Agronegócio

Piscicultura avança em Goiás e reforça papel estratégico no agronegócio

Com crescimento da produção de tilápia no Brasil e apoio técnico local, o estado desponta como polo promissor na aquicultura

Produção de tilápia bate recorde no Brasil

A piscicultura brasileira vive um momento de forte expansão. Em 2024, a produção nacional de tilápia cresceu 14,36% em comparação com o ano anterior, atingindo o recorde de 662.230 toneladas, segundo o Anuário Peixe BR 2025. A espécie, que já representa 68,36% de todo o peixe cultivado no país, consolidou-se como uma das proteínas animais mais consumidas pelo brasileiro.

O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, avalia o cenário como positivo, mas destaca que a instabilidade nos preços ao produtor ao longo do ano exige um esforço conjunto de todos os elos da cadeia produtiva. “É necessário garantir resultados econômicos sustentáveis, da genética à indústria”, pontua.

Goiás acompanha tendência de crescimento

Goiás vem acompanhando o bom momento do setor. Em 2024, a produção de peixes cultivados no estado atingiu 30.730 toneladas, número superior ao de 2023 (29.850 t) e próximo ao de 2022 (30.500 t), indicando recuperação e estabilidade.

A tilápia também lidera a produção goiana, com 23.200 toneladas, seguida por peixes nativos (7.300 t) e outras espécies como carpa, truta e panga. Entre os principais polos produtores estão os municípios de Niquelândia, Inaciolândia, Quirinópolis, Gouvelândia e Luziânia.

Condições favoráveis e desafios em Goiás

De acordo com Paulo Roberto Silveira Filho, presidente da Comissão de Aquicultura da Faeg (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás), o estado possui características naturais e econômicas que favorecem o desenvolvimento da piscicultura. “Nossa localização estratégica próxima ao Distrito Federal, o clima propício e a forte produção de grãos formam uma base sólida para o setor”, afirma.

Ele destaca ainda que, em 2024, a queda nos preços do milho e do farelo de soja contribuiu para reduzir os custos da atividade. No entanto, Silveira Filho alerta para obstáculos que ainda limitam o avanço, como a falta de isonomia tributária entre estados do Centro-Oeste e as constantes mudanças na legislação, que geram insegurança jurídica, especialmente para pequenos e médios produtores.

Cenário internacional favorece expansão

O otimismo no setor se estende para além das fronteiras nacionais. O Brasil já é referência mundial na produção de tilápia. Em 2024, a produção global da espécie está estimada em cerca de 7 milhões de toneladas. Para 2025, a previsão é de um crescimento adicional de até 5%, elevando a oferta mundial para 7,3 milhões de toneladas, segundo a FAO e outras entidades do setor.

Nesse contexto, Goiás tem a oportunidade de ampliar sua atuação no mercado interno e também conquistar espaço no cenário internacional, desde que invista em infraestrutura, políticas públicas e valorização dos produtores locais.

Senar Goiás impulsiona profissionalização da piscicultura

Um dos principais aliados dos piscicultores goianos tem sido o Senar Goiás. Por meio do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), a entidade oferece suporte técnico contínuo aos produtores de todo o estado. Nesta semana, técnicos de campo participaram de um encontro para alinhamento de estratégias e troca de experiências.

Segundo Dirceu Borges, superintendente do Senar Goiás, a atuação técnica tem gerado resultados expressivos. “A atualização constante de técnicas de manejo tem contribuído para a profissionalização da atividade e o aumento da produtividade. A piscicultura deixou de ser apenas uma atividade de subsistência e passou a ocupar um lugar estratégico no agronegócio goiano”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio

Agro teme sanções de Trump ao Brasil por compra de fertilizantes russos e faz alerta ao Itamaraty

O agronegócio brasileiro, já pressionado em diversos setores pela sobretaxa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passa a valer nesta quarta-feira (6), teme que a ameaça de uma nova retaliação se concretize em um dos pontos mais frágeis de sua cadeia produtiva: os fertilizantes.

