Negócios

Internacionalização de empresas exige planejamento e estrutura para conquistar mercados externos

A expansão para o mercado internacional pode abrir novas oportunidades para a indústria catarinense, especialmente diante dos acordos comerciais firmados ou negociados pelo Mercosul com a União Europeia e blocos como a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Para aproveitar esse cenário, porém, as empresas precisam avaliar se estão preparadas para exportar e sustentar operações fora do Brasil.

O alerta é da presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Maria Teresa Bustamante. Segundo ela, a entrada no mercado externo exige planejamento estratégico, capacidade produtiva e conhecimento das regras que orientam o comércio internacional.

Planejamento estratégico é essencial para exportar

Antes de prospectar clientes em outros países, a empresa deve analisar seu nível de preparação para a internacionalização dos negócios. Essa avaliação envolve fatores como estrutura de gestão, capacidade de produção, formação de preços, habilitação para exportar e adequação às exigências do mercado de destino.

Para Maria Teresa Bustamante, o tamanho da organização não determina sua capacidade de atuar internacionalmente. O fator decisivo é incluir esse objetivo no planejamento da empresa e conhecer suas condições atuais antes de definir os próximos passos.

“Internacionalização independe do tamanho da empresa, mas precisa estar no planejamento estratégico. Não é possível traçar a rota sem saber o ponto de partida”, afirma.

Formação de preços e capacidade produtiva merecem atenção

A definição do preço de exportação exige uma análise mais ampla do que a simples conversão do valor praticado no mercado brasileiro para dólares. É necessário contabilizar custos operacionais, tributos, despesas logísticas e a margem de lucro prevista para a operação.

Outro aspecto fundamental é verificar se a indústria consegue atender à demanda internacional de maneira contínua, sem comprometer o fornecimento aos clientes nacionais. A capacidade produtiva e a organização da cadeia de suprimentos são determinantes para manter a competitividade e cumprir os prazos acordados com compradores estrangeiros.

Habilitação e normas internacionais fazem parte do processo

O domínio dos procedimentos burocráticos também é indispensável para quem pretende ingressar no comércio exterior. Entre as etapas está a habilitação para operar no mercado internacional, incluindo o Radar, sistema de habilitação da Receita Federal que permite às empresas realizar operações de importação e exportação, conforme os requisitos aplicáveis.

A classificação correta das mercadorias pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e pelo código internacional HS Code é outro requisito importante. Esses sistemas identificam os produtos e auxiliam na determinação dos tributos, dos procedimentos aduaneiros e das exigências aplicáveis em cada destino.

Conforme o país e o tipo de mercadoria, também podem ser necessárias certificações específicas, adequações a normas técnicas e sanitárias e mudanças nas embalagens e na rotulagem.

Conhecer essas exigências antecipadamente ajuda a reduzir riscos, evitar custos inesperados e aumentar as chances de sucesso nas operações internacionais.

FIESC oferece avaliação gratuita de maturidade internacional

Para auxiliar as empresas nesse processo, a FIESC disponibiliza a Avaliação de Maturidade Internacional (AVM), um diagnóstico online e gratuito que permite identificar o nível de preparação do negócio para atuar no exterior.

O questionário contém 26 perguntas e examina diferentes áreas da operação, incluindo:

  • Estratégia e gestão empresarial;
  • Habilitação para o comércio exterior;
  • Produtos e serviços;
  • Formação de preços;
  • Manufatura e cadeia de suprimentos.

Com base nas respostas, a empresa recebe um diagnóstico e um plano de ação que apontam os aspectos que precisam ser desenvolvidos para avançar na internacionalização.

Programa Intercomp apoia empresas na expansão internacional

A Avaliação de Maturidade Internacional integra o Intercomp — Programa de Internacionalização da FIESC, iniciativa que reúne soluções para apoiar as empresas em diferentes etapas de sua atuação no mercado externo.

O programa oferece trilhas voltadas à exportação e à importação, inteligência comercial e rodadas de negócios, contribuindo para que as empresas identifiquem oportunidades e desenvolvam estratégias de acesso a novos mercados.

A AVM pode ser realizada gratuitamente pela internet e representa um ponto de partida para indústrias que desejam avaliar suas condições, corrigir fragilidades e estruturar um plano consistente de internacionalização e expansão comercial.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Agronegócio

Acordo Mercosul-UE amplia desafios regulatórios para o agronegócio brasileiro

Os impactos e as oportunidades do acordo Mercosul-União Europeia estão ganhando espaço nas discussões estratégicas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O setor avalia o potencial de expansão das exportações para mercados de alto valor, mas também se prepara para atender às rigorosas exigências sanitárias, ambientais e regulatórias impostas pelo bloco europeu.

