Portos

Brasil deixa de receber R$ 1,1 bi com a permanência de 1.542 contêineres de café parados nos portos em julho

No sétimo mês de 2025, exportadores acumularam prejuízos de R$ 4,1 milhões com armazenagem adicional, detentions, pré-stacking e antecipação de gates

O esgotamento da infraestrutura nos portos do país fez com que o Brasil deixasse de embarcar 508.732 sacas de 60 kg – equivalentes a 1.542 contêineres – de café em julho de 2025, conforme levantamento realizado pela Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto a seus associados. O não embarque desse volume impediu que o país recebesse US$ 196,05 milhões, ou R$ 1,084 bilhão, como receita cambial em suas transações comerciais apenas em julho deste ano, considerando o preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US$ 385,36 por saca (café verde) e a média do dólar de R$ 5,5279 no mês passado.

“Esse não ingresso de receitas com a exportação de café gera elevados prejuízos aos exportadores e representa o menor repasse das transações comerciais aos produtores brasileiros, uma vez que somos o país que mais transfere o preço FOB dos embarques aos cafeicultores, a uma média que supera 90% nos últimos anos”, lamenta o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.

Segundo ele, não é “saudável” ao comércio exterior brasileiro acumular prejuízos logísticos devido à infraestrutura defasada do país, a qual vem causando constantes atrasos e alterações de escalas dos navios e, somente em julho, gerou um prejuízo de R$ 4,140 milhões aos exportadores de café com a adição de custos extras com armazenagem adicional, detentions, pré-stacking e antecipação de gates.

“Iniciamos esse levantamento em junho de 2024 e, desde então, as empresas associadas ao Cecafé acumulam um prejuízo de R$ 83,061 milhões com esses gastos elevados e imprevistos, decorrentes dos atrasos e alteração de escalas dos navios, por falta de infraestrutura portuária adequada nos principais portos de escoamento do café no Brasil”, informa.

Devido a esse cenário desafiador, “que tende a piorar no segundo semestre com o aumento da chegada dos cafés colhidos na safra deste ano”, Heron comenta que a entidade segue empenhando esforços no diálogo com os diversos entes do comércio exterior e trabalhando para que os atores dos setores público e privado sejam dotados de dados críveis, na expectativa de se buscar, de forma conjunta, medidas “emergenciais e céleres” para reduzir, o quanto antes, os impactos negativos que os gargalos logísticos vêm causando aos exportadores.

O diretor técnico do Cecafé revela que a entidade se reuniu, no mês passado, com o gerente do Observatório do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Bruno Pinheiro, para discutir uma proposta de aprimoramento dos indicadores logísticos e a criação de índices para monitorar os entraves nas exportações de café. Para tanto, o Conselho vem contando com constante apoio da associação Logística Brasil, na construção de uma pauta focada em logística, em Brasília (DF), além de também vir atuando em parceria com outras entidades do agronegócio.

“Faremos um refinamento nas informações de nosso Boletim Detention Zero, tido como referência na apuração dos atrasos dos navios e de seus impactos nas exportações de café, com base em informações extraídas da (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) ANTAQ e outras fontes públicas de dados. O objetivo é, em conjunto, estruturarmos um indicador, inicialmente para café, que será disponibilizado por meio do observatório do IBI, para avaliar quais são os entraves nas exportações, de maneira a ter uma informação mais acurada e estruturada, visando buscar políticas públicas para melhorar o desempenho do setor exportador”, explica.

Ainda conforme Heron, o segmento exportador brasileiro, em especial os setores que atuam com cargas conteinerizadas, demandam, “com urgência”, da adoção de medidas para dar agilidade nos leilões de terminais, ampliar a capacidade de pátio e berço nos portos, aumentar os acessos portuários e incentivar a diversificação dos modais de transporte, com investimentos em ferrovias e hidrovias.

“É nesse sentido que estamos atuando para a criação desses indicadores logísticos que permitam acompanhar, de maneira adequada, as demandas na infraestrutura portuária do Brasil, de forma que os portos possam evoluir na mesma proporção do avanço das cargas, considerando o constante crescimento do agronegócio nacional”, completa.

O diretor técnico do Cecafé alerta que o cenário de atrasos e alterações nas escalas de navios, “que gera prejuízos milionários ao setor e impede a entrada de bilhões em receita no Brasil”, tende a piorar neste segundo semestre de 2025.

“No semestre passado, o período de entressafra de várias commodities ajudou a reduzir a pressão nos terminais e armadores, porém, como não houve melhorias e aumento de capacidade dos terminais portuários, os desafios se intensificarão neste segundo semestre, auge da safra de muitos produtos que dependem dos contêineres para exportação”, projeta.

Heron comenta, ainda, “estar um pouco mais otimista” com os avanços nas discussões do leilão do Tecon Santos 10. “Em painel de debate promovido pelo Tribunal de Conta da União (TCU), no mês passado, ficamos satisfeitos ao ouvir a manifestação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) de não fazer sentido a criação de restrições na participação de interessados no leilão do Tecon Ssantos 10 e que existem ‘remédios’ mais adequados para impedir eventuais concentrações de mercado”, conta.

O diretor técnico do Cecafé também destaca que, em audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara Federal, de autoria do deputado Julio Lopes, ficou evidente a importância de se avançar, com celeridade, no leilão do Tecon Santos 10, sem restrição de participação, para que ele ocorra ainda em 2025 e proporcione condições portuárias adequadas para as cargas nos próximos anos, evitando prejuízos ao comércio exterior do país.

RAIO-X DOS ATRASOS

Em julho de 2025, 51% dos navios, ou 167 de um total de 327 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé.

O Porto de Santos, que respondeu por 80,4% dos embarques de café de janeiro a julho deste ano, registrou um índice de 65% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 118 do total de 182 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera no mês retrasado foi de 35 dias no embarcadouro santista.

