Economia, Exportação, Informação, Negócios, Tributação

Brasil responde Justiça dos EUA e nega práticas que prejudiquem comércio bilateral

Investigação começou em julho, Escritório do Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O governo do Brasil enviou, nesta segunda-feira (18), respostas aos questionamentos do governo dos Estados Unidos sobre uma investigação aberta pelo Escritório do Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas que possam prejudicar o comércio internacional dos Estados Unidos e até impor sanções a práticas consideradas discriminatórias contra empresas americanas.

O Brasil alega no documento que não adota políticas discriminatórias, injustificáveis ou restritivas ao comércio com os EUA. Ainda, afirma não existir base jurídica ou factual para a imposição de sanções.

A investigação foi aberta no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Em julho, quando os questionamentos foram feitos, o embaixador Jamieson Greer afirmou que a investigação foi iniciada sob orientação de Trump “sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”.

Na resposta, na qual lista uma explicação para cada tópico da acusação dos Estados Unidos, o Brasil também pede um “diálogo construtivo”.

“O Brasil insta o USTR a reconsiderar o início desta investigação e a iniciar um diálogo construtivo. Medidas unilaterais previstas na Seção 301 podem comprometer o sistema multilateral de comércio e ter consequências adversas para as relações bilaterais”, escreveu o governo brasileiro.

Alguns dos alvos da investigação são o Pix, tarifas chamadas de injustas e preferenciais, a aplicação de medidas anticorrupção, a proteção da propriedade intelectual e a comercialização do etanol brasileiro, além do desmatamento ilegal.

As respostas foram dadas pelo Itamaraty, com auxílio de setores importantes, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que enviou um ofício abordando cada um dos tópicos. Sobre o comércio digital e serviços eletrônicos de pagamento, como o Pix, os industriais afirmam que “não há evidência de que a introdução do Pix reduziu o uso de outras formas de pagamento, exceto por cheques e pagamentos em dinheiro”.

Além disso, outro argumento usado foi de que o Pix ajudou a facilitar transações comerciais, incluindo importações dos Estados Unidos, gerando “mais benefício do que dano à competitividade e ganhos das companhias americanas”.

“Ao oferecer transações rápidas, seguras e de baixo custo, o Pix ampliou a inclusão financeira, reduziu a dependência do dinheiro em espécie e aumentou a eficiência no varejo e no comércio eletrônico, beneficiando as empresas dos EUA”, afirmou, em resposta.

Tarifas preferenciais

A confederação argumentou que as tarifas preferenciais foram aplicadas com acordos internacionais dos quais os Estados Unidos também fazem parte, com a aplicação de uma tarifa média de 2,7% sobre produtos americanos.

Combate à corrupção

Sobre o chamado enfraquecimento do combate à corrupção, a CNI respondeu que “o Brasil mantém uma estrutura legal e institucional abrangente para o combate à corrupção” e citou, ainda, a anulação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de condenações que foram consideradas violadoras de direitos constitucionais, considerando as críticas a decisões judiciais isoladas como não indicadoras de “fragilidades sistêmicas”.

“A melhoria contínua das políticas anticorrupção no Brasil promove um ambiente econômico estável, no qual as empresas competem com base no mérito”.

Proteção da propriedade intelectual

Segundo a CNI, o Brasil demonstra um compromisso de longa data com a proteção de direitos de propriedade intelectual, com aplicação de políticas públicas para “fortalecer o ecossistema de propriedade industrial e combater crimes como a pirataria e a falsificação”.

“Além disso, o Brasil conseguiu alcançar melhorias significativas no exame de patentes por meio de uma série de medidas institucionais e tecnológicas voltadas a aumentar a eficiência e a qualidade dos serviços de propriedade industrial”, afirmou.

Etanol

Outro ponto enfático da confederação foi em relação ao Etanol, onde a CNI disse que o Brasil não utiliza “atos discriminatórios” que prejudiquem o comércio americano, e defendeu que os países trabalhem juntos “para abrir mercados estrangeiros para seus etanol e biocombustíveis”.

A CNI afirmou, ainda, que “os interesses de ambos os países em relação ao etanol concentram-se na promoção da expansão de seu uso, que é obrigatoriamente misturado à gasolina em seus respectivos territórios”.