Para os produtores brasileiros, a abertura de novos mercados poderá representar oportunidades comerciais, mas exigirá mudanças nas cadeias de exportação, especialmente em áreas como rastreabilidade, controle sanitário e adequação a normas ambientais.

Regras para espécies invasoras entram no debate

No cenário regulatório doméstico, a CNA também acompanha as discussões sobre o novo marco para espécies exóticas invasoras. A entidade avaliou positivamente a decisão de ampliar o prazo para os debates governamentais sobre o tema.

A extensão do período de análise permite aprofundar os estudos técnicos sobre possíveis efeitos econômicos de restrições à utilização de determinadas espécies em atividades produtivas.

Um dos setores diretamente envolvidos é a aquicultura brasileira, que utiliza espécies não nativas já consolidadas comercialmente, como a tilápia. Para a CNA, a discussão é relevante para preservar a segurança jurídica e evitar impactos que possam comprometer a expansão da produção.

Bahia ganha novas diretrizes para a aquicultura

As políticas públicas voltadas à atividade pesqueira e aquícola também avançaram na Bahia. O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, apresentou novas diretrizes para estimular o desenvolvimento do setor no estado.

As medidas têm como objetivos fortalecer a cadeia produtiva da aquicultura, enfrentar gargalos relacionados ao licenciamento ambiental e ampliar a produção sustentável de pescados.

A região Nordeste apresenta condições hídricas e climáticas favoráveis à atividade, mas parte desse potencial ainda permanece pouco aproveitada pelo setor produtivo.

Fretes recuam, mas custos logísticos continuam elevados

Mesmo com avanços regulatórios e novas oportunidades comerciais, a infraestrutura logística continua sendo um dos principais desafios para a competitividade do agronegócio brasileiro.

Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os preços dos fretes agrícolas apresentaram queda recente nas principais regiões produtoras de grãos do país.

O recuo representa um alívio pontual para o transporte e o escoamento da produção. No entanto, quando comparados ao mesmo período do ano anterior, os valores ainda apresentam uma trajetória de alta.

O cenário mantém os custos logísticos em um patamar estruturalmente elevado, com reflexos sobre a formação dos preços das commodities e sobre a rentabilidade das atividades realizadas após a porteira.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Exportação

Manaus debate novas oportunidades para exportações brasileiras na União Europeia

Manaus recebe, nesta sexta-feira (14), o Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, encontro que reunirá representantes do governo, empresários e especialistas em comércio exterior para discutir alternativas de expansão das exportações brasileiras.

O evento ocorre em um cenário de busca por diversificação de mercados por parte das empresas nacionais, especialmente diante dos novos desafios enfrentados nas relações comerciais com os Estados Unidos. A programação terá como foco as oportunidades criadas pelo Acordo Mercosul-União Europeia e os caminhos para transformar essas possibilidades em negócios.

Evento reúne autoridades e representantes do setor produtivo

A iniciativa é promovida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pela ApexBrasil e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Entre os participantes estão o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; e o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. Também participam especialistas em comércio exterior, representantes institucionais, compradores internacionais e empresas brasileiras.

Amazonas tem 242 oportunidades de exportação

O mercado europeu aparece como uma alternativa estratégica para ampliar a presença internacional das empresas do Amazonas. Segundo levantamento da ApexBrasil, elaborado com base em dados do MDIC, foram identificadas 242 oportunidades de exportação do estado para países da União Europeia.

Em 2025, empresas amazonenses movimentaram US$ 199 milhões em exportações para o bloco europeu. No mesmo período, 112 empresas do estado mantiveram relações comerciais com o mercado da União Europeia.

Os dados reforçam o potencial de internacionalização das empresas amazonenses e a possibilidade de ampliar a participação regional no comércio internacional.

Negócios internacionais estão entre os destaques

A programação do Conexões Produtivas também prevê anúncios de negócios já encaminhados. Após a abertura do evento, serão anunciados e assinados contratos de compra resultantes das negociações realizadas durante o Exporta Mais Brasil, com participação de Lou Zijun, general manager da chinesa EcoFoods.

Outro momento será o painel “A demanda do mercado europeu: inovações e tendências no setor industrial e agrícola”. A discussão contará com Vincent Furlan, especialista do escritório da ApexBrasil em Bruxelas, e Lourdes Vignolo, representante da empresa holandesa NH Superfoods.

