Comércio Exterior

Governo vai comprar pescado, mel e frutas de produtores afetados por tarifaço, mas deixa café e carne fora de lista

Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, disse que os dois produtos não foram inclusos por terem demanda em outros países. Ele acredita que café e carne ainda devem entrar na lista de isenção dos EUA

O governo federal definiu uma lista de alimentos que poderão ser comprados de maneira simplificada por União, estados e municípios após os produtos terem sido impactados pela tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Estão incluídos:

  • açaí;
  • água de coco;
  • castanhas;
  • manga;
  • mel;
  • uva;
  • e uma série de pescados, como tilápia, pargo e corvina.

A portaria com a lista foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na sexta-feira (22).

Em entrevista à imprensa, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, disse que o governo optou por não incluir carne bovina e café na lista porque esses itens têm demanda em outros países.

“Tem outros mercados que querem o café brasileiro, já que não têm grande disponibilidade. O fato de o café não ter entrado é por essa razão. A carne, igualmente, tem outros mercados que quererão a carne brasileira, que é muito barata e de altíssima qualidade”, disse.

Ele também afirmou acreditar que os dois produtos ainda serão isentos pelo país norte-americano, que depende desses itens para sustentar seu mercado interno.

Medidas de apoio

Após a gestão do presidente Donald Trump implementar a tarifa de importação de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste mês um plano de apoio a setores afetados pela taxação, que inclui linhas de crédito e a facilitação das compras públicas.

➡️A regra permite que União, estados e municípios façam compras para seus programas de alimentação, como os destinados a merenda escolar e hospitais. A medida vale apenas para produtos impactados pela sobretaxa e a lista poderá ser atualizada periodicamente.

Pela medida do governo, as compras seguirão procedimento simplificado, dispensando licitação ou elaboração de estudos técnicos preliminares. As contratações nessa modalidade valerão por até seis meses.

Na avaliação de Teixeira, o orçamento federal já previsto para programas de compras públicas de alimentos, de cerca de R$ 6 bilhões no ano, será suficiente para absorver os alimentos incluídos na lista simplificada.

Ele afirmou que não há previsão de complementação de verbas para essa finalidade, ressaltando que o efeito dessas compras é ampliado também pela capacidade de aquisição pelos governos regionais.

“Há também a possibilidade desses produtos, aqueles que puderem ser estocados, há um programa previsto para a Conab comprar ou subsidiar esse produto. Ele pode ser estocado pelo próprio produtor com recursos públicos, isso já está equacionado no orçamento público”, disse o ministro.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Trump ameaça impor tarifa de 200% se China não fornecer ímãs aos EUA

O gigante asiático tem demonstrado maior sensibilidade em relação às terras raras — estratégicas para a indústria de alto desempenho — e ao controle de sua oferta. Em abril, restringiu a exportação de vários itens desse setor, incluindo ímãs, em resposta ao aumento tarifário.

O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (25) que a China precisa fornecer ímãs aos Estados Unidos ou ele terá de “cobrar uma tarifa de 200% ou algo parecido”. A declaração foi feita em meio à disputa comercial e tecnológica entre os dois países. (leia mais abaixo)

A China tem demonstrado maior sensibilidade em relação às terras raras e ao controle de sua oferta. Em abril, incluiu vários itens desse setor, incluindo ímãs, na lista de restrições de exportação, em retaliação ao aumento das tarifas pelos EUA.

  • 🔎 As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos presentes em diversos países. A maior parte das reservas conhecidas está concentrada na China e no Brasil. Esses elementos são fundamentais para a produção de smartphones de última geração, carros elétricos e outras tecnologias avançadas, o que os torna estratégicos para a indústria de alta performance.

Os ímãs mais potentes geralmente são feitos de ligas que contêm elementos de terras raras, como neodímio e samário. O disprósio, outra substância, pode ser adicionado para aumentar a estabilidade térmica, especialmente em aplicações industriais e tecnológicas de alto desempenho.

A nova ameaça de Trump representa mais um capítulo da disputa comercial e tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. O embate se intensificou no segundo trimestre, após o tarifaço anunciado pelo republicano. Recentemente, os países chegaram a acordos para reduzir as taxas.

Em 11 de agosto, o Ministério do Comércio da China anunciou a prorrogação da suspensão de tarifas adicionais sobre produtos dos EUA. A medida, válida por 90 dias, foi adotada após Trump assinar uma ordem executiva que estende a trégua tarifária entre as duas nações.

Em comunicado, o governo chinês afirmou que as tarifas de 10% atualmente aplicadas sobre produtos norte-americanos serão mantidas durante esse período.

Relembre o acordo entre os dois países

Em 12 de maio, EUA e China concordaram em reduzir temporariamente as chamadas “tarifas recíprocas” por um período de 90 dias.

  • As tarifas dos EUA sobre importações chinesas caíram de 145% para 30%.
  • As taxas da China sobre produtos americanos foram reduzidas de 125% para 10%.

Duas semanas após o acordo, Trump acusou a China de descumpri-lo em publicação nas redes sociais. “A má notícia é que a China, talvez sem surpresa para alguns, violou totalmente seu acordo conosco”, escreveu.

Em resposta ao republicano, o gigante asiático pediu que os EUA acabem com as “restrições discriminatórias” contra Pequim e que os dois lados “mantenham conjuntamente o consenso alcançado nas negociações de alto nível” realizadas em Genebra, na Suíça, em maio.

O acordo, previsto para se encerrar em 12 de agosto, teve então a sua prorrogação confirmada um dia antes, com validade de mais 90 dias.

Desde que anunciou seu tarifaço — com o objetivo de reduzir o déficit comercial dos EUA e ter poder de barganha em negociações geopolíticas —, Donald Trump enfrenta críticas, inclusive de aliados. O embate com o governo chinês agravou ainda mais a situação.

Tarifaço reduz déficit, mas encolhe economia dos EUA

O tarifaço de Trump deverá reduzir o déficit total dos EUA em US$ 4 trilhões até 2035. Por outro lado, tende a frear os investimentos e a produtividade, além de enfraquecer o poder de compra de famílias e empresas.

A análise é do Congressional Budget Office (CBO), um órgão independente do Congresso dos EUA. Segundo relatório publicado nesta sexta-feira (22), a redução do déficit total do país (ou seja, o saldo negativo das contas públicas, incluindo juros da dívida) deverá ocorrer da seguinte forma:

  • O dinheiro arrecadado com as tarifas ajudará a diminuir o déficit primário (diferença entre receitas e despesas do governo) em US$ 3,3 trilhões até 2035.
  • Com isso, a menor necessidade de empréstimos federais deve cortar os gastos com juros da dívida em US$ 700 bilhões, totalizando um impacto de US$ 4 trilhões no período.

“Devido às recentes mudanças nas tarifas, essas estimativas são maiores do que a redução de US$ 2,5 trilhões nos déficits primários e a diminuição de US$ 500 bilhões nos gastos com juros que projetamos no início de junho”, diz o CBO.

