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Uma camiseta de US$10 pode se tornar uma camiseta de US$24,50 com o fechamento de uma brecha tarifária importante

A partir de sexta-feira, mercadorias da China com valor de até US$800 estarão sujeitas a tarifas e a mais burocracia sob novas regras do governo Trump

Uma brecha que permitia aos consumidores americanos comprarem muitos produtos baratos da China continental e de Hong Kong sem pagar tarifas nem preencher formulários alfandegários será fechada nesta sexta-feira.

Os preços já aumentaram.

Pedidos de muitos produtos importados de varejistas como Shein e Temu podem diminuir à medida que os consumidores recuam diante dos preços mais altos e das novas dificuldades. Mas, como grande parte da guerra comercial do presidente Trump, a política do governo sobre essa brecha passou por mudanças. O presidente havia ordenado o fim da brecha em fevereiro, mas a restabeleceu poucos dias depois. Especialistas em logística disseram que o breve fechamento causou um acúmulo de pacotes nas fronteiras.

O que exatamente está sendo encerrado?
Desde 2016, itens com valor de até US$800 podiam ser importados para os Estados Unidos sem que o destinatário pagasse tarifas ou mesmo precisasse preencher a papelada normalmente exigida para compras de produtos estrangeiros. Essa brecha é conhecida como isenção de de minimis. O Sr. Trump está eliminando a isenção apenas para produtos da China continental — a maior fonte de remessas de minimis — e de Hong Kong.

Um relatório para o Congresso deste ano afirmou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras processa mais de um bilhão de pacotes de minimis por ano. O valor médio dessas remessas em 2023 foi de US$54.

Remessas com valor inferior a US$800 eram isentas porque o Congresso acreditava que o custo e o trabalho de processá-las não justificariam a arrecadação em tarifas alfandegárias. O Sr. Trump está encerrando essa isenção, em parte, para tentar impedir o fluxo de fentanil e de substâncias precursoras do fentanil para os Estados Unidos por meio das remessas de minimis.

O número dessas remessas cresceu drasticamente depois que Trump impôs tarifas à China durante seu primeiro mandato, o que sugere que pessoas e empresas passaram a recorrer a pacotes menores para evitar as tarifas.

Como isso está afetando os consumidores?

Como as tarifas sobre produtos chineses são extremamente altas, os itens importados sob a isenção de minimis já estão começando a custar muito mais caro.

Isso está evidente para os consumidores do site chinês de comércio eletrônico Temu. A empresa começou recentemente a detalhar quanto os encargos tarifários adicionam ao valor das compras.

Por exemplo, um carrinho com 10 itens na Temu — incluindo um pacote com 50 cabides reforçados por US$70,50, uma camisa verde de linho masculina por US$19,38 e uma cama rosa fofa para cachorro por US$24,05 — totalizava US$275,03, incluindo o frete internacional e US$10,20 de imposto sobre vendas. No entanto, no momento do pagamento, o site acrescentou US$343,26 em encargos de importação, elevando o total para US$628,49. (A Temu oferece aos clientes a opção de comprar produtos marcados como sendo de armazéns locais, que não geram encargos de importação.)

Na rival Shein, um carrinho com 10 itens semelhantes totalizava US$244,03. Embora não especificasse os encargos adicionais de importação, o site da Shein informava aos consumidores: “As tarifas estão incluídas no preço que você paga. Você nunca terá que pagar nada a mais na entrega.”

Ainda assim, consumidores disseram ter notado o aumento de preços de alguns itens no site da Shein ao longo do fim de semana. Embora a isenção tarifária só deva acabar oficialmente na sexta-feira, as cobranças já estão aparecendo porque os pedidos feitos agora só cruzarão a fronteira depois dessa data.

Lindsay Olive, de Atlanta, que costuma fazer compras na Shein, colocou vários vestidos de verão no carrinho na semana passada — incluindo um azul por US$10,88 e um floral por US$11,29. Quando foi finalizar a compra no fim de semana, o vestido azul já custava US$13,88 e o floral havia subido para US$15,43, segundo capturas de tela que ela compartilhou.

“Eu sabia que os preços iam começar a subir e queria garantir alguns vestidos de verão antes disso,” disse Ms. Olive, de 39 anos. Ela acredita que os preços vão aumentar ainda mais.

A Amazon afirmou na terça-feira que considerou detalhar encargos de importação na parte do seu site chamada Amazon Haul — que compete com a Temu —, mas decidiu não fazê-lo.