A proposta é apresentar a visão de compradores e especialistas sobre as demandas do mercado europeu, além de tendências e oportunidades para produtos brasileiros.

MDIC apresenta estratégias para transformar oportunidades em negócios

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, participará do encontro com a palestra “Do Acordo ao Mercado: Como Transformar Oportunidades em Negócios”.

Na sequência, Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, apresentará oportunidades e serviços voltados à indústria dentro das ações da Nova Indústria Brasil.

A programação também abordará o potencial da Amazônia Legal na geração de negócios a partir do Acordo Mercosul-União Europeia. O debate deverá reunir informações de inteligência de mercado e experiências de empresas brasileiras que já avançaram em seus processos de internacionalização.

Diversificação de mercados ganha espaço na agenda empresarial

O Conexões Produtivas acontece em um momento de maior atenção à abertura de novos mercados e à redução da dependência de destinos específicos.

A proposta do encontro é aproximar empresas brasileiras de oportunidades comerciais em diferentes países e apresentar ferramentas disponíveis para negócios que desejam ampliar sua atuação internacional.

Jornalistas interessados em acompanhar o evento podem realizar o credenciamento prévio.

FONTE: ApexBrasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: ApexBrasil

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Exportação

Exportações brasileiras para a União Europeia crescem 4% após acordo Mercosul-UE

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram quase 4% nos dois primeiros meses de vigência provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O dado foi destacado nesta segunda-feira, 10, pelo vice-presidente da República.

Apesar do avanço nas vendas externas, Alckmin também chamou atenção para obstáculos enfrentados pelo Brasil no comércio internacional. Segundo ele, alguns países adotam uma espécie de protecionismo comercial baseado em exigências sanitárias.

A declaração ocorre em meio a dificuldades nas exportações brasileiras de carne bovina e de frango para o mercado europeu.

Exportação de carnes enfrenta restrições na Europa

A União Europeia suspendeu, a partir de 3 de setembro, a autorização para a importação de determinados produtos de origem animal do Brasil. Entre eles estão carnes bovinas e de frango.

Segundo a justificativa apresentada pelo bloco europeu, o Brasil não teria comprovado adequadamente a adoção de novas exigências relacionadas ao controle de antimicrobianos na pecuária.

Durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Alckmin defendeu o fortalecimento da fiscalização sanitária brasileira.

O vice-presidente destacou investimentos e mudanças na estrutura de vigilância sanitária, afirmando que quase mil profissionais foram revitalizados após 18 anos para reforçar os mecanismos de controle.

Brasil destaca avanços no controle sanitário

Alckmin também citou avanços na situação sanitária do país. Entre os exemplos apresentados está o reconhecimento do Brasil como exportador de carne bovina sem a necessidade de vacinação contra a febre aftosa.

Na área de saúde animal, ele mencionou ainda a influenza aviária, afirmando que o país conseguiu controlar um caso em 28 dias.

Apesar dos avanços, o vice-presidente defendeu a necessidade de ampliar os esforços para garantir o acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais.

Para Alckmin, exigências sanitárias podem acabar funcionando como uma forma indireta de protecionismo comercial, dificultando a entrada de produtos estrangeiros.

Acordo Mercosul-UE impulsiona vendas brasileiras

Mesmo diante das restrições envolvendo alguns produtos, Alckmin ressaltou o desempenho das exportações brasileiras para o mercado europeu desde o início da vigência provisória do acordo comercial Mercosul-UE.

Segundo o vice-presidente, as vendas do Brasil para a União Europeia avançaram quase 4% nos dois meses seguintes à entrada em vigor do acordo.

Ele avaliou que a abertura de novos mercados e a ampliação das relações comerciais ajudam o Brasil a manter o desempenho positivo das exportações, inclusive diante das dificuldades enfrentadas nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Governo promete manter negociação com os Estados Unidos

Alckmin também afirmou que o Brasil pretende continuar negociando com os Estados Unidos para tentar reverter medidas que vêm prejudicando as exportações brasileiras.

Segundo ele, o governo manterá os esforços diplomáticos e comerciais e não pretende abandonar a mesa de negociação.

O vice-presidente classificou como injusta a situação atual e afirmou que o objetivo é corrigir o que considera uma distorção e recuperar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano.

De acordo com Alckmin, as medidas adotadas pelos Estados Unidos atingem aproximadamente 15% das exportações brasileiras, com impacto especialmente forte sobre a indústria.

Comércio exterior busca novos mercados

O cenário reforça a importância da diversificação dos destinos das exportações do Brasil. Enquanto o governo tenta solucionar os obstáculos comerciais com os Estados Unidos, o desempenho das vendas para a União Europeia aparece como um dos indicadores positivos para o comércio exterior.