Apesar do impacto positivo no saldo da dívida, o órgão do Congresso norte-americano estima que as recentes mudanças nas taxas de importação — tanto pelos EUA quanto por seus parceiros comerciais — reduzirão o tamanho da economia americana.

“Os efeitos negativos de tarifas mais altas se manifestam na redução de investimentos e produtividade”, afirma o CBO, acrescentando que bens de consumo e de capital (usados pelas empresas na produção) ficarão mais caros, o que diminuirá o poder de compra no país.

Segundo o órgão do Congresso norte-americano, a tarifa efetiva sobre produtos estrangeiros que entram nos EUA está 18 pontos percentuais acima das taxas praticadas em 2024.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Corrente de comércio chega a US$ 399,9 bilhões de janeiro até a 4° semana de agosto

No ano, as exportações totalizam US$ 220,8 bi e as importações, US$ 179,1 bi, com saldo positivo de US$ 41,7 bi

Na 4ª semana de agosto de 2025, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,74 bilhão e corrente de comércio de US$ 13,1 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 7,44 bilhões e importações de US$ 5,699 bilhões.

Já no mês corrente, as exportações somam US$ 22,8 bilhões e as importações, US$ 18,06 bilhões, com saldo positivo de US$ 4,8 bilhões e corrente de comércio de US$ 40,9 bilhões.

No ano, as exportações totalizam US$ 220,8 bilhões e as importações, US$ 179,1 bilhões, com saldo positivo de US$ 41,7 bilhões e corrente de comércio de US$ 399,9 bilhões. Esses e outros resultados foram publicados nesta segunda-feira (25/8), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Nas exportações, comparadas as médias até a 4ª semana de agosto/2025 (US$ 1,4 bi) com a de agosto/2024 (US$ 1,3 bi), houve crescimento de 9,2%. Em relação às importações houve crescimento de 2,5% na comparação entre as médias até a 4ª semana de agosto/2025 (US$ 1,12 bi) com a do mês de agosto/2024 (US$ 1,1 bi).

Assim, até a 4ª semana de agosto/2025, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 2,6 bi e o saldo, também por média diária, foi de US$ 297,9 milhões. Comparando-se este período com a média de agosto/2024, houve crescimento de 6,2% na corrente de comércio. 

Exportações e importações por Setor

No acumulado até a 4ª semana do mês de agosto/2025, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores, pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 37,83 milhões (13,5%) em Agropecuária; de US$ 40,55 milhões (13,7%) em Indústria Extrativa e de US$ 40 milhões (5,5%) em produtos da Indústria de Transformação.

Já o desempenho dos setores importadores, pela média diária foi o seguinte: crescimento de US$ 0,7 milhões (3,5%) em Agropecuária; de US$ 4,88 milhões (7,7%) em Indústria Extrativa e de US$ 22,61 milhões (2,2%) em produtos da Indústria de Transformação.

Fonte: MDIC

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Comércio Exterior

Governo Federal estabelece medidas para compras públicas de alimentos afetados por tarifas dos EUA

Mapa e MDA estabelecem critérios para habilitação de produtores e exportadores nas aquisições excepcionais de gêneros alimentícios

Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) publicaram, nesta sexta-feira (22), a Portaria Interministerial nº 12/2025, que dispõe sobre procedimentos excepcionais e emergenciais relativos às compras públicas de gêneros alimentícios. A medida atende exclusivamente produtores e exportadores brasileiros impactados pela aplicação de tarifas adicionais de importação pelos Estados Unidos.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro disse que a iniciativa garante uma alternativa para escoamento da produção nacional atingida pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, assegurando renda a produtores rurais e empresas exportadoras. “A portaria estabelece as regras para as aquisições de produtos da agricultura e da agricultura familiar afetados pelos impostos do governo dos Estados Unidos. São vários produtos que agora podem ser comercializados com o Governo Federal, estados e municípios, minimizando os impactos do tarifaço. Também estamos atentos caso outros produtos necessitem entrar nesta lista. O governo do presidente Lula está atento, garantindo os empregos, o crescimento econômico e buscando novos mercados para direcionar os produtos brasileiros,” afirmou.

Segundo a norma, poderão participar produtores e pessoas jurídicas que deixaram de exportar em razão das novas tarifas. Para se habilitar, as empresas exportadoras deverão apresentar uma Declaração de Perda (DP) e comprovar, via Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), que realizaram exportações desde janeiro de 2023. Já os produtores que fornecem diretamente a essas empresas deverão apresentar uma Autodeclaração de Perda (AP). Nos casos de produtores que exportam diretamente, serão exigidos os mesmos documentos das empresas.

Entre os produtos elegíveis para aquisição estão: açaí (purê, preparações alimentícias e frutas congeladas), água de coco (com valor Brix superior ou não superior a 7,4), castanha de caju (in natura sem casca, além de preparações, sucos e extratos), castanha-do-brasil (fresca ou seca, sem casca), manga (fresca ou seca), mel natural, uvas frescas e pescados, incluindo corvina, pargo, outros peixes frescos, refrigerados ou congelados, além de tilápia em diferentes apresentações (filés frescos, congelados ou refrigerados, e peixes inteiros frescos ou congelados).

Essas aquisições excepcionais serão realizadas pela administração pública conforme previsto na Medida Provisória nº 1.309/2025 e na Lei nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações e Contratos. A Portaria entrou em vigor na data de sua publicação.

Plano Brasil Soberano

A Portaria Interministerial nº 12/2025 integra as ações do Plano Brasil Soberano, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reúne medidas para mitigar os impactos econômicos da elevação das tarifas de importação pelos Estados Unidos. O pacote prevê apoio a exportadores, preservação de empregos e estímulo a investimentos em setores estratégicos, além de facilitar a comercialização de alimentos produzidos no país por órgãos públicos.

Entre as ações, estão a destinação de R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito com taxas acessíveis, a ampliação de linhas de financiamento às exportações, a prorrogação da suspensão de tributos, o aumento do percentual de restituição de tributos via Reintegra e a facilitação da compra de alimentos por órgãos públicos.

Confira a portaria na íntegra aqui.

Fonte: MAPA

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Comércio Exterior

Tarifaço: Consumidores dos EUA estão gradualmente arcando com os custos

Evidências econômicas mostram que empresas e consumidores dos EUA estão arcando com os custos das tarifas impostas pela administração Trump

Segundo o Presidente Donald Trump, países estrangeiros e empresas internacionais estão absorvendo os custos da política tarifária dos Estados Unidos. Mas as evidências mostram que consumidores e as companhias americanas estão pagando caro pelas tarifas que a Casa Branca implementou como sua principal ferramenta política.

“Está provado que, mesmo neste estágio avançado, as tarifas não causaram inflação ou quaisquer outros problemas para a América, além de quantias massivas de dinheiro entrando nos cofres do nosso Tesouro”, publicou Trump em sua rede social, Truth Social, no início deste mês.