Desmatamento ilegal

O último ponto considerado foi o desmatamento ilegal, onde a confederação diz que não foram adotadas políticas ou práticas que “prejudiquem a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas, ou que sejam irrazoáveis ou discriminatórios e onerem ou restrinjam o comércio dos EUA”.

“O Brasil fortaleceu suas leis ambientais, bem como sua aplicação, o que contribuiu para a redução das taxas de desmatamento”.

Com informações da CNN e g1

Fonte: NSC Total.

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Comércio Exterior

EUA querem impor solução constitucionalmente impossível para o Brasil

Declaração é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse hoje (18), que o Brasil continua buscando manter um diálogo com os Estados Unidos (EUA) para tentar reduzir a aplicação da tarifa de 50% às exportações brasileiras. No entanto, afirmou ele, a negociação não tem sido possível porque os Estados Unidos insistem em impor ao Brasil uma solução “constitucionalmente impossível”. Para o ministro, está ocorrendo “uma dificuldade de compreensão do que se passa no Brasil”.

“Hoje nós temos documentos oficiais demonstrando que a negociação só não ocorre porque os Estados Unidos está tentando impor ao Brasil uma solução constitucionalmente impossível, que é Executivo se imiscuir em assuntos de outro poder, que é o Poder Judiciário. Nós não temos uma situação constitucional que nos permita, política e juridicamente, atuar no caso. Então, gerou-se um impasse que é pedir o que não pode ser entregue”, disse.

Segundo o ministro, o comércio bilateral entre os dois países já representa hoje metade do que foi nos anos 80 e a tendência é que continue caindo ainda mais.

“Nós tínhamos exportações da ordem de 25% com os Estados Unidos, hoje elas significam 12% e, pelo andar dos acontecimentos, eu acredito que o comércio bilateral, infelizmente, vai cair ainda mais”, disse.

Na manhã de hoje, Haddad participou da cerimônia de abertura do evento FT Climate & Impact Summit Latin America e Brasil 2030: Uma Nação de Oportunidades, promovido pelo Times Brasil/NBC, em parceria com o Financial Times, em São Paulo.

Durante a entrevista ao canal de TV, o ministro também disse que o cancelamento da reunião que ele teria com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi provocado por interlocutores da extrema-direita brasileira. Ele ressaltou que o ministério tem todos os documentos para comprovar as tratativas com o governo americano e detalhou que o encontro com Scott Bessent, em maio, havia sido positivo.

“[Foi uma reunião] excelente. Agora, o que mudou de maio para julho, tem que ser perguntado para eles”.

Segundo ele, causou estranhamento o fato de a reunião ter sido cancelada e, no mesmo momento em que ela ocorreria, Bessent ter aparecido conversando com um “concorrente” do governo brasileiro [no caso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro]. Para Haddad, cada país tem uma maneira de proceder em situações como essa, mas disse que jamais cancelaria uma reunião que tivesse sido agendada.

“Eu nunca faria cometeria uma deslealdade dessa com um homólogo meu de outro país, por mais hostil que o outro país fosse. Se eu marquei um compromisso, eu cumpro”.

Mais tarde, em entrevista a jornalistas, Haddad comentou que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro tem trabalhado “para impedir que as negociações se estabeleçam”. E que, neste momento, o governo brasileiro está trabalhando para regulamentar o plano de contingência para apoiar o setor produtivo afetado pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos. O plano de apoio prevê R$ 30 bilhões em crédito e será viabilizado por meio de uma medida provisória chamada de MP Brasil Soberano.

“A tarefa dessa semana é regulamentar o plano de contingência, fazer chegar na ponta os recursos liberados e proteger o Brasil dessa agressão externa”, disse a jornalistas.

Para o ministro, o plano de contingência “está bem calibrado” e não precisará ser ampliado.

“Se o cenário se confirmar, eu não vejo razão para ampliar. Mas vamos ver o desdobramento da coisa. Nesse momento, eu devo dizer que não”.

Globalização

Para Haddad, o atual movimento do governo Trump, inclusive com a imposição de novas tarifas, indica que os Estados Unidos decidiram “mudar o jogo” da globalização.

“Eles venderam para o mundo a globalização, com desregulamentação financeira, a descentralização das atividades produtivas, o ganho de eficiência que isso ia gerar, a acumulação flexível. E aí, quando eles perceberam que eles ganharam muito, mas que a China ganhou ainda mais, aí [decidiram] ‘vamos melar o jogo’, ‘vamos mudar o jogo’”, destacou.