A expectativa é que a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia amplie as oportunidades para produtos brasileiros e fortaleça a presença do país no mercado europeu.

Ao mesmo tempo, questões sanitárias e barreiras comerciais continuam entre os principais desafios para o agronegócio e para a indústria brasileira no cenário internacional.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Inesc

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia abre uma nova porta para as exportações, mas quem está preparado para atravessá-la?

Evento Conexões Produtivas apresenta oportunidades para Santa Catarina e reforça que preparação será decisiva para transformar o acordo em negócios

Foram 26 anos de negociações até que o acordo entre Mercosul e União Europeia chegasse ao ponto de abrir uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Agora, com um mercado de aproximadamente 450 milhões de consumidores ao alcance das empresas brasileiras, uma nova etapa começa. Com a aplicação provisória do tratado de livre comércio em vigor desde dia 1º de maio de 2026, a grande questão passou a ser: quem está preparado para aproveitar essa oportunidade?

Essa reflexão deu o tom do painel “Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia”, apresentado durante o Conexões Produtivas, realizado nesta terça-feira (30), no Porto de Itajaí. O evento reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Sebrae e lideranças do setor produtivo para discutir como transformar o acordo em aumento real das exportações brasileiras. Segundo os especialistas, o maior o desafio a partir de agora está na capacidade, e no interesse, das empresas em atender às exigências técnicas, comerciais e estratégicas impostas pelo novo cenário.

Gustavo Ribeiro – gerente de inteligência de mercado ApexBrasil apresentou dados Painel de Oportunidades para Santa Catarina. (Foto: Daiana Brocardo / ReConecta News)

Santa Catarina tem mais de 800 oportunidades identificadas

Durante o encontro, a ApexBrasil apresentou o Painel de Oportunidades para Santa Catarina, um estudo que identificou 805 oportunidades de exportação para empresas catarinenses. Segundo Gustavo Ribeiro – gerente de inteligência de mercado ApexBrasil,desse total, cerca de 600 oportunidades estão concentradas na indústria, enquanto aproximadamente 150 pertencem ao agronegócio, abrangendo segmentos em que o estado já possui alta competitividade, como máquinas e equipamentos, metalmecânico, móveis, papel e celulose, têxtil, alimentos e fruticultura.

Os números mostram que existe um potencial muito maior e que vai além. Em 2025, Santa Catarina exportou US$ 12,197 bilhões, sendo US$ 1,356 bilhão destinados à União Europeia, desempenho que ainda está abaixo da média nacional de participação desse mercado, indicando espaço significativo para crescimento.

Mais do que redução de tarifas

Grande parte das discussões sobre o acordo está ficado na redução de impostos de importação europeus. Mas os especialistas presentes no evento destacaram que o impacto vai muito além das tarifas. Dos aproximadamente 9.300 produtos contemplados pelo acordo, mais da metade das linhas tarifárias da União Europeia já passam a contar com tarifa zero ou reduzida desde a entrada em vigor provisória do tratado. Outros 25% terão redução gradual entre quatro e sete anos.

Para Gustavo Ribeiro, gerente de inteligência de mercado da ApexBrasil, isso muda a lógica das decisões empresariais. Segundo ele, as empresas passam a reavaliar fatores como localização de fábricas, cadeias produtivas e estratégias de investimento, uma vez que o acesso facilitado ao mercado europeu passa a integrar o cálculo de competitividade das organizações. O Brasil reúne vantagens como estabilidade econômica, inflação controlada e baixo desemprego, fatores que também influenciam esse movimento.

Painel trouxe a experiência de empresas catarinenses nas exportações para a União Europeia.
(Foto: Giovana Santos / ReConecta News)

Preparação será o diferencial

Se o acesso ao mercado europeu ficou mais perto, o mesmo não acontece com as exigências para competir nele. O acordo estabelece regras de origem mais rigorosas, prevê mecanismos de autocertificação, amplia a proteção das indicações geográficas, facilita habilitações sanitárias e cria oportunidades em compras governamentais, serviços e investimentos. Também reforça requisitos relacionados à rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade regulatória. Além disso, cada um dos 27 países do bloco europeu tem particularidades regulatórias, tributárias, comerciais e culturais.

Na prática, isso significa que apenas empresas preparadas para atender aos padrões internacionais conseguirão aproveitar os benefícios do tratado. Segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, a própria Secretaria já disponibilizou manuais técnicos para orientar empresários sobre regras de origem, desgravação tarifária e indicações geográficas, demonstrando que conhecimento passa a ser tão importante quanto capacidade produtiva.

Secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, falou sobre as oportunidades e preparação para esse novo momento. (Foto: Daiana Brocardo / ReConecta News)

PEIEX – Programa de Qualificação para Exportação

Uma das iniciativas para ajudar as empresas a aproveitarem essas oportunidades, é o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), oferecido pela ApexBrasil junto com o Sebrae. A iniciativa prepara empresas que desejam começar a exportar ou ampliar sua atuação no mercado internacional. Por meio de consultorias e orientações gratuitas, o programa ajuda empresários a organizar processos, conhecer melhor o mercado externo e se preparar para atender às exigências de compradores de outros países.

Para participar, a empresa deve procurar a unidade do PEIEX responsável por sua região e realizar a inscrição quando houver vagas abertas. O atendimento é gratuito e voltado, principalmente, para micro, pequenas e médias empresas com potencial para exportar.

Conectar empresas para gerar negócios

O diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro, afirmou que o objetivo do Conexões Produtivas é justamente aproximar empresários dos instrumentos capazes de transformar oportunidades em exportações efetivas. Segundo ele, o acordo abre um novo mercado, reduz barreiras tarifárias e cria condições para ampliar a competitividade da indústria brasileira no exterior. “Nós vamos conectando pessoas, agentes públicos, não governamentais e grandes, pequenos e médios empresários para que possamos todos juntos aproveitar essa janela imensa que se abre com o acordo.”

Pesaro também destacou que Santa Catarina foi escolhida para sediar a segunda edição nacional do evento pela relevância de sua indústria de transformação e pela importância estratégica do complexo portuário de Itajaí para a logística brasileira.

A porta está aberta: próximo passo depende das empresas.

Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia deixa de ser apenas uma conquista diplomática para se tornar um desafio empresarial. As barreiras tarifárias começam a cair. Novos mercados passam a ficar mais acessíveis. Instituições públicas oferecem ferramentas, estudos e apoio técnico.

Mas nenhuma dessas iniciativas substitui aquilo que será decisivo nos próximos anos: investimento em inovação, adequação às normas internacionais, inteligência comercial e planejamento estratégico.

A porta para a Europa está aberta.

Agora, a resposta para o questionamento trazido durante o Conexões Produtivas dependerá de cada empresa brasileira: quem, de fato, está preparado para atravessá-la?

TEXTO: ReConecta News

IMAGEM DE CAPA: Porto de Itajaí

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Exportação

Abiec alerta para risco nas exportações de carne com impasse sobre cotas no Mercosul

A disputa entre os países do Mercosul sobre a divisão das cotas de exportação de carne bovina para a União Europeia tem gerado preocupação no setor frigorífico brasileiro. A avaliação da ABIEC é de que a falta de consenso pode provocar perdas financeiras, reduzir a competitividade das exportações e comprometer o equilíbrio comercial do bloco.

Setor critica proposta do Paraguai para divisão igualitária

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, existe há cerca de duas décadas um entendimento firmado entre representantes privados dos países do Mercosul para definir a participação de cada integrante nas cotas de exportação.

O modelo atual considera fatores como capacidade produtiva e volume exportado por cada país. No entanto, o Paraguai passou a defender uma nova divisão com participação igual de 25% para cada membro do bloco — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Para a entidade brasileira, a proposta não acompanha a realidade do mercado internacional. De acordo com Perosa, o market share paraguaio representa atualmente cerca de 2,5% das exportações do setor, índice muito inferior ao percentual reivindicado nas cotas destinadas ao mercado europeu.

Exportadores temem perdas e desorganização no comércio

A Abiec avalia que uma eventual redistribuição das cotas nos moldes sugeridos pelo Paraguai pode afetar diretamente os exportadores brasileiros de carne bovina e desestruturar o sistema historicamente utilizado pelo bloco.

Na tentativa de buscar consenso, o Foro Mercosul da Carne deve realizar nas próximas semanas uma reunião virtual com representantes do setor agropecuário e da indústria frigorífica. O encontro contará com a participação de entidades como a Abiec e a CNA.

Acordo Mercosul-União Europeia amplia relevância da discussão

As negociações acontecem em um momento estratégico para o setor, especialmente após os avanços do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Perosa destacou que o tratado prevê mecanismos de salvaguarda para limitar aumentos excessivos nos volumes exportados ou nos preços. Caso o crescimento ultrapasse 5%, poderão ser acionadas medidas de proteção comercial junto ao mercado europeu.