“Além disso, foi demonstrado que, na maior parte, os consumidores nem estão pagando essas tarifas. Os custos são principalmente de empresas e governos, muitos deles estrangeiros, que estão arcando com as contas”, completou.

Há um crescente conjunto de evidências que apontam o contrário: dados econômicos, pesquisas acadêmicas, despesas empresariais e experiências em primeira mão estão mostrando que, na verdade, são as empresas e os consumidores americanos que estão enfrentando custos cada vez mais altos devido às tarifas.

Espera-se que esse fardo se torne ainda mais pesado nos próximos meses — e, potencialmente, anos — conforme mais tarifas entram em vigor e outras se estabelecem profundamente nas cadeias de suprimentos.

Se os exportadores estrangeiros estivessem absorvendo os custos das tarifas, uma possível maneira de ver isso nos dados econômicos dos EUA seria através da redução dos preços de exportação pré-tarifa.

No entanto, dados dos últimos meses mostraram que os preços de importação (que excluem os custos de tarifas, seguros e transporte) permaneceram praticamente estáveis. Eles aumentaram 0,5% desde a eleição de novembro e 0,2% desde março.

“Um argumento que parecia plausível até recentemente era que os preços de importação haviam sido sustentados pelo estoque pré-tarifa na [última parte de 2024 e nos primeiros três meses de 2025], que viu as importações de mercadorias atingirem níveis recordes”, escreveram os economistas da Pantheon Samuel Tombs e Oliver Allen, em uma nota de 19 de agosto.

“Isso deixou os exportadores estrangeiros com muitos pedidos, fornecendo pouco incentivo para cortar preços. Mas os preços de importação permaneceram resilientes apesar das importações de mercadorias terem caído acentuadamente [no segundo trimestre], sugerindo que uma queda acentuada nos preços à frente é improvável.”

Uma análise mais detalhada dos dados de importação indica que há uma leve queda nos preços de importação da China; no entanto, para a grande maioria dos países, eles permaneceram praticamente estáveis, disse Olu Sonola, chefe de pesquisa econômica dos EUA na Fitch Ratings, em entrevista à CNN.

“O dado está nos dizendo que tudo isso é pago pelos importadores”, ele disse. “Agora é uma questão de: é o fabricante, são os varejistas ou é a pequena empresa que está pagando? Eles agora precisam descobrir: ‘Quanto disso posso absorver e quanto disso vou repassar?'”.

Até junho, os consumidores americanos haviam absorvido 22% dos custos tarifários, mas essa participação deveria subir para 67% até outubro, de acordo com uma estimativa de 10 de agosto dos economistas do Goldman Sachs.

Essa avaliação levou Trump a exigir que a gigante de investimentos demitisse seu economista-chefe.

Economistas do Goldman Sachs afirmaram que esperam que cerca de 70% dos custos diretos das tarifas eventualmente recaiam sobre o consumidor, e que o total pode chegar a 100% se incluídos os efeitos secundários dos produtores domésticos aumentarem seus preços (algo que já ocorreu e deve continuar – mais sobre isso abaixo).

Há uma extensa lista de razões pelas quais os aumentos de preços impulsionados por tarifas são um processo gradual: as empresas abasteceram seus armazéns com produtos pré-tarifados; os custos mais altos foram divididos por entidades ao longo da cadeia de suprimentos, reduzindo o impacto no varejo; e a abordagem intermitente de Trump em relação às tarifas significou que a maior parte delas não entrou em vigor por meses, e muitos itens estão isentos (pelo menos por enquanto).

Ao mesmo tempo, a inflação permaneceu relativamente controlada por razões boas e nem tão boas: tendências deflacionárias contínuas em áreas-chave, marcando uma desaceleração contínua da escassez e picos de preços da era pandêmica; queda nos preços da gasolina (9,5% menor que julho do ano passado) em meio à incerteza econômica global; e também devido à demanda reprimida dos consumidores em áreas como viagens.

Ainda assim, relatórios recentes do Índice de Preços ao Consumidor revelam aumentos no custo de certas importações das quais os Estados Unidos dependem fortemente, incluindo móveis domésticos, roupas de cama, ferramentas, brinquedos e artigos esportivos.

Até 8 de agosto, os bens importados custavam 5% mais do que as tendências pré-tarifa previam e os bens produzidos domesticamente estão 3% mais altos, de acordo com pesquisa recentemente divulgada pelo professor Alberto Cavallo, da Harvard Business School, e colegas.

Cavallo, em entrevista à CNN, disse que espera que o repasse continue em incrementos constantes, mas pode ser limitado em alguns casos, dependendo da competitividade da categoria do produto e da indústria.

“Acho que pode levar mais de um ano para vermos alguns dos efeitos dessas tarifas”, disse ele. “Mas daqui a um ano, talvez dois anos, notaremos que os consumidores acabaram pagando uma quantidade significativa das tarifas, mesmo que não tenham percebido os aumentos imediatamente.”

Nova pesquisa da semana passada do Federal Reserve Bank of Atlanta mostrou que as empresas — tanto as diretamente expostas às tarifas quanto as que não são — esperam aumentar os preços este ano.

No final de 2024, as empresas pesquisadas previam aumentar seus preços em 2,5% durante o ano seguinte. Em meados de maio, essas estimativas subiram para 3,5%, de acordo com o Fed de Atlanta, que descobriu que havia pouca diferença nas expectativas de crescimento de preços entre empresas com ou sem exposição externa.

No entanto, a pesquisa mostrou alguns aumentos mais acentuados esperados entre as empresas prestadoras de serviços, o que levantou questões sobre se esses aumentos de preços poderiam gerar um impulso inflacionário como o visto há três anos.

“A principal preocupação em relação ao impacto das tarifas é se experimentaremos o mesmo fenômeno que testemunhamos durante a pandemia. Ou seja, as pressões sobre os preços se espalharão além dos preços diretamente afetados pelo aumento das tarifas de importação?”, escreveram os pesquisadores do Fed de Atlanta no relatório.

Mas nos próximos meses, as expectativas são de que o repasse das tarifas seja gradual e prolongado, disse Matt Bush, economista americano da Guggenheim Investments, em entrevista à CNN.

“As empresas dizem que estão trabalhando tanto com fornecedores quanto com consumidores para ajudar a compartilhar parte do ônus dos custos”, disse Bush. “Elas indicam que estão dispostas a absorver parte do custo por enquanto. Mas acho que, conforme a percepção de que essas tarifas não vão diminuir se consolida, elas começarão a repassar mais aos consumidores.”

O maior varejista do mundo disse isso mesmo na quinta-feira: o CEO do Walmart, Doug McMillon, afirmou que os custos da empresa aumentaram toda semana devido às tarifas, mas tentará manter os preços baixos “pelo maior tempo possível.”

