Internacional

China reage a tarifas de 100% impostas por Trump e acusa EUA de “duplo padrão”

A China reagiu neste domingo (12) ao anúncio do presidente Donald Trump, que decidiu aplicar tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses. O governo chinês acusou os Estados Unidos de adotar “dois pesos e duas medidas” e alertou que as novas sanções aprofundam a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Trump justificou a decisão como resposta à “postura comercial extraordinariamente agressiva” da China, que recentemente reforçou restrições à exportação de tecnologias ligadas às terras raras — um setor estratégico utilizado na fabricação de equipamentos como mísseis guiados, baterias, veículos elétricos e dispositivos eletrônicos.

As novas tarifas americanas devem entrar em vigor em 1º de novembro, “ou antes”, segundo o próprio Trump.

Pequim diz que medidas são injustas e prejudicam negociações

Em comunicado, um porta-voz do Ministério do Comércio da China classificou a declaração dos EUA como “um exemplo típico de duplo padrão”, afirmando que Washington prejudica o ambiente de diálogo econômico e comercial entre os dois países.

“As ações dos Estados Unidos afetam gravemente os interesses da China e dificultam qualquer avanço nas negociações”, destacou o ministério, acrescentando que ameaças constantes de tarifas elevadas não representam uma forma adequada de cooperação.

EUA ampliam sanções e tensões aumentam antes da APEC

As novas tarifas anunciadas por Trump se somam aos 30% já aplicados desde maio a todos os produtos chineses, além das taxas específicas sobre aço, alumínio, cobre, móveis e medicamentos, de acordo com informações da Casa Branca.

A medida também surge pouco antes da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), marcada para o fim de outubro, na Coreia do Sul. Trump declarou que não pretende mais se reunir com o presidente Xi Jinping durante o evento — um encontro que ele mesmo havia anunciado em setembro.

“Foi uma verdadeira surpresa”, disse o republicano, ao comentar a decisão da China de endurecer os controles sobre exportações de terras raras.

Trégua comercial chega ao fim e retaliações continuam

A nova ofensiva marca o fim da trégua comercial firmada entre Pequim e Washington no início do ano, que previa tarifas provisórias de 30% sobre produtos chineses e 10% sobre produtos americanos até novembro.

Na sexta-feira (10), a China respondeu anunciando tarifas “especiais” sobre navios americanos que atracarem em seus portos — uma retaliação direta às medidas impostas por Washington em abril.

Com ambos os países ampliando barreiras comerciais, o cenário aponta para uma nova fase de tensão entre China e Estados Unidos, com impactos potenciais sobre as cadeias globais de produção e o comércio internacional.

FONTE: Carta Capital
TEXTO: Redação
IMAGEM: FRED DUFOUR/AFP

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