Segundo o ministro, os Estados Unidos ganharam muito com a globalização, mas enfrentaram um “desafio inesperado” e decidiram “mudar as regras do jogo”.

Confira reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, sobre os impactos do tarifaço no setor têxtil

Fonte: Agência Brasil

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Sustentabilidade

Brasil tem potencial para liderar o hidrogênio verde, mas enfrenta entraves decisivos, aponta estudo

Um estudo da EY-Parthenon aponta que o Brasil reúne condições estratégicas para se tornar líder mundial na produção de hidrogênio verde (H2V), considerado essencial para a descarbonização da indústria pesada e do transporte de longa distância. Mas quatro gargalos podem comprometer esse protagonismo: ausência de planejamento nacional, lacunas regulatórias, limitações de infraestrutura e a necessidade de ampliar a oferta de energia renovável. A reportagem é do portal Exame.

“O hidrogênio verde é considerado ainda mais relevante na busca pelo carbono zero, especialmente em setores que têm mais dificuldades de reduzir suas emissões, como a indústria pesada e o transporte de longa distância (aéreo, por exemplo)”, explica Diogo Yamamoto, sócio da EY-Parthenon.

Custos competitivos e vantagem energética

Segundo a análise, o Brasil pode chegar a um custo de US$ 1,47 por quilo de H2V até 2030, valor que o coloca entre os países mais competitivos do mundo. A posição se deve à matriz elétrica majoritariamente limpa e à expansão acelerada das fontes renováveis. A projeção é de um crescimento de 19% na capacidade instalada até 2030, com destaque para o salto de 171% na energia solar e 103% na eólica.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) também reforçam o potencial: o Brasil já é o terceiro maior investidor em renováveis, respondendo por 8% da geração global.

Os quatro entraves estruturais

Apesar das vantagens, o estudo aponta desafios que precisam ser enfrentados para que o país não se limite ao papel de exportador de matéria-prima energética:

Planejamento nacional: falta uma estratégia integrada para o hidrogênio verde, com definição de metas e logística de distribuição interna.

Regulação e política industrial: o Brasil ainda não estabeleceu marcos regulatórios nem incentivos à fabricação de equipamentos estratégicos, como os eletrolisadores.

Infraestrutura: a rede de gasodutos brasileira não atende às especificações do H2V e está concentrada no litoral, dificultando o escoamento para polos industriais do interior.

Oferta de energia renovável: a eletrólise demanda volumes elevados de eletricidade, pressionando a expansão da capacidade solar e eólica. Além disso, o processo exige insumos críticos e novas tecnologias, como reuso de água e eletrólise da água salgada.

Modelos de produção em disputa

O estudo propõe dois caminhos para estruturar a cadeia de valor do hidrogênio verde:

Modelo descentralizado, com hubs espalhados pelo território, próximos a centros de demanda e fontes renováveis;

Modelo centralizado, com grandes plantas integradas a polos industriais e parques eólicos ou solares.

“Esses dois modelos podem ser utilizados de forma orquestrada. A maximização potencial das demandas nacionais e internacionais exige planejamento estratégico da economia H2V e um modelo de cadeia de valor adaptado às necessidades únicas do Brasil”, conclui Yamamoto.

O risco de repetir a dependência primária

Sem políticas industriais consistentes, o Brasil corre o risco de se limitar à exportação da molécula de hidrogênio, enquanto países desenvolvidos concentram o valor agregado em tecnologia e inovação. O alerta reforça a necessidade de o país não apenas aproveitar sua matriz limpa, mas também reter dentro de suas fronteiras empregos qualificados, desenvolvimento tecnológico e propriedade intelectual.

Fonte: Brasil 247

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Portos

TCU recebe projeto para primeira concessão de hidrovia no Brasil

O projeto da hidrovia do Rio Paraguai tem cerca de 600 quilômetros de extensão em território brasileiro

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU) o projeto que estabelece o modelo de concessão da hidrovia do Rio Paraguai, que deve ir a licitação até o final do ano. Será a primeira concessão hidroviária do Brasil, representando um marco regulatório e logístico com potencial para inspirar projetos semelhantes em outras bacias navegáveis do país, avalia o ministro Sílvio Costa Filho.