“As equipes discutem ideias o tempo todo,” disse o porta-voz Ty Rogers em comunicado. Ele afirmou que isso nunca foi considerado para o site principal da Amazon e acrescentou: “Isso nunca foi aprovado e não vai acontecer.”

Os encargos de importação podem variar dependendo de como os produtos são enviados. Se forem transportados por empresas de entrega expressa, como DHL ou FedEx, os produtos estarão sujeitos a tarifas de até 145% — ou US$14,50 em uma camiseta de US$10.

Remessas enviadas pelo Serviço Postal dos EUA enfrentarão uma tarifa equivalente a 120% do valor dos produtos a partir de sexta-feira, ou uma taxa de US$100 por pacote. Essa taxa aumentará para US$200 em junho.

E quanto à burocracia?
Uma das facilidades das remessas de minimis era que o destinatário não precisava fornecer número do Seguro Social (SSN) para receber os produtos — ao contrário de outras modalidades de importação. Bastava um nome e endereço.

A partir de sexta-feira, remessas de minimis da China serão classificadas como importações de “entrada informal”. Produtos de entrada informal, que podem valer até US$2.500, não exigem número do Seguro Social, segundo a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). Ainda assim, a agência afirmou em janeiro que transportadoras costumam exigir esse número, pois ele acelera a liberação alfandegária.

A FedEx informou que, de acordo com as exigências da CBP, não exigirá números do Seguro Social para remessas da China que perderem a isenção de minimis na sexta. A DHL também afirmou que não exigirá o número em remessas de entrada informal. A UPS não quis dizer se exigirá ou não o número, mas afirmou que possui a expertise para ajudar seus clientes a “navegar no comércio global” e que cumpre todas as leis e regulamentos aplicáveis.

Um representante do Serviço Postal afirmou que a agência “não terá papel na cobrança de tarifas sobre remessas postais de valor de minimis”. Em vez disso, as tarifas deverão ser cobradas pela transportadora responsável por trazer os produtos aos Estados Unidos.

Haverá atrasos?
A cobrança de tarifas e a inspeção de um volume muito maior de pacotes pode se tornar um desafio para as transportadoras e para a Alfândega e Proteção de Fronteiras. Mas ainda não está claro se isso causará atrasos de um ou dois dias — ou de muito mais tempo.

A agência aduaneira afirmou, em comunicado, que apesar de ter “uma enorme tarefa pela frente”, está “em posição única para implementar e aplicar as tarifas do presidente.”

Fonte: The New York Times



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SC entra na mira da Polícia Federal em megaoperação contra o tráfico internacional

Agentes cumprem mandados em diferentes cidades de SC, SP, MA, PA e RJ

Uma megaoperação da Polícia Federal resultou na prisão de suspeitos e na apreensão de provas contra uma organização criminosa que atuava em ao menos cinco cidades catarinenses. Os traficantes enviavam drogas a países europeus e africanos pelos portos catarinenses. O lucro foi tanto que a Justiça Federal autorizou o bloqueio e apreensão de bens que somam R$ 1,32 bilhão, entre eles carros de luxo, embarcações e joias.

Mais de 300 policiais federais e 50 militares foram às ruas na manhã desta terça-feira (29) para cumprir os quatro mandados de prisão preventiva, 31 de prisão temporária e 62 de busca e apreensão na Operação Narco Vela, em São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Maranhão e Pará. Em Santa Catarina, os agentes estiveram em Balneário Camboriú, Itajaí, Barra Velha, São Francisco do Sul e Florianópolis.

As investigações que resultaram na ação desta terça começaram em São Paulo em 2023. À época, três toneladas de cocaína foram encontradas dentro de um veleiro brasileiro, em alto mar, próximo ao continente africano.

A abordagem foi feita pela marinha norte-americana. Outros carregamentos também foram interceptados em águas internacionais pela Guarda Civil Espanhola e marinha francesa. A partir disso, a Polícia Federal começou a identificar a organização criminosa por trás do comércio ilegal.

Foram identificados crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e integração de organização criminosa. A PF não detalhou a atuação de Santa Catarina nos delitos, mas a Justiça autorizou a prisão temporária de nove pessoas nas cinco cidades, além de 10 mandados de busca e apreensão.

Um dos poucos fatos divulgados é que drogas saíam do Estado rumo a outros continentes através dos portos catarinenses.

Fonte: NSC Total



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Vibração atmosférica: entenda fenômeno citado após apagão na Europa

Operadora elétrica de Portugal negou ter afirmado que o fenômeno atmosférico tenha sido a motivação

Um fenômeno atmosférico raro, conhecido como “vibração atmosférica induzida”, chegou a ser citado como a causa do apagão que atingiu parte da Europa nesta segunda-feira (28).

