Agronegócio

China deve seguir importando carne bovina brasileira em 2026, aponta Santander

Mesmo com a adoção de cotas e tarifas sobre a carne bovina importada, a China deve continuar recorrendo ao mercado externo nos próximos anos. A avaliação é do banco Santander, que vê um cenário estruturalmente favorável às exportações — especialmente para a carne bovina brasileira, que mantém forte competitividade internacional.

A análise consta em relatório assinado pelos analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, divulgado nesta quarta-feira (14).

Rebanho menor e consumo em alta pressionam oferta interna

Segundo o Santander, o rebanho bovino chinês vem diminuindo de forma estrutural. O movimento é atribuído ao aumento do abate de fêmeas, fator que compromete a reposição dos animais e limita a produção local.

Em paralelo, o consumo de carne bovina na China segue em trajetória de crescimento, ampliando a necessidade de importações para equilibrar o mercado.

“Mesmo com tarifas, o diferencial de preços entre o mercado doméstico e os fornecedores externos tende a sustentar a demanda por carne importada”, destacam os analistas.

Cotas de importação não alteram cenário-base

No fim de 2025, a China anunciou a aplicação de tarifas adicionais de 55% sobre importações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, caso os volumes ultrapassem os limites estabelecidos.

De acordo com o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a cota total prevista para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor do produto ao país asiático, ficará com 41,1% desse volume, o equivalente a 1,1 milhão de toneladas.

Para o Santander, a medida não altera a perspectiva de demanda chinesa firme ao longo de 2026.

Preço competitivo favorece carne bovina brasileira

Um dos principais diferenciais do Brasil está no custo da arroba, estimado em cerca de US$ 4 por quilo. O valor é inferior ao observado nos Estados Unidos e na Austrália, onde gira em torno de US$ 5/kg, além de ficar abaixo do preço médio de importação da China (US$ 5,5/kg) e do valor praticado no atacado chinês (US$ 9/kg).

Esse cenário beneficia exportadores sul-americanos mais competitivos, como Brasil, Argentina e Austrália.

China lidera compras de carne bovina do Brasil

Em 2025, a China manteve a posição de principal destino da carne bovina brasileira, com 1,7 milhão de toneladas importadas e movimentação financeira de US$ 8,90 bilhões. Os números representam altas de 25,5% em volume e 48,3% em valor na comparação com 2024.

Minerva Foods segue bem posicionada

Dentro desse contexto, empresas com forte exposição ao mercado chinês, como a Minerva Foods, tendem a continuar se beneficiando, segundo o relatório.

A companhia é citada como um dos principais fornecedores de carne bovina para a China, apoiada por sua presença diversificada na América do Sul.

Ações da Minerva: avaliação do Santander

O Santander manteve recomendação neutra para as ações da Minerva, com preço-alvo de R$ 6,80, o que representa potencial de valorização de 26,8% frente à cotação de R$ 5,36 registrada em 13 de janeiro de 2026.

De acordo com o banco, o papel negocia a 5,2 vezes o EV/EBITDA projetado para 2026, nível considerado justo diante da visibilidade limitada para expansão de margens e dos riscos regulatórios e sanitários.

Riscos e perspectivas para o setor

Os analistas apontam dois fatores de atenção para a Minerva:

  • Incertezas na alocação das cotas chinesas de importação;
  • Possibilidade de sanções sanitárias que afetem plantas brasileiras habilitadas.

Ainda assim, o relatório ressalta que a carne bovina representa uma fatia relativamente pequena do consumo total de proteínas na China, mercado amplamente dominado pela carne suína. Esse espaço abre oportunidades de crescimento, impulsionadas pela sofisticação do consumo urbano e por mudanças nos hábitos alimentares da população.

Mesmo diante dos desafios, a Minerva segue vista como uma empresa altamente competitiva no mercado global, com maior resiliência a choques pontuais graças à sua diversificação geográfica.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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