Pequenos aumentos ao longo do tempo podem tornar mais fácil para alguns consumidores lidarem com a situação; no entanto, para outros — especialmente aqueles com pouca ou nenhuma margem em seus orçamentos — esse processo gradual pode muito bem parecer um sangramento lento.

“Os americanos de baixa renda são tristemente hábeis em fazer malabarismos com suas despesas e tentar fazer cada centavo valer a pena”, escreveu Heather Long, economista-chefe do Navy Federal Credit Union, em um e-mail à CNN.

“Eles podem ficar sem carne ou café em uma semana para comprar sapatos para seus filhos. Na semana seguinte, podem pular o pagamento do carro para cobrir a conta de luz e uma despesa médica. É um malabarismo constante onde alocam dinheiro para sua necessidade mais urgente naquele momento.”

Os varejistas e as grandes marcas sabem que muitos americanos vivem de salário em salário, então estão usando a “sneakflation” para repassar as tarifas em pequenos incrementos, na esperança de que os consumidores não percebam ou possam absorver melhor, acrescentou Long.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Exportação

BNDES injeta R$ 10 bi para exportadores afetados pelo tarifaço

Valor, que se soma aos R$ 30 bi no plano Brasil Soberano, será destinado a empresas taxadas em menos de 50%

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) detalhou as linhas de crédito destinadas a empresas atingidas pelas tarifas de importação de 50% aplicadas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. De acordo com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, empresas que tiverem perdas acima de 5% do faturamento entre junho e julho serão priorizadas em um primeiro momento.

“A prioridade, nesse momento, é crédito incentivado para todas as empresas que tiveram um prejuízo, a perda dessa capacidade de exportação, que foi abrupta, sem nenhum tipo de negociação ou previsibilidade, e perderam acima de 5% do seu faturamento”, disse Mercadante, em entrevista coletiva.

O crédito corresponde a uma das iniciativas incluídas na medida provisória que criou o Programa Brasil Soberano, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. Além da linha de estímulo para empresas afetadas, a MP prevê cláusulas para manutenção de emprego e compra de produtos que seriam destinados à exportação.

As linhas de crédito previstas na MP destinam R$ 30 bilhões, em um primeiro momento, para o socorro das empresas afetadas. Nesta sexta-feira, representantes do governo federal e do banco de desenvolvimento explicaram que as empresas que tiverem um impacto maior ou igual a 5% do faturamento terão acesso à linha Giro Diversificação, destinada à busca de novos mercados.

Além da linha de diversificação, há a linha Capital de Giro, destinada ao financiamento de gastos operacionais gerais pelas empresas. Ambas as opções oferecem taxas de juros de até 0,66% ao mês. No caso da linha de Capital de Giro, a taxa tem o limite de 0,82% mensais, ou 10,31% ao ano, para as grandes empresas. O valor máximo por empresa somadas as duas linhas é de R$ 35 milhões para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e de R$ 200 milhões para as grandes.

Ambas as linhas têm como garantia o Fundo Garantidor para Investimentos e Programa Emergencial de Acesso a Crédito (FGI-Peac), controlado pelo BNDES, no caso das MPMEs. Caso a empresa que se encaixe dentro deste perfil tenha impacto igual ou maior a 20% do faturamento nos 12 meses até junho de 2025, também haverá garantia pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Além da comprovação de impacto, as empresas também terão que honrar uma cláusula de manutenção de empregos, definida pelo Ministério da Fazenda (MF), comprovando que o número de empregados não diminuiu após a adoção do crédito. A análise será feita pelo e-Social e a referência aplicada será a média entre julho de 2024 e junho de 2025, com a média apurada no período entre o último dia útil do 5º mês e o último dia útil do 16º mês após a contratação do benefício.

“Isso é um quantitativo. Não quer dizer que a empresa não possa trocar, eventualmente, os seus trabalhadores, ou que ela não possa, em algum momento, ter um quantitativo menor e, posteriormente, um quantitativo maior. Mas nós trabalhamos com o seguinte desenho: a referência inicial do quantitativo de empregos vai ser a média dos valores apurados entre o último dia útil de julho de 2024 e o último dia útil de junho de 2025”, explicou o secretário de Política Econômica do MF, Guilherme Mello. 

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que a partir do dia 1º de setembro, vai se reunir diretamente com os bancos de todo o país para explicar como serão aplicadas as novas linhas em cada instituição. A partir do dia 4 de setembro, os empresários já podem começar a procurar, preferencialmente, os bancos nos quais eles já são clientes. 

“A nossa avaliação é que o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), junto com a Receita Federal, entreguem a lista completa, CNPJ por CNPJ, de quanto (a empresa) exportava, para a gente poder confrontar com o quanto fatura, e calibrar essas linhas de crédito no dia 8 de setembro, logo após o dia da pátria, para a gente poder orientar toda a rede bancária”, disse Mercadante. 

Diante disso, o governo trabalha com a expectativa de que os primeiros financiamentos sejam liberados a partir da segunda quinzena de setembro. “Então, nós vamos orientar, se esse calendário for cumprido, a nossa avaliação é que, a partir da semana do dia 15 de setembro, a gente começa a ter as primeiras aprovações”, completou o presidente.

Então, a nossa recomendação é que a partir do dia 4 de setembro, na outra quinta-feira, os empresários comecem a procurar, em primeiro lugar, preferencialmente, os bancos que eles já trabalham. Porque o banco já tem um rendimento da empresa, já tem o histórico da empresa, já tem todas as informações necessárias para poder complementar com essas linhas de crédito. Então ele começa a procurar para verificar a situação da empresa e, se precisar de alguma documentação adicional, etc., começar a preparar o processo. 

A nossa avaliação é que o Mdic, junto com a Receita Federal, entreguem a lista completa, CNPJ por CNPJ, de quanto exportava, para a gente poder confrontar com o quanto fatura, e calibrar essas linhas de crédito no dia 8 de setembro, logo após o dia da pátria, para a gente poder orientar toda a rede bancária. Então, nós vamos orientar, se esse calendário for cumprido, a nossa avaliação é que, a partir da semana do dia 15 de setembro, a gente começa a ter as primeiras aprovações.

As primeiras serão as empresas que têm um bom rating, que têm um bom histórico com os bancos, que têm a sua proposta pronta, que as informações são mais seguras, que já temos a listagem para confrontar, então a gente acha que a partir da segunda quinzena de setembro as aprovações de crédito possam se iniciar.

Nós estamos colocando toda a nossa captação de LCD deste ano, que coloca um pequeno incentivo fiscal, portanto é uma linha um pouco abaixo da Selic, para esse programa. Estamos canalizando todo esforço que a gente pode, isso não estava planejado, para a gente colocar tudo para atender essas empresas. Então, é um pacote de crédito importante, com linhas incentivadas, para poder amenizar o impacto e, também, com prazos mais dilatados, dependendo da linha de crédito que está sendo feita. 