A agência de notícias Reuters publicou uma reportagem informando que, segundo a REN, operadora de energia elétrica de Portugal, “devido às variações extremas de temperatura no interior da Espanha, houve oscilações anômalas nas linhas de muito alta tensão (400 KV)”. Outra informação é de que a restauração completa da rede elétrica do país poderia levar até uma semana.

Mais tarde, a REN negou ter afirmado que o fenômeno atmosférico tenha sido a motivação.

Em comunicado enviado à CNN Portugal, “a REN desmente categoricamente a informação de fonte anônima colocada para circular em nome da empresa, em que se estima que a normalização do abastecimento de energia ao país possa demorar uma semana”.

“A REN reafirma que está procedendo as operações para o retorno do sistema elétrico nacional, cujo andamento será de conhecimento público, através dos canais oficiais. Todas as informações provenientes de outras fontes devem ser desconsideradas”, afirmou a operadora portuguesa.

Mas, afinal, o que é vibração atmosférica induzida?

A vibração atmosférica induzida ocorre quando oscilações de baixa frequência, entre 0,1 e 10 Hz, afetam os condutores e componentes da rede elétrica. Essa vibração tem origem da interação entre fenômenos elétricos e as condições climáticas, segundo a MetSul Meteorologia.

Uma pequena descarga elétrica, que pode ocorrer graças a alta umidade ou a irregularidades na superfície dos cabos, ioniza o ar ao redor das linhas elétricas. Essas partículas carregadas começam a interagir com o campo elétrico dos condutores, gerando ondas de pressão no ar e causando a vibração dos cabos e de outras partes da rede.

O fenômeno é considerado raro, pois não está ligado diretamente a forças atmosféricas mecânicas, como o vento ou o gelo.

O que se sabe sobre o apagão

Por volta das 12h30 em Madri e às 11h30 em Lisboa, houve cortes de energia em grande parte da Península Ibérica. Partes do País Basco foram brevemente afetadas, mas não por muito tempo.

As interrupções afetaram trens, linhas de metrô e aeroportos internacionais nos dois países. A fornecedora de energia elétrica espanhola, Red Electrica, afirmou que o restabelecimento do fornecimento de energia a todos os clientes pode levar de seis a dez horas, em declarações a uma emissora local nesta segunda-feira (28).

As autoridades espanholas solicitaram que as pessoas minimizem seus movimentos e liguem para os serviços de emergência apenas em casos de emergência extrema. Também pediram que as pessoas se mantenham afastadas das estradas para que os socorristas possam acionar o sistema.

A polícia portuguesa alertou que semáforos e iluminação pública correm o risco de falhas, pedindo aos motoristas que evitem deslocamentos desnecessários e prestem atenção redobrada nas estradas. A companhia aérea portuguesa TAP Air também solicitou que os viajantes não se desloquem para o aeroporto.

Fonte: CNN Brasil

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Indústria 4.0: Como o Big Data impacta o chão de fábrica

Quando o assunto é uso de dados, se a Tecnologia da Informação e a Tecnologia Operacional não estiverem alinhadas e integradas, sua empresa não terá destaque, correndo o risco de ficar para trás.

Big Data é um dos termos mais utilizados no mundo corporativo hoje em dia. E não é para menos: a coleta e análise de dados é algo fundamental para uma empresa operar com o máximo de sua capacidade produtiva.

O conceito na prática prevê a utilização de tecnologias que automatizem o processamento de grandes quantidades de informações, sempre com alto desempenho.

Esses dados podem vir de várias fontes: cadastros de clientes, análises de mercado, redes sociais, dados compartilhados por smartphones e até as boas e velhas pesquisas.

Com isso em mãos, uma empresa pode criar processos internos mais eficazes, reduzir custos, repensar estratégias e criar novos produtos e soluções para oferecer a seus clientes, se necessário. Além disso tudo, a big data pode ser uma das maiores aliadas da análise preditiva: ao identificar certos padrões em seus dados, uma companhia pode se antecipar às mudanças de mercado, driblando possíveis crises e tendo uma vantagem estratégica sobre suas concorrentes.

Como o volume de informações é muito grande, e o próprio setor industrial está o tempo todo mudando e evoluindo, é importante que haja uma convergência entre TI (Tecnologia da Informação) e OT (Operational technology ou Tecnologia Operacional em português) dentro das empresas.