Ainda em julho, apenas 4% dos procedimentos de embarque tiveram prazo maior do que quatro dias de gate aberto por navios no porto santista. Outros 59% possuíram entre três e quatro dias e 38% tiveram menos de dois dias.

O complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), o segundo maior exportador dos cafés do Brasil, com 15,5% de participação nos embarques entre janeiro e julho de 2025, teve índice de atrasos de 37% no mês retrasado, com o maior intervalo sendo de 40 dias entre o primeiro e o último deadline. Esse percentual indica que 26 dos 70 navios destinados às remessas do produto sofreram alteração de escalas.

Também no sétimo mês deste ano, 38% dos procedimentos de exportação tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto por porta-contêineres nos portos fluminenses; 41% registraram entre três e quatro dias; e 21% possuíram menos de dois dias.

Fonte: Cecafé

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Economia

PIB cresce 0,4% no segundo trimestre, mostra IBGE

Economia brasileira atinge maior patamar da série histórica

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 ante o primeiro trimestre do ano. Com esse resultado, o PIB atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996. 

Em relação ao segundo trimestre de 2024, a atividade econômica brasileira teve alta de 2,2%. No semestre e no acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 2,5% e 3,2%, respectivamente.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi divulgado na manhã desta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o instituto, o PIB brasileiro chega a R$ R$ 3,2 trilhões.

A variação positiva no trimestre ante trimestre é a 16ª seguida, ou seja, desde o segundo trimestre de 2021 (-0,6%).

Setores

O PIB pode ser calculado pela ótica da produção (análise do desempenho das atividades econômicas) ou do consumo (gastos e investimentos).

Pelo lado da oferta, as expansões dos serviços (0,6%) e da indústria (0,5%) compensaram o recuo da agropecuária (-0,1%). O consumo das famílias cresceu 0,5%, enquanto o consumo do governo caiu 0,6%, e investimentos tiveram perda de 2,2%.

Os serviços e consumo das famílias atingiram patamares recordes.

Em relação ao segundo semestre de 2024, a alta de 2,2% foi puxada pela agropecuária, que deu um salto de 10,1%, impulsionado pelo ganho de produtividade de alguns produtos da lavoura.

Freio dos juros

O resultado de 0,4% no trimestre é uma desaceleração, uma vez que no primeiro trimestre, houve alta de 1,3%.

A coordenadora da Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a perda de ritmo de crescimento era esperada por causa da política monetária restritiva, ou seja, juros altos.

“As atividades indústrias de transformação e construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse cenário”, avalia ela, acrescentando que os efeitos negativos na construção e na produção de bens de capital [máquinas e equipamentos] ajudam a explicar a queda nos investimentos.”

A pesquisadora explica que o setor de serviços é menos impactado por essa política restritiva.

“Foi uma alta disseminada pelo setor e puxada pelas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; informação e comunicação, impulsionado pelo desenvolvimento de software, e transporte, armazenagem e correio, puxado por transporte de passageiros”, descreve.

A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%).

A taxa Selic é decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo ─ de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).

Uma face do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas ─ e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.

Esse conjunto de efeitos freia a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo.

Expectativa para 2025

Na segunda-feira (1º) o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que traz expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Em relação ao PIB fechado de 2025, o mercado estima crescimento de 2,19%. 

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda calcula expansão de 2,5% em 2025, de acordo com a edição de julho do bimestral Boletim Macrofiscal

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%, quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando a economia cresceu 4,8%.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais. 

O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria

Durante o cálculo, há cuidados para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, seu PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão. 

Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.

O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida. 

Fonte: Agência Brasil

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Importação

Importações de Soja e Milho pela União Europeia Caem, mas Brasil Aumenta Participação

As importações de soja da União Europeia até o momento na temporada 2025/26, que começou em julho, atingiram 2,29 milhões de toneladas até 31 de agosto, queda de 5% na comparação com o mesmo período do ciclo anterior, mostraram dados publicados pela Comissão Europeia nesta terça-feira.

Por outro lado, a importação da oleaginosa brasileira, que responde pela maior parte do volume importado, apresentou aumento para 1,5 milhão de toneladas, versus 1,49 milhão no ano anterior, enquanto o total trazido dos EUA teve queda para 477 mil toneladas, ante 674 mil toneladas no acumulado de 2024/25.

As importações de farelo de soja brasileiro pela UE aumentaram para 1,78 milhão de toneladas, versus comparativo de 1,6 milhão no ano anterior.

No caso do milho, as importações do cereal brasileiro pela UE em julho e agosto mais que dobraram na comparação anual, para 688,6 mil toneladas. Neste caso, também houve queda na importação do produto dos EUA para 286,8 mil toneladas.

Fonte: Investimentos e Notícias

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Comércio Exterior

Governo Trump prepara novas medidas contra o Brasil

Alvos agora são o Banco do Brasil e as importações da Rússia, apurou a CNN; empresas americanas pedem manutenção de barreiras

Os Estados Unidos preparam medidas contra o Banco do Brasil e contra as importações da Rússia, além de contestação dos argumentos do governo e das empresas brasileiras em relação à tarifa de 50%.

As informações são de diversas fontes consultadas pela CNN em Washington. A situação é fluida e depende do presidente Donald Trump, que pode mudar de planos.

Na tarde desta segunda-feira (1º), a sanção mais iminente parece ser contra o BB (Banco do Brasil), segundo o relato de uma dessas fontes. O contexto é o do início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, nessa terça-feira (2).