Ainda assim, a expectativa da indústria é de ganho de competitividade para a carne brasileira na Europa.

Redução de tarifas favorece carne bovina brasileira

Antes da entrada em vigor do acordo provisório, o Brasil já exportava volumes expressivos para a União Europeia, mas enfrentava tarifas elevadas.

Dentro da chamada Cota Hilton, destinada aos cortes nobres, a taxação chegava a cerca de 27,8%, com embarques anuais próximos de 8 mil toneladas. Já as demais exportações, que somam aproximadamente 100 mil toneladas por ano, acumulavam tarifas de até 147%, considerando diferentes cobranças aplicadas ao longo da operação.

Com o novo acordo, a tarifa da Cota Hilton foi zerada em maio. Nas demais categorias, a alíquota deve cair para 7,5%.

Segundo a Abiec, a medida representa uma oportunidade histórica para ampliar a presença da carne bovina brasileira no mercado europeu.

Controle das cotas preocupa setor frigorífico

Apesar do cenário favorável, o setor teme perder autonomia sobre o gerenciamento das cotas caso o controle fique concentrado nas mãos dos importadores europeus.

A proposta defendida pelos países do Mercosul é manter o gerenciamento interno por meio de um sistema de certificação conhecido como FIFO (First In, First Out), modelo que acompanha os embarques por ordem de entrada.

Na avaliação da entidade, sem um acordo sobre os percentuais destinados a cada país, pode haver desorganização logística e redução da competitividade regional.

Brasil e Argentina avançam em certificação

Brasil e Argentina já discutem uma certificação própria junto ao MDIC para atender às exigências da União Europeia tanto na exportação de carne bovina quanto de frango.

O Uruguai ainda avalia qual posição adotará nas negociações.

Perosa afirmou que a Abiec pretende ampliar o diálogo com o setor privado e os governos envolvidos para buscar uma solução que preserve os interesses do Mercosul.

Setor estima perdas de até US$ 700 por tonelada

A associação calcula que, caso prevaleça apenas a lógica de “quem embarca primeiro”, os exportadores poderão perder entre US$ 600 e US$ 700 por tonelada exportada.

Além do impacto financeiro, o setor avalia que o Mercosul perderia poder de negociação internacional, favorecendo principalmente os importadores europeus.

Governo aposta em consenso entre países do bloco

A Abiec já iniciou conversas com o Ministério da Agricultura para tentar destravar as negociações. O secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, afirmou confiar no entendimento entre os países do bloco.

Segundo ele, neste primeiro ano não haverá uma divisão formal das cotas entre os integrantes do Mercosul. O acesso ao volume disponível ocorrerá inicialmente pelo sistema de ordem de chegada.

Rua destacou, no entanto, que os governos já discutem a possibilidade de definir cotas específicas por país a partir do próximo ano.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Evento

Acordo União Europeia–Mercosul será tema de seminário na FIESC com foco em oportunidades e desafios

A Federação das Indústrias de Santa Catarina promove, no dia 12 de maio, o seminário “Acordo União Europeia e Mercosul – Impacto, desafios e oportunidades”. O evento, realizado em parceria com a OAB Santa Catarina e a OAB Nacional, reunirá especialistas em Direito Internacional Comercial e Direito Aduaneiro.

Debate reúne especialistas e setor industrial

A programação inclui um painel mediado pela FIESC que dará voz a empresários catarinenses com atuação no mercado internacional, especialmente na União Europeia. A proposta é apresentar uma visão prática sobre os impactos do acordo Mercosul–UE, destacando tanto as oportunidades comerciais quanto os desafios regulatórios enfrentados pelas empresas.

Oficina técnica aborda questões aduaneiras

No período da tarde, o evento contará com uma oficina técnica organizada pela área de relações internacionais da entidade. A atividade será voltada a aspectos operacionais, como regulação técnica, normas de acesso a mercados e procedimentos ligados ao comércio exterior.

O objetivo é orientar empresas interessadas em aproveitar os benefícios do acordo, que promete ampliar a integração econômica entre os blocos.

Público e expectativa para o acordo

O seminário é direcionado a empresários, profissionais e estudantes das áreas de Direito, Administração, Economia e Comércio Exterior. A iniciativa busca aprofundar o conhecimento sobre o tratado, considerado estratégico para o fortalecimento das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia.