“Este é um sinal de que, pela primeira vez na história do país, as hidrovias passaram a ser tratadas como prioridade estratégica para o desenvolvimento logístico brasileiro”, ressalta o ministro, lembrando que o Brasil tem mais de 20 mil quilômetros de rio navegáveis e potencial para chegar a 60 mil quilômetros. “Investir em hidrovias é essencial para aumentar a competitividade, reduzir custos, integrar regiões e descarbonizar o transporte de cargas no país”.

O projeto da hidrovia do Rio Paraguai tem cerca de 600 quilômetros de extensão em território brasileiro e é estratégica para o escoamento de cargas no Centro-Oeste. A concessão compreende o Tramo Sul do rio, abrangendo o trecho entre Corumbá (MS) e a foz do Rio Apa, na fronteira com o Paraguai. Há outros cinco projetos de concessão de hidrovias sendo trabalhados pelo MPor.

A expectativa do secretário Nacional de Hidrovias e Navegação, Dino Antunes, é realizar a concessão da hidrovia até o final do ano.

“Será a primeira concessão de uma hidrovia no país, o que significa maior previsibilidade para o transporte de grandes cargas. A concessão agiliza a adoção de dragagem de manutenção quando necessária, com sinalização do canal de navegação, o que permitirá, inclusive, o transporte noturno com segurança”, disse.

Por causa da estiagem registrada em 2024, o volume de carga transportado pelo rio Paraguai no ano passado foi de 3,3 milhões de toneladas (3,1 milhões de minério de ferro). Em 2023, o volume transportado havia sido de 7,9 milhões de toneladas (6,1 de minério de ferro e 1,6 de soja). Com a concessão, a expectativa é de possibilitar um aumento de três vezes no volume transportado até 2035.

O projeto foi alterado pela Antaq após ampla consulta pública – inclusive duas audiências públicas – e estima investimentos de R$ 43,2 milhões até o quinto ano de concessão, que tem prazo contratual de 20 anos com possibilidade de prorrogação sucessiva até o limite de 70 anos. Cerca de 20% destes investimentos são destinados a ações de preservação e ao monitoramento ambiental da região.

São serviços obrigatórios do concessionário o monitoramento hidrográfico, a sinalização e balizamento náutico do canal de navegação, a gestão e operação do tráfego aquaviário e a gestão ambiental. Também será responsável pela dragagem de manutenção, que elimina pontos assoreados para garantir uma profundidade mínima de três metros na maior parte do ano no canal de navegação e de dois metros no período de estiagem. Nos últimos anos, o Rio Paraguai ficou interditado para navegação por cerca de 65 dias ao ano, em média. Com a concessão, estima-se que este período caia para oito dias.

Dino Antunes lembra que o estímulo à navegação para o transporte de cargas ajuda a reduzir a movimentação nas rodovias diminuindo consideravelmente o número de atropelamentos de animais e a emissão de gases de efeito estufa no país.

Levantamento realizado pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) constatou o atropelamento de 13 mil animais somente nas rodovias do Mato Grosso do Sul durante três anos de monitoramento.

“O Brasil é um dos signatários do Acordo de Paris e tem o compromisso de adotar medidas para a redução de emissões de carbono. Precisamos, cada vez mais, utilizar as hidrovias para o transporte de carga, que é 27 vezes menos poluente do que o modal rodoviário”, afirmou o secretário. “Somos aliados quando a discussão é a defesa do meio ambiente e queremos fazer isso elevando o nível de operação do ponto de vista da segurança da navegação e do lado ambiental. A navegação é a maior interessada na manutenção da quantidade de água; sem água, não se navega”.

Fonte: Modais em Foco

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ANVISA

Anvisa recebe embaixador da Índia para discutir cooperação no setor farmacêutico

A Anvisa recebeu, nesta quinta-feira (14/8), a visita do embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia. O encontro foi conduzido pelo diretor-presidente substituto, Rômison Rodrigues Mota, na sede da Agência, em Brasília.

A reunião abordou a relevância da indústria farmacêutica indiana e aspectos regulatórios relacionados ao fornecimento de medicamentos e dispositivos médicos. O embaixador manifestou interesse em estreitar o diálogo com a Anvisa e solicitou esclarecimentos sobre aspectos regulatórios aplicáveis a esses produtos no Brasil.

