Logística

Estatais chinesas ampliam presença em infraestrutura e logística no Brasil

A rede de infraestrutura construída por estatais chinesas no Brasil cresce em ritmo acelerado, fortalecendo o papel do país asiático em setores estratégicos como agronegócio, logística portuária, energia e transporte ferroviário.

No comércio de grãos, a influência da China já é expressiva. Embora as exportações brasileiras sejam tradicionalmente intermediadas por grandes traders como Cargill, Bunge e Louis Dreyfus, a Cofco, estatal chinesa, tornou-se a segunda maior trader de grãos do mundo, atrás apenas da Cargill. Em 2024, a empresa foi responsável por transportar 6,65 milhões de toneladas da soja brasileira destinada ao mercado chinês — cerca de 9% dos embarques do ano.

Além da soja, a Cofco lidera a exportação de milho, açúcar e outros produtos agrícolas, somando 17 milhões de toneladas enviadas a dezenas de países em 2023.

Cofco amplia operações no Porto de Santos

A expansão da estatal inclui investimentos robustos em infraestrutura portuária. Depois de operar dois terminais no Porto de Santos, a Cofco inaugurou parcialmente, em março, o TEC (Terminal Exportador Cofco), conhecido tecnicamente como STS11. A operação plena está prevista para 2025.

Com o novo terminal, a capacidade da empresa no porto deve saltar de 4,5 milhões para 14 milhões de toneladas por ano, tornando o STS11 o maior terminal da Cofco fora da China. Parte desse volume será transferida de instalações terceirizadas, reduzindo custos logísticos.

A estratégia de verticalização inclui ainda a compra de 23 locomotivas e 979 vagões, numa operação de R$ 1,2 bilhão. Os trens, operados pela Rumo, devem transportar 4 milhões de toneladas de grãos e açúcar até Santos a partir de 2026.

Os investimentos recentes da China na infraestrutura brasileira

Fonte: Alvarez & Marsal

Portos e contêineres: atuação da China Merchants

A presença chinesa no sistema portuário brasileiro vai além dos granéis. No segmento de contêineres, 11% de toda movimentação nacional passa pelo TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), controlado desde 2018 pela estatal China Merchants Port Holdings (CMPorts), maior operadora de contêineres da China e terceira maior do Brasil, com 1,6 milhão de TEUs por ano.

A empresa formalizou recentemente um acordo para investir R$ 1,5 bilhão na ampliação do terminal, ampliando sua competitividade no país.

CMPorts também avança no setor de petróleo

Outro movimento estratégico é a entrada da CMPorts no Porto do Açu (RJ) — empreendimento originalmente idealizado por Eike Batista, hoje desenvolvido pela Prumo Logística, do fundo americano EIG. Em fevereiro de 2025, a estatal chinesa assinou acordo para adquirir 70% do terminal de petróleo, responsável por 30% das exportações brasileiras da commodity. A operação ainda depende de aprovação regulatória.

Se confirmada, a CMPorts passará a gerir a logística de 21% das exportações de petróleo do Brasil, reforçando seu papel no escoamento de commodities energéticas.

China investe também em transporte de passageiros

Um dos investimentos mais simbólicos da China no Brasil envolve o transporte de pessoas. O Trem Intercidades São Paulo–Campinas, leiloado em 2024, será desenvolvido por um consórcio formado pelo Grupo Comporte (60%) e pela estatal chinesa CRRC (40%), maior fabricante de trens do mundo.

O projeto deve consumir R$ 14 bilhões, sendo R$ 2 bilhões de responsabilidade da CRRC. A inauguração está prevista para 2031.

A empresa também venceu a licitação para fabricar 44 novos trens do Metrô de São Paulo, num contrato de R$ 3,1 bilhões, utilizando a fábrica que assumiu em Araraquara (SP).

Ecossistema chinês conecta energia, logística e tecnologia

Os investimentos chineses no Brasil seguem uma lógica integrada: um ecossistema no qual diferentes estatais se complementam. No setor elétrico, a State Grid controla a CPFL, responsável por 15% da distribuição no país, enquanto a China Three Gorges (CTG) detém 3,5% da geração nacional. Ambas utilizam painéis solares chineses, que dominam 80% da produção global.

No petróleo, parte do óleo que chega ao Porto do Açu vem de petroleiras como CNOOC, CNPC e Sinopec, todas estatais chinesas que atuam no Brasil.

A estratégia reproduz um modelo já buscado por grandes conglomerados, mas em escala monumental, consolidando a China como uma força central na infraestrutura brasileira.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGENS: Wirestock/John Lamb/Getty Images

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