Conforme informações obtidas pela “Folha de S. Paulo”, representantes do agro, tanto de empresas quanto da bancada ruralista no Congresso, fizeram chegar o alerta ao Itamaraty sobre possíveis sanções que o Brasil pode sofrer, a partir da sexta-feira (8), devido às negociações que detém com a Rússia, que hoje é o maior vendedor de fertilizantes ao Brasil.

Como a “Folha” mostrou, o Brasil também está na rota de sanções pela compra de diesel. Mais de 60% desse combustível que foi importado neste ano veio do país de Vladimir Putin.

Confira abaixo um histórico das importações brasileiras de fertilizantes da Rússia a partir de janeiro de 2022.O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Importações Brasileiras de Fertilizantes da Rússia – Jan 2022 a Mai 2025 – TEU

A Frente Parlamentar Agropecuária não comenta o assunto. O clima geral, no entanto, é de apreensão. Dependente crônico da importação deste tipo de insumo, o agronegócio torce para que a pressão internacional que Trump exerce, também sobre a Rússia, não resvale nestas transações bilaterais.

Em 14 de julho de 2025, Trump afirmou que, se não houver um acordo de paz da Rússia com a Ucrânia, os Estados Unidos imporão “tarifas secundárias de 100%” sobre países que continuam comprando exportações russas.

Essas tarifas fariam parte de um ultimato diplomático e envolveriam penalidades indiretas a compradores de petróleo, gás, urânio ou outros bens russos, como fertilizantes. A informação foi confirmada pelo secretário Internacional do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte.

Nesta terça, Trump disse que tomará uma decisão sobre as sanções envolvendo a compra de petróleo após uma reunião com autoridades russas agendada para quarta-feira (6).

Em entrevista coletiva, Trump não confirmou que as tarifas serão de 100%. “Nunca disse uma porcentagem, mas deve ser algo próximo disso”, afirmou o presidente dos EUA.

A tarifa ao Brasil não seria aplicada diretamente sobre os fertilizantes importados pelo país, mas sim sobre outros produtos brasileiros exportados para os EUA, como forma de retaliação indireta ou pressão econômica.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, disse que o governo brasileiro tem que estar em alerta para o risco de uma retaliação dos Estados Unidos envolver proibições de compras de produtos. Esse é um dos riscos que estão no radar da indústria brasileira.

“A posição dos Estados Unidos que foi dada à Rússia foi que, se ela não resolvesse o problema da guerra, eles iriam abrir retaliações que envolveriam quem compra produtos da Rússia. E nós compramos petróleo e fertilizantes, que são muito sensíveis ao agronegócio”, comentou.

A preocupação do produtor nacional se explica pela profunda dependência da Rússia no fornecimento de fertilizantes. O Brasil é responsável por cerca de 8% do consumo global do produto, ocupando a quarta posição mundial, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. A soja, o milho e a cana-de-açúcar respondem por mais de 73% desse consumo no país.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mais de 90% dos fertilizantes utilizados são importados, o que torna o setor agrícola vulnerável às oscilações do mercado internacional e impacta diretamente os produtores rurais. A Rússia aparece como o principal país fornecedor, respondendo sozinha por 30% do que é importado, superando potências como China, Canadá e os Estados Unidos.

A cúpula de senadores brasileiros que esteve nos Estados Unidos na semana passada, para tentar sensibilizar o governo sobre o tarifaço, voltou para casa com a informação de que os americanos estão incomodados, na realidade, com o volume de combustível que o Brasil compra dos russos. O produto é o segundo mais importado pelo Brasil, só atrás dos fertilizantes.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que esteve nos EUA e discutiu o tema, foi procurada para comentar o assunto, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

A dependência estrutural dos fertilizantes da Rússia não para de crescer. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) apontam que 2025 caminha para fechar um novo recorde histórico no volume de fertilizantes que o Brasil importa da Rússia.

Apenas no primeiro semestre do ano, o país já adquiriu 5,71 milhões de toneladas, ao custo de US$ 1,98 bilhão. O total anual tende a ultrapassar 12 milhões de toneladas, consolidando o maior volume físico já registrado e repetindo o resultado do ano passado, que chegou a 12,5 milhões de toneladas.