Ao aplicar a Lei Magnitsky, em 30 de julho, o Departamento do Tesouro americano se municiou para punir com sanções econômicas instituições que prestem serviços ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No dia 18 de agosto, o ministro Flavio Dino, também do STF, determinou, ao julgar outro caso, que “leis, decisões judiciais, decretos ou ordens executivas de outros países não têm eficácia no Brasil a não ser que sejam homologados pela Justiça brasileira ou aprovados conforme a Constituição e as leis nacionais”.

No dia seguinte, o BB emitiu comunicado afirmando que “atua em plena conformidade à legislação brasileira, às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais que regem o sistema financeiro”, e acrescentou que “está preparado para lidar com temas complexos e sensíveis que envolvem regulamentações globais”.

Em 21 de agosto, uma instituição financeira cancelou o cartão Mastercard do ministro, segundo informações do mercado. No mesmo dia, o BB teria oferecido a Moraes um cartão da bandeira brasileira Elo. Essa é a justificativa para o Tesouro americano adotar medidas contra o banco estatal.

Nesses casos, os EUA costumam impor multas aos “transgressores”. O caso mais notório foi o do banco francês BNP Paribas , acusado de violar sanções americanas ao transacionar bilhões de dólares com entidades sancionadas do Sudão, Irã e Cuba. Em julho de 2014, o BNP Paribas se declarou culpado e foi condenado a pagar US$ 9 bilhões em multas, e a cinco anos de liberdade condicional corporativa.

Já o banco britânico Standard Chartered foi multado três vezes. Em 2012, o regulador do estado de Nova York (DFS) acusou o banco de ocultar transações com o Irã, impondo multa de US$ 340 milhões. Uma nova condenação, por negócios com Irã, Mianmar, Líbia e Sudão, levou a outra multa, de US$ 327 milhões.

Em 2019, o Standard Chartered foi multado mais uma vez, em US$ 1,1 bilhão, por causa de negócios com Mianmar, Zimbábue, Cuba, Sudão, Síria e Irã, e deficiências nos controles de lavagem de dinheiro.

Tarifaço

A atual tarifa de 50% será objeto de audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) na quarta e quinta-feira. O governo brasileiro apresentará seus argumentos contra a tarifa.

Empresas americanas que concorrem com as brasileiras ou que atuam no mercado brasileiro apresentaram posições claramente coordenadas entre si, para contestar os argumentos do Brasil e defender a manutenção da alíquota.

Associações americanas dos setores de celulose, madeireiras, pecuaristas e soja alegam que as vantagens competitivas do Brasil se devem ao desmatamento ilegal e trabalho forçado. Elas pediram que o governo americano feche o mercado e negocie com a China para que compre produtos americanos.

Na parte de comércio digital, elas criticaram a proposta de regulação de inteligência artificial, de data centers e de plataformas de streaming, além da tributação dessas atividades no Brasil. Medida provisória adotada em outubro pelo governo brasileiro impôs tributo mínimo de 15% sobre esses serviços, caso não recolham essa alíquota em seu lugar de origem.

Instituições financeiras americanas acusaram o Banco Central brasileiro de atuar ao mesmo tempo como regulador e como competidor, por causa do Pix, que concorre com sistemas de transferência dos EUA.

Óleo diesel russo

O governo Trump deve adotar também medidas comerciais contra a importação de óleo diesel da Rússia pelo Brasil, a exemplo do que já fez com a Índia. A alíquota indiana foi elevada de 25% para 50%. Essa medida contra o Brasil seria aplicada dentro de uma semana ou uma semana e meia, de acordo com a percepção de fontes em Washington.

O Brasil importou aproximadamente US$ 12,5 bilhões em produtos russos no ano passado, principalmente óleo diesel e fertilizantes. A Índia, de sua parte, comprou US$ 63 bilhões e a China, com a qual Trump negocia um acordo em fase avançada, US$ 130 bilhões.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Rússia amplia compras de café brasileiro e pode até ser opção aos EUA

Mesmo em guerra com a Ucrânia e sofrendo sanções de países ocidentais que visam o seu sistema financeiro, a Rússia compra cada vez mais café brasileiro. Em 2024, foi o décimo maior destino do produto, com a importação de 1,372 milhão de sacas de 60 quilos.

Neste ano, já ocupa o oitavo lugar no ranking, com 732,3 mil sacas compradas de janeiro a julho, acima das quase 598 mil sacas do mesmo período de 2024, segundo o Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Os russos estão comprando também mais cafés especiais do Brasil. Do total exportado à Rússia neste ano, 101.365 sacas foram de cafés especiais, alta de 267% em relação ao mesmo período de 2024.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de café em grão para a Rússia a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Café em Grão para a Rússia | Jan 2022 a Jun 2025 | TEU

De olho no crescimento dessa demanda por cafés especiais, um grupo de oito compradores russos visitou fazendas produtoras do Espírito Santo e Rondônia em agosto.

Uma das fazendas visitadas foi a Camocim, que fica em Domingos Martins, na região das Montanhas Capixabas. Os russos conheceram o café Jacu e os outros cafés especiais do tipo arábica orgânicos e biodinâmicos, cultivados na propriedade que pratica agricultura regenerativa.

Henrique Sloper, dono da Camocim, afirma que já embarcou muito café para a Rússia no passado, mas interrompeu os negócios com a guerra e agora espera reativar as exportações, junto com um grupo de produtores capixabas.

Consumo x guerra
“Nosso relacionamento com a Rússia é antigo porque é um mercado que toma muito café. O café especial era um mercado emergente por lá, mas o crescimento foi interrompido pela guerra. Hoje, é preciso fazer muita ginástica para mandar café para lá e outra ginástica maior para receber”, diz.

Entre o grupo de visitantes russos, estava a dona de uma distribuidora de cafés de Moscou que já faz negócios com a trading de café BMP Farmers Coffee, de Nova Venda do Imigrante (ES).