COMO FAZER A CONVERGÊNCIA ENTRE TI E OT

Este talvez seja o cerne da Indústria 4.0: como a Tecnologia da informação e a Tecnologia Operacional passam a trabalhar juntas, por meio de uma interface que possibilite a integração entre elas.

Antigamente, a OT era controlada de forma local, pelos operadores de máquinas. Eles tinham o conhecimento técnico e algumas ferramentas para extrair dados de maquinários e linhas de produção, mas tudo era muito compartimentalizado: não havia uma nuvem conectada à internet para unificar os dados e permitir uma análise à distância.

A convergência de TI e OT chega justamente para, por meio de sistemas inteligentes, permitir que a OT seja monitorada e controlada pela TI. Algumas empresas já perceberam essa movimentação e começaram a criar estratégias e ferramentas para auxiliar nesse cenário, como é o caso de muitas startups, com as quais já trabalhei e que estão revolucionando o setor de dados industriais.

TECNOLOGIA A SERVIÇO DA INDÚSTRIA

A grande sacada dessas empresas é levar o conceito de Big Data para o “chão de fábrica” por meio da convergência de tecnologias que expliquei acima. Elas desenvolveram uma plataforma de inteligência artificial exclusiva para o ambiente industrial, que coleta e analisa dados de diversas fontes e permite que gestores e especialistas possam acompanhar, em tempo real, as condições de produção de suas máquinas, linhas de montagem e fábricas.

Utilizando uma combinação de sensores com um software próprio (normalmente plataformas SaaS), podem ser mensurados, por exemplo, índices de temperatura, pressão, umidade, vibração e outros elementos que podem estar comprometendo a produtividade de maquinários e linhas de produção.

Os dados coletados passam pelo Data Pipeline, onde conteúdos não estruturados e desordenados são convertidos em dados contextualizados em tempo real. Este processo otimiza a obtenção de insights que podem ser colocados em prática com agilidade.

E não para por aí: a própria plataforma aplica algoritmos de machine learning e análise avançada de dados para identificar problemas e anormalidades dentro do processo, podendo sugerir ações operacionais estratégicas sob medida para o problema identificado.

QUEM SE BENEFICIA COM ESSA TECNOLOGIA?

Por meio dos dados obtidos, diversos profissionais podem ter mais assertividade em suas funções. O Diretor Industrial, por exemplo, pode acompanhar KPIs e métricas padronizadas para comparar plantas e divisões, o que ajuda a implementar melhores práticas.

Já o Gerente de Planta é capaz de ver, em tempo real, as condições de todas as máquinas do chão de fábrica, podendo resolver problemas, antecipar ações e tomar decisões imediatas melhor embasadas.

O Operador de Máquina, por sua vez, trabalha com mais segurança, pois consegue avaliar em tempo real as condições do equipamento que está operando. Por fim, os gestores e analistas de dados contam com dados limpos e confiáveis para executarem planejamentos e traçarem objetivos estratégicos.

Entendeu agora porque a Big Data e os conceitos tecnológicos da Indústria 4.0 são tão importantes até mesmo no “chão de fábrica”? Se as empresas e gestores olharem de outra forma para essa questão, terão resultados ainda mais positivos.

O que você acha que ainda impede as empresas de fazer essa convergência?

Fonte: StartSe

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Guerra Tarifária e Novo Protecionismo: Desafios e Riscos para o Brasil no Comércio Global

A guerra tarifária deflagrada pelos EUA reconfigura o comércio global, desafia a ordem multilateral e impõe ao Brasil a necessidade de agir estrategicamente

A reconfiguração da ordem econômica internacional é um dos temas mais urgentes e complexos da atualidade. Abaixo, algumas reflexões sobre os principais impactos da atual guerra tarifária deflagrada pelos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, e suas consequências para o Brasil e para o comércio global.

Desde o primeiro dia do novo governo Trump, houve a uma série de ações que reconfiguraram o conceito de segurança nacional e de alianças estratégicas. Houve também um abandono de compromissos internacionais, como o Acordo de Paris, e a retirada dos EUA de organismos multilaterais importantes, como a OMC e a Comissão de Direitos Humanos. A política externa norte-americana passou a priorizar o “reshoring” — a tentativa de atrair investimentos de volta ao território dos EUA — , reforçada por uma visão peculiar de “reciprocidade” no comércio: para a administração Trump, déficits comerciais são sinônimo de exploração econômica.