A Agência apresentou um panorama de suas atribuições na regulação sanitária de produtos médicos, bem como dados sobre inspeções realizadas na Índia nos anos de 2024 e 2025. 

Também foi discutido o interesse de empresas indianas em estabelecer parcerias para o desenvolvimento produtivo (PDPs) com empresas brasileiras, iniciativa que poderá contribuir para a geração de empregos e para a ampliação do acesso da população a produtos estratégicos para a saúde.

O encontro reforça o papel da Anvisa no diálogo internacional e na promoção de ações que favoreçam a saúde pública, alinhadas a padrões regulatórios reconhecidos globalmente.

Fonte: ANVISA

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Exportação

Exportações do Brasil para a Argentina voltam a subir: podem aliviar o impacto do tarifaço nos EUA?

Após vacas magras, saltaram 53% as vendas de empresas brasileiras para o país vizinho, que compra produtos tarifados pelos americanos

Com o sinal de alerta aceso nas exportações para os Estados Unidos, por causa do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump, o comércio exterior do Brasil terá um alívio, ao menos, nas trocas com a Argentina. As vendas do Brasil para lá saltaram 53,2%, em valor, nos sete primeiros meses do ano, ante igual período de 2024.

O crescimento representa uma recuperação, após as exportações brasileiras para o mercado argentino tombarem 17,6% em 2024 por causa da recessão no país vizinho. Os US$ 10,780 bilhões vendidos à Argentina este ano até julho ainda estão abaixo do registrado nos sete primeiros meses de 2023.

EUA e Argentina são importantes para a indústria brasileira. Tanto o mercado americano quanto o argentino se destacam por demandarem bens manufaturados numa proporção superior à média das exportações do Brasil.

Apesar disso, os tipos de produtos vendidos pelo Brasil para um e outro país são diferentes, lembra Lia Valls, professora da Uerj e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Por isso, ela vê a retomada da demanda argentina como uma boa notícia, mas incapaz de amenizar as perdas com o mercado americano:

— As exportações para a Argentina são muito concentradas nos automóveis. Nem entramos com automóveis nos EUA.

A concentração das vendas para a Argentina nos itens da indústria automotiva se repetiu nos sete primeiros meses deste ano. Desde a década de 1990, com o estabelecimento do Mercosul, as multinacionais do setor passaram a organizar suas cadeias entre Brasil e Argentina numa relação de interdependência entre os dois mercados.

No início deste mês, a Anfavea, associação nacional de fabricantes de veículos, revisou para baixo sua projeção de vendas de automóveis no mercado doméstico para este ano, para 2,7 milhões de unidades, ante os 2,8 milhões estimados em janeiro. Mas manteve inalterada a previsão de produção, em 2,7 milhões de unidades, por causa da demanda argentina — a estimativa é que sejam exportados 552 mil carros para lá este ano, o que representaria um salto de 38,4% na comparação com 2024.

— Os argentinos começaram a comprar mais carros — diz Federico Servideo, presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo (Camarbra).

A economia argentina estava em recessão no primeiro semestre do ano passado, mas voltou a crescer na segunda metade de 2024. No primeiro trimestre, cresceu 0,8%. Ao mesmo tempo, o câmbio do peso com o dólar se valorizou, tornando os produtos brasileiros mais baratos no país. O fluxo de turistas argentinos para o Brasil e as compras deles no varejo nacional também saltaram.

Fatores conjunturais

O problema, para Servideo, é que esses fatores são conjunturais. Na visão do presidente da Comarbra, nos últimos anos a relação comercial entre os dois maiores países da América do Sul tem sido “oportunística”.

As trocas crescem ou caem em função do ritmo do crescimento econômico, da estabilidade da economia ou da variação nas taxas de câmbio. Ideal seria impulsionar a integração das cadeias de produção entre os dois países, envolvendo pequenas e médias empresas, como no setor automotivo.

Servideo cobra maior ativismo do empresariado, de lado a lado, em prol da integração. Nas políticas públicas, o foco deveria ser a remoção da burocracia, como trâmites alfandegários e a regulação de padrões industriais.

Fora do setor automotivo, a volta da demanda argentina pode amenizar, em alguma medida, as perdas nas vendas para os EUA nas indústrias de calçados e de máquinas e equipamentos.