Além da Rússia, a BMP Farmers Coffee, que tem mais de 300 fornecedores entre os produtores de arábica e conilon no Espírito Santo, exporta cafés especiais para Canadá, Austrália e países da Europa. Segundo Luísa Lang, diretora de comunicação da Farmers, houve alguns problemas no início da guerra com a Ucrânia, mas as exportações para a distribuidora russa foram mantidas.

“Os russos disseram que têm interesse em aumentar a distribuição dos cafés especiais brasileiros em seu país, sobretudo o conilon, considerado uma boa alternativa para as torrefadoras”, disse Lang.

O crescente interesse dos russos pelo produto é uma boa notícia num momento em que as exportações para os EUA, o maior cliente do Brasil, ficaram inviáveis com a sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump.

Sloper diz que reativar os negócios com os russos é uma das opções para substituir o mercado americano. Ele antecipou o envio neste ano de 320 sacas aos EUA, mas espera uma solução para voltar a embarcar para seus três clientes americanos. Além da Rússia, o produtor afirma que outra opção é aumentar os negócios com o Japão, para onde viaja para participar da maior feira de café da Ásia.

Fonte: Globo Rural

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Agronegócio

Abertura de mercado para produtos agropecuários do Brasil na Costa Rica

Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 419 aberturas desde o início de 2023 em 71 destinos

O governo brasileiro e o governo da Costa Rica concluíram negociações sanitárias e fitossanitárias para que o Brasil exporte subprodutos de origem bovina destinados à alimentação animal e milho de pipoca para aquele país.

Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 272 milhões em produtos agropecuários para a Costa Rica, com destaque para cereais, farinhas e preparações, além de produtos do complexo soja.

Com este anúncio, o Brasil alcança 419 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Comércio Exterior, Informação, Investimento, Tecnologia

Governo de Santa Catarina fortalece relações com Singapura como porta para a Ásia

A vice-governadora de Santa Catarina, Marilisa Boehm, recebeu nesta segunda-feira, 1º de setembro, o chefe de missão e encarregado de Negócios da Embaixada de Singapura no Brasil, Desmond Ng, em Florianópolis. A agenda contou com a presença de lideranças empresariais e representantes do Governo do Estado.

O objetivo da reunião foi ampliar o diálogo entre Santa Catarina e Singapura, aproveitando o cenário de fortalecimento do comércio brasileiro com a Ásia. Para a vice-governadora a reunião foi altamente positiva. “O chefe de Missão e encarregado de negócios na embaixada de Singapura no Brasil foi muito claro ao afirmar que a nação asiática tem interesse em aumentar ainda mais as relações comerciais com Santa Catarina. Temos muitas similaridades como o investimento em tecnologia, educação e segurança pública, além da ampla infraestrutura portuária, que faz tanto o nosso estado quanto a nação asiática polos logísticos”, destacou. 

Fotos: Richard Casas/GVG

O representante da embaixada no Brasil confirmou que há um interesse robusto e crescente em Santa Catarina. “Nosso papel é ampliar nossa comunicação para que novos investimentos se estabeleçam”, informou Desmond. O diplomata de Singapura citou que viu, em Brasília no último dia 27 de agosto, o anúncio dos resultados do Ranking de Competitividade dos Estados, evento no qual SC foi representado pela vice-governadora Marilisa. Ele relatou que ficou impressionado com o fato de Santa Catarina ter ficado, pelo nono ano seguido, no segundo lugar geral, além de ser o primeiro colocado em Capital Humano e Segurança Pública. “Isso só reforçou a certeza de que precisamos nos aproximar ainda mais de Santa Catarina”, afirmou.

Na reunião desta segunda-feira foram discutidas oportunidades em setores como portos, inovação tecnológica, economia verde e comércio exterior. O governo catarinense reforçou ainda o potencial do Estado para atrair novos aportes, lembrando que fundos soberanos de Singapura já possuem participação em empresas instaladas em território catarinense.

Estratégico

O secretário de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, destacou que o momento que Santa Catarina vive em termos de relações internacionais é estratégico. “Singapura é referência mundial em inovação e tecnologia, e uma porta para outros países asiáticos que também têm interesse em conversar conosco sobre negócios e investimentos. Estamos prontos para inserir ainda mais o estado nesse contexto”, destacou. 

A secretária de Articulação Nacional, Vânia de Oliveira Franco, avaliou que a chegada da comitiva de Singapura ocorre no momento ideal. “A internacionalização de Santa Catarina é uma prioridade do nosso governo, uma determinação conjunta com o governador Jorginho Mello e com a vice-governadora Marilisa Boehm. Esta visita reforça nossa aposta em parcerias globais, mostrando que somos um estado altamente competitivo, seguro e que oferece toda a segurança jurídica necessária para que o investimento floresça. Estamos prontos para construir um futuro de sucesso juntos”, assegurou.

De acordo com o presidente da Invest SC, Renato Lacerda, Singapura é um dos casos mais estudados de sucesso em desenvolvimento econômico e em inserção global de uma região pequena, mas extremamente estratégica. “Há várias lições que podem ser adaptadas à realidade catarinense.
Santa Catarina pode aprender com Singapura principalmente em promoção internacional e integração global, logística portuária, qualificação de mão de obra e, principalmente como políticas de inovação podem transformar a sociedade e alavancar o desenvolvimento”, comentou.

Comércio em expansão

De acordo com o Observatório da FIESC, Santa Catarina exportou para Singapura US$ 79 milhões apenas entre janeiro e julho de 2025. Entre os principais produtos estão alimentos processados, bombas de líquidos e transformadores elétricos. Do lado das importações, o destaque vai para circuitos integrados, polímeros e equipamentos eletrônicos, fundamentais para a indústria catarinense.

A agenda integra a programação da comitiva de Singapura em Santa Catarina, que inclui visitas a centros de inovação, reuniões com representantes do setor produtivo e encontros com secretarias estaduais.