Nesse contexto, as tarifas aduaneiras passaram a ser vistas não apenas como instrumento de política comercial, mas também como fonte de arrecadação para o Estado. A ordem executiva de 2 de abril resume essa estratégia: redução do déficit comercial, fortalecimento da indústria doméstica, correção de assimetrias tarifárias e combate a barreiras não tarifárias.

Dentro da equipe econômica de Trump, há nuances entre os diferentes assessores: enquanto alguns ainda defendem a abertura de mercados, outros — como Peter Navarro — advogam pela reindustrialização radical dos Estados Unidos por meio de tarifas massivas. Esse conflito interno reflete-se em políticas muitas vezes contraditórias e pouco ancoradas na realidade econômica de um país cuja economia é majoritariamente de serviços, com apenas 8% de sua força de trabalho na indústria de transformação.

No campo prático, a guerra tarifária resultou em medidas amplas como a aplicação de tarifas de 10% sobre produtos de 70 países, com prazo de 90 dias para negociações bilaterais. Além disso, houve uma expansão agressiva da utilização da Seção 232 — que permite impor tarifas por razões de segurança nacional — , agora aplicada não apenas ao aço e alumínio, mas também a produtos como cobre, madeira e semicondutores, afetando diretamente as exportações brasileiras.

Do ponto de vista brasileiro, o impacto é significativo. Estima-se que dois terços das exportações do Brasil para os EUA sejam afetadas. Além da perda de competitividade, há o risco de desvio de comércio: produtos que perderem acesso aos EUA buscarão novos mercados, pressionando o Brasil e outros países em desenvolvimento. A OMC projeta uma redução de 1% no comércio global em função desse novo cenário.

Outro efeito imediato é o risco de uma espiral protecionista: Índia, União Europeia e outros países já adotaram medidas para proteger seus mercados. Além disso, a reorganização produtiva nos EUA — que dependeria de anos para novas instalações industriais — é complexa e incerta.

O comércio internacional também se vê cada vez mais submetido a fatores geopolíticos. O modelo de crescimento baseado em exportações — tão importante para países asiáticos nas últimas décadas — entra em xeque. E a instabilidade crescente aumenta os riscos para a segurança internacional.

Para o Brasil, os desafios são inúmeros. Primeiro, no setor de tecnologia: projetos de data centers e de energia renovável podem ser afetados pelas barreiras comerciais. Em segundo lugar, há impactos relevantes no sistema multilateral. O Brasil, potência média com grande dependência de commodities, prosperou sob o sistema baseado em regras da OMC. A erosão desse sistema ameaça nossa posição como fornecedor confiável de segurança alimentar e dificulta a promoção de temas como sustentabilidade e nova governança global.

Infelizmente, a capacidade de liderança brasileira no cenário internacional é limitada. Sem apoio firme dos EUA, e com uma Europa e uma China cada vez mais assertivas, será necessário redobrar esforços de coordenação para não perder relevância.

Um terceiro impacto é a crescente imprevisibilidade para investimentos e negócios. A suspensão de projetos à espera de definições nos próximos três meses é apenas o sintoma mais visível. A médio prazo, incertezas afetam acesso a mercados, seguros, logística e investimentos, prejudicando ainda mais economias emergentes como a brasileira.

Quarto ponto: o aumento da dependência da China. Em 2006, 20% das exportações brasileiras iam para os EUA; hoje, mais de 30% têm como destino a China. Caso as tarifas entre EUA e China permaneçam, setores como carne, soja, milho e algodão brasileiros ganharão espaço no mercado chinês, aprofundando ainda mais essa dependência. É uma oportunidade de curto prazo, mas também um risco estratégico de longo prazo.

Consequentemente, torna-se essencial avançar em acordos comerciais, como com o EFTA e a União Europeia, para diversificar mercados e reduzir vulnerabilidades.

Por fim, um alerta: a guerra tarifária já provoca pressões políticas internas no Brasil. Existem movimentos em Brasília para ampliar o uso da Lei de Retaliação, não apenas sobre bens físicos, mas também sobre serviços e propriedade intelectual — algo que, se mal conduzido, pode gerar insegurança jurídica e prejudicar a credibilidade brasileira no comércio internacional.

Em resumo, estamos diante de uma conjuntura de instabilidade estrutural. A guerra tarifária deflagrada pelos EUA reconfigura o comércio global, desafia a ordem multilateral e impõe ao Brasil a necessidade de agir estrategicamente: diversificar mercados, fortalecer cadeias de valor, proteger suas exportações e se posicionar de maneira pragmática diante de um mundo mais fragmentado e competitivo.