A entrada em vigor do acordo está prevista para 1º de maio de 2026, abrindo novas perspectivas para exportações e investimentos.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Parlamento Europeu – Freepik

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Comércio

Acordo Mercosul–União Europeia: governo define regras para uso de cotas comerciais

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgou as normas que regulamentam o uso das cotas de exportação e importação previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. As diretrizes passaram a valer no dia 1º e detalham a aplicação prática do tratado, incluindo atualizações no Certificado de Origem.

Regras afetam pequena parcela do comércio

De acordo com o MDIC, as cotas comerciais impactam uma fatia limitada das trocas entre os blocos: cerca de 4% das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações. A maior parte do fluxo comercial será beneficiada pela redução ou eliminação total de tarifas, sem limites quantitativos.

Regulamentação complementa acordo histórico

O acordo de livre-comércio Mercosul–UE, oficializado por decreto presidencial no fim de abril, encerra um processo de negociação que durou quase 30 anos. Com a publicação das regras pela Secex, entram em vigor os critérios operacionais para acesso às cotas e às preferências tarifárias.

Como funcionam as cotas de importação

Para as importações, produtos como veículos, lácteos, alho, derivados de tomate, chocolates e itens de confeitaria seguirão o sistema de ordem de registro no Portal Único Siscomex. Para garantir o benefício, o importador deve vincular a licença à Declaração Única de Importação (Duimp) no prazo de até 60 dias, respeitando os limites estabelecidos.

Exportações brasileiras também têm limites

No caso das exportações, as cotas incluem produtos estratégicos da pauta brasileira, como carnes, açúcar, etanol, arroz e milho, além de mel, ovos, rum e cachaça. A distribuição será feita por ordem de solicitação, considerando a disponibilidade no momento da análise.

Após a conclusão da operação, será emitido o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, documento que acompanha a mercadoria e assegura o acesso às condições tarifárias no mercado europeu.

Divisão entre países ainda será definida

A partilha das cotas entre os países do Mercosul ainda depende de negociação interna. Até que haja consenso, cada nação seguirá com seus próprios procedimentos, sem prejuízo ao volume negociado ou ao acesso aos benefícios do acordo.

Para produtos fora do regime de cotas, o acesso ao mercado europeu continuará condicionado apenas ao cumprimento das regras de origem.

FONTE: Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul–União Europeia avança com novas regras para cotas e operações no Siscomex

O governo federal deu um novo passo na implementação do Acordo Mercosul–União Europeia ao detalhar as regras para aplicação de cotas tarifárias e operacionalização do tratado no comércio exterior brasileiro. As medidas regulamentam o Decreto nº 12.953, de 28 de abril de 2026, e estabelecem diretrizes práticas para importadores e exportadores.

Com a publicação das portarias da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país passa a contar com normas claras para o uso de cotas tarifárias, etapa essencial para viabilizar o acordo na prática.

Integração ao Portal Único Siscomex

Os fundamentos legais do acordo já estão disponíveis no Portal Único Siscomex, especialmente para operações via Declaração Única de Importação (Duimp). Para acessar os benefícios de preferência tarifária, o importador deve informar o enquadramento legal correspondente e cumprir exigências como a comprovação de origem das mercadorias.

O acordo também foi incorporado ao sistema Siscomex Importação (LI/DI), permitindo sua aplicação em operações registradas por Declaração de Importação. Nesses casos, é necessário observar as classificações da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), além de eventuais códigos específicos (EX) vinculados aos produtos.

Regras para cotas de importação e exportação

As novas normas definem critérios tanto para importações quanto para exportações. No caso das importações, produtos como veículos, lácteos, alho, chocolates e preparações alimentícias passam a seguir o modelo de ordem de registro de licenças no Siscomex. Para garantir o acesso à cota, a licença deve ser vinculada à Duimp em até 60 dias.

Já nas exportações, as cotas contemplam itens estratégicos da pauta brasileira, como carnes, açúcar, etanol, arroz, milho, mel, ovos e bebidas típicas, como rum e cachaça. A distribuição ocorre conforme a ordem de solicitação e disponibilidade das cotas.

Após a operação, será emitido o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, documento que acompanha a carga e assegura o acesso aos benefícios tarifários no mercado europeu.

Apesar da regulamentação, a divisão das cotas entre os países do Mercosul ainda está em negociação. Até que haja definição conjunta, cada país seguirá com procedimentos próprios, sem alteração nos volumes negociados.

Baixo impacto de cotas no comércio bilateral

A incidência de cotas será limitada: cerca de 4% das exportações e apenas 0,3% das importações. Na prática, isso significa que a maior parte do comércio entre os blocos ocorrerá com redução ou eliminação de tarifas, sem restrições quantitativas.