Fonte: SECOM

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Portos

China: Porto de Qingdao inaugura seu serviço para o Brasil e Países Baixos

O Porto de Qingdao registrou a partida do porta-contêineres Okiana com carga de exportação com destino ao Porto de Roterdã, marcando o início de seu novo serviço direto para o Brasil e os Países Baixos.

“O navio descarregou celulose antes de encher seus porões vazios com contêineres de produtos nacionais, eliminando assim os trechos de lastro e encurtando o tempo de trânsito das exportações chinesas para a Europa”, destacou o Shandong Port Group (SPG), controlador do Porto de Qingdao.

O terminal é o maior porto importador de celulose do mundo, mas também integrou um modelo de carga e descarga que combina contêineres e carga geral.

“São implantadas equipes e equipamentos especializados para o manuseio de carga geral, garantindo uma operação eficiente e maximizando o uso do espaço do porão. Essa abordagem assegura atracação, carga e saída rápidas, reforçando a reputação do Porto de Qingdao por seus serviços de alta qualidade”, ressaltou o SPG.

Fonte: Portal Portuário

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Economia

PIB do 2º tri deve mostrar economia desacelerada, com impacto dos juros e incertezas

Indicadores antecedentes, incluindo dados mais fracos de produção, volume de serviços e índices de confiança, reforçam a visão de uma economia em trajetória mais moderada

A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do 2º trimestre, nesta terça-feira (2), deve mostrar uma desaceleração significativa em relação ao desempenho forte do início do ano.

O quadro geral estimado por economistas e instituições financeiras é de que o freio dos juros altos, somado às incertezas globais com as tarifas recíprocas de Donald Trump, começam a repercutir na atividade econômica, reduzindo gradualmente o crescimento até o fim do ano.

As projeções apontam que o PIB do 2º trimestre terá alta de 0,3% sobre o trimestre anterior, e de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado, após avanço de 1,4% no 1º trimestre, de acordo com o ASA Investimentos e o Banco Pine. O Banco Daycoval estima crescimento de 0,5% e 2,4%.

“Todo o avanço da economia em 2025 deve ficar concentrado no primeiro semestre, diante do impacto prolongado das condições financeiras restritivas e do ambiente global mais incerto sobre a atividade doméstica”, avalia Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine.

A análise do Daycoval destaca um risco de baixa na indústria da transformação, que deve registrar atividade mais fraca, e no varejo, afetando o consumo das famílias.

Os riscos de alta vêm de uma possível resiliência do setor automotivo e dos efeitos indiretos da safra sobre os transportes e logística.

Oferta

Pelo lado da oferta, a agropecuária, que impulsionou o crescimento no início do ano com a supersafra de 2025, deve perder fôlego no 2° trimestre pela sazonalidade do efeito, avalia o economista Leonardo Costa, do ASA. “O quadro sugere que a economia entrou em trajetória mais moderada de crescimento após o impulso inicial da safra”, afirma.

O Banco Pine destaca que a agropecuária retraiu -1,7%, após registrar forte avanço trimestral no período anterior, com alta de 12,2%. Para o Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval, o agro deve trazer dados positivos, mas com viés de desaceleração.

Na indústria, Costa projeta desaceleração, como já mostraram os dados setoriais do IBGE. Em junho, a produção industrial teve alta de 0,1%, na comparação com o mês anterior e queda de 1,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os números vieram abaixo da projeção, que era de 0,4% na base mensal e de 0,6% na base anual.

Indicadores antecedentes, incluindo dados mais fracos de produção, volume de serviços e índices de confiança, reforçam a visão de uma economia em trajetória mais moderada, de acordo com Oliveira.

Demanda

A ótica da demanda traz um destaque negativo para a formação bruta de capital fixo. A projeção do Banco Pine é de que os investimentos devem recuar 2,3% no trimestre — o primeiro recuo após seis trimestres consecutivos de expansão.

Essa queda está associada a uma taxa de juros real elevada e ao aumento das incertezas no cenário global, que desestimularam o investimento, avalia Oliveira.

O consumo das famílias, em especial nos bens sensíveis ao crédito, e os gastos do governo devem, por sua vez, continuar em leve crescimento – projetado em 0,3% –, acompanhado também por um recuo das importações (-1,8%) e uma pequena melhora nas exportações (0,7%), na projeção do Pine.

Projeções

De acordo com Oliveira, se as estimativas estiverem corretas, o carregamento estatístico para o restante do ano será de 2,4%.

No terceiro trimestre, a estimativa é de crescimento de 0,1% comparado ao segundo tri, projeta o Pine, que vê um fechamento gradual do hiato do produto devido à política monetária restritiva.

“A maior parte das simulações mostra que entre o 3T e 4T de 2026 o hiato estará próximo da neutralidade sem provocar retração severa da economia brasileira”, aponta o relatório do Pine.

Nas projeções do Daycoval, o PIB do terceiro trimestre deve fechar com alta de 0,1%, seguido por recuo -0,1% no quarto tri. A projeção anual é de PIB fechando 2025 em 2,2% 1,9% em 2026.

Para a instituição, o recuo no hiato do produto e nas expectativas de mercado para o IPCA abrem espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie o ciclo de corte de juros ainda no último trimestre de 2025.

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Inventor, industrial funda duas multinacionais e o maior parque empresarial do Brasil

O empresário italiano Fabio Perini desenvolveu uma trajetória sem igual. Começou inventando máquinas para indústrias de papel, fundou duas multinacionais, registrou mais de 100 patentes, abriu um estaleiro e fundou em Joinville o Perini Business Park

Entre os empresários que são ícones em Santa Catarina, um dos estados com economia mais dinâmica no Brasil, está o empreendedor e inventor italiano Fabio Perini. No final dos anos de 1970 ele abriu uma fábrica de máquinas para papel em Joinville, a maior cidade do estado, e em 2001 fundou o Perini Business Park, hoje o maior condomínio empresarial da América do Sul, onde estão sediadas mais de 300 empresas que faturam mais de R$ 10 bilhões por ano e respondem por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. 