A fabricante alemã de bombas para uso industrial Netzsch vê o redirecionamento dos EUA para outros mercados da América Latina como um caminho, disse ao GLOBO Osvaldo Ferreira, diretor-geral da empresa no Brasil. A recuperação argentina “pode ajudar”, disse o executivo:

— Eles ficaram muito em baixa, sentimos também (quando houve queda nas vendas para a Argentina).

Fonte: O Globo

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Portos

Portos de SC registram aumento na movimentação de cargas

O resultado supera a média nacional

Os portos de Santa Catarina registraram aumento de 5,23% na movimentação de cargas no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Entre janeiro e junho, eles movimentaram mais de 32,2 milhões de toneladas. O resultado supera a média nacional, de 1,02%, e representa o melhor desempenho entre os estados do Sul do país. A Gerência de Portos da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias apurou os dados junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Conforme o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), Beto Martins os números são resultado de planejamento.

“Os portos de Santa Catarina seguem cumprindo o seu papel de importância dentro da logística estadual e nacional. Pelos nossos portos passam quase 20% do total de contêineres do país. Atendemos também setores do agronegócio e seguimos em constante crescimento nos últimos anos “, comentou.

No setor de contêineres, os portos de Santa Catarina registraram crescimento de 12,4% em relação a 2024, movimentando mais de 1,34 milhão de TEUs. A carga corresponde a mais de 15 milhões de toneladas e supera o crescimento nacional que é de 10,2%. Os portos catarinenses respondem por 19,25% de toda a movimentação de contêineres do Brasil.

Resultados

No primeiro semestre, o Porto Itapoá registrou o segundo maior movimento do país, com 8,1 milhões de toneladas em cargas conteinerizadas. A Portonave movimentou 4,8 milhões de toneladas, o Porto de Itajaí, 1,4 milhão, e o Porto de Imbituba, 656,3 mil toneladas.

Balanço total

Na movimentação total de cargas, o Porto de São Francisco do Sul liderou no primeiro semestre com 8,7 milhões de toneladas, seguido por Itapoá, com 8,1 milhões. O Terminal Aquaviário de São Francisco do Sul registrou 5,1 milhões, a Portonave, 4,8 milhões, Imbituba, 3,6 milhões, e Itajaí, 1,6 milhão de toneladas. Outros terminais do estado somaram 246 mil toneladas.

Fonte: Guararema News

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Sustentabilidade

Sustentabilidade e economia da cana-de-açúcar

Um dos produtos mais importantes da economia brasileira, a cana-de-açúcar tem o poder sustentável como alternativa de combustível renovável. Ela também traz a formação do açúcar e do álcool, dois insumos utilizados em uma série de bens de consumo.

A cana-de-açúcar é uma planta fina, fibrosa, de formato cilíndrico e folhas longas. Assim, ela pode chegar a até seis metros de altura e é utilizada para a produção de açúcar e etanol.

Esse alimento tem caules robustos e articulados que são ricos em sacarose. Além disso, a cana pertence à Poaceae, uma família de plantas economicamente importantes, como milho, trigo, arroz e sorgo e muitas culturas forrageiras.

A sacarose, extraída e purificada em fábricas especializadas, é utilizada como matéria-prima na indústria de alimentos humanos ou é fermentada para produzir etanol. Algo que é produzido em escala pela indústria da cana do Brasil.

Dessa forma, a cana-de-açúcar tem origem na Oceania, mais precisamente onde hoje é a ilha de Nova Guiné, ao norte da Austrália, cerca de 6000 a.C.

Durante a Idade Média, o açúcar era um produto de luxo na Europa, sendo usado, principalmente, em medicamentos e como adoçante para os mais ricos.

Além do açúcar, outros produtos derivados da cana incluem melaço, rapadura, rum, cachaça (bebida tradicional do Brasil), bagaço e etanol. Em algumas regiões, as pessoas usam palhetas de cana para fazer canetas, tapetes, telas e palha.

Na atualidade, o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Afinal, o ciclo desse alimento no país foi um período que se estendeu do século XVI ao século XVIII.

A cultura da cana-de-açúcar teve origem na Antiguidade, entretanto se espalhou pelo mundo com a migração humana. Nesse sentido, ela chegou ao Brasil por volta de 1520, pouco depois dos portugueses.