Fonte: Medium

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Apagão em Portugal e Espanha foi causado por fenômeno atmosférico raro

A primeira versão deste texto dizia que o apagão que afetou Portugal e Espanha nesta segunda-feira (28) foi causado por fenômeno atmosférico raro. A REN, operadora de energia elétrica de Portugal, negou ter afirmado que esse fenômeno foi a causa. Leia mais aqui.

Em uma primeira versão, com alertas enviados às 11h10, no horário de Brasília, a agência de notícias Reuters publicou uma reportagem informando que a REN havia atribuído a interrupção a um fenômeno atmosférico raro conhecido como “vibração atmosférica induzida”.

“Devido às variações extremas de temperatura no interior da Espanha, houve oscilações anômalas nas linhas de muito alta tensão (400 KV)”, destacava o comunicado disparado pela Reuters.

Entretanto, em comunicado enviado à CNN Portugal, “a REN desmente categoricamente a informação de fonte anônima colocada a circular em nome da empresa, em que se estima que a normalização do abastecimento de energia ao país possa demorar uma semana”.

“A REN reafirma que está já a proceder às operações tendentes à reenergização do sistema elétrico nacional, de cujo andamento irá dando conhecimento publico, através dos seus canais oficiais. Todas as informações prevenientes de outras fontes devem ser desconsideradas”, afirmou a operadora portuguesa.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que, até o momento, não é possível determinar a causa do apagão.

Veja nota atribuída a REN divulgada anteriormente:
“A REN tem todos os seus recursos empenhados na recuperação da rede de abastecimento de energia a todo o país, em colaboração com as empresas produtoras e e de distribuição e com a Rede Elétrica de Espanha. Os dois países ibéricos são afetados por um corte maciço no fornecimento de energia. A retomada do sistema elétrico nacional será feita gradualmente, com o acoplamento faseado dos diversos grupos eletroprodutores. […] Neste momento é ainda impossível prever quando estará normalizada a situação. As autoridades e as empresas responsáveis pelo transporte de eletricidade de ambos os lados da fronteira continuam entretanto a analisar as causas do incidente desta manhã”

Por volta das 12h30 em Madri e às 11h30 em Lisboa, houve cortes de energia em grande parte da Península Ibérica. Partes do País Basco foram brevemente afetadas, mas não por muito tempo.

As interrupções afetaram trens, linhas de metrô e aeroportos internacionais nos dois países. A fornecedora de energia elétrica espanhola, Red Electrica, afirmou que o restabelecimento do fornecimento de energia a todos os clientes pode levar de seis a dez horas, em declarações a uma emissora local nesta segunda-feira.

As autoridades espanholas solicitaram que as pessoas minimizem seus movimentos e liguem para os serviços de emergência apenas em casos de emergência extrema. Também pediram que as pessoas se mantenham afastadas das estradas para que os socorristas possam acionar o sistema.

A polícia portuguesa alertou que semáforos e iluminação pública correm o risco de falhas, pedindo aos motoristas que evitem deslocamentos desnecessários e prestem atenção redobrada nas estradas. A companhia aérea portuguesa TAP Air também solicitou que os viajantes não se desloquem para o aeroporto.

Fonte: Diário do Brasil

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Cibersegurança de Portugal descarta ciberataque em apagão na Europa

O Centro Nacional de Cibersegurança de Portugal afirmou nesta segunda-feira, 28, que não há indícios de ciberataque no “apagão” que afetou partes da Europa. A declaração faz parte da investigação em andamento sobre o ocorrido.

Em Bruxelas, a vice-presidente da Comissão Europeia, Teresa Ribera, corroborou essa afirmação. Depois de dialogar com autoridades de Espanha e Portugal, ela destacou que não há sinais de que o apagão tenha sido provocado intencionalmente.

Espanha e Portugal enfrentaram um apagão generalizado, que também comprometeu as telecomunicações móveis. Na Península Ibérica, a comunicação estava restrita a dados móveis e aplicativos de mensagens.

Diversos voos sofreram atrasos nos aeroportos de Barajas, em Madri, e El Prat, em Barcelona. Além disso, houve restrições no tráfego aéreo no Aeroporto de Lisboa, conforme relataram controladores de tráfego.

Medidas de emergência depois do apagão

A interrupção de energia afetou também o transporte público, com a circulação do metrô interrompida em Madri e Lisboa.

O prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, solicitou aos moradores que limitem seus deslocamentos e permaneçam em suas residências, sempre que possível.

