvolvimento prometido chegue de forma equitativa às comunidades da região. 

QUEM É FRANCINE MACEDO?  

Profissional com 28 anos de experiência em Gestão de Transporte Rodoviário, gerenciamento de riscos e mitigação de perdas no setor de seguros, tanto nacional quanto internacional. Destaca-se pela habilidade em desenvolver novos projetos e negócios, gerenciar grandes contas, e consolidar operações diárias. Possui conhecimento do setor de transporte, expertise em negociação, planejamento, liderança de equipes e desenvolvimento estratégico de negócios, contribuindo para o crescimento e inovação nas áreas em que atua.  

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