Na última década, a dependência do fertilizante russo se multiplicou. Em 2015, o Brasil importou 3,7 milhões de toneladas daquele país. Em 2017, chegou a 5,6 milhões. Em 2019, antes da pandemia, as importações já ultrapassavam 7 milhões de toneladas.

O primeiro salto expressivo ocorreu em 2021, quando o Brasil atingiu 9,6 milhões de toneladas importadas, impulsionado pela recuperação pós-pandemia do coronavírus. Em 2022, embora o volume tenha recuado para 8,1 milhões de toneladas, a guerra na Ucrânia e o risco de interrupção no fornecimento fizeram o Brasil intensificar suas compras em um mercado pressionado. Em 2023, as importações seguiram altas, com 9,3 milhões de toneladas. O volume físico, no entanto, não parou de se ampliar de lá para cá.

Fonte: Valor Econômico

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Agronegócio

Em tempos de turbulência, Weg carrega suas baterias para aumentar vendas para o agronegócio

Uma das maiores fornecedoras de motores elétricos do mundo, empresa catarinense acaba de criar um “time agro” e deve aumentar presença em feiras para ampliar comercialização de soluções como energia solar e acumuladores para produtores rurais

Com faturamento de quase R$ 40 bilhões por ano, a brasileira Weg é uma das três maiores fabricantes globais de motores elétricos e vem apresentando crescimento consistente nos últimos anos, inclusive pela oferta de novos equipamentos eletroeletrônicos.

Os maiores clientes da empresa estão em setores como mineração e papel e celulose, mas já havia negócios com agroindústrias, em função de seus motores e sistemas de automação.

O mundo “rural”, porém, começa a representar novas oportunidades de vendas para a empresa de origem catarinense.

Durante um evento em Pedra Preta (MT), a 1600km da sede da empresa, que fica em Jaraguá do Sul (SC), o AgFeed conheceu o filho de um ex CEO da Weg, Harry Schmelzer Neto, que hoje é diretor de negócios Solar & Bess (sistema de armazenamento de energia de bateria, na sigla em inglês).

Era um encontro com mais de 100 produtores rurais, com foco no algodão, promovido pela Girassol Agrícola.

“A gente não ia muito em feiras (do agro) para falar de solar justamente porque o mercado estava crescendo muito, nem precisava buscar novos nichos. Mas eu tive esse convite, me falaram que o algodão, as algodoeiras, usam muita energia. Então viemos divulgar novas opções de geração de energia e backup”, contou ele, em entrevista ao AgFeed.

A área liderada por Harry Neto já começa a crescer em relevância no faturamento da Weg, mas a empresa não divulga números nem percentuais detalhados.

Em energia solar, a Weg já atua há mais de 10 anos, mas o segmento de baterias é uma espécie de complemento neste pilar de soluções.

“Com a bateria a gente consegue realmente atacar com força sistemas onde não tem rede (elétrica, tradicional). Porque sem a bateria até dá pra fazer um solar com diesel, que são sistemas que a gente chama de micro-redes, botar um solar junto e trabalhar os dois. Mas com a bateria eu não preciso do diesel. Então a gente consegue ter uma independência financeira para o produtor rural”, explicou.

O executivo diz o que agronegócio “passou a prestar mais atenção” à energia solar e ao complemento das baterias.

Ele lembra que mesmo onde há rede elétrica, no caso de Mato Grosso, por exemplo, a tarifa de energia é muito cara. “Colocar energia solar sai mais barato e é renovável, você não está queimando diesel”.

O maior uso de energia solar, defende Neto, pode ser usado dentro dos projetos de sustentabilidade que vem crescendo no agro, inclusive no agro.

O diretor da Weg diz que as vendas de produtos de energia solar vêm crescendo em média 40% ao ano, desde 2018, até o ano passado.