“Peço a todos os moradores de Madri que mantenham seus deslocamentos ao mínimo absoluto e, se possível, permaneçam onde estão”, afirmou o prefeito em vídeo divulgado à população. “Queremos manter todas as estradas desobstruídas.”

O governo de Madri ativou o “status 2” do Plano de Emergência Territorial, que indica um nível elevado de alerta e mobilização. Essa medida visa a restaurar serviços essenciais e garantir a segurança pública.

Martínez-Almeida, falando do centro integrado de segurança emergencial, explicou que a falha dos semáforos levou à interdição de túneis em algumas rodovias, uma ação necessária para prevenir acidentes e facilitar a mobilidade dos serviços de emergência.

Fonte: Diário do Brasil

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Apagão em Portugal e Espanha foi causado por fenômeno atmosférico raro; ENTENDA

A REN, Redes Energéticas Nacionais, operadora elétrica de Portugal, declarou que a queda no fornecimento de energia do país foi resultado de uma falha na rede espanhola, relacionada a um fenômeno atmosférico raro conhecido como “vibração atmosférica induzida”.

“Devido às variações extremas de temperatura no interior da Espanha, houve oscilações anômalas nas linhas de muito alta tensão (400 KV)”, informou a REN. Segundo a operadora, a restauração completa da rede elétrica do país pode levar até uma semana.

Veja nota da empresa:

“A REN tem todos os seus recursos empenhados na recuperação da rede de abastecimento de energia a todo o país, em colaboração com as empresas produtoras e e de distribuição e com a Rede Elétrica de Espanha. Os dois países ibéricos são afetados por um corte maciço no fornecimento de energia. A retomada do sistema elétrico nacional será feita gradualmente, com o acoplamento faseado dos diversos grupos eletroprodutores. […] Neste momento é ainda impossível prever quando estará normalizada a situação. As autoridades e as empresas responsáveis pelo transporte de eletricidade de ambos os lados da fronteira continuam entretanto a analisar as causas do incidente desta manhã”

No entanto, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, disse que a expectativa é que o problema seja resolvido ainda hoje. Em entrevista à CNN, ele reforçou que a origem do apagão não foi em Portugal.

A operadora espanhola ainda não se pronunciou sobre a declaração da REN.
O que se sabe sobre o apagão
Por volta das 12h30 em Madri e às 11h30 em Lisboa, houve cortes de energia em grande parte da Península Ibérica. Partes do País Basco foram brevemente afetadas, mas não por muito tempo.

As interrupções afetaram trens, linhas de metrô e aeroportos internacionais nos dois países. A fornecedora de energia elétrica espanhola, Red Electrica, afirmou que o restabelecimento do fornecimento de energia a todos os clientes pode levar de seis a dez horas, em declarações a uma emissora local nesta segunda-feira.

As autoridades espanholas solicitaram que as pessoas minimizem seus movimentos e liguem para os serviços de emergência apenas em casos de emergência extrema. Também pediram que as pessoas se mantenham afastadas das estradas para que os socorristas possam acionar o sistema.

A polícia portuguesa alertou que semáforos e iluminação pública correm o risco de falhas, pedindo aos motoristas que evitem deslocamentos desnecessários e prestem atenção redobrada nas estradas. A companhia aérea portuguesa TAP Air também solicitou que os viajantes não se desloquem para o aeroporto.

Fonte: Diário do Brasil

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Vagas abertas! Mercado Livre quer contratar 4 mil funcionários no Brasil

As vagas são para diversas áreas da companhia; confira a lista completa

Tem o sonho de trabalhar em uma grande empresa de tecnologia? Agora, você pode se candidatar para uma das 4 mil vagas do Mercado Livre. A companhia espera alcançar 16 mil funcionários no país ainda este ano – um crescimento de 31% em comparação a 2021.

As contratações são para o marketplace e Mercado Pago, braço financeiro da companhia. As vagas fazem parte do plano da empresa de investir R$ 17 bilhões na operação brasileira neste ano.

Mas a aposta não é apenas no Brasil: a expectativa da empresa é de atingir 44 mil funcionários em toda a região. Confira todas as vagas disponíveis.

TRABALHO FLEXÍVEL

Desde o início da pandemia, muitas empresas não retornaram ao trabalho 100% presencial – e o Mercado Livre é uma delas. As vagas administrativas são aptas ao trabalho flexível (ou seja, que une o remoto e presencial).

“Trabalhamos de maneira remota, com opção de estar no escritório, mas também estabelecemos momentos para que os times se encontrem e co-criem o melhor lugar para trabalharem”, disse Patrícia Monteiro de Araújo, diretora do setor de Pessoas do Mercado Livre no Brasil, no anúncio.