Linha complementar

O BNDES também anunciou ontem a liberação de R$ 10 bilhões para duas outras linhas de crédito complementares para auxiliar, também, os setores afetados com o tarifaço. A linha Giro Emergencial Complementar será destinada para cobrir gastos operacionais gerais, enquanto que a modalidade Giro Diversificação Complementar servirá para financiar a busca por novos mercados. Em ambas as linhas, empresas com produtos tarifados pelos EUA (por qualquer alíquota) e de qualquer porte, mesmo que atendidas por outras modalidades, terão acesso aos produtos. 

Mercadante explicou que a abertura da nova linha tem o objetivo de ser um complemento para as outras modalidades anunciadas pelo governo federal, que vão destinar R$ 30 bilhões ao todo para essas empresas. Além disso, ele destacou a possibilidade de que empresas atingidas por outras tarifas, além da máxima de 50%, possam adquirir o crédito. 

“Elas também foram atingidas com alíquotas menores. Então nós vamos colocar R$ 10 bilhões a mais, um pouco abaixo da Selic, não são as mesmas condições das outras empresas, porque o impacto é menos severo, mas ainda assim com taxas abaixo da Selic e vamos mostrar como essa operação vai ser feita”, justificou Mercadante, em entrevista coletiva na sede do banco, no Rio de Janeiro. 

De acordo com o Ministério da Fazenda, 35,9% dos produtos brasileiros comercializados com os EUA são tarifados com 50%. Outros 44,6% de itens são taxados com 10%, de acordo com as alíquotas anunciadas no dia 5 de abril de 2025, chamado “Dia da Libertação”, pelo presidente Donald Trump. O restante (19,5%) está sujeito às tarifas da Seção 232, que variam de acordo com o produto (5% para autopeças, automóveis; 50% para aço, alumínio e cobre, por exemplo. 

A linha Giro Emergencial Complementar prevê taxa de juros de 1,15% ao mês, mais spread bancário. O prazo nesta modalidade é de cinco anos, incluso o limite de até um ano de carência. Já a linha Giro Diversificação Complementar cobrará taxa de juros de 0,29% ao mês, acrescidos da variação do dólar e spread bancário. O limite, neste caso, será de sete anos, com um ano de carência adicional. 

“Então, é um programa que nós vamos continuar avaliando e ajustando ao longo do processo, como foi com a experiência do Rio Grande do Sul, mas a orientação do presidente Lula é “ninguém fica para trás”. E é um programa de apoio às empresas e ao emprego”, acrescentou o presidente do BNDES.

Fonte: Correio Braziliense

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Comércio Exterior, Exportação

Alckmin: tarifaço de Trump afeta 3,3% das exportações brasileiras

Vice-presidente diz que crise vai passar e não desistirá de negociação

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste sábado (23) que o Brasil vai superar a crise comercial aberta com as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) e lembrou da menor dependência em relação ao mercado norte-americano, comparado a décadas passadas.

“Vai passar. Na década de 1980, era 24% a nossa exportação para os EUA, praticamente um quarto das exportações brasileiras. Hoje, é 12%. E o que está afetado é 3,3%. Isso é o que está afetado no tarifaço”, observou o vice-presidente, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, durante participação em debate sobre conjuntura política promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília.

Alckmin lembrou que, no momento, cerca de 36% das exportações aos EUA são as mais afetadas pela tarifa de 50%, e que elas atingem de forma mais preocupante alguns setores da indústria de manufatura, como máquinas e equipamentos e indústria têxtil.

“Indústria de máquinas, equipamentos, calçados e têxtil. Esses são os que sofrem mais. Porque comida, [como] carne, se eu não vendi lá, eu vou ter outros mercados. Não vai cair o mundo. Café, se eu não vendi lá, vou vender em outro lugar. Agora, produto manufaturado é mais difícil de você realocar. Acaba realocando, mas demora um pouco mais”, pontuou o vice-presidente, que vem atuando como o principal negociador do Brasil nessa questão.

“Não vamos desistir de baixar essa alíquota e tirar mais produtos”, insistiu o vice, ao lembrar que cerca nem todo produto exportado pelo Brasil foi sobretaxado. Cerca de 42% deles ficaram de fora da alíquota de 50%, enquanto outros 16% foram incluídos em taxas que atingem outros países na mesma proporção, como é o caso do aço, alumínio e cobre.

Como alternativa, ressaltou Alckmin, o país deverá expandir mercados, com a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que pode ocorrer até o fim do ano, além de outras tratativas, como o acordo do Mercosul com o EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), Singapura e Emirados Árabes Unidos.

Alckmin também destacou as medidas anunciadas pelo governo federal para reduzir os impactos negativos causados aos exportadores brasileiros com o tarifaço, como abertura de linha de crédito, suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados (drawback) e aumento do percentual de restituição de tributos federais a empresas afetadas.

No âmbito internacional, o vice-presidente citou a reclamação aberta pelo governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas norte-americanas e prevê que o caso pode chegar também a tribunais dos EUA. “Você não pode usar política regulatória por razões partidárias, políticas”, comentou.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Rio Grande do Sul é o estado mais atingido pelo tarifaço dos EUA

Estudo da Fiergs aponta que 85,7% das exportações industriais gaúchas para os EUA estariam sujeitas à nova taxa de 50%

De acordo com levantamento da Unidade de Estudos Econômicos e da Gerência de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema Fiergs (Federação da Indústria do Estado do Rio Grande do Sul), 85,7% das exportações industriais gaúchas para os Estados Unidos estão incluídas na tarifa de 50%.

Caso a medida estivesse em vigor em 2024, o valor sujeito à nova taxa alcançaria US$ 1,58 bilhão, de um total de US$ 1,85 bilhão embarcado. As 1.100 indústrias gaúchas exportadoras para os EUA representam 10% do total brasileiro.

Em seguida, os Estados mais expostos são Minas Gerais (63,4%), São Paulo (57,8%), Espírito Santo (53,5%) e Rio de Janeiro (32,8%). A forte exposição do Rio Grande do Sul se deve ao fato de que poucos produtos da pauta de exportação industrial do Estado foram incluídos na lista de exceções publicada pela Casa Branca.

O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, destacou a relevância do mercado norte-americano e a necessidade de mediação para evitar impactos mais graves. “Exportamos tabaco, madeira, calçados, celulose. Essas tarifas nos atingem diretamente. Por isso, nossa posição é pela mediação para a solução do impasse comercial”, afirmou.

O estudo ressalta ainda que o Rio Grande do Sul tem maior dependência do mercado externo em comparação à média nacional, com 18,9% do faturamento de suas indústrias vindo de exportações, contra 16,4% do país.

O impacto no emprego também preocupa. O setor de calçados de couro, que emprega 31.500 trabalhadores no Estado, tem 47,5% das exportações destinadas aos EUA. Algumas empresas já implementaram férias coletivas para reduzir a produção.

Entre os setores mais dependentes do mercado norte-americano estão produtos de metal (46%), minerais não metálicos (44,4%), máquinas e materiais elétricos (42,5%) e madeira (30,1%). Entre os ramos industriais específicos, armas de fogo (85,9%) e transformadores (79,3%) apresentam a maior exposição.