Para 2025, ele projeta maior estabilidade nos negócios de energia solar, em função das taxas de juros mais elevadas no País. Ainda assim, prevê um mercado mais aquecido para as baterias

“Como o solar cresceu muito, deu uma saturada, o próprio solar cria necessidade de bateria. Então agora a gente acredita que o crescimento da bateria vai ser em ritmo bem maior nesse momento”, afirmou.

Nas baterias, também há expectativa de mais vendas para o agronegócio dentro do que a Weg chama de offgrid, que é para substituir o gerador. Harry Neto também acredita em maior potencial no agro junto aos clientes que não têm energia disponível.

Em outra frente, ele relata uma demanda nas cidades para que as distribuidoras consigam equilibrar o que entra na rede por energia solar

“Entra solar das 11h às 1h quando, em qualquer lugar do mundo é o sol mais forte. E nesse período não é a maior demanda. Então a bateria vem para armazenar, é usada para o que a gente chama de time shift, para trocar um momento de uso de energia”.

Atualmente, ele calcula que apenas 10% dos clientes de energia solar estejam ligados ao agronegócio. A expectativa é crescer no segmento, principalmente porque o custo ficou mais acessível, segundo Neto.

“O solar vem caindo de preço ano a ano, então está cada vez mais viável. E agora a bateria também caiu de preço por causa dos carros elétricos”.

Na visão dele, os produtores ainda não estão fazendo esta conta, das vantagens de substituir o diesel com energia solar e baterias.

“Eu acredito que o pessoal não está calculando porque o payback está muito atrativo. E nesse conceito ESG dá para vender o meu algodão que usa energia limpa”.

Em função disso, o diretor da Weg contou ao AgFeed que, dentro de sua diretoria, acaba de criar uma “seção agro”, com times especializados para atender esses clientes.

“A gente deixava na mão do canal normal, porque a Weg já vendia muito motor para o agro”, disse ele, reforçando que não havia uma prioridade para oferecer a solução de energia solar. A partir de agora o plano é ampliar a presença da Weg em eventos e feiras do agronegócio.

Harry Neto não quis comentar sobre os eventuais efeitos das tarifas impostas por Donald Trump sobre os produtos brasileiros.

É possível que a estratégia de ganhar espaço no agro possa ajudar a empresa em um momento especialmente delicado. De acordo com o release de resultados divulgado pela Weg, referente ao segundo trimestre deste ano, 48% da receita da empresa no mercado externo teve como origem a América do Norte.

Em meio aos temores de possíveis impactos do tarifaço, as ações da empresa acumularam queda de 13,6% nos últimos 30 dias. No acumulado do ano, o recuo é superior a 29%.  Porém, desde a semana passada os papeis apresentaram uma reação, de quase 3%, à medida que cresce a expectativa de novas exceções na lista de produtos que serão tarifados pelos EUA.

Segundo um relatório recente do BTG Pactual, a taxação da exportação dos motores elétricos do Brasil para os EUA representava o maior risco para a companhia. Isso porque uma eventual tarifa poderia implicar em um custo adicional de R$ 809 milhões por ano para a Weg, de acordo com o relatório.

Fonte: AG Feed

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Agronegócio, Comércio Exterior

Agro vê etanol ameaçado em negociação sobre tarifas de 50% de Trump

Redução das tarifas brasileiras de importação do etanol deve ser colocada como moeda de troca pela Casa Branca; setor vê possibilidade alta de governo ceder

O setor de agroenergia vê com preocupação o uso do etanol como moeda de troca para os Estados Unidos baixarem as tarifas gerais de 50% sobre produtos importados do Brasil.

O etanol foi citado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos entre as “práticas comerciais injustas” devido à tarifa de importação brasileira de 18% — o que reduziria a competitividade para os produtores americanos, segundo a Casa Branca.

No documento da investigação comercial dos EUA sobre o Brasil, o etanol foi o único produto citado nominalmente e que teve destaque. Dessa forma, parlamentares, empresários e integrantes do governo acreditam que a redução das tarifas de importação devem ser uma exigência da Casa Branca para negociações.