Inventor e empreendedor, Fabio Perini, sempre foi muito discreto. Veio a Joinville no começo deste mês – dia 06 de agosto – quando foi homenageado com a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca, o mais importante reconhecimento do município, pela colaboração ao desenvolvimento econômico. No mesmo dia, também foi assinado acordo de irmandade de Joinville com a cidade italiana de Lucca, onde está a sede do Grupo Perini, na Itália.

O evento foi na “casa” de Fabio Perini, o Ágora Tech Park, dentro do Perini Business Park. No dia seguinte, ele concedeu esta entrevista exclusiva ao portal NSC Total, contando sua trajetória no mundo das invenções e dos negócios.

Embora não tenha cursado engenharia mecânica, ele é brilhante na arte de inventar máquinas. Foi essa capacidade de inovar que permitiu a ele ser o industrial que transformou mundialmente o setor de conversão do papel tissue. Registrou mais de 100 patentes, é considerado o fundador do Tissue Valley na cidade de Lucca, abriu duas multinacionais nesse segmento, a Fabio Perini e a Futura, fundou também o estaleiro Perini Navi e outros negócios.

Em 1974, veio ao Brasil para investir no país e se encantou por Joinville, uma cidade organizada como as italianas. Por isso abriu filial da indústria Fabio Perini e, décadas depois, inovou ao fundar o Perini Business Park.

Engana-se quem pensa que ele reduziu o ritmo aos 85 anos. Ao lado do CEO do Grupo Perini na América Latina, o engenheiro civil catarinense Marcelo Hack, ele destacou vários projetos para o mega condomínio empresarial. Uma creche para todas as crianças, prestação de serviços para empresas, área para pequenas empresas e um futuro shopping aberto no empreendimento. Leia a entrevista a seguir: 

Como foi o início da sua carreira? O seu pai tinha um negócio na área de papel e o senhor deu continuidade?

– Meu pai e irmãos tinham três papeleiras (fábricas de papel) e uma oficina mecânica (de máquinas produtoras de papel). Depois, dividiram o negócio e o meu pai ficou com a oficina. Nós morávamos num lugar antigo e eu pensei que tinha pessoas pouco interessadas em investimentos. Mas meu pai tinha empreendedorismo na cabeça e só sabia fazer papel, não sabia o que se fazia em outras partes do mundo.

Trabalhávamos nessas indústrias, mas com uma oficina. Não tinha engenheiro. Tudo era feito na prática. Então, eu trabalhava aí. Me acostumei à maneira do meu pai de não desenhar as coisas, mas pensar. Comecei a ver uma parte de máquina, mas era tudo no pensamento, não era como um engenheiro de hoje que vai desenhando.

Então, me acostumei a pensar as coisas como deveriam ser feitas e contratava um desenhista porque eu não sabia desenhar. É bem diferente a cultura em que você, através do desenho, chega a ter um projeto, do que quem trabalha vendo o projeto e depois desenha. Assim começamos a trabalhar, a fazer máquinas e, depois, chegamos ao Brasil.

Que idade o senhor tinha quando começou a fabricar máquinas?

– Eu estava com 17 anos quando comecei a fazer máquinas. Mas a firma era pequena, era eu, meu pai, meus irmãos e mais dois trabalhadores. Eu estava fazendo coisas um pouco novas. A gente não estava acostumado a pensar no novo. Sempre gostava de fazer algo como o que já existia. Então, aí eu me tornei o problema da família. Daí eu comecei a sair da empresa da família e trabalhar sozinho. Meu pai me deu a emancipação.

Quando o senhor registrou a primeira patente?

– Comecei a criar. Eu registrei a primeira patente de uma máquina para produção de papel quando eu tinha 17 anos. A primeira máquina que fiz não teve sucesso. Mas, depois, fiz uma outra, parecida, que deu resultado.

A máquina produtora de papel tem uma correia de um tecido grosso onde vai a água com a fibra e sai papel. Essa correia se movimenta e isso é regulado por um operador. E eu fiz um dispositivo que fazia esse movimento sem a necessidade de um operador. Mas depois fizemos vários tipos, até chegar a um para uma máquina importante, fabricada na Itália.

O que destacou o senhor internacionalmente como inventor de máquinas de papel?

– No setor de papel existem equipamentos que, a partir da celulose, produzem folhas de papel. Esses equipamentos fazem bobinas de papel. Eu trabalho especificamente com máquinas para papel tissue, que é o papel macio e mais absorvente para guardanapos, toalhas, lenços e papel higiênico. É um papel que tem entre 14 e 18 gramas de gramatura.

As máquinas que eu projeto prendem as bobinas jumbo, que são as bobinas maiores de papel tissue, e fazem a conversão, ou seja, transformam o papel que está em rolos grandes em papel toalha e papel higiênico. São máquinas de um segmento do setor chamado “converting”, que fazem a conversão das bobinas grandes em produtos menores, para o uso dos consumidores.

Quando fundou a primeira fábrica dessas máquinas?

– Eu tinha 26 anos quando fundei a indústria Fabio Perini, no ano de 1966. Ela cresceu, alcançou liderança nesse segmento, vendemos produtos para diversos países. Abrimos filiais no Brasil (em Joinville), nos Estados Unidos e no Japão. Tínhamos escritórios em 18 países. Em 1994 eu vendi parte da empresa para o grupo alemão Körber e em 1999 vendi toda a empresa Fabio Perini para eles que, há cinco anos, venderam para o grupo sueco Valmet. 