Fonte: RD Planalto/Poder 360

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Comércio Exterior, Portos

Porto de Buenos Aires muda para sempre

O Decreto 602/2025 impulsiona a modernização do porto, concentrando contêineres e transformando as Terminais 4 e 5 em um polo turístico.

O Governo nacional oficializou, por meio do Decreto 602/2025, um plano integral para a transformação do Porto de Buenos Aires, que inclui a unificação das Terminais 1, 2 e 3 de Puerto Nuevo em uma única concessão destinada à movimentação de contêineres, e a reconversão das Terminais 4 e 5 em um polo turístico e comercial. Essa iniciativa tem como objetivo modernizar a infraestrutura portuária e adaptá-la às necessidades atuais do comércio e do turismo, fortalecendo a competitividade do porto e sua integração com a cidade.

O Decreto 602/2025 estabelece a unificação das concessões das Terminais 1, 2 e 3 de Puerto Nuevo sob um único contrato com a empresa Terminales Río de la Plata S.A.. Essa medida visa consolidar uma única área operacional voltada à logística de contêineres, permitindo uma gestão mais eficiente e homogênea da infraestrutura portuária. Atualmente, essas terminais são operadas pela Terminales Río de la Plata, formada pelas empresas DP World (55,62%), LAIF VI LTD (39,38%) e Mitsui & Co. (5%).

As Terminais 4 e 5 serão destinadas exclusivamente ao turismo e à atividade comercial. Está prevista a construção de um novo terminal de cruzeiros, acompanhado por áreas de serviços, como restaurantes, hotéis, estacionamentos e espaços de lazer.

O objetivo é impulsionar a chegada de cruzeiros internacionais e conectar de forma mais direta o Porto de Buenos Aires com a cidade, integrando o espaço portuário ao tecido urbano e ao turismo local.

A gestão das novas concessões ficará a cargo da Agência Nacional de Portos e Navegação (ANPyN), que terá a autoridade para convocar Iniciativas Privadas, a fim de atrair grandes investimentos para o desenvolvimento da infraestrutura turística e comercial.


Modernização e Competitividade

O plano de transformação busca modernizar a infraestrutura do Porto de Buenos Aires para permitir a operação de navios de maior porte, atualmente limitados por restrições de calado.

Está prevista a possibilidade de aumentar o calado dos cais e, no futuro, a construção de um terminal externo, condicionada à realização de estudos de viabilidade técnica, ambiental e financeira. Essas ações têm como objetivo consolidar o Porto de Buenos Aires como um hub estratégico para o comércio exterior e o turismo regional.

O Decreto 602/2025 destaca que, pela natureza da atividade, será o setor privado o responsável por aportar ideias, capital e know-how para o desenvolvimento das novas áreas turísticas e comerciais.

Sob o Regime de Iniciativa Privada, aprovado pelo Decreto 713/2024, a ANPyN convocará empresas nacionais e internacionais interessadas em investir e operar no porto. Essa estratégia visa dinamizar a economia local e projetar o Porto de Buenos Aires como um porto competitivo a nível internacional.

Fonte: Ser Industria

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Comércio Exterior

“Lula deveria falar com o presidente Trump”, diz novo presidente da Fiesc sobre tarifaço

Ao assumir a presidência da Federação das Indústrias de SC, Gilberto Seleme estreia com o grande desafio do tarifaço. Ele acredita que a solução depende de conversa direta entre os presidentes dos dois países

Primeiro industrial do Oeste catarinense eleito presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o empresário Gilberto Seleme, de Caçador, assume o cargo em posse solene nesta sexta-feira (22), às 19h, na sede da entidade, em Florianópolis. Mas desde o dia 08, quando recebeu as funções executivas do antecessor Mario Cezar de Aguiar, vem trabalhando e articulando intensamente na busca de soluções para o tarifaço de 50% dos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva para o NSC Total, ele afirmou que a solução para esse impasse é o presidente Lula falar com o seu par americano, Donald Trump.

– O presidente Lula deveria falar como presidente Trump. E nós precisamos ser humildes porque apenas 1,1% das importações dos Estados Unidos vêm do Brasil. Para eles, somos pequenos; mas para nós, os Estados Unidos são muito grandes – enfatizou Gilberto Seleme.

Engenheiro civil graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Gilberto Seleme sucede o também engenheiro civil Mario Cezar de Aguiar, e tem como primeiro vice-presidente André Odebrecht, de Rio do Sul. Para a Fiesc, a estratégia da nova diretoria é dar continuidade ao trabalho aplaudido da administração anterior, de Aguiar, da qual o novo titular da entidade era primeiro vice-presidente.

Gilberto Seleme destaca que a gestão que vai liderar priorizará o associativismo, a educação e infraestrutura, além de uma ação social voltada ao trabalhador. A ênfase aos investimentos em educação no Senai e no Sesi continuará.

Nascido em Caçador, filho do industrial Elias Seleme, o novo presidente da Fiesc tem 70 anos, é casado com Cristiane Costa Ganz Seleme e o casal tem três filhos, Gilberto, Gustavo e Guilherme. Também graduado em Administração pela UnC Caçador, ele é acionista do grupo Seleme, que atua com indústrias nos setores de madeira, construção civil, couro, calçados e gelatina. Ele tem, também, relevante trajetória no associativismo e na área social. Confira a entrevista a seguir: 

O que representa para o senhor presidir a Federação das Indústrias de Santa Catarina?
– Para mim, é uma honra presidir a Federação das Indústrias de Santa Catarina, que representa todas as indústrias. Nós temos uma organização fantástica na educação, especialmente com o Sesi e o Senai, além da área de Saúde do Trabalhador. Temos uma equipe excelente e me sinto muito confortável, pois fui vice-presidente por sete anos ao lado do presidente Mario Cezar Aguiar. Estamos dando continuidade ao planejamento estratégico que foi elaborado anos atrás.

O senhor assume no meio de uma crise sem precedentes, que é o tarifaço de 50% dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Como recebeu essa informação num primeiro momento e como está enfrentando essa situação agora?
– É, de fato, um momento difícil para o Brasil. Assumi já no primeiro dia tentando amenizar esse problema para o empresário catarinense, principalmente para quem exporta uma fatia significativa da sua produção para os Estados Unidos. A Fiesc, junto com a CNI e outras associações setoriais, como a de móveis e madeira, setores muito fortes em Santa Catarina, está atuando intensamente. Fizemos reuniões com o consulado americano e com as forças sindicais de Santa Catarina porque precisamos envolver também os trabalhadores nessa negociação. Realizamos encontros em Brasília com senadores e deputados, e a Fiesc está cumprindo seu papel de forma intensa com a equipe que temos aqui. Inclusive, estamos patrocinando equipes e escritórios nos Estados Unidos para nos ajudar nesse processo.