À CNN, empresários do setor de agroenergia disseram, sob anonimato, acreditar que a aceitação do governo em reduzir a tarifa de importação de etanol é “bastante provável”. Inclusive, eles disseram que a medida é apoiada por outros segmentos do setor produtivo que não tem relação com a substância e, portanto, seriam beneficiados com a redução da alíquota geral de 50%.

O Brasil impôs pela primeira vez uma cota tarifária (CTQ) de 600 milhões de litros anuais em 2017, com uma alíquota extra de 20% sobre as importações de etanol. Depois de mudanças sobre a cobrança nos anos subsequentes, o país fixou a alíquota em 18% em 1º de janeiro de 2024.

“Os Estados Unidos sofrem com tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil e com o desequilíbrio comercial resultante da decisão do Brasil de abandonar o tratamento recíproco, praticamente isento de impostos, que promoveu o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio florescente e mutuamente benéfico”, diz o Departamento de Comércio dos EUA.

Caso as tarifas de importação do etanol sejam reduzidas, executivos do agro afirmaram à CNN que o país deverá sofrer com a perda de centenas ou milhares de empregos, especialmente no Nordeste.

Fonte: CNN Brasil

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Agronegócio, Comércio Exterior, Industria

Do agro à indústria, empresas têm vendas aos EUA suspensas antes de tarifas

Setores de pescados, suco de laranja, madeira e ferro-gusa já relatam danos a contratos quatro dias antes de taxa de 50% vigorar

Às vésperas de entrar em vigor a tarifa de 50% prometida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, empresas brasileiras do agronegócio à indústria têm contratos de exportação suspensos e embarques de mercadorias ao país norte-americano cancelados.

Um dos setores que já admite perdas é o de pescados. O presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo, disse em entrevista à CNN que “todos os embarques de mercadorias foram suspensos e pedidos foram cancelados”.

“Em vigorando a taxa de 50% ninguém vai exportar e a cadeia produtora vai travar”, completou o executivo.

Relata situação semelhante o segmento madeireiro. Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), disse à CNN que “há alguns contratos cancelados e uma série de embarques postergados até que a situação da tarifa se defina”.

“Em função disso, várias empresas já estão diminuindo produção, cortando turnos e várias já têm anúncio de férias coletivas”, concluiu.

Já importadores norte-americanos de ferro-gusa — matéria-prima para o aço — anunciaram a suspensão de contratos com fornecedores do Brasil, segundo Fernando Varela, presidente do Sindifer (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo).

Apesar de o cancelamento de pedidos ainda não estar na mesa, Varela ressalta que empresários encaram a proximidade do prazo e a falta de resolução com temor. “Está chegando o dia e até agora não foi vista uma ação concreta de negociação por parte do governo”, opinou.

No segmento de suco de laranja, não há relatos de cancelamentos de embarque ou suspensão de contratos, segundo um representante setorial consultado pela CNN. O relato, contudo, é de que a negociação de novas vendas estão paralisadas enquanto há incertezas sobre as taxas.

Nem todos os segmentos de exportação relevante aos EUA relatam impacto, contudo. Representantes dos setores de café e de carne bovina disseram à CNN que ainda não há registro de suspensão de contratos ou cancelamentos de embarques.

O setor produtivo, por meio de associações e entidades representativas, vem pedindo ao governo federal pragmatismo nas negociações com os EUA e a extensão do prazo para o início da vigência da taxa. Auxiliares de Donald Trump reiteraram nos últimos dias que os 50% valerão em 1º de agosto.

Fonte: CNN Brasil

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Agronegócio, Exportação

CNA estima perda de US$ 5,8 bilhões em exportações do agronegócio aos EUA com tarifa de 50%

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o agronegócio deixará de exportar US$ 5,8 bilhões aos Estados Unidos neste ano com a imposição da tarifa de 50% anunciada pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A sobretaxa está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

A projeção da confederação considera uma queda de 48% nos embarques de produtos do agronegócio ao mercado norte-americano ante os US$ 12,1 bilhões comercializados em 2024.