Passado um tempo, em 2001, comecei uma empresa nova, a Futura, que atua no mesmo setor, mas com tecnologias completamente novas. Todas as máquinas são novas, sem sobreposição de patentes. Agora, 25 anos depois, a Futura é líder mundial em tecnologia.

Como chegou a essa série de mais de 100 patentes registradas?

– Precisei fazer muitas máquinas. Quando tive papeleiras na Inglaterra e Romênia, por exemplo, criei uma máquina para elas, mas os clientes viram, gostaram e quiseram também. Então eu fiz para eles.

Eu penso que nem todas as patentes que fiz foram registradas no meu nome porque eu gosto de fazer projetos, mas depois o que acontece com eles não me interessa. Acredito que fiz cerca de 200 patentes. Tem algumas registradas em nome de outras pessoas, mas tudo bem.

Não é comum um dono de indústria projetar os equipamentos fabricados por ela, como o senhor faz…

– São 60 anos que eu trabalho nisso, que estou me dedicando ao setor de papel tissue. Hoje, todo o construtor de máquinas do setor imita o que eu fiz anos atrás, o que estou fazendo. Isso me enche de orgulho.

E como está a sua mais recente indústria de máquinas de papel, a Futura?

– Está bem. Tem sede em Lucca, na Itália e em Joinville é o centro de assistência técnica para as Américas. Atendente Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Argentina, Chile e Colômbia.

Por que o senhor escolheu Joinville para ser a primeira cidade com filial da sua primeira indústria, a Fabio Perini?

– Todo mundo que vem ao Brasil chega em São Paulo primeiro. Eu tinha um amigo em São Paulo e eu queria fazer uma firma. Diziam que tudo o que eu precisaria, eu poderia fazer em São Paulo. Mas eu comecei a visitar o Brasil, de Norte a Sul. Visitei todos os estados. Tinha locais que eu gostava um pouco mais e outros, um pouco menos.

Quando cheguei em Joinville foi paixão imediata. Vi todas as casas das ruas com jardins, plantações de verduras e de árvores frutíferas como na minha cidade, na Itália. Mas o que me tocou mais foi ver tanta criança de uniforme indo para a escola. Ao mesmo tempo, muitas pessoas estavam indo trabalhar de bicicleta porque naquela época quase todos usavam bicicletas. Eu fiquei hospedado no Hotel Anthurium, no centro da cidade.

E como surgiu a ideia de fazer o condomínio   Perini Business Park?

– Eu vendi a indústria Fabio Perini e pensei em investir o resultado também no Brasil, em Joinville. Começamos a estudar um pouco sobre como fazer construções empresariais. Aprendi como se faz concreto armado. Aí fizemos uma indústria para produzir material pré-fabricado, hoje a Perville Construtora. Fizemos o primeiro galpão, este onde está a administração do condomínio.

Recebemos as primeiras máquinas e fizemos um piso de concreto em céu aberto, foram instaladas as máquinas, começaram a fazer as peças de concreto e foram montando por cima das próprias formas. Eu acompanhei no início. Sempre faço isso. Depois, quando a coisa passa a funcionar, me afasto.

Quando começou o condomínio o senhor imaginava que ele se tornaria esse gigante?

– Não, não pensava que seria um sucesso. Na realidade, quando eu comecei, pensava um pouco diferente, porque eu pensava em fazer galpões, principalmente para alugar a quem queria começar porque sempre sei o quão difícil é começar. Então, eu pensava que essa era a maneira certa para que funcionasse.

Mas, na realidade, depois que chegou uma firma mais importante, pediram e nós acompanhamos a necessidade do mercado dela. Uma ideia minha era fazer para pequenas empresas. Mas aí vieram muitas grandes empresas e hoje já são mais de 300. Eu amo as pequenas empresas.

O que mais impressiona o senhor hoje no Perini Business Park?

– Pelo que vejo, tem muita segurança e tudo é fácil porque tem muito serviço para todo mundo. É muito prático trabalhar aqui. Tem transporte e várias outras coisas importantes. Mas nós estamos planejando mais coisas novas para o condomínio.

Quais são esses novos planos para o Perini?

– Eu gostaria de instalar uma firma para manutenção das indústrias locais, aqui do condomínio. Isso porque cada indústria tem que ter um eletricista, um mecânico e que depois trabalha só na emergência.

Mas a emergência seria uma empresa que poderia prestar trabalho para todo mundo. Seria mais econômico e de grande ajuda para os inquilinos. Isso porque cada um tem à sua maneira de trabalhar.

Eu penso que a melhor maneira de trabalhar é sempre oferecer vantagem aos outros. Depois, de qualquer forma, volta para nós também. Eu penso que é uma vantagem importante ter uma pessoa para fazer manutenção elétrica. Precisamos fazer algo para ajudar os inquilinos.

O senhor disse também que planeja construir uma creche dentro do condomínio. Como será essa creche?

– Nós gostaríamos, sim, de ter uma creche aqui. Quem tem filho, traz para cá. Será uma creche tanto para filhos de empresários, quanto de trabalhadores. E as crianças dessa creche, quando forem para as escolas públicas, têm que chegar mais preparadas do que as outras. Temos esse projeto há um bom tempo. Agora vamos fazer.

Veja, os empreendedores normalmente pensam em como ter mais lucro possível. É justo porque o sucesso se tem com o lucro. Penso também que quando você tem o lucro, o que faz? Como pode aproveitar mais o lucro? Se você faz uma coisa linda, bem-feita, que dá uma satisfação grande, já chega. Não precisa fazer a volta do dinheiro. Então, se a pessoa tem lucro, investe numa coisa boa e tem um grande retorno.

A sua trajetória é de sucesso desde o início. O que representa o sucesso para o senhor?