O cultivo da Cana-de-açúcar foi a principal atividade econômica do Brasil Colônia, definindo a economia e a política do país. Ele também acompanhou o processo de colonização da América portuguesa.

Na época, os portugueses se aproveitaram das condições favoráveis do nosso país (clima tropical) para seu plantio. Assim, o solo (principalmente do litoral) e o clima do Brasil possibilitavam o cultivo em larga escala.

A cana costuma ter um melhor desenvolvimento em climas que apresentam estações bem distintas. Uma com temperaturas mais altas enquanto a outra úmida, para que a germinação aconteça.

O açúcar que vem da cana é utilizado na indústria alimentícia de incontáveis maneiras. Afinal, grande parte dos produtos que consumimos tem esse alimento na composição em virtude de sua versatilidade.

As bebidas também fazem parte do pacote: sucos, refrigerantes, energéticos e bebidas alcóolicas contam com nosso açúcar (a tradicional cachaça).

A cana-de-açúcar é matéria-prima para o etanol, álcool também utilizado na indústria alimentícia e em outras, como a química. No entanto, a principal vantagem do etanol é servir de biocombustível para automóveis.

O bagaço que resulta da moagem pode ser queimado em caldeiras para produzir vapor. Ele é direcionado para turbinas especiais e gera bioeletricidade ou energia elétrica da biomassa.

Fonte de energia, a cana é indispensável quando se fala em um desenvolvimento mais sustentável. Isso porque ela surge como uma alternativa de combustível renovável e é capaz de substituir o petróleo sem causar danos ambientais.

De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção brasileira de cana-de-açúcar gira ao redor de 680,0 milhões de toneladas, com uma produtividade de 81,1 toneladas por hectare.

O Brasil apresenta fatores para o cultivo da cana. Entre eles, estão o clima tropical, condições climáticas e de solo ideais para o cultivo.

A cana-de-açúcar apresenta quatro fases de desenvolvimento: brotação e emergência, perfilhamento, crescimento dos colmos e maturação dos colmos. Na primeira, depende da qualidade da muda, ambiente, época e manejo do plantio.

Na sequência, o perfilhamento é o processo de emissão de colmos por uma mesma planta, que resulta no crescimento de brotos que vão em direção à superfície do solo. Quando os colmos crescem, o canavial pode atingir altura acima de três metros.

Quando as touceiras atingem altura igual ou superior a dois metros, as folhas que se encontram na altura mediana da planta começam a ganhar um tom amarelado e a secar. Esse fenômeno indica que já está sendo depositado açúcar nessa região, prontos para a colheita.

Por fim, em diversas feiras pelo Brasil, a Cana-de-áçucar se transformou em uma bebida bastante consumida (caldo de cana), sobretudo ao lado de um saboroso pastel.

Fonte: Flipar

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Agronegócio

Produção de açúcar do centro-sul recua com queda na moagem e na qualidade da cana

A produção de açúcar do centro-sul do Brasil somou 3,6 milhões de toneladas na segunda quinzena de julho, queda de 0,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, pressionada por uma redução na moagem de cana-de-açúcar em momento em que o setor lida com uma matéria-prima de qualidade inferior e baixa produtividade agrícola, de acordo com dados da associação Unica, divulgados nesta sexta-feira.

A queda na produção de açúcar poderia ter sido ainda maior não fosse um aumento na destinação de cana para a fabricação do adoçante para 54,10%, versus 50,32% no mesmo período do ano passado, à medida que usinas favorecem a commodity em detrimento do etanol.

“Acredito que as usinas têm contratos de exportação (de açúcar) a honrar e estão lutando com a queda do ATR (Açúcares Totais Recuperáveis)”, disse um corretor nos Estados Unidos, à Reuters.

Já a moagem de cana do centro-sul atingiu 50,22 milhões de toneladas na segunda parte de julho, queda de 2,66%, em uma safra em que a indústria sofre com impactos da seca do ano passado e de um clima mais chuvoso durante a colheita, o que tem afetado a qualidade da matéria-prima.

No acumulado da safra, a produção de açúcar totalizou 19,27 milhões de toneladas, redução de 7,76%, enquanto a moagem atingiu 306,24 milhões de toneladas, retração de 8,57%.