O cálculo, informou a CNA em nota, considera a “elasticidade” das importações de bens nos Estados Unidos, com o impacto da alíquota de 50%.

“A elasticidade das importações de um país mede o quanto o volume importado reage a mudanças no preço dos produtos. Assumiu-se que o choque causado nas tarifas seria integralmente transmitido para os preços de importação. Ou seja, uma elevação de 50% nas tarifas elevaria em 50% os preços finais”, explicou a CNA na nota.

O indicador de elasticidade foi estimado com base nos dados de comércio dos EUA nos últimos cinco anos, explicou a CNA. Quanto menor o indicador, maior o impacto sobre as importações americanas.

De acordo com a confederação, a maior parte dos produtos agropecuários exportados para os Estados Unidos possui elasticidade menor que -1, indicando uma maior sensibilidade às variações de preço.

De acordo com o estudo da entidade, na aplicação da tarifa de 50%, as exportações brasileiras de suco de laranja, açúcares de beterraba, outros açúcares de cana e sacarose cairiam a zero.

“Alguns produtos sofrerão mais impacto que outros, caso do suco de laranja, em que a tarifa se tornaria impeditiva para o produto brasileiro”, explicou a entidade.

Produtos como etanol e sebo de bovinos também devem ter quedas expressivas nas exportações aos Estados Unidos, com redução prevista em volume de, respectivamente, 71% e 50%.

Já os embarques de café não torrado e não descafeinado seriam os menos afetados, com redução prevista de 25% em volume.

“Enquanto isso, produtos como o café verde teriam um menor impacto relativo, devido à queda na oferta do grão no mercado internacional nos últimos anos, o que faz com que a capacidade de substituição seja mais rígida”, observa a confederação.

A venda de carne bovina e açúcar de cana têm impactos limitados previstos, com 33% em volume que deixariam de ser exportados.

Fonte: Estadão

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Agronegócio

Taste of Brazil 2025: oportunidade para o agro brasileiro no varejo da Índia

Ação leva alimentos e bebidas brasileiros às prateleiras de grandes varejistas na Índia 

Empresas brasileiras do setor de alimentos e bebidas têm uma oportunidade estratégica de adentrar na Índia, um dos maiores mercados consumidores deste setor do mundo. A partir de outubro, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realizará, em parceria com a consultoria AMPRO Marketing, especializada no mercado indiano, a ação “India Retail – Taste of Brazil 2025”, iniciativa do projeto Brasil na Vitrine. Para se inscrever e levar seus produtos para a Índia, clique aqui. 

A ação será realizada nas cidades de Nova Delhi e Mumbai, com o objetivo de aproximar empresas brasileiras de potenciais compradores indianos e promover produtos nacionais diretamente nas prateleiras do varejo local. Além disso, as mercadorias selecionadas poderão participar de campanhas promocionais com chefs renomados, nutricionistas e influenciadores de mídia social, além de degustações para atrair a atenção do consumidor indiano. 

Empresas brasileiras exportadoras dos seguintes segmentos podem se candidatar: 

  • Castanhas 
  • Açaí e derivados 
  • Chocolates artesanais 
  • Condimentos e temperos 
  • Petiscos saudáveis 
  • Frutas frescas (como limão Taiti, abacate, figo e caqui) 
  • Pescados (especialmente peixes amazônicos) 
  • Sementes e feijões 
  • Bebidas não-alcoólicas (como sucos e polpas) 
  • Cafés especiais 
  • Bebidas alcoólicas (como cachaça, espumantes e gim) 
  • E outros produtos premium voltados ao varejo de alimentos e bebidas 

A parceria com a consultoria AMPRO Marketing, especializada no mercado indiano, proporcionará a organização das rodadas de negócios (matchmaking) entre as empresas brasileiras selecionadas e importadores da Índia. Os exportadores brasileiros cujos produtos forem adquiridos durante as reuniões comerciais serão contemplados com uma robusta agenda de promoção de imagem e posicionamento de marca no varejo indiano, fortalecendo sua presença internacional. 