– O sucesso para mim é quase um problema. Porque eu gosto de fazer coisas, mas o sucesso acaba tendo custos. Ontem foi um dia ótimo para mim (o empresário recebeu homenagem da prefeitura de Joinville). Normalmente eu não gosto de falar. Gosto de fazer. E ao receber essa homenagem eu falei.

Eu lembro que quando tivemos a indústria de barcos a vela fizemos um barco fantástico. Ele teve muitas premiações, mas eu nunca fui receber esses prêmios. Sempre mandei outra pessoa nas premiações. O prêmio é quando você faz uma coisa boa e reconhece o que você tem feito. Esse é o prêmio verdadeiro. O sucesso paga você direto, o prêmio é algo mais.

Por que o senhor fundou um estaleiro para fabricar veleiros e o vendeu mais tarde?

– Fundei a Perini Navi, empresa que projetou e fabricou um dos maiores barcos a vela do mundo. Gosto muito de navegar. Na década de 1980 vim da Itália até o Brasil de veleiro. Esse estaleiro (na cidade italiana de Viareggio) foi muito importante. Recebemos o prêmio de melhor barco do mundo várias vezes. Isso teve um grande sucesso. Depois eu vendi. Eu pensava que a empresa ia crescer mais sem eu estar na liderança, mas depois de dois anos ela quebrou. Foi uma pena.

Veja um dos projetos (ele mostra um veleiro em tamanho miniatura no escritório). Esta vela é uma das patentes que registrei. Esse mastro gira. As velas são fixas, mas o mastro gira. Este foi um barco com muita inovação. Ele foi adquirido na época pelo empresário Tom Perkins, presidente da Compaq, dos EUA. Este barco é um navio. Levou cinco anos para ser construído e custou mais de US$ 100 milhões.

Qual será o próximo projeto para expandir o número de empresas no Perini Business Park?

– Gostaria de oferecer espaços para firmas pequenas. Penso que é útil. A firma grande nasce porque tem uma assistência da firma pequena. A criação nasce do pequeno. Eu penso que é preciso. Se está perdendo em todo o mundo a parte de produção de empresas de pequeno porte com alta qualidade e baixa escala.

São firmas que empregam, por exemplo, três jovens que acabam aprendendo mais naquela empresa pequena do que na escola. Se tornam pessoas com alta capacidade produtiva. Na Itália, muitas empresas são pequenas, têm seis ou sete empregados. E aí eles fazem tudo e acabam se tornando especialistas em fazer determinados produtos.

Podemos ter empresas assim também aqui no Perini Business Park para dar suporte às empresas maiores. Um exemplo é a Cisa, empresa italiana do grupo que aqui contrata muitos serviços de fora de casa quando necessita.

O que mais o senhor está prevendo para este condomínio empresarial crescer?

– Eu tenho que perguntar ao Marcelo Hack, CEO do Grupo Perini na América Latina (que acompanhou a entrevista). Nós temos que fazer aquilo que o mercado precisa. Mas, temos uma ideia fantástica de que, antes ou depois, vamos construir numa parte aqui do parque, que é mais elevada, linda, que era ocupada por um reflorestamento e chamamos de morro.

Isso porque a lei mudou e, então, poderemos fazer construções com altura de 30 metros. Antes, onde está o Ágora Tech Park, podíamos fazer somente com até 15 metros de altura. Nosso plano para essa parte mais elevada é fazer um centro comercial, um open mall com algumas torres, mas deixando muitos espaços para lazer, como praças e outras estruturas.

É um projeto que vamos desenvolver ainda. Atualmente, estamos numa fase de retirada de terra do morro. Vamos demorar ainda uns três ou quatro anos para chegar na cota que a gente quer. Até lá, estaremos com um projeto pronto para submeter à aprovação dos órgãos competentes.

Quanto o Perini está investindo?

– Estamos executando um plano de investimento de R$ 100 milhões para um período de 20 meses que começou em abril de 2024 e vai até janeiro de 2026 para a expansão do parque. Acreditamos que quando finalizado esse investimento gerará 1.000 empregos.

Como o senhor avalia a instalação de um parque tecnológico dentro do Perini?

– Eu penso que a tecnologia atrai, desenvolve soluções para problemas tecnológicos. Penso que o Ágora ajuda também empresas internas de tecnologia aqui do condomínio. O desenvolvimento tecnológico é sempre importante.

O diferencial que o senhor incluiu nas suas indústrias, no Perini Business Park, é a inovação. Qual é a importância da inovação para negócios, na sua opinião?

– Eu penso que a coisa mais importante é ver se consegue ensinar as pessoas a terem coragem de ir para frente. Isso porque eu vejo que muda. Todo mundo gosta de fazer o que se fazia, porque não dá erro, é mais fácil fazer o mesmo. Na minha experiência, vejo um problema, vejo pessoas capazes, que muitas vezes pensam que são muito mais capazes do que eu, e se eu deixo, eles não conseguem ir em frente. Eu tenho coragem. Muitas vezes eu conquisto coisas porque tenho coragem de ir em frente. Eu errei muito, mas tive sorte que alguma coisa deu certo.

Qual é a importância da homenagem que o senhor recebeu com a Medalha Dona Francisca, da prefeitura de Joinville?

– Sinceramente, eu não sabia que receberia esse prêmio. E não sei nem se mereço. Mas gostei. Penso que junto com o Marcelo Hack (presidente do Perini) alguma coisa fizemos de bom. Mas penso também que temos tempo para fazer mais ainda. No começo, as pessoas não acreditavam que o Perini Business Park ia dar certo.

Qual empresa mais chama atenção aqui no condomínio, na sua avaliação?

– É a Wetzel, uma tradicional indústria metalúrgica que deixou de ter uma sede própria no município para se instalar dentro do Perini. Quando ela veio, proporcionou uma virada de chave para o parque. Mais empresas vieram.

Fonte: NSC Total

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