Na sua avaliação, qual seria o pior cenário e qual o melhor cenário para essa crise?
– O pior cenário é as tarifas perdurarem por mais de 90 dias. As empresas não terão tempo hábil para buscar novos mercados com os produtos e maquinários que possuem. No aspecto trabalhista, muitas já deram férias e fizeram o que podiam. Se passar de 90 dias, teremos grande dificuldade em certas regiões de Santa Catarina, não digo um colapso, mas problemas sérios.

O melhor cenário seria uma redução das tarifas para a faixa de 10% a 15%. Não estamos pedindo a volta ao patamar zero, mas algo nessa faixa já seria suportável. Outros países enfrentam tarifas médias em torno de 20%, mas nós temos o chamado “custo Brasil”, que eles não têm. Agora, tarifas de 40% ou 50% nenhuma indústria suporta por muito tempo. Talvez por um mês, mas não além disso. Aí é melhor fechar.

O senhor é acionista de um grupo exportador para os Estados Unidos. Isso ajuda a enxergar a crise de uma forma diferente? A saída é buscar novos mercados?
– Sim. Faço parte de um grupo extremamente exportador, que vende para mais de 16 países. Mas temos uma planta voltada exclusivamente para os Estados Unidos, que trabalha com madeira. Isso me dá mais segurança para discutir o problema, porque sinto na prática. Converso todos os dias com nossos clientes (nos EUA). Eles querem o produto, mas não conseguem pagar a taxa. Por isso, estamos mobilizando esses clientes para que pressionem seus deputados, senadores e governo, pois também precisam de nós. Não podem trocar de fornecedor de uma hora para outra. Isso me ajuda bastante a lidar com esse tarifaço.

As madeiras que vocês exportam não entraram nas exceções?
– Não. A lista contemplou apenas uma madeira tropical, bruta e restrita a uma região, provavelmente incluída por interesse de alguém com grande influência. A madeira que produzimos no Sul é de reflorestamento, exótica, totalmente certificada e sustentável. Temos uma cadeia completa, da tora à serraria, da fábrica à exportação, e todas as certificações ambientais. Portanto, nossa madeira deveria estar na lista de exceções, e não a madeira da Amazônia.

E a madeira de vocês é usada para quê?
– Principalmente na construção civil: móveis, molduras, portas, compensados, MDF. São florestas renováveis e certificadas, ecologicamente corretas. Uma cadeia que deveria ter sido incluída nas exceções.Já enviamos MDF pronto, portas prontas, molduras, rodapés, vistas, tudo que compõe uma casa. Se os Estados Unidos mantiverem essa taxa, a construção civil deles ficará mais cara, porque não têm indústria capaz de produzir no volume que o Brasil exporta.

Agora vamos falar sobre a gestão do senhor na Fiesc, o futuro da entidade. Quais serão as prioridades?
– Vamos seguir as diretrizes traçadas pela diretoria do presidente Mario Cezar de Aguiar, mas com foco em três pilares: associativismo, educação e infraestrutura, além de uma ação social voltada ao trabalhador. O associativismo é fundamental porque os sindicatos são nossos sócios e representantes da indústria.

Santa Catarina tem um parque industrial grande e diversificado, espalhado por todas as regiões. Precisamos que os sindicatos tragam os anseios locais dos empresários. Na educação, contamos com Sesi e Senai, que hoje atuam desde a educação infantil até a faculdade. Antes, formávamos apenas mão de obra para a indústria. Hoje, formamos cidadãos: profissionais liberais, pequenos empreendedores ou colaboradores de grandes empresas.

A educação é o caminho para transformar a sociedade, porque proporciona qualidade de vida e melhores condições para o trabalhador. Na infraestrutura, enfrentamos um gargalo histórico em Santa Catarina. Isso não é culpa apenas do governo atual, mas do acúmulo de décadas. Os investimentos são muito altos. Defendemos a privatização das rodovias e ferrovias, assim como já ocorre com os portos. A curto prazo, precisamos de soluções paliativas. Se for preciso pagar pedágio, que seja, mas com garantia de previsibilidade: saber a hora que saímos e a hora que chegamos.

O senhor defende a privatização, também, de rodovias estaduais?
– Nosso maior gargalo está nas rodovias federais: BR-470, BR-280, BR-101, BR-116, BR-153, entre outras. As estaduais ligam a malha federal e têm menor fluxo, por isso poucas despertariam interesse de investidores. Mas, se for necessário para melhorar, e o estado não tiver condições, também defendo a privatização das estaduais. Por ora, a prioridade são as federais.

Mesmo com os esforços, a falta de trabalhadores qualificados segue sendo um desafio em Santa Catarina. Como enfrentar esse problema?
– A indústria cresce mais rápido do que a qualificação profissional. Uma fábrica pode ser montada em dois anos, mas a formação exige mais tempo de banco escolar. Vivemos praticamente em pleno emprego. Por isso, Sesi e Senai precisam manter um “estoque” de alunos preparados, para que no futuro não falte mão de obra qualificada. Nos preocupa também que, com esse tarifaço, empresas exportadoras demitam profissionais já qualificados. Outras empresas podem absorver essa mão de obra, e depois, quando a situação melhorar, ela não estará mais disponível. Estamos pedindo soluções que evitem a dispensa desses trabalhadores.

Por isso vocês estão encaminhando aquele pedido ao Congresso Nacional, para tentar manter o trabalhador na indústria moveleira durante a crise?
– Sim. Ele precisa continuar, porque se estamos com falta de mão de obra e eu mandar embora, nunca mais conseguiremos essa mão de obra de volta. E muitas indústrias estão em cidades pequenas, o que agrava a situação. Quando o trabalhador sai da cidade, dificilmente retorna, e a empresa não consegue mais operar. Estamos alertando sobre isso. Inclusive, estamos elaborando um plano de emergência no Sesi e no Senai, que será divulgado nos próximos dias, para qualificar os trabalhadores, oferecer consultoria e ajudar as indústrias naquilo que o Sesi e o Senai podem fazer. Tudo subsidiado pelo Sesi e Senai, como nossa contrapartida de apoio ao setor.

Então, enquanto a empresa aguarda uma decisão do governo americano, ao invés de dispensar, vocês vão oferecer cursos aos trabalhadores?
– Exatamente. Estamos ampliando os cursos. Pelo que sabemos, parte desse custo pode ser até bancada pelo próprio governo. Além disso, vamos oferecer consultorias e apoio. Também estamos trabalhando para abrir mercados. Em breve haverá uma feira no Paraguai, onde a Fiesc estará presente com estande para identificar oportunidades. Quem sabe uma empresa consegue vender lá um produto que já fabrica aqui. Esse é o papel da Fiesc: ajudar o empresário catarinense, seja ele grande, médio ou pequeno. O grande normalmente vai sozinho, mas os médios e pequenos precisam de mais suporte.