Para produtos fora do regime de cotas, o acesso aos benefícios depende exclusivamente do cumprimento das regras de origem, exigência que também se aplica às mercadorias sujeitas a limites quantitativos.

Modernização e redução de burocracia

As mudanças também incluem a atualização das normas de certificação de origem, com foco na modernização do comércio exterior brasileiro. Entre os avanços, destacam-se a adoção do Certificado de Origem Eletrônico, o uso de assinatura digital e regras mais claras para autocertificação.

A nova regulamentação ainda permite simplificações operacionais, como a declaração anual para importação de peças no setor aeronáutico e a transferência de cotas entre empresas do mesmo grupo econômico.

Com isso, o Brasil avança na harmonização com padrões internacionais, reduz custos operacionais e amplia a previsibilidade para empresas que atuam no comércio global.

FONTE: MDIC e Siscomex
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE em vigor: veja impactos para o Brasil, preços e economia

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia passou a valer de forma provisória na última sexta-feira (1º), após mais de duas décadas de negociações. A medida cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta e já começa a gerar efeitos na economia brasileira, com reflexos esperados em preços, exportações e investimentos. Com a entrada em vigor, o Brasil passa a ter acesso ampliado a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, em economias que somam cerca de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

Nesta fase inicial, mais de 80% dos produtos brasileiros exportados para a União Europeia passam a contar com tarifa de importação zerada, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A implementação completa, no entanto, será gradual e pode levar até 15 anos, dependendo do setor.

Preços podem cair para o consumidor

Entre os efeitos mais imediatos, está a possibilidade de redução no preço de produtos importados. Itens como vinhos, azeites, queijos e outros lácteos devem ficar mais acessíveis ao consumidor brasileiro. Além disso, o acordo pode facilitar a entrada de novas marcas no país, especialmente no segmento de produtos premium, como chocolates europeus. Outros setores também podem sentir impacto nos preços, incluindo veículos, medicamentos e insumos para o agronegócio, como máquinas e produtos veterinários.

No sentido inverso, o acordo favorece a presença de produtos brasileiros no mercado europeu. Itens do agronegócio, calçados, café solúvel, óleos vegetais e frutas frescas tendem a chegar à Europa com menos barreiras tarifárias. Produtos como carne bovina, aves e açúcar também entram no acordo, mas sujeitos a cotas e tarifas reduzidas.

Salvaguardas protegem agricultores europeus

A implementação do acordo foi destravada após a adoção de salvaguardas comerciais aprovadas pelo Parlamento Europeu no fim de 2025. Esses mecanismos permitem à União Europeia suspender temporariamente benefícios tarifários em caso de impacto significativo sobre produtores locais.

A medida foi defendida principalmente pela França, preocupada com a concorrência de produtos agrícolas do Mercosul.

Apesar das expectativas de queda nos preços, especialistas alertam que os efeitos não serão imediatos. Fatores como a taxa de câmbio e custos logísticos também influenciam os valores finais ao consumidor. Segundo analistas, o impacto mais relevante deve ocorrer de forma indireta, com a redução dos custos de produção no Brasil, impulsionada pela importação de máquinas e insumos mais baratos.

Crescimento econômico e investimentos

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o acordo pode gerar aumento acumulado de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, o equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões por ano.

Os investimentos também devem crescer, com projeção de alta de 1,49% no período. No comércio exterior, as importações tendem a crescer nos primeiros anos, podendo atingir um pico de US$ 12,8 bilhões em 2034. Já as exportações devem apresentar avanço contínuo, com ganho acumulado estimado em US$ 11,6 bilhões até 2040.

Regras ambientais e incertezas no curto prazo

Por ter caráter provisório, o acordo ainda pode passar por ajustes ao longo do tempo. Além disso, a manutenção dos benefícios está condicionada ao cumprimento de compromissos ambientais — uma exigência central da União Europeia. Esse cenário adiciona um nível de incerteza para empresas e investidores, especialmente no curto prazo.

Perspectiva global e ganhos para os blocos

A expectativa é que o acordo fortaleça as relações comerciais entre Europa e América do Sul, ampliando a competitividade das duas regiões em um cenário global marcado pela influência de grandes potências econômicas.

Projeções da Comissão Europeia indicam que as exportações do bloco europeu para o Mercosul podem crescer cerca de 50 bilhões de euros até 2040, enquanto os países sul-americanos podem ampliar suas vendas externas em até 9 bilhões de euros.

Fonte: BBC News Brasil e Ipea

Texto: Redação
Imagem: Arquivo ReConecta News

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