O indicador de qualidade medido pelo nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 139,62 kg por tonelada de cana na segunda quinzena de julho, uma queda anual de 5,21%.

No acumulado da safra, o indicador marca 126,85 kg de ATR por tonelada, registrando retração de 4,77% na comparação anual, para o menor observado em dez anos.

“Só no ciclo 2015/2016, registramos um indicador qualidade inferior ao contabilizado até o momento no centro-sul”, afirmou o diretor de Inteligência Setorial da Unica, Luciano Rodrigues, em nota.

Além disso, a produtividade agrícola registrou queda de 10% na média do centro-sul no acumulado de abril a julho, na comparação anual, segundo dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), atingindo 79,84 toneladas de cana por hectare neste ciclo.

Rodrigues disse que o setor vive uma situação atípica nesta safra, pois normalmente há uma relação inversa entre produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima.

“Neste ano, o regime de chuvas foi desfavorável em ambas as fases críticas do ciclo da cana-de-açúcar. No verão, a precipitação abaixo do ideal comprometeu o desenvolvimento das lavouras e reduziu a produtividade (TCH). Já durante a colheita, o clima mais úmido prejudicou a concentração de ATR na planta”, disse.

ETANOL

Na segunda metade de julho, a fabricação de etanol pelas unidades do centro-sul atingiu 2,28 bilhões de litros, com queda de cerca de 11% na comparação anual.

O total fabricado de etanol hidratado somou 1,40 bilhão de litros (-13,54%) e o de anidro, 880,40 milhões de litros (-6,57%).

No acumulado da safra, a fabricação do biocombustível totalizou 13,88 bilhões de litros (-11,96%), sendo 8,84 bilhões de etanol hidratado (-11,85%) e 5,05 bilhões de anidro (-12,15%).

Os volumes consideram o etanol de milho, cuja crescente produção somou no acumulado da safra 2,95 bilhões de litros.

No mês de julho, as vendas de etanol pelas usinas totalizaram 2,93 bilhões de litros, queda de 2,66%.

O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 1,09 bilhão de litros, avanço de 1,06% na comparação anual, enquanto o etanol hidratado registrou venda de 1,84 bilhão de litros, contra 1,93 bilhão de litros no mesmo período do ano passado.

No acumulado desde o início da safra até primeiro de agosto, a comercialização de etanol pelas unidades do centro-sul caiu 2,73% para 11,48 bilhões de litros.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Tarifas dos EUA ameaçam seguro agrícola no Brasil

“O seguro agrícola brasileiro é altamente dependente das commodities”

O impacto das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros pode redesenhar o cenário do seguro agrícola no país. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as perdas nas exportações agrícolas podem chegar a US$ 5,8 bilhões, com queda de 48% na receita dos exportadores. Essa retração reduz a capacidade dos produtores de contratar seguros, elevando o risco de inadimplência em um momento de maior instabilidade climática e de mercado.

Daniel Miquelluti, Head de Novos Mercados e cofundador da Picsel, destaca que o seguro agrícola brasileiro é altamente dependente das commodities de exportação e sofre impacto direto com a redução das receitas externas. A situação se agrava com o corte de 42% no orçamento do Programa de Subvenção Rural (PSR), segundo o Ministério da Agricultura, que reduziu a área segurada de 14 milhões para 7 milhões de hectares, conforme a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

“O seguro agrícola brasileiro é altamente dependente das commodities de exportação. Quando há redução abrupta na receita externa, o produtor perde fôlego financeiro para manter a cobertura, justamente em um momento de maior volatilidade climática e de mercado”, afirma.

As regiões Sul e Sudeste, mais dependentes do mercado americano, e culturas como café e carne bovina tendem a ser as mais afetadas, segundo análise do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre). A retração na cobertura de seguros nessas áreas pode provocar um efeito cascata sobre produção, renda rural e cadeias produtivas inteiras, comprometendo a resiliência do agro.

“O setor terá de inovar com o desenvolvimento de seguros personalizados e produtos paramétricos, enquanto o governo enfrentará pressão para ampliar subsídios em um contexto de forte restrição fiscal. Mais do que nunca, será necessário tratar seguro rural como uma ferramenta anticíclica, capaz de proteger o produtor e estabilizar a economia do agro em períodos de crise”, conclui.

Fonte: Agrolink

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