Como a sua gestão vai incentivar a inovação da indústria?
– Vamos dar continuidade ao que a Fiesc está fazendo. A inovação está acontecendo de forma muito rápida, e para a empresa ser competitiva nesse mercado globalizado precisa inovar. Cabe a nós oferecer as ferramentas para que isso aconteça. E inovar não é apenas adquirir máquinas novas. Pode ser repensar um layout, melhorar o transporte de materiais. Temos institutos que apoiam essas iniciativas. A inteligência artificial, por exemplo, está chegando com força e precisamos estar preparados.

A Fiesc tem forte atuação em projetos sociais e voltados à saúde. Esse trabalho também continua?
– Sim, com certeza. A saúde do trabalhador é essencial. Uma máquina, basta comprar e fazer manutenção. Já o ser humano pode estar com boa saúde física, mas sofrer de pressão psicológica, problemas familiares ou outros desafios.

Ele precisa chegar ao trabalho com energia, sem trazer esses problemas junto. Durante a pandemia, nosso discurso era de que o local mais seguro era dentro da empresa, porque ali havia protocolos. Queremos agora ir além e alcançar também a casa do trabalhador. Muitas vezes, o problema de saúde dele está no ambiente em que vive.

Como o senhor avalia o atual momento da economia catarinense e de que forma o governo estadual poderia colaborar mais com o setor produtivo?
– A economia catarinense vinha bem, mas agora um dos pneus furou, e vamos precisar trocá-lo para continuar no mesmo ritmo. O governador Jorginho e suas secretarias mantêm diálogo próximo com a Fiesc. Eles nos escutam, pedem nossa opinião. Onde há indústria, há desenvolvimento, e Santa Catarina é um estado industrializado. Claro que o governo estadual tem limitações orçamentárias e enfrenta burocracia. Na infraestrutura, por exemplo, não há como fazer grandes obras a curto prazo. Mas o governador assumiu conosco o compromisso de não aumentar impostos e tem cumprido. É fundamental que essa postura se mantenha.

O senhor citou que um dos pneus (da indústria de SC) furou. Qual foi?
O do tarifaço. Das exportações para os Estados Unidos. Isso impacta cerca de 800 mil pessoas apenas no setor de madeira.

Quem são essas 800 mil pessoas?
– São as que atuam em toda cadeia da madeira. Desde quem leva o trabalhador até a floresta, passando pelo que corta a árvore, quem prepara o almoço, o caminhoneiro que transporta, o frentista que abastece, o operador da serraria, até chegar à fábrica de móveis. Cada elo dessa cadeia sofre o impacto. E, quando as famílias veem a renda comprometida, começam a cortar despesas, primeiro o supérfluo, depois outros gastos. Isso gera uma retração em cascata na economia. Portanto, o impacto não é apenas nos 15% de tarifa. Ele se espalha por toda a cadeia produtiva.

E sobre a economia brasileira? O que o governo federal poderia fazer mais pela indústria?
– O Brasil vive um momento complicado. O governo federal não tem dado um rumo claro e, muitas vezes, passa a impressão de estar estimulando a desindustrialização. O Congresso também não se acerta, o que gera insegurança para investimentos.

Pesquisa que realizamos mostra que o empresário está inseguro para investir. As ações do governo em apoio à indústria são tímidas. Abre-se uma linha de crédito pequena, que em poucos dias já se esgota. É preciso olhar mais para a indústria, porque é ela que sustenta os trabalhadores. O trabalhador não quer esmola, quer emprego digno. Quer ganhar pelo que produz. Portanto, o governo precisa ter uma política mais firme de apoio à indústria, que é a base da geração de empregos.

O senhor comentou que o governo talvez esteja com uma política que acaba incentivando a desindustrialização. Poderia detalhar mais isso?
– O governo está dando incentivo para quem traz produtos de fora e não para quem produz aqui no Brasil. Esse tarifaço, por exemplo, precisava de uma resposta rápida. Mas o governo agiu de forma muito lenta e ainda enviou para negociar pessoas sem poder de decisão. Quem vai negociar precisa ter autonomia para dizer sim ou não, atribuir valores e fechar acordos. O que aconteceu foi apenas uma conversa. Se de um lado há um negociador e do outro apenas alguém que conversa, não se chega a resultado algum. Precisamos de dois negociadores, cada um defendendo sua parte, até chegar a um acordo.

Quem deveria ter negociado, na sua visão?
– Isso é coisa de presidente para presidente.

Então, na sua opinião, o presidente Lula teria que falar diretamente com Donald Trump?
– Exatamente, o presidente Lula deveria falar como presidente Trump. E nós precisamos ser humildes, porque apenas 1,1% das importações dos Estados Unidos vêm do Brasil. Para eles, somos pequenos; mas para nós, os Estados Unidos são muito grandes. Por isso, devemos aceitar certas regras do jogo, agir com humildade, e depois buscar outros mercados.

Mas não era o momento de entrar nessa guerra de narrativas. Hoje não se sabe mais quem fala pelo Brasil. E, para os Estados Unidos, que sempre foram grandes parceiros, o Brasil parece um pequeno que quer cutucar. Para eles, tanto faz. Trump não está preocupado com o Brasil. E, infelizmente, o governo brasileiro não está preocupado com as indústrias.

Nem com o desemprego que isso pode causar?
– Exatamente, não está preocupado.

O senhor acredita que o governo não percebe o tamanho do impacto desse tarifaço?
– Não percebe. Em determinadas regiões e segmentos, isso pode se tornar devastador. Para ter uma ideia: o produto de madeira que as fábricas catarinenses produziam já está sendo feito na Ásia. Isso significa que estamos gerando emprego e riqueza para eles. Hoje, nosso concorrente nos Estados Unidos é a Ásia, que exporta pagando 20% de tarifa, enquanto nós enfrentamos 50%. Assim não há como competir.

Será durante a sua gestão à frente da Fiesc que vai ser implantada a reforma tributária. Qual sua avaliação sobre essa mudança tão esperada pelo setor industrial?
– A reforma era necessária. Para Santa Catarina, em alguns aspectos, ela traz perdas. Entre as empresas, há divergências: para umas é positiva, para outras não. Mas o país precisava avançar. Com a prática, muitos que acreditavam que seria ruim podem perceber benefícios, e vice-versa. Ela pode ser ajustada ao longo do tempo. Vejo espaço para uma “reforma da reforma”.

Um ponto que considero equivocado é a manutenção da zona franca de Manaus. Estamos levando matéria-prima do Sul para lá, industrializando e trazendo de volta, apenas multiplicando custos de frete. Seria mais inteligente criar polos de incentivo em outras regiões, inclusive em Santa Catarina. Por exemplo, poderíamos ter uma zona franca em Imbituba, nos moldes da de Manaus. Mas ninguém mexe nesse modelo, e seguimos estimulando algo que não faz mais sentido nem ambiental nem econômico. O ideal seria manter a Amazônia preservada e criar alternativas em outros pontos do país.

Fonte: NSC Total

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