DA TECNOLOGIA À LOGÍSTICA E CRIPTOMOEDAS

Há posições abertas no setor de prevenção à fraude, logística, tecnologia, relacionamento com o cliente, novos negócios, vendas, administração, jurídica, entre outros. Algumas vagas contemplam pessoas com deficiência. Acesse a lista completa de vagas no Brasil.

OS PLANOS DO MERCADO LIVRE

O Mercado Livre não é uma empresa nova: ele foi criado em 1999, mas segue em pleno crescimento. A companhia foi considerada a mais valiosa da América Latina em 2021, desbancando a Vale. Conheça a história e estratégia de sucesso.

Além do investimento no varejo, através do live commerce, a empresa está apostando em finanças e logística. Em novembro do ano passado, ela anunciou que irá oferecer a compra, venda e armazenamento de Bitcoins para alguns clientes no país (pois ainda está em fase de testes). 

Mais recentemente, em abril deste ano, o anúncio foi de uma parceria com a Gol para utilizar aviões em suas entregas. O objetivo é se diferenciar da crescente concorrência ao acelerar as entregas, mesmo em locais mais distantes dos centros de distribuição, como o norte e nordeste do Brasil.

Fonte: StartSe

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10 profissões que podem sumir no Brasil por causa da tecnologia

Segundo pesquisadores, cerca de 58,1% dos empregos no país podem desaparecer entre 10 e 20 anos por causa da automação. Saiba quais profissões estão em risco e quais são as mais protegidas!

Será que a sua profissão está com os dias contados no Brasil? Talvez. Isso porque, segundo pesquisadores brasileiros, 58,1% dos empregos no país podem desaparecer entre 10 e 20 anos por causa da automação.

Mas calma. O objetivo do estudo não é criar uma onda de pânico, mas servir de alerta ao indicar que novas tecnologias podem substituir grande parte dos empregos brasileiros.

Segundo os pesquisadores, é “por meio de políticas efetivas” que o país pode aliviar ou “até mesmo evitar, a perda maciça de empregos devido à automação, nas próximas décadas.”

Outro dado da pesquisa é que o setor de trabalho informal tem maior probabilidade de ver seus empregos serem substituídos por máquinas do que os que têm carteira assinada. Mas afinal, será que o seu está na lista? Confira abaixo:

10 profissões que podem acabar 

Diante do levantamento, a BBC News Brasil, pediu aos pesquisadores da ISE Business School e Consultoria IDados que levantassem as 10 áreas com maiores chances de acabar e as 10 com menor probabilidade de sumir por causa da tecnologia. Confira:

1 – Operadores de entrada de dados (digitador) – 99%

2 – Profissionais de nível médio de direito e afins (assistente) – 99%

3 – Agentes de seguros – 99%

4 – Operadores de máquinas para fabricar equipamentos fotográficos – 99%

5 – Vendedores por telefone – 99%

6 – Despachantes aduaneiros – 99%

7 – Contabilistas e guarda livros – 98%

8 – Secretários jurídicos – 98%

9 – Condutores de automóveis, táxis e caminhonetes – 98%

10 – Balconistas e vendedores de lojas – 98%

Profissões com menor chance de automação

1 – Dietistas e nutricionistas – 0.4%

2 – Gerentes de hotéis – 0.4%

3 – Especialistas em métodos pedagógicos – 0.4%

4 – Médicos especialistas – 0.4%

5 – Médicos gerais – 0.4%

6 – Fonoaudiólogos e logopedistas – 0.5%

7 – Trabalhadores do sexo – 0.6%

8 – Dirigentes de serviços de bem estar social – 0.7%

9 – Psicólogos – 0.7%

10 – Dirigentes de serviços de educação – 0.7%

POR QUE IMPORTA?

É importante ficar de olho nas áreas que têm maiores chances de serem automatizadas para que você possa ficar um passo à frente. Por exemplo, se a sua profissão está na lista, você precisa buscar formas de se atualizar na sua área. Afinal, por mais que as automações substituam profissões, será necessário pessoas que desenvolvam e utilizem as tecnologias.

Com tantas profissões desaparecendo: sua carreira está em risco?

Se você não fizer alguma coisa, a resposta é SIM. Hoje em dia, um profissional não pode depender da empresa na qual atua, nem deixar de se atualizar, se o seu objetivo for uma carreira competitiva de sucesso.

Fonte: StartSe

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