Participe e leve o sabor do Brasil ao mundo! Esta é uma oportunidade de projetar sua marca em um mercado em franca expansão e alta demanda por alimentos saudáveis, autênticos e inovadores. Para saber mais sobre a ação, critérios de participação e benefícios envolvidos, confira o regulamento. 

Fonte: Apex Brasil

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Agronegócio

Abertura de mercado agrícola para o Brasil na África do Sul

Com o anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 394 aberturas de mercado desde o início de 2023

O governo brasileiro e o governo da África do Sul concluíram negociação fitossanitária para que o Brasil exporte sementes de canola para aquele país.

Com mais de 63 milhões de habitantes, a África do Sul importou cerca de USD 635 milhões em produtos agropecuários do Brasil em 2024, com destaque para carnes, açúcar, cereais e café.

Além de promover a diversificação dos parceiros comerciais do Brasil, esta abertura de mercado representa uma nova oportunidade de negócios para o setor privado brasileiro, uma vez que a África do Sul é um produtor relevante de oleaginosas no contexto regional.

Com o anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 394 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agronegócio, Exportação

Exportações do agronegócio somam US$ 82 bilhões no 1º semestre de 2025 e mantêm protagonismo na balança comercial

Apesar de leve queda em relação ao ano anterior, setor responde por quase metade das vendas externas do país, com destaque para carnes, soja e aumento na diversificação de destinos

Balança comercial do agro mantém superávit robusto

As exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 82,1 bilhões no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento da Consultoria Agro do Itaú BBA, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No mesmo período, as importações do setor somaram US$ 10,1 bilhões, resultando em um superávit de US$ 71,9 bilhões — uma leve retração de 1,1% em comparação a 2024.

A queda se deve a uma leve redução nas exportações (-0,2%) e aumento nas importações (+5,9%), impulsionadas principalmente pelos desembarques de cacau (319%), óleo de palma (48%) e trigo (3%).

Setor agro mantém quase metade da receita das exportações brasileiras

O agronegócio foi responsável por 49% de toda a receita das exportações do Brasil entre janeiro e junho de 2025, mesma participação registrada no mesmo período de 2024. O índice segue em linha com a média dos últimos cinco anos, consolidando o papel do setor como principal motor da balança comercial brasileira.

Junho fecha em leve queda, mas semestre é o terceiro melhor da história

Em junho, o setor exportou US$ 14,61 bilhões, valor 1,2% inferior ao de maio e 1,3% abaixo do mesmo mês de 2024. Ainda assim, o desempenho do semestre em dólares foi o terceiro melhor da história. A valorização cambial também favoreceu a receita em reais, com o dólar cotado, em média, a R$ 5,76 — alta de 13,27% na comparação anual.

Carnes ganham espaço; soja mantém liderança

A soja em grãos continuou liderando a pauta de exportações, com 31% de participação no total exportado — ligeira queda em relação aos 34% de 2024. Essa redução foi compensada por ganhos nas exportações de carne bovina, cuja participação subiu de 6% para 8%, com avanços em volume e preço. As carnes suína e de frango também apresentaram bom desempenho, embora esta última tenha sido impactada pela gripe aviária no Rio Grande do Sul a partir de maio.

No setor sucroenergético, os embarques de açúcar e etanol caíram em razão da antecipação da safra em 2024, o que distorce a base de comparação.

China segue como principal destino, mas perde participação

A China permaneceu como o maior mercado para o agro brasileiro, com 34% das exportações no semestre. No entanto, esse percentual foi ligeiramente inferior ao registrado no mesmo período de 2024 (35%). Ao mesmo tempo, mercados como os Estados Unidos, União Europeia e países asiáticos emergentes ampliaram sua participação, indicando maior diversificação nos destinos.

Exportações para a Ásia somam US$ 41,5 bilhões

As vendas para o continente asiático caíram 2,7% em receita no semestre, reflexo da queda nos preços da soja. A China foi responsável por 67% das exportações para a região. Os principais produtos enviados foram soja em grãos, carne bovina, celulose e açúcar VHP.

União Europeia amplia compras, com destaque para café e farelo de soja

A União Europeia importou US$ 12 bilhões do agro brasileiro no primeiro semestre, crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período de 2024. O café verde liderou as vendas, seguido por farelo de soja e soja em grãos. A Alemanha foi o maior comprador de café dentro do bloco, com 30% de participação.

Estados Unidos elevam importações mesmo com tarifas

Apesar de tarifas impostas em abril, os embarques para os EUA somaram US$ 6,6 bilhões — alta de 20% em relação ao 1º semestre de 2024. A carne bovina se destacou, com aumento superior a 100% no volume exportado, atingindo 157 mil toneladas e receita de US$ 791 milhões.

Desempenho por produto no semestre

Confira os principais números do 1º semestre de 2025:

  • Soja em grãos: 64,9 milhões de toneladas (+1%), com preço médio de US$ 391,5/t (-10%)
  • Óleo de soja: +26% no volume; preço médio de US$ 1.032,5/t (+9%)
  • Carne bovina: 1,29 milhão de toneladas (+13%), com preço médio 13% maior (US$ 5.100/t)
  • Etanol: Queda de 26% nos volumes; alta de 4% no preço médio
  • Milho: Redução de 22% no volume exportado; leve alta nos preços
  • Café verde: Queda de 18% no volume, mas alta de 79% nos preços (US$ 6.456,4/t)

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio, Comércio Exterior

Governo foca em 5 produtos do agro para destinos alternativos aos EUA

Café, suco de laranja, carne bovina, pescados e frutas são prioridades; veja mapa de alternativas

O governo federal se prepara para o cenário em que entrem em vigor as tarifas de 50% anunciadas pelos Estados Unidos e foca em cinco produtos na busca por destinos alternativos ao agro: café, suco de laranja, carne bovina, pescados e frutas.

Estes estão entre os itens que o Brasil mais exporta para os EUA. Os destinos alternativos aparecem em diversos continentes, mas se concentram na Ásia, detalhou em entrevista à CNN o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura (Mapa), Luis Rua.

Confira abaixo o mapa de alternativas aos produtos do agro:

Para o café, o avanço no mercado chinês é tratado como uma das principais possibilidades. O gigante asiático vem aumentando sua demanda pelo produto e já importa US$ 1,09 bilhão por ano, sendo cerca de US$ 336 milhões deste total do Brasil.

Outra alternativa para o grão seria a Austrália, que compra anualmente US$ 619 milhões, sendo US$ 108 milhões do agro nacional. A avaliação de que há espaço para avançar nestes mercados considera que o Brasil concentra 40% da produção mundial de café.

O governo monitora o aumento da demanda da Arábia Saudita por suco de laranja e vê o país do Oriente Médio como alternativa ao seu produto. No caso dos pescados, está na mira a possibilidade de vender mais para o Reino Unido.

Estão entre as alternativas listadas por Luis Rua para a carne bovina o avanço no Vietnã, no México e no Chile, por exemplo. Já em relação às frutas, aparecem a China — especialmente para as uvas —, o Japão e a Coreia do Sul — no caso destes dois, o foco é a manga.

Exemplos de alternativas a parte, Luis Rua indica que neste eixo do trabalho, o governo definiu entre sete e oito ações possíveis para cada item. “Estamos fazendo ‘taylor made’ para cada mercado”, disse.

Eixos da preparação

O mapeamento de parceiros é um dos três eixos do trabalho do Mapa em relação às tarifas que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça impor ao Brasil a partir de 1° de agosto.

Um segundo eixo busca intensificar os trabalho para abertura de novos mercados aos produtos brasileiros — até aqui o governo Lula viabilizou 493 — e promoção comercial dos itens dos agro ao redor do globo.

Além disso, o pasta dá amparo técnico as às negociações diplomáticas, tocadas pelo governo. O secretário defende, por exemplo, que o Brasil peça aos EUA um prazo de 90 dias para dia diálogo entre as partes a fim de evitar a taxação.

Fonte: CNN Brasil


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